Dizem que ter mãe gostosa é um problema. Mas eu lhes digo: pior do que mãe gostosa é ter mãe safada. E, pior ainda — muito pior —, é quando ela é assumida.
Minha mãe, a dona Regina, tem 42 anos. Ela foi casada com meu pai por anos, até que ele resolveu trocar ela por uma mulher mais nova. Minha mãe sofreu muito. Por anos, ela foi o retrato da austeridade pós-divórcio. Durante anos, seu único prazer parecia ser conferir se minha lição de casa estava feita e se o feijão tinha o sal correto. E as séries da Netflix.
De repente, então, tudo mudou. O celibato durou o tempo necessário para o colágeno se reorganizar. Se matriculou na academia. De repente, a mulher que antes usava moletons largos e cheirava a amaciante de roupas transformou-se numa deusa de elastano, com coxas que pareciam esculpidas em mármore e um decote que desafiava as leis da gravidade e da moral cristã.
A coisa desandou de vez há uns seis meses. Ela começou a sair com um sujeito, o Sr. Wanderley do 402, mas o Wanderley foi apenas o "aperitivo" — ou melhor, o lubrificante social. Depois dele, a porteira abriu. E não foi uma abertura discreta; foi uma inauguração com fogos de artifício.
Wanderley é aquele tipo de sujeito que usa pochete e discute calorosamente na reunião de condomínio sobre o fluxo da garagem. O que aconteceu entre eles eu só descobri porque a parede do meu quarto compartilha o reboco com a sala. O que se ouvia não era uma discussão sobre vagas de estacionamento. Eram gemidos guturais, o som de carne batendo contra carne e uma Regina que eu desconhecia, gritando palavrões que nem eu nem meus amigos falávamos.
Até agora, na minha contagem mental (que eu tento ignorar, mas o condomínio não deixa), ela já passou pelo "test drive" de oito vizinhos. E não estamos falando de solteiros convictos. Ela passou o rodo em pais de amigos meus, síndico, e até naquele personal trainer que mora no bloco C e tem o QI de uma ostra, mas o abdômen de um deus grego.
Uma vez, uma terça-feira comum, daquelas em que o mundo lá fora parece não existir quando se está com um headset de cancelamento de ruído e uma missão em Call of Duty. Eu estava há horas jogando, e bateu aquela sede que só o açúcar e o gás podem curar. Fui pegar um copo de Coca. Ao entrar na cozinha, lá estava ela, minha mãe, a dona Regina, de joelhos, chupando o pau do Sr. Jorge, do 205.
Minha mãe não se abalou. Com naturalidade, ela continuou o serviço. O som era úmido, rítmico, uma sucção profunda que fazia o Sr. Jorge revirar os olhos para o teto de gesso. As mãos dela, firmes, guiavam o quadril do vizinho enquanto a boca trabalhava com uma voracidade quase atlética.
— Pelo amor de Deus, mãe! — exclamei, parando diante da geladeira. — Custava irem para o seu quarto?
Ela nem sequer interrompeu o movimento de imediato. Terminou uma sucção particularmente sonora, deslizou a língua pelos lábios pintados de um batom que, milagrosamente, não borrava, e olhou para mim com aquela calma exasperante. O Sr. Jorge, coitado, parecia querer se fundir com o armário embutido.
— A casa é minha, querido — disse ela, a voz ligeiramente rouca, enquanto voltava a abrir a boca para engolir o caralho do vizinho. O Jorge não disse nada, apenas soltou um ganido agudo quando ela o abocanhou novamente com uma pressão renovada, como se quisesse me provar que a autoridade ali era dela — e o prazer também.
Peguei a garrafa de Coca, virei as costas e marchei de volta para o meu quarto. Aumentei ao máximo o som do headset, para não ouvir o som dos tapas de carne contra carne e os gemidos guturais de minha mãe com o Sr. Jorge que já começavam a atravessar as paredes finas do apartamento.
Outro dia, eu estava na portaria, escorado no balcão de mármore sintético, jogando conversa fora com o Beto e o Maurício. Falávamos de futebol, de faculdade, de qualquer coisa. Foi quando o Seu Emerson, do 501, passou por nós. O Seu Emerson é aquele sujeito que carrega o pão francês com uma dignidade de lorde inglês, sempre de sapatênis e um sorriso protocolar.
