Uma puta dama - Epílogo 3/3

Um conto erótico de Helena (Por Mark e Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 8250 palavras
Data: 27/03/2026 16:05:23

Meus caros e minhas caras,

Antes de finalizar este epílogo, queria trazer algumas considerações:

O conto original terá uma segunda temporada, mas não será imediata. A princípio, ele partiria do capítulo 17. Por esse motivo, ele ficou “em aberto”, além de que eu queria que cada um tivesse a sua própria experiência e, a partir dela, tirasse sua própria conclusão do conto. Li no comentário de algum leitor, não me lembro quem, que o conto era como um “Dom Casmurro”, cuja história termina, mas não se conclui, dependendo da análise de cada um. Pois bem, acertou em cheio: era essa a minha intenção.

O convite para fazer esse epílogo partiu de uma brincadeira feita pela nossa querida Ida, presidente (e não presidentA porque me lembro da Dilma!) do IDAbope e o aceitei, não como uma obrigação, mas mais como um desafio criativo. E realmente foi! Não pela dificuldade em ser escrito, mas pela dificuldade de não atrapalhar a continuação da história que eu já havia planejado.

Pessoalmente, o trisal não existiria. No meu ver, a conduta da Helena foi grave o suficiente para justificar o término do relacionamento com o Beto. Eles iriam se relacionar posteriormente, mas não como um casal, seria “recaídas”. Quem muito me ajudou a construir a possibilidade dessa reconciliação, como já devem imaginar pelo tom mais emotivo em algumas passagens, foi a minha Nandiabólica autora, dona Fernanda Onça Mariana Branca.

Apesar de não ter sido o rumo que eu pretendia, acabou ficando razoavelmente “legal”. Eu e ela gostamos, e esperamos que vocês também gostem.

Antes que perguntem: nem todas as pontas foram amarradas! Algumas ficaram para a continuação. E não, a continuação não será imediata. Darei um tempo para amadurecer algumas ideias antes de continua-la. Só um spoiler: S.I.N.A. e o grupo do Zico serão bastante ativos. Aliás, Brianna voltará à ativa, levando Helena e Annie com elas. Nanda fez uma analogia que calhou bem quando leu o esboço da continuação: parecia um meio roteiro de filme das Panteras.

Aguentem que um dia posto.

Forte abraço,

Mark “markavélico” da Nanda.

[...]

A pergunta era justa e direta. Eu precisava ser honesta com ela também:

- Antes, eu não me preocupava com isso porque parecia impossível, mas agora... A verdade é que acho que sinto um pouco de ciúmes do Beto, Bri. Mas...

- Mas?

- Mas eu estou disposta a deixar vocês dois se entenderem da melhor forma possível. Você é minha mulher e eu gostaria que ele te visse como eu vejo. Claro se vocês dois quiserem.

- E o ciúme?

- Vou ter que aprender a conviver. Só... não vai me trocar pelo meu marido, sua safada! Se ficar com ele, vai ter que ficar comigo também. - Brinquei, uma lágrima brilhando no meu olhar.

- Prometo!

[CONTINUANDO]

Na hora do almoço vi que a Bri digitava concentrada algo em seu celular. Aproximei-me pé ante pé, não que desconfiasse de algo, mas por pura curiosidade. Ela me viu chegando e sorriu, dando batidinhas no sofá ao seu lado. Sentei-me e ela me mostrou uma conversa ativa com o Beto:

- Convidei ele para vir hoje a noite de novo e ele disse que ainda está com torcicolo da noite anterior. Daí eu falei que ele poderia dormir numa cama, se preferisse.

- E o que ele disse?

- Deu risadas... - Ela me mostrou na mensagem, onde também li “Deixa a Helena saber que você está me cantando.”

Eu sorri. Sentia ciúmes, mas também via que uma intimidade parecia estar nascendo ali. Peguei meu celular e criei um grupo entre eu, Beto e Bri, já mandando um áudio:

“Melhor falarem por aqui para EU não me sentir traída.”

Os dois começaram a mandar mensagens: a Bri pedindo desculpas, dizendo que não era essa a intenção, que fora apenas uma brincadeira; o Beto apenas disse que não fez nada.

A noite chegou e com ele o Beto, trazendo duas pizzas a tiracolo. Bri foi recebê-lo e com um intimidade inesperada, lhe deu outro beijo estalado na bochecha. Ela então pegou as pizzas e se virou para ir à cozinha. Ao passar por mim, deu uma piscadinha e fez um movimento de cabeça, como que dizendo para eu ir recebê-lo.

Fui e dei um beijo na bochecha do Beto. Ele usava um perfume diferente, amadeirado, sedutor. Mesmo temerosa, não resisti e beijei sua boca. Só depois me dei conta do que fazia e fiz menção de me afastar, mas para a minha surpresa, ele me segurou pela cintura e apertou contra ele. Mais do que isso, sua mão foi para trás da minha cabeça e ele assumiu o controle do beijo. Fiquei mole. Senti como se minhas pernas falhassem. Não sei quanto tempo aquele beijo durava, mas só paramos ao ouvir uma voz:

- Eu... - Ouvi a voz da Bri atrás da gente e nós a encaramos: - Eu... Desculpa! Não queria atrapalhar, mas é que não achei o saca-rolhas e...

Não dei tempo que ela terminasse e fui até ela, puxando-a pela mão para junto do Beto:

- Le, não!

Calei-a de vez com um selinho. Ela me olhou surpresa. Dei outro beijo, mais profundo, sem ser muito invasivo e então olhei nos seus olhos:

- Bri, esse é o Beto, meu marido, meu homem, meu amor... - Olhei para o Beto então: - Amor, essa a Bri, a nossa mulher.

- Nossa!? – Ele resmungou, sorrindo.

- Só depende de você nos dar uma chance. Eu te prometo que farei de tudo para te compensar e fazer de você o homem mais feliz desse mundo. – Olhei para a Bri e voltei a encará-lo, sorrindo: - E duas podem fazer muito melhor do que uma, não acha?

- Acredito que ela fará... Oi!? - Disse a Bri, chamando a nossa atenção.

Voltei para perto dele, sentindo seu braço tocar minha cintura e puxei ainda mais a Bri. Beto me olhava surpreso, parecendo meio perdido, e era natural que se sentisse assim. Ele, enfim, deu uma risada, balançou negativamente a cabeça, mas ainda com um meio sorriso no rosto. Por fim, falou:

- A pizza está esfriando, Helena. É melhor comermos.

Acabamos dando uma risada da forma como ele falou. A Bri lhe deu um longo beijo na bochecha:

- Por que isso? - Ele perguntou.

- Por não me rejeitar. Obrigada.

Beto apenas sorriu, mas não pude deixar de notar que seus olhos correram rapidamente pelos lábios avermelhados dela.

Fomos até a cozinha, abrimos um vinho e comemos as pizzas. Depois, voltamos para a sala, onde coloquei uma playlist para tocar enquanto bebíamos e conversávamos mais. Beto e Bri pareciam curiosos um com o outro. Num certo momento, eu o puxei para uma dança mais lenta. Bri ficou nos olhando, com uma taça de vinho na mão:

- Parece que está gostando dela... – Falei ao pé do ouvido dele, sorrindo.

