Depois de vestidos tivemos uma longa conversa sobre suas palavras e sobre as informações que coletei sobre ela. Também descobri muita coisa que explicava o que estava acontecendo em minha casa. Foram muitos minutos, que se transformaram em algumas horas. Tudo agora estava fazendo sentido, mas ainda faltavam mais algumas coisas para o quebra cabeça estar totalmente montado.
Depois de tudo isso fomos embora e a deixei no mesmo local onde a peguei. Desde que saímos do motel, minha mente estava a milhão, muita coisa se passava, muita coisa que não batia, mas sabia que o melhor ainda seria não me deixar levar para saber o que estava motivando tudo aquilo. Pelo menos uma coisa ficou muito clara, Helena, era apenas um pião, naquele jogo todo, e sua parte tinha sido, no caso dela, me seduzir, claro que o resultado foi o prazer que ela teve, mas era somente uma peça num esquema maior, percebi isso durante nossa conversa, e agora contava com uma pessoa que no momento certo iria com certeza, ser parte importante ao meu lado, e não contra mim.
Cheguei em casa, e encontrei Juliana, na sala e estava sentada no sofá da mesma forma que na semana anterior. Olhar perdido, provavelmente o pensamento em algo ou alguma coisa. A tv ligada apenas por estar. Da mesma forma ela só percebeu minha presença quando sentei ao seu lado. Ela me olhou e percebi uma lagrima escorrer, como se soubesse o que tinha acontecido, me mantive da mesma forma, mas dessa vez ela não me tocou, apenas me olhou nos olhos. Antes de me levantar e ir para o meu quarto, próximo do seu ouvido, eu disse.
- Eu te amo, tive que fazer o que você já deve saber e vou resolver tudo, mas guarde isso para você, não conte a ninguém, nesse estante ela apenas suspirou e abaixou a cabeça.
Beijei seu rosto e sai em direção ao meu quarto. Me deitando os pensamentos não paravam, mas ainda não havia sentido em nada daquilo, o único jeito era eu ter mais um pouco de paciência e estar preparado.
Segunda feira, enquanto trabalhava, minha secretaria me avisou que eu tinha visitas. Perguntei se ela tinha agendado alguma coisa sem eu saber ao que ela confirmou que não, perguntei quem era e ela me respondeu que era minha esposa Juliana e mais um homem de nome Claudio. Soube na hora que esse Claudio era o primo de minha esposa. Pedi que os deixassem entrar. Ela os acompanhou até minha sala.
Minha secretaria entrou os convidando. Minha esposa entrou na frente, seria, olhos um pouco vermelhos, em seguida seu primo entrou sorrindo, observando todo o meu escritório. Minha secretaria perguntou se eles gostariam de beber alguma coisa, uma água, um café. Juliana balançou a cabeça negativamente, já seu primo pediu um café com pouco açúcar. Nesse meio tempo me levantei, para cumprimentar Claudio com um aperto de mão, e fiz uma pressão maior do que o necessário, que ele correspondeu.
- Você tem uma boa pegada.
- Faz parte do cargo, demonstração de controle, disse eu.
Ele apenas riu, sentando-se a minha frente a esquerda e minha esposa a minha direita.
Depois cheguei perto de Juliana e lhe beijei a testa.
Então perguntei qual o motivo daquela visita, dos dois juntos.
Juliana apenas mantinha o olhar em mim, então Claudio começou a falar, com um ar de arrogância.
Estamos aqui para dizer que Juliana entrou com um processo de divórcio e eu serei o representante dela.
Essas palavras ficaram ecoando em meus ouvidos, o ar ficou pesado, minha garganta secou, tive que me levantar e pegar um copo de água na jarra que sempre tenho em minha sala, mas sem que eles percebessem que aquilo havia me incomodado, a princípio.
- E qual o motivo de tomar essa decisão.
Ele continuou, o motivo desse processo é traição cometida por você com uma garota na última sexta feira, mas como sabemos, o contato entre vocês já vem ocorrendo a mais tempo, através de mensagens pelo celular. Para provar tirou de uma pasta que estava em suas mãos, fotos do meu encontro com Helena, no restaurante e outras onde eu e ela estávamos entrando no motel.
