Ela me via só como amigo - Cap. 16

Um conto erótico de Bruno (por Carlos_Leonardo)
Categoria: Heterossexual
Contém 8730 palavras
Data: 09/03/2026 09:28:40

Eu ainda tentava entender o que estava acontecendo.

A delegacia parecia silenciosa demais depois de tudo. Minha cabeça ainda estava cheia de perguntas sem resposta.

Foi então que percebi a cena diante de mim.

Wanda estava sentada entre nós. Ela abraçava Adriana, que repousava a cabeça em seus ombros. Minha ex-namorada parecia mais calma. De alguma forma, as palavras e a presença de Wanda a reconfortava.

Ver aquilo me pareceu estranho.

Não entendia a presença de Wanda ali, muito menos aquela intimidade repentina com Adriana. Não apenas pela proximidade entre as duas, mas por tudo o que existia entre nós três.

Eu permaneci atônito.

Repetia os mesmos questionamentos em loop. Mudava mentalmente as palavras como se isso pudesse trazer algum entendimento milagroso, algo que eu estivesse deixando passar, algum sinal, qualquer coisa.

Tentei encontrar uma explicação lógica para aquilo, mas nenhuma parecia fazer sentido.

Trajano reapareceu algum tempo depois. Ele estava… calmo, sereno. Eu o tinha visto conversar com Vitor e outras duas pessoas – uma delas provavelmente era o pai dele.

- Vamos pra casa. Tudo está resolvido. Vitor não será mais problema pra gente.

Wanda assentiu e se levantou junto com Adriana. As duas caminharam em direção à saída, Wanda com as mãos nos ombros de Adriana, como se a guiasse e a confortasse ao mesmo tempo.

Eu esperei um pouco, ainda sentado. Olhei para Trajano, confuso.

- Como fez?

Antes que ele respondesse, completei:

- Nunca pisei numa delegacia antes. Não sabia o que fazer. A única pessoa em quem pensei foi o senhor.

Trajano deu um meio sorriso.

- Não se preocupe com isso. Agora você já sabe como essas coisas funcionam.

Então ele me contou, em poucas palavras, o que tinha acontecido na conversa com o delegado, o escrivão, Vitor, o pai e o advogado dele. O ponto decisivo foi que, apesar de tudo, Vitor não quis prestar queixa.

- Ele disse que queria contar pra Adriana que estava se divorciando e que Wanda… – ele pigarreou – e que Wanda estaria livre para você.

Soltei um suspiro cansado.

- Meu Deus.

- Pois é…

Trajano sentou-se ao meu lado e me deu um tapinha no ombro.

- Foi uma tempestade em copo d’água.

Balancei a cabeça.

- Eu vi medo nos olhos de Adriana. Eu juro que vi, seu Trajano.

- Eu acredito em você, meu amigo.

Em silêncio, acompanhamos Vitor indo embora. O pai e o advogado dele seguiram logo atrás.

- O senhor disse que Vitor não dará mais problema…

- O pai dele não morre de amores por mim nem por Wanda. Hoje ele se impôs ao filho. Não restou outra alternativa senão aceitar o fim de tudo: do casamento, do contato, da história que ele teve com ela até aqui.

- E como acreditar que ele… cumprirá isso?

Trajano olhava para frente. Havia muita segurança em seu semblante.

- Você não vai acreditar, mas Wanda não é o mundo inteiro para Vitor. Ele tem uma vida além do relacionamento que teve com minha filha. E não quer perder isso.

Olhei para meu sócio, sem entender.

- Imagem é tudo para a família dele. Depois de hoje, não há mais como existir uma imagem positiva de Vitor e da família dele se ele continuar tentando manter o relacionamento com Wanda.

- O que o senhor acha disso tudo?

- Eu acho – ele fez uma breve pausa, como se medisse as palavras – que o divórcio será acelerado. E que, enfim, Wanda ficará livre dele.

Assenti.

- Vamos.

Ele se levantou e me puxou também.

- As meninas estão esperando a gente.

No carro, o silêncio era absoluto. Só o som do motor e das ruas passando do lado de fora quebravam a quietude.

Trajano dirigia e nos levava para a casa de Adriana. Wanda ia ao seu lado. No banco de trás, propositalmente ou não, Adriana e eu estávamos bem afastados, cada um ocupando um extremo do banco.

Ela olhava as ruas pela janela. Nas poucas vezes em que olhei para ela, Adriana sequer virou o rosto em minha direção.

Meu pensamento voltava sempre ao mesmo ponto: era com ela que eu precisava conversar. Afinal, tinha sido por Adriana que eu tinha ido à XP.

Mas, depois do que tinha acontecido naquela noite, eu não conseguia sequer imaginar por onde começar uma conversa que provavelmente seria difícil. Não havia clima, nem momento oportuno.

Foi então que percebi Wanda me observando pelo retrovisor interno. Isso continuou acontecendo de vez em quando. Sempre que nossos olhos se encontravam, eu desviava o olhar.

Procurei refletir, tentando organizar as ideias.

Nova Iorque ainda pesava sobre mim. O mês ao lado de Wis parecia agora algo distante e, ao mesmo tempo, impossível de ignorar. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que conversar com Wanda – nem que fosse apenas para termos algum tipo de encerramento.

Mas naquele momento meu foco continuava sendo Adriana.

Ela estava emocionalmente abalada e ainda preocupada com o que sua mãe acharia.

Não era o momento.

Nem de longe.

Na casa de Adriana, fomos recebidos por seus pais. Bastou que eles vissem o rosto da filha e o pequeno grupo que a acompanhava para que a preocupação surgisse imediatamente.

Geraldo, seu pai, foi até ela e a envolveu em um abraço acolhedor. Sua mãe, Marisa, manteve os braços na cintura, assumindo uma postura mais interrogativa.

- O que aconteceu, Adriana? – perguntou, em tom imperativo.

Antes que Adriana respondesse, Marisa virou-se para Wanda.

- Você reapareceu depois de tanto tempo?

Ninguém parecia ter coragem de dizer nada. Marisa, sempre tão tranquila, parecia cada vez mais irritada. Adriana chorava nos ombros do pai.

- Alguém vai me dizer alguma coisa?

Trajano gesticulou pedindo calma, mas logo tratou de explicar:

- Vitor, o ex-noivo da minha filha, quis conversar com Adriana. Mas ela claramente não queria contato. Ele insistiu de um jeito não muito agradável. Bruno apareceu e brigou com ele. Policiais estavam passando na hora e levaram todos pra delegacia.

Marisa virou os olhos para Adriana, claramente contrariada.

- Não entendo por que você e Bruno terminaram. Ainda não consigo entender, mas… o Vitor, Adriana? Eu te disse anos atrás que ele não prestava. Não sabia que você tinha voltado a falar com ele. Olha… que decepção.

Adriana chorava, mas se defendeu:

- Não, mãe. Eu não falo mais com ele. E não queria falar. Não quis. Ele apareceu e insistiu. Ele ia me machucar só para ter minha atenção…

- Já chega, Marisa – disse Geraldo, com firmeza. – Não há motivo para nossa filha mentir. E o Bruno está com ela. A ex-noiva do Vitor também.

Fez-se um silêncio.

Tive a certeza de que o impacto de Vitor na vida de Adriana foi muito maior do que imaginei a princípio.

Marisa pareceu cair em si. Aproximou-se do marido e da filha e os abraçou.

- Tudo bem, minha filha. Me desculpe. Eu acredito em você. Ainda bem que o Bruno apareceu. Eu sempre gostei dele. Te digo todo dia para você voltar…

Adriana remexeu-se desconfortável. Seu pai fez um gesto para Marisa silenciar.

De todo modo, aquele era o jeito que eu conhecia da mãe de Adriana: calorosa, mas com pouco filtro.

- Eu vou subir – disse Adriana.

Ela se soltou do abraço do pai e começou a subir as escadas, acompanhada pela mãe.

- Vou com vocês – disse Wanda.

Eu pensei em subir também. Mas não me mexi. Eu já não era mais namorado de Adriana para tomar tal atitude.

Nós, os homens, ficamos na sala.

Geraldo pediu mais detalhes, e eu e Trajano fomos contando. No fim das contas, ele concordou com Trajano quanto à conclusão da história, mas fez uma ressalva:

- Concordo que foi uma tempestade em copo d’água, mas entenda que esse rapaz, Vitor, causou problemas à minha filha no passado. Ela chegou a ter uma depressão séria. E tudo melhorou quando ela passou a trabalhar na sua empresa, Trajano… e depois começou a namorar o Bruno. Ali eu vi Adriana ter os melhores anos da vida dela.

Engoli em seco. Se ele soubesse como terminou, provavelmente não diria aquilo.

- Não se acanhe, Bruno – disse Geraldo, amável. – Adriana não entrou em detalhes sobre o término de vocês, mas hoje vejo ela madura o suficiente para lidar com essas questões de relacionamento. Isso faz parte da vida. O que não pode acontecer é saber que esse Vitor voltou a rondar minha filha…

Trajano interveio.

- Isso não vai voltar a acontecer.

- Como pode ter tanta certeza, amigo?

- Fiz questão de resolver isso na delegacia. Inclusive com o pai de Vitor. Dou-lhe minha palavra que Vitor não será mais problema para sua filha. Nem pra minha.

Geraldo franziu a testa.

