Era noite, e eu a esperava ansiosamente num pequeno restaurante próximo à casa dela. Havia alguns meses que saíamos; normalmente para comer algo e dar uns pequenos amassos no carro antes de eu deixá-la em sua casa. Tudo corria bem, sem grandes alterações ou surpresas, até que, há dois meses, veio a mensagem um tanto misteriosa: “Pense em alguma coisa que gostaria que fizéssemos. Amanhã, te darei um presente”. Respondi que pensaria cuidadosamente.
Passei a noite em claro remoendo essa mensagem e tentando encontrar uma boa resposta. Se pedisse simplesmente sexo, talvez a decepcionasse, com certeza ela queria algo mais. Entretanto, por mais que inúmeras ideias inundassem meu pensamento, nada parecia ser suficiente para corresponder à expectativa que eu mesmo havia criado quanto àquela mensagem. Será que, de fato, conseguiria uma boa resposta?
Vi-a chegando. Estava ainda mais linda do que de costume. Seu vestido preto cobria quase todo o seu corpo branco, à exceção de sua perna direita, exposta pelo grande corte vertical da peça, e de seus lindos braços, que brilhavam à luz do ambiente. Antes de sentar-se, veio até mim e me beijou. Seus lábios, macios, tinham aroma de morango – a fruta da sensualidade. De fato, ela esperava algo grande. Eu havia pensado a noite toda e, enfim, chegara a uma resposta; era algo que há muito sonhava em fazer. Quando essa ideia me veio à mente, há alguns anos, eu nem mesmo a conhecia, desejava realizá-la com outra menina, mas faltou-me coragem. Hoje, enfim, seria o grande dia.
– E aí, pensou bem?
– Pensei, sim. Estou um pouco tímido, para dizer a verdade, mas estou certo do que quero.
– Fique tranquilo, vai dar tudo certo. Descobri que seu aniversário está próximo, e não podia deixar isso passar sem presenteá-lo.
– Ah, então foi isso! Muito obrigado.
– Não agradeça ainda. E, ande, me diga o que pensou!
– Bom... eu... pensei...
– Vamos, homem! Não pode ser tão ruim.
– Certo! Eu gostaria de te dar um banho...
– O quê? Era só isso?
– Espera! Ainda não terminei. Gostaria de te dar um banho de gato.
– Um banho de gato? O que é isso?
– É bem simples. Já viu um gato “tomar banho”, não viu?
– Sim, claro que já. Você quer fazer aquilo comigo?
– Quero muito. Pensei toda a noite, e, talvez, não haja mais nada que eu queira fazer tanto.
Ela me olhava, incrédula e um pouco enojada. Cheguei a pensar que vi desprezo em seu olhar. Mas ela se acalmou um pouco. Não mais tocou no assunto; comemos e conversamos sobre outras coisas, desde filmes do Kubrick – de quem ela gostava muito –, até livros, mais especificamente romances franceses, seus favoritos. Foi uma noite agradável.
Fomos para o carro, e eu a levei à sua casa. Parei em frente ao portão e fiquei olhando para ela, sem dizer uma única palavra. Ela me olhou de volta, sabia em que eu estava pensando naquele momento. Disse, então:
– Tudo bem! Vamos. Meus pais não estão em casa hoje. Temos a noite toda, eles devem chegar às 8h.
Eu virei a chave devagar, travei as portas e a acompanhei. Sua casa era bonita e cheirava à lavanda. Certamente havia passado a tarde limpando, esperava que eu passasse a noite com ela. Nós homens somos tão previsíveis, não é?