Como eu suspeitava, os dois encontros tinham sido realmente montados para que pudessem tirar fotos de Helena e eu juntos, para usarem contra mim, nada que eu já não tivesse suspeitado, mas me mantive em silencio aguardado mais informações dele, apenas tentei agir como um ator, para que ele não suspeitasse de nada, mudando minhas expressões faciais, tipo surpresa, raiva.
Eu mantinha o olhar para ele enquanto falava, e tinha mais coisas que ele ia dizendo, e devo admitir com imensa satisfação, da parte dele. Coisas como, Juliana ter direto a metade do que era meu, que a guarda das crianças ficaria com ela. Disse muita coisa, mas no final deu a cartada final, dizendo que sempre sonhou em ter um escritório igual ao meu e que já que eu era dono da empresa e como Juliana teria direito a metade do que era meu, metade da empresa também seria e que ele como representante legal dela, iria assumir uma posição na empresa para cuidar da parte que caberia a ela.
Então era isso, afundei na mina cadeira, ele estava querendo assumir parte da empresa e dos recursos provenientes dela e estava usando Juliana para isso, mas eu ainda não sabia o porquê de tudo isso, mas algo me dizia pela forma de agir dele que não iria demorar a me revelar, era como se ele tivesse uma necessidade de dizer para se sentir bem jogando a verdade em minha cara.
Ao final, depois de tomar seu café que minha secretaria tinha trazido, ele se levantou se sentindo vitorioso, me olhou, ainda tinha mais, e era a parte que nunca antes havia me passado pela cabeça.
- Você sempre foi uma pessoa que teve tudo Antônio, um pai rico, amigos na faculdade não lhe faltavam, boas notas, afinal podia ficar o dia todo estudando, as nossas colegas de classe se jogando em seu colo e você sempre evitando cada uma delas, você parecia um rei, inalcançável, e elas apenas as plebeias. Mas desde aquela época meu único desejo, seria ver você perder tudo, ficar sem nada, infelizmente para você no meio do caminho, conquistou Juliana, então eu não poderia deixar que ela ficasse sem nada, então tive que realinhar as coisas. Você a teve e agora vai perde-la, da mesma forma que vai ficar pensando em como tudo isso aconteceu e o porquê. Hoje eu posso parecer arrogante, mas você foi muito mais do que eu, você recusou minha amizade, agora vai ter que me ter ao seu lado nesta empresa, e todas a decisões que serão tomadas, você vai ter que dividi comigo, quer você goste ou não, e não vai ter como evitar.
Nosso advogado vai entrar em contato com você para te passar quando será a audiência, então você tem até lá para já ir reservando uma sala como essa, e com uma decoração um pouco mais moderna, para que eu possa me instalar. A gente se vê, e vai se ver muito quando eu começar a cuidar dos interesses de Juliana e da parte dela na empresa.
No final antes de saírem, Juliana, apenas me olhou e pediu desculpas, com lagrimas escorrendo por seu rosto.
Claudio, antes de fechar a porta atrás de si, me olhou dizendo que era bom eu arrumar um lugar para ficar, pois tinha deixado uma mala na entrada com minhas roupas.
Eu tinha sido expulso de minha própria casa, não pela mulher que amava, mas pelo homem que a estava manipulando durante todo o tempo e que tinha armado tudo aquilo, mas que eu cai não por não as sabe, mas me deixei levar propositalmente para saber até onde tudo aquilo iria chegar.
Nesse momento tive que me segurar para não correr atrás dele e encher aquela cara de arrogante de murros, mas fiz apenas o gesto com essa intenção, assim ele teria certeza que o seu plano estava funcionando perfeitamente bem para seu prazer, prazer este que tinha os dias contados.
Assim que saíram peguei meu celular e fiz uma ligação.
- Seu tempo acabou preciso de tudo o que tiver o mais rápido possível, já sei tudo o que preciso saber.
Do outro lado a voz apenas respondeu:
- Pode deixar chefe, já temos tudo e mais um pouco. Ligo para nos encontrarmos.
- Fico aguardando sua ligação.
Desliguei e me joguei para traz apoiando as costas na cadeira. Finalmente tudo começou a fazer sentido, com relação ao que Claudio queria, mas ainda faltava saber porque Juliana estava agindo de forma tão submissa a seu primo. Eu sabia que tinha algo, mas ainda não sabia exatamente o que, mas com as informações da pessoa da ligação, tinha certeza que logo isso seria revelado.