- Por que a sua?

- Eles se casaram recentemente, mas minha filha quis terminar tudo após a lua de mel. Ele resistiu, mas depois de hoje não há mais volta.

- Uma pena terem casado antes dela perceber que não valia a pena.

- Às vezes é preciso quebrar a cara dessa forma para aprender.

Geraldo assentiu. Depois, olhou para mim.

- Ainda bem que você apareceu no momento certo, Bruno.

- Eu tinha ido falar com ela. Precisávamos conversar sobre nós, seu Geraldo.

- Eu entendo. E concordo. Não dá mais pra ficar nesse limbo. Vejo angústia em você, rapaz. É a mesma angústia que vejo em minha filha. Espero que conversem logo e se entendam… mesmo que o “entender” seja terminar tudo definitivamente, sem qualquer aresta.

Assenti.

A conversa prosseguiu por mais algum tempo, sempre focada em Adriana, até que Wanda desceu as escadas e veio em nossa direção.

- Gente, eu vou dormir aqui hoje. Adriana ainda está sensível. Quero ficar com ela esta noite. Dona Marisa achou uma boa também.

- Acho isso muito bom também, Wanda – disse Geraldo imediatamente. – Sempre sentimos que nossa filha teve poucas amigas. E uma amiga, numa hora dessas, ajudaria bastante.

- Obrigada, seu Geraldo.

Eu ainda não conseguia entender as atitudes de Wanda. Ela parecia agir como se nada tivesse acontecido, como se nós dois não tivéssemos traído Adriana. Mas o que realmente me perturbava era outra coisa: Adriana também parecia agir assim.

Wanda nos acompanhou até o carro de Trajano. O pai dela entrou primeiro, talvez percebendo que eu queria conversar com sua filha antes.

- O que está havendo? – perguntei imediatamente.

Ela não respondeu. Apenas me encarou, o que aumentou ainda mais minha ansiedade.

- Eu não estou entendendo. Vocês duas parecem tão… íntimas. Tão resolvidas. Não que isso seja um problema para mim. Pelo contrário: eu quero muito que vocês recuperem a amizade, que sejam grandes amigas. Mas tudo isso foi muito inesperado para mim. Ainda mais depois… você sabe.

- Eu sei.

Wanda respirou fundo antes de continuar.

- Eu e Adriana nos encontramos quando você estava viajando.

Senti meu estômago embrulhar.

- A gente teve uma conversa tensa, difícil. Mas tentamos nos entender. Eu mostrei minha visão… a nossa visão, Bruno. A dor que nós dois causamos. O arrependimento, que é sincero. Tentamos aparar as arestas e… – ela abaixou o olhar – nos aproximamos muito nesses últimos dias. Conversamos bastante.

- Eu preciso dessa conversa também. Eu preciso falar com ela. Foi isso que tentei fazer hoje…

- Eu sei. Ela sabe. Ela me disse agora, no quarto, que quer conversar com você. Só que ela ainda não está pronta. Ela quer um tempo.

- Tempo?

- Sim, Bruno. Toda essa situação foi estressante para ela. Reativou medos que ela já tinha superado. Vitor não foi bom para ela.

- Eu odeio esse cara.

- Não o odeie.

- Como não?

- Não vai fazer bem a você. E eu não quero isso pra você. Especialmente pra você.

- Por que pra mim?

Wanda sorriu timidamente e se aproximou um pouco mais. Quando percebi, estávamos perigosamente próximos.

Ela me abraçou, suas mãos passando pelos meus ombros.

Por um instante olhei para a janela do quarto de Adriana, temendo que ela pudesse estar vendo. Estava tudo escuro.

- Você confia em mim? – perguntou Wanda.

- Não é questão disso. Eu só preciso…

- Confia ou não?

O olhar dela era firme.

- Confio – balbuciei.

- Então vai ficar tudo bem. Eu nunca mais vou causar mal a você. Nunca mais. Nem a Adriana. Se vocês tiverem que ficar juntos, eu sairei de cena pra vocês brilharem.

Estremeci.

- Eu só quero conversar com ela, Wanda. Nem que seja para um encerramento, mas eu preciso…

Ela me olhou com algo que parecia compaixão.

- Se você quiser, eu posso falar com ela agora e dizer que você insiste na conversa hoje. Por você, eu faria isso sem pensar duas vezes. Mas deixa eu te dizer algo antes…

Assenti levemente.

- Confia em mim quando digo que o melhor dia não é hoje. Por favor. Confia. Por mim. Em nome do amor que tenho por você. Pode ser?

- Você me pedindo assim…

- Por favor, Bruno.

O sorriso dela me desarmou por completo.

Ela se aproximou ainda mais e falou aos sussurros:

- Só confie em mim…

- Confio.

- Te amo.

Ela me beijou rapidamente.

Afastei-me logo em seguida e olhei para a janela do quarto de Adriana, que continuava fechada.

Wanda não se assustou com minha reação. Apenas recuou alguns passos. Depois se virou e voltou para casa.

Antes de fechar a porta, acenou para nós e entrou.

Respirei fundo antes de entrar no carro. Era hora de buscar o meu.

O trajeto até perto da sede da XP foi silencioso. Eu estava imerso em meus pensamentos. Trajano também, aparentemente.

Então o telefone dele tocou.

Olhei pelo painel do carro.

Wis.

Estremeci.

Com um toque na tela, ele atendeu.

- Oi, minha filha.

- Papai – a voz dela era aflita. – Você não me respondeu mais. O celular do Bruno continua fora de área. Como estão as coisas? O que aconteceu? Cadê ele?

- Estou no carro, Wis Nara. Dirigindo. E estou com o Bruno. Só nós dois. Ele está te escutando.

Ela não perdeu tempo.

- Bruno, pelo amor de Deus… eu fiquei com o coração na mão quando você não apareceu na mentoria. Você não atendia o celular… Liguei pra PHX e ninguém sabia de você. Só quando liguei pro papai que soube o que tinha acontecido. Eu fiquei muito preocupada.

- Desculpa, Wis Nara. Perdão por não ter te avisado. Não sei quanto seu pai contou, mas está tudo bem agora. Tudo foi resolvido na delegacia.

- Graças a Deus. Eu estava muito preocupada mesmo. Apesar de ter adorado saber que você deu um soco naquele imbecil do Vitor, eu estava com medo dele prestar queixa…

Dei um leve sorriso. Trajano também.

- É… mas ele não fez nada disso. Foi tudo resolvido pelo seu pai. Ainda bem que ele me ajudou. Foi a primeira pessoa em quem pensei na delegacia.

- Papai é o máximo, não é? – ela riu. – Por isso que amo minha família. Você incluso, Bruno.

- Amamos você, filha – disse Trajano.

Conversamos mais alguns minutos sobre o ocorrido.

Antes de desligar, ela perguntou:

- Amanhã teremos mentoria?

- Se depender de mim, sim.

- Combinado então.

Nos despedimos. Trajano concluiu a ligação.

- Ela me mandou dezenas de mensagens e me ligou outras dezenas de vezes também. Ficou muito preocupada contigo.

- É… eu devia ter dado um jeito de avisar. Acho que meu celular quebrou. Lembro que ele ainda tinha carga.

Enquanto eu tentava ligá-lo mais uma vez, Trajano abriu o coração:

- Muito obrigado por confiar em mim, Bruno. Você não sabe o quanto isso significou pra mim. Não quero tomar o lugar do seu pai jamais, mas quero que entenda uma coisa. Passei a te ver como um filho. Dou a você a mesma importância que dou às minhas filhas.

Senti meu rosto corar.

- Por favor, seu Trajano, não é pra tanto. Suas filhas devem ser as coisas mais importantes da sua vida.

- Sim, são. Mas se eu não pensar em você como filho, Wanda, Wis e Cecília me matam…

Rimos da lógica curiosamente sem sentido.

Já perto da sede da XP, avistamos rapidamente meu carro. Quando desci, Trajano falou:

- Melhor você ir logo pro seu apartamento. Sua mãe ficou muito preocupada, ainda mais porque não conseguiu falar contigo.

Senti um nó no estômago. Eu tinha esquecido completamente da minha mãe. Mais uma vez eu tinha falhado como filho.

No caminho de volta para meu apartamento, eu me sentia péssimo. Tudo passava pela minha mente como um filme que insistia em se repetir.

Perguntava-me se tinha agido corretamente ao socar Vitor. Também me culpava por não ter ligado para minha mãe e por não ter avisado Wis. E continuava tentando entender a atitude de Wanda e a repentina amizade com Adriana.

Lembrei da minha própria impulsividade, do desejo quase incontrolável de encontrar Adriana e conversar com ela. Eu deveria me sentir satisfeito por tê-la afastado de Vitor. Mas não sei o que sentia de verdade.

Por outro lado, comecei a me perguntar se não estava menosprezando a própria Adriana ao agir assim, como se ela fosse indefesa. Talvez ela sempre tivesse tido força suficiente para lidar com aquilo sozinha.

Também não acreditava nas justificativas de Vitor para querer falar com Adriana. E temia que ele continuasse insistindo em se aproximar dela, mesmo com Trajano garantindo que isso não aconteceria mais.

No fim, só me restava confiar.

Quando abri a porta do meu apartamento, vi Cecília sentada no meu sofá e minha mãe em pé, desconfortável, como se tivesse sido flagrada em uma situação comprometedora. Não foi difícil imaginar a posição em que se encontravam.

