Capítulo Um
Antônio
A ONG é bem mais do que um trabalho para mim, é minha vida. Rubens entrou na minha vida de uma forma tão aleatória, quem diria que seria ele a pessoa responsável por me fazer o homem mais feliz do mundo!
Meu Fuscão Preto 70’ para em frente a ONG — meu desejo era vir para cá todos os dias, porém como sou o único cirurgião veterinário atuando na região continuo me dividindo entre aqui e a clínica particular da cidade — mesmo com um pouco de sono por ter dormido pouco noite passada entre empolgado dando bom dia para as três pessoas na recepção.
Desde que Gessika noivou com meu cunhado ela se mudou para Fortaleza, por conta disso contratei o Juliano que era meu estagiário para dar uma força aqui na ONG, ele é bom com papelada e também um bom veterinário, aprende rápido e não tem corpo mole para o serviço pesado.
— Bom dia, doutor Vilela — responde Juliano — tem duas castrações agendadas para hoje e tem dois pacientes para o senhor dar uma olhada antes da primeira cirurgia.
— Perfeito — pego a ficha já chamando o nome do tutor do meu primeiro paciente.
Uma mulher loira e simpática levanta da cadeira com um pouco de dificuldade, além de um PitBull bem dócil ela tem uma barriga enorme de grávida.
— Bom dia, doutor Vilela — diz a mulher simpática entrando comigo no consultório um — esse é o Tigela.
Muitas pessoas morrem de medo da raça do Tigela, mas a verdade é que quando bem criado o PitBull pode ser um grande amigo, dócil e muito carinhoso, principalmente com crianças.
— Então o que o Tigela tem? — Faço carinho nele e para ganhar sua confiança já puxo um petisco do bolso.
— Ele não tem se alimentado muito bem e parece um pouco inchado doutor.
— Entendi, bem vamos dar uma olhada nesse garotão.
Começo a examinar o Tigela e ele sendo um bom garoto não reclama nenhuma vez, fica completamente confortável com minha presença e com meu toque nele. Angela sua tutora me encara completamente surpresa, para mim é normal que os tutores fiquem impressionados com minha facilidade de fazer amizade com meus pacientes.
— Estou boba doutor, o Tigela não é muito receptivo com estranhos, tipo ele não ataca, mas fica com uma cara de rabugento.
— Ah, eu sei bem lidar com rabugentos, tenho um em casa — brinco fazendo referência ao meu noivo.
— Ah sim — Angela sorri — então doutor ele vai ficar bem?
— Tigela infelizmente está com um problema nos rins, mas nada que a gente não consiga resolver.
— Ele vai precisar operar, doutor? — Pergunta ela preocupada?
— Vamos observar, vou te passar uma ração nova e um medicamento, próxima semana eu dou outra olhada nele.
— Obrigado doutor, nem tenho como te agradecer, na minha vida o Tigela sempre esteve comigo e agora com o bebê tem tudo sido uma loucura — ela se esforça para parecer animada, mas percebo um pouco de tristeza em seu olhar.
— Ele vai ficar ótimo, Tigela é um cão forte e vai sair desse né garoto? — Lhe dou outro petisco.
Acompanho eles até a recepção para chamar Seu Gustavo, um senhor muito gentil que sempre trás os gatinhos dele para vacinar e quando eles estão doentes, ele mora só com quatro gatos e cuida deles como se fossem filhos dele mesmo. Acho que por ser louco por bicho, eu costumo me dar melhor com pessoas como Seu Gustavo.
— Espero vocês aqui na próxima semana Angela.
— Obrigado doutor.
— E aí Seu Gusttavo, hoje é o Chiquinho? — Antes que eu volte para o meu consultório, Juliano me chama.
— Doutor Vilela, tem uma entrega para o senhor — ele está com um sorriso enorme no rosto.
— Para mim — volto minha atenção para uma caixinha pequena com uma etiqueta de entrega, o endereço da ONG e meu nome — eu não pedi nada.
— Mais é para o senhor — ele parece saber de algo que não sei, logo começo a pensar no que o Rubens aprontou dessa vez.
Só pode ter sido meu noivo, quando peço algo pela internet eu coloco para receber em casa, Rubens trabalha de Home Office, por isso está sempre em casa.
