O sábado amanheceu silencioso.
Carol abriu os olhos devagar, ainda sentindo o toque leve do babydoll contra a pele. Por alguns segundos, ficou imóvel, tentando segurar os últimos fragmentos do sonho: ela no meio do bloco de carnaval, anos atrás, ao lado das primas, rindo, usando um vestido colorido, ninguém questionando, ninguém estranhando. Apenas vivendo.
Acordar não foi frustrante.
Foi motivador.
Ela se espreguiçou com cuidado, sentindo o corpo liso contra o lençol. Levantou-se e caminhou até o espelho. A maquiagem da noite anterior estava levemente borrada, o cabelo loiro um pouco desalinhado — mas ainda era Carol ali.
Sorriu.
Foi até a cozinha ainda de babydoll, preparando o café da manhã como se aquela fosse sua rotina natural. Passos suaves, postura leve. Colocou água para esquentar, preparou um café simples, cortou frutas. Sentou-se à mesa com as pernas cruzadas, saboreando o momento. Não havia pressa. Não havia medo.
Depois do café, decidiu que queria ir além.
Se olhou no espelho novamente e pensou no corpo que desejava construir — mais definido, mais alinhado com a imagem feminina que cultivava. Abriu as compras recentes e pegou uma das peças novas: um macacão fitness rosa, cavado nas laterais, que abraçava o corpo da cintura às coxas.
Vestiu com cuidado.
O tecido elástico moldava cada curva, contrastando com sua pele clara. As laterais cavadas deixavam os ombros e parte das costas à mostra, criando uma silhueta mais delicada. Ajustou a peruca em um rabo de cavalo improvisado e colocou um gloss leve nos lábios.
Diante do espelho, girou lentamente.
O rosa vibrava contra sua pele, destacando as pernas recém-depiladas. Sentiu-se bonita — não apenas montada, mas ativa, viva.
Ligou a televisão e procurou um vídeo de treino funcional voltado para definição de pernas e glúteos. Posicionou-se na sala, ajeitou o tapete e começou.
Os primeiros agachamentos foram desajeitados por causa do equilíbrio, mas logo encontrou ritmo. Observava sua postura no reflexo da janela, corrigindo a coluna, mantendo o abdômen contraído. O macacão acompanhava cada movimento, marcando o esforço.
Suor leve surgiu na testa. Ela não se importou. Havia algo poderoso em treinar daquele jeito — como se estivesse esculpindo a versão de si mesma que sempre imaginou.
Quando terminou, respirava ofegante, mas satisfeita.
Tomou um banho rápido e, enquanto se secava, uma ideia ousada começou a se formar.
A casa era murada, mas uma das janelas do quarto pegava sol direto durante a tarde. Não dava para ver completamente de fora — apenas uma fresta lateral deixava a possibilidade de alguém notar algo, se prestasse muita atenção.
O coração acelerou só de pensar.
Abriu a gaveta onde guardava as peças novas e escolheu um biquíni fio dental delicado, de cor clara, que destacava ainda mais sua pele. Vestiu a parte de baixo com cuidado, ajustando o tecido mínimo. A parte de cima era pequena, suficiente para compor o conjunto.
Quando se olhou no espelho, sentiu um frio na barriga.
Era ousado.
Era íntimo.
Abriu a janela alguns centímetros além do habitual. A luz do sol invadiu o quarto, quente, dourada. Posicionou-se perto da parede onde o sol batia mais forte, sentindo o calor se espalhar pelo corpo.
Deitou-se parcialmente de lado primeiro, depois de bruços, ajustando o biquíni para que as marquinhas ficassem mais evidentes. A sensação do sol tocando a pele exposta era quase elétrica. Cada vez que ouvia um som distante da rua, o coração disparava — medo e excitação misturados.
Ela sabia que dificilmente alguém veria algo claramente.
Mas a possibilidade tornava tudo mais intenso.
Passou a mão pela própria cintura, sentindo o contraste entre a área já levemente aquecida e a parte protegida pelo tecido. Virou-se de costas, depois novamente de frente, calculando o tempo para não exagerar.
Ali, sob o sol da tarde, Carol sentiu algo novo: não apenas pertencimento, mas ousadia.
Não era mais só sobre existir escondida. Era sobre testar limites, mesmo que pequenos.
Quando o sol começou a baixar, fechou a janela devagar e ficou alguns segundos parada no quarto ainda iluminado.
O coração ainda batia forte.
Ela caminhou até o espelho mais uma vez, observando o corpo iluminado pela luz dourada do fim de tarde, as pequenas marcas começando a surgir.
Sorriu.
Sábado ainda não tinha terminado.
E a noite prometia algo diferente.