Eu poderia até me perguntar por que Cecília estava ali. Mas, na verdade, não tive nenhuma sensação ruim com aquilo. Pelo contrário, senti um alívio imediato ao reencontrar minha mãe.

Abri um sorriso e os braços.

Minha mãe relaxou e correu até mim, abraçando-me com força.

- Eu fiquei tão preocupada, Bruno. Quando Cecília me contou, eu me desesperei. Queria ter ido ao seu encontro, te ajudar, te defender…

- Eu sei, mãe. Eu sei. Não quis te preocupar antes. Me desculpe por isso. No fim das contas, tudo ficou bem. Está tudo resolvido.

- Ainda bem.

Olhei para Cecília, que agora estava em pé, com os olhos marejados.

- Eu liguei para o Trajano – continuei – Presumi que ele saberia lidar melhor com as questões envolvendo uma delegacia.

- Você não poderia ter feito escolha melhor, meu filho.

Ouvir a validação da minha mãe foi uma alegria.

- Bom… vou tomar um banho. Não estou muito cheiroso, eu acho.

- Não senti cheiro ruim – riu minha mãe.

Caminhei até o quarto, mas antes parei e me virei novamente para elas. Minha mãe e Cecília me observavam com atenção.

- Por que não dorme aqui, Dona Cecília? O quarto da minha mãe é bem espaçoso.

Sorri ao ver a expressão de espanto da minha mãe e o sorriso aberto de Cecília.

- Será um prazer, Bruno – respondeu ela.

Quando saí do banho e entrei no meu quarto, minha mãe me encurralou:

- O que é isso? O que você está fazendo?

Aproximei-me dela, colocando as mãos em seus ombros. Abaixei-me um pouco para olhar diretamente em seus olhos.

- Estou fazendo minha mãe feliz.

- O quê? – perguntou ela, atônita.

- Dona Cecília quer a senhora. A senhora também a quer. Vi isso nos seus olhos. Tem o seu Trajano também…

Fiz uma pequena pausa antes de continuar.

- Olhe, mãe, a senhora não me deve nada. A vida é sua. Mas sei que minha validação é importante, porque somos só nós dois. E agora, diante da senhora, eu juro por tudo que há de mais sagrado: eu adoraria que dona Cecília e seu Trajano fizessem parte da nossa família.

Respirei fundo.

- Eu me sinto bem com eles. E vi o quanto a senhora é feliz quando está com eles. Por favor, não abandone isso. Entregue-se completamente. Eu não sou um careta hipócrita. Nunca mais pense isso de mim.

Minha mãe estava visivelmente emocionada. Talvez eu nunca tivesse sido tão sincero sobre meus sentimentos em relação ao relacionamento dela.

- Eu tenho medo de não respeitar você – ela disse.

- Isso não é muito diferente do medo que tenho de não respeitar a senhora…

Ela sorriu com os olhos marejados.

- Ah, Bruno, eu te amo tanto. Ultimamente você parece fazer tudo ser tão simples.

- Porque tudo que envolve a senhora tem que ser simples. Sempre foi simples. Eu que fui idiota por não perceber antes…

Nos abraçamos e ela saiu.

Cecília preparou um jantar rápido para a gente. Comemos à mesa. Aproveitei para contar tudo o que tinha acontecido, inclusive a forma determinada como Trajano afirmou que Vitor era um problema resolvido.

- Se ele afirmou isso, Bruno, pode acreditar – pontuou Cecília. – Vitor agora é passado nas nossas vidas.

No meu quarto, algumas horas depois, eu não conseguia dormir apesar do cansaço. A mente estava a mil. Tanta coisa tinha acontecido em pouco mais de vinte e quatro horas que eu não conseguia organizar os pensamentos.

Era curioso pensar que, no dia anterior, eu tinha transado com Wis pela última vez. E aquilo já parecia ter acontecido há muito tempo.

Voltei para a sala e arrastei a poltrona para diante da janela.

“Como em Nova Iorque”, pensei.

Sentei-me, estiquei os pés no parapeito e fiquei olhando o céu surpreendentemente claro, onde as estrelas apareciam nítidas.

“Será que Wis está observando o mesmo céu?”

Lembrar dela trouxe uma nostalgia inesperada – e uma espécie de paz. Minha mente finalmente começou a se acalmar.

A preocupação que ela demonstrou por mim foi reconfortante. Um sinal de que o vínculo que existia entre nós continuaria forte. Sabia que, no fim das contas, eu tinha ela. A mulher que, de alguma forma, me mudou.

- Não consegue dormir?

Uma voz suave ecoou atrás de mim.

Era Cecília.

Ela se aproximou com passos cuidadosos e parou ao meu lado, fazendo um carinho em meu cabelo.

- Posso sentar com você?

- Claro.

Ajustei a outra poltrona, deixando-a numa posição semelhante à minha, bem próxima.

- No que está pensando? – perguntou ela, apoiando a mão no queixo.

- Em tanta coisa. Foi um dia e tanto.

- Teria sido melhor continuar em Nova Iorque?

Dei uma risada nervosa. O coração acelerou um pouco. Como ela tinha percebido que eu pensava em Wis?

- Seria bom se eu pudesse ter continuado. Mas tenho trabalho aqui. A vida precisa seguir.

- Entendo.

O firmamento parecia um convite para a reflexão. Cecília também o observava em silêncio.

Depois de alguns instantes, ela voltou a falar:

- Sabe, Bruno, Wis Nara sempre fez muita propaganda do seu abraço. Ela disse que era o melhor abraço do mundo.

- Exagero dela – respondi, sorrindo.

- Vou te mostrar uma coisa.

Ela pegou o celular e começou a procurar algo. Segundos depois, estendeu o aparelho para mim.

- Veja.

Era um grupo de mensagens chamado “Narinhas”.

> Wis Nara: o melhor abraço do mundo é do Bruno

> Wis Nara: eu passo horas usando e abusando da boa vontade dele de me abraçar 😂

> Wis Nara: me sinto tão energizada

> Wanda: confirmo 😊

> Cecília: agora fiquei curiosa

> Cecília: um dia quero experimentar

> Wis Nara: não vai se arrepender, mamãe

> Wendy: gente kkkkk

> Wendy: é só um abraço!

> Wis Nara: “O” abraço 😅😅😅😅

Sorri, envergonhado, e devolvi o celular.

- Sua filha é bem mais exagerada do que pensei. Devo concordar com a Wendy. É só um abraço.

- Às vezes, o abraço é tudo que alguém precisa – respondeu Cecília. – Não se diminua tanto. Você impacta nossas vidas de forma positiva, assim como tenho certeza de que nós impactamos a sua também.

Não respondi. Estava constrangido. Mas assenti de leve.

Então, ela pareceu ficar inquieta na cadeira, como se estivesse se preparando para dizer algo importante.

- Eu quero experimentar esse abraço.

Virei-me espantado.

- Aqui? Não sei se é uma boa ideia. A senhora está no meu apartamento e… namora minha mãe…

Ela riu.

- É só um abraço, bobinho. Foi um dia e tanto para mim também. Queria me energizar, como diz minha filha.

Fiquei sem saber o que dizer.

Ela se levantou com movimentos calmos e se aproximou. Primeiro se inclinou contra mim e, em seguida, acomodou-se em meu colo, aninhando-se em meu peito.

O rosto dela repousou em meu pescoço.

- Obrigada, Bruno – sussurrou. – Por me aceitar. Por aceitar o Trajano. Por aceitar o relacionamento com sua mãe. Não é só ela que é importante para nós. Você também é.

Ela se encolheu ainda mais.

- Agora somos uma família de sete pessoas.

Eu estava travado, os braços tensos segurando a poltrona.

Olhei novamente para Cecília. Ela estava de olhos fechados, respirando tranquilamente.

Foi impossível não lembrar de Wis. O cheiro e o calor dela vieram à minha mente de forma avassaladora.

- Relaxa – murmurou Cecília. – Só quero um pouco desse abraço. Preciso mesmo. Assim como duas das minhas filhas já precisaram antes.

Comecei a abraçá-la com certa relutância. Não havia malícia. Nem segundas intenções. Só uma troca de carinho genuína e maternal.

Talvez eu também estivesse precisando.

- É tão bom… – ela balbuciou, quase dormindo.

Aos poucos, relaxei também.

Deixei meus pensamentos vagarem. Por Wis. Por Wanda. Por Adriana. Pela vida que tinha e continuava tendo.

Não sei quanto tempo ficamos assim.

Quando percebi, o sono tinha chegado para mim também. Cecília dormia despreocupadamente em meu colo.

Com algum esforço, levei-a em meus braços até o quarto de minha mãe. Ao entrar, fiz mais barulho do que pretendia, o que acabou acordando ela.

- Que bom que ela conseguiu dormir, filho. Estava com insônia. Eu disse para ela que seu abraço é o melhor lugar do mundo para alguém relaxar.

- Você também, mãe?

- A sua propaganda é alta entre as mulheres dessa família.

Rimos enquanto eu colocava Cecília delicadamente na cama. Minha mãe a abraçou. Cecília, quase instintivamente, fez o mesmo. Elas pareciam felizes. Pareciam feitas uma para a outra. Senti-me bem ao ver aquilo.

