CENA: Fórum de São Bernardo do Campo - 9h08 da manhã
O ar-condicionado do Tribunal estava quebrado. O suor escorria pela testa do juiz Eduardo Braga, 58 anos, enquanto batia o martelo com irritação.
— Iniciamos o julgamento de Letícia Ramos da Silva, ré por crimes de adultério recorrente com humilhação pública, dano emocional ao cônjuge, exposição indevida de menores e difamação à fé conjugal.
Letícia estava de pernas cruzadas. Vestia um vestido vermelho sem sutiã, os mamilos apontando como se quisessem participar da audiência. Suas coxas se roçavam, inquietas. A maquiagem era pesada. Ela sabia o efeito que causava. E queria causar.
Do lado de fora, manifestantes seguravam cartazes:
“Nem tudo é culpa da bula!”
“Tarja preta não justifica suruba.”
“Putaria não é patologia.”
A primeira a falar foi a advogada de defesa, Dra. Lúcia Vaz, uma ex-feminista radical convertida ao culto da libido clínica.
— Meritíssimo, minha cliente está sendo punida por um corpo que não a obedece. Ela é uma mulher doente. Sofria de depressão majoritária com sintomas ansiosos. Foi medicada com Sertralina, Bupropiona, Trazodona e Escitalopram, todos simultaneamente, conforme receitas que constam nos autos. E o que essas drogas têm em comum? Aumento de libido, impulsividade sexual, inibição do controle moral.
Ela apontou para um telão onde aparecia um trecho ampliado de uma bula:
“Podem ocorrer: desejo sexual exacerbado, orgasmos espontâneos, comportamento sexual desinibido.”
— Minha cliente, meritíssimo, gozava no meio da padaria.
Um silêncio caiu como pedra.
O juiz ergueu uma sobrancelha.
Letícia se inclinou para o microfone:
— Eu estava esperando a fornada do meu pão francês. Depois o atendente me entregou o troco com a mão gelada... e de repente... eu tremi inteira. Senti o gozo descer pelas coxas. Nem encostou em mim. Só olhou.
Foi culpa do Escitalopram. E do olhar dele.
O juiz pigarreou.
— Ordem! Isso aqui não é um cabaré farmacêutico.
Mas o estrago já estava feito. A platéia murmurava, alguns riam, os hipocondríacos anotavam os nomes dos remédios.
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TESTEMUNHA 1 — O Psiquiatra
Chamado à tribuna: Dr. Ronaldo Bastos, psiquiatra há 27 anos, especialista em farmacodinâmica sexual.
— A senhora Letícia tomava uma combinação de quatro antidepressivos e dois estabilizadores de humor. O cérebro dela virou uma rave bioquímica. Ela poderia transar com um hidrante no meio da rua.
— Ela transou com meu tio e meu irmão na mesma noite! — gritou da platéia o ex-marido, Josué, visivelmente abalado.
— Ordem no tribunal! — berrou o juiz, suando.
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CENA EXPLÍCITA — DEPOIMENTO DE UM AMANTE
Subiu ao púlpito o primeiro amante convocado: Robson “Bochecha” Nascimento, 26 anos, segurança de shopping. Estava de boné, camiseta colada no peito e um leve sorriso sacana.
— Conheci a Letícia quando ela tentou sair da loja sem pagar um vibrador. A gente foi pra salinha de segurança. Ela sentou na cadeira… e começou a esfregar a xoxota no braço dela.
— Não é verdade! — gritou Letícia, rindo. — Eu me sentei e o meu braço tava gelado! Foi reflexo involuntário! Reflexo do medicamento!
— A senhora cavalgou em mim em cima do painel das câmeras! — retrucou Robson. — Me chamou de "guardinha do apocalipse", cuspiu no meu peito e gritou “vem destruir minha depressão com esse cassetete na minha xoxota!”
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TESTEMUNHA 2 — REPRESENTANTE DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
Viviane Krieger, relações públicas da farmacêutica NeuroMax Brasil, fabricante do Sertralex, subiu ao púlpito.
— Os efeitos colaterais existem, mas são raros. A senhora Letícia usou a farmacologia como desculpa pra montar um harém urbano. Temos registros de que ela combinava remédios com champanhe, Red Bull e ketamina vaginal.
Letícia interrompeu:
— Só pra quebrar o efeito da Trazodona! Eu precisava sentir algo! E nada mais quebrava minha anedonia do que uma pirocada bem dada.
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DIÁLOGO CORTANTE — EX-MARIDO NO PÚLPITO
Josué, o ex-marido traído, pai dos dois filhos, entrou de terno marrom e olhos inchados.
— Eu a amava. Até flagrá-la trepando com um Uber no nosso sofá.
Ela virou pra mim, com o pau do cara ainda dentro da vagina, e disse:
"Calma, amor. É só efeito colateral."
Letícia, com um sorrisinho indecente, rebateu:
— Eu achava que era um problema com o aplicativo. Você sabe como eles o chamam? "UberX". Pensei que era algo pornô.
— Você... você fodeu com o pastor, Letícia! Dentro da igreja!
— Ah, qualé, Josué... ele disse que queria “entrar no templo da carne”.
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O VEREDITO
Depois de seis horas de depoimentos, imagens explícitas, áudios sórdidos e até uma gravação dela usando uma cenoura dentro do supermercado, o juiz Braga suspira.
— Senhora Letícia... a senhora é um perigo público com clitóris ativado por safadeza. Culpa confirmada.
— A senhora perde a guarda dos filhos.
— Deverá pagar indenização.
— E terá seus vídeos incluídos no processo público.
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EPÍLOGO — CARMA
Letícia?
Virou celebridade pornô com a série “Farmacofoda”, onde lia bulas antes de ser penetrada por desconhecidos em locais públicos.
O ex-marido Josué?
Tornou-se palestrante sobre traumas conjugais. Mas às vezes, à noite, entrava escondido em sites pornôs e se masturbava vendo o vídeo da ex sendo entubada por dois enfermeiros falsos enquanto gritava:
— “Isso aqui é TUDO culpa do Sertralex, caralho!”
Justiça?
Feita.
Mas a libido... essa, ninguém mais segurava.
