Amigo Pauzudo de Namorado meu, pra mim, é Homem! Capítulo 8 [FIM]

Um conto erótico de drjack66
Categoria: Heterossexual
Contém 4980 palavras
Data: 24/03/2026 18:20:15

A porta fechou com um clique suave, mas o som ecoou como um tiro. Maria ficou ali por um momento, os olhos fechados, a respiração controlada. Quando os abriu, não havia mais hesitação.

André, Jonas e Ana estavam amarrados no chão da sala. As cordas apertavam pulsos e tornozelos, os corpos imóveis na penumbra.

Maria atravessou a sala lentamente, os saltos altos fazendo um som seco no piso de madeira. Parou no centro, olhou para cada um deles, e começou a falar.

— Vocês querem saber por quê. Por que eu planejei cada detalhe. Por que eu esperei. Por que eu não desisti.

Ela tirou os óculos, colocou sobre a mesa.

— Quando eu tinha dezenove anos, conheci um homem. Rafael. Ele me tratava bem. Me levava para jantar. Dizia que eu era especial. E eu acreditei. Me entreguei. Abri mão de tudo.

— Maria... — Jonas tentou.

— Cala a boca. Você vai ouvir.

— Um dia, encontrei ele na cama com uma garota do meu curso. Depois disso, ele espalhou fotos minhas. Fotos íntimas. A faculdade inteira viu. Todo mundo ria de mim. “Bobinha”, “trouxa”, “achou que ia segurar ele”. Passei meses sem sair de casa. Depressão, disseram. Ansiedade. Estresse pós-traumático.

Ela ajoelhou na frente de André.

— Eu aprendi que o mundo se divide em dois tipos de pessoas. Os que fazem e os que sofrem. Eu passei anos sofrendo. Anos sendo vítima. Agora é minha vez de fazer.

— Isso não justifica...

— Justifica. Justifica tudo.

Ela levantou.

— Quando conheci Jonas, achei que seria diferente. Tratava bem, me respeitava. Eu comecei a acreditar de novo. Até descobrir as mensagens. As fotos. Os encontros. Você fazendo exatamente o que Rafael fez. Me tratando como objeto. Me humilhando sem nem saber.

— Não foi assim...

— Foi exatamente assim. A diferença é que dessa vez eu não vou ser a vítima. Dessa vez eu estou no controle. Mas calma, eu trouxe algo que acho que vão gostar, vocês merecem esse meu lado.

Ela foi até a bolsa preta no canto. Tirou um maiô de látex, vestiu devagar. O tecido grudava na pele, transformando seus contornos em algo de outro mundo — uma figura de poder, de frieza calculada.

— Agora vocês vão saber o que é estar por baixo.

Maria abriu a maleta que tinha ao lado.

— Vocês conhecem o mundo BDSM?

Os três se olharam confusos e com medo. Maria estava louca, pensaram.

— Eu trouxe uns brinquedinhos que gosto de usar com alguns capachos que tenho escondida, é um mundo muito legal, deviam experimentar uma hora.

Ela foi até André, segurou um cinto de castidade na frente dos olhos dele.

— Você, André. O corno. O manso. Você devia ter me apoiado. Sua mulher foi comida pelo melhor amigo enquanto você dormia no sofá. Esse cinto é pra você, o manso que não faz nada do que precisa ser feito.

— Você não precisa fazer isso. — Disse André em desespero.

— Vou fazer. E se você resistir te denuncio como abusador, como se aproveitou de mim aquele dia no café quando eu estava vulnerável pela traição dos dois.

Ela abriu a calça dele, encaixou o cinto com habilidade, fechou o cadeado. O clique foi definitivo.

— Agora você só goza quando eu deixar. Vai sonhar com isso. Vai acordar de noite com o pau latejando dentro dessa gaiola e vai lembrar que o poder é meu.

André sentiu o peso do metal. A pressão. A humilhação.

Ela se voltou a maleta, pegou uma coleira e foi até Ana.

— Você, Ana. A cadela. A que traiu quem a amava por um pau. Não tem desculpa. Não tem trauma. Não tem justificativa. Só pensou em você.

— Eu me arrependo...

— Arrependimento não conserta nada. Não devolve o que você destruiu.