— Boa tarde, garoto — disse ele, parando e ajeitando os óculos. — A... sua mãe está em casa?
Senti o Beto dar uma cotovelada discreta no Maurício. O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som do meu próprio estômago revirando. Olhei para o Seu Emerson; ele parecia um réu confesso tentando manter a pose, com um leve suor brotando no buço.
— Tá, Seu Emerson. Ela tá lá sim — respondi, com a voz carregada de uma desconfiança que já era, na verdade, uma certeza amarga.
Ele agradeceu com um aceno rígido e apressou o passo em direção ao elevador. Mal as portas se fecharam, o Beto explodiu:
— Cara, o 501 também? Sua mãe tá que tá, hein?
— Pô, respeita a "Rainha do Bloco A" — completou o Maurício, rindo. — O próximo é o porteiro, anota aí.
Fiquei com aquela raiva quente subindo pelo pescoço, mas o pior de tudo é que não havia argumento. Contra fatos e glúteos de aço, não há réplica. Saí para dar uma volta, precisava de ar, de distância, de qualquer coisa. Caminhei por uma hora. Quando voltei, o silêncio do apartamento era aquele silêncio de pós-guerra, ou de pós-banquete. Abri a porta da sala e lá estava minha mãe, jogada no sofá, com o corpo relaxado e um brilho de satisfação. Usava apenas um roupão cor salmão, que estava aberto o suficiente para revelar a curva generosa de um dos seios e o início daquela coxa que era o pesadelo das esposas do prédio. Ao lado dela, o Seu Emerson.
O lorde do pão francês estava apenas de bermuda de sarja, com o tronco nu e os cabelos — o que restava deles — completamente bagunçados. Ele segurava uma taça de vinho com uma mão e, com a outra, acariciava o joelho da minha mãe com uma familiaridade de quem já conhecia cada milímetro daquela anatomia.
— Ah, oi, filho! — disse ela, a voz carregada de uma preguiça deliciosa, nem se dando ao trabalho de fechar o roupão. — O Emerson passou para dar um “oi”.
O Seu Emerson deu um gole no vinho, vermelho como um pimentão, mas com um sorriso de quem acabara de ganhar na loteria.
— Tudo bem, garoto? — murmurou ele, tentando recuperar a dignidade enquanto minha mãe soltava uma risadinha baixa, deslizando o pé descalço pela panturrilha dele.
Respondi com o “Oi” e entrei direto para o meu quarto.
O Maurício, infelizmente, estava certo. O próximo a comer minha mãe foi o porteiro.
O Cleiton era o porteiro noturno, um sujeito de seus trinta e poucos anos, com braços de quem levanta caixa de encomenda o dia todo e um sorriso debochado de quem sabe da vida de todo mundo só pelos envelopes e entregas da Shopee. Ele era o rádio oficial do condomínio, a central de fofocas que unia todos os blocos.
Eu estava voltando da faculdade, com a mochila pesada e a paciência curta, quando parei na entrada para pegar a correspondência. O Cleiton não me viu. Ele estava de costas, encostado no balcão de granito, gesticulando com uma empolgação que só o orgulho masculino ferino consegue produzir. O interlocutor era o Seu Ademar, um aposentado que passava o dia caçando assunto.
— ... rapaz, eu te digo, Seu Ademar — dizia o Cleiton, com a voz baixa mas perfeitamente audível no silêncio do saguão. — Aquilo não é uma mulher, é um evento da natureza. A "Vadia do D303" faz jus ao título.
A “Vadia do D303” era Dona Regina, minha mãe. Senti o sangue subir para as orelhas. O Seu Ademar ouvia com os olhos arregalados, quase babando no próprio bigode branco.
— Mas e aí, Cleiton? Ela te chamou pra quê? — perguntou o velho, num sussurro ávido.
