Fevereiro iniciou com aquela energia que só quem é carioca entende: a agitação e energia que antecede o maior e melhor evento do ano! Carnaval!!!! Eu estava animado! Tinha alguns bons convites: Jane me chamou para um baile de pré carnaval em um clube, Camila e Priscila queriam me levar pra um tour pelos blocos, Raoni e Ivete me chamaram pra passar os dias em Búzios e um quarto convite de Juliana para um baile de mascaras. Sim. Juliana. Vou explicar como chegamos a isso.
Após janeiro terminar, minha relação com Juliana estranhamente melhorou. Ela já não estava mais tão ansiosa, parecia menos ferida. Mantínhamos diálogos como antigamente, na época que éramos somente amigos. Eu conseguia ver mais aquele lindo sorriso. Ainda que existisse ali dor e arrependimento, vê-la sorrir de novo era um bálsamo pro meu coração e pra minha alma. Ela já ia retomado as atividades na academia e voltado a trabalhar. Essa era a mulher por quem eu havia destruido meu coração e agora destruía minha mente.
Estávamos conversando no balcão da cozinha enquanto eu terminava de me arrumar para uma reunião importante. Ela tava de camisola azul marinho. Aquelas de cetim que desenham as formas e enlouquecem os homens. Dia após dia, aquilo ia mexendo comigo mas como uma forma de punição, eu nada fazia e destruía Jane na cama, arrancando seus orgasmos e a deixando de pernas bambas. Ela fazia um suco de laranja, de costas pra mim, quando falou em tom leve.
-- o pessoal da faculdade me chamou pra uma festa a fantasia em um clube... Topa? – disse com o copo cheio do líquido amarelado e cítrico. – acho que pode ser divertido!
Olhei pra Juliana. Seus olhos brilhavam de empolgação. Não tive como não sorrir. Sempre gostei daquela energia dela e ela sabia disso. A dinâmica da casa havia mudado sensivelmente, mas eram importantes. Não sei quando começou mas ela passou a aguardar minha aprovação pra determinadas coisas e eu curti aquilo. Nossa dinamicanormalmente envolvia a vontade dela sem levar em consideração a minha. Não por ela impor mas porque eu sempre preferi agradá-la mesmo quando me desagradava. Agora não. Não havia problemas em dizer o que queria e o que não gostava.
-- pode ser divertido... – falava enquanto me enrolava com o raio da gravata.
-- então posso confirmar? – olhava com apreensão e interesse. Apreensão pela resposta e interesse em minha luta contra aquele adereço desnecessário.
-- claro claro... Pode confirmar. – desisti, jogando o pano sobre a bancada contrariado.
Ela deu um pulinho de alegria que me arrancou um sorriso de canto de boca. Ato continuo, ela vem até mim e me abraça. Embora nossa contato tivesse melhorado, ainda não nos tocávamos. Havia receio da parte dela e eu incentivava a manter-se longe mas naquele momento a felicidade foi tão grande que apenas a envolvi com um dos braços. Sentir seu corpo de novo nos meus braços foi muito gostoso. Desde o dia da praia não a sentia tão perto. Ficamos ali curtindo o abraço por mais tempo do que deveríamos até que soltei ela e pigareei. Ela entendeu e se afastou. E quando viu a gravata na bancada, pegou e se reaproximou.
-- você nunca foi bom com isso. Mãos grandes demais... – ria tímida após o abraço. Ela sempre fazia aquilo pra mim. Suas mãos pequenas e ágeis logo fizeram um nó e ajeitou a gola da camisa e passou a mão por ela para esticar.
Eu estava olhando pra ela que fazia o nó sem qualquer contato visual. Sentir suas máos passando pelo meu peito me fez recordar de tanta coisa que eu quase a agarrei ali mesmo. Sentia meu corpo vibrando e teso, ansioso pelo toque dela direto em minha pele. Assim como o abraço, ficamos assim por tempo demais. E ficaríamos mais, se meu telefone não tivesse vibrado sobre a bancada avisando que a reunião era em poucos minutos. Ela se afastou e eu levantei. Fui até o quarto pegar meus pertences para a reunião. Fiz minha lista de chegcagem: chaves, carteira, telefone, mochila. Tudo ok. Quando estava saindo, ela veio em minha direção.
-- boa sorte! – disse com um sorriso.
Me afastei, fiz um aceno em agradecimento e saí.
Era uma reunião importante. Um fundo de investidores queria comprar um dos meus projetos. Era uma tecnologia nova que melhorava o desempenho de aviões comerciais. Não cabe aqui explicar termos técnicos mas era algo importante e que ia mudar drasticamente a minha vida, me colocando em uma ascensão socioeconômica tão grande que se Juliana quisesse parar de trabalhar, eu poderia bancar nós dois com grande conforto. Ainda sim, o importante daquele dia não foi em si a reunião mas quem eu conheci.
Quando cheguei pra reunião em uma sala comercial no centro da cidade, fui recepcionado por uma morena de tirar o fôlego. Carolina tinha 1,70 mais ou menos. Corpo esguio e modelado a base de exercícios. Os cabelos presos em um coque perfeito, o rosto fino e feminino levemente maquiado, os olhos castanhos que mostraram um brilho diferente quando me viu. E o corpo, meus amigos... Que corpo. A roupa social escondia mas dava pra perceber os braços firmes e os seios médios. A parte debaixo é que me pegou. Pernas lindas, longas e desenhadas. Uma cinturinhae pilão e uma bunda redondinha e empinada com a ajuda do salto. Quando nossos olhares se cruzaram, acabei dando um sorriso bobo pra ela.
Boa tarde!! Eu... ahn... estou aqui para a reunião... – disse sem tirar os olhos dela. Tenho quase certeza que estava com a boca aberta mas não me lembro. E ela riu. Um sorriso contido na boca mas que fecha os olhos e isso não dá pra mentir.
Ela parecia saber o efeito que causava aos homens e conclui que estava realmente rindo de mim. Tudo bem. Jane também ria da minha inexperiência e imperícia com as mulheres.
-- você deve ser o Marcus... Os diretores pediram para que esperasse mas entenderiam se preferir remarcar. – ela disse de maneira gentil.
