Sangue Latino

Da série Fora da Ordem
Um conto erótico de Bayoux
Categoria: Heterossexual
Contém 7873 palavras
Data: 23/02/2026 20:21:06

O amor é um grito, um desabafo.

Depois da angústia e da dor, depois de mandar tudo mais pro inferno, depois de fazer a dura travessia até esquecer meu amor perdido, o que me restava é só um gemido.

Vivi este murmúrio lamentoso até achar que tinha superado minha paixão por Ivetinha, tempo suficiente para que me adaptasse à nova vida no sítio do Retiro dos Bandeirantes, mais conhecido por nós como “geladeira”.

Lá foi onde me juntei à Corisco e ao Velho para completar nossa pequena célula revolucionária sob a liderança do Maravilha, preparando-nos para um dia entrar em ação e derrubar a ditadura. Enterrei de vez o Jôpa, playboy da periferia, e renasci com o codinome de “Seu Jorge”, o comunista subversivo.

Até que um dia o Maravilha voltou com uma novidade da vendinha onde uma vez por semana comprava nossos mantimentos. Haviam feito contato desde a liderança do movimento e, já no dia seguinte, ele teria que pegar nosso calhambeque e ir à cidade com o Velho.

Tudo era meio misterioso, ele não comentou nada devido ao que chamávamos de informação compartimentada: num plano, ninguém nunca sabe de tudo, só a parte que lhe compete. Essa era nossa estratégia, adotada por estarmos imersos numa região onde os interesses gringos derrubavam cada vez mais governos e instalavam ditaduras militares coordenadas entre si.

Tudo o que os militares descobriam sobre nossos planos chegava rapidamente à Argentina, ao Uruguai, ao Paraguai, ao Chile, ao Peru, ao Equador e até mesmo até à Bolívia. O sangue latino escorria aos borbotões por veias abertas, o nosso sangue, as nossas veias, e qualquer desatenção de nossa parte podia ser a última gota num copo que de tão cheio que já nem dava mais para engolir.

Naquele dia, sem o carro para trabalhar ou dar uns cavalos-de-pau, o treino de combate pessoal com a Corisco começou mais cedo do que de costume. Senti até orgulho de mim mesmo, consegui desviar de vários golpes e a imobilizei quase na mesma quantidade de vezes que ela o fez comigo.

Pode parecer pouco, mas a Corisco devia ser atleta na vida anterior e era bem forte, o que era notável ao sentir seus músculos duros quando a agarrava por trás para imobilizá-la. Eu estava ficando bom naquilo, quer dizer, no combate pessoal, não em agarrá-la por trás. Ali na geladeira éramos como irmãos e não fodíamos entre nós, como eu fazia antes com Tereza, Mayara e Maraisa no grupo anarquista da faculdade.

Eu estava todo suado pelo exercício e havíamos rolado várias vezes na terra, então fui tomar meu banho mais cedo. Entrei no cercadinho ao ar livre, abri a água gelada da ducha e deixei escorrer pelo meu corpo, aplacando o calor. O banho era o único momento do dia em que eu me permitia ficar divagando, lembrando das noites com Ivetinha no mirante, ou mesmo das aventuras com as garotas do Guajira Guantanamera no alojamento cinco da faculdade.

É claro que lembrar desses momentos me dava tesão e, quando percebi, meu pau estava duro. Resolvi bater uma punheta, coisa que eu não fazia mais desde que chegara na geladeira, visto que andava naquela onda de focar só na revolução.

Terminei me deixando levar pela imaginação, tocar a mim mesmo depois de tanto tempo era delicioso e sentia arrepios com a rola crescendo na minha mão. Olhei para baixo e achei que estava até maior que antes, provavelmente devido ao tempo acumulado.

O bicho estava inchado, negro e brilhoso, cheio de veias saltando. Fiquei pensando em como aquelas mulheres eram fantásticas, receber aquilo tudo dentro de si num ato de prazer não devia ser fácil, ainda mais como Mayara e Tereza o faziam, levando no cú.

– Tá divertido aí, Seu Jorge? – escutei a voz da Corisco, vinda do lado de fora do cercadinho.

– Eh… Desculpa, tô demorando, né? Espera que eu já vou sair pra te dar a vez – respondi assustado, como se fosse trazido de um sonho de volta à realidade crua da geladeira.

– Deixa de bobagem, aqui somos todos companheiros. Tô entrando! - Ela avisou sem nem me dar chance de reagir.

Só consegui tapar a rola com as mãos e fiquei acuado num canto, vendo como ela entrava envolta só numa toalha. Corisco entrou sem dar a menor bola para mim, retirou a toalha e entrou na ducha, achando que eu havia chegado para o canto para abrir espaço a ela.

Não é que ela fosse a mulher mais atraente que eu já vira nua, pra dizer a verdade era justo o oposto, mas ver aquele corpo pequeno e todo musculoso, com seios relativamente avantajados para seu tamanho e um tufo de pelos da mesma cor da vasta cabeleira alaranjada, só fez aumentar minha ereção.

Talvez fossem seus músculos sempre saltados, ou o companheirismo quase fraterno que tínhamos, ou mesmo o fato de estar tanto tempo sem me masturbar, mas essa era a primeira vez que a olhei como mulher. Era meio inesperado, mas Corisco era toda gostosinha. Sério mesmo, se a visse na rua vestida talvez eu nunca reparasse nela, mas ali, nua, embaixo do chuveiro, comigo explodindo de desejo, ela parecia a garota mais tesuda do mundo.

Quando Corisco abriu os olhos e se virou, eu continuava acuado no cantinho, tapando meu pau, que não dava um mínimo sinal de que abaixaria se eu não cuidasse dele devidamente.

Com a maior naturalidade do mundo, como se tomar banho com outro homem fosse coisa corriqueira, ela me pediu que lhe passasse o sabonete. Merda, eu estava com ele nas mãos e nem me dei conta. Resignado a passar vexame, estirei uma das mãos e, obviamente, meu pau tamanho gigante pulou para o lado destapado, deixando bem evidente o que eu estava fazendo antes dela entrar.