Ela fechou a coleira no pescoço de Ana, puxou levantando o rosto dela.

— Vai dizer o que você é. E vai dizer bem alto, pra todo mundo ouvir.

— Eu... sou uma cadela.

— Por quê?

— Porque traí quem me amava.

— Por que traiu?

— Porque fui egoísta.

— Por que foi egoísta?

— Porque só pensei em mim.

— Isso. Agora você sabe.

Ela pegou outra coleira, foi até Jonas.

— Você, Jonas. O amigo. O irmão. O que cresceu com ele, dividiu a vida com ele. E foi lá e comeu a mulher dele. Enquanto ele dormia. Enquanto ele confiava.

— Eu me arrependo todos os dias...

— Arrependimento? Então por que continuou? Por que não parou na primeira vez? Por que não contou? Por que deixou ele descobrir sozinho?

Jonas não respondeu.

Ela fechou a coleira no pescoço dele.

— Vai falar. Vai dizer o que você é.

— Eu sou um filho da puta.

— Por quê?

— Porque traí meu melhor amigo.

— Por que traiu?

— Porque sou um merda.

— Por que é um merda?

— Porque pensei só em mim.

— Isso. Agora vocês sabem. Sabem o que fizeram. Sabem o que vão pagar.

Maria então tirou algo da maleta que deixou todos com muito medo. Um cintaralho gigante e um pote de lubricante. Ela vestiu o cintaralho, ajustou os arneses. O silicone preto destacava contra o látex.

— Conheçam meu parceiro, uso muito ele em alguns capachinhos, vocês não tem ideia de como tem gente que gosta, mas relaxa Jonas, hoje você não vai experimentar esse brinquedinho.

Foi até Ana. Puxou a coleira, levantou o rosto dela.

— Hoje a cadela que adora pau grande vai receber o que merece. Abre a boca, cadela.

Ana hesitou.

— Abre.

Ana abriu.

Maria empurrou o pau de silicone devagar. A garganta de Ana resistiu, depois cedeu. A saliva começou a escorrer.

— Isso. Assim. Quero ver você babando nessa pica. Quero ver você engasgando.

Ela puxava o cabelo de Ana, guiava a cabeça. O ritmo era dela, o controle era dela.

— Olha pro corno, Ana. Olha como ele tá te vendo. Corno, olha pra tua mulher. OLHA.

André olhou. Os olhos dele ardiam.

— Olha como sua mulher é puta André, viu como ela não ta arrependida, você devia ter me apoiado amor.

Ela puxou a cabeça de Ana para trás. A saliva escorria pelo queixo, pelos seios.

Virou Ana de costas. Rasgou a calcinha.

— Olha essa bunda, André. Olha o que ela escondeu de você. Olha o que ela deu pro seu melhor amigo.

Ela entrou de uma vez. Ana gritou.

— Isso. Isso que você merece. Uma puta de coleira.

Ela começou a se mover. Devagar no início, depois mais rápido, mais fundo. O pau de silicone entrava e saía, cada vez mais rápido, cada vez mais forte. Ana gemia, os olhos fechados, a boca entreaberta.

— Fala, cadela. Fala que você é minha.

Ana ficou quieta, apenas gemia.

— Pensa bem no que vai falar piranha, você ja percebeu que não estou pra brincadeira.

Ana com medo disse.

— Eu sou sua.

— Fala que merece.

— Eu mereço.

— Merece o quê?

— Mereço ser fodida por você.

— Por que você merece?

— Porque sou uma puta.

— Uma puta do quê?

— Uma puta de coleira. Sua puta. Sua cadela.

— Isso. Agora goza. Goza pra mim.

Ana involuntariamente estava resistindo, sua buceta estava molhada, o pau de borracha era grande como o de Jonas porém de borracha, fazia dias que sentia vontade, então veio, Ana gozou. O corpo tremeu, os olhos reviraram, a boca se abriu num gemido longo, alto, prolongado. Maria continuou metendo, prolongando o prazer.

— Isso. Assim. Goza mais.

Ana gozou de novo. O corpo inteiro vibrava.

— Mais uma. Só mais uma.

Ana gozou pela terceira vez, os olhos marejados, a respiração falhando.

