Dia 13
Foi difícil dormir essa noite pensando em tudo que acontecer, por mais de uma vez quis levantar e ir até o quarto do Alisson para saber se ele estava bem, só que desisti da ideia, já tinha muita coisa rolando, não quis correr o risco de ser visto e piorar ainda mais as coisas, ainda mandei um boa noite mas a mensagem nem chegou, ele deve está com o celular desligado e posso entender, afinal com todo o barraco que a Carolina fez deve ter ficado ligando o tempo todo.
Ande foi outro demorou a pegar no sono, agora dormi profundamente em sua cama, levanto para tomar meu banho, estou de volta ao primeiro dia em que a vergonha de descer sozinho me fez voltar para o quarto e esperar pelo Ande mais um pouco, estou pensando enquanto espero Ande acordar que talvez fosse melhor voltar para casa mais cedo, esse aparentemente é um problema sério que a família vai precisar resolver, não sei se minha presença aqui é tão boa assim agora.
--- Bom dia. --- Diz Ande ao acordar.
--- Bom dia.
--- Se não fosse pelo calor acho que dormiria mais um pouco. --- Concordo com a cabeça.
--- Ande, você não acha melhor eu ir embora, assim vocês podem resolver tudo com mais privacidade sei lá.
--- Que isso Renan, deixa disso, eu sei que é chato você ter que ver essas brigas aqui em casa, mas a melhor coisa que aconteceu nessas férias foi você ter vindo, fica vai deixar disso. --- Ande me pareceu sincero em suas palavras.
--- Beleza, posso ficar então, só não quero achar que estou incomodando se liga.
--- Incomoda nada não, pode ficar em paz.
--- Tá, pois levanta que só estou te esperando para tomar café da manhã.
Ele levantou e foi tomar um banho, ainda bem, por que já estou faminto, Alisson foi trabalhar, o pai deles saiu bem cedo para resolver umas coisas, a mãe do Ande está no quarto, parece que ela acordou com dor de cabeça, nem dá para julgar, a mulher está tendo dor de cabeça com os dois filhos, depois de comer Ande vai até o quarto dela para saber como ela está e eu levei a louça para a pia aproveitei para lavar tudo, estou quase terminando quando recebo uma mensagem do Alisson, ele pede desculpas por não ter respondido ontem, a Carolina quebrou o celular dele com raiva, ele está usando o whats pelo computador do trabalho.
--- Você está bem? --- Pergunto.
--- Estou, parece que finalmente consegui resolver algo que estava me incomodando, sabe.
--- Quis ir ao seu quarto ontem, mas imaginei que não iria querer me ver. --- Falei.
--- Renan, você é sempre bem vindo no meu quarto. --- Fiquei um tempo sem saber o que responder, mas aí ele continuou. --- Não foi sua culpa eu ter terminado, já não estava mais dando certo a algum tempo.
--- Fico aliviado em saber que não está chateado comigo.
--- Nem existem motivos para isso, o que temos tem me feito mais bem do que mau.
Cheguei a escrever "o que nós temos?", porém perco a coragem e apago ao invés disso apenas nos despedimos, pois ele tem que trabalhar e eu tenho que terminar de lavar a louça, Ande chega na cozinha indo direto para a geladeira, ele tira uma carne congelada e uns legumes, me olha como se fosse óbvio e meio que é, ele vai fazer o almoço, porém meu choque e descobrir que ele sabe cozinhar, isso é uma coisa que não esperava, mas preciso admitir o cara sabe o que faz, estou servindo de auxiliar de cozinha para ele, o pai dele chegar, fala com a gente e depois vai para o quarto ver a esposa, o clima parece menos caótico, enfim parece que tudo está mais calmo.
Com o almoço quase pronto Alisson chega em casa para almoçar, ele passa para o banho só de toalha me deixando desconcertado e com tesão, puta que pariu ele mexe com minha mente de um jeito que não sei por em palavras, fala comigo e com Ande, porém só recebe uma resposta minha, Ande ainda está chateado e sinceramente não sei por que ele está assim.
--- Ande, você tem que conversar com seu irmão. --- Ele revira os olhos.
--- Renan, não dá, Alisson sempre tem que ser o centro das atenções aqui de casa, até quando eu to fazendo merda ai ele vem e faz uma maior, esse cara é um babaca. --- Não conhecia esse lado extremamente mimado do Ande e isso me deixa muito mais surpreso do que saber que ele sabe cozinhar.
