Conspiração 12.

Um conto erótico de Lukinha
Categoria: Heterossexual
Contém 7544 palavras
Data: 17/02/2026 13:39:28

No presente:

Eu não dormi naquela noite. Fechei os olhos algumas vezes, mas minha cabeça não desligava. Cada vez que eu quase apagava, surgia a mesma pergunta: eu estava defendendo a verdade … ou apenas sustentando uma versão conveniente?

Às nove da manhã, eu já estava sentado na sala do meu advogado. Precisava entender até onde a lei me ajudava. Ele me analisava por cima dos óculos, como sempre fazia quando sabia que eu estava prestes a falar uma besteira.

— Você está com cara de quem quer mexer em algo que já está estabilizado — ele disse, antes mesmo de eu abrir a boca.

Cruzei os braços.

— Eu quero saber se ainda dá tempo de mudar minha versão.

Ele não respondeu de imediato. Apenas recostou na cadeira.

— Mudar … como?

— Retirar a tese de legítima defesa. A que me ajuda, mas deixa meu nome sujo. Declarar que eu sou, assim como a pessoa que morreu, uma vítima de uma conspiração.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Ricardo … — ele falou devagar. — Você entende o tamanho do que está me dizendo?

— Entendo.

— Não — ele balançou a cabeça. — Você acha que entende.

Ele abriu uma pasta, folheando os documentos do meu processo.

— Hoje você responde em liberdade porque conseguimos sustentar que houve legítima defesa com excesso culposo. Você reagiu a uma ameaça real, perdeu o controle, ultrapassou o limite. É uma linha defensável. Frágil, mas defensável.

Ele fechou a pasta.

— Se você alterar sua narrativa agora, destrói a coerência da defesa. O Ministério Público vai alegar que você manipulou a investigação desde o início. Que construiu uma versão estratégica. Isso pode converter excesso em dolo. Você pode sair daqui hoje … e ser preso amanhã.

Aquilo eu já sabia.

— E se eu disser que tenho indícios de que havia gente maior por trás? Que pode ser vingança? Que alguém do meu passado está tentando me incriminar?

Os olhos dele mudaram.

— Agora estamos falando de outra coisa. Você tem provas? — Ele foi direto.

— Ainda não. Tenho uma investigação própria em andamento.

Ele respirou fundo.

— Então me escute com atenção. Se existe organização criminosa envolvida, mudar sua versão agora é suicídio jurídico. Você vira alvo de duas frentes: do Ministério Público … e de quem está nas sombras.

Ele suspirou, parecendo contrariado.

— E outra, você é o réu aqui, não o investigador. Isso pode até ser considerado obstrução de justiça.

Eu sustentei o olhar.

— Eu já sou o alvo.

Ele negou com a cabeça.

— Não. Hoje você é um homem que reagiu a uma ameaça. Se começa a insinuar uma engrenagem maior, deixa de ser um réu comum. — Ele fez uma pausa. — E gente organizada elimina o que não controla.

O ar ficou mais pesado.

— Você é ex-policial — ele continuou. — Sabe que, se houver uma organização por trás, a represália não vem só para você. Pode vir para sua esposa. Para seus pais.

Meu maxilar travou.

— Está me dizendo para ficar quieto?

— Estou dizendo para ser inteligente.

Ele pegou uma caneta e a girou entre os dedos.

— Se houver algo maior, precisamos transformar você de suspeito instável em colaborador estratégico. Mas isso exige timing. Prova. Canal correto.

Ele me encarou com firmeza.

— Você quer justiça ou quer absolvição?

A pergunta ficou no ar. Porque as duas coisas nem sempre caminham juntas. Eu quebrei o silêncio:

— Tem mais uma coisa.

O advogado não falou nada, apenas esperou.

— Acho que tem gente próxima a mim envolvida.

Os olhos dele ficaram atentos.

— Seja específico.

Respirei fundo.

— Bruno esteve no meu apartamento naquela tarde. Horas antes de tudo acontecer. Mariana estava em casa. Tinha saído cedo do trabalho. Estava nervosa. Ele ofereceu água para ela. Até aí, nada fora do comum. — Minha voz ficou mais baixa. — Depois que ele saiu, ela apagou.

— Apagou como?

— Não é modo de dizer. Ela apagou. Saiu do ar.

Fiquei alguns segundos olhando para as minhas próprias mãos antes de continuar.

— Mariana tem sono leve. Sempre teve. Se eu me levanto da cama à noite, ela percebe. Se a porta do apartamento abre, ela acorda. Se o elevador para no nosso andar, ela escuta.

O advogado não piscava.

— No dia do crime, pessoas entraram e saíram daquele apartamento. Houve luta. Houve movimentação. Houve barulho …

Engoli seco.

— ... e ela não acordou.

O silêncio ficou mais pesado.

— Você está sugerindo que ela foi dopada.

— Estou dizendo que o padrão não fecha.

Ele cruzou as mãos sobre a mesa.

— Ela fez exame toxicológico?

— Não.

— Você tem registro de Bruno entrando e saindo?

— O depoimento da Mariana o coloca lá. Você deve ter lido.

Ele folheou a pasta.

— Li. Ela diz que ele foi lá como sempre vai, que tem acesso liberado.

— Ela está grávida — eu disse, encarando-o. — Se ele a dopou, atentou não só contra ela.

Ele levantou os olhos para mim.

— Parabéns! Você deve ter descoberto mais coisas. Fala tudo.

Respirei fundo.

— Descobri que Bruno desviou dinheiro da agência. Muito. Depois pegou empréstimos com agiotas para cobrir o rombo. Está sendo pressionado.

Ele ficou alguns segundos em silêncio, organizando mentalmente as peças.

— Se isso for verdade, Ricardo, estamos falando de possível premeditação. — Meu maxilar travou. — Mas sem prova técnica de substância no organismo dela, isso ainda é hipótese — ele concluiu.

— Eu sei.

— E hipótese mal apresentada pode parecer desespero de réu.

Respirei devagar.

— Eu não estou desesperado.

Ele me encarou firme.

— Ainda não.

— Eu também descobri que existe manipulação nas imagens que me colocam na cena do crime, nos horários perfeitos.

A revelação ficou suspensa no meio da sala. Ele continuou:

— Isso é muito sério. Vamos devagar, uma coisa de cada vez. Falando sobre sua esposa: se ela foi dopada, precisamos agir rápido. Quanto mais tempo passar, menor a chance de detecção. Segundo: não confronte o Bruno. Terceiro: não deixe transparecer que você suspeita. Se ele estiver envolvido e perceber que você está ligando os pontos, a próxima jogada não vai ser jurídica.

Ele pensou um pouco e depois continuou:

— A estratégia de legítima defesa te garante liberdade. É pouco provável uma pena em regime fechado. Mas com tudo o que você está me dizendo, talvez devêssemos rever essa estratégia.

Eu apenas ouvia, sem interromper.

— Peça à sua esposa para fazer os exames. Vou ver se consigo, dadas as novas evidências, que ainda são só hipóteses e precisam ser obtidas de forma legal, colocar o seu processo em segredo de justiça. Assim teremos como proteger você e sua família.

O aviso estava dado. Eu precisava pensar com lógica, não com emoção. O orgulho poderia acabar me prejudicando. Talvez fosse melhor ser inteligente do que estar certo.

Saí do escritório do advogado com a sensação de que o mundo estava alguns graus fora do eixo. Dirigi até em casa no automático. Pensando demais. Ligando pontos. Tentando desmontar teorias antes que elas criassem forma na minha cabeça.

Quando entrei, o silêncio da casa me recebeu. Mariana ainda estava no trabalho. Meu pai e minha mãe deviam ter ido a algum lugar. A ausência dela era mais pesada do que o normal. Talvez porque agora eu não estivesse pensando só nela. Estava pensando nela e no bebê.

Deixei as chaves sobre a mesa e fiquei alguns segundos parado no meio da sala. “Se o Bruno tiver colocado alguma coisa naquela água …”. Eu interrompi o pensamento. Sem prova, sem conclusão. Peguei o celular e fiz a ligação.

— Simone, vou trabalhar de casa. Preciso me ocupar. Ainda não associaram a agência diretamente ao caso, mas a exposição agora é um risco.

Simone, uma das secretárias da agência, apenas assentiu do outro lado da linha.

— Mande-me tudo o que dê para fazer de casa, online … qualquer coisa.

Ela respondeu:

— Envio pelo motoboy ainda hoje, chefe.

Era aquilo de que eu precisava. Rotina. Algo que exigisse foco técnico, não emocional.

Duas horas depois, o material chegou: relatórios de diligências em andamento, transcrições de monitoramento, fotografias impressas de acompanhamento de rotina, planilhas de levantamento patrimonial, pedidos de consulta em bases públicas … casos comuns. Marido desconfiado. Empresa querendo confirmar fraude interna. Busca de paradeiro. Verificação de antecedentes. Nada ligado ao Bruno. Nada ligado ao meu processo. Mateus já estava cuidando da parte sensível. Eu precisava parecer — e ser — funcional.

Espalhei os papéis sobre a mesa e comecei pelo mais simples. Conferir datas. Cruzar horários. Validar imagens com registros de localização. Organizar cronologias. Trabalho técnico. Frio. Objetivo. Exatamente o que eu precisava.

Por alguns minutos, funcionou. Mas sempre que eu marcava um horário numa linha do tempo, minha mente fazia outra. A daquela noite. Entrada. Saída. Movimentação. E Mariana não acordou.

Quando o relógio marcou quase seis da tarde, ouvi a chave girando na porta. Meu coração acelerou antes mesmo de eu perceber. Ela entrou cansada, a mão repousando de forma quase automática sobre a barriga ainda discreta.

— Você está trabalhando … que bom — ela disse, surpresa.

— Estou.

Ela deixou a bolsa sobre a mesa.

— Como foi com o advogado?

Eu respirei fundo. Era hora de ser direto.

— A gente precisa conversar.

Ela percebeu pelo meu tom que não era algo simples. Sentou-se devagar no sofá, tirando os sapatos.

— Você está me deixando nervosa.

Eu me sentei à frente dela, apoiando os antebraços nos joelhos.

— Eu preciso que você faça alguns exames. Com urgência.

Ela franziu a testa.

— Eu já estou fazendo pré-natal, Ricardo. Fiz exame de sangue semana passada.

— Eu sei. Não é isso. Quero que você faça um painel laboratorial completo. Hemograma, função hepática, renal … e um exame toxicológico de triagem.

Ela ficou imóvel.

— Toxicológico?

Eu mantive a voz estável.

— De amplo espectro. Sangue e urina. Quanto antes, melhor.

Ela me encarou por alguns segundos.

— Você está achando que me drogaram.

Não era uma pergunta. Era uma constatação.

— Mariana, você tem sono leve. Sempre teve. Se eu me levanto da cama, você percebe. Se alguém mexe na porta, você desperta. Naquela noite houve movimentação. Barulho. Confronto. — Minha voz baixou. — E você não acordou.

Ela engoliu seco. Instintivamente, levou a mão até a barriga.

— Isso pode ter afetado o bebê?

Essa era a pergunta que eu estava evitando desde que saí do escritório do advogado.

— Eu não sei — fui honesto. — E é exatamente por isso que precisamos investigar.

Ela respirou mais fundo, tentando organizar o pensamento.

— Esses exames detectam qualquer coisa?

— Detectam muita coisa. O painel toxicológico padrão identifica as substâncias mais comuns: sedativos, benzodiazepínicos, opioides, estimulantes. Se houver algo fora do básico, o laboratório pode ampliar a análise. Mas isso depende de solicitação médica.

Ela absorveu aquilo em silêncio.

— E demora?

— Costuma sair em dois ou três dias. Se precisar de confirmação por método mais específico, pode levar mais. Às vezes, uma semana.

Ela ficou me olhando.

— Você já falou com algum médico?

— Ainda não. Meu advogado me deu essa orientação. Quero que você marque com seu obstetra. Ele pode solicitar o painel completo justificando como precaução na gestação. Quanto mais cedo colher, melhor.

Ela cruzou os braços.

— Você suspeita de alguém.

Eu medi cada palavra.

— Existe uma possibilidade que eu preciso descartar.

— Quem?

— Eu não posso falar isso agora.

Ela se levantou da poltrona.

— Ricardo, você está me pedindo um exame toxicológico estando grávida … e não quer me dizer por quê?

Eu me levantei também.

— Porque se eu estiver errado, eu destruo relações. E se eu estiver certo, eu preciso ter a prova antes de qualquer acusação.

O silêncio ficou pesado entre nós. Ela me analisava.

— Isso tem a ver com o Bruno, né?

Meu maxilar tensionou, mas minha resposta veio controlada.

— Tem a ver com “aquela noite”.

Ela percebeu que eu estava escolhendo cada palavra.

— Você quer sigilo, não quer?