Tentei me concentrar no trabalho, mas foi impossível, os pensamentos a todo momento me faziam devagar sobre toda essa situação. Ficar longe das crianças e da própria Juliana era algo que jamais havia acontecido, então era algo que eu e também ela, deveríamos tentar superar.
Como eu tinha o número da baba das crianças enviei uma mensagem pedindo que a qualquer sinal de problema com as crianças ela deveria me avisar, e que se acaso fosse necessário ficar até mais tarde, também seria melhor e que depois como da outra vez, seria só me avisar que eu pagaria a diferença.
Demorou alguns minutos para ela responder dizendo que podia contar com ela para qualquer coisa, que ficaria de olhos nas crianças e que caso acontecesse algo me avisaria imediatamente.
Agradeci, me levantei e fui até a sala de meu pai para conversar. Tinha que perguntar param ele se não teria problema eu passar alguns dias em sua casa. Logicamente ele concordou e de imediato perguntou o que estava acontecendo, mas respondi que chegando em casa aproveitaria para falar com ele e minha mãe, assim ambos ficariam sabendo juntos.
A noite minha mãe não estranhou minha chegada com meu pai, pois ele já havia contado para ela que eu ficaria na casa deles por um tempo, mas como eu já esperava, ela estava ansiosa em saber sobre o que estava acontecendo.
Depois do jantar, sentados na sala expliquei tudo a eles, pelo menos tudo o que sabia, até sobre minha saída com Helena, tive que revelar, apesar do olhar de reprovação dos dois, mas poupei os dois de alguns detalhes, mas a conversa que tive com ela, isso eu revelei.
A semana, depois disso passou arrastada, consegui a muito custo me concentrar no trabalho, mas assim que terminava o expediente, tudo voltava como uma enxurrada de pensamentos sobre o que prendia Juliana a Claudio, e como aquilo a transformou ou será que seria apenas uma máscara que ela estivesse usando para algum proposito que até então eu não tinha percebido qual a finalidade. Juliana nunca, desde que nos conhecemos demonstrou ser uma pessoa que tivesse uma personalidade como a que estivesse demonstrando, sempre demonstrou ser uma pessoa alegre, que sabia o que queria, se se dava bem com todos, que estava sempre disposta a ajudar quem quer que fosse. Então minha cabeça tentava a todo custo imaginar, mas o resultado de meus pensamentos era sempre o mesmo. O alento que me mantinha era as informações que receberia e que poderiam expor de uma vez por todas, tudo que eu precisava para encaixar todas as peças desse quebra cabeça.
Na semana seguinte recebi a ligação do advogado de Claudio me passando a data de audiência, que seria dali uma semana, me passou o endereço do local e horário que deveria me apresentar no fórum.
Minutos após desligar meu celular vibrou, era meu contato.
- Amanhã as 21horas no mesmo local que nos encontramos da última vez. Tenho tudo o que precisa.
- Ótimo estarei lá. Respondi suspirando aliviado, teria tempo de verificar o que quer que ele tinha conseguido.
- Devo admitir que este foi o meu melhor trabalho, apesar das dificuldades. Você vai gostar do que juntei.
- Está bem, até amanhã.
- Até mais.
Sabia que aquele resto de dia, noite e dia anterior seriam difíceis, que as horas custariam a passar, mas não tinha nada que pudesse fazer, era focar em outras questões e deixar o tempo passar.
Trinta minutos depois de estar sentado naquela mesa o esperando, envolto em meus pensamentos, senti uma batida leve no ombro, era meu contato em pé a minha frente.
- Então doutor, acho melhor trocar esse copo, sua cerveja já deve estar quente.
- Olá Albino.
- Pensei que não viesse mais, esta dez minutos atrasado. Disse eu olhando meu relógio.
- Sabe como é?
Acenei a cabeça positivamente e fiz sinal para ele se sentar.
- Eu estava na casa de uma amiga, juntando o que tinha conseguido, ela me foi muito útil, afinal, a ajuda de uma mulher é sempre bem vinda quando se trata de colher informações com outra mulher. O senhor entende?