— Delícia — Maria sussurrou. — Que cadela deliciosa. Viu como ela gozou corno, viu como ela continua sendo uma puta enganadora.

Ela tirou o cintaralho, foi até Jonas.

Ajoelhou na frente dele. Abriu a calça. O pau apareceu, enorme, duro, pulsando.

— Olha isso, André. Olha o pau do seu melhor amigo, duro feito pedra, parece que temos mais um mentiroso aqui. É assim que ele comeu sua mulher. Enquanto você dormia.

Ela tirou o cintaralho e montou em Jonas. Segurou o pau dele na mão, sentiu o peso, o volume. Guiou até a entrada. Olhou nos olhos dele.

— Agora você vai me foder. E vai ser do meu jeito.

Ela sentou devagar. A cabeça entrou. Depois mais. Depois tudo. O pau enorme preencheu cada espaço, até o fundo.

— Meu Deus — ela gemeu, a cabeça jogada para trás. — Como eu queria isso. Como eu queria estar por cima.

Ela começou a se mover. Lento no início, subindo e descendo com calma, sentindo cada centímetro, cada veia, cada pulsação. Mas algo estava diferente. O pau de Jonas preenchia de uma forma que o cintaralho não preenchia. Era mais quente, mais real, mais... perfeito.

— Olha, Ana — ela disse, sem parar. — Olha o pau do teu amante entrando em mim. Olha como ele tá duro. Como ele tá gostoso.

Ana olhava, os olhos vermelhos, o rosto molhado.

— Você queria ele, não queria? Queria esse pau enorme dentro de você. E agora ele tá dentro de mim. E você não pode fazer nada. Sua puta.

Ela acelerou. O ritmo aumentou. O pau ia e vinha, fundo, mais fundo, cada vez mais fundo. Maria sentia ele bater no fundo, preencher cada espaço.

— Isso — ela gemia. — Isso. Assim.

Jonas, ainda amarrado, não se movia. Mas o corpo traía. O pau estava duro, respondendo a cada movimento dela.

— Você gosta, não gosta? — ela perguntou, os olhos fixos nele. — Gosta de me foder? Gosta de estar dentro de mim?

Jonas olhou para ela. Os olhos estavam diferentes. Havia ali algo que Maria não reconheceu a princípio.

— Gosto — ele disse, a voz baixa. — Gosto muito.

Ela acelerou mais. As mãos dela apertavam os peitos dela, puxavam os cabelos.

— Fala. Fala o que você sente.

— Sinto você. Sinto você toda. Sinto seu calor, seu cheiro, seu gosto. Você é tão apertada, tão quente. Cabe tudo, não cabe? Cabe tudo dentro de você.

— Viu só vocês dois, como esse filho da puta aqui é um traidor, não resiste a uma mulher de verdade, será que se o plano dele desse certo ele iria me seduzir novamente André?

Maria parou por um segundo.

— E a cadela ali, faz isso que faço contigo?

— Ela nunca aguentou. Ela nunca deixou ir até o fundo. Ela sempre parava antes. Dizia que doía. Dizia que não cabia.

— E comigo?

— Com você cabe. Com você cabe tudo. Você aguenta tudo. Você é a única que aguenta.

Ela sentiu algo se mexer dentro dela. Algo que não era só tesão.

Ela começou a se mover de novo. Mais devagar, mais profundo.

— Você sente? — ele perguntou. — Sente como encaixa? Como é diferente?

— Sinto.

— É porque é você. Sempre foi você. Eu só não sabia.

— Não minta.

— Não tô mentindo. Olha nos meus olhos. Olha e me diz que eu tô mentindo.

Ela olhou. Os olhos dele estavam marejados. Havia ali algo que ela não esperava. Algo que a desarmou.

— Eu sempre quis você, Maria. Sempre. Desde o primeiro dia. E quando eu estava com ela, eu pensava em você. Quando eu a tocava, eu imaginava que era você. Quando eu gozava, eu chamava seu nome.

— Por que você fez aquilo então?

— Porque ela me seduziu, eu tentei mudar, tentei me encontrar com você. Eu bolei aquele plano idiota mas no fundo encontrei alguém que valesse a pena.

— Você tá mentindo.