– A água está fria, né? – eu falei tentando distrair a atenção dela que, a esta altura, já tinha visto o meu pau duraço. Para piorar, além de não pegar o sabonete, a Corisco não tirava o olho de mim e tinha um meio sorriso no rosto.

– Pelo visto, é bom que esteja fria mesmo. Quem sabe assim baixe esse calor todo que você tem aí! - ela respondeu diretamente, apontando para o meu pau duro.

– Ah… Me desculpe. Você me pegou desprevenido quando entrou. Desculpe mesmo – respondi todo acabrunhado, tendo o entendimento de que não dava para disfarçar. O tamanho daquilo entre minhas pernas era bastante evidente.

– Nossa, Seu Jorge, mas você está a perigo mesmo, né? O que é isso, companheiro? Nunca viu mulher pelada?

– Não é isso, Corisco, eu tinha lá as minhas garotas, como você disse no dia em que me trouxe pra cá. Mas é que eu estava aqui, todo este tempo, sozinho.

– Mas olha só, eu estou aqui na geladeira há mais tempo que você, sozinha, mas resistindo. Também, o que eu ia fazer? Transar com o Maravilha, ou com o Velho? Cruzes!

– Engraçado. Eu também estava resistindo, feito um abstêmio. Bem, hoje eu fraquejei. Daí você me deu um flagra.

– Ah, foi isso? Estava batendo umazinha, né? Ufa, que susto, por um momento achei que estava assim por minha causa!

– Não, pode acreditar. Eu mesmo fui o responsável por fazer ele subir. Você só é responsável por não deixar ele descer! – eu respondi com toda a honestidade, mas já na intenção de aproveitar o clima que estava se armando, confesso.

– Nossa… Não fala assim, que até me dá calor. Estou embaixo da água fria, mas mesmo assim eu estou quente. E você aí, todo durão, me provocando. Até parece que quer briga comigo!

– É mesmo? Pois então, gata, se você quer brigar, pode vir quente que eu estou fervendo! – respondi estas últimas palavras cantando a música do Erasmo Carlos, tirando a mão do pau e balançando a cintura ao ritmo do iê-iê-iê, com a voz grave que eu sabia que ela gostava.

Paradoxalmente, quem estava atrás de briga era outra pessoa, bem longe dali, lá na zona sul: Ivetinha. Meu ex-amor estava mais inquieta do que o normal.

Com seu novo cargo no temível DOÍ-CODI, entre torturas, prisões de subversivos e perseguições políticas, o recém-nomeado capitão Machadinho quase nem aparecia mais em casa. Sem poder atormentar o marido, as noites da jovem moreninha se tornaram longas e os dias, intermináveis. Además, a falta daquele sexo com pegada agressiva a que ele lhe acostumara era o que mais lhe incomodava.

É certo que ela descontava suas frustrações no sargento Pinda, o ajudante de ordens que havia se tornado seu escravo, mas o homem era tão subserviente que até as sessões de dominação, quando ela exigia do esparro que lhe chupasse a buceta e lambesse a própria porra de seus pés, já estavam caindo na monotonia.

Contudo, se havia uma coisa em que Ivetinha se sobressaía, era tumultuar tudo a seu redor. Eu mesmo já fora sua vítima, quando paquerávamos e fazíamos planos de fugirmos juntos, só para que num belo dia, sem mais aviso, ela me anunciasse que se casaria com Machadinho mas que poderíamos ser amantes.

Outra alma atormentada por ela era Margot, sua mãe. Ivetinha nem desconfiava que seu marido obrigava a mãe a ser sua amante, mas tinha uma sede de vingança inesgotável pelos pais a terem obrigado a se casar.

Por isso, a garota se esmerava em chocar a mãe, relatando com exageros tudo o que Machadinho fazia com ela na cama, assim como toda a bizarrice que ela fazia com o sargento Pinda em troca. Pois esse seu dom de tumultuar a vida dos outros não descansava, principalmente quando se via ociosa.

A hora estava chegando, ela sentia. Finalmente, a coroação de um plano que vinha cuidadosamente executando há tempos, aconteceria. O Pinda poderia terminar morto. Ela poderia terminar morta. Os dois podiam não ver o dia seguinte depois que ela desse o golpe final, mas não importava.

Seja qual fosse o resultado, ela se veria livre de Machadinho, ele pagaria o preço por ter se casado com ela, ou a família Machado perderia o que mais prezava: a reputação social e seu bom nome. Tudo numa tacada só, numa jogada que somente a sua genialidade pervertida era capaz de conceber!

Quando Machadinho voltou para casa naquela tarde com seu disfarce à paisana, ele pensava apenas em tomar um banho, dormir um par de horas e voltar ao DOI-CODI.

A perseguição ao seu maior desafeto tinha esfriado e isso o estava enlouquecendo. Não era ninguém importante, nenhum líder comunista ou terrorista da guerrilha urbana. Era um caso pessoal. Machadinho queria a mim, mas o motivo não era minha antiga paquera com Ivetinha.

Devido a um par de acasos do destino, o capitão se convencera de que sua amante, a mãe de sua esposa, estava de caso comigo. Para ele, a luta contra a esquerda comunista que os aliados norte-americanos estimulavam não tinha a menor importância.

Ele acreditava que eu comia Margot e ela lhe pertencia, seu ciúme daquela mulher era incontrolável e não lhe daria descanso enquanto eu não estivesse sendo torturado pelos gringos numa cela do DÓI-CODI, voando em direção ao mar depois de ser jogado de um helicóptero da marinha ou comendo capim pela raiz dentro de uma vala coletiva desconhecida.

Contudo, assim como nossos caminhos tortos lhe estavam pregando essa peça, Ivetinha agora estava disposta a abrir sua caixa de Pandora e piorar ainda mais as coisas para o capitão.

Enquanto ele tomava seu banho, diligentemente, a esposa retirou as roupas e o vestiu seu melhor penhoar, uma peça transparente rendada nas bordas e aberta na frente, deixando aparente seus seios tentadores de bicos pontudos e escuros e os pêlos bem aparados de seu púbis. Apagou a luz do quarto e acendeu velas perfumadas para criar um clima romântico, deitou-se na cama repleta de almofadas, pôs-se numa posição calculadamente sensual e esperou.

