— Eu vou fazer isso. É agora — Amanda pensou consigo mesma enquanto esperava pela batida na porta.
O coração dela batia descompassado no peito, *tum-tum-tum*, rápido e forte, e as mãos tremiam numa mistura de ansiedade e tesão. Ela olhou para a notificação do WhatsApp na tela do notebook, avisando que ele estaria ali num minuto. A mensagem tinha chegado há dois minutos. *Ele vai sacar que tem alguma coisa errada se me vir tremendo desse jeito.* Ela andava de um lado para o outro no minúsculo quarto da república, esperando. Graças a Deus a Mari, com quem ela dividia o apê, tinha saído para a noite, então ninguém veria o estado deplorável em que Amanda se encontrava. Ela respirou fundo, tentando acalmar os nervos, encarando a câmera profissional parada em cima da escrivaninha.
A batida na porta a fez dar um pulo.
— Já vai! — ela gritou, saltando em direção à mesa.
*Eu não consigo. Sem chance. Foi idiotice achar que eu conseguiria.*
Num movimento de puro pânico, ela agarrou a câmera e ligou o aparelho. *Vamos, vamos, logo!* Com alguns cliques rápidos nos botões, ela formatou o cartão de memória. Checou uma, duas, três vezes para ter certeza absoluta de que o cartão estava zerado antes de ter coragem de desligar a máquina novamente.
Com a câmera na mão, ela abriu a porta e cumprimentou o amigo, Tiago.
— Desculpa a demora, eu tava terminando de me vestir — ela explicou, soltando uma risada nervosa.
— Tranquilo — Tiago respondeu, abrindo um sorriso. — Brigadão por me emprestar a câmera pro fim de semana. Meu irmão e eu vamos descer pra praia, dar um rolê pelo litoral norte, e eu não sei que merda tá acontecendo com a câmera que eu ganhei no Natal passado. Ela fica morrendo na minha mão e já apagou a memória umas duas vezes sozinha. Acho que preciso de uma nova, mas tô sem grana agora.
— Ah... Claro, sem problemas. Quando precisar! — Amanda era uma pilha de nervos.
— Tá... tá tudo bem? — Tiago era amigo de Amanda há quase dois anos e sacou na hora que tinha algo fora do lugar. Ela parecia estar evitando olhar nos olhos dele.
— Não, claro que não! É só que, hã... eu tô com pressa pra me arrumar, vou sair hoje à noite.
— Ah, massa. Vai pra onde?
*Merda, por favor, só vai embora.* Amanda realmente não queria mentir, mas não tinha deixado muita escolha para si mesma.
— Vou sair. Quer dizer, vou prum barzinho. A gente ainda não decidiu qual.
— Irado.
Normalmente, Tiago puxaria papo, perguntaria com quem ela ia ou os planos, mas ela não parecia a fim de conversa, e ele não quis forçar a barra. Embora ele tivesse demonstrado interesse em Amanda quando eram calouros, ela não parecia sentir o mesmo. Ele tinha criado esperanças numa noite, depois de um beijo bêbado numa festa da faculdade, mas no dia seguinte ela garantiu que foi só o álcool falando. Isso já tinha mais de um ano e meio, e ele já tinha superado.
— Beleza, então não vou te segurar. Valeu mesmo pela câmera. Te devolvo na segunda sem falta. Falou.
— Tchau.
Ela fechou a porta rapidamente e se jogou na cama, aliviada por finalmente tirar o peso das pernas trêmulas. Sentia-se decepcionada consigo mesma. Tinha esperado por essa noite durante dias e mal tinha pregado o olho na noite anterior, só imaginando. *Eu devia saber que ia amarelar.*
Tudo tinha começado quase um mês atrás, quando o outro amigo dela, Davi, pediu a câmera emprestada para um trabalho da faculdade. Isso não era novidade para Amanda. Ela amava fotografia e tinha investido numa câmera foda no verão passado, antes de viajar. Ela não ligava de emprestar para os amigos, porque sabia que a grana era curta para todo mundo na faculdade e uma câmera dessas não era prioridade para quem estava atolado em dívidas e boletos. Ela também sabia que seus amigos eram de confiança e cuidariam bem das coisas dela. Então, como de costume, concordou em emprestar para o Davi.
Porém, uma hora antes de ele passar para pegar, Amanda teve uma realização chocante: ela tinha deixado algumas fotos impróprias no cartão de memória. Tinha tirado umas fotos para um ex-namorado. A maioria era coisa inocente, mas tinha algumas fotos de topless no meio. Felizmente, ela lembrou a tempo de apagar tudo antes de entregar a câmera para o Davi, mas a experiência a deixou pensando... *e se ela não tivesse lembrado?*
O pensamento inicialmente a aterrorizou. Ela considerou parar com essa política de emprestar a câmera só para garantir, mas parecia exagero. Não era culpa dos amigos, e seria sacanagem parar de ajudar. Depois de pegar a câmera de volta com o Davi, decidiu que só precisava ser mais cuidadosa no futuro.