- Ela parece legal.

- Só legal?

- Só legal. Por enquanto...

Deitei minha cabeça em seu ombro e suspirei:

- Estou tão feliz de estarmos aqui juntos novamente.

- Eu não acreditava que isso pudesse acontecer. - Ele retrucou, mas se corrigiu em seguida: - Mas que bom que aconteceu.

- Pode ficar melhor...

- Helena, não apresse as coisas.

- Você nunca vai me perdoar, né?

- Não se trata de perdão. É mais complicado...

- Confiança?

- Acho que sim.

- Por isso falei em começar de novo, do zero. Não quero consertar ou reconstruir. Eu quero construir algo novo com você, e com ela.

- E como se constrói uma casa sem uma boa base?

- Ué!? Usando mais uma empresa de construção! - Retrucou Bri, falando com um leve tremor de álcool, já ao nosso lado.

Nós a encaramos surpresos com a intromissão, mas logo demos uma risada da cara que ela fazia. Ela parecia outra agora, mais imponente, decidida e não se conteve:

- Beto... Fuck that Roberto! Vou te chamar de Beto e tô nem aí, tô nem aí. - Cantarolou, passando os braços em nossas cinturas: - A casa sempre poderá ruir. Mas tendo três pessoas para segurá-la, as chances dela continuar de pé são bem maiores, não acha?

Beto apenas a encarou, passando a olhar para mim e depois voltando a encará-la:

- Não sou perfeita, Helena também não. Mas ela está disposta a te e a me fazer feliz e eu estou disposta a fazê-la feliz. E agora conhecendo esse seu lado menos armado, fiquei com vontade de te fazer feliz também. Então, o que te custa aceitar essa oportunidade e nos fazer felizes um pouquinho também?

Beto ouviu tudo atenciosamente e ficou mudo. Alguns bons segundos depois, olhou para mim:

- Posso dançar com a Brianna?

- Po-Pode. - Gaguejei, dando espaço.

Os dois se grudaram e começaram a rodar pela sala, lentamente, ao som de Unchained Melody, do The Righteous Brothers. Eu me sentei no sofá e procurei um pouco mais de coragem no fundo da garrafa de vinho. Vi que eles conversavam ao pé do ouvido, mas eu não conseguia entender o que diziam. Como o vinho estava no fim, avisei que iria buscar outra garrafa, mas fui sumariamente ignorada.

Fui rapidamente, peguei a garrafa, abri e voltei correndo. A cena que vi me tirou o chão: Beto e Bri sei beijavam. Não era um selinho, era um beijo, íntimo, profundo, de língua, quase de alma. Senti um frio na barriga e algo que só posso definir como uma “dor de parto”. Mas me mantive forte, escorada no vão que ligava a cozinha à sala. Pior, ou melhor, não sei dizer, é que o beijo não acabava nunca! Não me aguentei mais e voltei para o sofá, fingindo estar tudo bem, mas com os olhos levemente marejados. Servi uma taça e fui até a janela, olhar o nada. Bri veio logo atrás de mim:

- Tudo bem?

- Está... - Falei baixinho, quase sussurrando, e olhei para a sala, vazia: - Cadê o Beto?

- Foi ao banheiro. Está tudo bem mesmo, amor?

Olhei para ela e confessei:

- Precisava beijá-lo desse jeito? Estou morrendo de ciúmes!

- Eu sabia que não ia dar certo...

- Não é isso, nem sei de quem sinto essa merda de ciúme, Bri. Não sei se é dele, de você, de tudo. Sei lá...

- Consegue aguentar?

- Por que?

- Não sei... Posso estar enganada, mas acho que... com jeitinho... a gente pode ter companhia hoje.

- O Beto!?

- E quem mais, senhora Helena? - Ela disse, rindo, mas se controlou rapidamente: - Mas só se você ficar bem com isso.

O Beto voltava e nos viu conversando no canto. Ele pegou a sua taça, sempre nos olhando, curioso, mas não se aproximou. Certamente, ele havia imaginado que estávamos tendo uma “DR”, e não estava errado.

Respirei fundo, virei a minha taça e fui em sua direção. Peguei a taça dele e a coloquei sobre a mesinha de centro junto da minha. Então, eu o encarei e... lhe dei um tapa no rosto. Não forte para machucar, mas o suficiente para fazê-lo arregalar os olhos:

- Mas que porra é es...

Eu o interrompi, jogando-o sobre o sofá e subindo em seu colo. Segurei firme no colarinho de sua caminha, encarando-o no fundo dos olhos. Irada, excitada, esperançosa, temerosa, enfim, tudo junto e misturado:

- Você não vai ficar com a Bri antes de ficar comigo. Você é MEU homem e eu sou a SUA mulher. Você me respeite e respeite a ordem de chegada.

Num movimento, ele nos virou no sofá e me segurou pelo pescoço, não violentamente, mas de uma forma que me surpreendeu. Então...

PÁ!

Um tapa estalou em meu rosto. Também não forte para machucar, mas o suficiente para mostrar quem estava no comando agora. Ele me encarou em silêncio por bons segundos antes de falar:

- Exato! Se eu aceitar ser o homem da relação, eu darei as ordens aqui. Você vai apenas me obedecer, como era antes e devia ter sido sempre.

- Para, Beto! Eu...

Ele levantou a mão, me ameaçando e eu me calei de imediato. Então, ele perguntou:

- Quer outro? Não, né? Então, aceita! Quer que eu volte, então entenda quem vai mandar por aqui.

Eu não o reconhecia. Não era o meu Beto, não o homem com quem eu havia me casado. Se bem que, em nossa intimidade, era comum ele se fazer de mandão, quando eu dava chance. Pensei em me debater, mas já imaginei que a Bri poderia interpretar erroneamente e com seu treinamento, ela teria grande chance de superá-lo. Mas não precisei me esforçar, pois vi surgir um sorriso nos lábios dele, seguido de uma piscada marota. Ele veio até mim, beijando meus lábios com ternura, paixão, tudo enquanto ainda me segurava pelo pescoço. Quando ele tentou se afastar, mordi seu lábio inferior até fazê-lo gemer:

- Acha que vai ser fácil me domar?

Ele se aproximou de meu ouvido assim que eu o soltei e sussurrou:

- Posso ir embora. Hoje em dia, é a coisa mais fácil encontrar uma cadelinha mansa.

- AHHH! Filho da puta... - Gritei, agarrando-o pelo pescoço.

Começamos a rir ali, grudados e só então nos lembramos da Bri. Olhei para o lado dela, e ele também. Bri estava sentada no canto do sofá, as pernas cruzadas, um dedo na boca, olhando para nós com semblante assustado:

- O que foi, loira? Assustada? - Perguntou o Beto.

Ela ainda olhou para mim antes de responder:

- Ai, gente... Fiquei feliz, depois assustada, depois... excitada! Agora estou aqui me segurando para não pular aí no meio e dar uns bons tapas nos dois.