Quando Machadinho voltou ao quarto, o ambiente preparado por Ivetinha era tão distante da dura realidade diária nos porões da ditadura, que quase o fez chorar. Parecia um outro mundo, inusitado e mágico a ponto de causar-lhe estranheza. Olhando-o nos olhos desde a cama, Ivetinha não disse uma palavra, apenas abriu uma das laterais do penhoar e evidenciou ainda mais suas curvas nuas.

O desconcerto de Machadinho era evidente. Desde que se casaram, ela fizera de tudo para aviltá-la, subjugá-la, a humilhou e abusou de diferentes maneiras, puxou cabelos, deu tapas no rosto, a fez sufocar com o pau entalado na garganta e coisas piores, mas nada disso a afastara. Ivetinha seguia ali, fiel, oferecendo-lhe uma entrega que ele nem sabia ser capaz de existir, como uma alma cativa.

Machadinho se aproximou da cama. Seu corpo tremia. Pela primeira vez, Ivetinha o estava fazendo sentir algo que, até ali, somente seu pai, o coronel, havia provocado nele: o medo de falhar, de não ser o suficientemente bom, o pânico de não merecer o que a vida lhe dera.

Vendo sua hesitação ao pé da cama, a moreninha veio devagar, engatinhando com olhar manhoso, abriu seu pijama e deixou livre o membro que tanto já lhe fizera sofrer e gozar nos últimos anos. Delicada, ela o trouxe até seus lábios carnudos e pôs-se a sorvê-lo, lambendo e sugando, sem esperar que o capitão ordenasse.

O homem estava sem reação, assustado com a própria esposa. Ele matava, torturava, arrebentava, dobrava e corrompia, mas ele nunca antes amara. Que a mulher o tratasse assim era incompreensível, ele nunca se fizera digno de sua atenção e seu carinho. Sentindo o pau crescer na boca de Ivetinha, Machadinho pela primeira vez depôs as armas. Ele se rendia ao afeto, a lança estava quebrada e a trégua necessitava ser selada mais do que nunca.

Quando ela o deixou para deitar-se com as pernas afastadas à espera de recebê-lo dentro de si, ele não a puxou pelos pés nem dominou-a colo de costume. O capitão deitou-se ao seu lado, a trouxe para si e beijou-lhe a boca, deixando escorrer de si toques e gestos que não costumava, percorrendo o corpo da moreninha com suavidade e temor - o temor de romper algo belo como ela realmente era.

Arrepiada com as carícias inusuais que despertará no marido, Ivetinha teve que se controlar para não quebrar o clima que tão dedicadamente criara para aquela noite. Com a mão em seu ombro o conduziu para que ele se deitasse e se afastou ligeiramente, permitindo que apreciasse o esplendor de seu corpo ao colocar-se ajoelhada sobre ele, com as pernas afastadas ao lado de seu tronco e a bucetinha roçando a cabeça do pau, os seios empinados de bicos duros bem a frente de seu rosto e um olhar doce que o fez se derreter.

Ivetinha se aconchegou e começou uma cavalgada lenta e saborosa sobre Machadinho, segurando suas mãos para que ele não se preocupasse em tocá-la e só recebesse seu sexo aveludado em torno da rola, quente e úmido.

Machadinho deixou a frieza agressiva de lado e se permitiu receber aquele carinho, apreciando a beleza e a entrega que a esposa lhe oferecia, sentindo o contato de sua pele suave e morena envolvendo-o enquanto ela gemia baixinho deslizando sobre o pau e movendo o quadril, até fazê-lo gozar dentro de si pela primeira vez em todos esses anos de matrimônio.

Ivetinha não gozou, mas ainda assim deitou-se sobre Machadinho com o pau ainda dentro de si, pulsando, para voltar a beijá-lo na boca e trazê-lo de volta a uma nova realidade onde eles eram um casal menos torto, sem tanta mentira nem tanta força bruta.

O calor de seu corpo sobre o dele era a prova de que tudo fora real, ela o possuíra e ele se entregara, vencido, tal como ela planejara que fosse acontecer. Agora, vinha o golpe final…

E por falar em golpe, eu também receberia um cruzado de direita que nem imaginava de uma garota, tal como Ivetinha planejara fazer com Machadinho. Lá na ducha, do jeito que eu estava, ou eu comia a Corisco, ou ia me acabar todos os dias batendo punheta pensando nela - e adeus foco na revolução.

Eu joguei certo com a brincadeira de cantar e dançar iê-iê-iê pelado com a piroca dura balançando, o ar ficou descontraído, ela riu que gargalhou com a minha ridícula performance.

Contudo, mal eu terminei, ela mudou a cara e me olhou diretamente com a expressão séria, deixando de ser uma simples garota e voltando ao papel de revolucionária.

– Companheiro, a gente não deve se envolver. Criar laços amorosos é prejudicial à nossa missão, pode trazer riscos que nem calculamos.

– Eu sei, Corisco. Mas foi você que entrou aqui e ficou pelada. Eu estava na minha, com a minha punheta, só isso. Mas agora complicou.

– Fala sério, Seu Jorge! Do jeito que você estava me agarrando no treino, esse seu pau já vinha duro há muito tempo. Ou você acha que eu não percebi.

– Meu pau estava tão duro quanto as suas tetas, companheira. Ou você pensa que eu não vi os biquinhos quase furando sua camiseta?

– Tudo bem, eu confesso, rolou um lance entre a gente e precisamos superar. Devíamos ser capazes de conviver sem descambar pra sacanagem, como dois companheiros de verdade. Foi por isso que entrei na ducha com você.

– Entendo. Você não queria foder, só queria que passássemos por uma provação. Tudo em nome da revolução, é isso?

– Exatamente – sua voz soou tão fria e calculista que meu pau quase murchou. Mas eu ia dar o troco, afinal, um revolucionário de verdade não se rende.

– Tá bem. Faz assim, termina seu banho aí que eu termino minha punheta aqui. Sem laços nem envolvimento, como dois companheiros, tal como você disse que devemos ser.

– Duvido que você consiga, seu tarado – ela respondeu com certo sarcasmo provocante impresso na voz.

