Ivone descruzou as pernas, afastou discretamente ambas, ela sabia que o cara a observava, já fazia alguns minutos.
A cafeteria estava lotada, as garçonetes trajando uma saia preta justa, camisa branca e uma gravatinha borboleta vermelha, circulavam de mesa em mesa com as bandejas de prata nas mãos ou os celulares anotando os pedidos.
Nem fazia idéia de quem seria a tal figura sentada na outra mesa, terno marrom e uma gravata preta, cabelos grisalhos. Talvez uns quarenta anos. Simpático, mas sem muito gosto para roupas.
Ele não tirava os olhos dela, mesmo acompanhado de uma garota. Namorada, ou quem sabe filha?
Aquilo era excitante, do jeito que ela mais gostava. No meio do público. O risco de ser denunciada.
O homem se agitou quando viu que ela estava sem calcinha. Ivone riu bebendo a xícara de café fumegante. Deixou marcas do seu batom lilás nas bordas da xícara.
A figura passou a mão ajeitando o cacete dentro da calça. Um gesto instintivo que fez a olhar para os lados desconfiada de que alguém pudesse ter percebido seu gesto indecente.
Além dela, claro. Pelo jeito a namorada notou algo estranho na expressão do homem. Se inclinou falando ao ouvido dele, o cara balançou a cabeça em negação. Abriu a boca e franziu a testa, mas não falou nada.
A garota olhou para os lados, um rosto de asiática com os olhos pequenos e os cabelos pretos lisos sobre metade da testa.
Filha não devia ser, Ivone pensou. Namorada, amante? Talvez. Seus vinte poucos anos. A jovem cruzou as pernas por baixo da cadeira. Ivone notou às solas da bota que a garota usava, os pés balançando agitados e o rabo de cavalo descendo até o meio das costas.
Ivone voltou a bebericar o seu café. Mordeu um pedaço do croissant e olhou de novo em direção a figura sentada a três metros de distância.
Ela mastigando e ele alisando o pênis. Ivone riu do atrevimento, o homem fez o mesmo movendo os lábios sutilmente.
Uma troca de olhares discreta, um flerte audacioso. Ivone colocou a ponta do dedo entre os lábios, lambeu com a ponta da língua. O cara engoliu em seco.
Ivone, sem vergonha, afastou as pernas mais alguns centímetros, deixou ele ter uma visão completa da sua vagina. Os pelinhos bem cortados num único traço,as dobras sedosas dos seus lábios depilados.
Cuidadosa, ela puxou a saia para enfiar o dedo molhado no meio da vulva. O cara não esperava, o volume cresceu dentro da calça, e sobrancelhas se moveram como se ele assustasse.
Uma das garçonetes cruzou cortando a visão. Outra apareceu ao lado colocando uma taça de milkshake na mesa.
"Bonjour mademoiselle!"
"Bonjour."
"Mais alguma coisa?"
"Não, só isso. Obrigada."
O coração acelerado, seu dedo melado, sua buceta esquentando. Era orgástico, pervertido, terrivelmente indecente. Ivone amava se masturbar em público, numa provocação atrevida.
A situação ficou ainda mais interessante. Ivone percebeu que outra figura notou seu gesto obsceno.
A namorada chutou o pé do homem excitado. Falou alguma coisa e ele fez cara de inocente. Simulou indignação, olhou na outra direção passando a mão nos cabelos grisalhos.
A jovem ficou mais agitada, olhou envolta como se procurasse alguém. Ivone retirou o dedo e fechou as pernas. Fingiu se interessar pela nova biografia de Simone de Beauvoir que comprou antes de chegar até a cafeteria.
Ouviu o som de talheres e pratos sendo empurrados na mesa a três metros de distância. Não teve coragem de erguer os olhos. Acompanhou a discussão com os ouvidos, enquanto folheava o livro. Até que ouviu uma única palavra na voz da jovem enciumada.
"Merde!"
