Eu me apaixonei por Bianca do mesmo jeito que se entra num motel barato depois de três doses de tequila: sem pensar muito, só querendo foder. Ela tinha cara de que escondia alguma perversão doce. Aquelas mulheres de andar calmo, mas que no fundo, você sente que tem uma perna sempre aberta, mesmo vestida.
Mas eu errei.
Bianca era linda. Corpo magro, peito médio e firme, bunda pequena mas desenhada como se Deus tivesse tirado um tempo só pra moldar aquilo com calma. Só que, na cama, ela era... um robô. Nada fluía. Cada transa era um replay da anterior: ela deitada, me olhando com aquela cara de atriz pornô entediada, gemendo no ritmo da novela das seis. Posição papai e mamãe. Cachorrinho. Por cima. Acabou. Beijinho na testa. Ctrl+C Ctrl+V.
"Você gozou?", perguntei uma vez.
"Uhum", ela respondeu, virando pro lado.
Mentira. Eu sentia. Eu sabia. Aquela buceta não latejava, o grelo não inchava, a vulva não melava. Era como se o corpo dela estivesse ali só pra cumprir tabela. E eu, no meio disso tudo, me sentia um idiota com o pau duro tentando arrancar um orgasmo de uma geladeira.
Um dia, cansado, encostado na porta do banheiro, peguei ela desprevenida. Estava de calcinha, lavando o rosto. A luz branca batia no corpo dela como neon de puteiro.
"Você nunca gozou, né?", soltei.
Ela congelou.
"Como assim?"
"Você nunca gozou. Nem comigo, nem sozinha, nem com ninguém. É tudo fingimento, tudo decorado. Um teatrinho."
Silêncio.
Ela se olhou no espelho. A máscara caiu. Pela primeira vez, vi Bianca sem o texto decorado. Sem pose. Apenas... vazia.
"Não. Nunca", ela disse. "Nem quando eu tento. Nada vem. Só... quero que acabe. É como se o meu corpo não fosse feito pra isso."
Aquilo me pegou de um jeito estranho. Não era raiva. Nem decepção. Era tesão com curiosidade. Algo dentro de mim acendeu. Um instinto sujo, de bicho. Eu ia desbloquear aquela mulher. Nem que fosse com a porra da força bruta.
Na semana seguinte, comecei o "tratamento". Primeiro, com uma venda.
"Deita", mandei. "Braços pra cima. Não se mexe."
Ela obedeceu. Amarrada com cinto, vendada, eu lambi cada canto da pele dela. Comecei pelos pés. Chupei os dedos. Passei a língua na sola dos pés, como se fossem feitos de caramelo. Subi, vagarosamente, até a virilha. Mas não toquei. Fiquei só soprando, lambendo perto, mordiscando a parte interna das coxas.
Ela estava úmida. Não muito. Mas já era algo.
"Você quer gozar?", sussurrei no ouvido dela.
"Quero."
"Então você vai fazer tudo o que eu mandar. Sem perguntar. Sem pensar. Só obedecer."
Ela assentiu. E eu virei um animal.
Abri as pernas dela com força. Meti dois dedos, secos. Ela deu um gemido rápido.
"Mais", disse. Aí molhei os dedos na boca dela e voltei.
Dedos socados dentro da buceta. Língua encerando o cu. Um plug anal pequeno que comprei em uma sex shop. Vibrador em cima do clitóris. Ela se contorcia, mas sem chegar lá. Sempre travando no final. Como uma máquina emperrada. Eu senti que estava perto, mas faltava algo.
No terceiro dia, coloquei ela de joelhos no colchão. Coloquei uma coleira. Dei ordens. A fiz rastejar.
"Lambe meu saco. Devagar. Com carinho. Como se fosse a última coisa que você fosse provar antes de morrer."
Ela fez.
"Agora vira e empina."
Entrei nela com força. Metendo na xoxota de um jeito quase bruto. Enfiei dois dedos no seu cu, enquanto com a outra mão massageava o clitóris com ódio.
"GOZA, CARALHO!", eu gritava.
Mas nada.
Na outra semana, chamei um casal de conhecidos. Camila e Raul. Gente do meio. Gente que fode como se fosse briga de gato e cachorro.
"É só pra assistir", falei pra ela. "Nada demais."
Sentamos no sofá. Camila se ajoelhou e começou a mamar o pau de Raul ali mesmo. Sem pudor, sem pressa. O pau dele brilhava de saliva. Bianca assistia em silêncio, as mãos trêmulas sobre as coxas. Quando Camila tirou a blusa e mostrou os seios duros, Bianca suspirou alto.