– Então paga pra ver, Corisco. Eu me garanto.

– Desafio aceito, negão.

Caralho, acho que aquela era a provação mais difícil que eu já enfrentara na vida. Estava há meses sem sexo, vendo uma ruiva tesudinha se ensaboando tranquilamente enquanto eu batia punheta, sem poder encostar nela.

O sabão escorria desde os bicos durinhos e vermelhos dos peitos suculentos pelo ventre definido até acumular-se nos pêlos alaranjados do púbis de Corisco e era quase como uma miragem para mim. Meu pau recobrou a força de antes, o bicho ficou ainda mais duro e pulsava em minhas mãos, com a cabeça latejando, pronto para explodir.

Corisco ia perder o desafio, eu já estava quase gozando e não ia partir pra cima dela, estava determinado a provar que eu era mais forte do que ela pensava. E foi aí que ela apelou. Olhando para a rola minhas mãos, Corisco deu um passo atrás, pôs as costas no cercado, afastou ligeiramente as pernas brancas de coxas musculosas e começou a tocar-se escancaradamente à minha frente, friccionando o clítoris e afastando os lábios da buceta para deixar bem evidente o que fazia. Eu acelerei a punheta feito um doido, já vendo que não conseguiria resistir muito tempo sem pular em cima dela. Daí, como se não bastasse, ela ainda dobrou a aposta.

– Não vale, seu safado… Você não pode gozar agora… Tem que aguentar mais tempo! – ela falava entrecortado, mordendo o lábio inferior, me encarando com cara de tesão verdadeiro.

– Safada é você, sua descarada… Fica esfregando essa bucetinha na minha frente e olhando pro meu pau… É isso o que você quer? Quer essa rola te comendo todinha? Quer sentir ela inteira dentro de ti? Vë só o tamanho disso, imagina essa cabeçona metendo em você até o fundo… – Eu não ia arregar e provocava de volta, agora indo bem devagar na punheta e apertando a base do trem pra deixá-lo ainda mais inchado.

– Negão filha da puta… É você que quer isso, não eu… Quer meter essa coisona na minha bucetinha, quer? Vai me deixar toda alargada, me comendo todinha com esse paizão aí? Ai, não sei se eu aguento, eu sou tão apertadinha… – ela respondia com voz sensual, elevando ainda mais o nível daquela prova, determinada a me fazer perder. Droga, aquela bucetinha vermelha parecia que estava me chamando, eu queria mesmo meter nela até fazê-la arriar, encher a Corisco de porra até ficar escorrendo de lá do fundo. Isso é o que ela merecia! Mas eu ganhar, precisava ser tão forte quanto ela, e o jeito era fazê-la implorar.

– Isso não é nada, Corisco. Você não me conhece, sou capaz de ficar o resto do dia aqui, me masturbando e olhando pra sua bucetinha.

– Isso é o que vamos ver… Quero ver se você aguenta se fizer assim como eu! – densafiou Corisco, mantendo as costas no cercado mas escorregando as pernas ainda mais abertas para frente, deixando seu corpo inclinado e esfregando seu clitóris ainda mais perto de mim.

Eu estava doido, aquela garota era mais maluca que eu e estava fodendo com minha cabeça – a de cima, não a cabeça que eu queria. É claro que comprei o desafio, eu havia chegado até ali e não ia entregar mole as coisas.

Repeti sua posição, com as pernas entre as dela. Meu pau ficou a poucos centímetros de sua buceta, dava até pra sentir o calor que emanava dela no meu saco. Eu me controlava pra não gozar em cima dela, alisando a rola bem devagar do início até o fim

– Merda… Eu não tô mais aguentando, Seu Jorge… Se você parar, eu paro… Declaramos um empate, que tal? – disse ela entre suspiros, já quase gozando.

– Empate uma ova, Corisco. Eu não posso parar, não agora… Só paro se…. Só paro se a gente gozar junto!

– Seu doido…

Nossa batalha terminou empatada. Corisco gemia de olhos fechados, modos o lábio e arfava, com os dedos agitados dentro de si ditando o ritmo de seu gozo, enquanto eu lançava meu mel sobre seu ventre delineado livremente. Creio que foi a primeira vez que ri abertamente depois que perdi Ivetinha.

Mas tudo na vida tem um preço, é inevitável. Aquela brincadeira entre nós no chuveiro criou uma tensão muda entre nós, as imagens do que fizemos um em frente ao outro e as palavras tresloucadas que trocamos ficaram gravadas e não seriam facilmente esquecidas. Às vezes, a lembrança do que ainda não se viveu é mais real do que aquela do que já experimentamos.

Era exatamente isso que Machadinho estava prestes a descobrir, naquela noite em que Ivetinha o tinha seduzido. Cheia de manha e com voz melosa, a garota avançava com seu plano em direção ao golpe final.

– Você gostou, meu capitão? Achou satisfatório me comer assim?

– Nossa, Ivete, isso foi… Intenso. O que deu em você hoje?

– Nada demais, eu só quis variar um pouco. Tenho pensado muito sobre nós, nosso casamento e como fazemos sexo.

– Olha, se você está fazendo isso porque eu tenho andado meio ausente, me desculpe. É o trabalho, você entende?

– Entendo perfeitamente. Torturar os outros é cansativo. Eu mesma ando cansada disso, e daí hoje eu quis fazer algo mais romântico pra desanuviar minha cabeça.

– Ivete, você não sabe o que fala, você é incapaz de torturar alguém.

– Sou mais capaz do que você pensa, querido. Pergunte ao sargento Pinda.

– O Pinda? Mas o que aquele infeliz tem a ver com isso?

– Ele é meu brinquedinho, capitão, meu bichinho de estimação.

Machadinho se ajeitou na cama, surpreso, com os olhos arregalados. O rumo daquela conversa, após terem feito amor de maneira tão romântica, era totalmente inesperado.

Vendo a confusão instalada no rosto do marido, sem que ele conseguisse conectar as coisas, Ivetinha deu um sorriso irônico com o canto dos lábios e continuou desferindo o golpe, devagar, para fazer doer mais.