— Absoluto.

— De quem?

— De todo mundo. Dos meus pais, amigos, pessoal do trabalho …

Ela hesitou.

— E dele também.

Eu sustentei o olhar que ela me deu.

— Principalmente dele — o nome não precisou ser repetido.

Ela respirou fundo.

— Se alguém fez alguma coisa comigo, essa pessoa pode perceber que estamos investigando.

— Exatamente.

Ela ficou em silêncio por longos segundos. O medo estava ali, mas não era pânico. Era processamento.

— E se não der nada?

— Ótimo. Eu vou dormir melhor.

— E se der?

Eu demorei meio segundo.

— Então a gente muda a forma de lidar com tudo isso.

Eu precisava que ela concordasse logo, então, apelei:

— Você confia em mim?

— Confio. Claro que confio.

— Estou tentando proteger você. E o nosso bebê.

Ela fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, havia decisão.

— Eu marco amanhã cedo. Falo com o obstetra e peço os exames.

Eu assenti.

— Quanto menos gente souber, melhor.

Ela concordou. E naquele momento eu percebi que o que estava em jogo não era só um processo criminal. Era a segurança da minha esposa e do meu filho.

Não tivemos tempo de dizer mais nada. A chave girou na porta. Meus pais tinham chegado. Minha mãe entrou primeiro, falando alto sobre o trânsito, sobre a fila do mercado, sobre uma receita nova que queria testar. Meu pai vinha logo atrás, carregando sacolas. Ela nos viu na sala e abriu um sorriso.

— Meu netinho … — ela disse, já pousando a mão na barriga de Mariana, como se o mundo estivesse perfeitamente no lugar.

Minha mãe é dessas pessoas positivas, que acreditam que tudo se resolve quando a gente não desiste. Eu ainda respondia judicialmente por um crime, mas o fato de estar em casa já era o suficiente para ela mudar a prioridade das coisas e passar a tratar a gravidez da Mariana como o tema mais importante do momento. Ela já se chamava de "vovó" em todas as frases. Vovó isso … Vovó aquilo ... Vovó vai comprar isso para o bebê. Vovó já escolheu até apelido.

Mariana sorriu. Um sorriso contido, mas sincero. Eu tentei acompanhar o clima. Minha mãe foi para a cozinha cantarolando enquanto começava o jantar. Um hábito antigo. Sempre que estava feliz, ela cantava.

A casa parecia normal. Normal demais. Jantamos todos juntos naquela noite. Conversa leve. Meu pai comentando notícias, minha mãe falando sobre o enxoval que queria montar antes mesmo do segundo trimestre … Mariana quase não tocou na comida, mas ninguém percebeu. Ou fingiu não perceber.

Depois do jantar, ela disse que estava cansada e foi para o quarto. Eu a acompanhei. Ela se deitou de lado, a mão repousando sobre a barriga.

— Vai dar tudo certo … — ela murmurou, já com a voz embargada pelo sono.

E, como se o corpo tivesse desligado um interruptor invisível, adormeceu em poucos minutos. Eu fiquei ali, sentado na beira da cama, observando a respiração dela. E sempre que eu ficava sozinho com meus pensamentos, as lembranças voltavam com força. Não como imagens soltas, mas como cenas completas. Detalhadas. Cruéis. E naquela noite, elas vieram outra vez.

{…}

7 anos atrás

Depois daquela noite — do sexo que nós dois queríamos e da conversa mais honesta que já tivemos — nada voltou exatamente ao lugar. Não voltamos a dividir o mesmo quarto na casa dos meus pais, mas encontramos alguma coisa perdida um no outro.

Não era reconciliação. Não era recomeço. Era algo diferente. Não era só desejo. Era necessidade. Era cansaço acumulado encontrando abrigo. Quando estávamos com vontade, transávamos. Um procurava o outro. Não era marcado, coordenado em agenda. Quando a vontade aparecia, nós nos permitíamos viver o momento.

A possibilidade de irmos juntos a uma festa liberal — o pedido dela para que eu conhecesse aquele mundo antes de julgá-lo com tanta certeza — realmente me fez parar e pensar com mais clareza. Não como marido traidor/traído. Mas como indivíduo.

Eu não disse não. Mas também não disse sim.

Minha mãe estava reaprendendo a andar. Reaprendendo a segurar um copo sem tremer. Reaprendendo a concluir frases sem se perder no meio. Aquilo era prioridade. E Mariana percebeu. Ela sempre percebia.

— A gente não precisa decidir nada agora — ela disse naquela madrugada, deitada no meu peito.

Eu me agarrei àquela frase como quem ganha tempo. Porque era exatamente o que eu queria, o que eu precisava. Tempo.

Os dias seguintes foram de rotina intensa. Fisioterapia pela manhã, exercícios de coordenação à tarde, consultas, medicamentos e ajustes na alimentação. Mariana virou o eixo da casa enquanto eu e meu pai precisávamos trabalhar para pagar as contas. Ela administrava horários, controlava remédios e organizava consultas melhor do que qualquer enfermeira poderia fazer.

Eu via o esforço dela. E talvez por isso eu evitasse tocar no assunto da festa. Evitar era mais fácil do que admitir que uma parte de mim estava curiosa, e outra parte estava com medo.

Duas semanas viraram um mês. Um mês virou dois. O tema simplesmente desapareceu das nossas conversas. Não por resolução, mas por omissão. Não sei se Mariana começou a ter esperanças de que tudo voltaria ao normal, que iríamos reatar o casamento de vez. Mas a verdade é que as visitas do Bruno diminuíram muito. E nas poucas vezes em que ele aparecia, Mariana se mantinha mais distante. Até se vestia de forma mais discreta quando ele estava por perto.

Ou talvez o afastamento dele não tivesse nada a ver com ela. Eu continuei fingindo que ele não existia, não dando espaço para qualquer aproximação. Talvez ele mesmo tivesse entendido o recado.

Minha mãe começou a evoluir melhor do que os médicos previram. A fala ficou mais clara, os passos, mais firmes. Já conseguia andar pequenos trechos sem apoio. Meu pai voltou a dormir melhor. A casa começou a respirar de novo.

E foi naquele momento que a realidade bateu. A licença não remunerada de três meses da Mariana estava terminando. Não havia mais justificativa formal para prorrogar. Minha mãe estava estável, assistida e em recuperação consistente.

— Eu preciso voltar — ela disse numa manhã, enquanto organizava os comprimidos do dia.

Eu sabia que aquele momento chegaria. Mas ouvir aquilo em voz alta fez algo se deslocar dentro de mim. Voltar significava sair dali. Significava menos proximidade. Menos noites dividindo o que quer que a gente estivesse cultivando naquele momento.

— Três meses, né? Acho que você precisa voltar para a sua vida — eu disse, mais resmungando do que afirmando.

Ela me olhou como se aquela constatação fosse injusta.

— Eu preciso mesmo. Minha poupança está zerada.

Não era sobre querer. Era sobre identidade. Mariana não era só cuidadora. Não era só esposa. Ela tinha carreira, projetos, vida própria. Eu concordei.

— Minha mãe já está melhor.

— Está — ela sorriu. — Melhor do que esperavam.

Havia orgulho na voz dela. Mas também havia algo mais: talvez a percepção de que aquele período intenso — e confuso — estava terminando. E quando algo intenso termina, as decisões adiadas voltam à superfície. Eu sabia. Ela sabia. Mas nenhum dos dois queria dar o braço a torcer, pedir para o outro ficar ou para voltar para casa juntos.

— Volto para o nosso apartamento amanhã. Acho que ele precisa de uma bela faxina — ela disse, sorrindo.

E foi naquele sorriso que eu percebi um sentimento de perda que nunca tinha sentido antes. Em breve, a vida que a gente tinha evitado decidir ia cobrar resposta.

No dia seguinte, quando ela voltou para o nosso apartamento, eu não voltei com ela. Não ainda.

Nos primeiros dias, a rotina dela se reorganizou rápido. Saía cedo, voltava do trabalho no fim da tarde. Passava na casa dos meus pais quase todos os dias. Ajudava minha mãe com os remédios da noite, conversava com meu pai, organizava alguma coisa na cozinha. Depois seguia para o nosso apartamento.

Eu sabia o caminho. Conhecia os horários. E eu tinha tempo: poucos casos novos, alguns relatórios atrasados. Nada que ocupasse minha mente o suficiente. Na segunda semana, eu fiz o que qualquer detetive faria: comecei a investigar. Primeiro de longe, sem abordagem ou confronto. Só padrão.

Mariana saía do trabalho às 17h40. Pegava o carro. Parava na casa dos meus pais às 18h10. Ficava cerca de quarenta minutos. Saía sozinha. Sempre sozinha. Depois seguia para o apartamento. Nenhum desvio. Nenhuma parada estranha, a não ser mercado, farmácia ou uma lanchonete vez ou outra. Sempre coisa rápida.

Naquela semana, eu a segui duas vezes. Na segunda, três. Na terceira, parei de contar. Como morávamos num andar não tão alto, e meu equipamento era de alta qualidade, não era difícil conseguir imagens através das janelas.

O resultado era sempre o mesmo: ela chegava em casa, cozinhava, tomava banho, mexia no celular, assistia televisão. Às vezes dormia no sofá. Nenhuma mensagem suspeita. Nenhum encontro. Nenhum Bruno, nenhuma Lívia, nenhuma festa. Nada. Absolutamente nada.

E, estranhamente, aquilo não me tranquilizava. Me desarmava. Continuei observando. Não como marido, mas como profissional — eu dizia aquilo para mim mesmo.

Na quarta semana, resolvi ser mais minucioso. Estacionei do outro lado da rua, duas casas antes do prédio. Carro alugado, vidros escuros, motor desligado. Distância segura. Ela entrou no apartamento às 19h07. Luzes acesas na sala. Movimento na cozinha. Silhueta passando pela janela. Às 19h38, a luz da sala apagou. Às 19h45, a do quarto também.

Silêncio. Eu esperei. Cinco minutos, dez, quinze. Nenhuma movimentação. Peguei o celular e ampliei a câmera. Nada. Talvez eu estivesse exagerando.

Talvez ... TOC, TOC.

Quase dei um pulo no banco, derramando o café sobre as calças. Alguém bateu no vidro do meu carro. Virei o rosto devagar. Mariana estava ali. Braços cruzados, sobrancelha arqueada.

Eu destravei a porta antes que alguém da vizinhança começasse a reparar na cena. Ela entrou no banco do passageiro sem pedir permissão.

— Boa noite, investigador — disse ela, fechando a porta com calma.

Eu respirei fundo.

— O que você está fazendo aqui fora?

Ela inclinou a cabeça.

— Eu poderia te perguntar a mesma coisa.

Silêncio. Ela olhou para o painel do carro, depois para mim.

— Terceira vez esta semana.

Eu não disse nada.

— Você acha mesmo que eu não ia perceber um carro parado sempre no mesmo lugar? Com o mesmo motorista fingindo que olha o celular? Sou casada com um investigador particular, sabia? Ele me ensinou uma coisa ou outra …

Eu passei a mão pelo rosto.

— Mariana …

Ela suspirou.

— Eu desliguei as luzes porque sabia que você estava esperando alguma coisa acontecer. — Ela quase sorriu. — E aí eu desci pela escada, e saí pelo estacionamento.

Eu a encarei.

— Você me enganou.

— Não — ela deu de ombros. — Só confirmei que você estava me investigando.

A vergonha fez meu rosto corar.

— Eu só estava …

— Trabalhando? — Ela segurava o riso. — Relaxa. Se fosse outro homem, eu estaria preocupada. Mas você é previsível demais quando está inseguro.

Eu fiquei em silêncio. Ela apoiou a mão na minha perna.

— Eu estou indo do trabalho para a casa dos seus pais, e depois para o nosso apartamento. Não tem mistério — ela me encarou, divertida. — Se você quer voltar para casa, Ricardo, volta. — Sem drama, sem acusação. Só a verdade. — Mas para de me seguir como se eu fosse um caso aberto.

Ela abriu a porta. Mas antes de sair, olhou para mim de novo, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou delicadamente. Apenas um selinho.

— Vou fazer lasanha amanhã. A sua preferida, quatro queijos.

Ela apenas saiu, me deixando sozinho no carro. Senti-me mais ridículo do que desconfiado. Ela ainda estava do lado de fora do carro quando eu saí e dei a volta. Ficamos encostados na lateral, a rua quase vazia, a luz amarelada do poste criando sombras longas no asfalto.

— Você me seguiu por quase um mês — ela disse, sem acusação na voz. Só constatação.

— Eu precisava ter certeza.

— Certeza de quê?

Eu não respondi. Ela respirou fundo.

— Na minha cabeça existe um acordo tácito entre a gente, sabia? — ela continuou.

Eu franzi a testa.

— Que acordo?

— Você não disse "não" para a festa. Para o meu convite.