--- Cara não foi de propósito.
— Você não conhece ele Renan.
--- Ande como amigo e espero que você não fique puto comigo, isso é ridículo e eu sei que você sabe disso também, quer ficar puto com seu irmão beleza, mas pelo menos não mete essa cara. --- Falo bem sério e ele finalmente se desarma.
--- A gente é assim, ele sabe que gosto dele, só que ele envergonhar o pai assim é foda.
--- Talvez se você der uma chance ele te explica os motivos dele. --- Contínuo.
--- Porque você está defendendo tanto ele? --- Ande me questiona.
--- Não é ele quem estou tentando ajudar é você, cara tenho duas irmãs nem sempre a gente se dá bem ou concorda com as decisões do outro, mas sem elas nem sei o que seria de mim, minhas irmãs são minha vida, minhas parceiras, não quero que você perca um irmão que quer está por perto por um motivo tão insignificante. --- Ande fica pensativo e não tocamos mais no assunto.
Ande fez uma carne cozida divina, o cara manja mesmo, não é só propagando enganosa pelo jeito, Alisson comeu com a gente todos em silêncio, mas foi um avanço, antes de acabarmos de comer os pais deles se juntaram a gente e de repente foi como se os problemas tivesse ido embora, todos estavam se falando e elogiando os dotes culinários do Ande, foi o almoço mais tranquilo e divertido que tive desde que cheguei.
— Meu filho, se você não estava feliz o melhor foi ter feito isso mesmo, dói agora, mas depois ela vai aceitar e seguir em frente. — As palavras de sabedoria do pai dele.
— E ninguém aqui gostava dela mesmo. — Ande completa.
— Anderson! — A mãe dele a repreende.
— Deixa mãe, tá tudo bem, é melhor terminar mesmo não está sendo justo para ela também.
— No nosso tempo é que casávamos obrigado. —- Disse o pai deles.
— Ah, então quer dizer que você casou com a mãe porque foi obrigado pai? — Ande falou e a mãe dele olhou para o marido esperando uma respostas.
— Claro que sim, sua mãe ficou grávida do Alisson ai tive que casar. — Todos caíram na risada. — Mas depois de um tempo vi que ela é uma boa mulher para ter comigo esses anos todos.
— Escapou por pouco, em velho?. — Ande falou tirando onda com o pai.
— Seu pai tem razão, filho, você e seu irmão tem que procurar uma mulher boa e companheira, que cuide de vocês e que principalmente seja fiel. — Ela falou olhando para o Ande.
— Mãe, já falei para senhora parar, primeiro que não vou casar com a Júlia, a gente está só ficando.
— Filho ela tem idade para ser sua mãe.
— Não exagera mãe, para ela ter idade de ser minha mãe ela teria que ter me tido adolescente.
— Deixa ele mãe, o Ande sabe o que faz, são outros tempos ele está se cuidando. — Alisson defendeu o irmão.
— Tá bom, não vou mais falar nada, agora se você resolver se juntar com essa mulher quero ser a primeira a saber, entendeu Anderson?
— Sim senhora, se eu bater minha cabeça com força na parede e ficar doido aviso a senhora.
Assim finalmente a paz reinou de novo, ambos os assuntos não foram mais comentados, pós almoço fui para louça com muita insistência, os pais do Ande foram descansar, o Ande ficou me ajudando a enxugar e guardar a louça e Alisson foi para o quarto, o mundo se realinhar e voltamos para os nossos debates bobos sobre quem é mais forte Saitama ou Goku.
Escovei os dentes depois armei minha rede no quarto e fomos dormir, a família toda parecia está precisando de uma merecida soneca, um costume que estou cada vez mais aderindo o sono do pós almoço é de Deus, coisa melhor não há, acordei com Ande me chamando, com tudo isso tinha esquecido que ainda tínhamos que ir para a academia.
Foi só o tempo de comer algo e partir para o meu inferno pessoal, estou pagando para sofrer, sou um palhaço, as pessoas falam que é bom para não serem os únicos presos nesses lugares, pelo menos lembrei de levar meus fones, agora posso malhar ao só do rap da akatsuki, obrigado 7 Minutoz por essa obra prima.
