O Barman e o Confeiteiro (Capítulo 8)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Heterossexual
Contém 2868 palavras
Data: 26/03/2026 22:50:47

Capítulo 8

Ykaro

A noite de terça-feira em Fortaleza não estava fria, mas o vento que batia contra a minha jaqueta de couro enquanto eu rasgava a Avenida 13 de Maio na minha moto parecia cortar a minha pele. Eu tinha acabado de sair de casa, passando reto pelo Adriano e pelos amigos dele na porta do prédio. Eu não tava com cabeça pra dar boa noite, não tava com paciência pra sorrisos amigáveis e, definitivamente, não queria ter que justificar pra onde eu tava indo às onze da noite no meu dia de folga.

A verdade, nua, crua e patética, é que eu estava fugindo.

Fazia exatamente quatro dias. Quatro malditos dias desde aquela loucura no apartamento da Stella. E desde então, a minha mente não me dava um segundo de descanso. Era fechar os olhos e a cena voltava como um filme pornô em loop no meu cérebro: o pau escuro e grosso do Luan na minha mão, a respiração pesada dele batendo no meu rosto, o calor daquele corpo imenso se contraindo quando nós dois gozamos juntos no sofá, o gosto da Stella misturado com o dele.

No pub, a situação tava insuportável. A Stella fingia que absolutamente nada tinha acontecido. Ela sorria, servia as mesas, brincava comigo e com os clientes com a mesma naturalidade de sempre. Mas eu conhecia a ruiva. Eu via o brilho predatório no fundo dos olhos dela quando ela me olhava secando os copos. Eu tinha um pressentimento sombrio e quase certeiro de que ela ia tentar fazer tudo de novo. Ela tinha gostado da brincadeira de ter os dois machos dela na mesma cama.

Só que a minha regra era clara, gravada a ferro e fogo na minha carne depois de anos me fodendo na mão de gente rica: eu não seria amante de ninguém. Nunca mais. Dividir a Stella com o Luan de forma fixa, ou ser o segredinho sujo do casal feliz da igreja, era tão ruim quanto, senão pior, do que ser o garoto de programa de madame. Era me colocar no lugar da sobra, da peça de carne que se usa pra apimentar a relação e depois se esconde no armário. Eu preferia arrancar meus próprios dentes a me colocar nessa posição.

No meio dessa perturbação infernal, com o meu peito apertado e o pau acordando em horários aleatórios só de lembrar do toque do Luan, eu tomei uma decisão drástica. Eu precisava de um choque de realidade. Precisava de algo diferente, conhecido e estritamente feminino para tentar apagar a marca que o gigante tinha deixado na minha cabeça.

Eu encostei a moto no meio-fio horas atrás, tirei o celular do bolso e fiz o impensável. Eu liguei para a Helena.

Helena. Minha ex-cliente, a mulher que me pagava fortunas pra comer ela em hotéis de luxo. Mas a Helena sempre foi diferente da Alexandra. Enquanto a Alexandra era uma psicopata manipuladora que queria ser dona da minha alma, a Helena era apenas uma mulher muito rica, muito madura e incrivelmente bem resolvida com os próprios desejos. Ela sempre foi uma parceira excepcional na cama. E mais importante: ela era madura demais para confundir as coisas e pragmática o suficiente para não se importar nem um pouco em ser usada como ferramenta para me fazer esquecer alguém. Para esse trabalho de exorcismo físico, não existia pessoa melhor no mundo.

Estacionei a moto na frente de um barzinho muito discreto e meio escuro na Aldeota. Era um lugar com luzes baixas, mesas de madeira de demolição e jazz tocando no fundo. Eu escolhi esse lugar a dedo por dois motivos muito práticos. Primeiro: eu tinha certeza absoluta de que a praga da Alexandra não ia aparecer por ali, pois ela sempre detestou esse bar, achava rústico demais pro gosto esnobe dela. No passado, era o meu point sagrado para me encontrar com as clientes novas que queriam um encontro para "avaliar a mercadoria" antes dos finalmentes. Segundo motivo: tinha um motel excelente e discreto bem na esquina da mesma rua.

Tirei o capacete, arrumei o cabelo no retrovisor da moto e entrei.

Ela já estava lá.

Helena estava sentada numa mesa no canto, as pernas cruzadas, segurando uma taça de vinho branco. Aos quarenta e poucos anos, ela era o tipo de mulher que parava o trânsito sem precisar gritar por atenção. Vestia um vestido envelope preto de seda que abraçava as curvas do corpo dela de forma perfeita, o cabelo loiro cortado num bob moderno e elegante.