— Mas também não disse, sim — retruquei.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Acho que você tem medo de descobrir que o mundo liberal não é o bicho de sete cabeças que você imagina.

Eu abri a boca para retrucar, mas ela foi mais rápida.

— Eu sei que você ainda se preocupa. Sei que você não desistiu completamente de mim, do nosso casamento. — O silêncio ficou mais denso. — O que a gente viveu nesses três meses na casa dos seus pais não foi casual. Não foi só carência. Você ainda me deseja, Ricardo. — Ela não falou aquilo como provocação; falou como verdade. — E você ainda é meu marido.

Minha mandíbula travou.

— Eu não vou jogar fora a nossa chance de reconciliação porque eu não consigo manter as pernas fechadas — ela disse, firme. — Você é mais importante para mim do que imagina.

Aquilo me atingiu num lugar desconfortável.

— E é exatamente por isso que eu quero que você conheça o mundo que eu escolhi. Não para me agradar, mas para entender. Eu acredito que você vai se surpreender.

Eu finalmente consegui falar:

— Você está me vendendo um paraíso perfeito. Um lugar de …

— Não existe lugar perfeito no mundo, Ricardo — ela interrompeu. — Existe lugar onde a gente se encaixa. Onde a gente se sente em casa. — Ela tocou o próprio peito. — É assim que eu me sinto.

Eu respirei fundo.

— E você acha que eu vou me sentir assim também?

Ela hesitou pela primeira vez.

— Eu acho que você vai entender que não tem a ver só com sexo.

— Mas tem a ver com sexo. É disso que se trata.

Ela sorriu, quase uma gargalhada.

— Tem, mas não totalmente — seu olhar ficou mais sério. — Tem a ver com escolha. Com autonomia. Com não viver escondendo partes de quem você é.

Eu fiquei em silêncio. Ela continuou:

— Você não disse que me traiu porque se sentiu desejado? Que aquela mulher te fez se sentir especial? Visto?

Eu desviei o olhar.

— Nesse mundo, você vai encontrar tudo isso. Mas sem mentira. Sem enganação. Sem esconderijo.

— E sem consequências? — perguntei.

— Sempre tem consequências — ela respondeu, tranquila. — A diferença é que lá elas são assumidas.

O vento passou entre nós.

— Eu não estou tentando te arrastar para nada. Eu só quero que você veja antes de condenar — ela deu alguns passos, abriu a porta do prédio e depois parou. — E para de me investigar como se eu fosse uma suspeita — deu-me um meio sorriso. — Eu não quero mais nada escondido entre nós. Dá trabalho demais.

Ela entrou. E eu fiquei ali, parado, com a sensação desconfortável de que talvez ela estivesse certa sobre mais coisas do que eu gostaria de admitir.

Na noite seguinte, eu apareci. Ela abriu a porta com o cabelo preso de qualquer jeito e o cheiro de queijo gratinado espalhado pelo apartamento. Ela sorriu, nem um pouco surpresa, como se já soubesse que eu viria.

— Achei que você fosse fingir que não ouviu o convite …

— Eu não fujo de comida — respondi, tentando parecer casual.

Ela sorriu e pegou no meu braço, levando-me para a mesa. Jantamos primeiro. Falamos do trabalho dela, da evolução da minha mãe, de banalidades necessárias. Mas o assunto estava ali, sentado à mesa com a gente. Quando terminei de comer, larguei o garfo.

— Me explica exatamente o que você quer de mim.

Ela não fingiu não entender.

— Eu quero meu marido de volta em casa — a resposta veio simples, sem rodeios.

Aquilo me desmontou mais do que qualquer provocação teria feito.

— Mas … — ela continuou — eu também quero que você esteja disposto a entender a pessoa que eu descobri que sou.

Silêncio.

— Que pessoa é essa? — perguntei.

Ela pensou antes de responder.

— Uma mulher que não quer viver com medo do próprio desejo. Que não quer fingir que curiosidade é pecado. Que não quer dividir a vida em compartimentos secretos.

Eu apoiei os cotovelos na mesa.

— E isso exige uma festa liberal?

— Não — ela foi firme. — Mas foi lá que eu entendi coisas sobre mim.

— Tipo?

— Que eu não sou menos esposa por sentir desejo por outras pessoas. Que eu consigo separar sexo de vínculo. Que eu não quero te enganar para viver isso.

Eu senti a tensão subir.

— Você acha mesmo que é simples assim? Que é fácil separar?

— Para mim, é.

— E se você se envolver?

Ela sustentou meu olhar.

— Envolver como?

— Gostar de alguém.

Ela respirou fundo.

— Eu gosto de pessoas o tempo todo. Colegas de trabalho, amigos. Você também gosta. Isso não significa que eu vá abandonar meu casamento.

— Não é a mesma coisa.

— Não, não é. Mas também não é o apocalipse que você imagina.

Eu me levantei e fui até a janela.

— Você está me pedindo para aceitar que minha esposa vá para um lugar onde outros homens vão desejá-la.

Ela não hesitou.

— Eles já desejam.

Aquilo me fez virar na hora.

— A diferença é que lá ninguém finge que não está acontecendo — ela completou. Levantando-se também. — Eu não quero um passe livre. Não quero viver isso sozinha. Eu quero que você vá comigo. Que veja. Que entenda antes de decidir que é errado.

— E se eu não gostar?

— Então a gente conversa e vê o que faz depois.

— E se eu gostar?

Ela sorriu de leve.

— Então você vai entender que não é um paraíso perfeito. É só um ambiente onde as regras são claras. E que valem para os dois.

Eu passei a mão pelo cabelo.

— Você está me dizendo que não tem a ver só com sexo e que eu também posso transar com quem quiser?

— Não tem — ela se aproximou. — Tem a ver com escolha. Com autonomia. Com não viver escondendo partes de quem eu sou — ela tocou meu peito. — E sim, você pode viver o mesmo, por quem se sentir atraído e a pessoa quiser o mesmo.

Ela acariciou meu rosto.

— Eu não quero perder você. Mas também não quero perder a mim mesma.

Aquilo ficou entre nós como uma linha traçada no chão. Eu a olhei por alguns segundos.

— Você quer o marido de volta, mas não o mesmo marido …

— Eu quero você inteiro. Não um homem ressentido vivendo de controle.

A palavra “controle” pesou.

— Eu não estou tentando te empurrar para nada — ela suavizou o tom. — Eu só quero que você veja antes de decidir que é impossível.

Eu fiquei em silêncio. Ela também. O apartamento estava quieto demais.

— Você ainda me ama mesmo? — perguntei.

Ela não piscou.

— Amo.

— Mesmo querendo isso?

— Justamente por amar, eu estou sendo honesta.

Aquilo não era sedução. Era convicção. E era o que mais me desarmava. Eu puxei a cadeira e me sentei novamente.

— Ainda existe muita coisa obscura para mim nas suas atitudes. Eu não sei se …

— Então pergunta — ela me interrompeu, firme. — O que você quer saber? Qualquer coisa. Qualquer dúvida. Agora é a hora de a gente colocar tudo em pratos limpos.

Ela abriu as mãos sobre a mesa. Eu me ajeitei na cadeira e respirei fundo.

— Nossa primeira viagem juntos para a praia. Lembra?

Ela assentiu, cautelosa.

— O que aconteceu naquela noite em que eu apaguei e você entrou no quarto de madrugada?

O rosto dela mudou.

— Ricardo …

— Quanto tempo você ficou com o Bruno e a Lívia na sala? — continuei. — Aconteceu alguma coisa entre vocês?

Ela piscou, incrédula.

— Quando a Lívia me deu aquele remédio … eu não sei … — minha voz ficou mais tensa do que eu gostaria. — Às vezes eu penso que ela me dopou. Que era para me tirar da jogada, para não atrapalhar o que quer que estivesse acontecendo entre vocês.

Mariana se levantou tão rápido que a cadeira raspou no chão.

— Ricardo … você só pode estar …

— Não, Mariana! — cortei. — Eu estou falando sério.

O silêncio ficou pesado.

— Antes era só uma suspeita. Uma coisa incômoda que eu empurrava para o fundo da cabeça. Mas depois que você confessou que tinha um passado com o Bruno … que você era um plano “B” dele … — passei a mão pelo rosto. — Isso não sai mais da minha cabeça.

Ela me olhava como se eu tivesse acabado de acusá-la de um crime.

— Você está me dizendo que acha que eu participei de alguma armação para te dopar? — A voz dela saiu baixa, controlada demais.

— Eu estou dizendo que não entendo tudo o que aconteceu naquela vez.

— Acho que você bebeu demais naquela noite … teve insolação … algo assim. Foi há tanto tempo …

— Eu nunca apaguei daquele jeito. E acordei sem você na cama, entrando de fininho no quarto …

Ela respirou fundo.

— Eu saí porque você estava roncando e eu não conseguia dormir.

— E ficou quanto tempo lá fora?

— Uns vinte minutos.

— Só isso?

— Só isso.

Eu sustentei o olhar.

— Nada aconteceu?

Ela deu um passo para trás, ofendida.

— Você realmente acha que eu transaria com outro homem enquanto você estivesse apagado no quarto ao lado?

Eu não respondi. E aquilo foi resposta suficiente. Ela riu, um riso sem humor.

— Meu Deus, Ricardo … Você transformou aquela noite numa teoria de conspiração.

— Você não me contou que tinha sido plano “B” do Bruno …

— Porque, naquela época, eu tinha vergonha! — disparou. — Porque eu não queria que você me visse como a mulher que aceitava migalha emocional.

A tensão cresceu.

— Eu nunca encostei no Bruno naquela viagem. Nunca encostei na Lívia. Nunca fiz nada às escondidas — ela apontou para mim. — Se eu quisesse trair você, eu teria feito antes. Muito antes.

Aquilo ficou no ar.

— Eu não te doparia e nem permitiria que ninguém te dopasse. Eu não preciso te tirar da jogada para viver nada — ela respirava mais rápido agora. — O que eu quero é que você esteja consciente. Presente. Escolhendo. Naquela época, eu ainda não conhecia nada do que vivo hoje.

Silêncio. Eu estava tenso por fora. Mas por dentro a dúvida não era sobre o que ela fez, era sobre o que eu temia que ela fosse capaz de fazer.

— Você acha que eu sou capaz disso? — perguntou.

Eu demorei para responder.

— Eu não sei mais do que você é capaz.

Aquilo a atingiu. Ela ficou imóvel por alguns segundos.

— Talvez o problema não seja o mundo liberal, Ricardo — a voz dela saiu mais baixa. — Talvez o problema seja que você não confia em mim.

Eu respirei fundo.

— Esse é o problema, Mariana. Eu acho que não confio mesmo — a frase saiu mais pesada do que eu imaginava.

Ela ficou me encarando, incrédula. Depois começou a andar de um lado para o outro na cozinha, passando a mão pelo próprio braço, como se estivesse tentando se conter.

— Você está ouvindo o que está dizendo? — ela perguntou, sem me encarar.

— Estou.

— Depois de tudo?

— Justamente por causa de tudo.

Ela parou. Eu continuei:

— E na chácara? Quando a gente brigou de vez, lembra? Eu peguei o Bruno e a Lívia no pomar. — Ela fechou os olhos por um instante. — As coisas que eles disseram … — minha voz endureceu — as coisas que você mesma confirmou depois.

Ela abriu os olhos devagar.

— Eu só fui honesta, Ricardo.

— Honesta? — minha voz subiu um tom, a corda finalmente arrebentando. — Você foi honesta sobre ter ido para a cama com eles, Mariana. Mas você nunca foi honesta sobre o nível de sujeira que vocês falavam de mim pelas costas.

Ela franziu a testa, a indignação surgindo no olhar.

— Sujeira? Ricardo, do que você está falando? Eu errei, eu me envolvi com eles, mas eu nunca te desrespeitei em palavras!

— Ah, não? — levantei-me, a raiva transbordando. — Eu ouvi, Mariana! No pomar da chácara. Eu estava lá, escondido, ouvindo o Bruno e a Lívia. Eu ouvi o Bruno te chamando de "minha putinha". Ele disse para a Lívia que você adorava uma safadeza, que foderia com dois, três ou quatro se deixassem. E o pior ... a Lívia disse que você tinha prometido que logo eu ia me juntar ao grupo. Que eu era um "tapado" e um "soca fofo" que não dava conta de você, e por isso ele estava fazendo o trabalho que eu não sabia fazer.

Fui além:

— E quando eu te levei para o quarto, quando tirei sua roupa para te dar banho, eu vi, Mariana … as marcas na sua coxa, uma mão marcada, ainda vermelha na sua bunda …

O rosto da Mariana perdeu a cor, mas não de culpa. Foi uma palidez de choque que rapidamente se transformou em uma fúria que eu nunca tinha visto. Ela se levantou tão rápido que a mesa chegou a balançar.