— Anderson tu não vai acreditar. — John vem todo animado falar com a gente.
— Que foi boy?
— Cara nosso time foi convidado para um amistoso. — O time de basquete.
— Sério, contra quem?
— O time de Sobral. — Uma cidade pouco menos de uma hora.
— Eita eles são bons. — Ande fala empolgado.
— Você vai jogar né? — Claro. — Ah espera não vou poder, não tem como o Renan ir. — Ele disse isso porque as caronas são bem limitadas já que eles não tem o transporte do time.
— Vai cara, você vai ficar o que um dia fora? — Falei.
— É que quando a gente joga lá ou eles vêm para cá a gente sempre sai depois do jogo para farrear. — John fala, aí só volto no dia seguinte.
— Quando vai ser? — Pergunto.
— Amanhã. — John fala.
— Então dá certo, você vai está de volta no dia pela manhã?
— Sim. — Disse o Ande, a gente viaja à tarde para treinar na quadra deles, depois vem o jogo, a farra e no outro dia de manhã estou em casa.
— Pois vai dar certo, por mim de boas, posso ficar o dia jogando ou vendo alguma coisa.
— Você é o melhor amigo do mundo. — Ande fala me abraçando, meu amigo pegou mesmo gosto pelo esporte.
Se tudo der certo vou poder ter um tempinho com Alisson, não poderia querer um presente de aniversário melhor, talvez consiga até dormir com ele, tá estou sonhando alto já, mas pelo menos uns beijinhos vai rolar certeza, só por via das dúvidas mandei mensagem para ele falando sobre essa brecha que vamos ter, vai que ele marca, algo, não quero correr esse risco.
Ele responde com um emoticon dos olhos com coração, estou bem animado para amanhã tanto que estou malhando até com mais vontade, quero falar com John, mas acho que vou ter que ter um pouco mais de paciência, com Ande por perto não tenho nem como começar o assunto, depois do treino vamos tomar açaí, está virando um costume.
— Esse lugar fica aberto o dia todo? — Questiono porque toda hora que a gente vem, está aberto.
— Tipo isso, por isso que gosto de vir para cá.
— Justo.
— Ei tenho que te falar uma coisa, mas você tem que prometer que não vai surtar e nem contar para ninguém. — Ande diz.
— Lógico que você pode confiar, somos brothers.
— Renan sério isso está me deixando meio mal, ainda mais depois do que tu me falou.
— Tá estou preocupado, o que aconteceu Ande?
— Quando minha ex me traiu fiquei muito puto, muito mesmo, nem estava pensando direito, só queria foder com alguém para tentar esquecer dela.
— Tá isso não mudou muito até agora.
— Pois é só que eu comi a Carolina.
— Que Carolina, a Carolina do seu irmão? — Estou em choque.
— Ela já vinha me dando mole, só que ignorei, um dia cheguei em casa bebo e ela estava na cozinha, a gente conversou um pouco e rolou, comi ela na escada de madrugada.
— Ande. — Nem conseguia falar mais.
— Mais não durou, a gente ficou umas três ou quatro vezes só.
— Só, como assim Ande? — Estou tão puto com ele que nem sei o que fazer.
— Eu sei sou um merda, mas ela disse que meu irmão e ela nem estavam mais transando direito e ele nunca vai saber, mas eu que pôs um fim, ela queria continuar, mas depois de um tempo vi que era muito errado e aí paramos, depois disso nunca mais olhei nem na direção dela.
— O que você tem na cabeça Ande? — Estou perdido.
— Fiquei nervoso ontem porque pensei que ela ia contar para ele. — Agora algumas coisas passaram a fazer sentido. — Eles terminaram, você ouviu ele mesmo disse que não estava legal, então não preciso contar né?
— Ande, você tem que falar. — Falei.
— Eu sei, mas ele vai me odiar, e não significou nada.
— Anderson você foi traído, você mais do que ninguém sabe como isso é ruim.
— Eu sei, mas ela já se foi, só quem vai ficar na mira dele sou eu, não posso contar, só quero que essa história morra, daqui a pouco ele vai está com outra e nem vai mais lembrar dela.
— Por que você me contou?
— Porque eu precisava contar isso para alguém, desculpa de por no meio disso, mas é que você falou aquilo e fiquei pensando, posso não me dar bem com Alisson, mas não quero que ele me odeie. — Ande está quase chorando.