Assim que me viu, os lábios pintados de vermelho se abriram num sorriso de quem sabia o valor do prêmio que tinha acabado de ganhar na loteria.

— Ykaro. — Ela estendeu a mão com as unhas perfeitamente feitas quando me aproximei. — Confesso que a sua ligação foi a surpresa mais interessante da minha semana. Sente-se.

— E aí, Helena. Você tá linda, como sempre — respondi, puxando a cadeira e sentando de frente pra ela. Pedi um chopp escuro pro garçom que passou voando.

Ela me avaliou dos pés à cabeça, os olhos perspicazes analisando a minha jaqueta de couro surrada, a camiseta preta básica e a calça jeans. Ela suspirou, dando um gole no vinho.

— A vida de proletariado tem o seu charme, eu admito. Você continua absurdamente gostoso, Ykaro — ela disse, a voz aveludada, apoiando o queixo na mão. — Mas me diz... você não sente falta? Dos lençóis de algodão egípcio, dos jantares onde a conta tinha três dígitos, do uísque que não rasga a garganta? Você sabe que a minha suíte ainda tem espaço pra você. E o meu cartão de crédito não tem limite.

A conversa era nostálgica. Ela tava, de forma muito sutil e indireta, tentando me lembrar de como eu era bem de vida, materialmente falando, quando trabalhava pra ela. Tentando me puxar de volta pra gaiola de ouro.

O garçom deixou meu chopp na mesa. Eu tomei um gole longo, sentindo o líquido gelado descer, e olhei bem nos olhos azuis dela.

— Helena, eu deixei bem claro no telefone — falei, a voz firme, baixa. — Eu não tô aqui a trabalho. Aquele Ykaro não existe mais. Eu não vou voltar a me vender. Não pra você, não pra Alexandra, não pra ninguém. Eu te chamei aqui como... amigos. Amigos que se dão muito bem na cama.

Ela ergueu uma sobrancelha, o sorriso não saindo do rosto.

— Um amigo de luxo, então?

— Eu tô com a cabeça fodida, Helena. Tem uma pessoa enfiada na minha mente que tá me enlouquecendo. Eu te chamei porque eu só quero transar. Eu quero transar até meu corpo apagar e eu esquecer o meu próprio nome e, principalmente, o rosto dessa pessoa. E eu sei que você não vai criar expectativas ou querer me mandar mensagem de bom dia amanhã. É só isso. Você topa ou eu levanto e vou embora?

A franqueza bateu nela não como uma ofensa, mas como um desafio excitante. Para a Helena, não tinha forma melhor de eu servir a ela do que me entregando assim, desesperado por um alívio físico. Ela sabia que, para apagar alguém da memória, eu teria que foder com uma intensidade redobrada. Ela adorava o quanto eu sempre fui atencioso na cama, e era obcecada pelo meu corpo e pelo oral que ela sempre dizia aos quatro ventos ser o melhor que já tinha provado na vida inteira.

— Um homem desesperado tentando esquecer um amor fodendo outra mulher... — Ela riu, uma risada rica e profunda, e levantou a taça de vinho para brindar com o meu chopp. — É um clichê, Ykaro. Mas é um clichê no qual eu adoraria ser a protagonista esta noite. E não se preocupe, querido. Eu não quero a sua alma. Só quero o seu corpo por algumas horas. O motel é aquele da esquina?

— É. Eu pago a minha parte.

Ela revirou os olhos.

— Não seja ridículo. A suíte presidencial é por minha conta. Considere um presente para um velho amigo.

Não discutimos mais. Matamos nossas bebidas em silêncio, a tensão sexual já se desenhando no ar pesado entre nós, e fomos para o motel. Caminhamos a pé mesmo, já que era do lado. A suíte que ela pegou era enorme, com piscina privativa, hidro e um pole dance no meio da sala, mas nós fomos direto para o quarto principal. A iluminação vermelha e dourada dava um ar de bordel de luxo pro ambiente.

Enquanto eu trancava a porta e tirava a minha jaqueta, a Helena não perdeu tempo. Ela caminhou até o centro do tapete felpudo e, mantendo o contato visual comigo através do espelho gigante, abriu o zíper do vestido envelope. A seda preta escorregou pelos ombros dela, caindo num monte macio aos pés dela.