— Ele disse … Você viu … o quê? — a voz dela saiu tremida, furiosa.

— Ele riu de mim, Mariana. Disse que precisava pegar na minha mão para me ensinar a te foder. Que você era "puta no sentido literal". Eu ouvi isso da boca dele.

Mariana soltou um grito de frustração e bateu com as duas mãos na mesa, um estalo seco que ecoou pelo apartamento.

— Aquele canalha! Aquele filho da puta sádico! — Ela começou a andar com força, passando a mão no cabelo. — Ricardo, olha para mim! Eu me deitei com eles? Sim. Eu vivi coisas com a Lívia e com ele? Vivi! Mas eu nunca, em momento nenhum da minha vida, abri a minha boca para falar mal de você ou da nossa intimidade!

Ela parou na minha frente, os olhos brilhando de ódio.

— Eu nunca disse que você era … como é? "Soca fofo". Eu nunca prometi que você ia entrar em nada! — Ela estava realmente surpresa e com raiva. — Desgraçado! Ele estava me doutrinando, Ricardo! Estava cavando um buraco entre nós, enquanto me usava! — Ela deu um passo para cima de mim, apontando o dedo no meu peito. — Você não percebe? Ele sabia que você estava lá! O Bruno é um manipulador nato. Ele não estava tendo uma conversa íntima com a Lívia; ele estava encenando uma peça de teatro para o único espectador que importava: você.

— Mariana, as palavras foram muito específicas ...

— Porque ele queria nos destruir, Ricardo! — ela gritou, e as lágrimas de indignação finalmente caíram. — Ele transformou o que eu fiz por raiva e vingança, que já era algo sujo, em uma situação para te humilhar. — Ela respirava rápido, possessa. — Ele te convenceu de que eu não te respeitava para que você parasse de me ver como sua mulher e passasse a me ver como um objeto dele! Ele me usou, Ricardo. Ele nos jogou um contra o outro e você acreditou na versão dele!

Ela se encostou na parede, o peito subindo e descendo com dificuldade.

— Eu posso ter sido traidora, eu posso ter sido vingativa, mas eu nunca fui essa pessoa que você ouviu no pomar. Esse "acordo" para te convencer? Nunca existiu da minha parte. O Bruno estava jogando o jogo dele, e eu, na minha imensa burrice de querer te ferir, acabei entregando a munição que ele precisava para te aniquilar.

O rosto da Mariana estava transfigurado. Ela estendeu a mão na minha direção, a palma aberta, num gesto mudo para eu me calar.

— Fica quieto. Não diz um “piu”. Eu tenho uma ideia — ela sussurrou, a voz fria como gelo.

Ela pegou o celular sobre a mesa, buscou o contato e colocou no viva-voz. Chamou duas vezes.

— Oi, Mari! — A voz da Lívia veio clara e animada.

— Oi, Lívia! Amiga, desculpa ligar assim ... Eu estava aqui sem sono e comecei a rever umas fotos daquela nossa viagem para a praia, onde a gente se conheceu. Lembra?

— Ai, é verdade! — Lívia riu. — Foi uma semana bem legal. Naquela época a gente era bem diferente, né? Você ainda toda medrosa, nem fazia ideia de que ia se transformar nessa mulher mais ... livre.

Mariana me deu um sorriso irônico, um sorriso que não chegava aos olhos.

— Pois é, eu era muito bobona. Lembrei daquela noite na sala ... a sua calcinha girando no ventilador e eu lá, no canto, com cara de susto. Se fosse hoje, Lívia, eu não teria ficado só olhando. Teria me juntado a você e ao Bruno sem pensar duas vezes.

— Mas agora você sabe aproveitar a vida, né, amiga? — Lívia respondeu, relaxando na conversa. — Sabe que certas coisas não precisam de rótulos. E o Ricardo? Já fez as pazes com ele?

Mariana soltou um suspiro de tédio, perfeitamente encenado.

— O Ricardo está um porre, Lívia. Insuportável. Ele cismou com aquela tarde na chácara, sabe? A tarde que a gente saiu sem dar satisfação. Ele colocou na cabeça que a gente fez uma "festinha" particular quando saímos naquela tarde. Que minha bunda e minhas coxas estavam com marcas …

Lívia soltou um suspiro de deboche do outro lado.

— Ai, Mari, o Ricardo é tão previsível. Ele precisa dessas fantasias dramáticas para justificar o fracasso dele como marido. Que "festinha"? A gente só queria te tirar de perto daquela energia pesada dele. Sei que acabamos ficando tempo demais, é isso não foi certo com você, pois prometemos que seria rápido…

— Tem isso também, amiga. Outra coisa que ele fica jogando na minha cara. — Mariana já está a com a fisionomia menos tensa.

— Naquele dia, a gente nem encostou em você, mulher! só fomos dar uma volta e rir do quanto ele é paranoico. — Lívia se divertia. — Bom, a marca na bunda é verdadeira. Lembra daquele tapão que eu te dei? Culpa sua, que puxou meu cabelo, bêbada.

Mariana manteve a voz baixa, instigando o veneno da Lívia.

— Pois é, mas na cabeça dele … diz que o Bruno falou isso, falou aquilo ... Ele está criando uma novela inteira na própria cabeça.

— O Bruno adora isso! — Lívia deu uma gargalhada genuína, cheia de escárnio. — Você conhece o Bruno, Mari. Ele sabe exatamente como cutucar o Ricardo. Se o seu marido "ouviu" alguma coisa, foi porque o Bruno quis que ele ouvisse. Mas ele também falou poucas e boas para a gente depois que te colocou para dormir naquele dia. O Bruno adora ver o Ricardo espumando de raiva, é o esporte preferido dele. O Bruno não tem plano nenhum, ele só gosta de provar que consegue desestabilizar o seu marido com meia dúzia de palavras. Se o Ricardo quer acreditar que houve uma grande putaria naquele dia, azar o dele. O problema é do ego ferido dele. A gente só saiu para conversar e ele caiu feito um patinho na provocação do Bruno.

Mariana olhou fixamente para mim. O choque no meu rosto deve ter sido evidente.

— É ... você tem razão. O Bruno sabe ser cruel quando quer. Vou desligar agora, amiga. Me levanto cedo amanhã. Boa noite! Beijo.

— Beijo, Mari! Bom descanso.

Mariana desligou o celular e o jogou sobre a mesa. O silêncio que se seguiu no apartamento era tão pesado que parecia físico.

— Ouviu? — Ela perguntou, a voz agora cortante como uma lâmina. — Ouviu a sua "prova"? Naquela tarde, o Bruno estava encenando para você, Ricardo. Ele me usou, me enganou. Ah! Como eu sou idiota … — Mariana não conseguia segurar as lágrimas novamente. — Ele já tinha a gente na palma da mão. Ele sabia exatamente quais botões apertar para você sentir nojo de mim e se sentir um lixo como homem. E você, o grande investigador imbatível ... foi o melhor público que ele já teve.

Eu tentei falar, mas a voz travou. O que se diz a uma mulher que você passou meses odiando por uma frase que ela nunca disse?

— Mariana ... — comecei, mas ela me cortou com um gesto.

— Não diz nada, Ricardo. Ainda não. — Ela se sentou devagar, as mãos trêmulas apoiadas nos joelhos. — Eu passei esse tempo todo achando que tinha tomado as rédeas da minha vida. Achei que, ao me envolver com eles, eu estava dando o troco na sua traição. Que eu estava sendo "livre".

Ela levantou os olhos para mim, e havia uma lucidez dolorosa neles.

— Eu fiquei destruída com o que você fez com aquela mulher, Ricardo. Aquilo quebrou algo em mim que eu não sabia como consertar. E o Bruno ... ele apareceu com o conserto pronto. Ele me validou, me instigou, me fez acreditar que essa "liberdade" era a única resposta para a minha dor.

Ela soltou uma risada amarga, olhando para o celular sobre a mesa.

— E só agora, ouvindo a Lívia falar com esse desprezo, é que eu percebi. Eu não fui livre em momento nenhum. Eu só troquei de dono. Eu virei uma marionete nas mãos do Bruno de novo, exatamente como eu era no passado, antes de você aparecer. Ele usou a minha mágoa contra você, e usou o seu orgulho contra mim.

Eu me aproximei e, pela primeira vez desde que tudo explodiu, não havia a barreira do nojo entre nós.

— Ele destruiu o que restava da nossa confiança para poder reinar sobre os destroços — eu disse, a voz baixa. — Ele sabia que, enquanto a gente estivesse ocupado se odiando, você estaria cada vez mais perto dele e longe de mim.

Mariana se levantou e parou na minha frente. O rosto ainda estava marcado pelas lágrimas, mas o olhar era de aço.

— Ele acha que nos conhece perfeitamente. Ele acha que você ainda é o marido cego pela paranoia e que eu sou a esposa ferida e manipulável que ele pode usar como quiser.

Ela segurou minha mão. O toque era frio, mas firme.

— Ele quer nos destruir? Então vamos deixar que ele pense que conseguiu.

— O quê? — perguntei.

— Volta pra casa. Mas não vamos contar para ninguém que essa conversa aconteceu. Deixe o Bruno e a Lívia pensarem que a gente voltou por conveniência, por cansaço, ou porque você apenas "aceitou" o inevitável.

Eu entendi na hora. A melhor forma de desarmar um manipulador é deixá-lo acreditar que ele ainda tem o controle.

— Uma frente unida — eu murmurei.

— Uma frente unida — ela confirmou. — Pela nossa história, Ricardo. E para devolver com juros o que eles nos fizeram.

Olhei para Mariana e vi, novamente, a mulher que eu amava emergindo debaixo de camadas de ressentimento. O jogo do Bruno era de dividir para conquistar. O nosso, a partir daquele momento, seria o de fingir a derrota para entender onde ele pretendia chegar.

Continua …

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Comentários

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A grande verdade é que o lukinha nesse capítulo tentou mostrar a Mariana boazinha mas tão boazinha que causou muito mais dúvidas e isso foi proposital kkkkk.

Na realidade temos o seguinte.

Bruno. um grande canalha que tem inveja do amigo Ricardo de quem ele depende para o seu negócio funcionar de verdade pois ele mesmo só quer aproveitar a vida.

Mariana. Dentro de tudo que conhecemos impossivel confiar, pois definitivamente não respeita e não é cúmplice do marido além de ser completamente submissa ao maior inimigo do marido e ela sabe disso. agora com o marido se porta de forma desafiadora, manipuladora e mentirosa ou seja ela é desonesta com o Ricardo.

Ricardo. Esse é duas caras, pois como pode um investigador da qualidade dele, sério, analítico, meticuloso, observador, frio e calculista ser em relação ao relacionamento com a esposa o banana que ele mostra ser, submisso, dependente, ser na realidade um passageiro de sua propria existência como marido, essa conta não fecha ainda. Penso que somente com o tempo o Lukinha vai nos mostrar a realidade mesmo que em doses homeopáticas como o Mark vem fazendo.

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Ricardo é conivente com tudo que aconteceu com ele, falo isso desde sempre, mas acham que eu defendo ele por apontar as falhas nos argumentos da Mariana, se falar que o cara é conivente com a própria ruína e desgraça é passar pano, já não entendo mais nada, mas faz parte, Lukinha já publicou outro, vou lá .

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Cada personagem foi construído para parecer o que é mesmo. Então o que você fala não é avulso. Ricardo é sim, facilitador de sua própria situação.

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Mas a Mariana não poderia se considerar liberal, pois não estava liberada (dentro desse raciocínio), era traição mesmo, os outros que comiam ela que poderiam ser liberais,por exemplo o Bruno e os demais das festas...então ela é uma traidora costumaz, nem adianta falar que era só um troco desproporcional... Também continuou a ser amiga do Bruno a ponto de contar que estava grávida a ele primeiro do que ao amigo, depois toda "revelação" que tivera da Larissa...esperaram até onde o Bruno iria para destruir o "amigo"...ou ela faz parte da conspiração ou tem algo de errado na ficção... para glamorizar o status do mundo liberal.

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Concordo muito com sua colocação. Pra ser liberal vc precisa de diálogo e aceitação da outra parte. Até o momento relatado do passado, ela não foi liberal, foi promíscua, vingativa, ressentida... se ele a traiu com uma, ela foi muito além, o traiu com outras pessoas. Acredito que ser liberal não se trata de revanchismo ou vingança.

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Gente li aqui em mais de um comentário, que enquanto a Mariana estava na casa doa sogros, ajudando na reabilitação da sogra, ele ia à festas liberais, enquanto o Ricardo se masturbava. Não lembro disso. Alguém pode me ajudar a procurar nos textos essa parte?

O que me lembro foi ela dizer que não estragaria a possibilidade de reconciliação pq não conseguia manter as pernas fechadas.