"Você quer tocar?", perguntei.
"Não sei..."
"Quer ou não quer?"
"Quero."
Camila segurou a mão dela e a colocou no peito. Bianca apertou. Depois lambeu. Aos poucos, foi se soltando. Deixei Raul chupar a xaninha dela enquanto eu comia Camila por trás. A primeira série de orgasmos não veio. Mas Bianca golfava saliva, suava, gemia, implorava.
Ela estava acordando.
E então veio a virada.
Uma noite, em um motel esculhambado de velho, deixei ela algemada no espelho. Chamamos dois caras de um fórum de putaria. Ninguém transou com ela. Só observaram. Fumaram maconha, se tocaram. Um deles gozou na barriga dela. Outro, nos pés.
Ela estava quente. Gotejando.
"Mais", ela disse. "Me dá mais."
Comprei um kit com estimulante feminino, gel que esquenta e massageador clitoriano. Esfreguei tudo nela, cada centímetro. Usei o vibrador em potência máxima, um enorme dildo duplo que enterrei na buceta e no rabo dela, e o estimulador em cima do grelo. Quando ela começou a chacoalhar toda, eu soube.
E então aconteceu.
O corpo dela travou. As pernas fecharam por reflexo. Ela gritou tremendo como uma epiléptica. Um grito real. Primitivo. Bianca gozou.
Não uma vez.
Mas sete. Em sequência. Demencial, monstruoso. Ensopando o lençol. Encharcando a porra do colchão.
Ela desabou, chorando.
"Era isso", murmurou. "Meu Deus. Era isso..."
Eu sorri. Satisfeito. Como um escultor que finalmente viu a obra pronta.
Mal sabia eu... que tinha criado um monstro. Bianca estava renascendo. Ou melhor: estava acordando de um coma. Um coma de orgasmos negados. Eu era o médico e o carrasco. E ela estava se viciando em sentir aquilo.
Na terceira vez que fomos ao motel, ela pediu pra levar uma amiga.
“Como assim, amiga?”
“Ela é curiosa. E eu quero ser vista.”
Ali eu soube: algo tinha virado.
Mandy era loira, desbocada, cheia de tatuagens e com a cara de quem já tinha chupado rola em banheiro químico. Quando viu Bianca ajoelhada, usando um body transparente e uma coleira, riu e disse:
“Você virou cadelinha, foi?”
Bianca lambeu os lábios.
“Virei.”
Chupei Bianca enquanto Mandy assistia. Comi Mandy com Bianca empurrando minha cintura. As duas se beijando, mordendo, trocando saliva, rindo, babando como duas maníacas. Uma brincando com a outra como putas treinadas em cabaré europeu. Não havia mais vergonha. Só suor, gozo e cheiro de látex.
Naquela noite, eu não fui mais o condutor. Eu fui arrastado por elas. Elas me chupavam juntas, cada uma com um colhão na boca. Me montavam se alternando. Bianca gozou de verdade. Três vezes. E eu sabia que era real porque ela chorava depois. Chorou como quem teve um orgasmo no esfíncter da alma. Um colapso interior.
E foi aí que percebi que tinha cometido um erro. Eu olhei nos olhos dela e senti medo. Porque não era mais desejo o que havia ali. Era fome. Uma fome que eu talvez não desse conta de saciar.
Depois daquilo, Bianca não quis mais motel barato.
Queria locais novos. Queria surubas. Queria eventos de swing. Começou a seguir perfis de dominadoras no Instagram. Comprou lingerie de couro, vibradores enormes, lubrificantes saborizados, máscaras, chicotes, um consolo com cinturão. Um dia chegou com uma caixa.
“Hoje é minha vez.”
Me amarrou na cama, montou em mim sem falar nada. Me bateu. Me mordeu. Enfiou dois dedos no meu cu e me olhou nos olhos como quem invade o território alheio.
“Você criou um monstro,” ela sussurrou.
E eu... gozei.
Mas alguma coisa ali tinha virado. Eu não era mais o treinador. Eu era só o primeiro brinquedo de uma mulher que havia acordado faminta demais do mundo.
Uma outra vez que Bianca gozou de verdade, o mundo ficou silencioso por cinco segundos.
