Lari: Mãe, que porra foi aquela?
Luana: Do que você está falando? E por favor, mocinha, cuidado com o tom ao falar comigo.
Lari: Tom? Tom?! Eu desci mais cedo pra tomar café e vi a Cátia dando um tapa na sua bunda, mãe. Na bunda!! Desde quando você permite isso?
Luana: Ai, meu Deus... É por isso? O que tem isso, filha? Foi só uma brincadeira, nada de mais, kkkk. Não me diz que você está com ciúmes da sua amiga — com a sua MÃE, Larissa?!
Lari: Quer saber, mãe? Tô percebendo que não te conheço tão bem quanto eu pensava.
Luana: Ok, já chega! Primeiro: você me deve respeito. Não fala comigo desse jeito porque nessa casa eu não admito isso. Segundo: se você não conhece sua própria mãe direito, talvez seja porque você sempre foi fechada — preferia contar seus segredos pras da rua do que pra mim.
Lari: Mas eu...
Luana: Cala boca, Larissa. Terceiro: você foi quem mais insistiu pra eu fazer amizade com a Cátia. Agora que fiz, você reclama de como é a amizade. O que tem a Cátia me dar um tapa na bunda?
Lari: Mas mãe, é errado, ela...
Luana: Ela nada. Foi só uma brincadeira. Diferente de você, eu não fico com mulheres e sou casada. Mas essas são as brincadeiras da sua melhor amiga, e se eu quero ser amiga dela, isso acontece. Ela dá tapa na minha bunda, eu dou na dela. A gente dá tapas porque tem bunda!!
Minha mãe falou e saiu. Fiquei ali parada no meio da cozinha.
Como assim "porque tem bunda"? Eu não tenho não?! Que vadias...
O dia foi longo e chato. Na faculdade eu evitava a Cátia porque estava com raiva dela. Em casa evitava minha mãe pelo mesmo motivo. Fui parar na rede da varanda, sozinha com meu próprio silêncio.
Fiquei pensando. E quanto mais pensava, mais eu tinha que admitir: eu não podia ser hipócrita. Não dava pra ficar brava com minha mãe sendo que eu mesma vinha provocando o marido dela fazia semanas. Mas mesmo assim — por que aquela amizade com a Cátia me deixava com tanta raiva? Por que aquele tapa específico me incomodou tanto?
Júlio: Tá frio, guria. Entra pra dentro.
Lari: Ai, Júlio, me deixa...
Júlio: Que foi? Tá toda caruada aí, kkkk.
Lari: Nada.
Ele me deu um tapinha no braço e puxou uma cadeira, sentando do lado sem ser chamado.
Júlio: Para de graça. Sua mãe me contou o que tá rolando. É ciúme, né?
Lari: Eu não tô com ciúme. Não ligo se ela e a Cátia são amiguinhas, tá?!
Júlio: Kkkkk, talvez disso você não ligue mesmo. Mas com ciúme você tá — só que de outra coisa.
Lari: Que coisa?
Ele cruzou os braços e me olhou do jeito de quem tá medindo as palavras antes de falar.
Júlio: Você tá com ciúme da sua mãe. Não sou novo, Lari, sou vivido. Você sempre quis se mostrar a mais safada da história, a mais corajosa, a que não tem medo de nada. Tava bem enquanto sua mãe era a "careta". Mas aí você descobriu que ela não é bem assim... e agora você não sabe mais onde se encaixa nessa história.
Lari: Que imbecil. Não tem nada disso.
Júlio: Não entra nessa competição, Larissa. Você vai se decepcionar com o resultado.
Ele se levantou pra ir embora. E foi exatamente aí que alguma coisa em mim virou.
Lari: Fala, fala. Mas se eu abrir as pernas você cai de joelhos. Numa competição, eu venceria — e você sabe disso.
Ele parou. Virou devagar.
Júlio: Você fica se fazendo de corajosa, Lari. Mas na hora H sempre dá pra trás. Não é coragem, é teatro.
Lari: Acha que não tenho coragem?
Júlio: Eu não acho nada, kkkk.
Ele disse aquilo e virou as costas de novo. E eu me levantei.