Naquele momento, me vi acuado. Não por ela mas por meus medos, minha insegurança. Ela era linda mas Jane não ficava atrás, Camila e Priscila, talvez fossem até mais bonitas, e Juliana. Era sobre isso que Jane sempre me falou “ter mais consciência do que você pode causar as mulheres. Seja o homem seguro que eu sei que você é.” Aquelas palavras me bateram em cheio e na hora certa. Percebi somente ali que estava curvado. Minha voz até aquele momento era quase um sussurro, parecendo uma criança amedrontada. E o pior, é que mesmo sem sequer perceber, eu estava me encaminhando pra saída. Ainda de costas pra morena, respirei fundo, dei meia volta e voltei a sua mesa. Mas agora era minha vez.
Minha postura agora era ereta, meu olhar era duro e meu rosto estava impassível. Ela notou a mudança e ficou perceptivelmente mexida. Me aproximei com o peito estufado, me fazendo parecer maior do que era. Andava calmamente, quase despretensioso, enquanto seus olhos agora eram minha plateia.
-- seu nome. – não foi um pedido. Minha voz saiu firme porém não havia raiva. Era apenas... Autoridade.
-- ca-carolina. Senhor. – ela se levantou pra me responder e não havia mais a condescendência de antes. O que me fez dar um sorriso de canto de boca.
-- avise seus chefes que estou indo até a XXXXXX. Não tenho tempo a perder e não vou ficar esperando. – disse encarando aqueles olhos e notando todos os pequenos detalhes de Carolina.
-- sim, senhor! – ela deu a volta e sumiu dentro da sala enquanto tomei posição em uma das cadeiras de espera. Sentei, cruzei as pernas e apoiei os braços nas cadeiras ao lado, ocupando bastante espaço. O que Juliana pensaria se me visse agora...
Logo ela veio e me chamou. Entrei sem olhar pra ela e passei longas quatro horas. Consegui vender meu projeto por 1.5 o valor inicialmente acordado. Aquilo mudaria nossas vidas mas esse não é o cerne da história. Daqui o mais importante da história é Carolina. Saí da sala dos caras eram quase 14 horas. Carolina se levantou quando saí e me despedi de ambos mas não sem antes escutá-los mandando Carolina almoçar. Quando a vi com os dois... Já sentiram a sensação quando alguém muda algo familiar e você não consegue perceber? Foi isso que me pareceu algo estava errado. Eles entraram e ela voltou a mesa e eu estava ali, parado a encarando.
-- vamos. Vou lhe levar pra almoçar – novamente. Não foi um pedido. Era um comunicado. Mas dessa vez, ela tentou reagir.
-- se-senhor eu- - não deixei terminar.
-- é um pedido de desculpas e uma chance de conhecer uma futura colaboradora... – ela pareceu em dúvida, mas aceitou.
A levei pra almoçar no RooftopLapa, um bom restaurante. No começo Carolina foi um tanto comedida mas a postura foi quebrando conforme ia notando interesse genuíno da minha parte. Carolina tinha 27 anos, era mãe solteira mas não por abandono: o pai da criança havia morrido em um acidente de moto. Cursava faculdade de administração e estava quase se formando e buscava um cargo executivo na empresa. Conseguiu criar o filho de seis anos há muito custo e com a ajuda da mãe. Escutei a tudo atentamente, sem interrompê-la. A postura defensiva ruiu e logo estava falando dos seus hobbies e preferências. Apesar de aparentar ser frágil, Carolina gostava de sports radicais, tendo já saltado de bungie jump e feito escalada. Aquilo me impressionou e fiz com que ela soubesse disso. Infelizmente, só tínhamos uma hora e logo a estava levando de volta. Pedi seu telefone com a desculpa esfarrapada de que pudesse haver dúvidas sobre a empresa.foi a única vez que seu sorriso teve uma conotação maliciosa. Ainda sim, ela me deu o número.
Fui pra casa com um pensamento engraçado e que me fez rir dentro do Uber. Eu não havia feito nada. Só melhorei minha postura e falei de forma objetiva, deixando claro que não aceitaria o que não era do meu agrado. Não me reconheci naquele papel pois fui passivo em toda minha vida até então e aceitava as coisas que jogavam pra mim como um presente. Eu gostara daquela nova postura e não tinha como não associa-la a Jane. Liguei pra Raoni ainda no carro pois precisaria de um advogado e passei tudo pra ele. Ele ficou de boca aberta menos pelo meu comportamento e mais pelos valores absurdos. Pediu que mandasse o contrato pra ele e fiz de imediato. Antes de desligar, me intimou a ir a seu apartamento no fim de semana para que pudéssemos conversar.
Entre a reunião e o almoço com Carolina, fui chegar em casa por volta das 18 horas. Ju fazia a comida. Ela era uma excelente cozinheira mas detestava cozinhar. Tinha uma mania que eu achava engraçada, de apoia o pé na coxa fazendo um quatro com as pernas. Juliana era sempre gostosa mas o que realmente me pegava eram esses momentos. Ela era linda por ser linda. Não precisava de ângulo, de luz, de maquiagem. Quando eu fiquei tão cego que achei que a manteria sozinho? Raoni sempre brincou “mulher gostosa é igual melancia grande. Não adianta fazer força, não vai comer sozinho”. Toda vez que eu a olhava eu imaginava as coisas que eles teriam feito. Acabei bufando alto demais e ela reparou que a observava.
-- boa noite! Fiquei com vontade de comer um negócio... Espero que goste. – disse com um sorriso lindo no rosto.
Tomei um banho e, como de praxe, voltei a sala com uma sunga azul. Sentei no sofá. Me espalhei apenas para observá-la. E enquanto estava imerso em meus devaneios que incluíam rasgar a roupa dela e possuí-la em cima da bancada da cozinha, senti meu telefone vibrar. Ainda tava em meus devaneios, sentindo meu pau ficando meia bomba enquanto apreciava aquele espetáculo de mulher cozinhando. Mas a mensagem que recebi me deixou intrigado. Era Carolina mandando mensagem pra mim.
Carolina: boa noite, senhor. Parece que eu esqueci de lhe entregar alguns papéis! Peço desculpas. Gostaria de enviá-los ao senhor mas o endereço que tenho aqui é da região dos lagos...