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Ela fala que ia, mas não data qdo ia, somente que que começou a ir depois de casada

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-Lá, na primeira vez que eles me levaram, ninguém me conhecia como "a esposa do detetive" ou a nora exemplar que cuidava da sogra doente. Eu era apenas uma mulher.

Fala da Mariana tentando convencer o Ricardo a ir a uma festa Liberal, ela fala da primeira vez, então houveram outras, ela fala em não ser a nora que cuida da sogra, no texto não mostra ela cuidando da sogra anteriormente, a não ser quando a sogra teve o AVE, e o Lukinha descreveu a situação dele até mais de uma vez durante a estadia na casa dos pais, inclusive ele justifica ter procurado sexualmente a Mariana, por estar em abstinência sexual, coisa que textualmente ela não estava, tá no texto, não é opinião.

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Acredito que está falando dela é ATEMPORAL, por dizer que ninguém a conhecia, e citou exemplo do famoso marido detetive, e da sogra que todo mundo conhecia por ter sofrido um AVC!

Mostra que ela foi, e juntando todos os contextos, pode-se afirmar, que faz tempo que ela ia, pois afirmou que estava ficando difícil esconder do Ricardo, se ela não estava mais junto dele qdo a mãe do Ricardo sofreu o AVC, ela não precisava esconder, inclusive no texto mostra que ela não arredou o pé de perto da mãe do Ricardo, que ela não saiu em nenhum momento, então percebe-se que tudo isso ocorreu antes da doença da mãe do Ricardo!

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Fazia tempo que ela estava com o Bruno e a Lívia, não quer dizer que sempre foi a festas liberais, além disso seu argumento que todos conheciam a sogra doente em uma festa Liberal???? acho pouco provável, isso é uma denominação extremamente particular,pessoal, ela quis dizer que deixou o papel de pessoa altruísta que cuida dos outros para se dedicar ao próprio prazer,ser mulher,fato que eu acho extremamente saudável, só acho equivocado o método escondido e a época da vida para essas descobertas, uma possível reconciliação, nitidamente ela diz na "primeira vez" que foi a uma festa Liberal e não a primeira vez que traiu, a primeira vez que traiu foi com o Bruno, inúmeras vezes, chegando a virar um caos, mas com a "reaproximação" da Lívia é que as coisas ficaram equilibradas e a Mariana diz que com Lívia que aprendeu a ser uma nova mulher, apesar de já ter vivido experiencias diferentes com o Bruno no "passado", mas foi com Lívia que ela se encontrou, inclusive sua possível bissexualidade, essa é a linha de acontecimentos relatada pela Mariana, tudo palavras literais dela, por isso que eu não consigo interpretar atemporal quando ela cita especificamente a primeira vez que me levaram a uma festa Liberal, se fosse atemporal, falaria , quando me levaram a uma festa Liberal eu me senti...desse jeito eu poderia interpretar atemporal, mas quando há especificidade de tempo na declaração, primeira vez, não denota ser atemporal, e essa primeira vez, ela era cuidadora da sogra, então ela coloca-se nessa situação na atualidade desse capítulo, são os nuances da língua portuguesa que me fazem ter essa interpretação, posso estar enganado, como eu já disse tudo neste conto é ambíguo. Rsrsrsrs

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A festa no sítio da família do Bruno estava do jeito que sempre ficava: barulho, risadas altas, música velha misturada com conversa atravessada. As duas famílias juntas, amigos espalhados pelo quintal, crianças correndo, adultos bebendo como se o tempo tivesse parado.

Eu não consegui aproveitar. Tinha uma tocaia marcada naquela noite. Um caso apertado, prazo estourando, daqueles que não permitem o adiamento. Mariana sabia. Bruno sabia. Todo mundo sabia.

Por volta das nove da noite, me despedi. Beijos rápidos, abraços, promessas de voltar cedo. Promessas que eu já sabia que não cumpriria uma vez mais.

A vigilância foi longa. Silenciosa. Daquelas em que o corpo está presente, mas a cabeça vagueia. Fiquei horas dentro do carro, observando uma rotina alheia, esperando o momento certo que nunca parecia chegar. O frio da madrugada entrando pelas frestas, o café esfriando no copo térmico, a sensação conhecida de estar sempre fora do lugar onde deveria estar.

Quando voltei ao sítio, já passava das quatro da manhã. A casa estava silenciosa. Entrei no quarto que dividia com Mariana sem acender a luz e congelei. Ela não estava sozinha. Mariana dormia no meio da cama. De um lado, Bruno. Do outro, Lívia.

Bruno usava apenas um short. Sem camisa. Lívia estava de calcinha e sutiã. Mariana, de baby doll, curto demais para algo que eu chamaria de casual.

Nenhum deles se mexeu. Por alguns segundos, fiquei ali, parado, tentando convencer a mim mesmo de que estava exagerando. Que era só bebedeira, cansaço. Gente que perdeu a noção da hora e do espaço.

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Primeira noite no sítio, não rolou nada? 🤔

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Bom dia Hugo, Lembrando que no dia seguinte a esse trecho do texto, ele viu marcas na bunda e coxas da Mariana, antes do Bruno e Lívia entrarem no banheiro por "engano", marcas que não foram explicadas naquele momento, além de marcas recentes que ele percebeu mais tarde nesse mesmo dia, depois do sumiço de horas do "Trio Gosto Muito Mas Não Faço" para ver o jogo do Mengão. Rsrsrsrs. Na conversa para abrir o jogo, "honestidade", as marcas foram explicadas, a Lívia deu um tapa tão bem dado que marcou por cima da roupa, a bunda e as coxas também, com um único tapa de brincadeira, só que tão bem dado, que deixou marcas até no dia anterior, enquanto dormiam semi nus e inebriados pelo álcool, quando se é "crédulo" um tapa pode ter esse poder rsrsrsrs. mas infelizmente nessas condições eu sou "ímpio" na fé de fidelidade conjugal rsrs

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Neste trecho já há marcas no corpo dela, ele relatou, no outro dia apareceram mais marcas!

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É só um tapa de uma mulher por cima da roupa para explicar tudo, é complicado, os defensores defendem, mas é difícil brigar com o texto. Kkkkkkkkkkkkkk por que isso não é opinião, tá literalmente no texto...

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— Mari… me responde uma coisa.

— O quê?

Ele hesitou só um segundo.

— Não tem… nenhuma chance de esse filho ser meu, né?

Eu demorei a entender o que ele queria dizer. Quando entendi, senti um leve incômodo.

— Bruno, pelo amor de Deus. Não! Claro que não.

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

— Ricardo é o único homem com quem eu não uso proteção. Sempre foi.

Ele sustentou meu olhar por alguns segundos, como se estivesse fazendo uma conta mental. Depois assentiu.

— Tá. Tá bom. Eu precisava perguntar.

Eu balancei a cabeça.

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É o Ricardo vai ter muito trabalho pela frente, ainda bem que ele ja tem experiência com investigação.

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O autor se diverte... O debate está excelente.

É esse tipo de interação que me anima a caprichar ainda mais. Se vai agradar a todos... Aí já não é comigo.

Estou na ativa aqui, tentando finalizar mais um capitulo para amanhã. (Não é promessa.)

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Lukinha, sabemos que não é fácil escrever cada capítulo, mas tenha compaixão com seus leitores e lance mais um capítulo hoje. Tá complicado esperar...hahahahahaha

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Estou cada vez mais gostando do casal quando eles resolvem ser honestos um com o outro.

Para mim até aqui eles tiveram duas conversas honestas. Talvez nos próximos capítulos eu quebre a cara, mas ou foram honestos, ou os dois são ótimos atores, dignos de oscar. Essa ligação se foi combinada, provavelmente Mariana tem o poder de ler a mente do Ricardo, e Lívia de ler a mente da Mariana.

Porém é uma história de um autor que muitas vezes fez eu mudar meu modo de pensar durante suas histórias. Então isso pode acontecer. Rsrs

Estou muito curiosa para saber o que aconteceu até chegar no presente, são tantas opções que fica difícil teorizar, até porque até o momento pelo que eu entendi, todo mundo errou, mas parece que esse erro finalmente vai unir o casal. Tomara que isso aconteça.

Ótimo, como sempre, Lukinha!

Parabéns!

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Ah propósito, o Ricardo parece ter o ton de abrir portas erradas. Primeiro pisou na bola feio com o então melhor amigo, depois traiu a esposa. Tá colhendo o que ele plantou primeiro. Mesmo achando que ele não merece, se tudo que tem no texto até agora se confirmar, o erro primordial, sempre foi dele.

Mas vamos jogar a Mariana na foqueira e passar um paninho pro Ricardo. Kkkkkk

Fuiiiiiiiiiiiiiiiii...

kkkkkkkkkkkkk

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*fogueira 🤦🏻‍♀️

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Oi Jú, o Ricardo errou muito, mas não podemos passar o pano na Mariana, na minha visão, ela extrapolou, e muito!

Dois errados não fazem 1 certo.

E vejo, que mesmo tentando colocar as coisas a limpo, ela ainda esconde muitas coisas!

Esse é o detalhe, parece que ela tenta justificar os seus erros, com outros erros do Ricardo!

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Oi meu amigo!

Não acho que se deve passar pano para Mariana, só acho que nem para o Ricardo. Mas olha os comentários, onde alguém fala sohre os erros dele com detalhes. É sempre a mesma coisa "Ele errou, mas ela" ai so veem pedrada para cima dela.

Será que alguém já parou para pensar que tudo que Mariana disse é verdade, que ela só traiu depois que conversou com Ricardo e ele prometeu melhorar, mas em vez disso não melhorou a traiu covardimente? Já parou para pensar que ela realmente o ama e não ficou com mais ninguém por causa desse amor e em troca foi deixada de lado por causa das prioridades do marido e ainda foi traída?

Duvido que alguém parou para pensar nisso. Sabe porque, porque ela é uma mulher que traiu, isso apaga os erros dos outros e as justificativas dela. Na vida real é assim, exatamente assim.

Mas aqui é uma história de ficção, então talvez ela realmente seja a pessoal horrível como a maioria a exerga.

Mas é só uma reflexão sobre outras possibilidades da história. Rsrs

Mesmo tendo opiniões diferentes, te considero muito Hugo, são só opiniões diferentes. Rsrs

Boa noite meu amigo.

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Ju do céu! Kkkkkkkkkkk

Vc é Phodaaaa, concordo plenamente com vc!

Por enquanto, é tudo especulação, só o Lukinha pode nos responder, enquanto isso, VMS viver de suposições!kkk

Vc sabe que sou teu fã de carteirinha! 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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Também sou seu fã Hugo, sempre gentil, educado e de opiniões fortes.

Sim,só sabemos de uma parte da história, por isso eu disse no meu primeiro comentário que talvez eu mude de opinião, até porque já fiz isso nas histórias do Lukinha. Rsrs

Se cuida Hugo, vou dormir porque amanhã é cedo. Kkk

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O martelo do julgamento é sempre mais forte na mulher. O foda é que houve desproporcional idade da parte dela. Ela fala isso. Mas nada disso teria acontecido se o Ricardo não tivesse traído ela. E se bem entendi eles eram recém casados, o que só piora.

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Mas aí que está meu amigo, a casa de praia foi explicado superficialmente por uma pessoa que está envolvida até o pescoço e que não se mostrou idônea em suas declarações, tem que acreditar somente na declaração de duas pessoas que mentiram, enganaram e traíram descaradamente por anos, me desculpa por me sentir cético, mas assim que me sinto.

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Eu levantei lá em cima um "e se" mas a gente trabalha com o que ela dá. Um negócio que ninguém levantou(ou eu não vi) tudo o que Bruno falou enquanto comia a Lívia... Ela diz que o Bruno sabia que ele tava ali. Como?

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Não acredito nisso também, foi jogada, acredito que elas já tinham conversado sobre está possibilidade do Ricardo cobrar o que escutou, pois ele já havia falado para Mariana do que viu e ouviu, e as duas já tinham suas estratégias, que qdo ela ligasse para falar do fato, era pra Lívia falar o que tinham combinado, para enrolar o Ricardo!

Ou não!

Vai saber! Kkkkkkkkkkk

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O que ela falou é especulativo, os diálogos são SEMPRE ambíguos propositalmente pelo autor, neste caso pode ser uma especulação por indignação por ser tudo mentira do Bruno, ou uma especulação manipulativa para se livrar de uma culpa ainda maior, mas aí ela teria que se indignar com a Lívia também, coisa que não o fez, ao contrário buscou apoio, as situações também são ambíguas kkkkk

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Bom te ver de volta a todo vapor. Sua opinião faz muita falta.

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Eu prometi para mim mesma que iria ficar mas contida, guardar minha opinião para mim, mas não aguentei. Kkkkkk

É bom estar de volta e acompanhar essa história "ao vivo". Rsrs

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Vc só enriquece com a sua sabedoria, e pode nos abrir uma visão, que talvez nós não estamos vendo!