— Anderson é o seguinte acho que você precisa falar para o seu irmão, mas como seu amigo estou aqui por você, vou esquecer que você me contou isso e nunca mais precisamos falar sobre. — Não posso contar, por mais que acho que ele precisa saber, deve ser leal ao meu melhor amigo, pois gosto de pensar que ele faria o mesmo por mim.
— Obrigado Renan, mas pelo menos por enquanto vou continuar sem contar, ela não vai falar, tenho certeza agora, ela vai querer voltar com ele e se ela falar vai pegar mau para ela também.
— Assim espero.
— Ela é doido por ele, não vai querer estragar a chance de voltar com ele um dia, ela já perdoou uma traição dela, com certeza ele vai voltar para ela, ou ele segue em frente e se um dia ela falar eu nego. — Ande chegou a uma conclusão.
Voltamos para casa, Ande pede uma pizza e procuramos algo para assistir tem um filme que parece bom, a protagonista é até uma que fez uma série no Disney com Zendaya, acho que é Bella o nome dela, “A vida é agora” o nome do filme, ficamos jogando Mortal Kombat até a pizza a hora de pedir a pizza e depois até a pizza chegar para enfim assistir ao filme, quando o filme acabou Ande ficou jogando LoL no computador e enquanto fiquei trocando mensagens com o Alisson, queria está conversando pessoalmente com ele, mas não tinha como, pelo menos ele disse que tinha uma surpresa para mim, um presente de aniversário adiantado que eu iria gostar muito.
Dia 14
Acordei cedo. Estou ansioso pela surpresa que o Alisson preparou. Peguei o celular e já havia uma mensagem de bom dia dele; respondi e desejei-lhe um bom dia de trabalho. Sigo para o meu banho matinal; nesse calor, a água é mais que bem-vinda. Desço para tomar café e volto para o quarto; Ande ainda dorme. Hoje ele deve estar realmente exausto. Aproveito para ligar para minha mãe, dizer que estou bem e que as coisas por aqui estão tranquilas.
Depois de falar com ela, lembrei que faz tempo que não procuro minha namorada. Mando uma mensagem perguntando como ela está; demora um pouco, mas ela responde que está tudo bem. Ande finalmente dá sinais de vida; ele levanta e vai ao banheiro. Aproveito para ligar o computador e jogar um pouco, já que ele vai demorar com o café.
Entro no meu save de The Last of Us; já estou na metade do jogo. Meu amigo volta para o quarto mais animado. Pela hora, ainda dá tempo de irmos à academia. Ande me vê calçando o tênis sem reclamar e, com as sobrancelhas erguidas, fita-me por um breve momento antes de falar:
— Quem é você?
— O que foi?
— Não vai reclamar ou pedir para não ir hoje? — ele pergunta, tirando sarro da minha cara.
— Não vai adiantar nada, então é melhor terminar logo com isso — respondo, fingindo-me rabugento.
— Agora sim, esse é o Renan que eu conheço.
— Eu não mudei, Ande. Sou o mesmo cara desde que você me conheceu. — Só depois que falei é que notei que ele recebeu essa frase de uma maneira diferente, mais séria.
— Beleza... — Me desculpar só pioraria o clima, então mudo de assunto: — Vai viajar que horas?
— Tenho que estar na quadra às quinze. Tu não sabe mesmo andar de moto, né?
— Tá maluco? A primeira vez que subi em uma foi aqui com você. Minha mãe arranca meus olhos se me pegar olhando para uma; imagina se me visse pilotando.
— Vou pedir para um dos meninos vir me buscar, então.
— Vai dar certo, não se preocupe. Vou cuidar bem do seu quarto e da sua moto.
— Engraçadinho. Vê se não traz mulher para cá, hein? — ele diz, rindo.
— Ah, você me conhece. Um quarto só para mim... Não tem como não aproveitar a oportunidade.
Seguimos para a academia. John é outro que está radiante com esse jogo. Algo me diz que há mais do que apenas um amistoso para ele; deve ser algum esquema, não tem como ficar tão animado assim por uma partida simples. Ele comentou que sempre rola festa depois do jogo; é aí que mora o verdadeiro interesse dele e do Ande. Em outros momentos, eu ficaria chateado por perder a farra, mas terei minha própria festa hoje, com uma companhia maravilhosa.