Saí do quarto com cuidado e voltei para o meu. Acho que senti uma pequena inveja da minha mãe. Queria dormir ao lado de alguém, bem abraçado, como ela estava com Cecília.

Será que um dia aquilo também seria possível para mim?

E, se fosse… com quem?

Na sexta-feira acordei muito cedo, já sem sono, apesar de ter dormido tarde. Ainda na cama, com meu celular completamente carregado, mandei uma mensagem para Wanda:

> Bruno: como vocês estão? Posso vê-las?

Tentei mandar mensagem para Adriana, mas meu número continuava bloqueado por ela.

Como não obtive uma resposta rápida, levantei-me.

O café da manhã estava farto. Foi preparado por minha mãe e por Cecília. As duas se moviam pela cozinha com uma intimidade quase natural.

- Por que está com essa cara de bobo? – perguntou minha mãe.

- Porque estou vendo que vocês combinam tanto.

As duas coraram. Eu me diverti com isso.

Saí para o trabalho. Cecília disse que ainda ficaria com minha mãe e que as duas sairiam mais tarde.

Ao chegar à PHX, percebi alguns olhares curiosos na minha direção, mas ignorei. Notei que Denis tinha reaparecido, mas parecia extremamente concentrado em seu posto de trabalho, sem sequer olhar para os lados.

Bruna me recebeu com mais atenção que o normal e, já na minha sala, confirmou a agenda do dia.

- Além disso – ela continuou – a senhorita Wis ligou solicitando o cancelamento da mentoria hoje. Disse que tinha um compromisso inadiável.

- Wis? – repeti.

Bruna pareceu estranhar minha reação. Depois de alguns segundos, falei como se estivesse pensando em voz alta:

- Não entendi por que ela não falou diretamente comigo… Tudo bem, Bruna. Obrigado. Agora pode ir.

Pensei em mandar uma mensagem para Wis, mas não o fiz. Haveria um momento melhor para isso.

Esperei ansiosamente por um contato de Wanda, o que também não aconteceu. E esse silêncio me incomodou mais do que eu imaginava.

Foi difícil atravessar aquele dia de trabalho. Mas, de alguma forma, consegui focar mais uma vez.

À noite, fui direto para o apartamento de Remo. Precisava conversar e desabafar. Curiosamente, ele estava sozinho e não pretendia sair naquela noite. Nem mesmo com Érica.

- Ela está resolvendo algumas coisas com a família dela – explicou.

Contei a ele tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. Remo escutou com atenção, sem me interromper. Quando terminei, ficou estranhamente pensativo. Logo ele, sempre tão eloquente, sempre com uma opinião pronta.

Esperei alguns segundos até que ele finalmente disse:

- Mano, às vezes a gente precisa decidir.

Olhei para ele, confuso.

- O que quero dizer é o seguinte: respirar fundo, tomar uma decisão e seguir em frente com ela. Melhor do que viver cheio de arrependimentos.

- Onde você quer chegar?

- Vou falar por mim. Vou pedir a Érica em namoro. Vamos sair para jantar amanhã… e vou fazer o pedido.

Fiquei surpreso – e muito feliz por ele.

Levantei e fui até ele, dando-lhe um abraço caloroso e um tapinha no ombro.

- Fico muito feliz por você, meu amigo. Acho que está fazendo a coisa certa. Ela é a pessoa certa.

- Tomara… mas fico nervoso.

- Com o quê?

- E se ela disser “não”?

- Esse não é o Remo confiante que conheço.

Ele pareceu se encolher um pouco. Tentei tranquilizá-lo.

- Ela já disse “sim” milhares de vezes. Você é que ainda não percebeu.

- Tomara que esteja certo.

- Eu estou.

Conversamos bastante sobre os dois. Era curioso falar sobre a história deles. Muitas vezes quando conversávamos, o assunto sempre girava em torno de mim, mas aquele momento era dele. Senti que estava sendo um amigo de verdade.

Não voltei a tocar nos meus problemas. Eles pareceram tão pequenos diante da expectativa de uma nova vida para Remo. Concentrei-me nele e, de forma curiosa, aquilo me relaxou completamente.

- Ah, eu e a Érica combinamos uma coisa – disse ele.

- O quê?

- Se a gente casar, você vai participar da nossa despedida de solteiro.

- Nem começaram a namorar e já estão falando de casamento – falei, rindo.

- Para você ver como não somos normais.

Mas fiquei curioso com meu nome nessa história.

- E como seria isso?

- Érica disse que a despedida dela seria com você. Só vocês dois.

Arregalei os olhos.

Remo continuou:

- E na minha, você vai comigo num puteiro. Vamos traçar geral.

Gargalhei alto. Ele também.

- É uma responsabilidade e tanto para mim.

- Não haveria pessoa melhor para lidar com isso do que você.

Ele passou o restante da noite traçando planos detalhados de como seria essa dinâmica. Eu levei tudo na brincadeira. Mas será que ele estava falando sério?

De todo modo, voltei para meu apartamento mais leve.

Estava sozinho.

Minha mãe havia dito mais cedo que sairia com Trajano e Cecília. Fiquei feliz com isso também. Era outra boa notícia.

Evitei olhar meu celular naquela noite. Não queria estragar aquela sensação de paz. Confiei na ideia de que, se algo realmente sério acontecesse, daria um jeito de me encontrar.

Não demorei a dormir. E dormi bem.

No dia seguinte acordei decidido: precisava ver Adriana.

Fui até a casa dela. No caminho comprei dois buquês de flores e duas caixas de chocolate.

Ao chegar, fui recebido por sua mãe, que me olhou surpresa.

- Nossa! Isso é um verdadeiro arsenal para uma reconciliação. Gostei, Bruno. Vamos, entre um pouco. Mas já vou avisando: Adriana saiu com a nova amiga dela.

- Wanda?

- Sim. Elas não se desgrudaram. E minha filha parece ter se recuperado bem e rápido do que aconteceu. Fico feliz por isso.

- Eu também, dona Marisa.

Sentei-me no sofá enquanto ela pegava as flores e procurava um jarro para colocá-las.

- Você não escreveu nenhum bilhetinho? – perguntou.

- Bem observado. Deveria ter feito isso, não é? Em minha defesa, eu pensava em dizer tudo pessoalmente.

- Você continua tão cuidadoso com minha filha. Mesmo depois do término… eu admiro isso em você. Mesmo que vocês não voltem, Bruno, minha casa sempre estará aberta para você. Sei que é uma boa pessoa.

Não pude evitar me perguntar se ela manteria essa opinião caso soubesse o verdadeiro motivo do término.

- Onde elas foram? – perguntei.

- Onde mais duas mulheres solteiras, jovens e bonitas poderiam ir num sábado ensolarado como esse?

Não soube responder. Ela percebeu e riu.

- Foram às compras. Gastar dinheiro. Pelo tanto que combinaram no café da manhã, iam passar em algumas lojas que abrem cedo e depois iriam para dois shoppings. Eu até te convidaria para esperá-las aqui, mas receio que elas demorem bastante.

- Entendo. Vou tentar encontrá-las. De todo modo, deixarei as flores e os chocolates aqui. Pode entregar para elas.

- Para as duas?

Eu poderia ter ignorado a última frase.

- Sim, dona Marisa. Quis ser gentil.

- Faz muito bem, meu filho.

Saí de lá com um incômodo crescendo dentro de mim.

Por que estavam me evitando?

Mandei mensagens para Wanda ao longo do dia, mas não obtive resposta em nenhum momento.

Isso me deixou muito inquieto.

Tentei contato com Wis, mas ela respondeu apenas de forma monossilábica. Também não parecia querer conversa.

Frustrado, passei o restante do sábado sozinho no apartamento, jogando no PS5. Minha mãe já havia avisado que passaria o fim de semana com Trajano e Cecília.

E o domingo acabou sendo solitário também.

A única novidade era uma foto de Remo e Érica no nosso grupo em comum. Estavam em um restaurante, sentados lado a lado, de mãos dadas, visivelmente felizes e emocionados.

Havia uma única mensagem:

> Remo: ela disse sim.

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Sorri.

Pelo menos alguém estava avançando na vida.

Para mim, porém, a frustração se arrastou ao longo da semana.

Eu já estava acostumado a trabalhar em condições psicológicas desfavoráveis, mas a indefinição que vivia começava a me afetar de forma mais profunda do que eu gostaria de admitir.

Nos primeiros dias mandei várias mensagens para Wanda. Depois menos. Já mais para o fim de semana, quase nenhuma.

De todas elas, apenas uma recebeu resposta.

> Wanda: estou bem

> Wanda: depois falo com você

> Wanda: Adriana também

> Wanda: ah… obg pelas flores e pelos chocolates

Aquilo não fazia sentido para mim.

Wanda sabia da minha vontade quase urgente de conversar com Adriana. Mesmo assim, parecia colocar uma barreira invisível entre nós dois. E eu não tinha como ultrapassá-la.

A sensação era estranha.

Eu estava disposto a fazer qualquer coisa para resolver a situação – menos a única coisa que realmente poderia funcionar: esperar. E esperar não dependia de mim.

As mentorias com Wis também não foram boas naquela semana. Ela parecia distante. E eu também. Falávamos sobre relatórios, informes e balanços como se nada estivesse acontecendo. Mantínhamos um ar de profissionalismo quase automático. Mas os dois sabíamos que aquilo era apenas uma encenação. Nenhum de nós comentava.

