O trajeto até a casa de Valquíria foi envolto em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som baixo de um jazz que saía dos alto-falantes do SUV. Eu olhava pela janela, vendo as luzes da cidade borradas pela chuva, sentindo o gosto amargo e doce da submissão ainda presente em minha boca. Valquíria dirigia com uma mão só, a outra descansando casualmente sobre a própria coxa. Ela não disse uma palavra, mas a energia que emanava dela era de uma posse absoluta.
Chegamos a um condomínio de alto padrão. A casa era uma estrutura moderna de vidro e concreto, iluminada de forma cênica. Ao estacionar na garagem, ela finalmente quebrou o silêncio.
— Desça, André. E pegue sua mochila. A partir de agora, você deixa o mundo lá fora.
Entramos na casa, que cheirava a madeira cara e ao mesmo perfume de rosas que ela me dera. O ambiente era luxuoso, mas minimalista. Ela me guiou até um quarto de hóspedes no andar de cima.
— Deixe suas coisas aí. Tome um banho demorado. Use os produtos que estão na bancada, quero você cheirando a limpeza. Quando terminar, não vista nada do que trouxe. Tem um conjunto sobre a cama. É o que você vai usar para me servir o jantar.
Ela saiu e fechou a porta. Fui até a cama e meu coração disparou. Era um conjunto de lingerie de seda preta: uma camisola curta, com detalhes em renda no busto, e uma calcinha fio-dental combinando. Ao lado, um par de chinelos de quarto com pompons delicados.
Entrei no banho em transe. Lavei meu cabelo sentindo os cachos ficarem macios sob a água quente. Passei o sabonete líquido pelo corpo todo, sentindo a pele lisa, fruto daquelas sessões de depilação dolorosas. Eu me sentia estranhamente leve, como se estivesse sendo preparado para um ritual. Ao sair, vesti a calcinha primeiro; o toque do fio-dental entre minhas nádegas, agora volumosas e sensíveis pelo treino de Ricardo, era uma sensação de exposição constante. A camisola deslizou pelo meu corpo, curta e provocante.
Desci as escadas devagar. Encontrei Valquíria na sala de jantar, já de roupão, servindo-se de uma taça de vinho tinto. Ela me olhou de cima a baixo, um sorriso de satisfação surgindo lentamente em seus lábios.
— Venha aqui, André — ela disse. — Ajoelhe-se. Quero ver se você aprendeu a se portar como uma verdadeira dama de companhia.
Aproximei-me, sentindo o ar frio nas minhas pernas nuas. Ajoelhei-me aos pés dela, a seda da camisola subindo ainda mais. Valquíria acariciou meu rosto com o pé descalço, a sola quente pressionando minha bochecha. Antes de me mandar buscar a comida, ela me entregou o prato que ela mesma já havia começado a separar.
— Coma, André — ela disse, mas antes que eu pudesse tocar no talher, ela inclinou o rosto e deu um cuspe generoso sobre a carne e a salada. — Um temperinho especial para você. Dizem que é bom para a hidratação, e você trabalhou muito hoje na minha sala. Não quero que desidrate.
Engoli em seco, sentindo a humilhação queimar no meu peito, mas a fascinação por aquele controle era maior. Comi cada pedaço sob o olhar atento dela, sentindo o gosto da saliva de minha senhora misturado ao jantar, aceitando que minha dignidade já não morava mais naquele corpo. Quando terminei, ela tirou um objeto de dentro do bolso do roupão. Era pequeno, de metal frio e rosado, com uma pedra brilhante rosa na base. Um plug anal.
— Coloque na boca, André. Deixe bem babado. Quero que deslize sem resistência.
Eu já tinha visto aquilo em filmes, sabia exatamente onde ia, mas o medo era paralisante. Obedeci, sentindo o gosto metálico e frio na língua, umedecendo-o conforme ela ordenava. Quando ele estava brilhando de saliva, ela mandou que eu me virasse e ficasse de quatro, como um "bom garotinho".
Sentir o gelado do material encostando na minha entrada virgem foi assustador. Valquíria não teve muita parcimônia; ela pincelou a região com um pouco de lubrificante e empurrou. Senti uma pressão aguda, uma resistência que parecia que ia me rasgar, mas ela continuou empurrando com força até que, devido ao formato cônico, o meu corpo simplesmente o "engoliu". Ouvi o estalar da câmera do celular.
— Agora, Andra... suba comigo.
Fui para o quarto dela, um espaço imenso com uma cama king gigantesca e um armário todo espelhado que cobria uma das paredes. Ela se sentou na beirada da cama e eu, instintivamente, tentei levar as mãos aos pés dela para uma massagem. Ela me deu um chute brusco no ombro que me fez cair para trás no chão.
— Idiota! Peça permissão para tocar em mim com essas mãos sujas. Além de burro, é atrevido? A massagem hoje é com essa boca, a única coisa que parece que presta em você, já que cérebro não tem.
Aproximei-me novamente, agora de joelhos e com a cabeça baixa. Comecei a beijar seus pés, perfumados pelo banho recente. Eu lambia cada detalhe, cada curva, sentindo a pele macia sob minha língua. Valquíria relaxou, enfiando o dedão dentro da minha boca. Eu fiz a massagem com a língua, tomando um cuidado extremo para não roçar os dentes na pele dela, temendo outro chute.
Quando ela finalmente pareceu satisfeita, apontou para um tapetinho de veludo ao lado da cama. — Vai dormir ali. De bruços, como eu ordenei. E nem pense em tirar a joia do lugar.
Deitei-me no tapete com um travesseiro fininho. Do chão, olhei para o armário espelhado que estava levemente inclinado. No reflexo, eu vi a cena completa: a cama majestosa onde minha senhora já começava a adormecer, e eu, ali embaixo, encolhido em uma camisola de seda, com um plug rosa brilhando entre minhas nádegas. Eu parecia exatamente o que ela queria: um brinquedinho doméstico. Minha cabeça era uma confusão de vergonha, medo e uma estranha paz por finalmente ter um dono.
Apaguei exausto, sem saber que o sol de sábado traria a primeira tarefa doméstica que testaria não apenas minha força, mas minha capacidade de ser visto pelo mundo exterior como a Andra que eu estava me tornando.