— Não tô. Você sente. Sente como eu tô duro. Sente como eu pulso dentro de você. Meu corpo não mente.

Ela continuou se movendo. Mais devagar. Mais profundo. O pau preenchia cada espaço, batia no fundo, encaixava como se tivesse sido feito para estar ali.

— Você é tão quente — ele disse. — Tão apertada. Tão perfeita. Por que você acha que eu nunca quis terminar com você? Por que você acha que eu continuei voltando?

— Por que?

— Porque eu te amo.

Ela parou.

— O quê?

— Eu te amo de verdade, é muito mais que o tesão, com Ana era só tesão, você é mais profunda.

— Você não pode dizer isso. Não depois de tudo.

— Eu posso. Porque é verdade.

Ela sentiu as lágrimas ameaçarem.

— Você não ama ninguém. Você só ama você.

— Errado. Eu amo você. E você sabe. Você sempre soube.

Ela baixou a cabeça. Os ombros tremiam.

— Me solta — ele disse, a voz baixa. — Me solta e deixa eu te mostrar.

— Não.

— Me solta, Maria. Me solta e deixa eu te foder de verdade. Deixa eu te mostrar como é bom quando os dois querem. Quando os dois sentem.

— Você vai fugir.

— Não vou. Juro que não vou. Só me solta. Por favor.

Ela hesitou. Os dedos tremiam.

— Se eu te soltar...

— Você vai ver. Vai ver como é bom.

Ela estava com muito tesão e tava doida pra ser fodida de 4, acabou sendendo mais uma vez ao sorriso e encanto de Jonas. Ela saiu de cima dele e o desamarrou.

— Somente as mãos, isso basta pra você me foder de 4. Vem.

Os pulsos dele estavam marcados, vermelhos. Ele se levantou, as pernas dormentes. Ajoelhou na frente dela.

— Empina— ele disse.

Ela deitou no chão. O látex brilhava sob a luz. Seus pés amarrados. Ele abriu a bunda dela. O pau enorme, duro, apontava para ela.

— Agora é minha vez — ele disse.

Ele entrou de uma vez. Ela gritou.

— Isso. Isso que você queria. Isso que você merece.

Ele começou a meter. Forte. Rápido. Fundo.

— Olha pra mim. OLHA.

Ela olhou.

— Eu te amo, Maria. Eu te amo.

Ela chorava.

— Para... para com isso...

— Não vou parar. Você vai ouvir. Vai ouvir até acreditar.

Ele acelerou.

— Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.

Ela gozou. O corpo tremeu, os olhos reviraram.

— Eu te amo — ele disse de novo.

Ela gozou de novo.

Quando acabou, ela ficou ali, imóvel, ofegante. Caiu desmaiada de tanto gozar.

Jonas rapidamente olhou a sua volta e encontrou uma faca ali perto, percebendo que Maria estava levantando ele jogou a faca na direção de André e a abraçou amorosamente, deixando ela deitada ali junto dele.

— Eu te amo Maria, só quero ficar com você deitado, vem.

Maria se aninhou em Jonas como quem pedia um abrigo.

Nesse meio tempo André conseguiu pegar a faca e lentamente conseguiu, com alguma dificuldade, cortar a corda de sua mão.

André foi até a bolsa. Pegou a chave do cinto de castidade. Abriu. O metal caiu no chão. André se aproximou de Maria e Jonas.

— André, você se soltou... amor segura ele....

Jonas a segurou e André soltou os pés de Jonas. Os dois amarram Maria.

— Me soltem seus filhos da puta, vocês não podem fazer isso.

— Você ainda tem os vídeos — André disse.

Ela não respondeu.

— Vai deletar tudo.

Ela levantou os olhos.

— Não vou.

— Vai.

— E se eu não for?

— A gente chama a polícia.

Ela riu. Um riso cansado.

— Chama. Não tô com medo.

Jonas com os olhos fervendo de raiva se aproximou dela, segurou ela pelo cabelo e disse.

— Escuta aqui sua filha da puta psicopata do caralho, você vai apagar tudo e parar de chantagear a gente, caso contrário você acha que não sei onde você mora, minha família tem influência, você vai morrer na sarjeta sua piranha do caralho.

André olhou para Jonas. Jonas olhou para Ana.