Foi no banheiro de um sex club em Osasco, cercada por espelhos sujos, luz vermelha piscando e três desconhecidos olhando enquanto eu metia um plug anal nela e batia na cara dela com minha pica dura. Ela estava de joelhos, gemendo rouco, olhos revirados. Um deles punhetava na frente dela. O outro filmava com o celular. Ninguém falava. Só gemidos, cheiro de porra e suor.
E então ela gemeu um “aaaah” que não vinha da garganta. Era do estômago. Do osso. Do cu da alma.
As pernas dela tremeram. O corpo arqueou. A buceta ficou febril, apertada, molhada, viva. Eu senti. Eu vi. Ela gozou. Real. Intenso. Torrencial.
E, foi nesse momento que ela nasceu de novo.
Depois daquilo, ela nunca mais foi a mesma. Não queria mais transar. Queria rituais sexuais. Começou a estudar tantra, BDSM, shibari, dominatrix. Começou a gozar com os olhos, com a pele, com os pés. Começou a mandar em mim.
— Deita.
— Não fala.
— Hoje você vai lamber a minha amiga até ela tremer.
— Quero que você me filme fodendo aquele casal. Quero ver depois.
E eu obedecia. Porque ela era o meu experimento que deu errado. Eu queria que ela sentisse prazer. Ela se tornou viciada em orgasmos. Trocava de parceiros como quem troca de calcinha. Mandava áudios gemendo. Me fazia buscar gente no Tinder só pra assistir ela ser enrabada, com cara de possuída.
Teve um sábado que ela me amarrou de ponta-cabeça, nu, com uma vela acesa gotejando no meu saco, enquanto um amigo dela — um ex-seminarista, tatuado e mudo — enfiava dois dedos nela enquanto ela gozava como um animal em cio. Eu chorei. Gozei. Vomitei. Tudo junto. Ela riu.
— Agora sim, meu amor… agora você entende.
Na última noite que dormimos juntos, ela me acordou com a buceta na minha cara e um outro homem metendo furioso no cu dela, por cima de mim. Eu estava deitado, com ela na boca, e sentia as bolas do cara baterem no meu queixo.
— Aguenta. Você começou isso, Daniel. Agora termine.
E foi o fim.
Na manhã seguinte, ela sumiu. Pegou as roupas, a mala de brinquedos, a coleira, os plugs, os vídeos, tudo. Sumiu.
Eu fiquei olhando o espelho, pelado, com porra na coxa, mordida no peito e a alma vazia. Nunca mais consegui gozar com ninguém. Bianca me ensinou que o prazer é um abismo — e que quando você salta nele, nunca volta a ser o mesmo.
EPÍLOGO
Dizem que quando você abre uma porta que não deveria, o problema não é o que está do outro lado. É que às vezes ela nunca mais se fecha.
A última vez que vi Bianca foi numa madrugada em São Paulo, três anos depois do nosso fim. Eu estava saindo de um bar, bêbado, com a cara afundada em maconha e corote, e ela... ela saiu de uma van preta com outras três mulheres e dois caras cobertos de piercings e tatuagens até nos globos oculares. Ela usava uma máscara de látex pendurada no pescoço, o cabelo raspado de um lado, e a boca pintada com batom borrado até a bochecha. Olhou pra mim, sorriu. Aquele sorriso. Aquele maldito sorriso depois do primeiro orgasmo.
E passou direto.
Depois que ela explodiu em prazer, Bianca entrou em espiral. A menina fria e frígida que repetia posições como um vídeo tutorial virou uma devoradora de corpos, uma sacerdotisa da putaria. Ela saiu do nosso apartamento dizendo poucas palavras: “Preciso de mais.”
Virou habitué dos clubes secretos da cidade. Usava colares com pingentes de algemas, se apresentava como “Bitchanka” em festas com dress code de couro e dominação. Em poucos meses, estava sendo chamada para liderar rituais eróticos, sessões públicas de spanking, clínicas de respiração orgiástica. Começou a ganhar dinheiro ensinando outras mulheres a “desbloquear” o prazer que, segundo ela, “todo homem idiota pensa que consegue dar com a pica, mas só acontece mesmo quando o corpo se desprende do mundo.”
Ela se soltou. E nunca mais tocou o chão.
Ouvi que chegou a se internar, não para expiar alguma culpa, mas por exaustão sexual. Sete dias. Vinte e seis parceiros. Um acidente com ácido corporal. Uma orgia interrompida com a chegada de uma ambulância. Quando saiu, tatuou as palavras “FRÍGIDA NUNCA MAIS” bem na testa da buceta.
E eu?
Eu tentei continuar.