Meus passos foram ficando mais lentos conforme eu chegava mais perto, como se uma parte de mim ainda estivesse tentando me convencer a parar. Mas eu não parei. Cheguei nele, peguei no ombro, ele virou, e eu dei um beijo na boca dele.
O safado nem se surpreendeu. Parecia que estava esperando. Me puxou pela cintura, me empurrou de costas contra a parede e foi junto, o peso do corpo dele me pressionando, a boca dele no meu pescoço, as mãos percorrendo meu corpo sem pressa de quem sabe exatamente o que está fazendo.
Ele puxou a alça da minha camiseta pro lado, devagar, expondo meu peito. A barba por fazer dele roçou no meu bico e me deu um arrepio que desceu até o joelho. Ele fechou a boca ali, chupou com calma, e no mesmo tempo que mordeu levinho deu um tapa seco na minha bunda.
Lari: Aaah...
O gemido saiu antes que eu pudesse segurar. Ele me virou de costas, abaixou minha saia e ela caiu no chão. Fiquei de calcinha, encostada na parede, com ele colado em mim por trás. Ouvi o barulho da bermuda dele. Ele colocou minha calcinha de lado com um dedo, devagar, e cuspiiu na mão.
Aí meu Deus. Vai acontecer de verdade?
A cabeça da rola dele estava posicionada na entrada da minha buceta. Eu sentia o calor daquilo de fora, e quando ele pressionou levemente eu senti ela começando a entrar — só a ponta, mas o tamanho daquilo já dava pra sentir, já apertava, já deixava claro o que estava vindo. Eu fechei os olhos. Eu queria. Meu corpo inteiro queria.
Foi minha cabeça que não deixou.
A imagem da minha mãe apareceu sem ser chamada. Não a minha mãe de quatro na cama — a minha mãe sentada na sala naquela tarde, me olhando com cara de decepção. E foi o suficiente.
Me virei rápido, empurrei ele pra trás com as duas mãos, puxei a saia do chão e me cobri. Ele ficou olhando pra mim sem entender, a respiração pesada, e eu já ia sair correndo quando ele pegou no meu braço.
Júlio: Vai dar pra trás de novo? — ele falou baixo, sem raiva, mas com uma frieza que doeu. — Tudo bem. Mas para de se vender como corajosa quando você não é.
Ele soltou meu braço e saiu. Ficou o silêncio da varanda e eu com a parede fria nas costas.
O choro veio devagar. Não aquele choro dramático de novela — foi chegando sem aviso, apertando o peito primeiro. Eu estava confusa. Estava triste por não ter conseguido ir até o final? Ou estava triste por ter chegado até ali com o marido da minha mãe? Eu não sabia. E o pior era exatamente esse: eu não sabia.
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No dia seguinte eu acordei com uma tremenda dor de cabeça e três ligações perdidas da Cátia. Deixei pra lá. Tomei um banho longo, decidi que não ia pra faculdade, e fui ficando em casa sem plano nenhum.
O Júlio não estava, o que foi um alívio. Minha mãe chegou mais cedo — tinha curso — passou por mim sem me cumprimentar e subiu pro banho. Eu não disse nada também. A gente tava em modo silêncio, as duas.
A Cátia bateu na porta pouco depois.
Lari: O que você tá fazendo aqui?
Cátia: Ainda remoendo aquilo? Credo, kkkk. Para de noia, amiga.
Lari: Olha, não tô com cabeça hoje. Melhor você ir pra casa e...
Luana: Não. Fui eu que chamei ela pra jantar aqui hoje. Meu curso cancelou e acho que é uma boa ideia a gente ter uma noite das meninas. O que você acha?
Lari: Noite das meninas?!
Luana: Sim. Hora de parar com essa confusão, amor. Vamos fazer as pazes?
Cátia: Vai, Lari. Deixa de bobeira, kkkk.
Não era uma ideia tão ruim. Eu estava com raiva das duas, mas também estava com raiva de mim mesma, e ficar sozinha com isso não estava ajudando. Concordei.
Fui entrar na casa na frente delas quando levei dois tapas na bunda ao mesmo tempo — um forte, que ecoou, e outro mais devagar, que terminou com um aperto bem demorado e bem safado.
Lari: Eiiii!
Luana: Pronto. Agora você não fica mais com ciúmes.