Precisamos de vc!

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Visões diferentes sempre são bem vindas, mesmo que as vezes não possam fazer sentido na hora, e bom olhar a história por todo os ângulos. rsrs

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Simplesmente eu vivo e respiro o contraditório, acho que a maioria já até percebeu isso, tudo que eu leio, a primeira coisa que eu tento analisar é o contraditório dentro do contexto geral, quando eu vejo só coerência parece até que eu fico decepcionado, a concordância plena é até reconfortante, mas é chato pra caramba, basta olhar esse fórum, alguém consegue imaginar se todos concordassem elogiassem com as atitudes do Bruno...

Concordassem e elogiassem as atitudes do Ricardo...

Concordassem e elogiassem as atitudes da Mariana...

Imaginem se as opiniões fossem somente unidirecionais, eu poderia estar concordando com o Bruno, isso com certeza me deixaria constrangido interiormente.

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Estranho, você diz que vive e respira o contraditório, que a concordância é chata, porém se alinha com a maioria dos comentários aqui, e concorda com a maioria também. Mas quem sou eu para dizer que seu comentário é contraditório. Fazendo isso eu estaria concordando com você, e concordância é algo que você acha chato. Rsrs

Brincadeira ok. Rsrs

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Sim, meus comentários são uma interpretação daquilo que eu leio, se minha interpretação é igual a maioria é por coincidência, não por afinidade, não posso ir contra minha interpretação do que eu leio, só porque ela coincide com a maioria ou por uma idealização convicta anterior a minha leitura, eu sempre tento ser fidedigno a minha interpretação, mesmo contrariando pessoas que eu admiro por vários motivos, podendo citar neste momento, você, a Sábia Id@ e aquele que eu considero um Mago na escrita Lukinha autor desse sucesso, tenho plena ciência que estou no posicionamento contraditório dessa minoria que eu admiro, mas é por isso eu amo o contraditório, ele não tem lado, nem torcida, somente sua própria e livre interpretação de um assunto descrito, fato narrado ou conto escrito.

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Foi isso que achei estranho, você sendo ao contrário da minoria e alinhado com a maioria, mas acho que te entendi. Rsrs

Bom de qualquer forma, está suave, você sempre tem opiniões fortes, mas sempre as coloca de maneira respeitosa. Isso é o mais importante, não precisamos concordar, mas respeitar acho algo muito importante.

Vou mesmo dormir.

Boa noite Sensatez.

É sempre bom dialogar com você. 🤝🏻

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Talvez a definição de contraditório que seja o contraditório de nossas colocações, você não precisa estar alinhado com a minoria para ser o contraditório, pois a maioria é o contraditório da minoria, esse é meu entendimento, no caso deste conto, minhas interpretações podem estar mais alinhadas com a maioria, mas em muitos casos é exatamente o contrário.

Boa noite. A recíproca é verdadeira.

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Ps. Só para deixar claro, eu gosto da concordância, como eu falei é reconfortante, mas eu acho chato igual filiminho de filhotinho, é fofo um, vinte não aguento mais. Rsrsrsrs

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Nelson Rodrigues, na minha humilde opinião o maior dramaturgo brasileiro, aquelebque melhor descreveu a sociedade brasileira atraves de retratos das familias da época, já dizia que "Toda unanimidade é burra"! Concordo plenamente com vc e ele.

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Vou fazer as vezes do advogado do diabo agora... E aquele amigo que tu fala assim: se fulano me procurar, fala que eu tô em tal lugar... Dito isso, e se a resposta da Lívia foi acionada por um gatilho combinado antes com Mariana? Seria tão difícil assim?

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Ela teve muito tempo para tramar de como criar uma versão explicando o inexplicável, viu que era a hora certa, quando viu o Ricardo de campana, pediu 24 horas para alinhar com Lívia todos os detalhes dos questionamentos que ela já sabia anteriormente, é bem simples assim, tanto que Lívia tinha todas as respostas na ponta da língua, mesmo as subjetivas, como eu disse parecia didático para alinhar um convencimento para uma vida liberal, mais indícios de depoimento ensaiado impossível, afinal os fatos indagados a Lívia, aconteceram a anos atrás e deveriam estar dormentes na memória dela, até por ter importância terciária para ela, além disso, foi uma noite de bebedeira, portanto chego a conclusão que a prontidão e clareza das respostas da Lívia foram extremamente singulares.

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Em casa de ferreiro, o espeto é de pau!

Ele é um ótimo detetive para descobrir as coisas dos outros, porque as dele, ele nem se deu conta de descobrir, e pelo jeito Mariana o traiu por anos, e ele nem desconfiou, ou não deu atenção para os sinais! Kkkkkkkkkkk

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Até frequentar casas de swinger ela frequentou, e ele nada! 🤦🏻🤦🏻🤦🏻🤦🏻🤦🏻

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Será que você não está confundindo as linhas temporais ?

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Id@ nos dois capítulos com as justificativas dela, após a festa no sítio, quando houve a separação, mas "justificativas" ela chegou a afirmar que o caso dela com o Bruno estava tão frenético que estava virando um caos, e que a Lívia trouxe um equilíbrio ao casal, no capítulo passado se não me engano, ela disse que foi apresentada a outro mundo, Bruno e Lívia a levaram para festas liberais e lá ela se sentiu outra pessoa, não a mulher do investigador, não a nora perfeita que cuidava da sogra, são palavras dela, ela fazia o que nessas festas liberais, jogava Bridge, acredito que não, sem o conhecimento do marido já é traição, mas note que ela foi a pelo menos uma festa liberal depois que a Mãe do Ricardo ficou doente e ela passou a cuidar, essa fala da Mariana é do período que eles estavam separados e tentando reconciliação, só que ela foi a uma festa liberal levada pelo Bruno e Lívia, depois da separação traumática, isso é traição profunda, tá no texto, enquanto isso o Ricardo se escondia no quarto cheio de "covardia" numa luta de cinco contra um kkkkkkkkkkk

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Neste capítulo, se vc reler, vc vai ver o que eu digo.

Ela fala que quer ele junto dela, pois da muito trabalho esconder!

E num capítulo passado, ela também fala de leva-lo a uma festa liberal para ele conhecer, pois é este mundo que ela conheceu, que ela quer viver!

Por tudo que ela falou, inclusive para a mãe do Ricardo, que o que ela fez, foi muito maior do que o Ricardo fez, declaração dela!

E até mesmo ela confessou que ela trai o Ricardo a muito tempo, desde o 1° ano de casamento, após descobrir a traição dele!

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Juro que eu ainda não vi essa traição toda.

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Ela falou da boca dela, que a partir do primeiro ano de casada, qdo ela descobriu a traição do Ricardo, ela começa trair, e enfatizou, inclusive para a mãe do Ricardo, que o que ela fez, foi muito mais do que o Ricardo fez.

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Foi praticamente um capítulo inteiro, somando as partes no passado que ela passou elogiando o Bruno e arrasando como o Ricardo, eu fiquei constrangido pelo Ricardo, o problema não e só o sexo o chifre, o problema é que eu só vejo amor da boca para fora por parte da Mariana e por parte do Ricardo só vejo amor nos devaneios dele, mas os dois não fazem nada de concreto para ratificar e alimentar esse amor que acham que sentem.

Por isso lanço um desafio simples, juntar três passagens no texto, após o casamento do Ricardo e Mariana que demonstra efetivamente que eles se amam, não vale nada abstrato, tipo eu te amo, digo dia a dia, defender a pessoa amada, colocar a pessoa amada acima de qualquer coisa, fazer uma surpresa realizando o maior desejo recente da pessoa amada, e acertando o desejo pois prestou a atenção no a pessoa amada fala, ficar juntinhos só por ficar, sem sexo só carinho, atenção e desejo de estar juntos, se alguém tirar do texto, três situações similares a essas do Ricardo e Mariana eu mudo de ideia e aceito que eles se amam.

Quanto ao sexo, alguém acha que no texto, teve alguma cena de sexo mais quente, envolvente e significativa que na primeira vez do Bruno e Mariana, eu acho que nem passa perto, então...

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— Só que eu também errei. — Mariana continuou, e eu senti o peso da culpa na voz dela. — E errei feio. Ele me feriu … e eu quis devolver o golpe. Só que eu fui desproporcional. Eu devolvi centavos com milhão.

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Ela respirou fundo, ganhando tempo para organizar os pensamentos.

— Lá, na primeira vez que eles me levaram, ninguém me conhecia como "a esposa do detetive" ou a nora exemplar que cuidava da sogra doente. Eu era apenas uma mulher. Senti que meu corpo me pertencia, e não que ele era uma extensão da nossa rotina de sábado à noite. Sempre do mesmo jeito. Sempre com a luz apagada.

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Se ela foi uma primeira vez, então ela voltou mais vezes, não foi uma ÚNICA VEZ!

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E eles estavam juntos nessa época ? Não digo só casados.

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Estavam casados

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Casados, "separados", morando na casa dos pais do Ricardo, tentando reconciliação, Ricardo sofrendo em masturbação e ela indo a festas liberais, é complicadíssimo.

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Acho que eu vou ter que ler os 12 capítulos novamente para encontrar tudo o que vocês estão falando (ou melhor, escrevendo) sobre os personagens 🤨🤨🤨🤨

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Tudo que eu falo eu tiro do texto, quando é opinião interpretativa eu deixo bem claro.

Sou igual ao Nelson Rubens, posso até aumentar, mas não invento nada. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Ao telefone com a Lívia, ela mostrou a atriz que é, ou não?! 🤔

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Posso estar errado, mas as reações da Mariana tiveram um Q teatral também, ou não? 🤔

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Pra mim, sim!

Qdo vc perde a confiança, e as evidências se tornam contrárias ao que vc diz, aí fica complicado acreditar na palavra da pessoa!

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Ainda mais com um histórico de mentiras, por isso que eu acho que uma pessoa tem que pensar duas, três vezes se vale a pena mentir sobre algum assunto, principalmente para a pessoa amada, ainda mais numa caso tão cabuloso, a Mariana descobriu a traição e continuou a dormir, interagir, fazer sexo, carinho, lavou as cuecas RsRsRs do marido traidor sem mostrar diferença alguma, somente para poder trair também, fingiu duplamente durante anos, isso diz muito significativamente sobre as personalidades do casal, ele hipocritamente fingindo que não traiu e ela despudoradamente fingindo que não foi traída para se acabar em sexo com seus amantes, uma relação dessa não tem como consertar, o dito amor que um diz sentir pelo outro não se sustenta, o que eles viveram e vivem passa longe do que é meu entendimento de amor, mas cada um defende aquilo que acredita ser certo, tanto é que posso estar errado, mas é minha convicção do que é o amor, amor é sinceridade e cumplicidade acima de qualquer coisa, sem isso não se sustenta, e esse casal nunca tiveram sinceridade e cumplicidade mútua.

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Concordo!

A Mariana se tornou, ou já era, uma pessoa fria e calculista.

Pra mim ela só usou está desculpa da traição do Ricardo, como desculpa pelo que ela já vinha fazendo antes do casamento, e jogou para depois da traição do Ricardo!

Pessoas assim, não quero ficar nem perto.

E como ela não tem família, o Bruno usa ela como um plano B (ela sabe), ela pra não ficar sozinha, ela usa o Ricardo e sua família, para apegou emocional de FAMÍLIA, para não ficar sem ninguém, pois quem ela quer não á quer!

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Exatamente, minha ressalva seria quanto ao ser humano Mariana, ela não me parece ser um ser humano com índole ruim, vide relacionamento familiar, que você citou, vejo boas atitudes, mas como esposa, no meu entendimento, ela leva o Hedonismo até às últimas consequências na vida conjugal, então ela deveria buscar um parceiro com o mesmo ponto de vista e convicção, senão qualquer tentativa de união fracassará, pois fica uma união instável focada no prazer unilateral, apesar que todo hedonista convicto negar o unilateralismo do prazer, mas na prática é bem totalmente diferente.

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Exatamente, pra mim o Ricardo é o Porto Seguro que ela não tem e nunca terá com Bruno!! Com um ela é a esposinha e com outro a vadia e, levando o marido para o meio liberal, ele poderá ter relações com outras e ela a “autorização “ do marido pra ser a vadia que hoje é de forma escondida!!!

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Essa é um ótimo ponto de vista.

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O Ricardo é detetive particular, investigador, e ele não clonou os meios de comunicação de Mariana para saber das verdades?

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Manfi, estou te respondendo em outro comentário, pois se respondesse no original, eu acredito que não apareceria para você por estar além da lista de publicação de comentários. Segue:

Ida uma pergunta para vc, desculpa se é pessoal, mas que pode até virar uma enquete.

Pra vc o quanto o sexo é importante, principal uma vida sexual com outras pessoas, é importante para a "felicidade plena?".