À noite as coisas ficavam um pouco melhores. Eu tinha a companhia da minha mãe.

Fiz um esforço consciente para não despejar meus problemas sobre ela. Em vez disso, escutei suas histórias, seus planos e suas expectativas agora que o relacionamento com Cecília e Trajano parecia finalmente tomar forma.

A felicidade escorria pelas palavras dela. Havia um brilho nos olhos quando falava do futuro.

- Mas lembre-se que ainda faremos a viagem para Paris só nós dois. Não abro mão disso – reforcei.

Ela veio até mim e me abraçou, apertado, depois me deu um beijo no rosto.

- Nem eu. Vou quando você puder ir.

Fez uma pequena pausa antes de continuar.

- Sonho com essa viagem porque será só eu, você e Cristiano…

Olhei para ela. Ela percebeu e sorriu com ternura.

- Seu pai estará em nossos corações. Como sempre esteve.

Ficamos alguns segundos em silêncio. Pensei que, às vezes, a vida simplesmente segue. Mesmo quando a gente não sabe muito bem para onde a nossa está indo.

A sexta-feira amanheceu silenciosa demais.

Acordei sozinho no meu apartamento. Minha mãe ainda não tinha voltado. Provavelmente tinha esticado a noite com seus dois amores.

Meu celular continuava silencioso sobre a mesa.

Na ânsia por algo que me tirasse do tédio, fui até o grupo com Remo e Érica. Ali também reinava o silêncio. O amor deles, agora assumido à luz do dia, parecia ocupar todo o tempo disponível.

Fiquei feliz por eles.

O caminho até a PHX parecia mais melancólico do que de costume. Fiquei pensando se aquilo fazia parte da mudança que eu sentia acontecendo em mim mesmo. “Mas está sendo frustrante demais”, pensei.

Ao entrar em minha sala, tive uma pequena surpresa.

Bruna segurava um pequeno bolo de chocolate com uma vela acesa e um sorriso largo no rosto.

- Feliz aniversário, chefe.

Ela estava sozinha e o gesto me comoveu.

Não que meus aniversários costumem ter grandes gestos – nem mesmo das pessoas que amo. Em casa, essa data sempre foi tratada de forma simples demais para chamar atenção. Talvez fosse apenas o jeito que minha mãe encontrou para lidarmos com a ausência do meu pai.

Mas vindo da minha secretária, aquilo parecia inesperadamente significativo.

Assoprei a vela.

Cortei um pedaço e ofereci a ela. Depois peguei outro para mim. Comemos em silêncio por alguns instantes e ela pareceu um pouco constrangida.

- Adorei a surpresa, Bruna. Não é muito o costume da PHX. Passamos tanto tempo presos em números, balanços e relatórios que, às vezes, uma surpresa dessa faz bem.

- Fico feliz que tenha gostado, senhor.

- Só Bruno, por favor.

Contei a ela como tinham sido meus últimos aniversários.

- Que sem graça.

Ri da sinceridade espontânea.

- Desculpa – Bruna apressou-se em se justificar. – Não quis zombar, mesmo que tenha parecido.

- Pelo contrário. Concordo contigo. Talvez eu tenha aprendido a preferir assim. Agora você me fez lembrar que ser surpreendido positivamente também é reconfortante. Obrigado por isso, Bruna.

Ela respondeu com um tímido “de nada”, acompanhando as palavras com um pequeno gesto. Parecia levemente ruborizada.

Conversamos mais um pouco. Soube que ela fazia mestrado em Secretariado e que namorava um rapaz chamado Henrique. Enquanto falava dele, havia uma leve e indecifrável excitação em sua voz.

Observei-a por mais um instante.

Bruna era uma morena de pele escura, cabelos lisos até os ombros. Estava um pouco acima do peso e tinha uma gentileza que desarmava, assim como seu sorriso. Desde que fora contratada, sempre demonstrara competência, tanto que a ausência de Adriana no cargo nunca chegou a ser realmente sentida.

Logo voltamos ao trabalho e à rotina diária.

Ao longo do dia, algumas mensagens de parabéns começaram a aparecer no meu celular. Nada muito diferente dos anos anteriores.

Minha mãe, Trajano, Cecília, Remo, Érica, entre outros. Mas nenhum sinal de Wanda. Muito menos de Adriana.

Durante a mentoria, recebi os parabéns de Wis.

- Parabéns, Bruno. Que seu aniversário seja incrível… e que você receba um presente muito especial.

Esperei mais entusiasmo, mas o que recebi soou quase protocolar, como se aquela frase tivesse sido ensaiada minutos antes. Mas eu também não podia cobrar. Éramos cliente e prestador de serviço. E Nova Iorque tinha ficado para trás.

Limitei-me a responder:

- Obrigado, Wis Nara.

Quando a mentoria terminou, soltei um suspiro. Mais um. Isso estava ficando cada vez mais maçante. Onde estava aquela Wis que eu conhecia? E algo mais inquietante ainda: onde nunca houve dor, passaria a ter agora?

Voltei para meu apartamento com a mesma inquietação crescente. Não pararia de crescer? São Paulo anoitecia indiferente a mim. Seriam meus problemas realmente importantes? Ou eu estava exagerando?

No elevador, decidi que chamaria minha mãe para sair e espairecer. Talvez ir a um restaurante. Se ela não pudesse ir, iria sozinho mesmo.

A sensação era a de querer escapar de uma prisão. E também um cansaço sem causa aparente. Caminhando pelo corredor, não esperava muito mais daquela sexta-feira à noite.

Respirei fundo.

Coloquei a mão na maçaneta, esperando encontrar apenas o silêncio do meu apartamento.

E a minha autopiedade.

Mas jurei a mim mesmo, ainda naquele instante, que me esforçaria para que fosse a última vez. Eu conseguiria cumprir?

Abri a porta.

Luzes acenderam.

Confetes foram lançados.

Gritos ecoaram em uníssono.

- Surpresa!

O cheiro doce do bolo chegou primeiro.

E por um segundo ninguém falou nada.

Então, três mulheres começaram a cantar parabéns para mim.

E eu fiquei imóvel, embasbacado, sem saber o que dizer ou fazer.

Minha mãe estava no centro, segurando um bolo com cobertura branca e azul. Em cima, várias velas acesas.

À sua direita, Wanda usava uma minissaia vermelha, um chapeuzinho de aniversário – daqueles de cone – e jogava confetes pelo ar.

Do outro lado… Adriana. Minha ex-namorada. Meu coração falhou por um instante. Ela usava um vestido curto, preto, colado ao corpo. E ria e batia palmas. Não havia sombra em seus olhos. Apenas o prazer de estar ali.

Olhei de uma para outra. E para minha mãe no centro.

Quantos mundos estavam ali? Três de quatro? Estariam convergindo? Ou batalhando? Uma carteira improvável de emoções.

A cantoria terminou.

Minha mãe trouxe o bolo até mim. Assoprei as várias velinhas.

- Faz um pedido – disse ela.

Fiz um pedido simples. Algo sobre paz, saúde e sucesso – o básico. Depois pensei que talvez devesse ter incluído felicidade.

Em seguida, minha mãe colocou o bolo sobre a mesa, veio até mim e me abraçou forte.

- Parabéns, meu filho.

Beijou meu rosto.

- Hoje quisemos fazer diferente. Foi difícil esconder de você.

Depois foi a vez de Wanda.

Outro abraço apertado. E um perfume que me deixou quase tonto de prazer.

- Achou que meu sumiço era proposital? – sussurrou no meu ouvido.

Afastou-se e me encarou. Havia malícia no seu olhar.

- Se achou isso, acertou – riu. – Queríamos te fazer essa surpresa.

Por fim veio Adriana. Tímida. Mas não só ela. Eu também.

Ela hesitou por um instante. Olhou rapidamente para Wanda antes de se aproximar.

O abraço foi curto. Ela se afastou logo.

- Parabéns, Bruno – disse, evitando meu olhar.

- Obrigado, Adriana.

Enquanto isso, minha mãe já preparava a mesa com pratos, talheres e refrigerante.

- Vamos comer, gente.

- Eu… queria tomar um banho antes – falei.

- Então vai logo – respondeu minha mãe.

Wanda e Adriana riram.

Adriana ainda parecia desconfortável, mas fazia um esforço visível para estar ali. Ao olhá-la, senti um aperto no peito. Mas, acima de tudo, senti que havia um carinho tão grande que não sabia onde colocá-lo dentro de mim.

Então, fui.

No banho, não liguei o chuveiro elétrico. Queria esfriar o corpo e a mente. Deixei a água fria cair sobre mim, tentando acalmar o coração que ainda batia rápido demais.

Enquanto vestia outra roupa, escutava vozes e risos vindos da cozinha. As três falavam ao mesmo tempo, riam alto, como se nada estivesse fora do lugar.

Tudo parecia absurdamente normal.

Quando voltei à cozinha, senti que as conversas pararam por um instante.

Sentei-me ao lado da minha mãe. À minha frente, Wanda e Adriana.

Eu estava muito travado.

O bolo ainda não tinha sido cortado. Minha mãe se apressou em explicar:

- Estávamos esperando você para partir o bolo. É seu aniversário.

