Dezembro de 2014 chegou arrastando o mormaço típico do Rio, mas dentro do apartamento na Tijuca, o gelo era absoluto. Tentei cumprir a promessa que fiz à minha mãe, engolindo o orgulho para pedir uma trégua. Procurei Ana Beatriz no escritório e Mariana na cozinha, mas o resultado foi o mesmo: silêncio ou desprezo. Elas se uniram em um pacto de exclusão contra mim.
Mariana, porém, não se contentava apenas com o silêncio. Ela passou a jogar um jogo cruel de provocações para me atingir. Desfilava pela casa com shorts jeans curtíssimos que mal continham suas coxas grossas, e atendia ligações fingidas no viva-voz, rindo e marcando encontros com supostos "amigos". — "Às dez, gato? Estarei pronta e sem pressa para voltar," — ela dizia, lançando-me um olhar de soslaio carregado de veneno. Ver aquela mulher, que meses antes se abria inteira para mim, agindo como se estivesse disponível para qualquer um, me corroía. Eu sentia uma indignação que me fechava os punhos, um ciúme sufocante, mas eu era o réu confesso. Eu não tinha direito de reclamar, e ela sabia exatamente como usar essa faca.
Nesse cenário de guerra fria, meu namoro com Vitória oficializou de vez. O que começou como um suporte nos estudos na biblioteca da faculdade transformou-se em uma paixão leve e real. Sob as estrelas da Praia Vermelha, eu a pedi em namoro, buscando nela a sanidade que a minha própria família me roubava. Quando as irmãs souberam, o clima tornou-se insuportável. Levei Vitória ao apartamento algumas vezes para estudar, e a recepção foi hostil. Ana Beatriz não conseguia esconder o tremor de raiva nos lábios ao ver Vitória tocar no meu braço, enquanto Mariana soltava comentários ácidos. Vitória não entendia o motivo de tanto ódio gratuito; ela mal sabia que estava em um ninho de cobras que ainda guardavam o gosto do meu suco na boca.
Para fugir desse mausoléu, passei a viver praticamente na casa da Vitória. Mas cada retorno à Tijuca para buscar roupas era um teste. Em uma dessas tardes, encontrei minha mãe, Camila, na área de serviço. O calor era sufocante. Ela estava apenas com uma regata de seda branca e um short de pijama de cetim que desenhava perfeitamente seu bumbum monumental, uma visão que me tirou o fôlego. O tecido da regata, úmido de suor, grudava em seus seios fartos, revelando a ausência de sutiã.
— "Você virou visita, João..." — ela murmurou, a voz rouca enquanto estendia um lençol. Seus cabelos loiros e ondulados estavam presos em um coque frouxo, e seus olhos azuis profundos brilhavam com uma tristeza carente. — "A casa está morrendo, e você prefere ficar lá fora. Você me prometeu, João... prometeu que ia trazer a paz de volta, que ia se dar bem com as suas irmãs. Mas você fugiu."
— "Eu estou tentando, mãe. Eu juro que estou tentando," — respondi, aproximando-me para ajudá-la, sentindo o peso daquela cobrança. — "Mas elas não facilitam. Elas me tratam como um estranho, como se eu fosse um câncer aqui dentro. Eu não consigo lutar sozinho."
Ao esticar o braço para alcançar o varal, a regata dela subiu, e o cheiro do perfume dela misturado ao calor da pele me atingiu como um nocaute. Camila se virou e me abraçou com uma força inesperada, afundando o rosto no meu peito. Senti a maciez absurda daqueles seios pressionando meu peitoral e o calor das suas coxas torneadas roçando nas minhas. Senti uma excitação súbita e violenta, um choque que percorreu minha espinha ao sentir o corpo daquela mulher madura e impecável tão entregue nos meus braços.
— "João... você é o único homem que eu tenho," — ela sussurrou, a mão subindo trêmula pela minha nuca.
A culpa me atingiu logo em seguida, pesada e amarga. Era minha mãe. Disfarcei o desconforto, afastando-me devagar enquanto tentava controlar a respiração. — "Eu... eu preciso ir, mãe. Vitória está me esperando." Saí dali às pressas, fugindo de uma barreira que eu sentia que estava prestes a derreter.
A aprovação no semestre veio como um prêmio de guerra. Fomos aprovados em tudo, e a comemoração com Vitória no motel foi pura luxúria. Assim que a porta da suíte se trancou, o mundo lá fora morreu. Ela se ajoelhou à minha frente, os olhos brilhando de orgulho e desejo, e me deu o melhor boquete da minha vida, sugando cada milímetro do meu pau com uma voracidade que me fazia arfar. Retribui a entrega jogando-a na cama e mergulhando entre suas pernas, lambendo aquela buceta morena e ensopada até fazê-la revirar os olhos e tremer sob minha língua.
Nos possuímos em todas as variações possíveis. Fizemos o clássico papai-mamãe, com ela me abraçando com as pernas e gemendo no meu ouvido. Depois, eu a coloquei de quatro, segurando sua cintura com firmeza enquanto a penetrava com estocadas profundas que faziam seus seios balançarem ritmicamente. Ela ainda sentou sobre mim, cavalgando com uma maestria que me deixava tonto, olhando-se no espelho do teto enquanto o som da carne batendo preenchia o quarto.
No auge do suor e da exaustão prazerosa, Vitória parou o movimento e me olhou com uma intensidade nova.