Demos risada e Beto saiu de cima de mim. Ainda lhe dei alguns soquinhos no peito, mas rindo da sua cara de sacana. Ele tinha mais para falar:

- Ok. Vamos organizar a bagunça... Quero as duas peladinhas aqui. Agora!

- Tá louco, Beto? Assim, sem mais nem menos? - Reclamei.

Bri, por sua vez, se levantou e veio me puxar pelas mãos, dizendo:

- Já voltamos, Daddy.

- Daddy!? – Perguntei.

- Sim. Daddy. Our Daddy.

Ela me arrastou para o nosso quarto, rindo pelo corredor. Assim que entramos, ela falou:

- Pega a sua lingerie mais safada. Hoje, vamos quebrar a cama.

- Mas... Mas...

- Não tem mais nada, amor! Ele não quer a gente? Então, vamos dar o que ele quer.

Entramos no closet e ela de cara escolheu um conjunto de espartilho rendado lindíssimo, com meias calça 7/8 e cintas ligas, num vermelho meio marsala. Pegou e foi se vestir. Eu não sabia o que usar. Acho que eu esperava ter uma noite mais tranquila com o Beto e não partir para um ménage logo de cara. Mas enfim... Olhei para todas as minhas peças, mas nada me chamava a atenção, até que:

- Ahh... Esse aqui! Vai ser esse aqui.

Peguei a lingerie e a levei até o quarto, estendendo as peças sobre a cama. Quando a Bri a viu, deu uma baita risada:

- Caramba, amor! Tem certeza?

- Ab-so-lu-ta!

Bri foi ao banheiro e tomou uma ducha rápida, sem molhar os cabelos. Voltou e se vestiu rapidamente. Ela tinha uma destreza que parecia ser coisa de cinema, talvez do seu treinamento de espiã. Enfim, ela ficou pronta antes que eu terminasse meu penteado e ficou linda. Usava, além do espartilho e meia, um sapato de salto agulha, uma maquiagem insinuante, mas não vulgar e os cabelos soltos, caindo como cascatas:

- Quer que eu te espere?

- Não, Bri. Vai lá e faz sala para ele. Mas não abusa!

- Fazer sala!?

- É... Trate bem o nosso hóspede. Mas não...

- Don't abuse him. I understood.

Ela colocou um robe vermelho por cima de sua produção e saiu do quarto. Entrei na ducha apenas para tirar o suor e dar uma enxaguada em minha vagina. Só então notei o tanto que eu já estava melada, sedenta do meu marido. Voltei para o quarto e coloquei minha lingerie, com um salto alto e me olhei no espelho. Terminei meu penteado e a maquiagem que queria:

- Peeeeer-feita! - Resmunguei para mim mesma.

Saí do quarto e voltei para a sala. Bri estava sentada no colo do Beto, enquanto se beijavam. Além disso, ela se esfregava nele, como se já tivessem transando. Aquilo me deixou brava, ao ponto de ter que tomar uma providência:

PÁ!

- Aiiiiii! LEEEEENAAAA! - Gritou a Bri, pulando do colo do Beto, a mão espalmada sobre a bunda.

Só então pude ver que não estavam transando. Ela apenas estava se esfregando nele, excitada com toda a situação.

Olhei para ele que levantou os braços e também lhe dei uma chicotada de leve, fazendo ele se encolher:

- Isso é para o senhor aprender a se controlar também, ok?

Beto e Bri ficaram me olhando, surpresos, mas sorrindo. Aliás, eles me olharam de cima a baixo, em cada detalhe, cada abertura:

- Gostaram? - Perguntei.

- Sempre gostei de você com essa lingerie. - Disse Bri.

- Está... Está... Caramba! - Resmungou o Beto, perdido nos detalhes.

E não era para menos, pois eu usava um espartilho de couro preto, com meia arrastão 7/8 e sapatos de salto agulha pretos e solado vermelho. Amarrei meu cabelo em um coque baixo e fiz uma maquiagem mais sombria, com olhos bem esfumaçados. Um chicotinho em minha mão era um detalhe à parte, mas o mais perturbador é que eu não usava calcinha alguma. Fui com a vagina descoberta, com apenas um monte bem desenhado de pelos em triângulo invertido que eu sabia que o Beto adorava. Eu queria encarnar a dominatrix, mas sabia que assim que o Beto pegasse aquele chicote, meu couro é que iria sentir, e eu queria aquilo:

- Quem vai ser o primeiro a apanhar? - Perguntei, batendo o chicotinho na mão.

Bri tirou o seu robe, chamando a atenção do Beto e ficou de quatro a sua frente, mas com a bunda virada na minha direção. Eu dei uma nova chicotada estalada:

- AAAAIII! - Gritou ela, colocando a mão sobre a banda da bunda atingida: - Mother fucker!

Dei outra chicotada e adverti:

- Se xingar, vai tomar outra ainda mais forte.

Ela empinou a bunda e me encarou por sobre os ombros:

- Mother... fucker!

Dei outra chicotada e a vi tremer, gemendo. Mais do que isso, ela se agarrou na perna do Beto, cravando suas unhas, enquanto gemia feito uma gata no cio. Minha vontade foi de lhe dar uma surra, mas quando meu olhar cruzou com o do Beto, vi algo que nunca imaginei ver novamente: tesão pelo que ainda estava por vir:

- O que? - Perguntei.

Ele me encarou em silêncio por um instante, antes de falar:

- Tenho uma curiosidade...

- Qual? - Perguntei, vendo a Bri o encarar também.

- Como você... Como vocês... Enfim, como vocês fazem?

- Oi!? - Perguntei, confusa.

Bri começou a rir da pergunta e se sentou sobre as pernas, olhando para ele:

- Ora, Beto... - Ela respondeu: - Fazemos... Só fazemos...

- Quero ver! - Ele disse: - Quero ver vocês duas em ação, ao vivo.

Bri me olhou e sorriu. Eu não estava tão certa assim:

- Eu e ela? Agora!?

- É, ué! Por que não? - Ele insistiu: - Vocês fazem, eu assisto e entro depois na brincadeira.

- Nunca fiz assim... - Resmunguei, meio que perdendo o embalo.

Bri arregalou os olhos, levantou-se e veio na minha direção, dando-me um beijo e cochichando:

- Para, né!? – Ela me puxou para um canto e continuou: - A gente já fez sim, para o filho do Bronson, e se você deu conta lá, dará conta cá também. Afinal, agora é para o seu homem e cá entre nós, é uma curiosidade normal de qualquer homem, amor. Aceita, boba...

Eu olhei por cima dos ombros dela para o Beto que havia se sentado no sofá, esperando uma definição. Seu pau já marcava por baixo do tecido de sua calça. Talvez isso fosse mesmo uma curiosidade e não uma vingança contra mim:

- Quantas vezes nós já fizemos amor sozinhas? É só abstrair... – Insistiu a Bri.

Inclusive foi ela quem tomou a iniciativa, me puxando pela mão até onde o Beto ainda estava sentado. Ela também esticou a mão para ele que a segurou e se levantou, falando:

- A Helena não parece muito disposta...