Termino o treino e vejo Alisson chegando. Não consigo decidir se prefiro ele nu ou com roupa de academia. Que homem bonito! As garotas da academia olham para ele com tanta cobiça, e ele... ele quer ir para a cama comigo. Isso me dá um upgrade no ego; quem não gosta dessa validação?
Em casa, tomo banho e almoço com o Ande. Ele avisa à mãe sobre a viagem e menciona que ficarei sozinho. Reforço que ficarei bem, pois não quero ninguém atrapalhando meus planos. Mas aí, quase como se soubesse de algo, ela faz a melhor proposta possível:
— Renan, o Alisson vai para a casa da avó hoje à tarde. Você devia ir com ele. Não gosto que eles viajem sozinhos de moto para lá.
— Ah, mãe, fala sério! O Renan tem que fazer essa viagem chata? — reclama o Ande.
— Eu não me importo. É até melhor do que ficar em casa olhando para o tempo — respondo rapidamente.
— Tem certeza? — Ande insiste.
— Tenho, cara. Não vai ser tão ruim assim.
— Faz pelo menos esse trouxa pagar uma pizza para ti depois — diz o Ande.
— Pare de chamar seu irmão de trouxa, Anderson! Minha nossa senhora, o que foi que eu fiz para ter dois filhos tão desunidos?
Depois do treino, Alisson volta para pegar as coisas e partirmos. Ande ainda tenta me convencer a ficar, dizendo que será chato viajar com o irmão, mas digo que já confirmei com a mãe dele e ficaria feio desistir. Ele finalmente concorda.
Alisson me chama. Despeço-me de Ande e subo na moto. Acredito que minha surpresa será na volta e estou ansioso. Como saímos cedo, achei que não dormiríamos lá, mas ele me pediu para levar uma muda de roupa, toalha e escova de dentes. Colocamos tudo na mochila dele.
Olha para mim: viajando de uma cidade para outra de moto. Se minha mãe me visse, teria um troço. Agradeço mentalmente por os fofoqueiros da rua não a conhecerem. É minha primeira vez na estrada com o Alisson; se com o Ande eu já não sabia onde me segurar, agora estou perdido. Ele percebe minha confusão e, assim que saímos, faz sinal para eu abraçá-lo.
Estou realizando um sonho que nem sabia que tinha. Viajar de moto traz uma sensação de liberdade incrível. Quando saímos da cidade, sinto que estamos em outro mundo; mato de um lado, mato do outro. Alisson para em um posto para abastecer.
— Só preciso comprar uma coisa na conveniência — ele diz.
— O Ande disse que não era longe. Já estamos perto?
— Mais ou menos. Na verdade, passamos da entrada para a casa da minha avó faz tempo — ele confessa com um sorriso sapeca.
— Como assim? Você precisava vir a este posto?
— Não. Na verdade, este posto é a primeira parada da sua surpresa.
— Alisson, o que você está planejando? — pergunto, entre o medo e a felicidade.
— Sabe o que significa "surpresa", né? Me espera aqui.
Ele volta radiante. Nunca vi esse lado tão sorridente dele. Somos como duas crianças em um parque de diversões. Voltamos para a estrada e entramos em outra cidade. Ao todo, passamos quase duas horas viajando. Estou quebrado da moto, mas sei que valerá a pena. São quase três e meia quando chegamos a uma pousada próxima à praia.
Não acredito que ele me trouxe para o mar. Tínhamos falado sobre nossos lugares favoritos, mas nunca pensei que ele planejaria algo assim. O lugar é incrível: quatro chalés privativos, rodeados por verde e, para meu choque, cada um tem sua própria piscina pequena.
Deve ter sido caro. Me pergunto se não era a reserva da lua de mel dele. O chalé é perfeito: cozinha, quarto com ar-condicionado e uma cama enorme. Ele uniu tudo o que amo: praia, frio para dormir e a companhia dele.
— Você tem que me deixar rachar o valor deste chalé com você — digo, abraçando-o assim que ficamos a sós.
— Nem pensar. Se você pagar, deixa de ser o seu presente de aniversário.
— Alisson, eu nem sei o que dizer. Você devia ter me avisado que era praia, não tenho nem roupa para entrar no mar.