Fazia sentido. Mesmo assim, senti um suor frio escorrer pelas costas.

Peguei a faca.

Cortei a primeira fatia e entreguei à minha mãe.

- Obrigada – disse ela, com uma solenidade divertida.

Em seguida, minha mente quis se perder em dilemas desnecessários, mas resolvi não dar espaço para isso.

Peguei primeiro o prato de Wanda. Depois o de Adriana. Coloquei uma fatia de bolo em cada prato.

Por um instante hesitei.

Então entreguei os dois pratos ao mesmo tempo, como se aquele gesto pudesse evitar escolher entre uma ou outra.

- Obrigado por estarem aqui no dia do meu aniversário.

Wanda assentiu devagar, sustentando meu olhar.

Adriana murmurou um “obrigado” quase inaudível, mas que ainda assim consegui ouvir.

Peguei uma fatia para mim.

As primeiras mordidas aconteceram em silêncio. Um silêncio carregado de significados que não precisavam ser explicados.

Meus olhos vagavam entre elas.

Wanda sustentava o olhar com facilidade.

Adriana tentava fazer o mesmo, mas acabava desviando.

- Que silêncio… – comentou minha mãe, sorrindo. – Vamos continuar falando do Bruno, meninas?

- De mim? – perguntei, surpreso.

Elas sorriram.

Adriana de forma mais tímida.

- Sim, ué – continuou minha mãe. – Você é o aniversariante. Estávamos lembrando histórias suas.

- Sua mãe detalhou toda sua infância, Bruno – disse Wanda.

Corei.

Adriana falou de repente. Parei de mastigar.

- Você não deixava sua mãe namorar, Bruno. Ela contou. E ainda fazia cara feia… Eu adoraria ter visto isso.

Havia um brilho novo em seus olhos.

Algo mais leve.

- Não foi bem assim – respondi, rindo, um pouco nervoso.

Wanda inclinou-se levemente sobre a mesa, me fitando.

- A gente tem que zelar por quem ama mesmo. Você não fez errado, Bruno.

Assenti, um pouco envergonhado.

- Aproveitando… eu tenho uma história para contar do Bruno – anunciou Wanda, com um ar teatral.

Adriana e minha mãe se animaram imediatamente.

Wanda começou a contar sobre o dia em que quis me surpreender levando-me a uma exposição de games.

- Logo eu, que não entendo nada disso – disse ela, rindo. – Mas pesquisei tudo direitinho. Trajeto, ingressos… até dirigi. Tinha acabado de tirar a carteira. Levamos cada susto…

Ela balançou a cabeça, divertida. Adriana acompanhava com atenção.

- Mas deu tudo certo. Os olhos dele brilhavam vendo aqueles jogos.

Aquele dia tinha sido especial. Mas ouvi-la contar aquilo agora me fez perceber algo que eu nunca tinha compreendido completamente na época. O quanto ela tinha se esforçado por mim. Se eu pudesse voltar no tempo…

Enquanto pensava nisso, notei Adriana me observando como se me avaliasse. Baixei o olhar por um instante, mas ainda pude vê-la esboçar um sorriso contido.

- Eu também tenho uma história – disse ela de repente.

Levantei meu olhar.

- Certa vez, tivemos um dia terrível na PHX quando aconteceu o acidente de Brumadinho – contou. – Bruno estava destruído. Saímos muito tarde da empresa. No dia seguinte deixei uma barra de chocolate e um cartão na mesa dele.

Ela deu um pequeno sorriso.

- Foi um dia de pressão absurda… mas ele não desistiu em nenhum momento. Aprendi muito naquele dia.

Lembrava perfeitamente. Foi quando Adriana e eu realmente começamos a nos aproximar.

Mais histórias vieram depois.

Minha mãe, Wanda e Adriana se revezavam contando pequenas anedotas sobre mim, como se estivessem montando um retrato da minha vida.

Aos poucos o clima foi ficando leve. Eu já ria sem parecer travado. E principalmente porque conseguia ver que Adriana também estava leve.

Nenhuma lembrança trouxe constrangimento. Nova Iorque não foi mencionada, felizmente. Essa dor ainda teria o seu momento.

Passei a acreditar que a sombra entre mim e Adriana talvez pudesse realmente desaparecer. Não para um novo relacionamento. Isso seria pedir demais. Mas para que nossas vidas pudessem seguir em frente. Ela era uma pessoa muito melhor do que eu. Precisava que ela entendesse isso.

Depois fomos para a sala.

Minha mãe trouxe uma garrafa de vinho e quatro taças.

- Uma para cada um – disse, servindo.

O vinho deixou o ambiente ainda mais confortável depois do segundo gole.

A conversa continuou.

Falamos de trabalho, viagens, situações cotidianas.

Elas comentaram sobre a decoração do meu apartamento e como os toques da minha mãe tinham mudado tudo.

- Homem não leva jeito para isso – disse minha mãe para Adriana.

- Concordo totalmente, dona Marluce – respondeu ela, sorrindo.

Em determinado momento, me calei.

Fiquei apenas observando aquelas três mulheres conversando tranquilamente. O impacto que cada uma delas tinha na minha vida era definitivo. Não existiria uma história minha sem elas.

“Faltou só a Wis para ficar completo”, pensei, com uma pontada de tristeza.

A noite já avançava.

Mesmo assim, eu não queria que aquele encontro acabasse. Estava bom demais estar em paz com aquelas mulheres.

Então o celular da minha mãe tocou.

Ela olhou a tela.

- Minha carona chegou, gente.

Franzi a testa, confuso. Carona?

Wanda e Adriana trocaram um olhar rápido e sorriram. Foi sutil, mas eu percebi.

Por um instante, ninguém disse nada.

- Bom… tenho que ir.

Minha mãe se levantou. Despediu-se primeiro delas, depois veio até mim e beijou o topo da minha cabeça.

- Divirta-se, Bruno.

Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela já caminhava para a porta.

Parou com a mão na maçaneta e olhou para nós três. E sorriu. Um sorriso que nunca vi antes.

Abriu a porta e saiu. Rápida. Como um raio.

Quando a porta se fechou, estávamos apenas nós três.

Sorrimos timidamente. Ruborizados, talvez. Aos poucos, comecei a aderir também aos olhares cúmplices. Eu era parte daquilo, por que não aceitar logo?

- Você tem aquele jogo de dança no seu videogame? – perguntou Wanda.

- Não… mas posso instalar.

- Vai. Coloca pra gente. Vamos dançar, Adriana?

Adriana concordou, entusiasmada. Seria efeito do vinho?

Em menos de quinze minutos o jogo já estava instalado no PlayStation.

Just Dance 2025.

Elas conectaram os celulares como controle. A primeira coreografia apareceu na televisão.

A música começou.

As duas se levantaram. Ficaram entre mim e a televisão.

Tentavam imitar os movimentos da coreografia. Erravam passos. Esbarravam uma na outra. Explodiam em risadas.

Às vezes se tocavam. Mãos nos ombros. Quadris que se encontravam por um instante. Riam… mas demoravam um segundo a mais do que o necessário para se afastar.

A segunda música começou.

Os movimentos ficaram mais soltos e mais sincronizados. Os corpos pareciam ganhar confiança. O ritmo aumentou.

Veio uma terceira música. Mais quente.

A televisão piscava cores vibrantes enquanto a silhueta da coreografia marcava cada gesto.

Agora os gestos eram mais sensuais. Quadris balançavam com naturalidade. Elas giravam. Rodopiavam. Os cabelos acompanhavam.

E me olhavam.

Cada uma no seu momento.

Como se quisessem ter certeza de que eu estava vendo.

Como se cada movimento fosse feito para mim.

Primeiro Wanda.

Depois Adriana. Ela não desviou o olhar dessa vez.

Agora não havia risos. Apenas desejo.

Senti meu corpo reagir antes mesmo de conseguir pensar. E não fiz nenhum esforço para esconder.

Elas perceberam. E não pararam. Pelo contrário.

Veio a quarta música. A quinta. Mais outra.

Eu já não prestava atenção na televisão. Nem na música. Nem no jogo. Só nelas.

Estava hipnotizado. Elas pareciam em transe.

Queria as duas.

Desesperadamente.

Ah, eu as queria só para mim.

Então, elas pararam. Respiravam mais rápido. Suadas. Assim como eu… só de olhar.

Wanda olhou para Adriana.

- Acho que precisamos dormir.

Adriana assentiu.

- É verdade.

Fiquei confuso.

Wanda voltou os olhos para mim.

- Podemos dormir aqui? Está tarde…

Olhei para as duas.

Havia expectativa no ar.

Hesitei por um instante. A noite estava boa demais para terminar assim.

- Pode… claro. Uma fica no meu quarto, a outra no quarto da minha mãe. Eu fico na sala.

- Podemos ficar juntas – interrompeu Adriana.

Abri a boca. Nenhuma palavra saiu. Elas riram da minha expressão.

- Então fiquem no meu quarto – consegui dizer. – É mais espaçoso.

Minhas falas saíam tortas. Desajeitadas.

Elas foram à cozinha e logo retornaram com pequenas mochilas de mão.

Mochilas que eu tinha certeza de que não estavam ali antes.

Elas tinham planejado aquilo.

Caminhamos até o quarto.

Acomodaram-se como quem realmente pretendia dormir. Mas havia energia demais nos olhos das duas para que aquilo fosse apenas isso.