Eu parei, engolindo em seco.

Puta que pariu. Mesmo sendo uma mulher madura, a Helena era um espetáculo. Muito gostosa e atraente. O corpo dela era esculpido a academia cara e tratamentos estéticos de primeira linha. Mas o que me pegou de surpresa foi o que ela estava usando por baixo. Ela não usava lingerie básica. Ela tinha colocado um conjunto de sutiã e calcinha de renda preta e bordô, com umas tiras que abraçavam as cinturas e levantavam os seios fartos dela perfeitamente.

A visão daquela mulher, seminua e com fome de mim, mandou um comando direto pro meu sistema nervoso. Meu pau endureceu na hora, pulsando forte contra o zíper da minha calça jeans.

Olhei pra baixo, sentindo o volume inegável. E no meio do tesão, veio uma constatação carregada de um alívio imenso. Para mim, aquilo era um sinal claro e incontestável de que nem tudo na minha mente e na minha identidade tinha mudado afinal de contas. Eu ainda sou o Ykaro. Eu ainda fico duro, muito duro, para mulheres. A Helena tava me deixando louco.

Só que agora... eu também fico duro para um certo gigante de mãos imensas. A lembrança do Luan ameaçou invadir a minha mente de novo, a imagem da pica preta dele se formando atrás dos meus olhos. Eu trinquei o maxilar, sacudi a cabeça e foquei exclusivamente na mulher deliciosa parada na minha frente. Eu tinha ido ali para afastar os pensamentos que insistiam em me levar para o Luan, e era exatamente isso que eu ia fazer.

Tirei a camiseta pela cabeça e joguei longe, revelando o meu tronco tatuado. A Helena suspirou, mordendo o lábio inferior, os olhos varrendo os meus músculos tensos.

Eu não esperei ela me chamar. Avancei pelo quarto, agarrei a cintura fina dela com força e a prensei contra a beirada da cama de casal imensa. Eu a beijei com um prazer e uma urgência que tinham a força de um desespero contido. Minha língua invadiu a boca dela, possessiva, sugando os lábios pintados. O gosto de vinho caro me entorpeceu.

O ataque repentino e bruto a deixou muito animada. Helena soltou um gemido arrastado direto na minha garganta, cravando as unhas feitas nas minhas costas, arranhando a minha pele.

As minhas mãos, acostumadas a ler o corpo dela como um mapa conhecido, foram ágeis. Deslizei os dedos pelas tiras do sutiã, apertando os seios fartos por cima da renda, espremendo os mamilos que já estavam duros. Ela jogou a cabeça pra trás, oferecendo o pescoço pálido para os meus lábios e dentes. Fui distribuindo mordidas, chupões que eu sabia que ela adorava esconder com lenços no dia seguinte.

Logo, comecei a dar o prazer que ela estava comprando com o luxo daquela suíte. Desci uma das mãos pelo abdômen dela, escorreguei por dentro da calcinha de renda e encontrei o que eu queria. Ela já estava encharcada. Encharcada e quente.

Enfiei dois dedos fundo na buceta dela de uma vez só.

— Ah, Ykaro... porra... — ela gritou, arqueando as costas, os joelhos quase cedendo.

A forma como eu tocava no peito dela, como os meus dedos penetravam, dobravam e flexionavam dentro da buceta dela, friccionando o ponto G com precisão cirúrgica... tudo, absolutamente tudo que eu fazia era meticulosamente pensado e executado para o prazer dela. Eu era um egoísta de merda na minha vida pessoal, mas na cama, eu conhecia aquele corpo como ninguém e sabia ser um artesão. Eu sabia como dominar a Helena. Eu sabia fazer a postura de dondoca de negócios desmoronar e virar só instinto animal.

Eu a empurrei pra trás, fazendo-a cair deitada no colchão macio. Arranquei o sutiã e a calcinha dela de uma vez, rasgando uma das tiras no processo — o que a fez sorrir ainda mais. Fiquei ajoelhado entre as pernas abertas dela, ainda de calça jeans.

Olhei para o rosto corado dela e, sem dizer nada, segurei as duas coxas brancas, abri o máximo que consegui e caí de boca nela.

Helena deu um grito agudo, agarrando os lençóis de algodão egípcio com as duas mãos.