Entretanto, ela não conseguia parar de pensar no "quase". Às vezes, imaginava o que teria acontecido se não tivesse apagado as fotos. Imaginava o Davi levando a câmera para casa, a expressão no rosto dele ao descobrir aquelas imagens sensuais dela. Imaginava a própria vergonha e o desamparo ao perceber que o amigo a tinha visto exposta daquele jeito. Mas, principalmente, ela imaginava o que o Davi pensaria dela.
Amanda sempre se deu melhor com os caras do que com as garotas, desde criança. Quando se mudou para cursar faculdade de Biológicas no ano passado, os velhos hábitos voltaram, e ela se viu fazendo mais amigos homens. Não que não gostasse de mulheres. Amanda era tímida, o que significava que raramente tomava a iniciativa para fazer novas amizades. Em vez disso, deixava as pessoas virem até ela.
Considerando que ela era atraente, jovem e mulher, não era surpresa que os caras tomassem mais a iniciativa. Na adolescência, ela tinha sido mais alta que todas as outras meninas da sala, o que a deixou insegura com a aparência. Os seios também demoraram a crescer e ela sempre teve o quadril meio largo, então por muito tempo se sentiu uma aberração. Mas acabou crescendo e o corpo se ajeitou: 1,78m de altura, uns 61kg, sutiã 44 bem preenchido e quadris que acentuavam uma bunda redonda e empinada. O cabelo era uma cascata de cachos castanhos escuros que caíam logo abaixo dos ombros, e ela tinha um rosto fino com um nariz marcante. Sabia que os caras a achavam gata. Mesmo assim, as inseguranças da infância nunca a abandonaram totalmente.
Embora os caras estivessem interessados nela há tempos, Amanda raramente correspondia às investidas. Não era fria, mas quase nunca retribuía os flertes. Preferia ser tratada como mais um *brother* do grupo, e seus pretendentes geralmente viravam amigos. Davi e Tiago caíam nessa categoria.
Mas esse incidente com o Davi e a câmera tinha despertado algo adormecido nela. Com os ex-namorados, Amanda sempre foi levemente submissa, preferindo se entregar ao parceiro. Nessas situações, estar impotente diante de outra pessoa sempre a excitava. Ela não conseguia evitar imaginar o Davi passando pelas fotos de topless, vendo um lado totalmente novo da doce e inocente Amanda. Mas, mais importante, ela ficava obcecada com a ideia de que tudo aquilo não passaria de um acidente, um erro simples que a deixaria completamente vulnerável a um amigo que, com certeza, aproveitaria a descoberta. Como em seus *roleplays* passados, ela seria uma vítima impotente... e esse conceito a deixava molhada. Várias vezes, ela tentou afastar esses pensamentos, lembrando a si mesma o quão inapropriados eram, mas eles inevitavelmente voltavam.
Uma semana depois do incidente, os pensamentos invadiram a mente dela enquanto estava no banho. A combinação da água quente, o cheiro do sabonete e os pensamentos eróticos a deixaram num estado relaxado. Quase sem perceber, ela deixou a mão descer pelo corpo, e logo começou a se tocar. Sentiu vergonha de quão facilmente seus dedos deslizaram para dentro dela, mas não vergonha o suficiente para parar. Minutos depois, após um dos orgasmos mais intensos que já tinha experimentado, percebeu que essa fantasia estava longe de acabar. Ainda tinha medo de os amigos verem suas fotos íntimas, mas o medo era parte do tesão. Agora, ela desejava que as coisas tivessem sido diferentes — que ela tivesse esquecido as imagens para o Davi encontrar.
Ela poderia simplesmente deixar um dos amigos vê-la nua. Poderia transar com um deles ou mandar um nude por e-mail... Ambas as opções eram divertidas e excitantes, mas nenhuma fazia o coração bater como a fantasia original. Tinha que parecer acidental. Tinha que parecer não consensual, no sentido de que ela não deu permissão explícita. Ela queria ser exposta, queria estar vulnerável, mas também queria parecer inocente e sem poder. Na fantasia, o controle tinha que ser tirado das mãos dela. Na fantasia, ela era alheia, apenas uma garota boba que foi vítima do próprio descuido... e era nisso que ela queria que o voyeur acreditasse.
A fantasia a perseguiu dia e noite, até que finalmente ela decidiu. Ia fazer. Não sabia como nem quando, mas isso não importava. O fato de ter planejado fazer já era suficiente por enquanto.
Três dias atrás, a oportunidade apareceu quando Tiago perguntou se podia usar a câmera da Amanda enquanto o irmão estava na cidade. Amanda concordou na hora, feliz da vida, e reupou as mesmas fotos que tinha deletado semanas atrás para o Davi — as imagens que começaram toda essa fantasia. Na maioria das fotos ela estava completamente vestida, mas depois de várias imagens, a coisa tomava um rumo mais sexual. Em uma, ela exibia um sutiã de renda, enquanto em outra levantava a saia para mostrar uma calcinha rosa por baixo. Finalmente, nas últimas imagens, ela abria um moletom de zíper para revelar que estava de topless por baixo. Depois de duas fotos mostrando um decote profundo, as duas finais mostravam o moletom totalmente aberto e os seios empinados de Amanda, completamente expostos. Os mamilos grandes e rosados estavam duros, eretos, enquanto os olhos dela encaravam a câmera de forma sedutora...
***
Continua?