- Sim entendo!
Fiz sinal para a garçonete, pedi para levar minha bebida e trazer outra e perguntei de Albino também queria uma.
- Ainda não estou na faze de dispensar uma breja doutor. Ela é sempre bem-vinda.
A garçonete anotou o pedido e se retirou.
Então perguntei a ele o que tinha conseguido.
Albino me entregou uma pasta com meu nome escrito.
A peguei abri e comecei a folhar tudo, realmente tinha muita coisa, eu levaria um bom tempo lendo tudo aquilo, e vi algo que me deixou surpreso, perguntei a ele se aquilo era sério mesmo, me observando atento, pois eu deveria estar com os olhos arregalados naquele momento, confirmou que sim, aquilo realmente era sério.
A garçonete veio, deixou nossas bebidas e saiu, ele me olhou dizendo:
- Tem muita coisa ai Antônio, muita coisa mesmo. - Tomou um gole de sua bebida. Eu gostaria de pôr a mãos nesse Claudio, sabe, ficar uns cinco minutos em uma sala com ele, ensinar umas coisinhas para ele, e olha que nem conheço ele pessoalmente.
- Eu te entendo Albino, e não te culpo, eu só gostaria de ser o primeiro se você não se importar.
- De forma alguma, pode fazer as honras primeiro.
Após terminarmos nossa cerveja, esta gelada, agradeci a ele e disse que faria o restante do pagamento no dia seguinte, ele acenou confirmando, depois disse que sendo eu filho do meu pai, sabia que era uma pessoa que sempre cumpre o combinado, e disse que estaria sempre as ordens para o que eu precisasse, qualquer trabalho.
Continua.....
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A TRAIÇÃO QUE REVELOU TUDO. (6º PARTE)
Sai daquele local, entrei em meu carro, ainda não acreditando no que tinha visto. Dei a partida e arranquei para a casa de meus pais. Chegando fui para meu quarto, passei por minha mãe perguntado se queria algo para comer, disse que tinha muita coisa para verificar, mas se depois de uns minutos levasse apenas um lanche para meu quarto, já estaria bom.
Em meu quarto sentei em minha mesa, abri a pasta. Albino tinha realmente feito um bom trabalho, tudo bem montado, como sempre fazia. Era como se estivesse lendo de acordo com um calendário, datas, nomes das pessoas entrevistadas. Até com minha sogra ele conseguido obter informações, até mesmo dos pais de Claudio. Estava tudo ali.
Minutos depois de começar, tudo estava fazendo sentido, eram coisas que nem de longe tinham passado pela minha cabeça.
Minha mãe bateu na porta, entrando me trouxe um lanche, perguntou se aquilo poderia ajudar, respondi que sim, além de ajudar, a Juliana e eu nos livrarmos de Claudio, ele iria ter um bom tempo para pensar em tudo que fez em alguma prisão.
Naquela noite, não dormi, apenas tomei um banho, e fiquei toda ela lendo os relatórios que estavam naquela pasta, era muita coisa.
Ao final da leitura, respirei fundo com os olhos ardendo e uma pequena dor nas costas, olhei para a janela e o sol já estava dando o ar da graça. Olhei para o relógio, eram seis e meia da manhã. Levantei tomei outro banho, me troquei, fui para a cozinha. Minha mãe já estava em pé com meu pai, os dois estavam como sempre fizeram, preparando o café da manhã juntos. Quando me olharam, disseram juntos, como se tivessem combinado:
- E então filho, descobriu o que precisava?
Fiz menção de rir, pela forma que fizeram a pergunta.
- Sim, descobri muita coisa, e principalmente o porquê de Juliana ser e agir como submissa do primo dela.
Eles se entreolharam, e depois para mim.
- Vou tomar um café rápido e ligar para meu advogado e ir até seu escritório, vamos ter que bolar uma estratégia e acabar com as pretensões de Claudio.
Quarenta minutos depois já estava sentado à frente do meu advogado, enquanto ele lia tudo o que precisava. Fizemos os acertos de nossa estratégia, nesse meio tempo, Helena também chegou, ela seria uma peça importante em tudo que estávamos acertando.