— Primeiro: "surpresa", lembra? Segundo: tem, sim. — Ele tira da mochila um calção de banho que comprou no posto.
— Por isso parou lá! — O mistério foi resolvido.
— Sim. Sabia que teria lá. E aí, gostou?
— Vou te mostrar o quanto gostei.
Avanço sobre ele, beijando sua boca com paixão. Não ligo para mais nada. Alisson me agarra com força; ele também ferve de desejo. Tiro minha camisa e a dele. Livro-me do calção e da cueca; Alisson continua de cueca, com o membro marcando o tecido. Estou delirando de tesão.
Ele me deita na cama e vem por cima. Chupa meus mamilos, arrancando-me gemidos altos. Agora posso reagir como quero; somos apenas nós dois. Ele beija meu corpo até chegar ao meu membro ereto. Alisson me toma na boca, e o resto da minha lucidez desaparece. Sua boca quente é o paraíso.
Ele me engole inteiro, chupa minhas bolas e posiciona minhas pernas sobre seus ombros, deixando minha entrada ao alcance de sua língua. Sua língua frenética me deixa maluco. Quero que ele me possua; quero senti-lo inteiro dentro de mim.
— Me come! — As palavras saem carregadas de desejo.
— Você tem certeza?
— Alisson, me fode. Enfia tudo em mim — peço, olhando no fundo dos seus olhos.
Ele levanta-se rápido, tira a cueca e revela o pau mais lindo que já vi. Pega lubrificante e camisinhas. Dessa vez, bem lubrificado, sinto-o deslizar com mais facilidade. Na posição de "frango assado", ele me beija enquanto me invade. A dor é aguda, mas eu a enfrento; quero-o todo dentro de mim.
Ele entra com calma, esperando que eu me acostume. A dor cede espaço ao tesão até que lhe dou carta branca para continuar. Alisson urra de prazer. Gemendo como um louco, faço questão de contrair meu anel a cada estocada profunda, instigando-o a ir cada vez mais longe.
— Isso... assim mesmo... — sussurro, tremendo.
— Cara, que delícia. Você é tão apertadinho. Eu sonhava com isso desde o primeiro beijo.
— Fode... fode meu cuzinho...
— Você acaba comigo agindo como uma putinha assim — ele diz.
— Quer me ver ser o seu putinho?
Faço-o deitar e subo sobre ele. Sem perder tempo, sento-me de uma vez. Vejo estrelas, mas a sensação é maravilhosa. Apoio-me em seu peito forte e começo a quicar. No início é desajeitado, mas ele dobra as pernas para me dar apoio e o ritmo flui. Estou cavalgando nele, e a parte mais louca é que estou adorando. Não há mais dor, apenas nós dois.
— Ai... isso é muito bom...
— Está gostando de me sentir? — ele pergunta.
— Muito! Alisson, você é muito gostoso — provoco, entregue ao momento. — Esse pau é delicioso.
— Gosta do meu pau? Ele é só seu agora.
Essa frase me faz perder o controle. Sento com mais vontade e gozo sem nem me tocar, sujando sua barriga. Ele continua até preencher a camisinha completamente com o seu prazer. Caio exausto sobre ele. Ele fode muito bem; é um homem intenso. O vazio que sinto quando ele sai é estranho, mas reconfortante. Deito em seu peito.
— Vamos à praia? Podemos tomar banho de mar, beber água de coco... Disseram que o pôr do sol aqui é lindo — ele sugere, como um cavalheiro.
— "Ficou sabendo"? Quer dizer que nunca veio aqui?
— Não, é a primeira vez. Um colega de trabalho comentou e, como você disse que amava praia, fiz a reserva.
Saber que ele não veio aqui com a ex me desarma completamente. Eu não esperava tanto cuidado.
— Você é tão perfeito que dá vontade de pedir em namoro — digo, beijando-o apaixonadamente.
Limpamo-nos e partimos para a areia. Ele me ajuda com o protetor solar e eu faço o mesmo com ele. Alisson está lindo: óculos escuros, camisa florida aberta e bermuda azul. Parecemos um casal. Como a pousada é perto, vamos a pé. Deixo meu celular no modo avião; não quero que nada interrompa este sonho.
Caminhamos até uma barraca. Ele pede água de coco e, novamente, não me deixa pagar. Esqueço que ele é um contador formado, concursado e organizado.
