Não conhecia este site até pouco tempo atrás. Navegando sem rumo, acabei caindo aqui e achei que seria um bom lugar para compartilhar algo que não consigo dizer entre amigos, talvez por vergonha, talvez por medo de julgamento.
Minha esposa é uma mulher que chama atenção. Morena clara, cabelos longos e pretos, sorriso aberto que conquista qualquer ambiente. Tem 1,70 de altura, corpo GG, mas não exagerado: seios médios, quadris generosos, bumbum grande. Aos 46 anos, educadora dedicada, carrega uma simpatia que parece iluminar os outros.
Eu, por outro lado, sou um homem de 50 anos. Branco, gordo, grisalho. E é dessa diferença entre nós que nasce a história que quero dividir com você, leitor. Afinal, quem nunca se sentiu menor ao lado de alguém que parecia maior que a vida?
Como em qualquer casamento, o tempo passa e as coisas mudam. No começo, tudo é novidade, paixão, planos. Mas depois vêm as rotinas, os filhos, as contas, os compromissos. O interesse diminui, não porque o amor desaparece, mas porque a vida se encarrega de ocupar os espaços que antes eram só nossos.
E quando os filhos crescem e seguem seus próprios caminhos, sobra um silêncio diferente dentro de casa. É nesse momento que algumas coisas mudam. O que antes era correria, agora é pausa. O que antes era desculpa, agora é reflexão. E eu me peguei pensando: será que ainda somos os mesmos? Ou será que nos tornamos estranhos que dividem o mesmo teto?
Com o tempo, percebi que minha esposa foi ficando mais fria. Não que tenha deixado de ser simpática com os outros, isso ela continua sendo, mas comigo, dentro de casa, parecia menos ouvinte, menos parceira. Aquela cumplicidade que antes nos fazia rir juntos foi se tornando rara.
E aí veio a fase da academia. Ela começou a se dedicar mais, falar de treinos, de saúde, de disciplina. Embora não emagrecesse, percebia que as idas lhe faziam bem: voltava mais leve, mais animada, com brilho nos olhos. Até aí, tudo bem. Mas logo os comentários começaram a girar em torno do personal: dicas, conselhos, elogios. Sempre havia uma história nova sobre ele, uma frase que ele disse, uma sugestão que ela achou interessante.
Foi nesse ponto que senti um gatilho. Não sei se você já passou por isso, leitor, mas é como se uma luz vermelha acendesse dentro da cabeça. Você começa a reparar em cada detalhe, cada menção, cada sorriso diferente. E eu me perguntei: será que estou vendo coisas demais, ou será que estou vendo o que não queria enxergar?
Curiosamente, foi nesse período que percebi minha esposa voltando a ser mais amiga comigo. Pequenos gestos, conversas mais leves, uma atenção que há tempos eu não sentia. E isso me fez amadurecer uma ideia estranha, quase contraditória: talvez, para tê-la bem ao meu lado, eu precisasse ceder.
Não falo de desistir do casamento, mas de aceitar que ela buscasse fora aquilo que já não encontrava em mim. É duro admitir, leitor, mas comecei a pensar que me tornar corno poderia ser, de certo modo, um caminho para manter nossa relação viva.
Foi num jantar simples, só nós dois, que resolvi tocar no assunto. O vinho ajudava a soltar as palavras, e eu aproveitei o clima mais leve para dizer o que vinha remoendo há tempos.
Com calma, falei que percebia como o personal sempre a rodeava quando eu a levava ou buscava na academia. Não disse com raiva, nem com acusação, mas como quem observa e guarda. Perguntei se ela já tinha pensado em mandar um 'oi' para ele, só para ver a reação.
Ela riu, meio sem graça, mas acabou cedendo. Pegou o celular, mandou a mensagem curta. E foi aí que a avalanche começou: inúmeras respostas, entusiasmo, perguntas se podia falar, como se aquele simples 'oi' fosse uma senha para abrir uma porta.
Era a mensagem dele. Direta, mas cuidadosa: sugeria um encontro durante a semana, à tarde, longe da academia. Deixava claro que não queria problemas, mas nas palavras havia desejo, havia intenção.
Ela riu, como quem testa os limites, e esperou minha reação.
Eu respirei fundo, olhei nos olhos dela e disse apenas:
— Aceita. Você merece sentir algo. Eu te amo, e sei que você me ama.
Ela ficou estática por um instante, voz baixa, mansa:
— Você tem certeza?
E eu confirmei:
— Tenho.
Foi então que ela se aproximou, passou as mãos pelos meus cabelos grisalhos e me beijou com uma ternura que há tempos eu não sentia. Só depois levantou-se e foi até o sofá, celular ainda na mão, como se carregasse ali uma chave para algo novo.
O silêncio da sala nos envolveu, e eu percebi que não era apenas uma permissão. Era uma entrega.
O passo para me tornar corno foi dado.
ederfera@hotmail.com