Eu tinha uns 27 anos e estava vivendo uma vida idiota de gay enrustido nos anos 90, caçando boys nas vielas escuras da Praça da República à noite.
Não posso dizer que não era divertido. Tinha uns feios, mas também uns boys "heteros" bem bonitos, que queriam se aliviar gozando na bunda de algum viado disponível.
Eu tinha aprendido a dar a bunda uns anos antes, e amava ser enrabado. Eu nem batia punheta enquanto o boy estava metendo, senão eu gozava rapidinho. Era só ele enfiar a pica que o meu pau ficava duraço e babando.
Eu acho graça desses pornôs mal feitos de hoje, em que o viadinho tá dando a bunda de pau mole. Isso nunca aconteceu comigo.
Eu tinha um salário bom, mas não havia questão financeira envolvida. Eu saía pra caçar com o dinheiro de uma hora em um dos motéis baratinhos das redondezas, mas às vezes nem gastava, porque rolava na praça mesmo. Tinha uns viados da minha idade que ficavam batendo punheta junto comigo, ou então me chupando no banco da praça.
Uma vez eu peguei um garoto novinho, moreno, e estávamos indo de táxi pro motel, quando ele me disse que era garoto de programa, e que o programa dele era 60 reais.
Eu poderia ter dito não e levado ele de volta à Praça, mas pensei "que mal tem?" Ele me comeu gostoso e eu paguei.
Acabei ficando amigo da turminha de garotos de programa que frequentava o Bar do Parque, na Praça. Saí com todos eles, a maioria muito jovens e bonitos. Alguns sugeriam que eu comesse eles, o que eu achava uma delícia, porque demonstrava uma certa humildade e um desejo gay genuíno. Eu não era muito de ser ativo mas comia eles com prazer.
Há todo um fetiche envolvido em garotos de programa. Olhar um rapaz lindo e pensar "ele está disponível pra fazer o que você quiser, basta pagar" era muito excitante pra mim.
Os garotos eram bem novos, mas havia um rapaz mais velho que conhecia muita gente e agenciava eles. Era o Alex, era negro e magro, saradinho. Não era bonito, mas tinha um ótimo papo.
Ele quase não fazia programa, ficava mais agenciando os mais novos. Mas uma vez eu saí pra um programa com ele, fomos a um motel muito legal, que tinha aquelas cadeiras eróticas que ficam presas no chão.
Não lembro das coisas que fizemos, lembro só daquele momento crucial, um plot twist fudido na minha vida. Ele chega e pergunta:
"Queria te amarrar nessa cadeira erótica, tu deixa?"
Eu peguei um susto e fiquei me tremendo, porque, sim, eu queria, sim, era uma loucura que eu queria viver desde sempre e nunca tinha coragem de dizer pra mim mesmo.
O tesão da gente é uma coisa estranha e eu desde criança pensava em garotos amarrados. Na série do Batman os episódios ímpares sempre terminavam com Robin amarrado por algum vilão e eu via o lindíssimo Burt Ward amarrado e meu piruzinho de criança dava sinal de vida.
Tem várias cenas semelhantes de filmes que me excitavam e eu não lembro direito, mas essa do Robin sempre foi muito forte na minha lembrança.
Aos poucos eu vou contar aqui no perfil como a brutalidade no cinema me excitava, mas o fato é que tudo se misturou quando Alex me pediu pra fazer o que eu sempre quis que fizessem comigo.
Aceitei, tremendo de tesão. Ele me amarrou com nós muito apertados, completamente nu, numa posição extremamente depravada e humilhante. Me dava tapas na cara e dizia: "te prepara que tu vai sofrer".
Eu não tinha ideia do que ele ia fazer, e fiquei um pouco assustado quando ele acendeu um cigarro e ficou brincando de aproximar a brasa da minha pele.
Me lembrei de um mangá que eu li escondido na casa do meu tio, uma história extremamente violenta e, pra mim, muito excitante.
Um homem era amarrado sentado e sem camisa e torturado por bandidos, que encostavam um charuto aceso em sua pele. Ele gritava e eu ficava excitado com os gritos. Até que encostam o charuto em um dos mamilos e ele perde os sentidos. Tinha sofrido um infarto e morrido durante a tortura.
Em outra ocasião no mesmo mangá, há uma cena ainda mais violenta, em que um homem é amarrado nu em pé e um outro vem com uma faca ameaçando cortar seus genitais se ele não falasse.
O homem fala, desesperado, tudo o que o bandido quer saber, mas o chefão, depois disso, manda: "agora pode capá-lo". E nós vemos só os gritos lancinantes dele e o sangue escorrendo no chão.
Aquele mangá era uma história violenta de crime mas eu o estava lendo como algo erótico! A nossa mente voa na fantasia.
Então eu pensei nesse mangá quando Alex começou a encostar de leve o cigarro na minha pele, causando um pouco de dor e algumas queimaduras leves.
Eu poderia pedir pra ele parar, que ele pararia com certeza, mas... eu achei que deveria me submeter a tudo. Ele era o meu mestre e eu era o seu escravo, e faria tudo o que ele quisesse, tudo.
E sempre tem sido assim. Uma vez que o parceiro me imobiliza, eu sou dele, e aceito e agradeço por tudo o que ele fizer, mesmo que seja algo que eu não goste muito.
Alex amava me dominar, fez isso junto com outros boys, em outras ocasiões, mas essa primeira foi inesquecível.
Minha vida mudou, e eu me tornei aquilo que eu sou até hoje. Um homem à procura de outro que tome posse da minha vida, que seja meu dono, que me use como bem quiser.