Minha resposta: para mim, seja homem ou mulher, existem pessoas que tem plena satisfação e felicidade com um relacionamento monogâmico. Outras não. Existem pessoas que tem fetiches e existem pessoas que são radicalmente contra o mundo liberal. Acredito que a pergunta principal é: quanto uma pessoa está disposta a mudar os seus conceitos para manter um relacionamento? Ao mesmo tempo, quantas pessoa fantasiam em silêncio? Obviamente isso não é uma felicidade plena.

O que te faria se afastar de pessoas, de "amigos de foda", ou "pau amigo"?? Qual o limite de comportamento para vc?? Ela viu que o Bruno estava manipulando ela (mais uma vez) e deliberadamente agindo p destruir o casamento deles (palavra dela). Pq continuar a se relacionar com ele???

Minha resposta: sem considerar os aspectos da história, se alguém (e não importa o tipo de relacionamento), estivesse influindo negativamente no meu relacionamento, eu cortaria qualquer vínculo. Agora, considerando a história, se passaram 7 anos. E tempo mais do que suficiente para reatar um relacionamento. Novamente, a principal pergunta a se feita é: qual a motivação que a pessoa poderia ter para querer desestabilizar um relacionamento? Dependendo dessa reposta, pode ser que o contato com o infrator nunca volte.

E uma outra pergunta, essa mais pessoal TB, mas o importante para qq relação, seja monogâmica ou não, é o casal...certo?? É a harmonia, cumplicidade e etc...vc acha legal, até do ponto de vista psicológico, vc deixar a "escolha" para o marido...vai ser assim do jeito que eu quero, se vc não quiser experimentar a gente separa...e se experimentar e não gostar a gente vê o que faz...vc acha isso uma coisa legal??? Saudável para o casal e etc...ahhh ele tem escolha...sim ele, só jeito dele,ama muito ela, não quer ficar sem...aí a escolha é, ou aceita ou....

Enfim...eu não condeno cem porcento ela como alguns...eu não acho que ela está manipulando o marido com a ajuda da amiga...embora TB não acredito que os três amantes saíram por hrs e só conversaram...a postura dela em relação ao Bruno vai dizer o que realmente aconteceu...ela ficou realmente irritada ou não...por isso a te a segunda pergunta acho importante para história...mas a primeira é curiosidade pessoal e um bom ponto p debate.

Minha resposta: eu também não acho que ela está manipulando o marido. Deixar o notebook aberto para ele foi a estratégia que ela usou para deixar claro os seus pontos de vista e seus desejos. Também não acho que ela @jogou a bomba no colo do marido”. Minha leitura é que ela deixou claro o que quer e, principalmente, quer com a participação dele (caso contrário ela poderia simplesmente se separar e viver os seus desejos). Ela o convida a conhecer, entender melhor esse mundo e, se mesmo assim, ele não gostar, decidir JUNTOS o que fazer.

Espero ter respondido a contento.

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Muito obrigado pelas respostas...vou explicar pq as fiz...a primeira pela conversa acima, em que deu a entender que a felicidade plena, para ela, seria ter esse tipo de relacionamento...colocando em risco até a vida com o marido....

O penso a respeito...se eu ama alguém de verdade, eu não abriria mão dessa pessoa pra viver a plenitude com outras pessoas que não significam nada p eu...

Aí encaixa com a última pergunta...ela falou o que queria, o marido disse o que não queria...para ficarem juntos, um dos dois teria que ceder...o que vc acha que afetaria mais o psicológico de uma pessoa, vc viver uma vida monogâmica, mesmo tendo desejos e etc, com a pessoa que vc ama??? Ou vc se vê manipulado ou coagido, ou algo do tipo, p viver uma vida que vc não deseja, que te faria mal e etc pq vc não consegue ficar longe da pessoa que ama?? Fica aí p discussão...nos vimos uma discussão em que ela realmente se propor a ouvir o marido do pq ele não quer essa vida...talvez venha...mas até agora o que vimos foi o interesse dela sendo exposto e o cara tendo que se adaptar...

A segunda pergunta eu fiz TB no conto do vizinho horroroso que comeu a mulher do cara...não sei o nome direito....o vizinho dopou o marido e etc...e mesmo assim a mulher continuou agindo e desejando virar marmita do vizinho, p não falar um outro adjetivo...

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Manfi, pelo visto, temos visões diferentes das atitudes dos dois. Eu acredito que ela não chantageou o marido para entrar no mundo liberal e ele não disse um NÃO categórico, ou seja, eu não quero e se você quiser a gente se separa.

Eu acho que ele ainda está avaliando a possibilidade. A conclusão dessa avaliação é que será a nossa resposta para os dois casos.

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Como eu falei, eu não condeno a Mariana como muitos...eu não entendo sobre "mundo liberal"(vou repetir isso sempre!!)...mas para que seja algo proveitoso e saudável, deveria ser algo pensado, conversado e etc...eu penso que o importante é o casal, o bem estar físico e mental dos dois, não ser bom p um e não para outro....qq fetiche ou forma de apimentar o relacionamento deveria ser em benefício do casal...os outros são instrumentos para isso...do mesmo isso que esse mesmo casal pode servir para outro casal e etc....essa é a visão que eu tenho...e a resposta a sua enquete sobre deixar a minha esposa se relacionar com outra mulher mostra que eu não sou um tiozão com a mente fechada...kkkk

Eu já falei algumas vezes, mas eu deixei de lado o nosso fetiche de BDSM, por causa da piora psicológica da minha esposa por causa da pandemia...só quem é médico e viu e viveu muitas coisas que nem gosto de lembrar sabe a piora do psicológico de muitos depois...pelo menos os da linha de frente...os dermatologista da vida tiveram perdas financeiras pq pararam os procedimentos eletivos...mas o pessoal da ponta sabe o que viveu...todos tem uma história...por isso, eu não coloco qq fetiche ou incremento que pode haver na relação acima do amor da minha vida...

Voltando p história....eu não acho que temos condições de tirar conclusões pq não temos muitos elementos...mas as indagações são no mínimo pertinentes...até pq vcs mesmo falaram que depende da interpretação do leitor...o que só faz esse conto ser ainda melhor...

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Bom gente, o Lukinha já disse, mais de uma vez, que nessa história não tem santo. Mesmo assim vou colocar aqui umas”enquete” (estou gostando desse tema de enquete”:

A pergunta é simples: quem acha a Mariana BOA e quem acha MÁ?

Acho que é fácil entender os conceitos.

Que comecem os jogos!!!

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Preciso de maisninformacoes sobre ela.

No texto referente ao passado - ela parece ser mais esperta e ativa.

No texto referente ao presente- ela parece ser mais inocente e tapada.

Eu estou mudando meu conceito sobre ela, mas é necessário maiores informações para saber se ela é boa ou má.

Tem muita coisa em jogo ainda. De quem é realmente o filho, como ela voltou a se relacionar com o Bruno, qual era a dinâmica desse relacionamento e onde está realmente a fidelidade dela.

Ela é a personagem mais interessante do conto, o coringa da história.

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Osório, sai do muro. Eu tenho as mesmas informações que você e, nesse momento da história, tenho a minha opinião. Só não vou coloca-la aqui para não influenciar a pesquisa.

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Em qual sentido? No geral como pessoa? Só como esposa? Ou pro Ricardo especificamente?

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Tales, não complica … considere as atitudes dela no geral !!!

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No geral, eu acho que ela é uma boa pessoa. Ela não teria se dado ao trabalho de ajudar a mãe dele se não fosse.

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acredito que ela é do bem, mas tem um pé na putaria e se precisar manipular e mentir pro Ricardo para trepar com alguém não vai pensar 2x.

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Kiquinho, não entendi a sua resposta. Ela é boa ou manipuladora ???

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kkkkk, ela é uma boa pessoa haja visto a dedicação dela no cuidado da mãe do Ricardo. Mas... quando se trata de sexo ela passa por cima do Ricardo sem pena, se tiver que mentir vai mentir e se tiver que manipular vai manipular e não tem compaixão com o marido. ou seja Como amiga é uma otima pessoa, mas como esposa eu não queria de forma alguma. Será que consegui te responder?

vou simplificar. Não

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Há força mais manipulativa que cuidar de alguém que nós amamos, cuidar da mãe dele não é garantia de nada, pode fazer parte do plano da reconquista, pode ser cuidados simulados, atenção, isso é uma hipótese, que não acredito e não há nada no texto que indica isso, mas se ela for mau caráter, o céu é o limite.

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Posso refutar seu comentário com algumas perguntas?

Alguém aqui é da área da saúde e já viu um(a) ppaciente com sequela de AVE? Alguém aqui já teve em casa, ou algum parente ou amigo com sequela de AVE? Alguém aqui já viu paciente acamado sendo acompanhado por cuidador(a)? Tem como se enganar quando o(a) cuidador(a) faz seu trabalho com carinho ou apenas por obrigação?

Não entrarei em detalhes sobre o assunto, mas cuidar de um paciente acamado ou com sequela menor de AVE, exige muito trabalho e dedicação. Não tem como enganar!

Respeito todos os leitores e seus comentários. TODOS. Porém esse em especifico, na minha humilde opinião, não expressa o que foi, até agora, retratado nos textos.

Desculpe antecipadamente minha opinião. Reiteronque não é nada pessoal.

Grande abraço.

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Bom dia Carioca manauara, se você olhar com atenção, por isso que no meu comentário eu disse que seria uma HIPÓTESE e que não concordava com a hipótese, que não tinha nada no texto que indicasse essa HIPÓTESE (é uma suposição, conjectura ou explicação provisória criada para responder a uma pergunta ou fenômeno, servindo como base para investigações científicas ou lógicas) deixando claro que essa possibilidade só poderá existir caso a Mariana seja mau caráter, note que eu usei a conjunção condicional SE ela for mau caráter.

Para explicar eu ter levantado essa hipótese, existem casos descritos na literatura médica e na literatura de ficção mas inspirada em casos reais, no qual cuidadores, inclusive com estreito laço afetivo com seus pacientes, inclusive trocaram a medicação, simulavam cuidados etc. Em alguns casos visando até uma morte insupeita do paciente, pelos os mais diversos motivos, então numa trama totalmente ficcional, não acho nenhum absurdo eu levantar essa hipótese de Mariana fingir se importar com o estado de saúde da sogra, "SE" ela se mostrar ser uma pessoa mau caráter.

Sua opinião com certeza tem caráter pessoal e corporativo em defesa das pessoas que trabalham na área de saúde, que com certeza são verdadeiros heróis, meu comentário passou longe de tentar macular a honra desses briosos profissionais, meu comentário se pautou somente na possibilidade de uma nora caso fosse de caráter duvidoso, estaria cuidando da sogra por interesse próprio, então meu amigo, ou você vive numa bolha, ou não conhece nada da natureza humana, portanto desconhece a capacidade de dissimulação de uma

de uma mulher traída, neste caso, a Mariana viveu anos dissimulando

a existência da traição do Ricardo, com uma convivência totalmente normal, traindo também em represália, isso para mim, é uma capacidade de dissimulação ímpar.

Então meu amigo, respeito sua opinião da mesma forma que você respeitou a minha, mas eu reintero que não levantei essa possibilidade de maneira rasa, foi embasada em projeções da vida real e fatos que ocorreram neste texto, mas tudo sob o condicionamento de um futuro desdobramento no texto.

Grande Abraço.

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Com certeza certissimo no que falou. Desculpe se entendi errado. Meu erro foi fazer leitura dinâmica do seu texto. Li o inicio e interpretei, errado diga-se de passagem, o final. Em minha defesa, já me desculpando previamente, digo que está, pelo menos pra mim, humanamente impossível acompanhar o ritmo franético de vcs. Declaro-me, perante todos, incapaz de acompanhar este ritmo...hahahahahaha

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Somos dois !!!

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Bom dia Id@, engana não, tú tem o pezinho fora da casinha também, tú pode não acompanhar fisicamente todos os comentários por absoluta falta de tempo e não por não ter pensamentos dissociativos para buscar entendimento, resumindo tú entende e de certa forma até induz magistralmente essa loucura toda kkkkkkkk

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Compreendo totalmente sua defesa, pois eu tenho plena consciência que minha cabeça é disfuncional, de bom, é que consigo fazer N coisas e catalogar em diversas "pastas" no meu cérebro, só que em ordem aleatória, então o raciocínio existe, mas às vezes não está no contexto ou tempo corretos. Obrigado pela resposta gratificante.

Abraço amigo Carioca manauara.

Eu tenho uma curiosidade, se não se importar elucide, por favor, apesar de não fazer diferença, portanto não há importância relevante, mas por eu ser Carioca da Gema oriundo do subúrbio, tenho a curiosidade em saber se você é um Carioca na exuberância verde do Amazonas ou é um Índio nessa louca Selva de Pedra?

