Capítulo 4: O Gosto do Perigo
O silêncio da casa, antes um refúgio de paz, agora parecia pulsar com a batida do meu coração. Olhei para a mensagem de Gabriel e depois para a porta por onde meu marido acabou de sair. Um pensamento perverso, alimentado por uma adrenalina que eu não sentia há décadas, tomou conta de mim.
Eu não queria apenas o segredo; eu queria o caos. Queria ver até onde a estrutura sólida do meu casamento aguentava o peso de uma verdade distorcida.
Peguei o telefone e liguei. Ele atendeu no segundo toque.
— Oi, amor. Esqueceu algo? — a voz dele era calma, previsível, o porto seguro que, naquele momento, me parecia um pântano.
— Não esqueci nada — comecei, minha voz oscilando entre a falsa inocência e o desafio. — Mas aconteceu algo engraçado. Sabe aquele rapaz da farmácia, o que me atendeu ontem? O Gabriel.
Houve uma pequena pausa do outro lado da linha. O som do trânsito ao fundo parecia distante.
— O que tem ele?
— Ele conseguiu meu número. Mandou uma mensagem agora pouco — soltei a isca, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. — Disse que vai cobrir o turno da tarde e perguntou se eu precisava de mais algum "medicamento". O tom foi... ousado, para dizer o mínimo.
O silêncio de meu marido mudou de cor. Não era mais a calmaria do trabalho; era a estática da confusão.
— Ousado como? Ele está te assediando? Eu posso passar lá agora e...
— Não, não seja precipitado — interrompi, com um sorriso que ele não podia ver. — Ele não foi agressivo. Foi... magnético. Ele disse que o espelho da farmácia refletiu algo em mim que eu mesma não queria ver.
— Do que você está falando? — O tom dele subiu um oitavo. A segurança estava rachando.
— Estou falando que ele me enxergou, de verdade. E agora estou aqui, olhando para o guarda-roupa, pensando se devo ir lá mostrar para ele que o "seguro" pode ser muito bem exibido. O que você acha, querido? Devo usar aquele shortinho que você diz que é curto demais, só para ver a cara dele quando eu entrar na farmácia? Ou você prefere vir aqui e me dar um motivo melhor para ficar em casa? 😈
A linha ficou muda por cinco longos segundos. Eu quase podia ouvir as engrenagens da mente dele travando entre o ciúme cego e a excitação proibida que minha audácia provocava.
— Você não ousaria... — ele sussurrou, a voz agora rouca, carregada de uma urgência que há muito tempo não habitava nossos diálogos.
__eu disse entao amor qual roupinha devo ir me exibi para esse novinho?