Preferi não dizer nada.

Parte de mim acreditava que era uma armação. Outra parte tentava ignorar essa ideia. Talvez quisessem apenas acordar cedo.

Quando fechei a porta, elas ainda estavam paradas me olhando.

- Boa noite.

- Boa noite, Bruno – responderam juntas.

Voltei para a sala, confuso. Frustrado.

Deitei-me no sofá tentando entender tudo que tinha acontecido desde que cheguei ao apartamento.

Suspirei fundo.

Talvez aquilo fosse apenas uma despedida mesmo. Um encerramento gentil de duas histórias importantes da minha vida.

Aquela sensação de desejo acumulado começou a virar frustração. Eu quase ri de mim mesmo. Quase.

Fechei os olhos.

O apartamento parecia silencioso demais para uma noite que tinha sido tão viva minutos antes.

Fechei o videogame e a televisão e fiquei ali, inerte, apesar do meu corpo ainda parecer bastante energizado.

O tempo pareceu desacelerar… e o silêncio pareceu mais espesso. Elas já estavam dormindo?

Foi então que algo bateu no meu peito.

Um travesseiro.

Escutei risos. Risos cúmplices. Sapecas demais para serem inocentes.

E o som de pés correndo pelo corredor.

Não cheguei a vê-las. Foram rápidas.

No travesseiro estava escrito com batom vermelho: VEM.

Levantei devagar.

Caminhei pelo corredor lentamente, tentando controlar a respiração. Meu coração acelerava outra vez.

Cheguei à porta do meu quarto.

Estava fechada.

Inspirei fundo.

Coloquei a mão na maçaneta.

Antes que eu a girasse, alguém abriu por dentro.

Parei por um instante antes de empurrar a porta com cuidado.

Abri-a completamente.

O quarto estava iluminado apenas pela luz do abajur.

Primeiro vi as silhuetas. Depois as cores. Depois a pele. Por fim, as curvas.

A cena era obscena.

As duas estavam na minha cama.

Vestindo lingerie sensual.

Sentadas lado a lado.

Pernas cruzadas.

Corpos inclinados para trás.

Curvas expostas, como se soubessem exatamente o efeito que aquilo me causaria.

Wanda de vermelho, Adriana de preto.

Fiquei imóvel por um instante. Maravilhado.

Havia mil coisas que deveriam ser ditas antes. Mas ao mesmo tempo… nenhuma.

Wanda observava.

Um sorriso lento em seus lábios, como quem aprecia um plano funcionando perfeitamente.

Adriana levantou-se.

Caminhou até mim.

O olhar carregado de malícia.

Parou perto o suficiente para que eu sentisse seu cheiro. Meu corpo inteiro respondeu. Tudo que me enlouquecera por anos estava ali.

Ela estendeu as mãos.

- Vem.

Dei um passo.

Entreguei minhas mãos.

Eu seria delas.

E elas seriam minhas.

Continua…

Espero que gostem. Desde já, ficarei grato com qualquer comentário, crítica ou elogio. Próximo capítulo em alguns dias.

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Comentários

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Por será que a Wis deu um gelo nele?

Será que foi combinada com a Wanda?

Será que a Wanda abriu o jogo que gostava dele?

Será que a Wis sabia do combinado,entre a Wanda e a Adriana,da festinha surpresa?

Ou será que a Wis literalmente partiu para outra? Como ela mesmo disse no outro capítulo (das ficadas com outro os rapazes de NY),para Wanda em mensagens.

Grandes expectativas para o próximo capítulo,(acho que o Bruno vai conseguir oque o Victor desejava),ter uma noite com Adriana e a Wanda juntas.

Será que rola um romance a três depois disso?

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Meus únicos comentários são:

"Manda ver Bruno"

"Posta outro capítulo amanhã "😂

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Que inveja, eu quero uma festa assim no meu aniversário

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Você e metade do site. kkkkkkkkkkkkkkk

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Acho superestimado.

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Eu como alguém que já deu esse tipo de presente para alguém não acho não. Kkkkkkkkkk

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Eu gostei mais do HMH. Mas acho que é por causa da minha personalidade... HMH são dois dando prazer e a mulher como deusa absoluta. Porra, quando eu e um amigo pegamos a menina, fizemos o bagulho bem feito! A bicha chegou a desmaiar. Quando eu tive a oportunidade de fazer MHM... Foram duas vezes: a primeira eu sei que com uma foi muuuuuuito bom. A outra foi brinde então o jogo foi... Bom. Deveria ter feito mais. A segunda foi ainda pior. Me empolguei com as duas, crente que ia fazer mó sucesso... Parecia um cachorro com TDAH... Um pouquinho em uma, um pouquinho na outra mas acho que não consegui o que realmente gostaria... Acho que sou melhor no 1x1... Rsrs

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Quando eu fiz o MHM foi mais um HMM por que o centro girou em torno de mim os dois acabaram comigo e eu que fiquei dividida dando atenção para os dois.

O que é normal já que eu era o presente da namorada para ele.

Já quando eu fiz HMH eu literalmente perdi até a noção de onde estava.

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Tudo isso antes dos 18… 🤷🏻‍♀️

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Os meus foram depois dos 24. Até os 20 foram só mulheres mais velhas... Rsrs

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Quando trabalhamos em equipe e temos o pensamento alinhado, não tem quem resista... Rsrs

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Justo, acho que passa um pouco por se importarem um pouco com a garota também.

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Bizarro. O cara postou capítulo hoje de manhã e tudo que o povo quer é o próximo capítulo, incluindo eu. Carlão tem o dom de noveleiro pra acabar na melhor parte e deixar a gente na expectativa, por isso acaba sendo tão cobrado kkkkkk capítulo foda!! Quando comecei a ler não esperava jamais chegar nesse nível de enredo fantástico.

Espero que esse novo capítulo venha o quanto antes. Três estrelas demais!

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As peças estão aos poucos a encaixar-se. Nestes tempos tão conturbados, nada como uma boa história para limpar a mente. Ansioso pelo final da saga.

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Eu gostei muito do que o Remo disse sobre ser melhor escolher algo e viver com as consequências disso, do que viver no arrependimento.

O Bruno amadureceu bastante nos últimos capítulos, mas falta ele dar esse passo fundamental: escolher.

Eu queria muito que ele escolhesse a Wis. A química deles foi construída sem hipocrisias, sem desencontros, sem imaturidade, foi algo perfeitamente natural. É tão natural que nos momentos chaves, todos sem exceção, ele lembrou dela.

3 estrelas e ansioso demais pela continuidade.

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AMEI....

Wanda e Adriana juntas, eu peço isso, sonho com isso há muito tempo, achei que elas precisavam disso, precisavam do seu encerramento, agora, um ménage com o Bruninho... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Lembrei de quando fi algo assim... kkkkkkkkkk... TAmbém era aniversário... E eu também tinha a situação estranha de traído a pessoa.

Só que éramos nós duas que éramos amantes, ele foi só o presenteado, bom... Não sei se ele ficaria bravo se soubesse, por um lado, foi traído comigo, por outro lado teve a chance de transar com as duas, mas têm car que é cabeça dura.

Bruninho dizer que não é hipócrita... kkkkkk... Bom faltou um MAIS... Não sou Mais hipócrita, só perdoo por ter mandando o Eu era um imbecil.

Wis... Duas opções... OU Wis está apaixonada por outro menino, o que é natural, agora que ela viveu o mor platônico dela e conseguiu deixar ir, ou elasabia dos planos da irmã e está nervosa, se vai ou não perder o Bruno.

Uma terceira opção condizente com a personalidade dela, ela sabia que a irmã estava evitando o Bruno para a festa de aniversário, o que coloca em xeque, Bom Motivo x A Wis realmente não gosta e não sabe guardar segredo, especialmente do Bruno.

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Com certeza sabia e deixou rolar, já que a Wanda também deixou rolar em NY, mas sigo pensando que ela está apaixonada e obviamente não ia ficar alegre de entregar o Bruno de mão beijada kkkkkkk

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Ela já entregou...

Ela disse para o Bruno que se ele enrolar em casar Sete Anos, ela casa com ele, mas ela não vai se meter, ela quer que ele espere ela como ela esperou ele por Nove... Agora etá nas mãos dele...

Dito isso... Minha opinião sobre o Bruno com essas meninas é bemconhecida, por mim, Wanda e Adriana têm esse encerramento e seguem suas vidas sem Brunin porque ele não fez até agora, nada para merecer essas mulheres.

Principalmente a Wanda que é outra que esperou ele por anos e só nesse capítulo que ele teve um pequeno vislumbre, do quanto ela amava ele e ele tão envolta do próprio umbigo preconceitos e auto-depreciação que precisou deixar ela ser quase destruída para entender isso.

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Na época eu falei isso... Esse bagulho da feira de games... Ele poderia ter pedido ela em namoro ali. Que ele tinha ganho. E teve pior... No dia que ela fala pra ele que o Vitor ligou, ela fala que o ama duas ou três vezes. Bicho... Eu quero de verdade que eles terminem num trio mas quero ainda mais que o Bruno faça por merecer todo o amor delas. Que ele se redima de verdade com elas.

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Pois é... Na época, quando ela fala para ela o que ele veio falar e ele desconversa, a carinha de decepção dela, eu me vi ali com o coração literalmente partido em pedacinhos... Nunca fiquei tão puta com um personagem fictício.