– Ah, você nunca tinha percebido… deve ser porque você quase não vem mais em casa. Eu entendo, com o trabalho e a puta que você anda comendo, sobra bem pouco tempo pra mim, não é? Foi por isso que eu adotei o Pinda.

– Ivete, mas o que é isso? Como assim, de onde você tirou que eu estou comendo uma puta? E o que o merda do Pinda anda fazendo com você? – Machadinho não previra que iam terminar falando disso, não naquele momento. O sangue voltava a acelerar em suas veias e seu rosto ficara vermelho, como costumava acontecer quando se via acuado.

– Ora, Machadinho, me poupe. Não seja hipócrita. É óbvio que tem outra mulher, eu já percebi há anos. Basta ver como me trata na cama, sempre dominando e me usando com um descaso agressivo. Basta isso para entender que ama outra pessoa. E quanto ao Pinda, não se preocupe, capitão. Ele não faz nada comigo, sou eu quem faz com ele.

– O que eu faço fora de casa não é da sua conta, e o que acontece na minha casa é totalmente da minha! Desembucha logo, Ivete, diz o que você fez com aquele miserável!

Esse era o ponto onde Ivete queria chegar desde o início. Atirada sem aviso ao mar da traição, a ira latente de Machadinho estava desperta. Ele ia cometer uma loucura, mas Ivetinha sabia como evitar que isso acontecesse, ou ao menos acreditava saber.

– Eu o uso, tal como você usava lá no instituto militar. Eu torturo o Pinda fazendo ele se humilhar diante de mim. E ele gosta, gosta de ficar ajoelhado pra chupar minha buceta, assim como antes ficava prostrado diante de você chupando a sua rola.

– Você está doida? Me conta isso assim, na maior cara lavada? Eu vou matar vocês dois!

– Você não vai matar ninguém, Machadinho, não seja mais besta do que já é. Você vai ficar quietinho, senão o todo-poderoso senhor do DOI-CODI vai pegar fama de corno e… – Ivetinha fez um gesto estirando os dedos das dua mãos e emitiu um som soltando o ar da boca, sinalizando que tudo explodiria como uma bela cagada atingindo o ventilador.

– Eu… eu vou fazer vocês dois desaparecerem! Basta eu estalar os dedos e os gringos somem com vocês dois, sua vaca! – Ele ainda tentava reagir, buscando qualquer saída daquela sinuca.

– Machadinho, querido, os ventos do norte não movem moinhos. Os gringos não vão fazer isso por você. Se eles quisessem se sujar, já teriam assumido essa porra de país. Mas não, eles preferem deixar vermes como você remexendo na merda, capitão.

Machadinho ficou paralizado. Ivetinha estava com a razão, ninguém jamais poderia saber daquilo, ou sua carreira até então exitosa e o bom nome dos Machado se esfumariam. E, se os gringos soubessem, era bem capaz dele mesmo terminar desaparecendo, só para manter sem máculas a boa imagem da ditadura. Vendo que conseguira imobilizar o capitão, Ivetinha então desferiu o golpe final.

– Mas fique tranquilo, querido. Eu já enjoei do Pinda, ele é muito sem graça.

– Ivete, eu não estou te entendendo. Você armou essa cena toda, a gente estava bem como nunca antes esteve, daí você me conta essa história sórdida só pra terminar dizendo que vai terminar com o Pinda? Mas pra que isso tudo então?

– Pra você saber o seu lugar. Eu quero o desquite, não me importa o que digam. O romance todo de hoje foi só para você saber o que perdeu. Nunca mais, nunca mais mesmo, você vai colocar as mãos em mim.

– Puta.. sua puta! Eu devia saber, como eu não vi? Você é tão puta quanto a sua mãe!

Nem bem disse essas palavras, Machadinho se arrependeu. Ivetinha não desconfiava sobre ele e Margot, e agora o capitão quase entregava tudo de bandeja. Ivetinha fez cara de surpresa, farejando algo no ar. É claro que ela ia escavar aquilo, ele não havia mencionado sua mãe à toa.

– Minha mãe? O que tem a ver minha mãe nessa conversa? O que é que você está escondendo?

– Sua mãe… ela tem um amante! Faz anos que ela trepa por aí com outro!

– Minha mãe? Impossível, você só quer desviar do assunto!

– Eu estou mais que seguro. Andei investigando isso. É aqeule negro, o tal que veio com uma faca pra cima dela no restauraurante, dizendo que eles iam fugir juntos!

A lembrança de quando saíamos e da cena que eu fiz no restaurante anos atrás, ameaçando sua família com uma faca, veio à mente de Ivetinha como uma bordoada. Ali se originou todo aquele mal-entendido, porque todos acreditam que Margot tinha um caso comigo, quando na verdade eu me referia à Ivetinha. Essa era a oportunidade dela ferir ainda mais o marido.

– Seu idiota. Minha mãe nunca teve um caso com aquele negro. Sabe porquê? Fui eu! Eu era namorada dele, quando me obrigaram a casar com você! Eu é que ia fugir com ele!

– Hein? Como é? Você? Você e um… Negro? Isso é pior ainda. Você esteve com ele, e sua mãe também! Agora eu tenho um motivo a mais para caçar aquele desgraçado!

Ao ouvir aquela referência inesperada ao passado, um aperto doído veio mastigar o peito da garota, e Ivetinha teve que recuar. Todo o seu plano torpe para acabar com aquele casamento ruíra. Machadinho, além de não querer desquitar-se, agora gritava pelo quarto que iria me matar. Ela teria que mudar sua estratégia, pensar em como tirar Machadinho de vez de sua vida de outra maneira. Aquilo saíra totalmente do controle, tal como o que ocorrera entre eu e a Corisco na ducha.

Quando o Maravilha e o Velho voltaram já era o final da tarde na geladeira. Eu e Corisco havíamos nos evitado todo o resto do dia depois do que houve na ducha. O clima entre nós estava instável e sabíamos que ao menor descuido, um toque imprevisto ou um esbarrão ocasional, a coisa ia pegar fogo e terminaríamos concluindo o que não fizemos mais cedo.

