BULA, BUCETA E A BALANÇA DA JUSTIÇA (TARJA PRETA NÃO JUSTIFICA SURUBA)

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Grupal
Contém 835 palavras
Data: 08/02/2026 06:30:10

CENA: Fórum de São Bernardo do Campo - 9h08 da manhã

O ar-condicionado do Tribunal estava quebrado. O suor escorria pela testa do juiz Eduardo Braga, 58 anos, enquanto batia o martelo com irritação.

— Iniciamos o julgamento de Letícia Ramos da Silva, ré por crimes de adultério recorrente com humilhação pública, dano emocional ao cônjuge, exposição indevida de menores e difamação à fé conjugal.

Letícia estava de pernas cruzadas. Vestia um vestido vermelho sem sutiã, os mamilos apontando como se quisessem participar da audiência. Suas coxas se roçavam, inquietas. A maquiagem era pesada. Ela sabia o efeito que causava. E queria causar.

Do lado de fora, manifestantes seguravam cartazes:

“Nem tudo é culpa da bula!”

“Tarja preta não justifica suruba.”

“Putaria não é patologia.”

A primeira a falar foi a advogada de defesa, Dra. Lúcia Vaz, uma ex-feminista radical convertida ao culto da libido clínica.

— Meritíssimo, minha cliente está sendo punida por um corpo que não a obedece. Ela é uma mulher doente. Sofria de depressão majoritária com sintomas ansiosos. Foi medicada com Sertralina, Bupropiona, Trazodona e Escitalopram, todos simultaneamente, conforme receitas que constam nos autos. E o que essas drogas têm em comum? Aumento de libido, impulsividade sexual, inibição do controle moral.

Ela apontou para um telão onde aparecia um trecho ampliado de uma bula:

“Podem ocorrer: desejo sexual exacerbado, orgasmos espontâneos, comportamento sexual desinibido.”

— Minha cliente, meritíssimo, gozava no meio da padaria.

Um silêncio caiu como pedra.

O juiz ergueu uma sobrancelha.

Letícia se inclinou para o microfone:

— Eu estava esperando a fornada do meu pão francês. Depois o atendente me entregou o troco com a mão gelada... e de repente... eu tremi inteira. Senti o gozo descer pelas coxas. Nem encostou em mim. Só olhou.

Foi culpa do Escitalopram. E do olhar dele.

O juiz pigarreou.

— Ordem! Isso aqui não é um cabaré farmacêutico.

Mas o estrago já estava feito. A platéia murmurava, alguns riam, os hipocondríacos anotavam os nomes dos remédios.

**

TESTEMUNHA 1 — O Psiquiatra

Chamado à tribuna: Dr. Ronaldo Bastos, psiquiatra há 27 anos, especialista em farmacodinâmica sexual.

— A senhora Letícia tomava uma combinação de quatro antidepressivos e dois estabilizadores de humor. O cérebro dela virou uma rave bioquímica. Ela poderia transar com um hidrante no meio da rua.

— Ela transou com meu tio e meu irmão na mesma noite! — gritou da platéia o ex-marido, Josué, visivelmente abalado.

— Ordem no tribunal! — berrou o juiz, suando.

**

CENA EXPLÍCITA — DEPOIMENTO DE UM AMANTE

Subiu ao púlpito o primeiro amante convocado: Robson “Bochecha” Nascimento, 26 anos, segurança de shopping. Estava de boné, camiseta colada no peito e um leve sorriso sacana.

— Conheci a Letícia quando ela tentou sair da loja sem pagar um vibrador. A gente foi pra salinha de segurança. Ela sentou na cadeira… e começou a esfregar a xoxota no braço dela.

— Não é verdade! — gritou Letícia, rindo. — Eu me sentei e o meu braço tava gelado! Foi reflexo involuntário! Reflexo do medicamento!

— A senhora cavalgou em mim em cima do painel das câmeras! — retrucou Robson. — Me chamou de "guardinha do apocalipse", cuspiu no meu peito e gritou “vem destruir minha depressão com esse cassetete na minha xoxota!”

**

TESTEMUNHA 2 — REPRESENTANTE DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Viviane Krieger, relações públicas da farmacêutica NeuroMax Brasil, fabricante do Sertralex, subiu ao púlpito.

— Os efeitos colaterais existem, mas são raros. A senhora Letícia usou a farmacologia como desculpa pra montar um harém urbano. Temos registros de que ela combinava remédios com champanhe, Red Bull e ketamina vaginal.

Letícia interrompeu:

— Só pra quebrar o efeito da Trazodona! Eu precisava sentir algo! E nada mais quebrava minha anedonia do que uma pirocada bem dada.

**

DIÁLOGO CORTANTE — EX-MARIDO NO PÚLPITO

Josué, o ex-marido traído, pai dos dois filhos, entrou de terno marrom e olhos inchados.

— Eu a amava. Até flagrá-la trepando com um Uber no nosso sofá.

Ela virou pra mim, com o pau do cara ainda dentro da vagina, e disse:

"Calma, amor. É só efeito colateral."

Letícia, com um sorrisinho indecente, rebateu:

— Eu achava que era um problema com o aplicativo. Você sabe como eles o chamam? "UberX". Pensei que era algo pornô.

— Você... você fodeu com o pastor, Letícia! Dentro da igreja!

— Ah, qualé, Josué... ele disse que queria “entrar no templo da carne”.

**

O VEREDITO

Depois de seis horas de depoimentos, imagens explícitas, áudios sórdidos e até uma gravação dela usando uma cenoura dentro do supermercado, o juiz Braga suspira.

— Senhora Letícia... a senhora é um perigo público com clitóris ativado por safadeza. Culpa confirmada.

— A senhora perde a guarda dos filhos.

— Deverá pagar indenização.

— E terá seus vídeos incluídos no processo público.

**

EPÍLOGO — CARMA

Letícia?

Virou celebridade pornô com a série “Farmacofoda”, onde lia bulas antes de ser penetrada por desconhecidos em locais públicos.

O ex-marido Josué?

Tornou-se palestrante sobre traumas conjugais. Mas às vezes, à noite, entrava escondido em sites pornôs e se masturbava vendo o vídeo da ex sendo entubada por dois enfermeiros falsos enquanto gritava:

— “Isso aqui é TUDO culpa do Sertralex, caralho!”

Justiça?

Feita.

Mas a libido... essa, ninguém mais segurava.

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