Fiz sexo com outras. Com muitas. Tentei refazer os mesmos jogos, usar os mesmos brinquedos, repetir o roteiro que eu mesmo escrevi com Bianca — mas tudo soava falso. Fraco. Forçado.
Passei meses querendo sentir de novo o gosto da loucura que ela chegou a ser. Não por tesão, mas por saudade do poder. De ter sido o cara que tirou um orgasmo de dentro de uma mulher como quem desenterra um demônio.
Só que, no fundo, eu não encontrei porra nenhuma. Eu só cavei o buraco. Ela saiu sozinha.
E eu fiquei lá dentro.
Às vezes sonho com ela. Sonhos quentes, pesados, quase molhados. Sonho que ela volta, me prende, monta em mim e diz no ouvido: “Agora quem manda em você sou eu.” E acordo com a cueca melada e os olhos ardendo.
Eu criei o monstro, sim.
Mas nunca fui devorado por ele.
Talvez seja isso que me torture.
Talvez seja isso que ainda masturba a minha mente.
Toda noite.
Sozinho.
No escuro.
Desejando aquela mulher que não era minha. Que nunca foi de ninguém. Que goza até hoje em camas que eu não conheço, com bocas que nunca saberão que fui eu quem a despertou.
E isso não me consola.
Isso me fode. Por dentro.
E você, Bianca, se estiver lendo isso um dia:
Espero que ainda esteja gozando.
Espero que ainda esteja viva.
E, se não estiver... espero que tenha morrido com picas enfiadas no cu, na boceta e na boca. Duas em cada buraco.
Como você merece. Meu eterno amor.
OITO ANOS DEPOIS
=================
🕒 03:12 da madrugada
Daniel acorda com o celular vibrando. Uma notificação no WhatsApp.
Número desconhecido.
Foto de perfil: uma rosa murcha em preto e branco. 🌹⚫
Ele lê.
[Bianca – 03:12]
Oi 👋
[Bianca – 03:13]
Desculpa a hora 🕒
Não sabia pra quem mais escrever 🖤
[Daniel – 03:16]
É você?
[Bianca – 03:17]
Sim.
Achou que eu ia desaparecer pra sempre? 👀
[Daniel – 03:17]
Achei que já tivesse morrido 💀
[Bianca – 03:18]
Quase. Mas ainda não.
Ando meio... cansada 😵💫
Com saudade. Não sei do quê exatamente.
[Daniel – 03:19]
De mim?
[Bianca – 03:20]
Talvez do que eu era com você.
Ou do que você tentava fazer de mim.
Ou da forma como você me olhava antes de me desmontar 🫀
[Daniel – 03:21]
Você se desmontou sozinha, Bianca.
Eu só entreguei as ferramentas 🔧🪛
[Bianca – 03:23]
E você acha que eu aprendi a usar todas.
Mas algumas... me usaram de volta 💥
Tem noites que meu corpo parece feito só de eco.
[Daniel – 03:24]
Por que agora?
[Bianca – 03:25]
Porque hoje transei com um cara que me chamou de "minha bonequinha".
E por um segundo, achei que era você.
Quase gozei com teu nome na garganta.
E chorei depois.
[Daniel – 03:27]
Você quer me ver?
[Bianca – 03:28]
Quero.
Mas não sei se consigo.
Talvez só queira saber se você ainda existe.
Se ainda lembrava do som que eu fazia quando gozei pela primeira vez.
Por você. 💧
[Daniel – 03:30]
Lembro.
Você tremeu como se fosse quebrar.
E depois riu como se tivesse nascido de novo.
[Bianca – 03:32]
Acho que morri de novo depois daquilo.
[Daniel – 03:33]
E agora?
[Bianca – 03:35]
Agora eu só tô com frio 🧊
E com vontade de ouvir sua voz.
(silêncio)
[Bianca – 03:48]
Aquele motel vagabundo na Zona Sul ainda existe?
O do quarto 23?
Onde eu tive o meu primeiro orgasmo?
[Daniel – 03:51]
Ainda tá lá.
Mais decadente ainda, mas tá lá.
[Bianca – 03:53]
Quer me encontrar lá amanhã?
[Daniel – 03:54]
Depende...
Você vem como Bianca?
Ou com o que sobrou dela?
[Bianca – 03:56]
Nem eu sei mais.
Mas se eu for... vou de mini saia vermelha.
Sem calcinha ❤️
(Última visualização: 04:01)
Obs... Caso tenhamos no mínimo 10 comentários de leitores distintos, criarei uma continuação