COMO ELE PODE SER TÃO CEGO, foi o que eu me pergunei.

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Pensar que depois daquela cena, que ele viu o Vitor sair da casa dela, ela ainda ficou 6 meses, esperando uma ligação, uma mensagem, um recado mandado pela mãe ou pai, se perguntando o que fez de errado para ser tratada desse jeito, com todo mundo falando para ela, que era para ela se manter longe, que ele queria que ela se mantivesse longe.

E até agora, ele nem reconhece o que ela passou, ele não se importou suficiente para pensar por um segundo nisso... Mas ela AINDA ama o cara... ELE NÃO MERECE.

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Só agora ele se tocou do que ela fez por ele. Ah, cara... Giz, eu não quero ficar falando muito senão vou parar de torcer pra eles... Rsrs quero uma prova irrefutável de amor dele para com as meninas.

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Eu espero que ele dê alguma... Como sempre com poucas esperanças... Afinal, expectativas baixas ao lidar com homens, garante uma melhor chance de ninguém sair ferido.

Porque qualquer coisa acima do mínimo é lucro.

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A tristeza desses seus argumentos irrefutáveis...

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Perdão.

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Que isso, minha amiga... Você é aquele anjo que sempre nos lembra que podemos fazer melhor!

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Mas é a verdade, quando falei da possibilidade dela não ter transado com o Vitor naquele dia, todos me acharam maluco, para mim não fazia sentido naquele momento bela se entregar ao Vitor novamente, é como se Wis vivesse tudo aquilo que viveu com o Bruno naquele mês em NY e no final, no último dia, se entregasse ao Tyler (acho que é esse o nome), não faria sentido, foram meses com a Wanda dando toda a condição o Bruno, mas ninguem se ligou nessa possibilidade na época. Fiquei sozinho na escuridão da dúvida...sniff...sniff...

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Pegadinha rsrs . Tô treinando para ver se fico "tadinho" para a mulherada igual ao Bruno kkkkkkkk será que tenho futuro como Semi-Deus da Melação Perpétua.

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Cai no conto do vigário!! Nem vem... Se vier com papo de se sentir completo e parecer certo, vai rolar uns Peteco daqui!! Auhauh

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Mas ele parece se sentir completo quando está conversando com você, tudo parece certo.

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Essa liga não dá cola não kkkkkkkkkkk Sem

Futuro kkkkkk

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Isso aí é briga de foice cega. Ninguém corta o oponente porque não tem luta

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Kkkkkkkkkkk

Mas eu sou uma fujoshi descarada e sem nem uma vergonha na cara.

Kkkkkkkkkkkkk

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Vai Fujoshar em outro quadradinho, nesse aqui tem vitória não, derrota é certa kkkkkkkkkkk

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O prazer nos olhos de quem reconhece o termo... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

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Temos que conhecer tudo, mesmo sem experimentar, mas conhecer é fundamental, até para saber se é meu desejo ou não, informação e conhecimento é o poder de quem não precisa se mostrar forte.

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Ó a avacalhação. Mantenho meu ponto: a amizade é o primeiro passo pro desrespeito! Rsrs

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Eu ri tanto a primeira vez que vocês falaram isso.

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Pensar que já foi o fimose man. Virou o encanador galático!

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Nem vou falar nada… kkkk

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Ô porra!! Como tu ficou sozinho?! Foi daí que surgiu nossa teoria que hoje foi comprovada do Bruno não ser um narrador confiável!!

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Tô treinando para virar um Bruninho Carioca, a mulherada ficar com peninha e me dar bem kkkkkk

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Aqui não dá, não, sensa!! Se ele vem com essas vacilação aqui, as menina já tinham comido ele! Rsrs

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Sabe se lá... Vai que encontro encontro uma família Quatrano, com quatro irmãs precisando de um Lendário Príncipe Cavaleiro, só sei que tô treinando, nada é impossível ainda mais dentro de uma impossibilidade kkkkkkkkkk

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Mer'mão, se eu conheço um Bruno, eu não mostro nem minha cadela. Era capaz de entrar no cio na hora!

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PQP Rio alto e engasguei com o cigarr

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Bruninho é o tipo do cara que vai pegar sua mulher, sua filha, sua irmã, sua sobrinha, sua mãe, sua tia e sua avó centenária no período de um ano após começar a frequentar sua casa.

Ele é tão inconstante que ele pegou uma semana com Wanda, Adriana, Wis, Erika e mãe, evitando ele para montar uma surpresa e 5 dias depois já estava tendo um inicio romântico com a Bruna secretária.

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Bruna não conta ainda, ela ainda não falou que tá afim dele, precisa falar para ele ficar apaixonado.

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Mas preparou bolinho teve conversa fofinha, reclamou do namorado. Kkkkkk

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Mas não disse as palavras mágicas "Eu Te Amo" para ele ficar apaixonado instantaneamente, pelo menos enquanto estiver ao lado dela.

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Ainda bem que naquele momento ele não se sentiu completo e achou certo, senão... Bruninha na chapa certo!

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Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Pretende fazer um conto com a perspectiva unicamente da Adriana e Wanda?

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Espero de verdade que esse prego fique com as duas mas fiquei mesmo, sem dúvida, sem arrependimentos e, acima de tudo, que ele as mime como sempre foi mimado por todas elas.

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A Wisper tá correndo por fora, minha Vó dizia para mim:

- Você é um garoto bonito, não é elogio de Vó não, realmente você é bonito, (o pior é que eu acreditei kkk), então presta atenção numa coisa "Quem desdenha quer comprar".

E a Wisper tá se guardando para noite de núpcias e o Príncipe de Todo Encanto só pode se casar com uma Donzela Imaculadamente Pura. rsrs

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Estou comentando ainda lendo o conto, to rindo MUITO que quando começou a historia da Cecilia no colo do Bruno pensei ''caralho, o garanhão máximo ataca novamente, dessa vez até a mulher da mãe dele e mãe das inumeras pretendentes não resistiu, pica de mel ABSURDA, a maior da hst da literatura'' ...

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Graças que o Carlos não fez isso, era apenas um recorte maternal dos dois.

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Mas que passou na cabeça dar uma bimbadinha na ex quase futura sogra e atual madrasta isso passou, se ela dá meio passo nessa direção, toda a virtude imersa na neblina da hipocrisia se desfaz e daria uns pegas na Cecília, botando chifre na própria mãe e no Trajano que é o Paidrasto kkkkkkkkkkkkkkkk esse Bruno é uma figura kkkkkkkkk

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Meio movimento no coccix e a Cecilia se entregava ali mesmo, ninguém resiste ao BruTESÃO, não tem jeito hahahaha

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Acho que todo mundo pensou. "Vai sentir a cutucada e vai ser só no catuque". Que bom que ele a tem como mãe também... Mas... Isso não torna ele meio incestuoso? Auhauh

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Excelente capitulo, Carlão. Ainda fechado no TEAM BRUNIZ, ainda que tudo caminhe pro trisal.

Ps.: A adição do personagem da secretaria acredito não ter sido a toa, será ela a ''felizarda'' que vai terminar com nosso BruTESÃO?

Ps.2: Carlão sempre fez questão de deixar claro a quase ''repulsa'' da Wendy pelo Bruno, tem coisa ai.

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Ele é o lendário Enrabador Galático!!!

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Bruno tem o mundo feminino aos pés dele, ainda não fez por merecer, no meu entendimento, mas aos trancos e barrancos está chegando aonde tem que chegar, só não gostei dele falar para a Mãe que ele não era hipócrita, gostaria que ele assumisse sua hipocrisia e falasse para Mãe, que quando ele entendeu o amor que une ela, Cecília e Trajano, que abriu a cabeça dele, desfazendo de qualquer senso hipócrita e que agora em diante não terá mais atitudes hipócritas, mas de resto, subiu alguns degraus para o merecimento do amor de tantas Deusas da Beleza na sua vida.

O que me deixou bastante intrigado, foi que aparentemente, a Wisper seria imune aos encantos do Semi-Deus da Virtude Bruno, duas passagens deixaram isso bem claro; uma foi a mensagem dela no Grupo das Naras "é só um abraço gente", e a outra talvez mais significativa seria do Trajano deixar a Wisper de fora, dizendo claramente que todas as outras mulheres da família brigariam com o Trajano, caso não considerasse o Bruno como Filho, esses detalhes podem significar muita coisa ou quase nada, mas que tem significado na trama tem, resta saber o quanto irá impactar na vida do protagonista. Ansioso.

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Você está falando da Wendy.

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Kkkkkkkkk Segunda vez que chamo a Wendy de Wisper, tenho que voltar a consumir álcool

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kkkkkkkkkkk Eu só percebi pelo contexto... Já que a Wendy é quem resiste, (por enquanto), ao furacão feromonal do Bruno.

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Rapaz, esse meu amigo Carlos tá parecendo Ronaldinho no drible.

Finge que vai sair por um lado e sai por outro

Conto excelente, diálogos maravilhosos e a escrita dispensa comentários.

Muito bom .

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A tempos uma série de contos não me fazia ficar ansioso pelo próximo capítulo. Parabéns e que venha todo o amor pelo Bruno!

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Muito bom...

As coisas se encaixando...

Parabéns!

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