- Ela vai ficar. Só está assustada, com medo do que você pode pensar dela.

- Sério!? – Ela me encarou, uma expressão invocada: - Você me traiu com ela, com mais dois, isso se não tiver havido outros, e está com medo do que eu posso pensar agora que eu estou propondo?

Essa fala foi desnecessária, tanto que criou um certo clima chato entre todos. Pela cara que ele fez, ele mesmo se tocou do excesso. Bri tomou a frente, fingindo pouco caso do que ele dissera:

- Yeah! Bobeira, né? – Falou ela, puxando-nos em direção ao nosso quarto.

Fomos pelo corredor e entramos. Bri programou o ar condicionado para o polar e ainda assim eu suava. Beto se sentou na beirada da cama, sem saber onde colocar as mãos. Mas num segundo depois, disse:

- Não quero forçar ninguém! Tá na cara que a Helena não quer.

E se levantou, dando um passo na direção da porta. Bri me empurrou na direção dele, os olhos espremidos, brava igual uma onça. Corri até ele e segurei em sua mão:

- Não, espera! – Respirei fundo: - Eu só fiquei surpresa. Só me dá um tempinho para eu assimilar e a gente deixa acontecer.

- Você quer ou não? – Ele perguntou, olhando em meus olhos.

- Querer, eu quero, mas... Tem certeza de que não vai pensar mal de mim?

- Mais!? – Ele retrucou e se calou para não repetir o que havia falado: - Escuta, Helena... Você não é obrigada a nada, mas se você quer que eu faça parte dessa relação, eu tenho que entender como funciona.

- Tá. Você está certo. Eu entendi... – Suspirei profundamente: - Eu vou... buscar outro vinho. Estou precisando relaxar de verdade.

- Vai nada! Fica aí com ele que eu vou. – Disse a Bri, saindo sem me dar chance de protestar.

Quando voltei a olhar para o Beto, ele me olhava com fome, sede. Não pude evitar um sorriso de satisfação:

- Esse modelito aí... eu nunca vi você usar, nem sabia que você tinha essa “vibe”.

- Pois é... Acabei descobrindo cada coisa depois que a gente se sepa... – Calei-me, pois uma emoção sorrateira e doída, poderia descambar para um algo broxante: - Enfim, acho que você terá que me descobrir um pouco novamente também.

E não é que ele topou o desafio! Aproximou-se ainda mais de mim e deslizou um dedo pelo decote, entre os meus seios. Aquilo me arrepiou inteira e me deu uma certeza: eu transaria com o Beto naquela noite, nem que para isso tivesse que transar com a Bri. Não que isso não fosse deliciosamente prazeroso para mim...

Enquanto ele me alisava, olhei em seus olhos e ele me abraçou, beijando-me a boca. Senti sua mão descendo o zíper do meu espartilho e me deixando nua, apenas com as meias-calças e o salto alto. Ouvimos a Bri rindo atrás da gente e nós a encaramos:

- Eu vou primeiro, ou você vai? – Ela perguntou, olhando para o Beto.

- Não. Você, claro! Só vou pegar um pouco desse vinho. – Ele disse pegando a garrafa e servindo três taças para a gente.

Bebemos sentados na cama. Eu tomei mais duas taças. Nem vi direito quando a Bri veio para cima de mim, mas decidi que seria tudo ou nada: se o Beto queria assistir, ele teria um show.

Bri subiu em cima de mim, beijando-me a boca e apertando os meus seios. Consegui nos virar na cama e dei um leve tapa em seu rosto, fazendo ela dar um gemido que, para qualquer um que ouvisse, saberia que não era de dor. Beto bebia calmamente seu vinho, encostado na parede e nos assistindo sem parar. Num momento em que nossas bocas se descolaram, falei:

- Peraí! A dominadora aqui sou eu!

Virei-nos sobre a cama e a coloquei com a bunda para cima, dando-lhe dois tapas bem dados. Então, soltei o laço de seu espartilho e a ajudei a tirá-lo. Ela tentou me beijar novamente, mas eu a empurrei para a cama, abrindo sua perna e enfiando dois dedos, enquanto o dedão alisava seu clítoris. Olhei para o Beto e vi que o volume em sua calça estava imenso e ele, ao ver que eu olhava, alisou explicitamente seu pau por sobre o tecido.

Abaixei-me e passei a lamber e chupar a Bri, fazendo com que gemesse ainda mais alto. Olhei para o Beto e ele praticamente babava nos assistindo. Posicionei-me sobre ela, oferecendo a minha buceta e voltei a lambê-la. Agora quem gemia também era eu, afinal, não sou de ferro. Não sei quanto tempo durou, mas decidi ir além:

- Beto! Pega uma maleta pink no closet para mim.

- O que... quê? – Ele gaguejou.

- Pega a porra da maleta pink para mim. No closet...

Ele foi e voltou rapidinho. Abri a maleta sobre a cama e peguei um consolo de 16cm de comprimento. Coloquei uma camisinha nele e o enfiei dentro da Bri, fazendo ela tremer:

- Mas... que safada! – Resmungou ele, de olhos arregalados.

Passei a movimentar o consolo rapidamente dentro da Bri enquanto a chupava e não demorou quase nada para ele começar a tremer, se contorcer e gritar. Quando olhei para o Beto, ele já havia colocado o pau para fora da calça e o alisava lentamente. Aquela imagem me fez congelar, mas a emoção logo me fez descer da cama e ir até ele, de joelhos.

Sem pedir permissão peguei seu pau e levei à minha boca. Ele deu um gemido rouco e respirou profundamente, fechando os olhos. Passei a chupá-lo, lambê-lo, cheirá-lo, beijá-lo, enfim, fiz tudo o que gostaria de ter feito há anos, sem o menor medo do que ele poderia pensar de mim. Eu babava feito uma cadela louca.

Logo, senti uma mão me acariciando as costas e uma língua correr pela minha face. Era a Bri que havia se juntado a nós. Ela veio me lambendo o rosto até sua língua se aproximar do pau do Beto. Passamos a dividi-lo entre a gente. Enquanto uma lambia a base, a outra chupava a cabeça, e vice-versa. Olhei para o Beto e ele nos encarava como se estivesse vendo um fantasma. Mas era a realidade, uma nova, nossa, talvez para sempre.

Beto começou a gemer ainda mais e a reclamar que gozaria se continuássemos com aquilo. Nós continuamos, insistindo, querendo esvaziá-lo. Mas ele nos parou, puxando pelo cabelo:

- Calma! Ainda quero mais.

Então, fomos os três para a cama, mas não sem antes deixá-lo nu. Bri se jogou abrindo as pernas e para evitar que ele entendesse isso como um convite, enfiei meu rosto em sua vagina, ficando de quatro. Beto entendeu isso como um convite e, após alguns segundos, penetrou-me. Além da saudade, o fato de estarmos, enfim, transando sem mentiras ou ocultações, deixava tudo muito mais prazeroso, tanto que gozei em questão de minutos. Ele deixou que eu tombasse de lado e assumiu a minha posição, não com a boca, mas com o pau, entrando fundo na Bri. Só então notei que ele usava um preservativo.

