O silêncio depois que ela serviu o pão não foi abandono. Foi aviso.
Terminei o café devagar, não por educação, mas porque cada gesto agora parecia observado, mesmo com ela encostada na pia, os braços cruzados, o tecido do vestido esticando sobre o peito que subia e descia numa respiração lenta.
A casa tinha um ritmo próprio. Um pulso que não se apressava por causa do meu pau duro ou da minha viagem de duas horas. O som do desenho animado na sala era a única coisa inocente ali; todo o resto era tensão elétrica.
— Gostoso? — ela perguntou, os olhos fixos na minha boca enquanto eu limpava um farelo de pão com o polegar.
— Perfeito. Mas só abriu o apetite.
Ayandara desencostou da pia. Não trouxe palavras. Trouxe presença. O cheiro de manteiga de karité e pele quente inundou a cozinha pequena, misturando-se ao cheiro do café, criando uma atmosfera densa, quase mastigável.
— Vem — disse apenas.
Eu a segui pelo corredor estreito, atento ao espaço, aos sons, à forma hipnótica como o quadril dela desenhava o caminho. Paramos diante de uma porta entreaberta. Não era o quarto. Não era a sala. Era um espaço intermediário — um limbo entre a visita comportada e o amante faminto.
Ela encostou na parede, bloqueando minha passagem.
— Aqui — disse, a voz rouca, baixando o tom para não alertar o filho. — É onde eu paro pra sentir se alguém tá comigo de verdade. Ou se é só garganta.
Fiquei a um passo de distância. Perto o bastante para sentir a temperatura febril que emanava dela. Longe o suficiente para ainda ter que me segurar para não prensá-la contra aquela parede.
— Olha pra mim — pediu.
Eu olhei. Encarei a profundidade daqueles olhos escuros, o brilho de quem sabe que está no comando.
O tempo se esticou. O tipo de silêncio que pesa no corpo. Ayandara ergueu a mão devagar, como quem testa o ar antes da tempestade. Tocou meu braço. Primeiro com as pontas dos dedos, roçando a pele, fazendo os pelos do meu antebraço se eriçarem. Depois com a palma inteira, firme, possessiva.
Não foi carícia. Foi reconhecimento de território.
— Respira — ela sussurrou, vendo meu peito inflar rápido demais. — Não foge.
A mão dela subiu até meu ombro, apertou o músculo tenso, e então... desceu.
O movimento foi deliberado, lento, uma tortura calculada. A mão dela deslizou pelo meu peito, passou pelo abdômen contraído e parou no cinto da minha calça. Eu travei, a respiração presa na garganta.
— Você disse que obedeceu a regra da estrada, Malik... — Ela não perguntou. Ela afirmou.
A mão dela espalmou sobre o volume no meu jeans. Não houve delicadeza naquele toque. Ela apertou. Sentiu a dureza da minha ereção, o latejar violento que respondeu imediatamente ao contato dela. Ela apertou com força, medindo a grossura, sentindo o calor atravessar o tecido grosso.
Fechei os olhos, a cabeça tombando para trás, um gemido rouco morrendo na minha garganta.
— Porra, Ayandara...
— Grande... — ela murmurou, satisfeita, o polegar acariciando a cabeça do meu pau por cima do pano, arrancando de mim um espasmo involuntário. — E pulsando. Isso... é o máximo que eu dou pra quem acabou de chegar. O cheiro do perigo.
Ela se aproximou mais. Encostou a testa na minha. Nossas respirações se misturaram, quentes, úmidas. Eu podia sentir o cheiro da excitação dela agora, mais forte que o café, mais forte que tudo.
— O resto — ela sussurrou contra a minha boca, sem me beijar, roçando os lábios nos meus com uma crueldade deliciosa — não se toma. Se constrói. Mas hoje... hoje eu quero destruir um pouco.
Ela retirou a mão da minha virilha devagar, deixando um rastro de fogo e vazio.
— Agora vai — disse, apontando para a porta do banheiro logo atrás de mim. — Se lava. Tira o cheiro da estrada. Quero você limpo no meu quarto em cinco minutos. O pequeno vai ficar no tablet. E eu... eu vou estar te esperando para ver se esse volume todo sabe trabalhar ou se é só enfeite.
Malik obedeceu sem se sentir menor por isso. Caminhou para o banheiro com o corpo em chamas, entendendo, agora, que aquele toque não era apenas um teste.
Era o início do abate.