Corno no Reality - 2

Da série Corno no Reality
Um conto erótico de Mais Um Autor
Categoria: Heterossexual
Contém 1229 palavras
Data: 08/02/2026 16:34:48

Ana é professora de matemática. Antes de perder o emprego, ela tinha apenas alguns poucos alunos particulares e ficava mais focada em resolver as coisas de casa e cuidar da nossa filha.

Cansada de repetir as mesmas explicações para alunos diferentes, achou que seria legal gravar vídeos curtos explicando os conteúdos de um jeito simples. Criou um canal de matemática no TikTok.

O sucesso veio muito mais rápido do que a gente esperava. Em duas semanas, já tinha alguns milhares de seguidores. Em um mês, recebeu a primeira proposta para fazer uma publi.

Um dia, Ana abriu o aplicativo rindo e me mostrou a demografia dos seguidores dos vídeos. Eu já imaginava que não fosse um público muito diverso, mas não tinha ideia da proporção. Mais de noventa por cento eram homens, e quase metade tinha mais de trinta anos. Certamente não estavam ali para aprender tabuada ou revisar regra de três.

Sei que a maioria das pessoas se incomodaria com a ideia de estranhos homenageando virtualmente o seu cônjuge. No nosso caso, aquilo acabou virando piada. Quando eu via que ela estava gravando, perguntava se estava fazendo mais uma livezinha para o velho da lancha. Ela ria, revirava os olhos e seguia com o vídeo como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Também não era como se Ana tivesse qualquer controle sobre o uso que faziam dos vídeos ou das fotos dela. Nada garantia que os tarados já não estivessem batendo uma para o perfil do LinkedIn dela. Dessa forma, pelo menos a insanidade era monetizada.

E, foi justamente esse canal no TikTok que chamou a atenção de um produtor de televisão. Segundo ele mesmo contou depois, tinha visto alguns vídeos da Ana por acaso, gostado do jeito espontâneo dela diante da câmera e, principalmente, percebido o engajamento absurdo que ela gerava.

Por isso, estava com minha esposa naquela sala de reunião.

Não existia cenário algum em que eu toparia, de livre e espontânea vontade, participar de um reality show. Sempre achei esse tipo de programa uma novela mal disfarçada, feita para gente estúpida o bastante para acreditar que aquilo tudo era real.

Mas eu também sabia que, naquele momento, qualquer recusa seca poderia ser interpretada como falta de apoio. Nosso casamento já estava frágil demais para eu bater o pé. Aceitei participar da reunião, mas já entrei na sala com a resposta pronta na cabeça.

Eu só não esperava que a reunião fosse tão… “caricata”. No primeiro slide, havia apenas o logo do programa.

No fundo da imagem, uma mansão luxuosa e palmeiras altas sob um céu alaranjado, dando a sensação de que o programa se passaria em algum lugar paradisíaco.

O centro da imagem era dominado por um homem alto, de físico atlético, pele bronzeada e um sorrisão. Ele usava óculos escuros espelhados, uma corrente dourada grossa e uma camisa tropical vermelha, aberta, deixando o peito à mostra.

Uma loira e uma morena de biquíni se jogavam contra o corpo dele, como se estivessem numa disputa.

E talvez, se aquilo ainda não fosse absurdo o suficiente, o nome do programa em letras garrafais, brilhava em dourado, como se fosse uma escultura de ouro.

Casa do Ricardão.

Devia ter me levantado e saído da sala, sem dar nenhuma explicação.

Mas sabe quando você recebe aquelas ligações de golpe e fica dando trela para entender como o golpe funciona? Era parecido.

Eu precisava saber qual era a estratégia que aquele lunático usaria para me convencer a participar de algo com um nome e um logo tão absurdos.

Os slides seguintes introduziam a premissa básica do programa.

Casais seriam separados por duas semanas. As esposas iriam para a Casa do Ricardão, onde viveriam com homens solteiros — um para cada mulher.

Já os maridos ficariam em uma sala de controle, acompanhando tudo em tempo real, reagindo, expondo seus sentimentos para o público.

Depois de alguns slides, interrompi.

Perguntei se a gente receberia um script, para combinarmos quais seriam nossos personagens dentro do programa, para definir o que seria aceitável ou não.

O produtor fechou a expressão, visivelmente ofendido com o que eu tinha dito. Começou então uma palestra sobre como ele nunca se dignaria a fazer um reality armado: a Casa do Ricardão não teria roteiro nem combinações. Tudo o que aconteceria seria um experimento social real.

Apenas assenti enquanto ele falava, mas, na minha cabeça, eu sabia que, por dinheiro nenhum, eu entraria naquele simulador de corno manso.

Depois, ele passou para um slide com apenas um texto no centro.

Regra do Toque

As esposas não poderiam recusar contato físico dos solteiros durante as interações do programa, exceto toques em seus seios e na vagina. Segundo o produtor, isso garantiria envolvimento e evitaria que o programa ficasse sem ritmo e sem conteúdo.

Nesse momento, comecei a procurar por câmeras escondidas na sala. Parecia uma pegadinha. Não tinha como aquela reunião ser real.

Ana pareceu precisar confirmar que estava entendendo corretamente.

— Mas… o que exatamente vocês consideram um toque?

— Não sei se entendi sua dúvida — o produtor disse, inclinando a cabeça.

— O toque precisa ser com a mão? Ou conta qualquer contato físico? Eles podem usar outras partes do corpo?

Ele fez uma pausa calculada antes de responder.

— Pelas regras do programa, só há punição quando existe contato com partes íntimas. Fora isso, não há restrição quanto ao tipo de contato ou à parte do corpo utilizada.

— Então você está dizendo que alguém poderia beijar minha esposa à força? — interrompi.

— Eles podem encostar os lábios em qualquer área permitida — respondeu —, mas ela não é obrigada a corresponder.

— Ou seja, pode apalpar, lamber, beijar, roçar o pau, e ainda assim teria que aceitar isso como parte do jogo? Vocês realmente não acham isso perigoso?

Naquele momento, eu não estava irritado. Pelo contrário. Havia uma estranha satisfação em empurrar aquela conversa até o limite. Eu tinha certeza de que Ana jamais aceitaria algo assim.

— Veja bem… apesar da regra, todos os participantes sabem que existem limites. E nós vamos agir em situações extremas. Seria péssimo para o programa se algo pudesse ser interpretado como violência ou humilhação — o produtor respondeu, tentando retomar o controle da reunião. — A ideia é criar um ambiente provocador, intenso… um teste real para a relação de vocês. Nada além disso.

O fato de ele ter conseguido dizer aquilo em voz alta era apenas a cereja do bolo.

Ainda havia um monte de slides sobre regras do programa, direito de uso de imagem e o que a gente poderia ou não fazer depois das gravações. Confesso que não prestei muita atenção. Eu já tinha tomado minha decisão; não precisava saber o resto dos detalhes.

Até que chegamos ao último slide, o único que realmente importava: o cachê e a premiação.

Um valor absurdo. Algo quase impossível de recusar na situação financeira em que estávamos. Quase…

Considerando toda exposição, todos os riscos, para mim, não valia a pena. Mas, com certeza, falar não tinha ficado muito mais difícil depois daquele último slide.

Quando a apresentação finalmente acabou, olhei para Ana, esperando que ela compartilhasse do meu sentimento de que aquilo havia sido uma perda de tempo.

Mas não.

Ela sorria animada, quase elétrica, como uma criança num parque de diversões.

Bateu um desespero.

Odiava a ideia de que seria obrigado a puxá-la de volta para a realidade.

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Próximo capítulo já está disponível no www.ouroerotico.com.br

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