Enfim, essa noite virou madrugada. Gozamos muito, várias vezes. Beto gozou três vezes com algum descanso entre as sessões. Na última vez, dividi uma gostosa gozada com a Bri, boca a boca, rosto a rosto, enfim, se iríamos dividi-lo, teria que ser completo.

Na manhã seguinte, acordei com ele e ela transando ao meu lado, discretamente, quase sem som ou movimento algum. Isso me chateou um pouco. Mas rapidamente passou, porque ele, ao verem que eu havia acordado, me puxaram para a brincadeira.

Enquanto tomávamos um café da manhã, conversando e rindo sobre a noite anterior, fiquei curiosa:

- Você bem que podia vir morar com a gente, né, amor?

Bri me encarou, pois era assim que eu a chamava, mas logo entendeu que se tratava do Beto. Ele me olhou em silêncio por alguns segundos, enquanto bebia um bom gole de café:

- Melhor não, Helena. Vocês já tem a vida de vocês. Eu tenho a minha. Não queria misturar as coisas.

- Mas... eu pensei que a gente... enfim fosse ficar...

- Juntos?

Balancei a cabeça e os ombros afirmativamente, pois era a verdade. Ele tinha mais a falar:

- Isso é muito difícil de acontecer.

- Mas por quê?

- Porque... eu já tenho alguém...

Eu e Bri nos olhamos surpresas, olhos arregalados. Ela chegou a levar uma mão à frente da boca. Nós então o encaramos:

- Como assim!? Quem? – Perguntei.

- A Annie. Eu e ela... bem... A gente está juntos.

- Você... tem outra... mulher!?

- O que você esperava, Helena!? Que eu fosse viver sozinho minha vida toda depois de você? É claro que eu tenho alguém. É natural...

- Você está traindo sua... essa tal de Annie, Beto? – Perguntou a Bri.

Ele bebeu o resto de seu café e a encarou:

- Não. Eu e ela temos um relacionamento à distância, meio... aberto.

Vendo que nós não havíamos entendido, ele continuou:

- Ela mora em Viena e vem para cá às vezes. Eu faço o mesmo. Quando ela está aqui, ou eu lá, ficamos juntos. Estamos nos conhecendo, experimentando, para quem sabe... um dia...

Ouvir aquilo foi um choque depois de tudo o que passamos e de tudo o que eu fiz para tê-lo novamente para mim. Fiquei apática por algum tempo. Quando me levantei, não ouvia nada, nem ninguém, aliás, até ouvia vozes, mas bem lá longe, distante. Fui caminhando até o banheiro e me abaixei em frente a privada, vomitando tudo o que eu havia comido. Bri rapidamente surgiu e reuniu os meus cabelos, enquanto eu continuava pondo para fora toda a minha dor.

Vi que o Beto ficou um tempo parado à porta, mas vendo que tudo estava sob controle, avisou que iria ao quarto, se vestir e nos esperaria na sala. Bri fechou a porta e voltou até mim. Eu já estava melhor e me encostei na parede, olhando perdida para o nada:

- Amor, você está bem? – Ela perguntou, mas só respondi quando ela me deu um leve chacoalhão.

- Você ouviu o que ele disse? – Perguntei, sem encará-la.

- Ouvi...

- Que canalha! Como ele pode?

- Helena, ele é um homem. Além disso, ele não ficaria sozinho, esperando para ver se vocês voltariam. Você pode não gostar da verdade, mas ele está certo. A vida seguiu.

Olhei para a Bri com ódio, mas logo desabei a chorar. Ela estava certa. Ele estava certo. A única errada nessa história toda, era eu. Quando me dei conta disso, afastei gentilmente a Bri que me abraçava e fui lavar o rosto. Saí do banheiro e fui até a sala, onde o Beto nos aguardava sentado. Sentei-me ao seu lado, olhando para a frente, ainda para o nada, e perguntei:

- Você a ama?

- Gosto muito da companhia dela.

- Mas a ama? Ou está apaixonado?

- Apaixonado é uma resposta condizente.

- Você ainda me ama?

- Helena, que pergunta...

- Só preciso saber se ainda ocupo algum espaço no seu coração, Beto! Estou cansada demais de errar. Não quero insistir com você se eu não tiver mais espaço.

Ele se calou por um instante e depois respirou profundamente:

- Você sempre vai ter um lugar no meu coração. Antes, você o ocupava todo; hoje, não. Acho que eu só aceitei voltar a me relacionar com você por isso: eu entendi que é possível gostar de duas pessoas, até mais, sem prejudicá-las. Ah! E antes que pergunte, só estou aqui porque a Annie permitiu. Eu contei para ela o que estava acontecendo e o que poderia acontecer.

- E ela deixou?

- Deixou. Como eu disse, temos um relacionamento meio aberto. A única coisa que cobramos um do outro é honestidade e transparência, sempre. Quando algo está para acontecer com ela, ela me avisa e pede permissão; quando é comigo, faço o mesmo.

- Então, você já ficou com outras? – Perguntei, notando que a Bri se sentava no braço do sofá para acompanhar nossa conversa.

- Sim. Tudo com conhecimento prévio dela.

Eu olhei para a Bri e dei uma respirada profunda. Então, encarei o Beto:

- E o que eu sou nessa história toda? Mais uma?

- Você é quem deveria nunca deixar de ter sido. Seu erro... Não! Sua péssima decisão foi esconder de mim o que sentia. Talvez eu negasse num primeiro momento. Talvez a gente conversasse e eu aceitasse. Mas nunca... Você nunca deveria ter escondido e mentido de mim seu envolvimento com a Brianna e depois com a CIA.

- Estou cansada, sabia?

- Eu imagino. Mas você tem que concordar que é tudo consequência de seus próprios atos.

- Eu sei. Não estou te culpando, mas... Não sei mais o que fazer.

- Posso dar um conselho? – Perguntou a Bri, chamando a nossa atenção: - Por que não paramos por hoje? Vocês já deram um passo enorme e tudo o que vivemos nesses últimos dias foi muito intenso. Muito mesmo. É normal precisarem de um tempo para processarem tudo o que está acontecendo. Só peço que não fechem a porta que foi aberta. Pensem com calma, conversem depois e só então decidam como querem seguir.

Beto concordou com ela e se levantou, agradecendo pela companhia. Então, ele se encaminhou até a porta com a Bri ao seu lado. Conversavam algo baixinho, não conseguia ouvir direito. Então me levantei e corri até ele, abraçando-o por trás. Eles naturalmente pararam e se calaram. Afrouxei o abraço o suficiente para ele se virar na minha direção. Então, segurei seu rosto e beijei sua boca:

- Eu te amo, nada mudou! Sei que fui eu que errei, a culpa foi minha de nosso casamento ter terminado. Não tenho o direito de te cobrar nada. Não conheço nada dessa Annie, mas não vou desistir de você agora que vi que existe uma chancezinha mínima da gente... – Calei-me, pois minha voz embargou: - Enfim... Desculpa meu papelão. Foram dias maravilhosos. Obrigada.