— Ta bom, eu apago tudo.

Maria apagou tudo que tinha no celular, na nuvem e tudo supervisionado pelos três.

— Agora vai embora sua desgraçada maníaca, e se ainda soltar algo pra nos prejudicar saiba que não estou pra brincadeira e vou acabar com tua vida — disse Jonas bufando.

Ela saiu.

A porta fechou.

O silêncio que ficou depois que Maria saiu era diferente de tudo que eles tinham vivido nas últimas semanas. Não era o silêncio do medo, nem da espera, nem da humilhação. Era o silêncio de quem tinha sobrevivido a uma guerra e agora não sabia o que fazer com as próprias mãos.

André estava encostado na parede, as marcas do cinto de castidade ainda vermelhas na pele. Jonas estava sentado no chão, os pulsos machucados, o rosto cansado. Ana estava enrolada num cobertor, os olhos vermelhos, o corpo ainda tremendo.

Ninguém falava.

O relógio na parede marcava três da manhã. O apartamento estava uma bagunça. Cordas espalhadas, roupas rasgadas, o cheiro de medo ainda no ar.

André foi o primeiro a falar.

— Você salvou a gente — ele disse, a voz rouca, sem olhar para Jonas.

— Eu também tava preso.

— Mas você conseguiu sair. Conseguiu fazer ela acreditar.

— Foi sorte.

— Não foi sorte. Foi você.

Jonas levantou os olhos. Os olhos de André estavam marejados.

— Eu não vou esquecer o que você fez.

— André...

— Mas também não vou esquecer o que você fez antes.

O silêncio que se seguiu foi pesado, opaco, definitivo.

— Eu sei — Jonas disse.

— Querendo ou não tudo que aconteceu aqui foi culpa sua. Eu não vou esquecer sua traição. A gente não vai voltar a ser o que era.

André se levantou. As pernas doíam, as costas ardiam, mas ele foi até a janela. Olhou para a rua vazia, para os postes acesos, para o nada.

— Eu amei você como irmão — ele disse, sem se virar. — A gente cresceu junto. Dividiu tudo. E eu pensei que nada no mundo ia quebrar isso.

André virou.

— Eu não consigo te perdoar. Não agora. Talvez nunca.

— Eu sei.

— Mas eu também não consigo te odiar. Não depois do que você fez hoje.

Jonas não respondeu.

André foi até a porta. Pegou a mochila dele. Parou.

— Tchau, Jonas.

— Tchau, André.

A porta fechou.

Ana ficou ali, enrolada no cobertor, olhando para Jonas. Ele ainda estava sentado no chão, os olhos fixos no vazio.

— Eu também vou — ela disse.

— Eu sei.

— Não tem mais o que a gente fazer aqui.

— Não tem.

Ela se levantou. As pernas tremiam. Foi até a porta. Parou.

— Jonas?

— Fala.

— Eu sinto muito.

— Eu também.

— Pelo que a gente fez. Pelo que a gente causou. Por tudo.

Ele levantou os olhos.

— A gente não tinha que ter começado.

— Não.

— Mas a gente não conseguiu parar.

— Não.

— E agora?

Ela olhou para ele. Para o homem que ela amou. Para o homem que destruiu a vida dela.

— Não sei Ana, só sei que quero ficar sozinho. Desculpa por tudo.

Ela saiu.

A porta fechou.

Jonas ficou sozinho.

No dia seguinte, André tentou voltar a normalidade porém ao chegar na faculdade logo de manhã veio uma bomba. Os colegas vieram até ele. Um a um. Amigos que ele nem sabia que tinha. Pessoas que ele só cumprimentava no corredor. Todos queriam dizer algo.

— André, cara, a gente viu o que aconteceu. Que fita.

— O Jonas e a Ana fizeram isso com você? Por trás das suas costas?

— Você confiava nos dois. E eles te apunhalaram.

— A gente tá do seu lado. Qualquer coisa que você precisar.

André ficou ali, ouvindo, sem saber o que responder. Os olhos marejados. A voz presa.

— Vocês... vocês sabem?

— Sabemos. Todo mundo sabe. Eles que se expliquem. Você não tem culpa de nada.

Uma colega colocou a mão no ombro dele.