Depois de tudo acertado, deixei os detalhes restantes por conta de meu advogado, rumando para a empresa. Aquele dia que antecedia a audiência de divórcio, seria longo, mas agora eu controlava o jogo e tinha as cartas marcadas em minha mão, seria questão de horas para acabar com tudo aquilo, minha única preocupação agora seria como Juliana sairia de todo aquilo, mas por hora deixaria isso para o depois.
Aquela noite, como outras foi absoluta insônia, fechava os olhos e via os rostos de Juliana e seu primo, ela quieta apenas marcando presença física, sem manifestar qualquer palavra, enquanto seu primo com aquele olhar de quem conseguiu ou estava perto de conseguir o que sempre desejou. Com os olhos abertos a escuridão do meu quarto que só era quebrada pela luz do relógio digital com seus números na cor vermelha, fazendo a contagem regressiva para A audiência de divórcio.
Como não consegui dormir levantei mais cedo e fui caminhar para tentar espairecer um pouco, quando retornei, meus pais estavam preparando o café da manhã. Os cumprimentei, e minha mãe, me olhando disse que em pouco tempo tudo estaria resolvido, disse que só teria que confiar no que tinha. Apenas acenei confirmando, e fui para meu quarto para tomar um banho e me vestir.
Quanto estava pronto fui para a cozinha tomar meu café. Meu pai apenas me perguntou como eu estava, e disse que confiasse, pois tinha feito tudo que um marido e pai de família precisava.
Acabei meu café me despedi e sai, meus pais não iriam me acompanhar, pois meu pai tinha que suprir minha falta na empresa, embora não fosse necessário, pois já tinha deixado tudo acertado para aquele dia, e minha mãe preferia ficar em casa cuidando das coisas, mas disse que assim que tudo terminasse era para avisa-la, pois estaria ansiosa em saber o resultado, que tinha certeza seria positivo.
Cheguei ao fórum antes do horário, encontrando meu advogado como tínhamos combinado, ele me disse que estava tudo certo e que não seria necessário repassarmos qualquer coisa, seria só aguardar, embora ele já conhecendo o juiz sabia que este não costumava deixar a guarda com o pai, sempre preferia que a guarda ficasse com a mãe, mas tinha certeza que com o que tínhamos, neste caso seria com certeza o contrário, ou no máximo uma guarda compartilhada.
Meu advogado até brincou que o apelido, nos corredores do fórum, do juiz era “Juiz Dredd”, uma pequena brincadeira com relação ao filme de Sylvester Stallone, por sempre seguir a lei e ser um tanto duro no caso do traidor, este sendo eu.
Cinco minutos antes entramos no auditório/sala e nos posicionamos em nosso lugares em um grande mesa, com três cadeiras de cada lado. Era uma sala de uma faculdade onde alguns alunos de direto já devidamente sentados aguardavam a entrada das partes e do juiz. A nossa frente estavam Juliana, Claudio e o advogado deles.
O juiz entrou na sala e sentou em sua cadeira, que ficava acima dos demais. Me senti como se estivesse em tribunal do júri.
Começando então a seção, foram ditas as palavras de praxe, o primeiro a falar foi a advogado de Juliana.
Ele expos tudo sobre o motivo da separação e o que a esposa, como no seu direito pleiteava, a posse da casa, parte da empresa que segundo eles me pertencia, sobre a guarda dos filhos que ficaria com ela e sobre o valor que eu deveria pagar que seria metade do valor e outras custas relacionada as necessidades dela bem como das crianças.
O juiz ouviu tudo atentamente, sem fazer qualquer menção. Após o advogado finalizar o juiz olhando para meu advogado, dando a palavra a ele.
Meu advogado então, fez devida introdução e expos alguns fatos que a outra parte desconhecia. Primeiro era que impossível que seu cliente deixasse a casa para a ainda esposa pois a mesma não pertencia ao seu cliente, pois ela, a casa, havia sido registrada em nome dos filhos, e que os pais apenas gozavam de uso fruto da mesma. Segundo, que seu cliente aceitaria a separação, mas com a condição de dividir a guarda das crianças. E por último e não menos importante, que a metade da posse da empresa, não haveria como ser dividida entre os dois em partes igualitárias, pois a mesma não pertencia ao seu cliente, pois a mesma estava registrada em nome de seu pai, e não no meu, que o advogado da outra parte deveria ter feito a lição de casa com mais cuidado, pois o nome que aparecia no registro era o nome de meu pais, a diferença existente, além dos números dos documentos, era que eu tinha o mesmo nome de meu pai, seguido de Junior, coisa que quase nunca era dita, então que assim sendo eu não poderia dividir com ela algo que não me pertencia, a única coisa que o cliente dele, no caso eu, faria sem problema, seria custear as despesas necessária das crianças até terem idade e trabalho para terem sua liberdade financeira. Afinal mesmo tendo o cargo de diretor da empresa era apenas o cargo e um salário de acordo com a posição que ocupa.