Marcus: Me entregue você pessoalmente em um jantar na próxima quinta. Mandarei alguém te buscar e te levar até mim.
Carolina: e como o senhor deseja que me vista?
Já havia reparado isso. Carolina ante alguma figura que demonstrasse autoridade ficava meio a mercê da vontade. Mesmo agora, pelo telefone, ela estava completamente rendida. Aquilo era estranho. Mas também muito excitante.
Marcus: te enviarei a roupa. Me passe seu endereço.
Durante toda conversa, estive sentado na cozinha, recostado no banco e de frente para a pia onde Juliana cozinhava. Percebi que ela me olhava intrigada e um pouco angustiada. Eu tinha um sorriso perverso no rosto ao lembrar de Carolina mas ele logo sumiu quando meus olhos encontraram os de Juliana. A apreensão era visível em seu ser. O pano de prato torcido nas mãos, a respiração presa, a indecisão na direção. Ao contrário do que achava que aconteceria, aquilo não me dava prazer algum. Ver quem se ama passando esse tipo de angústia não era saudável. Pra nenhum de nós. Respirei fundo, tentando retomar minha personalidade.
-- o cheiro tá delicioso e se fosse chutar, acho que você tá fazendo Wellington! O cheiro das especiarias me pega muito... – sorri pra ela. Um sorriso leve e genuíno.
Juliana demorou a se recompor. Ficou olhando pra mim e para o telefone enquanto torcia o pano que estava em suas mãos. Como meus encontros com Jane eram em “horários comerciais”, eu não falava nada. Ela sabia porque vez ou outra eu chegava marcado e/ou de banho tomado mas ela nunca perguntou. Mas dessa vez, ela sentiu algo que eu não sabia nominar.
-- é, é, é... – sacudiu a cabeça brevemente como para se recompor – sei que você gosta e pensei em fazer pra comemorar caso a reunião tenha dado certo, ou em caso de ter dado errado vira comida de conforto. – ela sorriu mas o sorriso não chegou aos olhos e eu notei.
A noite transcorreu normal após isso. Falei com ela sobre a reunião enquanto sentávamos em lados opostos do sofá. Ela havia tomado banho após terminar de cozinhar e por a comida no forno e eu apenas abri uma garrafa de vinho e coloquei no decantador. Enquanto ela tomava banho e se arrumava, reservei uma mesa no Blue Note, um bistro intimista e com um piano bar, e comprei e enviei roupas para Carolina: um vestido salmão, uma lingerie branca com meias e cinta liga, e um par de saltos champanhe. Juliana chegou na sala no exato momento em que fechava o celular e vê-la me tirou o fôlego.
Tava cada dia mais difícil manter distância dela. Ela veio até a cozinha enrolada em uma toalha enquanto enxugava os cabelos. Correu até o fogão e eu a acompanhei durante todo o percurso. Suas coxas expostas de pelos loiros estavam brilhando devido ao hidratante. Aquele cheiro de milkshake de morango, o meu favorito, e por isso era o que ela usava, tomava conta do ambiente. Seus braços se agitavam enquanto ela corria para que a comida não queimasse. Seus cabelos molhados balançavam em um ritmo que já vira muitas vezes. Nãi sei quando e nem como mas quando dei por mim, estava com o peito colado nas costas dela, pegando um pano e tirando a comida do forno, enquanto a imprensava na bancada.
Sentir a quentura do seu corpo e o leve empinar do seu lindo e tesudo bumbum acordaram meu pau com rapidez. Mesmo querendo arrancar aquela toalha e fazer amor com ela ali mesmo, me afastei respirando fundo. Dei a volta na bancada, escondendo meu instrumento enquanto ela se virava. Aquela cena era quase um déjà vu. Anos antes isso acontecera na casa de praia dos seus pais.
Era um fim de semana ensolarado e estávamos na mansão deles em Búzios. Toda a família dela estava lá: tios, primos, avós, pais, cachorro, papagaio, periquito... Todos mesmo. Era alguma comemoração da qual não me recordo. Estávamos na piscina e bebendo e comendo churrasco quando em algum momento, nos esbarramos na cozinha. Ela tava linda em um bikininho verde e eu de calção pra esconder e não marcar nada. Quando fui passar por ela pra ir até a geladeira, ela jogou a bunda em cima de mim, me espremendo contra a mesa e, não contente, começou a rebolar. Eu segurei sua cintura com carinho, cheirei seu pescoço e espremi seu corpo no meu, encaixando meu pau no vale do seu lindo bumbum. Porém, mais uma vez, me amedrontei. E acabei a afastando. Engraçado que agora consigo lembrar da decepção no rosto dela.
Diferente do que aconteceu na viagem, dessa vez sentei-me de frente pra ela. Deixei que visse meu pau duro sob a cueca, e meu riso cruel. Dessa vez, deixei ela saber que meu afastamento não era por medo e nem por falta de vontade mas por simplesmente querer castigá-la. Eu pude ver seu corpo arrepiado, suas pernas tremendo igual vara verde e a toalha quase se desprendendo. Ela respirava pesado me olhando por cima do ombro. Seus olhos quase imploravam para que eu a possuísse ali mesmo mas ainda tinha o ranço, mesmo que cada vez menos, do que ela havia feito comigo. Diferente da vez da casa de praia, essa ela ficou quase chorosa. Eu sentia falta do corpo dela tanto quanto ela sentia do meu mas não ia entregar tao fácil assim. Depois disso, ela foi pro quarto colocar uma roupa, eu fiquei na sala e deixei que ela ficasse admirando meu pau em riste sob a cueca e jantamos quase em silencio.
-- estava tudo uma delícia... – minha voz era cheia de maldade, o que a fez engolir em seco.
-- fico feliz que tenha gostado! É bom saber que minha comida ainda te deixa empolgado depois de começar a experimentar outras... – a última parte ela disse quase pra si mesma mas ouvi.
-- bem... Eu sempre fui fiel a sua comida aprendi com você que as vezes pode-se encontrar comidas gostosas de outras pessoas. – disse com um sorriso. Era um elogio pra ela. E ela pediu pela resposta.
Juliana ficou calada. Levantou-se pegou meu prato e foi pra cozinha. Depois de um tempo, nos recolhemos, cada um pro seu quarto e dormimos.