— Você foi vítima, André. Vítima dos dois. Mas agora acabou. Você não tá sozinho.

Maria soltou tudo sobre Jonas e Ana. Era bem provável que uma maníaca e hacker como ela tinha um backup porém não imaginou que ela teria coragem de fazer isso depois da ameaça de Jonas. André tentou contatar Maria porém outra surpresa, simplesmente desapareceu. Ninguém nunca mais soube dela. O celular dela foi desativado, o apartamento foi desocupado, o nome dela sumiu de todas as redes. Era como se Maria nunca tivesse existido.

As fotos e vídeos correram rápido. WhatsApp, Instagram, Twitter. Em poucas horas, todo mundo na faculdade tinha visto Jonas e Ana fazendo tudo aquilo com André. As conversas expostas. Os segredos revelados. Para André isso não importava muito no final, ele perdera um amigo e uma namorada, agora estava ali recebendo apoio de pessoas de verdade e as consequências desse vazamento seria muito mais cruel com os outros dois.

Jonas, no dia seguinte ao vazamento, foi para a faculdade tentar explicar. Não adiantou. Os olhares eram de nojo, de raiva, de desprezo. Ninguém queria ouvir. Ninguém queria entender. Ele era o amigo filho da puta, o traidor, o cara que comeu a mulher do melhor amigo enquanto ele dormia no sofá.

Naquela noite, ele trancou a matrícula.

A mãe ligou. O pai não. Apenas mandou uma mensagem: "Você envergonhou nossa família. Sua chance de seguir o seu caminho acabou, agora vai fazer o que eu mandar. Quero você de volta, não vou pagar mais nada pra você ai nessa putaria."

Jonas não conseguiria viver ali, sem emprego e sem o apoio do pai, pegou tudo e voltou.

A cidade pequena do interior era pior do que a faculdade. Todo mundo sabia. Todo mundo falava. No supermercado, sussurravam. Na igreja, desviavam o olhar. Na empresa do pai, os funcionários cochichavam nos corredores.

O pai não olhava na cara dele. A mãe chorava escondida. Os irmãos mais novos não sabiam como agir.

— Você vai trabalhar no estoque — o pai disse, na primeira semana. — Não quero você na frente dos clientes. Não quero você perto de ninguém.

Jonas abaixou a cabeça.

— Sim, senhor.

O estoque era escuro, úmido, cheio de caixas empoeiradas. Ele passava os dias separando mercadorias, contando estoque, organizando prateleiras. Ninguém falava com ele. Os outros funcionários, quando precisavam de alguma coisa, chamavam pelo interfone. Não queriam chegar perto.

No almoço, ele comia sozinho. No intervalo, ficava no carro. À noite, voltava para o quarto de infância, fechava a porta e ficava olhando para o teto.

**Foi isso que eu fiz com ele. Foi isso que eu causei.**

As noites eram as piores. Ele pegava o celular, olhava as fotos antigas, as conversas com André, os momentos felizes. Depois apagava. Depois se arrependia. Depois tentava recuperar. Depois desistia.

— Você trouxe desgraça pra essa família — o pai disse, uma noite, depois do jantar. — Nunca pensei que ia criar um homem tão fraco.

Jonas não respondeu. Não tinha resposta.

Ana não foi para a faculdade.

No dia em que as imagens vazaram, ela estava em casa, tomando café, tentando fingir que nada tinha acontecido. O celular não parava de vibrar. Mensagens, ligações, notificações. Ela não atendia. Não respondia. Não olhava.

A primeira ligação que atendeu foi da mãe.

— Minha filha, o que é isso? O que você fez?

— Mãe...

— Você destruiu sua vida. Destruiu a nossa família. Todo mundo viu. A tia Lúcia viu. O pastor viu. A vizinha viu. Você tem noção do que fez?

— Eu sei, mãe. Eu sinto muito.

— Sentir muito não paga nada. Não apaga nada. Seu pai não quer te ver. Eu não quero te ver. Seu irmão teve que sair do time por causa de você. As crianças na escola tão falando. Você entende o que fez?

Ana chorava. Não conseguia responder.

— Se você quiser voltar pra casa vou te acolher como mãe, você precisa de amor filha e é a única coisa que posso te dar.