Reunidos na sala, os dois nos contavam como havia sido o dia - enquanto nós disfarçamos como se nada houvesse acontecido quando eles estavam fora.

– Nossa missão foi dada, a geladeira amanhã mesmo.

– Mas amanhã? Assim não vai dar tempo de a gente… – a Corisco me olhou como se quisesse me fuzilar, achando que eu ia abrir a história inacabada entre nós, mas eu remendei rápido – tempo de a gente se preparar.

– Não esquenta, Seu Jorge, eu e o Velho já cuidamos disso. Fomos lá no Leblon e arrumamos um aparelho, está tudo em ordem – o Maravilha disse me encarando.

– Aparelho? Que aparelho? – perguntei.

– Aparelho é como chamamos uma base de ação, Seu Jorge – explicou o velho. – Arranjamos o lugar ideal, vão ser poucos días, só o suficiente para ficar de tocaia e executar as ordens.

– Nós vamos os quatro? Não é meio bandeira não? Quer dizer, nós seríamos a familia mais estranha do mundo, um negro, uma ruiva, um velho e um tipo com cara de doido - riu Corisco com aquela ideia.

– Não, é claro que não. Eu e o Velho conferimos tudo no aparelho e deixamos as armas lá. Vocês dois é que ficarão de tocaia nos próximos dias, vigiando. Vão fingir que são recém-casados, daí a vizinhança não desconfia. Eu e o Velho não podemos ficar lá, somos muito conhecidos e poderiam nos descobrir.

– E qual é a missão? O que teremos que fazer?

– Informação compartimentada, Seu Jorge, lembra? Na despensa do aparelho, junto com as armas, tem um envelope lá pra vocês lerem ao chegar e destruirem logo em seguida. É pra segurança de vocês e do resto do movimento - disse o velho.

– Mas é só isso? Não vão nem dar uma dica pra gente? – Perguntei achando que era meio loucura nossa entrar assim de cabeça em algo que sequer imaginava o que era.

– Eu não diria nem se eu soubesse. Mas pelo segredo que a líderança está fazendo e a grana que estão investindo, dá pra ver que será algo grande. Espere e verá – encerrou o Maravilha.

Meu olhar cruzou o de Corisco outra vez. Foi por um breve segundo, só o suficiente para eu notar que ela mordia o lábio, tal como fizera enquanto estava se masturbando na minha frente. Aquilo era desejo. Eu e ela, durante dias sozinhos no mesmo lugar. Era mais do que óbvio o que podia acontecer, nós dois sabíamos. Mas ela não objetou o plano, e nem eu o fiz.

Eu mal consegui pregar o olho durante aquela noite. Era muita coisa acontecendo, e agora eu entendia porque não deveríamos ter feito aquilo no chuveiro: ao invés de me concentrar na missão, eu só conseguia pensar na bucetinha molhada da Corisco.

Já ao amanhecer do dia seguinte, os camaradas nos deixaram na vendinha onde compravam os mantimentos e voltaram pro sítio com o calhambeque. Nos deram um pacote com dinheiro, eu tinha nas mãos uma mala com roupas novas para nós dois e minha companheira usava uma peruca loira engraçada que simplesmente não combinava nada com ela. Tomamos o trem até a Central do Brasil e de lá partimos de ônibus para o Leblon, onde estava o tal aparelho.

Quando chegamos era o meio da tarde e a rua estava vazia. Era uma casinha de dois pisos até simpática, bem no final do bairro, com uma decoração modesta mas bem cuidada. Quem nos visse ali jamais imaginaria que estava olhando para dois “terroristas” barra-pesada. Eu e Corisco nos olhamos nos olhos, demos um sorriso e fomos correndo como duas crianças até a despensa, loucos por descobrir qual era a tal missão.

Na última prateleira, encontramos duas pistolas e uma Winchester calibre 22 junto a um envelope pardo e uns binóculos, tal como nos avisaram. Com uma arma na mão e disposta a pôr fogo no país, Corisco me via pegando o envelope, ansiosa. Antes que eu abrisse para ler o conteúdo, ela me advertiu.

– Seu Jorge, está ciente de que depois que abrirmos isso não tem mais volta?

– É, baby. Esse envelope é a estrada pro inferno e uma vez que se entra nela só há um destino. Eu tô pronto, e você?

– Prontíssima.

– Bora lá na cozinha ler entâo. E seja o que tiver que ser!

Obviamente que as instruções não entregavam tudo: informação compartimentada era uma merda nessas horas, com a ansiedade batendo forte.

Devíamos vigiar a casa logo em frente e anotar tudo, quem frequentava, que horas chegavam e saiam, em quais carros, enfim, levantar a rotina dos moradores, só isso, até recebermos novas instruções. “Algo grande”, tinha dito o Maravilha, mas a porra do envelope era uma ducha mais fria que a água do chuveiro lá da geladeira.

Nos instalamos num quarto do segundo andar que era o único com frente para a rua e a tal casa. Da janela podíamos ver bem, mas estava tudo apagado e não havia movimento. Combinamos de revezar, um ficava de olho e o outro dormia na cama que tinha ali. Corisco pegou o primeiro turno de quatro horas e eu ficaria com a madrugada.

Dormi pesado pelo cansaço da viagem. Quando chegou minha vez, a Corisco parecia um zumbi, mal falamos antes dela apagar. Fiz um café forte e voltei para a tocaia, aproveitando para ler o que a companheira tinha anotado. Nada demais, uma mulher veio acompanhada de um homem num carro preto com sacolas de mercado, o homem saiu e, horas depois, chegou outro carro preto e deixou outro homem ali, que entrou e não saiu mais.

A noite transcorreu normalmente, sem movimento nenhum na casa em frente. Quando o dia estava raiando, Corisco me substituiu e eu fui fazer mais café e uns ovos pra gente. Quando voltei para o quarto, ela contou que um carro preto tinha buscado o homem que dormiu por lá e, logo em seguida, outro carro preto veio buscar a mulher. Droga, eu fiquei horas ali e não passou nada, mas bastou a Corisco vir que tudo acontecia!