Cátia: Kkkkkk!
Fiquei quieta. Só fui pra dentro.
Minha mãe foi pra cozinha preparar umas coisas e a Cátia me puxou pra escolher um filme. Falei com ela baixinho:
Lari: Safada. Gostou do aperto na minha bunda?
Cátia: Aperto? Eu só dei um tapa, kkkk.
Lari: Sim, você só deu um tapa. E foi o vento que deu aquele aperto bem demorado no final, né?! Kkkk.
Cátia: Lari, eu só dei o tapa. Sério. Não apertei sua bunda.
Eu olhei pra cara dela esperando o sorriso que sempre vinha quando ela estava mentindo. Não veio. A Cátia era boa em muita coisa, mas mentir pra mim na cara limpa nunca foi um delas.
Se não foi ela...
Luana: Pronto, meninas! Fiz uns sanduíches. Ah, filme não — não tô com vontade de filme hoje.
Cátia: Ué, e a gente vai fazer o quê então? Kkkk.
Luana: Que tal jogar?
Lari: Tipo o quê?
Cátia: GIRAR A GARRAFAAAA!!!
Ela gritou isso com uma empolgação suspeita de quem já sabia que ia propor isso antes mesmo de entrar na casa.
Lari: Eu não vou brincar disso com minha mãe, kkkk.
Luana: Vamos, amor. Não tem nada de mais. O que acontece na noite das meninas morre na noite das meninas, kkkk.
Cátia: Isso aí, tia! Amei, kkkkkk.
Acabei aceitando. O que de mau poderia acontecer, né.
Nos sentamos no chão da sala em triângulo com uma garrafa no meio, e minha mãe foi até a cozinha buscar os sanduíches. A Cátia me olhou com um sorriso que eu não soube ler direito. Deixei pra lá.
O jogo começou e a garrafa apontou pra Cátia perguntar pra minha mãe.
Cátia: Tia Lu — verdade ou desafio?
Luana: Verdade!
Cátia: Qual a coisa mais louca que você já fez num jogo da garrafa?
Luana: Hum, deixa eu ver, kkkk... Faz tempo, mas eu mostrei os peitos pra todo mundo da roda. Kkkkkk.
Lari: Sério?!
Luana: Sim! Kkkk. Não perco um jogo desses não. Vou até o fim.
Cátia: Tia Lu do antigo testamento, kkkkkk!
A garrafa girou de novo e parou com minha mãe perguntando pra mim.
Luana: Verdade ou desafio, filha?
Lari: Verdade.
Cátia: Aff, que chato, porra, kkkk.
Luana: Kkkk, ok. Não vou pegar leve não... Você prefere sexo com homens ou com a Cátia?
A pergunta me pegou de surpresa. Ela já sabia que eu e a Cátia nos pegávamos — ela nos tinha flagrado, afinal. Mas nunca tinha tocado no assunto abertamente assim, na minha cara, com a Cátia sentada do meu lado.
Lari: Difícil, mãe. Cada um tem sua forma, kkkk. Mas se tivesse que escolher... iria com homens. Eu preciso de um pau dentro de mim, kkkk.
Luana: Ok, ok. Sem detalhes, kkkk.
A garrafa girou de novo e parou com minha mãe perguntando pra Cátia.
Luana: Verdade ou desafio?
Cátia: Desafio, né?! Kkkk. Não sou covarde!
Luana: Então você é corajosa, hein? Kkkkk... espera aqui.
Minha mãe se levantou e subiu as escadas. Eu e a Cátia ficamos nos olhando sem entender. Eu ouvi os passos dela no quarto, algum barulho de armário, e ela desceu com uma caixa de sapato fechada nas mãos e um sorriso no canto da boca.
Luana: Ok. Eu te desafio a pegar sem olhar um dos brinquedos dessa caixa. O que sair, você tem que usar.
Cátia: Kkkk... mas como assim "brinquedos"?
Luana: Você não é corajosa? Vai lá.
A Cátia fechou os olhos, enfiou a mão na caixa e tirou o que pegou. Abriu os olhos. Eu abri a boca.
Era um brinquedo anal — um cordão com várias bolinhas de silicone, cada uma maior que a anterior.
Cátia: Pera... eu vou ter que colocar isso no meu cu?