Ao ouvir isso a expressão de Claudio mudou na hora, ele encostou próximo ao seu advogado comentando ou perguntado algo, que pela distância não foi possível ouvir, mas tinha certeza que ele não estava naquele momento nada contente com o que tinha sido dito até ali.
Antes do juiz fazer qualquer menção de falar a porta nos fundos do grande auditório/sala se abriu, um homem com um terno preto e gravata usando um distintivo de polícia, pendurado em seu pescoço, pediu licença e desculpas pela interrupção, entrou seguido por outros três homens também cada um deles com um distintivo pendurado no pescoço, um deles fechou a porta e se posicionou a frente dela, os outros dois acompanharam o primeiro, que parando no final do corredor formado por cadeiras de ambos os lados das quais alunos estavam devidamente acomodados, mais uma vez pediu desculpas pela interrupção.
- Excelência sou o delegado Sergio Faria, e tenho aqui um mandado de prisão para o Sr. Claudio......as acusações são, manter uma casa de exploração sexual de mulheres, violência contra mulheres, extorsão, cárcere privado, chantagem, estupro de menor, entre outros crimes cometidos por ele.
O juiz olhou para o delegado com certa incredulidade, e o mandou se aproximar pedindo o mandado para verificar.
Eu só observava as feições de Claudio irem de arrogância para desespero, raiva, e medo ou seria pavor, não estava certo. Nesse meio tempo em que o juiz lia o mandado de prisão, cerca de dez mulheres que estavam presentes, sentadas, se levantaram, tiraram suas perucas, que usavam como disfarce, entre elas estava Helena que eu nem tinha reconhecido, mas havia combinado com ela, do momento em que deveriam se expor.
- Sr. Juiz, eu e minhas colegas fizemos a denúncia contra Claudio, e temos como provar, que ele nos explorou sexualmente, nos agredia, nos mantinha presas, caso não fizéssemos o que ele mandava, entre outras coisas que já dissemos ao delegado.
Claudio, se afundava cada vez mais em sua cadeira, sob o olhar sério do Juiz Dredd, antes do mesmo confirmar para o delegado Sergio Faria, que os policiais poderiam retira-lo do local. Ele até tentou argumentar, mas antes mesmo de qualquer coisa os policiais já o tinham retirado de sua cadeira o algemado e o conduziam até a delegacia, eu presumi.
Sobre a audiência, o juiz achou melhor, chamar os advogados até sua sala para uma conversa.
Antes de seu advogado sair, do auditório, vi Juliana falando próxima do ouvido dele, que fez uma cara de insatisfação, mas depois balançou a cabeça positivamente, saindo na sequencia acompanhado do meu em direção a sala do juiz.
Sai também da sala, e encontrei lá fora Helena com suas amigas, todas até alegres com a prisão de Claudio, ela veio ao meu encontro abraçando e me agradecendo, pela ajuda. Mas na verdade eu é que tinha que agradecer a ela. Quando me dei conta todas as garotas estavam a minha volta, sorrindo e agradecendo pelo que eu tinha feito. Nesse instante consegui ver meio se afastando Juliana, que saia da sala indo em direção a um bebedouro próximo, consegui me desvencilhar das meninas dizendo que depois conversávamos e a alcancei, segurando em seu braço a impedindo de continuar. Ela me olhou e a abracei, um abraço de proteção, de quem sente falta de estar com quem se ama. Ela aceitou me olhou abriu seus lábios para dizer algo, mas nada saiu, apenas colou seu corpo mais ao meu como se estivesse pedindo desculpas.