O dia seguinte fluiu tranquilo e com uma distância entre nós após minha maldita fala sobre ela. Eu já havia decidido perdoá-la mas aqueles pensamentos ficavam voltando o tempo todo e percebi que parte disso era fato de ter negligenciado minha psicóloga com tudo que vinha acontecendo. Felizmente consegui uma sessáo no mesmo dia e depois de uma hora de divã, aquela raiva toda foi novamente controlada.
No fim do dia Carolina me ligou para confirmar o encontro e agradecer pelos presentes. Disse que o o presente não era pra ela e sim pra mim e ela, sem querer ou eu esperar, acabou deixando escapar um gemidinho. Ri daquilo e desliguei. Quando cheguei em casa, foi feito todo o ritual e dessa vez eu fiz a comida: meu risoto de Brie com pera que ela adorava. Eu estava mais calmo então conversei com ela e arranquei algumas informações sobre o trabalho dela e a pesquisa que fazia sobre atletas de alta performance, sobre as amizades e sobre a viagem de carnaval. Tudo isso pra anteceder mais um anuncio.
-- amanhã não voltarei cedo. – falei, sucinto.
O garfo que ia a boca para curtir a sobremesa parou no ar. O sorriso de leveza que estampava aquele lindo e perfeito rostinho sumiu. Isso tudo foi um único momento mas plenamente perceptível. Depois de um breve momento, ela levou o garfo a boca experimento o cheesecake de frutas vermelhas.
-- não precisava ter feito esse jantar pra isso. – disse enquanto já se levantava. Eu continuei comendo.
-- devo admitir então que toda tentativa de me agradar era uma forma de apaziguar o que fez? – minha voz era calma mas uma lâmina cruel.
Ela parou no meio do movimento. Sentia seus olhos sobre mim, confusos. Ainda sim, colocou suas coisas na pia e foi se deitar. E agradeci por isso. Porque eu percebi o que havia feito e aquilo doeu. Muito mais nela do que em mim, com certeza, mas menos do que deveria pois sei que apesar da culpa, ela me amava. Terminei e fui arrumar a cozinha antes de dormir.
No dia seguinte eu vi o estrago real: parecia que tinhamos regredido quando tudo isso começou. Ela voltou a carregar aquele semblante sofrido e triste. Eu juro que eu queria ter raiva dela. Juro que queria não me importar em ver a mulher que mais amei e amo sofrendo daquele jeito. Mas lembrar da discussão da noite anterior e pensar naquela sombra que pairava sobre nós endurecia meu coração. E, por conta disso, fingi que estava tudo bem.
O dia transcorreu normalmente, quando deu a hora do encontro, mandei um Uber Black buscar Carolina e leva-la até o restaurante. Tomei um banho, arrumei minha barba, coloquei um dashiki branco com detalhes dourados e meu óculos de armação redonda. Saí sem ver Juliana. E não sabia nem se estava em casa. No caminho até o Blue Note fui tentando organizar minhas idéias e também tirar o foco do meu pensamento em Juliana. Quando cheguei, minha mesa já estava reservada na parte de cima, com as cortinas fechadas e o espaço da varanda privativo para mim e minha convidada e quando cheguei não me decepcionei.
Carolina estava linda. O vestido destaca seu corpo nos locais corretos. Valorizava sua silhueta. O decote discreto era um convite. As pernas cobertas pelas meias eram de um delito ímpar aos olhos e aqueles lindos pezinhos equilibrados nas sandálias deixavam o visual perfeitamente sedutor. Me aproximei dela, que quando me viu, não reconheceu. Ela ameaçou se levantar mas fiz que não com a cabeça e fui prontamente atendido. Parei ao seu lado e peguei sua mão. Podia sentir o arrepio que lhe percorreu sua mão estava quente. A beijei entre os nós dos dedos e pude perceber um leve rubor em suas bochechas.
-- boa noite, Carolina. Te trouxe aqui porque preciso de mais conhecimento sobre com quem estou lidando. – mentira. Ela sabia. Qualquer um que estivesse próximo saberia, pois eu a devorava com os olhos.
Ela cruzou as pernas, e que cruzada. Deixei meus olhos percorrem aquilo rapidamente enquanto ela começava a falar.
-- o senhor só me chamou aqui pra isso, não é? – sua voz era manhosa. Escondia algo em suas palavras e que não foi difícil de saber o que era.
-- não estou nem um pouco interessado em saber o que tem a dizer sobre eles. Só me importa você. – dizia sério enquanto encarava diretamente seus olhos. Ela se mexeu na cadeira e a princípio achei que tivesse ido longe demais. E então ela riu. Um riso tímido, contido mas que prometia muita coisa.
-- o que o senhor deseja? – eu adorava como ela me chamava de senhor me dava uma sensação de poder, de posse. Era estranho e excitante. Nunca tinha experimentado aquilo.
-- no momento? Que você se alimente. Que se divirta por esse breve momento. Até que eu termine nosso jantar e eu te conduza para um dos hotéis e aprecie a vista de lá. – eu não tinha o que perder mas tinha muito a ganhar desde que mantivesse a postura confiante que oprimia e de certa forma oprimia minha convidada.
Ela deu um sorriso de canto de boca e mordeu o lábio inferior. Seus olhos faiscaram. Ali eu percebi que Carolina não era uma mulher normal. Eu havia me imposto é ganhado o jogo. Ainda sim, eu não estava preparado para o que me aguardava.
Jantamos conversando amenidades. Descobri que era filha única e que era sozinha na vida, e tive que fazer uma força descomunal para não sair do personagem pois meu impulso primordial era querer oferecer ajuda. Era muito inteligente, principalmente com línguas, falando seis idiomas mesmo tão jovem. O jantar foi agradável e o vinho começou a esquentar as coisas.
Talvez pelo vinho ou o ambiente intimista, mas em determinado momento, não conseguia tirar os olhos dela. E meu olhar não era de carinho. Estava carregado de um tesão selvagem, primal. A olhava como se fosse devorá-la ali mesmo. E ela percebeu. Se remexeu na cadeira e eu já sabia que era por tesão. Ela estava gostando daquilo. Não bastasse sua inquietude, sua respiração denunciava.
-- o senhor me olha com tanta intensidade que sinto meu rosto arder... – um leve rubor alcançava sua face junto com um delicioso porém pequeno e contido sorriso.