Ouviu um arrastar de cadeiras e os passos apressados da bota que a garota usava. Ivone ergueu os olhos segurando a folha do livro entre os dedos. O homem parecia assustado, os olhos esbugalhados, a boca aberta, até seus cabelos pareciam em desalinho.
Uma das garçonetes ficou entre ela o homem, mais uma presa que lhe escapava. Virou os olhos o suficiente e nova figura continuava a lhe encarar do mesmo jeito que antes. Como se fosse um manequim de madame Tussauds.
Aliás, lembrava alguém conhecido, os cabelos curtos brancos, repicados. A figura usava um casaco preto com as golas altas da Louis Vuitton. Lentamente foi tirando os óculos escuros da Oakley. Um sorriso entre o cínico e o maquiavélico foi lhe marcando o rosto.
O batom vermelho vivo, o blush destacando as bochechas. As duas se encararam. Ivone sentiu os seios entumescerem Uma nova presa, pensou, um novo jogo de perversão. Nem tudo estava perdido.
A mulher madura guardou as luvas pretas na bolsa Gucci. Ivone ajeitou a cadeira uns centímetros, o suficiente para a nova presa lhe ter a visão inteira. Folheando o livro abriu as pernas e mostrou sua fenda. A figura elegante moveu a boca como se falasse.
"Uau!"
Ivone riu fingindo se interessar pela foto de Simone jovem, os cabelos trançados envolta da cabeça, um cigarro pendendo displicente da boca.
A outra apoiou o queixo sobre os dedos da mão fechada, como se esperasse um gesto incisivo da mulher abusada à sua frente.
Ivone sugou o milkshake cremoso, o coração aos pulos, o burburinho da cafeteria. Ninguém via ou sabia que ela se oferecia aos olhares atentos da nova figura. A caça.
Mordeu o dedo e a figura chique respirou fundo antevendo o gesto. Ivone desceu mão sobre a saia curta, subiu o tecido e seu segredo surgiu como uma linda rosa. Aquilo pulsava e suava.
Ivone inspirou sentindo a nuca se arrepiar. Seus bicos duros apontados na blusa florida. Olhou envolta e enfiou o dedo, do mesmo jeito, discreto e lá no meio.
Seu rubi ficou mais vivo, vermelho e quente. A outra mordeu os lábios, batendo os dedos alternados sobre a mesa. Como se tocasse um piano, como se dedilhava a vagina de alguém.
Os lábios gulosos de Ivone morderam seu dedo. Ivone sentiu seus sucos escorrendo. Abriu a boca e sentiu lento o orgasmo pulsando no seu útero. Subindo a coluna, até lhe turvar a mente.
A figura esbelta, cruzou as pernas e bebeu em goles o chocolate quente. A perna apoiada sobre a outra balançando.
Ivone imaginou a outra num ato masturbatório, ato indecente. A boceta madura esfregando os lábios, até provocar um orgasmo contido.
Esperou um momento. Ergueu a cabeça. Olhou. Riu. Viu. A tal mulher refinada ergueu a xícara num cumprimento.
Os olhos brilharam, um riso safado desenhado nas bocas. Ivone fechou as pernas e o chupou o dedo melado. Um discreto aroma de mulher saciada. A garçonete surgiu em frente a outra.
A tal figura pediu uma caneta, escreveu algo e entregou. Se ergueu abrindo a bolsa e entregando duas notas de vinte. Apontou na direção de Ivone, a garçonete moveu a cabeça num sim.
A figura saiu como se desfilasse numa passarela. A garçonete voltou a tampar a visão de Ivone.
"Mademoiselle, excuse-moi."
"Oui?"
"Madame Priestly, pagou sua conta. E pediu para lhe entregar isso."
A garçonete colocou as notas sobre a mesa e o bilhete.
"Priestly?"
"Oui."
Ivone desdobrou o bilhete e leu.
"Linda, você e ela. Obrigada pelo prazer inesperado. Merci!"