— Você é maluco. E se sua família descobrir que você não foi para a casa dos seus avós?
— Relaxa. Já falei com eles. Se meu pai ou minha mãe perguntarem, eles confirmam.
— Você disse que me traria para a praia?
— Falei que a separação foi difícil e que eu precisava de espaço. Minha avó sabe como minha mãe pode ser difícil, então aceitou me acobertar.
— Entendi.
— Pode relaxar e curtir — ele diz.
— Alisson, se eu relaxar mais, eu durmo. Não lembro da última vez que estive tão em paz.
Conversamos a tarde toda. Ele falou sobre a faculdade; eu contei sobre minhas irmãs e a falta que sinto de uma figura paterna. Conectamo-nos profundamente. Alisson tem essa cara de bravo, mas é sensível, gentil e cuidadoso. Um homem para casar.
O pôr do sol começa seu espetáculo. É lindo e traz uma paz imensa. Olho para ele e, sem me importar com mais nada, beijo-o ali mesmo. Ele não recua. Voltamos de mãos dadas para a pousada, rindo de histórias antigas. No quarto, ele me puxa para o chuveiro. Debaixo da água, eu o chupo até ele chegar ao ápice em minha boca. Ele adora quando faço isso. Depois, saímos para comer pizza.
Na pizzaria, os olhares variam entre admiração e inveja. Alisson não tira os olhos de mim.
— Como assim você não sabe pilotar? — ele pergunta, admirado.
— Minha mãe me mata se souber que andei na garupa, imagina pilotando.
— Comigo ela vai ter que deixar — ele afirma. — Nunca colocaria o filho dela em risco.
A pizza estava ótima. Ele paga a conta e voltamos para a moto. De repente, ele liga o veículo e afasta-se para trás, dando-me o lugar do piloto.
— O que está fazendo? — pergunto, nervoso.
— Você vai levar a gente para casa. Mas vai aprender. Diferente de você, eu gosto de uma cerveja de vez em quando, então você vai precisar aprender cedo ou tarde.
Meu coração dispara. O "cedo ou tarde" indica que haverá outros encontros. Subo na moto. Ele coloca as mãos sobre as minhas e me explica tudo com paciência. Estanco o motor na primeira vez, mas logo a magia acontece: estou pilotando de verdade, com ele me abraçando por trás.
Este é o melhor aniversário da minha vida. Chegamos ao chalé e ele vai direto para a piscina com uma cerveja. Entro também, provocando-o. Mergulho e emerjo bem na frente dele. Colo minha boca na dele, sentindo o gosto da cerveja. Tudo nele é viciante.
— Nunca pensei que você fosse de beber — comento.
— Só de vez em quando.
— Experimentei vodka uma vez e odiei.
— Whisky cai bem às vezes — ele diz. — E você, fuma?
— Não.
— Na faculdade eu usava maconha, mas a Carolina descobriu e ameaçou contar para minha mãe. Parei para evitar estresse.
— Vocês ficaram juntos por quanto tempo?
— Sete anos. Passamos quase um ano separados nesse meio.
— Quando percebeu que não queria mais? — pergunto com cautela.
— Acho que há dois anos. — Minha surpresa é evidente. — Eu sei, é loucura. Mas foi quando ela foi diagnosticada com depressão. Senti-me responsável por ajudá-la.
— Deve ter sido difícil. — Faço um carinho em seu rosto.
— No começo, sim. Depois tudo ficou automático. Quando veio a ideia do casamento, eu estava soterrado, sem forças para sair. Até que percebi que podia gostar de alguém de novo.
Não aguento e o beijo com força.
— Pode pedir — ele sussurra contra meus lábios. Minha respiração acelera.
— Namora comigo?
— Sim.
A resposta me deixa completamente entregue. Cruzo minhas pernas em sua cintura dentro da água. Beijamo-nos como se não houvesse amanhã. As coisas esquentam, os calções são deixados de lado. Pelados na piscina, sinto-o contra minha entrada.
— Quero você — ele diz.
— Sou seu.
Contra a borda da piscina, ele me possui com carinho. A experiência debaixo d'água é nova e incrível, mas o frio nos faz voltar para a cama. Passamos a noite inteira transando, parando apenas para recuperar o fôlego antes de começarmos tudo de novo.