Bri deu um lindo sorriso ao ouvir minhas palavras, talvez o mais lindo e iluminado que já tinha visto em minha vida. Até o Beto sorriu e agradeceu novamente pela companhia. Antes de sair deu um selinho na Bri e veio na minha direção. Parou a poucos centímetros, ajeitou uma mecha de meu cabelo, sorriu novamente e me beijou, com cuidado, zelo e carinho. Tremi, confesso.

Assim que ele saiu, suspirei profundamente. Bri trancou a porta e me encarou, sorrindo. Virei e caminhei em direção ao quarto, mas logo parei e comecei a sapatear, irada:

- Merda, merda, merda, MEEEEERRRDAAAAAA! – Gritei.

- O que é isso, Helena?

- Outra!? O... O Beto tem outra! Você ouviu. Ele disse que está com outra mulher e... e... parece que ele está gostando dela pela forma que falou.

- Calma, Helena! Respira.

- Não enche, Bri! Estou fula sim. Possessa!

- Possessa!? Não... Essa eu não entendi.

- Tô puta! Brava, chateada, irada, nervosa, pos-ses-sa! Entendeu?

- Entendi. Mas... fica calma.

Fui tomar um banho frio para ver se me acalmava, mas eu ardia por dentro. Bri passou algumas vezes em frente a porta do banheiro, mas não ousou entrar. Ali aproveitei para chorar, disfarçadamente. O tempo passou e uma dor estranha começou a me importunar. Eu me sentia traída, mas não me sentia nesse direito. Aos poucos concluí que aquela dor era a mesma que o Beto sentiu um dia e aí sim eu chorei, forte, denso, bem gritado. Bri praticamente me arrancou debaixo da ducha e me enfiou algo na boca. Não demorou nada e apaguei.

Acordei só quando já era noite. Ela estava ao meu lado, lendo algo em seu celular. Ao me mexer na cama, ela me encarou e sorriu:

- Está melhor?

- Não. Mas estou mais calma.

- Quer conversar?

- E falar sobre o quê? Que eu estou me sentindo traída e que dói demais, principalmente porque agora sinto a dor que o Beto sentiu?

- Deixa eu te falar uma coisa. – Ela repousou seu celular no criado e me encarou: - Não é a mesma coisa. Ele não te traiu. Vocês não estão juntos há um tempo. E a gente não perguntou para ele em momento algum se ele já tinha outra pessoa. Queira você, ou não, são situações bem diferentes.

- Mas ainda assim dói.

- Dói porque você o ama. Mas ele não errou com você.

Virei-me de lado, dando as costas para ela, sinal clássico para encerrarmos aquela conversa, mas ela ainda perguntou:

- Posso fazer alguma coisa por você, para melhorar sua noite?

- Poderia matar essa tal Annie... – Choraminguei.

- Poderia, mas é óbvio que não vou fazer isso.

Calei-me e Bri também. É claro que eu não queria a morte da outra. Fora apenas uma piada sem graça. Mas eu também não sofreria se ela sumisse. Bri se levantou e um bom tempo depois, veio me avisar que havia preparado algo para comermos. Muito a contragosto fui. Era simples, um arroz branco, filé de frango grelhado com lâminas de alho frito e uma salada de alface e tomate. Pedi desculpas para ela pelo papelão e ela claro que aceitou. Dormimos abraçadas, de conchinha, ela atrás de mim.

O tempo passou. Quase um mês havia decorrido de nosso último encontro com o Beto. Estranhamente, eu que não quis procurá-lo. A Bri manteve contato com ele. Aliás, eles começaram a trocar confidências, tudo o que eu sempre quis antes. Foi por ela inclusive que eu soube da chegada da tal Annie em 10 dias:

- Podia ter me poupado dessa. – Reclamei.

- Beto disse que vai nos convidar para um jantar.

- Nós, quem? Nós, eu, você, ele e... ela!?

- É. Claro.

- Não vou!

- Helena, para!

- Não... vou!

- Ah... vai!

- Não.

- Vai!

A discussão foi longe. No final, não houve vencedora. Mas a Bri insistia todo o dia para me convencer, até que cedi, sob o argumento de que precisava conhecer melhor minha concorrente.

Lembro que era um sábado qualquer de um mês mais frio. Chegamos ao apartamento do Beto e quem nos recebe? Uma loira, linda, jovem, olhos vívidos, lábios não tão grossos, mas de um sorriso sincero. Devo tê-la encarado em silêncio por tempo demais, pois a Bri se adiantou em se apresentar e cumprimenta-la. Ela esticou a mão na minha direção e rapidamente passou em minha mente alguns truques de defesa pessoal que a Bri me havia ensinado. Eu tentava decidir qual usaria para matá-la mais rápido. No final, apertei sua mão:

- Sou Helena. Prazer...

Ela nos levou para dentro e nos sentou no sofá do apartamento que um dia foi meu. Ela agia como se fosse a dona da casa, da minha casa! Pediu licença e entrou na cozinha, dizendo que precisava finalizar alguma coisa. Assim que saiu, cochichei para a Bri:

- Eu vou matar ela. Se eu não conseguir, você termina.

Bri deu uma risada e fez um movimento de cabeça. Quando olhei na direção indicada, vi o Beto me olhando com um sorriso nos lábios. Levantei-me e ele me deu um beijo na bochecha, cochichando:

- Calma. Você vai gostar dela.

Ele foi até a Bri, dando um beijo na bochecha dela e trocando algumas palavras. Eu já cogitava mata-lo também, mas precisaria da ajuda da Bri, porque ele é bem mais alto e forte do que eu.

A tal Annie voltou da cozinha com uma bandeja e 4 tacinhas de um drink chamado “Jägertee”. Entregou uma para cada e fez um tim-tim, dizendo para virarmos. Fui a primeira. A bebida desceu queimando, ardendo a garganta, mas foi bom porque minha vontade de esganá-la aumentou. Assim que todos beberam, Annie perguntou num inglês quase britânico:

- E então gostaram de experimentá-lo?

- Forte. – Disse Bri.

- Fraco. – Resmunguei.

Annie ficou surpresa com as respostas e olhou para o Beto, dizendo:

- Você precisa melhorar, querido. A impressão que deixou nelas é bastante divergente.

Beto sorriu com a brincadeira. Eu fiquei com uma impressão esquisita. Olhei para a Bri e ela para mim por um instante. Então, perguntei:

- Você perguntou do drink, ou...

- Foi do “ou”. – Annie confirmou.

- Annie, vamos com calma, ok? – Pediu o Beto, apertando-a ela cintura: - Que tal nos sentarmos à mesa. Annie fez questão de preparar o jantar para vocês. Aliás, já deve quase estar pronto, não?

Fomos levadas até a sala de jantar e nos sentamos à mesa. Beto, à cabeceira. Annie foi para a cozinha:

- Beto, que história foi aquela?

- Não sei. Curiosidade talvez. Por quê?

