O Arquiteto do Fogo

Um conto erótico de Girls Family L
Categoria: Heterossexual
Contém 674 palavras
Data: 08/01/2026 14:52:55

Eu nunca fui homem de rotinas previsíveis, Clara. Meu nome é Eduardo, e quando te conheci, há quatro anos, em uma degustação de vinhos em São Paulo, vi em você uma chama que podia incendiar minha vida monótona. Casei-me contigo porque você era selvagem por baixo daquela fachada elegante, com seus olhos que prometiam segredos e um corpo que me fazia perder o fôlego. Mas o tempo, esse ladrão silencioso, nos pegou. As viagens a trabalho viraram desculpas para fugir do marasmo, da casa grande com seus quartos vazios e noites previsíveis. Eu precisava de algo para nos reacender, algo que nos tirasse do abismo da rotina, e planejei tudo com a precisão de um enólogo misturando uvas proibidas.

Você acha que foi por acaso, não é? Aquelas noites sozinhas com Sofia, minha filha de 24 anos agora, que cresceu tão independente, tão distante de mim após a morte da mãe dela. Eu via como vocês se olhavam, aqueles olhares furtivos pela casa, como se o ar entre vocês carregasse uma eletricidade que eu mesmo sentia pulsando nas veias. Não foi malícia, Clara – nunca pense isso. Foi um cálculo frio, mas apaixonado, para nos salvar. Eu incentivei as viagens longas, fingi atrasos em Roma ou Bordeaux, sabendo que a solidão as aproximaria. Eu plantava sementes: comentários casuais sobre como Sofia admirava sua força, ou como você poderia ser uma confidente para ela. E à noite, em hotéis distantes, imaginava vocês duas, o vinho que eu deixava na adega como isca, os toques acidentais que virariam inevitáveis.

Voltei mais cedo daquela vez, como planejei. Entrei pela garagem silenciosa, o coração martelando como um tambor surdo. Ouvi os gemidos antes de ver: você e Sofia no sofá da sala, os corpos entrelaçados em um emaranhado de pele e desejo. Não entrei correndo; fiquei na sombra, observando. Seu corpo sobre o dela, as mãos explorando curvas que eu conhecia só de relance, os sussurros roucos que ecoavam como um vinho tinto derramado. Aquilo me excitava de uma forma doentia, Clara – não pela possessão, mas pela transgressão que nos uniria. Meu pau endurecia só de pensar no depois, em como isso nos faria mais fortes, mais famintos um pelo outro.

Quando Sofia foi embora para o quarto dela, entrei. Você estava ali, desgrenhada, o cheiro de sexo ainda no ar, os olhos vidrados de culpa e prazer residual. "Eduardo...", murmurou, mas eu a calei com um beijo, puxando-a para mim com urgência. "Eu sei", disse eu, a voz baixa e confiante, enquanto minhas mãos desciam por suas costas, sentindo o tremor que eu mesmo havia orquestrado. "Eu planejei tudo isso, amor. As viagens, as noites sozinhas... Para nos tirar do tédio, para apimentar o que tínhamos perdido." Seus olhos se arregalaram, uma mistura de choque e algo mais sombrio, mas eu continuei, os lábios roçando seu pescoço. "Ver você assim, livre, desejando... Me excita como nada mais. Não é sobre controle; é sobre nós, sobre reacender o fogo que nos uniu."

Você hesitou, mas seu corpo traiu você – as coxas se abrindo quando eu a empurrei contra a parede, minhas mãos erguendo sua saia, sentindo a umidade que restava da noite. "Você é louco", sussurrou, mas com um sorriso torto, os dedos enfiando-se no meu cabelo enquanto eu a penetrava ali mesmo, devagar no início, depois com fúria, como se estivéssemos reivindicando um ao outro. Cada estocada era uma confissão: eu havia manipulado as peças, mas para o nosso bem, para que o desejo não morresse sufocado pela rotina. Gozamos juntos, um clímax que ecoou pela casa silenciosa, deixando-nos ofegantes e entrelaçados.

Agora, de manhã, com Sofia na cozinha fingindo normalidade, eu te olho e sei que funcionou. Há uma nova tensão no ar, um segredo compartilhado que nos torna cúmplices. Não sou o herói da história, Clara – sou o arquiteto de uma loucura calculada, movido por um desejo que beira o abismo. Mas veja: nosso casamento pulsa de novo, vivo e perigoso. E na próxima viagem, quem sabe o que mais eu planejo para nos manter assim?

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