Luana: Desafio é desafio, amor. Kkkk.
Eu estava olhando pra minha mãe como se estivesse vendo ela pela primeira vez na vida.
Cátia: Ai, tia, não posso trocar?
Luana: Não. Mas posso aliviar pra você — só até a terceira bolinha.
A Cátia aceitou, tirou a saia e ficou quase nua ali na sala sem muita cerimônia. Tentou colocar sozinha mas fingiu não saber — dava pra perceber que a safada estava enrolando.
Cátia: Ai, tia, não sei colocar, kkkk.
Luana: Lari, ajuda sua amiga aí, kkkk.
Lari: Eu?! Tipo... eu ajudar ela?
Luana: Para de se fazer de santa, vai logo.
Eu fui até a Cátia, cuspi na ponta da primeira bolinha, e forcei devagar. Entrou com um plof que arrancou um gemido abafado dela, kkkk. A segunda foi logo atrás. A terceira deu mais trabalho — a safada era bem apertadinha — mas foi.
O jogo continuou, mas eu já não estava tão presente. Ficava respondendo no automático, rindo na hora certa, pegando no sanduíche que nem tava com fome. Porque tinha uma coisa me ocupando a cabeça que eu não conseguia largar: a sensação de que estava no meio de algo que já estava acontecendo há mais tempo do que eu imaginava. Que as duas estavam se segurando por eu estar ali. Que as risadas eram reais mas havia outra camada embaixo delas que eu não tinha acesso.
Eram atrizes. Boas atrizes. E eu estava na plateia sem ter comprado ingresso.
A última rodada foi a Cátia desafiando minha mãe. Ela olhou pra Luana com aquele sorriso dela — o sorriso que eu conhecia bem, o que aparecia quando ela já sabia o que ia acontecer antes de falar.
Cátia: Tia Lu... eu te desafio a me dar um beijo.
Lari: Mãe, você não deveria...
Luana: Calma, Lari. É só um jogo bobo, kkkk.
Lari: Mas e o Júlio, mãe?
Luana: Ah, vai, filha. Ele nem ia ligar pra isso — ia ficar todo animado, kkkk.
Minha mãe se aproximou da Cátia. E quanto mais ela chegava perto, menos eu acreditava que ia parar. Ela sentou no colo da Cátia, pegou no cabelo dela com uma firmeza de quem sabia muito bem o que estava fazendo, e beijou.
Não era um beijo de jogo. Era molhado, demorado, com língua, com as mãos da Cátia subindo pela cintura da minha mãe sem pedir licença. Não era um beijo de mulheres que nunca tinham se beijado — era um beijo de mulheres que estavam com vontade fazia tempo e finalmente tinham uma desculpa.
Eu fiquei olhando sem conseguir desviar o olhar.
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Depois do jogo fomos dormir. Eu estava atordoada mas o cansaço foi mais forte — assim que deitei o sono me pegou.
De manhã acordei com a Cátia ainda do meu lado. Fui virar pra ela e parei.
Tinha um chupão no pescoço dela. Grande, roxo, daqueles que não se faz com pressa. E outras marquinhas menores espalhadas.
Fui pensar se tinha acontecido durante o beijo com minha mãe ali na sala. Mas não tinha como — eu estava olhando direto pra elas a noite toda. A Cátia não tinha aquilo quando chegou. E não tinha quando fomos dormir.
Só tinha uma explicação: o Júlio tinha voltado pra casa durante a noite.
Desci as escadas tentando me convencer de que eu estava errada. Fui direto pra cozinha — ele sempre era o primeiro a acordar, ficava lá com o celular na mão esperando o café. Mas a cozinha estava vazia.
Subi de volta. Fui até o quarto da minha mãe e abri a porta devagarzinho.
A cama estava toda revirada. Minha mãe dormia pesado, com o cabelo espalhado no travesseiro.
O Júlio não estava lá.
Fiquei na porta por uns segundos olhando pro quarto, processando. A cama bagunçada. O Júlio sumido. O chupão no pescoço da Cátia.
Fechei a porta e fui pro meu quarto de volta. Sentei na cama, olhei pro teto, e fiquei assim por um tempão.
Que porra estava acontecendo nessa casa?
Continua na parte 4