Ana pensou no que sua mãe lhe disse, a mãe de Ana tinha problema de saúde, muitas dívidas, não queria ser mais um peso pra ela.

— Não mãe, o que eu preciso é arrumar tudo, vou me virar do jeito que der. Desculpa por tudo.

— Você que sabe filha, saiba que te amo, independente do que fizer.

No dia seguinte, foi demitida. O chefe, um homem conservador de meia-idade, não olhou no rosto dela. Apenas deixou a carta de demissão na mesa, com um cheque de rescisão.

— É melhor assim — ele disse. — Pega suas coisas. Sai pela porta dos fundos. Não quero problema.

Ela pegou. Saiu. Não olhou para trás.

A prima do Rio foi a única que atendeu o telefone.

— Ana? Meu Deus, eu vi o que aconteceu. Você tá bem?

— Não. Não tô bem.

— Vem pra cá. Vem pra minha casa. Fica aqui quanto tempo precisar.

Ana viu ali uma oportunidade de mudar de vida. Era a chance de recomeçar. Chegou de ônibus, com uma mala pequena e o dinheiro da rescisão que mal daria para dois meses. A prima morava num apartamento pequeno em Copacabana, dividia com duas amigas. Não tinha muito espaço, mas tinha um sofá-cama na sala.

— Fica aqui — a prima disse, abraçando ela. — A gente dá um jeito.

Os primeiros dias foram cinzentos. Ana não saía de casa. Não comia direito. Não falava com ninguém. Passava as horas olhando para o teto, revivendo cada momento, cada erro, cada escolha.

A prima tentava animar. Levava café na cama, chamava para passear na praia, convidava para sair com as amigas. Ana recusava tudo. Não conseguia. Não tinha forças.

— Você não pode ficar assim pra sempre — a prima disse uma noite.

— Eu sei.

— A gente precisa de dinheiro, Ana. Eu não posso te sustentar pra sempre.

— Eu sei.

— Então o que você vai fazer?

Ana não respondeu. Não sabia.

Naquela noite, ela não dormiu. Ficou olhando para o teto, o celular na mão, os dedos coçando para abrir as redes, o medo de ver o que diziam. Até que, num impulso, abriu o Instagram.

Não tinha muitas mensagens. As amigas tinham sumido. Os conhecidos tinham bloqueado. Mas tinha uma. De um perfil que ela não seguia.

**Helena. @lena_hot.**

Ela quase fechou. Mas o nome era bonito. A foto de perfil mostrava uma mulher linda, cabelos castanhos compridos, um sorriso largo. Ana abriu a mensagem.

"Oi, Ana. Meu nome é Helena. Sou influenciadora digital. Eu vi que você se mudou pro Rio e queria te chamar pra um café. Sua fama te persegue. Sei que você passou por um perrengue. A gente tem uma coisa em comum. Me responde se quiser conversar. Beijo."

Ana ficou olhando para a mensagem. **Minha fama me persegue.** A fama. A humilhação. As fotos que todo mundo viu. Ela quase apagou. Mas alguma coisa a fez continuar.

Abrir o perfil de Helena.

A mulher era linda. Cabelos castanhos compridos, lisos ondulados, brilhando. Olhos claros que pareciam sorrir. A pele bronzeada. Os lábios cheios, sempre pintados de vermelho. O corpo era impressionante — peitos fartos, redondos, que se destacavam em qualquer roupa. A cintura fina, desenhada. Os quadris largos. A bunda enorme, empinada. Tudo parecia no lugar certo. Tudo parecia... turbinado. Mas de um jeito harmonioso, bonito.

Ela tinha 24 anos, mesma idade de Ana. As fotos mais antigas mostravam uma menina nerd, de óculos, cabelo preso, roupas largas. Estudante de alguma coisa, segundo a bio. E de repente, uma mudança. Os óculos sumiram. O cabelo soltou. As roupas apertaram. Os seguidores explodiram. Agora ela tinha mais de dois milhões no Instagram e um OnlyFans que faturava uma fortuna.

Ana ficou olhando para aquela mulher. Para aquela vida. Para aquele corpo.

Voltou para a mensagem. Os dedos tremeram. Escreveu:

"Oi, Helena. Li sua mensagem. O que a gente tem em comum?"