— Disse que o interfone tava com chiado. Quando eu entrei, ela tava na sala, só de roupão. Quando eu vi, rapaz, que interfone que nada... Mal me deu bom dia. Veio pra cima de mim como uma leoa. Me empurrou contra a parede do corredor mesmo, abriu meu zíper e... Seu Ademar, eu nunca vi uma boca tão decidida na minha vida. Ela me chupou ali, entre o quadro de flores e o porta-chaves, e que chupada!
Eu travei. A imagem mental era um parasita que eu não conseguia expulsar.
— E depois? — o velho insistiu, a voz trêmula.
— Depois? Depois ela me levou pro sofá, aquele de couro que faz barulho, sabe? Me montou com tudo. Aquela bunda... rapaz, aquela bunda devia ser tombada pelo patrimônio histórico. Ela cavalgava com uma fúria, me chamando de tudo quanto é nome. Eu xingava de volta, e ela dizia que eu podia meter com força porque ela aguentava.
— Essa gosta mesmo da coisa! — disse o velho.
— Olha Seu Ademar, acho que os tapas que eu dei naquela bunda deve estar marcado até agora. Saí de lá com as pernas bambas e a farda toda amassada. Aquela ali quer ser usada e abusada.
Limpei a garganta com uma força desnecessária. O Cleiton deu um salto, virando-se com a rapidez de um ninja flagrado no crime. O rosto dele passou por sete tons de vermelho antes de se estabilizar num cinza pálido. O Seu Ademar fingiu um interesse súbito por um panfleto de pizzaria.
— Ah... fala, garoto! — gaguejou o Cleiton, ajeitando a gravata. — Suas cartas... estão aqui. Muita conta, né?
Peguei os envelopes da mão dele sem dizer uma palavra. O silêncio era a única arma que me restava contra o fato de que o homem que controlava o acesso ao prédio agora também tinha acesso à minha mãe.
Final de semana, mesmo, era de Lei. Um sábado à noite, eu estava tentando me concentrar, estudando, quando ela chegou com o Dr. Arnaldo, um cardiologista que mora na cobertura e que, ironicamente, deveria saber os riscos de um esforço cardíaco excessivo.
Eles nem chegaram ao quarto. A urgência da Regina é algo quase literário. No corredor, ouvi o som do zíper descendo com a eficiência de um paraquedas abrindo.
— Regina, aqui não... — balbuciou o doutor, com aquela voz de quem já perdeu a batalha para o baixo ventre.
— Shhh, Arnaldo. O perigo é o tempero.
Eu tentei aumentar o volume da TV, mas o som da carne batendo contra a parede do corredor era um metrônomo implacável. Ela o prensou contra o aparador de jacarandá. Regina, em sua fase atual, não pede; ela reivindica. Ouvi o gemido agudo dela, aquele som de satisfação que ela faz questão que todo o andar ouça, enquanto abria as pernas e guiava o pau do homem para dentro de si com uma voracidade de quem quer recuperar cada minuto de tédio conjugal.
Pelo vão da porta, vi o reflexo no espelho do hall. Minha mãe, com as mãos espalmadas na parede, a coluna arqueada em um ângulo perfeito, recebendo as estocadas fundas e rítmicas do vizinho. Ela sorria. Um sorriso de quem sabe exatamente o que está fazendo.
— Mais forte, doutor... — ela sussurrou, a voz carregada de um prazer explícito. Em poucos minutos, o homem não aguentou e encheu a buceta da minha mãe de porra.
— Foi um bom começo... — ela sussurrou, anunciando que a noite estava só começando.
Mas isso nem foi o pior. Certa noite, cheguei mais cedo da faculdade e a cena na sala era digna de um filme pornô. Minha mãe estava de quatro sobre a mesa de jantar — aquela mesma onde comíamos lasanha aos domingos —, completamente nua, enquanto o pai do meu melhor amigo, o seu Ricardo, a possuía com uma fúria que eu não sabia que um contador de 50 anos poderia possuir. O som não era de amor, era de esporte de alto rendimento. Eram tapas ruidosos naquelas nádegas que a academia deixou firmes, misturados com gemidos que ecoavam pelo cômodo.
Ela me viu pelo reflexo do buffet. Não parou. Pelo contrário, arqueou mais as costas, oferecendo-se ao impacto da carne contra a carne, e soltou um suspiro de satisfação que era puro deboche. Regina adora a infâmia.