-- é porque a sobremesa é sempre a melhor parte desse jantar. E quero muito comer a minha. Ela é linda e parece saborosa. – meus olhos estavam escuros de tesão e um desejo cru, bruto.
-- o senhor é quem manda. – falou quase gemendo.
“O senhor é quem manda”? Aquilo era muito novo pra mim. Apesar da postura, vale lembrar que tanto Juliana quanto Jane me dominavam. Juliana pelo coração, Jane pelo pau e por ser minha “professora”. Eu nunca fui o dominador. Mas minha postura desde que a conheci tem sido essa: um homem altivo, confiante, seguro de si, em suma, um personagem. Porém aqui foi estranho mas me excitou demais.
-- então levante e vá ao banheiro. Quero sua calcinha na minha mão. – sussurrava pra ela aquele ordenamento mas meu rosto estava impassível.
Pra minha surpresa e minha excitacão, Carolina simplesmente levantou-se e foi ao banheiro. Meu pau já estava duro e quente como ferro em brasa, pressionando o tecido da calca enquanto aguardava o retorno de Carol. De repente, sinto meu celular vibrar no meu bolso. Era uma foto dela, sem a calcinha. A buceta com uma leve penugem logo acima da entrada, os lábios brilhando e um fio delicioso do melaço dela escorrendo. Respirei fundo e guardei o celular e aguardei seu retorno, já com a conta paga. Quando voltou, entregou a calcinha sorrateiramente a mim. Sem pudor algum e olhando em seus olhos, enfiei aquele pedaço de pano lindo e úmido no nariz, sentindo aquele cheiro maravilhoso de fêmea pronta.
-- não senta. Tá na hora da sua sobremesa. – eu tava transtornado de tesão – venha aqui e ajoelhe. Abra. Não quero que ponha as mãos nele. Apenas experimente.
O Blue Note tem uma área privativa de frente para a praia. Pagava relativamente bem para que aquela pequena varanda fosse minha por algumas horas e faria uso dela com certeza. Carolina já não conseguia esconder minimamente seu tesão. Acatou minha ordem sem nem ao menos titubear. Ajoelhou, puxou meu membro em riste pra fora ficou admirando a gota de pre-gozo que se formava no topo. Quando dei a ordem, ela largou imediatamente meu pau e beijou só a ponta, sorvendo todo o líquido que brotava. Com movimentos curtos, passou a lambê-lo. Sua lingua era quente e macia e cada lambida dela me causava um tremor pelo choque da quentura dela contra o vento frio do ar condicionado. Me posicionei de frente para praia e deixei que lambesse. Ela deu um verdadeiro banho de língua antes de enfiá-lo na boca com tudo. Enfiou o que pode, passando pouco da metade.
-- que putinha deliciosa e obediente. Imagina se olhassem pra cá agora e vissem uma bela e fina mulher ajoelhada e com um pau na boca. – senti suas chupadas se intensificarem.
Tirei meu pau da boca dela e ergui seu rosto até que encontrassem meus olhos. E então, pela primeira vez na vida, bati em uma mulher. Não foi algo forte ou mesmo violento. Foi um ato de um tesão que já não era mais meu e estava completamente fora de controle. Dei um tapa leve em seu rosto que se contorceu na hora de tesão.
-- mandei chupar, putinha, não me fazer gozar. – disse enquanto a encarava completamente entregue a situação e ao tesão.
Aquilo era muito estranho pra mim. Eu me sentia como alguém que via uma cena de fora do próprio corpo. Aquele... Aquilo não era eu!
-- sim, senhor. Me desculpe. - ela dizia olhando pra baixo, totalmente submissa. E de uma forma sombria aquilo me deu mais tesão.
-- levante-se e apoie as duas mãos na janela. – foi a primeira vez que ela exitou.
-- senhor...? – disse com a voz trêmula de medo e excitação. A olhei com dureza e ela se tremeu mas obedeceu, espalmando as mãos na janela.
Levantei o vestido delicadamente, deslizando minhas mãos por aquele corpo maravilhoso. Carol, ao contrário da minha primeira impressão, não era somente esguia. Era musculosa. Seu corpo era deliciosamente firme, com os músculos levemente protuberantes. Aquilo era esculpido a base de muito exercício, com certeza. As meias e a cinta liga deixavam aquela mulher mais gostosa ainda. Sua buceta melada escorria um liquido que fazia minha boca encher d’agua mas ão era a intenção.
Rocei a ponta naquela entrada melada e pude sentir seu tremor e arrepio. Enfiei meu pau naquele canal ensopado. Pra minha surpresa, era bem apertado. Mais do que Jane e até mesmo mais do que Juliana. Quando ela abriu a boca pra gemer, coloquei minha mão grande em seu rosto, abafando sua voz. Deixei que meu pau escorregasse até meu púbis bater em sua bunda. Me aproximei de seu ouvido.
-- você gemeu. Você exitou. Não goze e não faça mais barulho, putinha. Você tá em um restaurante. As pessoas estão comendo... Se comporte enquanto eu te fodo. – tirei quase todo e empurrei firme até o fundo.
Soltei seu rosto me concentrando em sua cintura, que apertava com tanta força que sabia que deixaria marcas. As pessoas lá fora transitavam sem reparar que a alguns metros acima do solo, uma linda morena tomava rola na buceta impiedosamente. Socava com firmeza e ritmo, como tinha aprendido com minha professora. Via os nós dos seus dedos ficando brancos e as pernas quase se cruzarem pra segurar o gozo. Eu afundava meu rosto e seu pescoço, roçandoeu nariz em sua nuca, mordendo sua orelha.
-- nunca comi uma putinha tão apertada. Vai ser uma delicia deixar toda minha porra aqui dentro e ver você indo embora sem calcinha e segurando pra que nãi vaze nada. – coloquei a mão no pescoço dela e ela me olhou por cima do ombro.
-- por favor, senhor, me deixa gozar! Eu te imploro!! – disse entre um sussurro e um choramingo. A cada estocada firme, seu corpo balançava e ela gemia sem som, contendo seus barulhos ao máximo. Eu nunca havia feito ou agido daquela forma. Apesar de ser meio estranho, eu tava adorando.