O meu oral era a minha melhor arma. Mergulhei o rosto na intimidade dela, minha língua trabalhando com força e técnica. Eu chupava os lábios carnudos, chupava o clitóris, metia a língua fundo imitando o movimento de uma penetração, para logo depois voltar a provocar com movimentos circulares e rápidos. O quarto se encheu com o cheiro do sexo e o som molhado do que eu estava fazendo com ela.

Helena não aguentou cinco minutos. Ela começou a tremer, as pernas apertando a minha cabeça, a respiração falhando.

— Ykaro... vai... eu vou... ah!

Ela gozou pela primeira vez, o corpo tendo espasmos violentos contra a minha boca. Eu não parei. Continuei chupando, bebendo o gosto dela, forçando-a a sentir a hipersensibilidade do pós-orgasmo até que os gemidos de prazer viraram quase súplicas para eu parar.

Só então eu levantei a cabeça, limpei a boca no dorso da mão e levantei pra tirar a minha calça e a cueca. Meu pau saltou pra fora, dolorido de tão duro, pronto pra arrebentar o que visse pela frente.

A Helena olhou pro meu pau com adoração, os olhos brilhando. Ela se arrastou pra ponta da cama e abriu as pernas, oferecendo tudo.

Coloquei a camisinha que ela tinha deixado na mesinha de cabeceira e me posicionei. Eu não tive pressa pra entrar, mas quando entrei, afundei tudo de uma vez. Ela gritou de novo, jogando a cabeça pra trás.

Comecei a foder a Helena com uma brutalidade ritmada. A cada estocada, a pele dela estalava contra o meu quadril. Eu focava na respiração dela, no som que ela fazia, na forma como os seios balançavam. Eu me forçava a estar cem por cento presente ali, naquele quarto vermelho. A cada socada, eu tentava empurrar o gigante retinto pra fora da minha cabeça.

— Você tá maravilhoso hoje... tão agressivo... — ela ofegava, as unhas cravadas nos meus ombros, tentando acompanhar o meu ritmo alucinante.

Eu não respondi. Apenas mudei de posição. Peguei ela pelos quadris, virei ela de quatro na cama, puxando o cabelo loiro para trás, e voltei a meter por trás. A visão da bunda dela, a forma como a minha rola sumia dentro dela... era perfeito. Era mecânico, era luxurioso, era sexo na sua forma mais pura e sem complicação. Não tinha amor, não tinha alianças falsas, não tinha a amizade da Stella no meio, não tinha o cheiro de Malbec do Luan.

Era só atrito.

Fiz ela gozar pela segunda vez, gritando no travesseiro para abafar o som. E quando percebi que eu tava chegando no meu limite, quando o sangue começou a correr mais rápido e a pressão no meu pau ficou insuportável, fechei os olhos com força.

E foi aí que a minha mente me traiu.

No exato momento em que o meu gozo começou a subir, a escuridão dos meus olhos fechados não me mostrou a bunda da Helena. Me mostrou o rosto do Luan, ofegante, deitado no sofá do apartamento da Stella, me olhando enquanto as nossas mãos se encontravam nos nossos paus.

Soltei um rosnado frustrado, quase raivoso, no quarto. Eu meti com toda a minha força nas três últimas estocadas e gozei pesadamente dentro da camisinha. A sensação de liberação foi intensa, uma explosão física que esvaziou os meus testículos, mas a minha alma continuou pesada.

Caí de lado na cama, puxando o ar pros pulmões como se estivesse me afogando, o suor escorrendo pelo meu peito e caindo no lençol caro.

Helena se aninhou do meu lado pouco depois, completamente relaxada e satisfeita. Ela traçou o dedo por cima de uma das minhas tatuagens no braço.

— Seja lá quem for essa pessoa que te deixou nesse estado, Ykaro... — ela murmurou, a voz preguiçosa. — Ela te fez um favor. Porque hoje, você não fodeu como um profissional. Você fodeu como um animal. Foi o melhor de todos.

Eu fechei os olhos, a exaustão finalmente cobrando o seu preço. O sexo tinha sido incrível. Fisicamente impecável. A Helena estava saciada. Eu estava de pau vazio. O plano tinha sido executado com sucesso.

Mas no fundo, no escuro absoluto do meu cérebro, eu sabia da verdade dolorosa que eu não ia confessar em voz alta. Eu fodi com a mulher perfeita, no motel perfeito, para esquecer a loucura do final de semana. Mas não importava o quanto eu tentasse apagar: a porra daquele gigante ainda estava na porra da minha cabeça.

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