Rendi a Corisco e continuei a vigília, enquanto ela foi tomar um banho. Ela voltou meia hora depois, com os cabelos alaranjados molhados e enrolada numa toalha, mostrando os ombros musculosos e cobertos de sardas. Me deu até um frio na espinha vê-la assim. Antes que eu começasse a pensar besteira, pedi para ela ficar de olho e fui tomar banho também.

Quase chorei: a água era quente, uma delícia! Não me demorei, pensando em sair e comprar mantimentos, pois na casa só tinha café, arroz e ovo, a mesma dieta básica da geladeira. Voltei ao quarto para procurar umas roupas e Corisco não estava na janela vigiando. Ela estava sobre a cama, confortável, numa pose sensual, me olhando… completamente nua!

– O que é isso companheira? – eu falei fazendo esforço para parecer sério.

– Seu Jorge, não disfarça. Eu bem vi você me comendo com os olhos quando apareci de toalha – ela respondeu tão séria quanto eu, me olhando só de toalha na cintura como quem avalia carne no açougue.

– Mas e a vigília? Desistiu? – Continuei fazendo doce, só para provocá-la.

– Não tem ninguém lá na casa, todos saíram. Não há nada pra registrar agora. Vem já pra cama! – ela disse o óbvio, com um tom de deboche, como se explicasse física aplicada a um débil mental.

– Mas é aquela conversa sobre não nos envolvermos? Como é que fica? – Eu questionei, ainda me fazendo de difícil, embora meu pau já estivesse levantando a toalha.

– Bem, nossa missão exige que passemos por um casal recém-casado. Logo, é esperado que a gente fôda bastante, não é? – Ela agora esboçava um sorriso, com essa lógica torta que construía.

– Não tinha visto por esse lado… quer dizer que se eu te comer vou estar contribuindo para a revolução? – Fui entrando na brincadeira, era fazer divertido esse jogo de provocações com ela.

– Totalmente. Talvez, me foder gostosinho seja a coisa mais revolucionária que você já tenha feito! – Ela respondeu já levando uma das mãos à buceta alaranjada e começando a se tocar, a despudorada.

– Bem, sexo revolucionário é a minha especialidade, fique sabendo. Mas entre os anarquistas isso tem um significado bem específico. É pau no cú – eu observei já deixando a toalha cair e iniciando a punheta pra deixar bem evidente o que a esperava.

– Nem pensar, espertinho. Eu amo a revolução, mas não ao ponto de dar a bunda pra uma coisa grossa como a sua! – ela negou, mas estava rindo, ou seja, aquilo não estava totalmente fora do alcance…

– Vamos ver, companheira, vamos ver. Que tal começarmos com uma chupadinha? O resto do caminho, a gente faz ao andar… – eu falei indo em sua direção, já com o pau duro na mão.

Antes mesmo da Corisco pegar minha rola, eu a segurei pela cintura suspendendo seu corpinho e girando no ar, retendo-a próxima a mim num abraço. Ela era pequena e as aulas de defesa pessoal ajudaram bastante para isso. Suas pernas se apoiaram em meus ombros e sua bucetinha molhada ficou bem em frente a minha boca, enquanto ela tinha o cacete adiante do seu rosto. Ela não previra aquilo e deu um gritinho com o susto, fiquei até orgulhoso da minha destreza.

Aquela não era nem de longe a posição mais confortável para nos chuparmos, no inicio foi até meio complicado, mas, depois que pegamos o jeito, reconheço que foi tesudo demais. Ee conseguia mergulhar fundo a língua entre as pernas da Corisco, sugava seu clítoris e voltava a meter a língua entre os lábios com facilidade, alternando e tendo a grande vantagem de possuir a visão plena de sua bundinha toda aberta bem à minha frente.

Meu pau devia estar enorme, pois ela mal conseguia me chupar até a metade, e não era por falta de esforço. Tendo em consideração que Corisco estava de ponta-cabeça, era até um esforço extraordinário, abrir a boca e deixar- se ser invadida por aquela pirocona metendo fundo e não deixando espaço para mais nada.

Mas tá, não dava para ficar muito tempo assim, fosse pela dificuldade de mantermos a posição ou pela ânsia de consumar algo que já vínhamos esperado há dois dias, nós sentíamos a urgência de começar a foder de uma vez. Fui andando com ela pendurada em mim até a cama e fiz o possível para depositá-la com suavidade, o que consegui com certo trabalho.

Começamos a beijarmos avidamente, nos abraçávamos apertado sentindo o encontro de nossos corpos pegados um ao outro, como se quisessem fundir-se num só. Era desejo e ansiedade, entrega e desespero, tudo se misturando ante a iminência do que queríamos que acontecesse. Corisco foi se deitando e me trazendo abraçado com ela, eu fiquei apoiado nos cotovelos e encaixado entre sua coxas, as pernas dela me enlaçavam e sua buceta se esfregava no meu pau, era pura lascívia o que havia entre nós e por fim, com o cacete já deslizando entre seus lábios, ela se entregaria a mim.

Era o momento mais crítico daquela trepada, por um segundo nosso olhar se cruzou e a Corisco, antes de fechá-los, sussurrou: “Vem safado, me come”… quando a campainha lá embaixo tocou. E tocou de novo. Uma paralisia imediata tomou conta de nós.

Merda, nós éramos dois subversivos, com armas ao lado da cama e as ordens da missão que não destruímos ainda sobre o balcão da cozinha. Rompemos os tratados da revolução, traímos os ritos do movimento, e agora, em flagrante delito com a cabeça do meu pau pulsando entre os lábios na entrada de sua buceta, havia alguém que não esperávamos tocando na porta de frente do aparelho. Aquilo cheirava mal, muito mal!

Descemos os dois rapidamente, eu me enrolando na toalha e a Corisco pelada atrás de mim, com as duas pistolas em mãos. Ela pegou os planos e escondeu-se atrás do balcão, enquanto eu me dirigi à porta com o coração quase pulando pela boca. Se fosse um dos líderes, estávamos fudidos. Se fosse o DOI-CODI, nós fodíamos pior ainda.