Dentro da caixa vejo a logomarca de um relógio alemão. Eu sempre gostei de relógio, mas meu noivo leva muito a sério esse lance de colecionar relógios, ele tem o valor de uma casa na primeira gaveta do nosso guarda roupas — e estou falando de uma casa boa. Foi por causa dele que comecei a ter um pouco mais de refinamento nos meus gostos, Rubens não gasta para esbanjar, mas ele sabe apreciar as coisas boas da vida e para o tanto que meu Mozão trabalha ele pode se dar esses luxos.
— Nossa que lindo — Angela diz ao ver o relógio na minha mão.
— Não acredito — penso em voz alta.
— O que doutor?
— A gente viu esse relógio lá em Berlim, só que eu tinha falado para esse teimoso que era melhor guardar o dinheiro para o casamento.
— Queria eu ter um noivo teimando em me dar presentes assim — diz Juliano, ele não fala muito sobre sua sexualidade comigo, mas o Rubens já tinha me falado que ele é gay, porém discreto.
Estamos noivos a um mês, nosso combinado é juntar uma grana pra casarmos em Fortaleza em uma festa enorme para receber nossa família inteira, Rubens quer pagar a passagem e a estadia de todos os irmãos, até marcamos a data para o meio do ano, daqui a três meses.
Tive um atendimento de urgência bem na minha hora de almoço então não consegui ir para casa comer, mas pelo menos deu tudo certo e o pequeno furão vai viver mais um dia. Agora que moramos mais perto do Centro rapidinho chego em casa — Faz umas três semanas que estou esperando o Rubens chamar o cara para instalar o motor no portão, só que meu noivo ou está trabalhando ou está me mimando então nas duas ocasiões ele não consegue fazer o que eu pedi.
Desço do carro para poder abrir o portão, na calçada de frente sempre ficam sentadas três senhoras que são de longe as mulheres mais fofoqueiras que já conheci na vida, fora uns moleques que sempre ficam brincando na rua.
— Boa noite doutor — uma delas me cumprimenta enquanto estou indo abrir meu portão.
— Boa noite Dona Beta — respondo sendo educado.
— Doutor, minha neta fez um bolo de milho tá muito gostoso, vou pedir para ela lhe levar um pedaço — diz Dona Sônia.
— Obrigado — estou quase escapando delas quando entro no carro, porém Dona Matilda me chama — oi Dona Matilda?
— A Teresa me perguntou onde o senhor está morando Doutor, pensei que você fosse neto dela.
Dona Teresa nunca nos aceitou e mesmo morando na mesma cidade ela finge que não existimos, Seu Lúcio ainda nos visita de vez em quando, mas Dona Teresa fica implicando com ele todas as vezes.
— Ela é avó do Rubens, Dona Matilda — digo ainda tentando ser paciente.
— O amigo dele — diz Dona Beta.
— A senhora quis dizer meu noivo, né Dona Beta?
Elas me lançam um meio sorriso, é incrível, desde que nos mudamos essas ilustre senhoras insistem em fingir que não somos um casal e pior, elas ainda tentam empurrar suas netas e filhas para cima de mim, outro dia uma delas quase casou o Rubens com uma sobrinha quando ele foi levar o lixo para fora.
Nota mental: resolver o lance do portão automático essa semana ainda.
Tranco o portão uma vez que meu Fuscão está na garagem. Entro em casa já chamando pelo meu amor.
— Estou no escritório.
— Trabalhando ainda Rubens? — Pergunto em tom de desaprovação, pois temos um combinado que quando estou em casa ele não trabalha, só se for realmente preciso.
— Não estou trabalhando, só estava te esperando — grita ele do escritório, provavelmente fechando o computador às pressas para que eu não veja. Meu amor é um viciado em trabalho.
Bem, ele me deu um presente, então tenho que retribuir, começo a tirar minha roupa, com agilidade ficando completamente pelado, quer dizer quase pelado, pois a única coisa no meu corpo é o Pano Matic Luna prateado com a pulseira de tecido trançado preto. Vou até o escritório já entrando e falando com ele.
— Amor gostei do presente, olha só como ficou em mim.
Os olhos do Rubens se iluminam. Ele tem uma devoção no olhar que me faz sentir o cara mais puto e gostoso do mundo, meu pau apontando para ele o fazendo salivar quase. Rubens me ama, mas mais do que isso, ele me deseja e só de saber disso me faz quere-lo ainda mais, nosso sexo é algo fantástico — sempre foi — ele me realiza e me completa.