- Oras... Por quê? Porque... Por que sim, ué!? – Insisti.

- Ela está tentando nos constranger, Beto? – Perguntou a Bri.

- Claro que não! – Respondeu a própria Annie, entrando na sala: - Só fiquei curiosa mesmo. Afinal, o Beto é tão bom de cama que achei sua resposta meio injusta.

Novamente eu e a Bri nos encaramos. Ela continuou:

- Estou sabendo de tudo, aliás, soube antes de acontecer. Aceitei que ele participasse, mas impus em conhece-la depois. Quero saber se meu relacionamento com ele corre algum risco caso eu o deixe continuar te encontrando. – Annie me encarou agora, olhando no fundo de meus olhos: - Corro algum risco, Helena?

- Ma-Mas o Beto é me...

- Não! Não é. Não é mais. – Ela me interrompeu, ao mesmo tempo em que a Bri colocava a mão sobre a minha: - E no que depender de mim nunca mais será. Pelo menos, não exclusivamente.

Ela encarou e acariciou o rosto do Beto, voltando a me encarar:

- Nós somos um casal agora, mesmo morando longe. Então, a menos que eu goste e confie em você, isso não se repetirá mais. Entendeu?

Encarei o Beto inconformada com a audácia dela:

- Sério!? Você nos convidou para virmos aqui para isso?

- Ela não foi má educada com você em momento algum, Helena. Ela só quer te conhecer e estabelecer regras claras para o que pode acontecer, quando ela não estiver aqui.

- Mas... e eu, e você, e a Bri!?

- Tudo depende de vocês. Desde que você não tente excluir a Annie, acredito que possa acontecer.

Encarei a Bri, inconformada, prestes a rodar a baiana. Ela me conhecia bem e perguntou:

- Há algum banheiro que a gente possa utilizar para retocar a maquiagem, Annie?

- Claro, Bri. – Respondeu com uma intimidade que achei meio forçada: - É só seguirem pelo corredor, segunda porta à esquerda.

Bri agradeceu e praticamente me arrastou. Trancou-nos no banheiro e antes que eu disse algo, já foi impondo:

- Respira! Hoje não é dia para briga. Precisamos conhecer melhor a “inimiga” para sabermos se ela será mesmo uma inimiga, ou uma inesperada aliada.

- Aliada!? Ela quer roubar o Beto!

- Ela não quer roubar o Beto porque o Beto já é dela. Ele deixou isso claro. Agora é hora de nós nos posicionarmos de uma forma neutra e avaliarmos melhor o terreno para decidirmos qual será nosso próximo movimento.

- Eu sei qual será o meu próximo movimento: será pulando no peito dela e esganando aquele pescocinho de Seriema dela.

- Pescoço de quê?

- Esquece, Briana. Esquece... – Respirei fundo, olhando para uma parede e fui até o espelho retocar o batom: - Você está certa! Vamos observar, colher informações, filtrar os dados, antes de tomarmos uma decisão.

- Ótimo! E aceite o conselho de uma ex-espiã: ser amiga de um inimigo gera mais informações úteis do que enfrenta-lo de frente. Aliás, você já viu como funcionou na prática com o Bronson.

- Tá! Já entendi. Vamos lá.

Respirei fundo novamente e coloquei o meu melhor e mais falso sorriso no rosto. Voltamos a sala, onde Beto e Annie olhavam algo pela janela, abraçados. Eles nos viram e nos aproximamos deles:

- Desculpe. Acho que não começamos bem. – Falei esticando minha mão para a Annie: - Oi. Eu sou a Helena, ex-esposa do Beto.

Ela sorriu para mim e aceitou minha mão, dando-me um abraço:

- Ótimo! Agora acho que podemos conversar e quem sabe ser boas amigas.

- Espero que sim. – Concordei.

- E boas amigas, dividem. – Ela disse e piscou um olho.

- Espero que sim, também.

Pode ter sido impressão minha, mas quando ela piscou o olho tive a impressão de que ela olhou para a Bri. Se eu estivesse certa, essa safada poderia estar insinuando que aceitaria dividir o Beto se eu dividisse a Bri. Senti um calafrio na espinha, mas me aguentei firme.

Eles nos convidaram para acompanha-los até a mesa da sala de jantar. Fomos e nos sentamos. Annie nos serviu um jantar delicioso, com pratos típicos da Áustria. Bebemos e comemos bastante, conversando sobre tudo e nada. Entretanto, após um tempo começamos a falar sobre nós mesmos, nossa vida, quem éramos, o que ainda esperávamos ser. No final, até que fiquei com uma impressão razoavelmente não tão má dela.

Em casa, eu e Bri conversamos bastante. Ela então fez uma pergunta bastante relevante:

- E o Beto, o que é que ele quer?

- Como assim?

- Ora, Helena, qual é a vontade dele? Ele quer ficar com ela, isso é bastante claro, mas quer ficar com a gente também? E se ele quiser ficar com a gente e a Annie não quiser deixar, ele fará a vontade própria ou a dela?

- Ué! Não sei.

- Então, precisamos saber.

No dia seguinte, logo cedo, liguei para o Beto, marcando um café num shopping.

No horário combinado, fomos eu e Bri, e, ao chegarmos, o encontramos lá, com a Annie. Perdi a paciência e assim que nos sentamos perguntei objetivamente:

- Beto... você quer ficar com a gente, sim ou não?

Ele e Annie se encararam, mas quem respondeu foi ela:

- Vou repetir: meu relacionamento com o Beto corre algum risco se eu deixá-lo se relacionar com você, Helena?

- Mas por que você sempre me pergunta isso?

- Pra mim, é bastante óbvio! Se você vier para somar, será um prazer; se vier para nos separar, claro que irei me opor.

Encarei o Beto:

- Se ela disser não, é não, é isso?

- Por que você não responde a pergunta dela, Helena? Você fica dando voltas, criando caso, mas não vai no cerne da questão. Responda honestamente e deixe ela decidir.

Eu encarei a Annie, mas como estava prestes a explodir, fechei meus olhos e respirei fundo. Então, a encarei:

- Eu amo o Beto! Sempre amei e sempre vou amar. Posso ter tido péssimas decisões, mas nunca quis o mal dele. Eu só queria ter a chance de voltar lá atrás, consertar as coisas.

- Não entendo. – Disse a Annie: - Para voltar lá atrás, quando você era casada com ele, você não teria que se separar da Brianna? É isso que você quer, perder a sua companheira?

- Você está certa... – Concordei, balançando a cabeça: - Não quero voltar ao passado. Quero construir um futuro novo: eu, ele e ela.

- Bom... Se você quer inclui-la, por que ele não pode querer me incluir?

Eu a encarei em silêncio por um instante e sorri:

- Você está certa também! Só acho que o Beto não vai dar conta de três.

Todos riram do meu comentário, inclusive eu mesma. A Annie esticou uma mão e tocou a minha, com uma ternura que eu não sabia se merecia:

- É isso! Esse é o clima gostoso que eu gostaria de ver entre a gente. E o Beto... Não precisamos pegá-las todas de uma vez, né? Podemos revezar.