A resposta veio em menos de um minuto.

"Ana! Que bom que respondeu. Olha, vou ser direta. Eu era nerd, tímida, invisível. Até descobrir que meu corpo era meu maior trunfo. E que pau grande era meu vício. Eu li sobre você, vi as fotos, e percebi que você também tem esse... gosto. E que você tem um corpo incrível. Uma bunda que qualquer modelo pagaria pra ter. Quero te ajudar. Se você topar, eu te ensino tudo. Te mostro o caminho. Você nunca mais vai precisar depender de ninguém. O que você diz?"

Ana leu. Leu de novo. O coração batia acelerado.

"O que você quer que eu faça?"

"Primeiro, vamos tomar um café. Amanhã, se puder. Eu sou do Rio de Janeiro. Te mando o endereço. Vem de roupa confortável. E vem com a mente aberta. Você não tem nada a perder, Ana. Só a ganhar."

Ana olhou para o teto. Para o sofá-cama. Para a mala pequena no canto. Para a vida que tinha sobrado.

**Não tenho nada a perder mesmo.**

"Tá bom. Amanhã. Me manda o endereço."

Ela desligou o celular. Ficou ali, olhando para o nada. O coração batia forte.

EPÍLOGO:

Dois anos depois, André estava formado.

A faculdade foi difícil no começo, mas ele encontrou pessoas que acreditaram nele. Professores que o orientaram. Colegas que o apoiaram. Uma nova turma que não conhecia a história, ou que se recusava a julgar alguém que só tinha sido vítima.

Ela apareceu no meio do curso. Chamava-se Camila. Estudava psicologia, mas fazia uma disciplina optativa na engenharia. Senta ao lado dele na primeira aula. Não perguntou sobre o passado. Não olhou com pena. Apenas sorriu e disse:

— E aí, colega? Vamos sobreviver a essa matéria juntos?

Ela era paciente. Leal. Presente. Quando as histórias antigas ressurgiam, quando alguém comentava, quando alguma lembrança voltava, ela não fugia. Ficava. Segurava a mão dele. Esperava.

— Você não precisa contar — ela dizia. — Mas se quiser contar, eu vou ouvir.

Ele contou, um dia. Tudo. Desde o começo. A foto no grupo. As conversas. As traições. A humilhação. O cinto de castidade. As cordas. O medo. A culpa. Ela ouviu em silêncio. Quando ele terminou, ela segurou a mão dele.

— Você é incrível André e merece alguém que te apoie.

Se formaram juntos. Ela foi para a residência em psicologia, ele começou a trabalhar numa empresa de engenharia. Compraram um apartamento pequeno, dois quartos, uma varanda que dava para o poente. No primeiro ano, ela engravidou. Uma menina. Deram o nome de Sofia.

No batizado, Camila segurou a mão dele.

— Feliz? — ela perguntou.

— Muito.

— Arrependido?

Ele olhou para a filha, para a esposa, para a vida que construiu.

— Somente de não ter te conhecido antes.

Ela sorriu.

— Então tá tudo certo.

[FIM]

NOTA DO AUTOR:

Pessoal espero que tenham gostado, não via mais uma maneira de como continuar essa história, caso queiram posso fazer um crossover com uma continuação da história de Ana e outro de André, tenho em mente alguns desenrolares bem legais.

QUEM QUISER DAR UMA CONVERSADA E/OU VER FOTOS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DOS CONTOS, MINHAS REDES ABAIXO. SÓ ME MANDAR MENSAGEM QUE TAMBÉM FAÇO IMAGENS PERSONALIZADAS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DESCRITAS NOS CONTOS.

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Comentários

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Já aguardo pelo menos aí uns três contos contando a história da Ana depois desse final, e como ficou a vida dela e se ela soube q o André casou e teve filha.

Muito bom!!!

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Achei o final muito justo. O que Maria fez, entre outras coisas, deixou que o André terminasse em paz. E muita inocência do Jonas, que foi pro ostracismo, achar que Maria tinha deletado tudo, logo ela, que trabalha no ramo. E Ana indo pro OnlyFans foi bem lógico também. Sequencia natural. Parabéns pela conclusão.

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