— Sabia que ia ficar lindo em você — ele diz sem tirar os olhos do meu corpo nem para piscar.
Me aproximo dele deixando meu pau na altura da sua boca, ele abre as pernas para que eu chegue mais perto dele, sentando mesmo, Rubens agarra meu pau e leva até a boca. Ele me chupa com tanta vontade, com tanto prazer, foder sua boca é quase tão bom quanto está dentro dele. Sua língua me lambe por inteiro, ele mama no meu pau como um bezerro faminto, esperando que meu leite derrame em sua boca para assim matar sua sede.
Cada vez que vou até o fundo da sua garganta é um desafio não despejar meu prazer ali mesmo. Rubens sabe exatamente como eu amo ser chupado e faz isso com maestria. Sugando e engolindo, a mamada do meu amor é molhada, ele baba literalmente no meu cacete isso é foda para caralho.
— Isso amor, engole o pau do seu primo.
Sou sortudo pra caralho, Rubens engole toda a porra que sai do meu pau, meu tessão nessa boca não diminui nem um pouco desde a primeira vez que ele me chupou, pelo contrario, ele só me faz deseja-lo mais e mais, nada na minha vida hoje é mais importante do que meu amor, ele é parte de mim e eu sou parte dele.
— Que delícia — Rubens diz vindo de encontro à minha boca.
Nosso beijo é quente e muito bom.
— Tá pensando em quê? — Pergunto quando ele deita a cabeça no meu peito. Meu peito é seu refúgio.
— E se a gente casasse aqui mesmo?
— Ué, não é mais fácil para sua família em Fortaleza?
— Sim, mas é que ando pensando em casa só nós dois no sítio do Bosco — isso é novidade, mas pensando bem, Rubens anda estranho desde o noivado, eu sei que não tem nada haver comigo, mas já o conheço bem para saber que tem algo que ele não está me contando.
— Amor — me ajeito na cama para que fiquemos mais confortáveis — amor tem algo rolando com sua família, o que eles falaram, por acaso isso é sobre a Dona Teresa? Porque as fofoqueiras da rua disseram que ela tava perguntando por você.
— Por mim?
— Sim — Rubens fica pensativo, é muito doloroso para ele que minha sogra e a Dona Teresa não aceitem nosso amor.
— Amor, eu só quero que nosso casamento seja uma coisa nossa só isso.
— Rubens a gente não vai casar com o Zé Filho e a Gessika não — digo rindo, mas ele me faz uma cara que entrega que tem algo oculto.
— Amor, por favor, não conta para ninguém.
— O que aconteceu amor? — Agora estou ficando preocupado.
— Benjamin e Gessika estavam se beijando no dia do noivado.
— O que! — Minha voz sai áspera, estou em completo choque.
— Eu vi, eles juntos.
— O que você fez?
— Nada, não consegui fazer nada, só que eu disse que eles tinham que contar para o Zé Filho o que quer que fosse o que estavam fazendo.
— Mas Zé Filho continua com Gessika — digo confuso.
— Eu falei com Ben hoje e ele disse que ainda não contou, aparentemente ele e Gessika estão apaixonados e estão tentando contar isso para o Zé Filho.
— Amor, porque não me contou antes? — Estou chocado do Rubens guardar esse segredo por tanto tempo.
— Não podia, o Ben é meu irmão.
— O Zé Filho também é — questiono.
— Fiquei sem saber o que fazer e na real ainda não sei, mas tenho insistido que o Ben assuma o que fez.
— Você tem que contar para ele amor.
— Não posso me meter e nem você vai Antônio — poucas vezes nesses oito meses de relação Rubens foi tão firme comigo, até estremeço de ver seu tom de chefe direcionado a mim.
— Isso é errado Rubens.
— Eu sei, mas o Ben tem que contar e não a gente.
Para o Rubens ter os irmãos unidos é um sonho, mas esse sonho está prestes a se tornar um puta pesadelo, não concordo em guardar esse segredo, mas casamento é isso, é apoiar meu parceiro seja lá qual for a situação. No fim eu sei que os estilhaços desse caos vão voar direto para o meu amor e ele vai precisar de mim para não surtar com isso.