-- vai gozar sim, mas vai gozar quando sentir eu enchendo sua buceta com minha porra. E vai levar ela toda pra casa com você. – novamente, um gemidimudo e seu corpo arqueando, quase fora de controle. Os nós dos seus dedos estavam brancos de tanta força que fazia.
Dei mais algumas estocadas firmes e senti meu gozo se aproximando. Assim sendo, a liberei para o seu prazer.
-- goza, putinha. Goza sentindo eu te marcar. Goza sabendo do vício que se instala em você. – e gozei.
O que fiz a seguir, foi puramente inconsciente. Foi apenas reflexo do meu orgasmo. Quando a liberei pra gozar, gozei, represando todos os músculos do meu corpo. Minha mão, grande como era e em seu pescoço, acidentalmente a enforcou. A enforcou mesmo. Não foi um aperto no pescoço. Ela segurou e arranhou minha mão para que soltasse e quando o fiz, apenas preocupado com minha nova conquista, me surpreendi com a violência do orgasmo dela. Carolina se tremia toda e parecia alguém que estava embaixo d’água por muito tempo. Não sei como e nem tentei entender. Só sei que o orgasmo dela foi tão forte que ela esguichou, molhando todo o chão. Mas não fez barulho como eu ordenara. Depois dessa gozada ela ficou mole e a peguei nos braços enquanto recuperava de fato a consciência.
-- o... Obrigado, senhor. – disse esbaforida.
-- carolina é a primeira vez que faço esse jogo. Isso é interessante. É gostoso mas pareço ter me excedido e por isso acho que devo desculpas. – disse com a mesma voz firme que sustentava desde nosso primeiro encontro.
E ela sorriu. Aquele sorriso de mulher satisfeita e saciada. Aquele de quem teve o prazer arrancado por outra pessoa e ainda sim amou.
-- não se preocupe, senhor. Espero continuar sendo sua putinha. Prometo que serei melhor na próxima vez. – eu sorri.
Depois disso nos recompomos. Gastei um dinheiro por aquele momento privativo mas tá tô eu quanto ela sabiamos que dinheiro já não era um problema pra mim. Fiz questão de levá-la em casa e ela morava próximo a barra, nos conjunto do Rio 2. Ao chegar lá, ela desembarcou. A chamei e dei um beijo em sua boca. O primeiro contato normal que tivemos. Sua boca era doce e sua língua macia. Dançava em minha boca como uma bailarina, era algo calmo, acalentador. Tão diferente do sexo que fizemos. Sorri.
-- essa é a recompensa da minha putinha pela noite maravilhosa. – ela retribuiu o sorriso e entrou. Com as pernas bambas e meladas. Fui pra casa. No caminho, meu celular vibrou algumas vezes mas ignorei.
Ao chegar em casa, o silêncio. Não havia ninguém em casa. Juliana não há ia voltado. O interessante nisso é que em nenhum momento me passou pela cabeça que ela pudesse estar com outra pessoa. Eu só pensava no perigo que ela corria na rua até aquelas horas, e nem era tão tarde. Eram 22:40. E fiz algo que não me orgulho mas preferia isso a angústia de achar que ela estava em perigo.
Rastreei o telefone dela e, pra minha surpresa, ela estava em um bar universitário com as amigas, eu supus. E por incrível que pareça eu fiquei feliz. Ela precisava disso. Juliana sempre foi muito vibrante, muito dançante. E desde essa situação, ela parecia meio morta. Não me importei muito mas antes que subisse, o meu telefone tocou. E era Raquel. Talvez nãi se lembrem mas Raquel foi a que se desfez de mim quando eu era o monstro. Juliana manteve o contato mas depois que virei essa pessoa, a peguei olhando pra mim mais de uma vez mas nunca disse nada.
-- o que houve, Raquel? – foi uma pergunta seca.
-- Marcus, alguém precisa vir pegar a Juliana. Ela tá bêbada e vai fazer uma besteira já já.
Na primeira frase eu já estava dentro do carro. E rumei para o bar das freiras.
Devo ter tomado algumas muitas multasmas quando cheguei Juliana dançava sobre a mesa animada enquanto seus amigos e amigas faziam um cordão de proteção não deixando ninguém chegar perto dela. Ela estava linda de minissaia e uma camisa de frente única. Fiquei de longe observando com os braços cruzados até que ela me notou e toda a dança esmoreceu. Ela perdeu o ímpeto e a vontade e logo desceu e veio na minha direção entre as pessoas. Um rapaz a segurou pelo pulso e ela tentou se livrar, ele insistiu e quase deu um beijo nela até que minha voz explodiu no ambiente.
-- EI!!! TIRE AS MAOS DA MINHA MULHER! – o bar parou. Minha voz ressoou como um trovão.
Todos pararam e Juliana, desnorteada, veio cambaleando até mim e começou a chorar e balbuciar coisas ininteligíveis. A peguei com um bracoa circulando e protegendo. Dei as costas ao bar e fui com ela para o carro. Ela continuava chorando. Raquel e mais algumas amigas delas vieram atrás de nós e as enxotei alertando a elas que nunca contassem o que aconteceu aqui a ela. Pra todos os efeitos, ela chegou bebada dormiu. Elas concordaram balançando rapidamente a cabeça e com olhos arregalados, deixaram sua bolsa e foram embora.
Fui pra casa com ela quase deitada no meu colo, bebada. Eu afagava sua cabeça tentando adivinhar o que se passava em sua cabeça. Eu não lembro de vê-la tão frágil. Aquele acordo ia quebrar a gente e, sinceramente, eu já havia a perdoado. Eu a amava. Prova disso foi esse escandalo. Cheguei em casa e a tirei do carro, a levando até seu quarto no colo. Queria dar um banho nela mas não conseguiria resistir. A coloquei na cama sentindo um cheiro estranho, familiar. E só então reparei que Juliana estava sem calcinha. A deitei na cama e senti meu corpo vibrando de raiva. Fui atras de seu telefone. Peguei ele na mão mas não desbloqueei. Não tive coragem. Fui tomar um banho e dormi na poltrona que ela usava para leitura.