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Ola Ida, vou responder MÁ, mas com ressalvas, ela tem seus próprios interesses e está induzindo Ricardo a eles, e vejo uma cumplicidade maior dela com Bruno e Lívia, do que ao próprio Ricardo.

E como Ricardo ouviu na transa do Bruno e Lívia, que a Mariana garantiu que logo o Ricardo estaria com eles trepando! Então ela já está premeditando, e já estava planejando coloca-lo na festa, ela já está induzindo ele a uma festa Swing, para não afeta-lo com ele vendo uma transa dela com Bruno!

Bom, VMS ver o que o Lukinha tem pra nós!

Mas só esse lado dela que me pega, colocando o sexo acima do homem que ela diz que ama, e manipulando ele!

Forçando uma situação

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Faz essa enquete depois que o conto for finalizado...kkkk...

Mas pegando o gancho do próprio autor..ela não é 100 porcento boazinha e nem 100 porcento mãozinha...

Pra não brigar comigo...vou confiar no meu feeling, mesmo sem tanta convicção...ela é boa!!

Até que se prove o contrário...

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É uma pessoa boa. Não sei se eu gostaria de conviver com ela. Mas parece ser boa 03ssoa.

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Me abstenho dessa enquete, o maniqueísmo aplicado a personalidade de uma pessoa é o pior erro de julgamento que se pode fazer.

Dessa vez ficarei em cima do muro, sem medo de cair, se cair, será consequência de minha convicção. Kkkkkkkkkkkk Tô parecendo um revolucionário da década de 50.

Falando sério, não tem como votar e não ser injusto com a personagem, são muitas camadas.

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Mas é exatamente isso, Sensatez. Eu estou pedindo para vocês expressarem suas opiniões sobre o caráter, a personalidade e as atitudes de uma personagem, utilizando somente os fragmentos de informação que nos foram dados pelo autor, até o momento.

A Marina ama e está sendo honesta com o Ricardo ou ela é manipuladora e o está enganando?

E um ponto de vista. E todo ponto de vista também é, na verdade, a vista de um ponto. Pessoal é intransferível. E uma opinião de momento.

Não quer dizer que, com mais informações, não podemos mudar de opinião, ou melhor, de ponto de vista.

E provável que eu repita essa pergunta no final da história, quando tudo estiver elucidado. Pode ser que os leitores mudem de opinião, ou não. Dependendo das novas informações.

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Sendo assim, eu aceitaria me propor a fazer um juízo de valor das atitudes dela até momento, eu vejo muitas incongruências e até mesmo mentiras nas justificativas dela, portanto não posso dizer que foram atitudes boas até agora, foram atitudes ambíguas com um viés manipulador, então em uma aplicação maniqueísta de suas atitudes até esse momento meu voto é "Má".

Sob a promessa de nova pesquisa no final do conto, rrsrs desculpe todo o drama e eu tenho dificuldade em julgar personalidade, salvo em situações explícitas, já errei fazendo julgamento precipitado, e o resultado não é bom, mas tenho facilidade fazer juízo de valor em atitudes o que é bem diferente.kkkkkkkkkkkkk

Para que não fique dúvida já que aceitei votar - Má

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Tem coragem de fazer a mesma pesquisa em relação ao Ricardo...

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Acho que não precisa !!! rsrsrs

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Confesso que tenho curiosidade em saber o peso das escolhas erradas do Ricardo, pelo menos quantos tem essa noção exata, ou todos acham ele um herói impoluto injustiçado??

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Foto de perfil de Sensatez

Acho que essa deveria ser a pesquisa direcionada correta para o personagem.

Você acha o Ricardo um Marido Impoluto Injustiçado?

Sim ou Não.

Juro que fiquei curioso kkkk

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Essa será minha próxima “enquete”

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Foto de perfil de Sensatez

No caso de uma possível enquete do Ricardo eu adiantaria meu voto aplicando a mesmas condições maniqueistas

"Mau"

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Até aqui pelo que li no texto e da forma que intérpretei, ela é uma pessoa boa.

Isso não quer dizer que ela não errou, mas acho que tem muita diferença de uma pessoa que comente erros com uma pessoa má, mas é só minha humilde opinião 🤷🏻‍♂️

Também não quer dizer que nós próximos capítulos eu possa mudar de opinião, coisa que não vejo como um problema, já que até agora só sabemos de uma parte da história, não vou formar minha opinião atravez de achismo, então conforme novos fatos forem aparecendo, posso mudar minha forma de enxergar ela como "pessoa".

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Foto de perfil de Whisper

Acho que ela é boa.

Bom pelo que foi apresentado até agora, se ela é má, Ricardo tamben é, Bruno então, é um monstro. Kkkk

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Aí é que está, como as coisas direcionadas surtem o efeito desejado se forem bem colocadas e no tempo correto, nos comentários quase não se fala mais do Bruno, o texto nos direcionou magnificamente para dois polos, e saiu totalmente da terceira via que na minha opinião é mau caráter desde sempre, desde o tempo de policial corrupto. Se tem um culpado é o Bruno, mas tudo e todos estão condicionados a sermos sempre polarizados kkkkkk

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Não é nada estranho para mim isso, estamos em um site que é maioria absoluta de homens, não estou generalizando, até porque já vi alguns aqui que acha que Mariana não vale nada, defender personagem femininas, mas infelizmente a maioria só enxerga a "puta traidora" e na maioria das histórias, é realmente a puts traidora que faz as merdas. Kkkk

Então é normal aqui o foco ser nela e o resto é meio que ignorado. rsrs

Boa noite Sensadez.

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Id@, não tem uma terceira opção? Só boa ou má? Só existe o preto e o branco?

Para mim, a Mariana, assim como todos os personagens da saga, é HUMANA. O ser humano é falho e contraditório.

Se eu responder que ela é simplesmente BOA ou MÁ, estarei negando todas as suas atitudes que provam o contrário, existentes nos textos do Lukinha e nos comentários de todos aqui, incusive os meus.

Nesse contexto, no sentido de se fazer uma enquete (inclusive retifico aqui que na enquete do conto do Mark respondi NÃO, NÃO, SIM), sugiro humildemente que seja:

1- Mariana é ESSENCIALMENTE BOA?

2- Mariana é ESSENCIALMENTE MÁ?

Já adianto meu voto: 1

Grande abraço a todos

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Perfeito

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Mas aí já uma questão de filosofia aplicada a psicologia, no qual não se tem um consenso de uma pessoa pode ser essencialmente má, até os psicopatas existe uma ausência de sentimentos, como arrependimento, muitas vezes eles cometem atos atrizes, mas na plena convicção de um bem maior, kkkkk esse fórum tá ficando muito complicado para o meu entendimento kkkkkkkkkkkkkk

Filosofia aplicada foge de minha cabeça disfuncional kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Parei!!!

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Caramba Lukinha, um capítulo com 7,54k de palavras, e provavelmente muito mais que isso de comentários. Se isso não é uma demonstração inequívoca do sucesso da história, eu não sei o que seria. Como se fala do cinema, sucesso de crítica e público...rsrsrs

A vida tem incoerências, o ser humano é falho por natureza, vide Eva no paraíso, uma peesonalidade é fruto de suas caracteristicas genéticas, aliadas à sua educação, suas vivências, seus traumas (está mais que provado que o trauma tem muito mais força que a felicidade na influência de uma personalidade), o meio em que vive e seu próprio amadurecimento pessoal. Nossas "certezas e verdades absolutas" mudam conforme a fase da vida, adolescência, vida adulta e velhice. Nossas prioridades mudam...

Como vc diz sempre, esta é uma história de "pessoais reais, vivendo a vida real".

É claro que existem inconsistências na história, pelo menos até agora. Concordo com alguns que a ligação da Mari para a Livia é suspeita. Isso não se pode negar, pelo que foi narrado pelo Ricardo quando viu sua esposa dormindo entre os dois e quando eles deram um perdido durante a festa. Inclusive sobre o que o Ricardo ouviu da boca da Livia quando fazia sexo com o Bruno. Suas explicaçôes são muito pertinentes sobre a discussão do casal, das coisas que o Ricardo disse e dela não ter rebatido na hora, mas ninguém pode ser culpado por achar que a ligação foi armada, pelo menos até agora.

Estou adorando a história e gosto bastante da interação dos leitores nos comentários. Sensacional!

P.S. filosofei sobre nós seres humanos no início, apenas para dizer que entendo os personagens e, principalmente, os leitores e seus comentários. Grande abraçoa a todos.

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Nossa que maldade do cara destruir o casamento do amigo, parabéns Lukinha nota mil kkkkk.

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''Eu não vou jogar fora a nossa chance de reconciliação porque eu não consigo manter as pernas fechadas — ela disse, firme. — Você é mais importante para mim do que imagina.''

Disse a mulher que decidiu apostar o casamento vivendo uma vida dupla...

Se ela sabia que estava sendo vigiada, então que garantia o Ricardo tem que a escolha de ficar em casa foi genuína? Ela realmente teve esse insight de que estava sendo vigiada sozinha? Ou o Bruno, que conhece MUITO BEM a personalidade do Ricardo, avisou que ele certamente iria espiona-la para tirar suas próprias conclusões do que ela estava fazendo durante esse rompimento.

Se ela estava tão interessada em reatar o relacionamento, então por que ela só se afastou do Bruno depois que ela e o Ricardo transaram? Ela percebeu que ainda tinha uma chance, e resolveu mudar de tática para voltar pro jogo?

Assim como outros disseram, a ligação foi extremamente suspeita. A Lívia, convenientemente, disse exatamente tudo que o Ricardo precisava ouvir para ficar tranquilo... E ela atendeu bem rápido... Será que a Mariana avisou que iria conversar com o Ricardo? Será que as confissões ''involuntárias'' de um mentiroso manipulador tem algum valor?

A revolta contra o Bruno é genuína ou ela está utilizando o antigo provérbio "O inimigo do meu inimigo é meu amigo", para se reaproximar do Ricardo...

E quanto ao Ricardo. A Mariana disse que um dos motivos para ela se aprofundar no mundo liberal, foi a falta de comprometimento dele no relacionamento. Ela não se sentia desejada e nem apreciada.

Sete anos depois e o cara ainda depende do Bruno para dar um presente para a esposa... Por que ele se recusa a fazer o mínimo do mínimo para agrada-la? Ele sabe que ela tá carente desse tipo de atitude e mesmo assim não consegue fazer esse esforço? Que amor é esse?

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Foto de perfil de Sensatez

Positivo, concordo com tudo, só acho que o Mundo Liberal é um pano de fundo em segundo plano, o Ricardo é muito mais importante financeiramente tocando a agência, ele entrar no mundo Liberal é uma distração para o que até já foi revelado , as movimentações monetárias indevidas dentro da empresa, o Bruno tá cagando em fazer o Ricardo de corno ou Liberal, desde que ganhe dinheiro para ele.

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Pior que faz sentido! A Mariana disse que o Bruno apresentou ela pro Ricardo na intenção de mantê-la sempre ao alcance dele. Mas e se for o contrário? E se apresentar e incentivar o relacionamento deles foi uma tentativa de controlar completamente a vida do Ricardo? Seja social, financeira ou romanticamente, o cara tá completamente dentro da esfera de influência do Bruno...

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Exatamente isso que é minha visão, só resta saber até onde a Mariana está envolvida, se tá ciente de tudo, ou tá sendo "obrigada", por isso sabendo só o superficial, devido a gratidão pela "dívida" que ela tem com a família do Ricardo que bancou todo o estudo dela até se formar na faculdade

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Peraí, deixa eu ver se entendi: há 7 anos Mariana descobre que Bruno mentiu pra ela , a manipulou, humilhou seu marido, tentou acabar com seu casamento, e ela continua saindo com ele? Tudo bem que ela é Ricardo combinaram de manter as aparências com ele, mas por 7 anos? Deitando com o inimigo?

É isso mesmo produção?

Fiquei confuso!!!

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Sinceramente não sei nem o que dizer mais para elogiar essa história, a trama é ótima, narrativa impecável e pelo que li e interpretei do texto já publicado, não vejo nenhum incoerência até agora. Sei que tem muita coisa ainda a ser descoberta, mesmo que cada capítulo traga mais exclarecimento do que aconteceu no passado e o que está acontecendo no presente, ainda tem muitas lacunas a ser preenchidas. Mas algumas coisas já foram bem exclarecidas, pelo menos para mim 🤷🏻‍♂️

Mais uma vez quero elogiar essa narrativa que trás momentos do passado e do presente, isso para mim é de fácil compreensão e deixa a história mais interessante.

Agora é aguardar o que aconteceu no passado depois dessa conversa, e claro entender como as coisas evoluíram até chagar na situação atual.

Otoma história, personagens muito intrigantes e uma narrativa que parente a gente.

Parabéns Lukinha, está top essa história 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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