Mas não, não era nenhum deles. Era pior do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar. Abri a porta e me deparei com uma moreninha vestindo uma minissaia plissada rosa e uma jaquetinha de couro branca, ao estilo Penélope charmosa, carregando uma travessa de comida na mão. Ao me ver, um negão com cara assustada usando só uma toalha na cintura que mal disfarçava o pauzão duro, ela deu um grito e deixou a travessa cair: era Ivetinha.

– Você… você? Jôpa, mas que diabos… você?

– Ivete? É mesmo você? Caralho, faz anos que… Mas o quê você veio fazer aqui?

– Eu… eu… eu ouvi que havia um casal novo na rua e vim dar as boas vindas… Jôpa, você casou?

Meu cérebro custava a processar. Eu nem sabia o que dizer, fiquei calado, boquiaberto, só olhando para ela. Depois de tanto tempo, quando eu finalmente a havia esquecido, Ivetinha surgia do nada, batendo justamente na minha porta. Nesse momento, eu só consegui pensar na Corisco, pelada lá na cozinha com as armas na mão. Eu tinha que tirar Ivetinha dali o quanto antes.

– Eh… desculpa, eu estou meio ocupado agora. Eu e a minha… esposa? Nós estávamos… ocupados.

– Ah… desculpa. Má hora, não é?

– É. Má hora.

– Eu… caralho, Jôpa, você casou!

– Falamos depois?

– Sim, depois vai lá em casa. Fica bem em frente, do outro lado da rua.

Um arrepio subiu pela minha espinha. Do outro lado da rua… eu estava de tocaia, vigiando justamente a casa dela. Mas é claro, carros pretos, veículos oficiais. Nosso alvo era Machadinho, o capitão comandante do DOI-CODI. Eu nunca poderia pisar na sua casa!

Contudo, Ivete virou o rosto, olhou para sua casa e, quando voltou a virar, tinha medo gravado no rosto, ao lembrar que seu marido havia me jurado de morte. Rapidamente, ela emendou.

– Não, lá em casa não. É melhor conversarmos a sós.

– É, definitivamente, a sós.

– Tem um café descendo a rua, duas quadras à direita. Lá. Quatro da tarde?

– Quatro da tarde.

Não dissemos mais nada. Vi quando ela terminou de cruzar o jardim da frente e fechou a grade. Fechei a porta antes que ela cruzasse a rua e fiquei ali, escorado, pálido como quem viu um fantasma.

Respirei fundo, tomei coragem e, apesar de ainda estar abalado com aquele encontro, fui buscar Corisco atrás do balcão da cozinha. A encontrei feito um bichinho acuado, encolhida, tremendo, com as pistolas engatilhadas e um olhar felino, pronta para reagir caso necessário.

– Pode sair, não era nada – eu disse tentando soar convincente.

– Nada? Como assim nada? – ela respondeu inquisitiva, sem mover-se.

– Era só uma vizinha. Veio dar as boas vindas. Trouxe comida – resonpondi já dando as costas. Não queria que ela visse a mentira estampada no meu rosto.

– Mas… E a comida? – Ela insistiu, vendo que não havia prato nenhum ali.

– Caiu no chão – eu disse começando a subir as escadas. – Acho que ela se assustou ao ver um negão quase pelado abrir a porta.

Entre eu e a Corisco, a visita inesperada de Ivetinha foi como um choque de realidade. Estávamos brincando com fogo, e precisávamos tomar cuidado. Destruímos o envelope com as instruções, como fomos orientados. Eu voltei para a vigília, de onde nunca deveria ter saído, e ela foi atrás dos mantimentos. Inventei uma desculpa para trocarmos o plantão, pois agora eu estava verdadeiramente interessado em ficar de olho na casa em frente.

Nesse meio tempo, vi quando um carro oficial parou à porta, um homem corpulento com farda militar que não era Machadinho desceu e entrou na casa. Ouvi os gritos, Ivetinha descontrolada, objetos caindo. Uma hora depois, ele saiu desarrumado, os cabelos revoltos, a farda toda desajeitada, entrou no carro e foi embora tão rápido quanto chegou. Anotei tudo, com uma observação em letras maiúsculas e sublinhadas, como se quisesse gritar para mim mesmo a conclusão a que chegara: “ ELA TEM UM AMANTE”.

Era tonto de minha parte ficar chocado. Os anos haviam se passado, eu mudara completamente de vida e era óbvio que ela também seguira adiante. Mas Ivetinha fora meu primeiro e único amor, um amor de verdade. Por mais que eu soubesse que ela não seria fiel ao marido – e muito provavelmente a mim também – era um golpe constatar aquilo, ainda mais após reencontrá-la depois de tanto tempo.

Era irônico pensar que tanto ela em seu casamento quanto eu com a revolução, havíamos jurado mentiras e, na verdade, seguíamos sozinhos. Eu precisava falar com Ivete, conversar, esclarecer, assumir meus pecados. Faria o que fosse necessário para deixar de vez o passado atrás e libertar minha alma cativa e acalmar meu sangue latino que escorria movido à paixões e exageros, os extremos a que cheguei tentando tê-la ou esquecê-la, sem conseguir nem um nem outro.

Enfim, nosso encontro estava marcado e eu não faltaria. Era isso, ou meu coração iria explodir.

______________________________

Esta parte do conto foi escrita para o “desafio pirata 2: Música” e foi inspirada pelo sucesso "Sangue Latino", da banda Secos e MolhadosEu planejei uma história maior e queria usar algumas músicas, de forma que terminei fazendo esta série de cinco partes chamada “Fora da Ordem”, título de uma música fantástica de Caetano VelosoOs capítulos até agora vão nessa ordem:

1 - “Estúpido Cupido” de Celly Campelo "Quero que Vá Tudo pro Inferno", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos "Travessia", de Fernando Brant, gravada por Milton Nascimento "Sangue Latino", da banda Secos e Molhados”Ah, sim, em todas as partes da série existem referências sobre muitas outras músicas, mas isso eu deixo para vocês descobrirem. Espero que se divirtam ao ler, tanto quanto eu me divirto ao escrever.

E aquele abraço!

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Bayoux a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de BayouxBayouxContos: 42Seguidores: 122Seguindo: 14Mensagem Um olhar cômico e singular sobre o erótico - cavaleirocalicedourado@gmail.com

Comentários