Acordei no meio da madrugada após um pesadelo com Juliana. Ela dançando e sendo apalpada pelas pessoas até que um homem vem e a toma e a come na frente de todos mundo. Ele geme e goza como nunca vi antes. Acordei de sopetão, respirando rápido e suado. Acabei indo pro meu quarto depois que ela apagou e não passou mal. Acordei pouco depois com a imagem dela sem calcinha e aquele cheiro que não conseguia definir o que era. Arrumei minhas coisas. O acordo foi rompido e eu não ia passar isso de novo. Estava em pânico e meu coração estraçalhado. Não acreditava no que aconteceu. Eu não queria acreditar. Não fazia sentido alguém querer se punir assim e romper o acordo tão brevemente. Fui para a sala e fiquei aguardando ela chegar.
As nove horas, ela acordou. Escutei o barulho do chuveiro. Foi um banho demorado, um banho de ressaca. Física, com certeza. Moral, talvez. Ela apareceu na sala e viu minhas malas. Seus olhos se arregalaram:
-- onde você vai? Vai viajar? Marcus, o que aconteceu? – sua fala era rápida, atropelada, de alguém que tem urgência. Ela chegou a mudar de cor e não era rubor. Ela ia vomitar.
-- você chegou ontem bêbada. Eu te ajudei a ir para o quarto mas qual não foi minha surpresa ao ver que estava sem calcinha... Isso acabaria com o acordo- - ela me interrompeu quase gritando.
-- Marcus, eu vejo você há um mês entrando e saindo, esfregando na minha cara seu corpo usado e com cheiro de outra mulher! Tenho suportado da melhor forma que posso saber que aquilo que era só meu agora é de outras também!! Além disso, tirando nossos esbarrões, você não me toca mas me devorar!! Eu sinto seus olhares, sinto seu calor!! Eu não sei quando você ficou assim mas isso tá acabando comigo!!! Eu quero rasgar sua cueca e te estuprar mas me seguro pelo acordo que nós concordamos!!! – não tive como não deixar escapar um sorriso de canto de boca. Jane sempre disse que eu era um bom aluno. Tá aí a prova.
Fiquei olhando pra ela espera do a conclusão do seu desabafo e com medo dela acabar vomitando.
-- eu... Eu... Eutava sem calcinha porque bebi demais e... Acabei... – fazendo um sinal com as mãos de fluidez perna abaixo enquanto apertava os lábios de vergonha. Em suma, ela estava sem calcinha porque havia se mijado. O odor familiar era urina e meu cérebro explodiu. Em alívio e em graça, mas contive o riso.
Voltei pro quarto e larguei minhas coisas lá com um alívio que eu não fazia ideia que pudesse sentir. Tirei a roupa, ficando somente de samba canção e ela já não estava na sala. Corri pra cozinha e fiz um café bem forte. Cortei algumas frutas e coloquei granola. Algo bem leve pra recolocar no estomago dela. Quando entrei no quarto, ela estava de terminando de sair do banheiro.
-- tomei outro banho e coma. Vou comprar remédios pra você.
Fui até a farmácia comprar alguns medicamentos pra enjôo e fígado. Tratei dela aquele dia mesmo distante, fiz como a muito não fazia. Não tentei suprir as carências dela. Não conseguiria mesmo se quisesse. A imagem de outra pessoa em cima dela ainda me corroía mesmo que bem mais brando. E ela sabia. Ela sentia. O resto mês correu com mais harmonia. Voltei a me encontrar com Carolina onde conversamos abertamente. Ela me mostrando as maravilhas de ter uma submissa e eu cada vez mais embarcando nesse mundo que ainda era novo pra mim e contei a ela que tinha uma espécie de relacionamento aberto. Ela sorriu e disse que desde que o senhor tenha um tempo pra cuidar da cadelinha dele, ela ficaria feliz. Que doido. Mas que tesudo ela falando daquele jeito. Contei a Raoni e a Ivete sobre Carolina e ambos se mostraram muito interessados nas brincadeiras. Agora respondia as provocações de Ivete com igual sacanagem e isso só deixou ela mais atiçada. Tentei ser mais carinhoso com Juliana mas continuava evitando os toques o que a deixava um pouco irritada. Foi assim até a festa.
Fui fantasiado de um personagem de um desenho que eu gosto por ser uma sátira de outros desenhos. A fantasia era simples: uma sunga preta e o corpo oleado. Pedi que me ajudasse a passar o óleo e a vi fazer isso enquanto mordia os lábios. Seus dedos percorriam cada veio, cada espaço dos meus músculos. Seu corpo irradiava calor como a muito não sentia e eu começava a ficar excitado. Ao ver que tinha terminado, me afastei antes que percebesse meu desejo. Ela foi de coelhinha da playboy. Não vou ser hipócrita e dizer que não senti meu estômago apertando de ciúmes mas ela estava linda. Sorria como ha muito não o fazia.
A festa foi boa até certo ponto. Estava ricamente adornada com confete, serpentina, balões e máscaras. Tudo muito colorido. Ao fundo, a mesa do DJ e luzes estroboscópicas dos dois lados. De tempo em tempo, alguma coisa pulverização água no salão o que refrescava todo mundo. Muita gente dançando e bebendo e se beijando. De alguma forma, parecia reedição da festa em que Juliana e eu nos conhecemos e aquele pensamento me fez rir.
Raquel e as meninas daquele dia me olhavam assustadas e mal falaram comigo. Alguns amigos de Juliana me cumprimentavam e conversavam comigo enquanto ela não desgrudava de mim. No único momento que fez isso, Raquel se aproximou de mim. Sua voz arrastada denunciava seu grau de embriaguez.
-- impossível Juliana dar conta desse chocolate todo sozinho. Você bem que podia me deixar experimentar. – não sei como mas ágil demais pra alguém bêbado, ela apalpou meu pau por cima da sunga. Tirei sua mão de mim sem um pingo de gentileza. E a minha brutalidade teve efeito contrário. Ela mordeu o lábio e pôs a mão no meu peito.
-- isso. Me trata assim que aí que eu gamo mesmo. – eu ri com desdém e pra evitar confusão, sai de perto e fui procurar minha baixinha.
