A poeira se levantou ao longe. Um cavalo vinha em disparada e, logo, Neon — o único filho homem de Paul — surgiu no caminho, vestido com roupas apertadas e coloridas, maquiagem leve realçando os olhos. A bundinha bem cuidada chamou a atenção dos peões da fazenda, que cochichavam e trocavam olhares maliciosos.
— Que porra de roupa é essa, Neon? — perguntou o pai, sem esconder o desgosto.
— Moda da cidade, pai — respondeu Neon, debochado.
Paul bufou e mandou o filho entrar.
— Vai lá pra dentro. Tá me fazendo passar vergonha com essa roupa de palhaço.
Neon entrou, jogou-se no sofá e desdenhou dos sermões do pai.
— O pai tem razão. Essa roupa é muito estranha, Neon — comentou Diana.
— Até você, irmã? Tá ficando careta — provocou Neon, irritando Diana. — Essa roupa é da moda na capital.
— Aqui não é capital, é Albuquerque. Aposto que você fez isso só pra provocar o nosso pai.
Ele subiu para o quarto, batendo a porta.
Diana encarou o pai.
— Ele passou tempo demais fora. É normal pegar costumes de outra cidade.
Paul cerrou os olhos.
— O importante é que meu filho voltou pra casa. Agora vai usar todo o conhecimento que adquiriu nesses anos e aplicar aqui na fazenda.
***
Neon se levantou cedo, antes do galo cantar, e foi explorar um pouco a fazenda do pai. Quase nada havia mudado. Estava tudo igualzinho à última vez que tinha visto, antes de ir para a capital estudar.
— Neon, é você?
— Claro que sou eu, Bizerra.
— Como cresceu… até bigode nasceu. A última vez que te vi, você era só um garotinho.
Ele abraçou a empregada da casa. Considerava Bizerra como sua segunda mãe; foi ela quem cuidou dele quando era bem pequeno. Depois de comer o delicioso bolo que Bizerra preparou, ele saiu.
Neon chegou até o celeiro e observou discretamente os peões adormecidos no feno, sem camisa, suados por causa do calor.
— O patrãozinho quer alguma coisa?
Neon levou um susto com aquela voz rouca, quase sussurrada em seu ouvido. Ele se virou e viu um dos peões da fazenda.
— Não, eu só estou dando uma olhada ao redor da fazenda. Não mudou muita coisa desde a última vez que estive aqui.
— Quem mudou foi o patrãozinho. Cresceu, já tem barba na cara. Virou um homem.
Neon olhou da cabeça aos pés aquele peão alto e forte, de aparência suja, dentes amarelados, fumando um cigarro.
— O tempo passa rápido, não é? Que bom que voltei pra casa… eu até estava com saudade… muita saudade…
De repente, o peão puxou o patrãozinho para dentro do celeiro e o jogou contra o feno, perto de onde ficavam os cavalos, agarrando-o com força.
— Eu também estava com saudade do patrãozinho — disse ele, cheirando o pescoço de Neon.
— Ain… Ruiz… você continua com a mesma pegada de antes… — ele sentiu ele apertar com força o seu pau que ficou duro na mão dele. — Ei, vai com calma, peão… os outros estão dormindo ali do lado. Vamos ser discretos.
— Desculpa, patrãozinho. Eu só quis matar a saudade — disse o cowboy, afastando-se.
— Vamos ter muito tempo pra matar essa saudade, meu cowboy.
Neon saiu, arrumando a roupa colorida e tentando respirar o ar puro. Nunca tinha ficado tão feliz por ter voltado pra casa. Agora, tinha bons motivos para permanecer ali por muito mais tempo.