— "Você foi aprovado para o próximo semestre, João... você merece um prêmio maior por isso," — ela sussurrou, a voz rouca de tesão. — "Hoje você vai comer meu cu. Esse é o seu presente."
Meu coração disparou. Eu sempre desejei aquela bunda imensa, e ouvi-la liberar o acesso foi o gatilho final. Ela ficou de quatro, empinando o bumbum monumental para mim. Lubrifiquei a entrada com paciência, vendo o brilho do óleo naquela fenda proibida. Encaixei a cabeça do meu caralho e empurrei devagar, sentindo a resistência deliciosa daquele anel apertado. Vitória soltou um urro de dor e prazer, cravando as unhas no lençol enquanto eu entrava até o talo, preenchendo-a por completo.
A euforia era total. Comecei a esfolá-la sem piedade, sentindo o aperto absurdo do cu dela esmagar meu membro. Eu a possuí de quatro, vendo aquela bunda balançar sob meus golpes secos, e depois a puxei para cima de mim. Ela sentou com o cu no meu pau, subindo e descendo com uma urgência animal, seus gemidos agudos ecoando na suíte. Eu a comi de todo jeito, possuído pela vitória acadêmica e carnal, até que não aguentei mais. Com uma última estocada violenta, gozei fundo dentro do cu dela, sentindo o calor do meu jato inundar o seu interior enquanto ela desabava sobre meu peito, exausta.
O Natal foi um teatro de sobrevivência. Pelos olhos tristes da minha mãe, os três irmãos sentaram à mesa. Trocamos presentes protocolares e sorrisos falsos, um pacto de não agressão que durou apenas até o fim da ceia. O Ano Novo de 2015 eu passei com a Vitória, pulando as sete ondas e agradecendo por ela ter me resgatado das ruínas da minha própria casa.
Janeiro passou num sopro de sol e sal. O Carnaval arrastou as últimas cinzas das férias e fevereiro impôs o retorno às aulas. Em uma tarde de calor sufocante, saí da casa da Vitória e segui para a Tijuca, sentindo o corpo leve e o coração em paz.
Abri a porta de casa com a chave, esperando o silêncio de sempre. Mas o que encontrei me congelou o sangue.
No centro da sala, minha mãe estava abraçada a um homem. Era um abraço apertado, carregado de uma emoção que eu não via nela há anos. Quando ele se virou levemente, o mundo ao meu redor pareceu desmoronar. Era Ricardo, meu pai.
Ele estava ali, com aquele mesmo porte autoritário, mas com um sorriso suave no rosto que eu nunca tinha visto. O cheiro do perfume amadeirado dele trouxe de volta, como um soco, todas as memórias que eu tentei enterrar em Curitiba. Minha mente disparou para as noites em que ele chegava tarde, cheirando a outras mulheres, enquanto minha mãe chorava na cozinha. Lembrei de quando fui morar com ele, achando que teria um pai, e encontrei um carcereiro que me humilhava diariamente, que chamava minha mãe de louca e jogava na minha cara cada centavo que gastava comigo, me tratando como um fardo, um vagabundo sem futuro.
Ele era o homem que implodiu nossa família por puro egoísmo e ignorância. E agora, lá estava ele, segurando minha mãe como se fosse o herói da história.
— "João... olha quem está aqui," — minha mãe disse, a voz trêmula, limpando as lágrimas dos olhos que brilhavam com uma esperança perigosa. — "Seu pai voltou, meu filho. Ele quer conversar, quer acertar as coisas com a gente..."
Ricardo se afastou dela devagar e me encarou. Eu esperava o insulto, a frase ácida ou o tom de desprezo de sempre, mas ele apenas acenou com a cabeça, mantendo uma expressão calma, quase acolhedora.
— "Oi, João. Você cresceu, rapaz," — ele disse, com uma voz controlada que não parecia a do monstro que eu conheci. — "Eu sei que errei muito no passado, mas estou aqui para tentar ser o pai que vocês merecem. Vamos recomeçar."
Eu não consegui responder. A raiva queimava na minha garganta, mas o choque de vê-lo ali, fingindo ser o "bom marido" e o "bom pai", me paralisou. Eu conhecia o veneno dele, conhecia a frieza que se escondia por trás daquela máscara de redenção. Olhei para a minha mãe, tão vulnerável e esperançosa, e um sentimento gélido de culpa me atingiu com a força de um soco.
Eu a tinha deixado sozinha. Mergulhado nos meus próprios desejos, fugindo para a casa da Vitória para escapar do gelo das minhas irmãs, eu negligenciei a mulher que mais precisava de mim. Eu via a carência dela transbordar a cada encontro na lavanderia, sentia o grito silencioso por atenção em cada abraço demorado, e o que eu fiz? Eu bati a porta e fui embora. A sensação de que o retorno de Ricardo era minha culpa — um castigo por eu não ter sido o porto seguro que prometi ser — era uma barreira que me impedia de gritar para ele sair. Eu a deixei com fome de afeto, e o carrasco chegou com o banquete de mentiras que ela tanto queria comer.
O carrasco tinha voltado. E, dessa vez, ele não vinha com gritos, mas com abraços. O ano de 2015 estava começando, e eu sabia que, sob o teto daquela casa em ruínas, a presença de Ricardo seria o teste final para todos nós.