Alguns segundo depois me encarando, disse que tinha falado para seu advogado cancelar o pedido de divórcio, pois como agora estava livre e seu primo, indo preso, já não se sentia mais ameaçada, intimidada, nem temia pela minha saúde de nossos filhos nem de seus pais, por ele Claudio. Eu apenas concordei com um aceno de cabeça, mas naquele momento tudo o que eu mais queria era estar com ela junto ao meu corpo. Os detalhes ficariam para uma conversa franca mais tarde.
Todos ficamos pelo corredor por um tempo, então meu advogado apareceu e chegando até mim disse para entrarmos no auditório para terminar o que tínhamos começado. Juliana e seu advogado também entraram.
Todos em seus lugares, aguardando o juiz. Novamente ele entrou sentou em sua cadeira, olhando friamente para todos.
- Bem, conversei com os advogados de ambas as partes, e como o advogado da solicitante me pediu para cancelar o pedido de separação, gostaria de ter a confirmação de modo que fique registrado. – Ao que o advogado de Juliana, conformou. – Então nada mais tenho a dizer a não ser que esta audiência está suspensa, aja visto que alguns acontecimentos ocorridos também tornaram a decisão de uma das partes que continuar com esse processo seria desnecessário, pois a mesma estava sofrendo com chantagem e ameaça pôr terceiro, para solicitar o divórcio.
Me levantei e corri até Juliana e nos abraçamos, mas não houve ali troca de beijos, apenas o sentir do corpo um do outro, finalmente estava tudo terminado, pelo menos, no sentido de Juliana me pedir o divórcio, ainda tinham algumas coisas a serem resolvida, mas isso seria depois em casa.
Enquanto saiamos, Helena novamente se aproximou de mim e Juliana, a cumprimentou, e olhando fixamente em seus olhos, disse algo que me surpreendeu.
- Por um momento, eu apesar de fazer o trabalho de seduzir seu marido, por conta do que passei e as meninas também com o Claudio, tive a real visão do quanto seu homem te ama, e se fosse você, seria o mais verdadeira possível, e não esconderia nada dele, e quando digo nada, é nada mesmo. Ele merece saber tudo sobre você, mesmo que te machuque e a ele também, mas pelo menos depois ninguém vai usar essas coisas contra você. Errar todos erramos, passar por momentos difíceis também, mas esconder não ajuda em nada, temos que aprender com os erros. Agora preciso ir, tem umas garotas que vão prestar depoimento contra o Claudio ainda hoje, e elas assim como eu, tem muita coisa para contar.
- Vou me lembrar disso, pode deixar. - Juliana balbuciou.
- Antônio, quando precisar de algo, se é que você me entende, me chama, ok. – Helena me olhando piscou, e para um bom entendedor, isso era o bastante.
- Mais uma coisa Juliana, - Helena se aproximou do ouvido de Juliana, - Esse homem é muito gostoso, ele manda muito bem. Beijinhos. – Helena se foi com aquele sorriso sempre estampado em seu roto.
Juliana, me olhou com uma cara de interrogação, eu olhei para ela também e disse que depois conversávamos, aquilo me deixou constrangido.
Dali, fomos para casa dos meus pais, mas antes passamos na casa dos pais de Juliana pegamos as crianças e as levamos junto. No caminho liguei para meu pai, dizendo que tínhamos resolvido tudo e estávamos indo para a casa dele, junto com os pais de Juliana e as crianças, lá conversaríamos.
Chegando na casa de meus pais, minha mãe correu para nos abraçar, até algumas lagrimas escorreram de seus olhos, mas tenho certeza que eram de alegria. Até a chegada de meu pai e mesmo depois o assunto girou em torno do que tinha acontecido com Claudio, e o pior alguém teria que avisar seus pais sobre o corrido. A mãe de Juliana, acabou ficando com a difícil tarefa, afinal ela era irmã da mãe dele.
Deve ter sido difícil para a mãe dele ouvir o que ouviu, mas pude ouvir da mãe de Juliana, que aquilo não era surpresa para sua irmã, ele já vinha andando por caminhos tortuosos, fazia já um bom tempo, então não era uma surpresa total.
Continua.....
ESSE TEXTO SE TRATA DE UMA FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM NOMES, SITUAÇÕES OU LOCAIS É MERAMENTE COINCIDIDENCIA.
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