O quarto estava arrumado. Havia grandes prateleiras brancas em três paredes; continham livros, DVDs, pequenos animais de pelúcia e mais algumas coisas como cosméticos e perfumes. Seu guarda-roupas ocupava a quarta parede; era rosa e branco e tinha uns adesivos que, com certeza, haviam sido colados quando ela ainda era adolescente. A cama ocupava o centro do quarto. Os lençóis eram vermelhos com pequenos enfeites em dourado, fios que corriam ondulantes formando um desenho abstrato. Enquanto eu observava o quarto atenciosamente, ela colocou uma música. Era Miles Davis, sem dúvidas. Cheguei mais próximo dela e espiei por cima de seus ombros. O nome do álbum era Kind Of Blue.
Aproveitei a localização em que me encontrava e beijei seu delicado pescoço, ela se arrepiou toda. Podia sentir o doce perfume que ela havia passado para o jantar. O cheiro, àquela hora, já se misturara completamente ao seu próprio cheiro, criando uma fragrância nova, incrementando ao doce um suave odor acre. Percorri, com minhas mãos, seu delgado corpo. Comecei pelos quadris e fui subindo lentamente; o vestido, fino, parecia unir-se à sua pele. Quando cheguei em seus ombros, segurei as delicadas alças e as desci, primeiro a direita e, logo em seguida, a esquerda. Seu sutiã preto encobria seus pequenos seios. Larguei o vestido, que continuou a descer, sozinho. Tomei-a mais fortemente em meus braços e, enquanto a beijava, aproximei-a da cama, deitando-a ternamente. Os olhos dela brilhavam como fogo e seu corpo também parecia aceso. Com um pouco de dificuldade, desprendi o fecho de seu sutiã; podia ver seus mamilos rosados e eriçados devido a nudez descoberta. Passei o indicador sobre o mamilo direito, e ele eriçou-se ainda mais. Olhei-a, e ela riu, envergonhada. Desci mais um pouco e tirei sua calcinha de renda, também preta e com um pequeno lacinho branco. Seus pelos brilharam à luz do quarto.
– Vou começar – Eu disse.
– Tudo bem! – Respondeu, respirando fundo.
Segurei seu pé esquerdo e passei a língua suavemente entre seus dedos. Levantei os olhos para poder vê-la; ela estava corada, mas parecia gostar. Repeti o gesto e, logo em seguida, passei minha língua pelo centro da sola de seu pé. Ela deu um leve puxão, mas não o suficiente para afastá-lo do meu rosto. Ao terminar o pé esquerdo, fui ao direito, sem preocupar-me com o tempo. Depois, fui subindo devagar; tendo o cuidado de fazê-lo de maneira a lhe proporcionar o máximo de prazer possível. Pulei, propositalmente, sua genitália, o melhor deveria vir por último. Passeei por todo seu corpo: braços, mãos, pescoço, axilas, seios. Ela parecia gostar cada vez mais, entregando-se completamente à experiência. Eu estava concentrado, não queria perder nada. Virei-a de costas, posicionando-a de quatro. Percorri, com minha língua, o centro de suas costas, bem devagar. Ela se movia suavemente e se arrepiava.
Beijei, uma de cada vez, suas bandas. Banhando-as com carinho redobrado; fui ao centro e continuei, concentrado, a deslizar minha língua, para cima e para baixo. Enfiei-me por baixo de seu corpo, a fim de alcançar seu monte de vênus, coberto por uma fina camada de pelos. Ao chegar à sua vulva, adotei um movimento circular, podia sentir todo o contorno em minha língua: os lábios, o clitóris. Ela movia-se mais bruscamente, parecia não se aguentar de prazer. Somente após o banho ter terminado, parte por parte de todo o seu corpo, é que me despi e que fizemos amor, apaixonadamente. Ela parecia diferente, possuída por algum demônio do sexo. Eu estava atônito, mas seguia firme; sentia ainda seu gosto em minha boca – gostaria de senti-lo para sempre.
No outro dia, saí cedo; ainda nos encontramos depois disso. Mas nunca mais falamos sobre o assunto. Após algumas semanas, decidimos não mais nos vermos. No fim, foi efêmero, assim como seu gosto, que durou uma noite. Só me restaram as lembranças.