Mas o episódio com o Sr. Arnaldo, pai do Beto, testou todos os limites. O Beto é meu melhor amigo desde o pré-primário, e ali estávamos nós, na sala, concentrados numa partida tensa de FIFA, enquanto nossos pais "discutiam problemas do condomínio" na mesa de jantar logo atrás de nós.
O tom era formal. O Sr. Arnaldo falava sobre a impermeabilização da laje da garagem; minha mãe respondia sobre a manutenção dos elevadores. Mas o tom foi mudando. As frases ficaram mais curtas, as pausas mais longas e carregadas de uma eletricidade que nem o Wi-Fi do apartamento conseguia ignorar. De repente, o silêncio.
Olhei de soslaio. A mesa estava vazia. A porta do quarto da minha mãe se fechou com aquele clique seco. De repente, o som mudou. Não eram mais vozes; era o rangido da cama da minha mãe era rítmico, quase matemático, interrompido apenas pelos gemidos agudos dela e os urros abafados do Sr. Arnaldo.
O Beto congelou com o controle na mão. Eu olhei para a tela, fingindo que um escanteio era a coisa mais importante do universo. O constrangimento era tão denso que dava para pegar no ar.
— Cara... — o Beto começou, a voz falhando.
— Joga, Beto. Só joga — eu respondi, sem piscar.
Aumentamos o volume da TV, mas o isolamento acústico do prédio era uma piada de mau gosto. Durante quarenta minutos, o som de nítidas palmadas e os gritos agudos da minha mãe — que parecia estar sendo exorcizada de tanta satisfação — competiam com a narração do jogo. O Beto estava pálido; eu não tirava os olhos da tela.
— Chega de videogame? — eu finalmente consegui dizer.
— Sim. — Assentiu o Beto.
Saímos para dar uma volta no condomínio. Mudos. Quando voltamos, a cena na cozinha foi o golpe de misericórdia na nossa sanidade. O Sr. Arnaldo estava lá, de pé, sem camisa, exibindo uma barriga de chope que subia e descia conforme ele bebia água desesperadamente, direto do bico da jarra da geladeira. Minha mãe estava logo atrás. Ela vestia aquele roupão de seda, sem nada por baixo, as marcas avermelhadas bem visíveis na pele clara.
— Essa jarra está bem gelada, Arnaldo — disse ela, com aquela voz aveludada.
Enquanto ele bebia, o Sr. Arnaldo, com a maior naturalidade do mundo, esticou a mão livre e desferiu dois tapas sonoros naquela bunda torneada. O som — pá! pá! — ecoou pela cozinha. Minha mãe soltou uma risadinha deliciosa e deu um rebolado debochado para ele antes de olhar para nós na sala.
— E aí, meninos? Quem está ganhando? — perguntou ela, ajeitando o roupão de forma tão negligente que não escondia absolutamente nada.
O Beto nem respondeu.
— Pai... a gente tem que ir. A mãe disse que o jantar tá pronto — murmurou o Beto, sem conseguir olhar para o próprio pai, que agora limpava a boca com as costas da mão, satisfeito como um leão que acabara de abater uma gazela.
— Claro, filho. Vamos lá — disse o Sr. Arnaldo, pegando a camisa no chão do corredor. — Regina, aquela questão da... infiltração... a gente resolve outro dia, certo?
— Com certeza, Arnaldo. Minha porta está sempre aberta.
Eles saíram, e eu fiquei ali, encarando a tela do videogame. Minha mãe se aproximou, tomando um copo de água, encostada no batente da porta, olhando para mim com um divertimento cruel.
— O que foi, filho? Ficou mudo?
— Mãe... o pai do Beto? Sério?
O mais fascinante — e aterrorizante para um filho — é que ela não esconde. Pelo contrário, ela cultiva a fama. Ela adora o título. "A Vadia do Condomínio" não é um insulto para ela; é uma medalha de honra. É a libertação de uma mulher que passou tempo demais sendo apenas “a esposa do fulano”, "a ex de alguém" ou "a mãe do menino". Agora, ela é a dona da sua própria vida.