Infeliz do destino de querer no posicionar nos locais corretos nas horas certas. Andando naquele mar de gente eu a vi. Ela estava possessa e gesticulando descontroladamente e então entendi. Daniel. O tal Daniel. Tentando segurá-la enquanto ela se afastava e tirava a mão dele. Em um momento mais taxativa, ela o empurrou e gritava alguma coisa mas então ele forçou. Agarrou ela e antes que a boca dele tivesse tocado a da minha mulher, eu já o puxava pra longe dela, me interpondo entre os dois. O cara não era feio. Era desses malucos padrão de odonto: cabelo loiro, degradê, olhos claros, malhadinho, usava fantasia de cowboy. Quando me viu, soube quem eu era. Ele ergueu as mãos mas minha mão já estava explodindo em seu queixo. Daniel desmontou. Dei as costas e a puxei pelo pulso. Pensando agora, pareceu exatamente como nossa primeira vez.
A tirei da festa e fomos pra casa. Ela calada no carro e eu ainda respira do fundo, puto, com a ousadia daquele filho da puta. Estacionei o carro e entrei na frente com passos pesados. Ela vinha atrás de mim e somente quando entramos, tentou falar algo.
-- Marcus, eu não sabia que ele estaria lá!! Eu não fiz nada!! Ele tentou me agarrar mas- em um movimento abrupto, coloquei minha mão em seu pescoço. Não estava a enforcando era uma pegada firme mas não maldosa. A puxei pra mim enquanto olhava nos olhos dela, que se enchiam de lágrimas.
-- VOCÊ. É. MINHA!!! – E a beijei. Um beijo visceral, de tesão, de saudade, de desejo. Mas acima de tudo de posse. Ela tentou enlaçar meu pescoço mas com a outra mão prendi seus braços acima de sua cabeça. Larguei seu pescoço e comecei a apalpar seu seios durinho. Ela gemia quando beliscava os mamilos. Desci apertando sua cintura. E enfiei a mão dentro do maio.
Eu a masturbei com firmeza e enquanto a beijava com fome que não cabia em nós. Ver aquele filho da puta tocar nela me descontrolou. E eu enfiei os dedos e massageei seu clitóris até ela explodir em um gozo represado há semanas, talvez meses. Suas pernas bambearam e eu a soltei, deixando ela ajoelhada no chão. Fui em direção ao banheiro e de costas pra ela disse.
-- você é minha, entendeu? Homem algum vai tocar em você de novo.
E fui tomar meu banho, indo dormir de portas fechadas.
Era difícil pra mim vê-lo duas ou três vezes por semana chegar em casa esgotado. Com aquele sorriso frouxo de homem quando tem tudo. Ele cheirava a buceta mesmo não percebendo. Tentei atiça-lo várias vezes, inventando situações prós nossos corpos se encostarem mas ele me evitava. Sentia seus olhos em mim, percorrendo cada curva do meu corpo, notando cada arrepio que causava. Chegou a um ponto que minha buceta se encharcava na presença dele. Aquele cheiro constante de buceta me deixava louca e um dia, na pia da cozinha, eu acabei gozando. Acho que ele não percebeu mas me deixou louca.
No dia que armou o jantar, eu me alegrei: “é hoje!! Hoje a gente se resolve!” mas me enganei. Acabamos brigando e ele acabou comigo quando disse que se era pra entender que toda vez que fiz aquilo era pra compensar ter transado com o Daniel. Aquilo me destruiu de tantas formas que liguei pras meninas e saí pra beber. Beber não. Entornar. Eu lembro de pouco aquela noite. A última coisa que lembro é de estar chorando no banheiro quando eu... Bem, eu tava bêbada demais e acabei me mijando. Guardei a calcinha na bolsa e saí. Daí não lembro de mais nada.
E a briga no dia seguinte. Por mais que eu diga, talvez vocês nunca entendam. Marcus era gentil em todos os aspectos: no olhar, no sorrir, no gestual, no comportamento. Era aquele tipo de pessoa a quem acalenta até quem não conhecia porque simplesmente gostava de ajudar. Mas agora... Era estranho. Era... Excitante. Os olhares. As ordens. O tom de voz que me fazia arrepiar. Era outro homem. E eu queria muito o pau daquele homem dentro de mim mas de uma forma esquisita parecia que cada vez que olhava pra ele, meu Marcus parecia morrer dentro de uma casca mais visceral e agressiva.
A festa já estava perto e foi a primeira vez que peguei uma prova cabal do que estava realmente acontecendo. Enquanto colocava nossas roupas pra lavar, dentro de uma de suas calças, tinha uma linda calcinha. Tenho vergonha de admitir mas eu a cheirei e imaginei meu Marcus destruindo o corpo daquela que era dona daquela lingerie. Minha menina se molhou na hora. Não contei isso pra ele e dei um jeito de esconder aquilo.
Os dias passaram mais leves e finalmente chegou o dia da festa. Daniel. Motivo da minha ruína. Motivo de ter perdido o único homem que me amou de verdade. Não esperava ele ali mas quando me viu, correu pra me pegar. Tirei ele de perto de mim o quanto pude e fui ríspida e incisiva sobre não querer vê-lo mais. Porém ele me agarrou. Não vi quando Marcus chegou mas só sentia o braço dele me puxando pra trás e em seguida, Daniel caindo todo torto no chão. Marcus me arrastou pra fora e direto pra casa.
Naquele dia eu pensei que ia apanhar. Minha velha rotina de namorados abusivos e escrotos. Era isso que eu tinha transformado o melhor homem de todos. Ele não falava comigo, só bufava. E quando chegamos em casa, que eu fui falar e ele me agarrou pelo pescoço, senti meus olhos marejarem porque antevi o golpe. Mas o que veio foi muito melhor. Ele me beijou. ELE ME BEIJOU!! E apesar da crudeza e selvageria, eu senti. Ainda era amor. A mão no pescoço era firme mas não apertava, só imobilizava. Minha buceta encharcou na hora. Quando tentei tocá-lo e ele prendeu minhas mãos e abusou deliciosamente do meu corpo, eu gozei como nunca gozei na vida. Não consegui ficar de pé. Achei que ele finalmente me foderia como eu merecia, mas ele foi mais cruel. Foi embora dormir sem me dar aquilo que queria.
Eu estava criando um monstro. Alguém que arrancava orgasmos, alguém que dominava e tomava posse. E eu fiquei esperançosa. Porque mesmo naquilo que ele estava se transformando, eu senti o amor dele por mim.