- Ou podemos revezar entre a gente. – Disse a Bri, chamando a minha atenção.

- Ah, sei não, hein? Pela cara da Helena, acho que a Annie não encosta na Bri tão fácil. – Disse o Beto e elas riram dele.

Os dias seguintes foram estranhos. Saímos com os dois algumas vezes, noutras apenas as mulheres, e numa apenas eu e o Beto. Voltei a transar com ele e foi muito bom. Até mesmo a Bri chegou a sair apenas com a Annie numa noite, mas ela me disse que apenas foram ao cinema e conversaram.

Annie voltou para a Áustria e nos incumbiu de cuidar do Beto para ela. Além disso, convidou-nos para visitá-la e ficarmos todos em seu apartamento. Bri parece bem disposta, o Beto também. Aliás, o Beto passou a dormir 3 dias por semana em nossa casa e a nossa intimidade, digo de nós três, tem aumentado bastante. Eu ainda não encontrei exatamente o meu lugar nessa nova e inesperada formação, mas, por enquanto, vou me encaixando, me deixando levar.

Certa noite, após uma transa gostosa a três, estávamos descansando na cama quando o celular do Beto tocou na sala. Ele foi atender e voltou falando com a Annie numa chamada de vídeo. Ele nos mostrou nuas para ela e ela se mostrou nua, deitada no peito de um mulato muito bonito, chamado Jamal. O contraste entre os dois era bastante evidente. Entretanto, a conversa foi bastante estranha:

- Como assim não enviou? – Ela perguntou.

- De que vídeos, você está falando? – Perguntou o Beto, por sua vez.

- Ué!? Uns vídeos... da Helena... transando com um cara.

- Mas eu... não mandei nada para você!

- Vídeos meus! Que vídeos você está falando?

Annie avisou que iria nos enviar e desligou. Rapidamente dois vídeos chegaram, da minha primeira transa com o Bronson e da minha suruba com ele e o filho dele. Quando eu vi do que se tratava, tomei o celular das mãos do Beto e encerrei os vídeos, deletando-os, envergonhada. Beto vez uma nova chamada de vídeo para a Annie:

- Qual o número que te enviou isso?

Annie verificou e nos passou o número, longo, de uma chamada internacional. Conversamos por um bom tempo e desligamos. Ficamos confusos, naturalmente. Beto falou:

- Amanhã, vou ligar para o Zico. Ele tem meios para descobrir que mandou esses vídeos.

Nesse momento, a tela de seu celular se iluminou e uma imagem renderizada de um rosto em tons de azul e rosa se formou:

- Não é necessário, Beto. Eu sei quem enviou os vídeos.

- S.I.N.A.!?

- Sim, querido. Sou eu.

- Foi você que os enviou? – Ele insistiu.

- Não, querido. Mas sei quem foi.

- E quem foi? Quem mandou esses vídeos para a Annie?

- Remetente localizado em Washington D.C.. Registrado em nome de Brandon Bronson II.

- O Bronson Jr.!? Mas... Mas por quê?

- Não sei, querido. Mas acredito que essa história entre vocês ainda não tenha acabado.

[FIM, POR ENQUANTO]

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 350Seguidores: 720Seguindo: 17Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Era casal, depois supostamente tudo caminhava prum suposto trisal, agora um “quadrisal” com Beto usando a ex e sua companheira quando ELE bem entende e ainda com uma namorada que “autoriza” essa situação toda!!!

O cara simplesmente está com 3 safada da sua disposição.

O melhor de tudo na minha opinião foi ele mostrar pra Helena o que ela perdeu em ter mentido pra ele!

Agora ao invés da esposa que autoriza ou não encontros, passou a ser a “autorizada”.

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Coerente, agora o Beto tá em igualdade, sem amores idealizados, a Annie é uma safada linda e de bom caráter, em pouquíssimo tempo, ensinou a Helena o que é ser um verdadeira Puta Dama no melhor sentido literal da expressão.

Como eu já li em algum lugar e achei sensacional, a Annie é a Puta do Beto, mas se ele quiser e deixar, ela é Puta de quem ela julgar merecedor... digo e repito, a Annie deu um maravilhoso workshop de como ser uma verdadeira Puta Dama, talvez a Helena tenha aprendido alguma coisa. As atitudes do Beto foram perfeitas, pode não ser ainda um Alfa Dominador, mas tá longe de ser um Homem facilmente dominado, bem sensato testar essa posição mais dominante com a Helena primeiro, deixando a Bree para depois ou nunca, bastaria respeito igualitário com tesão envolvido.

Esse capítulo também mostrou exatamente como pensa a Bree, ela aconselhou a Helena agir com a Annie, exatamente como ela agiu com o Beto, recuar para analisar um oponente que se mostra mais forte que você, bastante coerente com a personalidade dela, que foi moldada pelo treinamento exaustivo da CIA.

E a SINA, será que é confiável?

Os Bronsons não haviam morrido?

Por que os vídeos foram enviados para a Annie?

Por que agora a Helena não quis mais ver os vídeos, já que o Beto já estaria com as traições relativadas????

O Jamal é só um peguete ou poderia abalar a confiança do Beto em deixar de ser o arrimo emocional e sexual da Annie?

Será que no fim, esse quarteto passaria a ser poliamoroso, funcional e equilibrado?

Grato por toda a dedicação em entregar uma obra envolvente e coerente dentro do Universo proposto, OBRIGADO, foi uma aventura contagiante.

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Sem palavras Mark, simplesmente sem palavras... não sei oque vc faz da vida, mas com certeza o cinema esta perdendo um roteirista do mais auto nível.

Votei pelo trisal, alguns dias depois me arrependi, fiquei com uma crise ética, pois sou monogâmico, até que veio o prólogo e mesmo sendo uma coisa contra meus princípios eu curti cada palavra.

Espero que essa continuação amadureça bem rápido pq pelo menos para min esse é um dos seus melhores contos.

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Elementar meu caro Mark e Nanda, perfeito como sempre, nunca esperaria menos de vcs! 😌👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Fantástico, e vcs foram além, quadrisal, me surpreendeu! 😊👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Um bom descanso a vcs, pois merecem,mas não demorem a voltar!

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Minhas considerações:

Simplesmente FANTÁSTICO!!!

Beto é meu herói!!

Annie minha heroína!!

Brianna minha amiga!!

E Helena, ohh Helena, vc é....

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Mark e Nanda,

Vcs acabaram com minha vida, já vivia ansioso com os contos inacabados mas agora vou me consultar com Dr. Galeano pq não vou conseguir esperar Uma Puta Dama 2.

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Kkkkkkkkkkkkkkkkkk faz parte, ansiedade compartilhada é a melhor solução.

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Então vamos ficar aqui e não sair mais!!

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Malditos vídeos que atormentam a todos.

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O Manto Casmurro Brou, kkkkkkkkkk

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Guardados a 7 chaves para a T 2! E concordo que fiquem bem guardados até lá!

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Ora Dr , chamar a onça branca de Nandiabolica rs ?

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