O primeiro convite foi um gracejo, uma brincadeira entre copos de vinho numa festa. Ricardo olhou para Clara, sua esposa de vinte e cinco anos, cujo vestido azul-celeste parecia capturar toda a luz do ambiente.
"E se a gente chamasse o Marcos para nos visitar?", ele murmurou no ouvido dela, os olhos fixos no amigo de trabalho que dançava na pista. Marcos era alto, imponente, com uma presença que dominava o salão.
Clara deu uma risadinha nervosa, corando. "Que absurdo, Ricardo."
Mas a semente foi plantada.
As semanas seguintes foram marcadas por insinuações, por conversas cada vez mais ousadas durante suas intimidades. Ricardo, movido por um fetiche que mal compreendia, apresentava a ideia como uma aventura, um presente para ambos. Clara, inicialmente reticente, começou a ceder à curiosidade, alimentada pelos elogios do marido à sua beleza e à sua "liberdade".
A noite em que Marcos finalmente veio jantar foi eletrizante. O ar pesava com expectativas não ditas. Ricardo serviu mais vinho, tocou música suave e, com um olhar para Clara, deu o passo irreversível.
"Marcos, achamos que você e a Clara têm uma certa... conexão", ele disse, a voz um pouco trêmula.
Os olhos de Marcos encontraram os de Clara. Havia uma pergunta neles, mas também um consentimento silencioso da parte dela. Ricardo assistiu, com uma mistura de êxtase e desconforto, ao primeiro toque, ao primeiro beijo. Depois, ele se retirou para o terraço, prometendo dar-lhes privacidade, mas incapaz de se afastar completamente. Os sons que chegavam até ele eram de um prazer visceral, primordial.
Clara voltou para a cama marital horas depois, o corpo relaxado de uma forma que Ricardo não via há tempos. Ela não disse nada, apenas se encostou nele. Mas algo havia mudado.
O "encontro único" tornou-se outro, e depois mais um. Ricardo organizava, sugeria, incentivava. A cada vez, Clara mergulhava mais fundo. Seu desejo, que antes parecia um riacho calmo, transformara-se em uma correnteza incontrolável. Ela falava menos, mas seu corpo falava mais: movimentos mais ousados, uma confiança recém-descoberta, uma fome que Ricardo, sozinho, já não conseguia saciar.
Ele começou a perceber as pequenas ausências: o telefone que ela escondia, os sorrisos secretos ao ler uma mensagem, as saídas "para comprar coisas" que se estendiam além do razoável. O fetiche deixou de ser uma fantasia compartilhada e tornou-se uma realidade paralela da qual ele estava sendo excluído.
"Acho que preciso de um tempo", Clara disse uma noite, arrumando uma mala pequena. Seu rosto estava sereno, mas seus olhos evitavam os dele.
"Um tempo? Para quê? Nós... nós estamos fazendo isso juntos", Ricardo argumentou, o pânico gelando suas veias.
"Não estamos mais. Você deu início a isso, Ricardo. Você abriu a porta. Agora eu preciso descobrir o que há do outro lado. Só com ele."
As palavras caíram como golpes. "É só sexo, Clara! A gente combina isso!"
Ela parou, a mão na maçaneta. Pela primeira vez naquela noite, olhou diretamente para ele. Havia pena naquele olhar, e uma determinação feroz.
"Para você era só sexo. Para mim, tornou-se a chave de um mundo que eu nem sabia existir. Sinto muito."
A porta fechou-se. O som ecoou pela casa vazia.
Ricardo afundou. A fantasia tinha virado um monstro que devorara sua vida. Ele via as fotos que Clara, agora aberta em seu novo relacionamento, postava nas redes sociais: sorrindo na praia, de mãos dadas com Marcos, com uma luz nos olhos que ele jurara ter acendido. Ela parecia mais viva, mais completa. E ele estava do lado de fora, observando a obra da sua própria autoria.
Anos depois, em um café, ele a viu. Estava sozinha. O tempo trouxera linhas suaves ao seu rosto, mas a mesma serenidade. Ela o viu e, após um momento de hesitação, aproximou-se.
"Ricardo."
"Clara. Você está bem."
"Estou. Você?"
Ele não respondeu. Em vez disso, fez a pergunta que o atormentava há anos. "Você o ama? Ou era só... o sexo?"
Clara ficou em silêncio por um longo momento. "No começo, era o desejo. Era puro, intenso, avassalador. Algo que você mesmo despertou e alimentou. Mas com o tempo... o desejo é um fogo que consome tudo se não houver mais nada. Com Marcos, descobri outras coisas: respeito, cumplicidade, uma visão de mundo que me expandia. Você me deu a ele, Ricardo, mas você me deu como um brinquedo, um objeto do seu fetiche. Ele me viu como uma pessoa."
Ela se despediu com um aceno discreto. Ricardo ficou sozinho, olhando para o café frio. Compreendeu, tarde demais, que ao tentar possuí-la de uma forma distorcida, tinha aberto mão dela por completo. A porta que ele abrira não levava a um quarto dos prazeres proibidos, mas para fora de sua própria vida. E Clara, a jovem e bonita esposa que ele iniciara em seus jogos, simplesmente cruzara essa porta e nunca mais voltara.
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