Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 17 — Dentro do Carro, Dentro de Mim

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 6710 palavras
Data: 30/01/2026 22:22:34

O silêncio no interior do carro era quase absoluto após o ar-condicionado ter sido desligado, mas o ar rapidamente se tornou denso, carregado de uma umidade que cheirava a desejo bruto, sal e o couro dos bancos. Eu estava ali, totalmente entregue, sentindo o peso do corpo de Jonas sobre o meu, uma presença esmagadora e reconfortante ao mesmo tempo. Nossos peitos subiam e desciam em ritmos descompassados, chocando-se um contra o outro.

​Jonas me olhou nos olhos com uma intensidade que parecia ler minha alma.

— Feche os olhos — ele sussurrou, a voz saindo como um rosnado baixo, vibrando contra o meu pescoço. — É rápido.

​Eu confiei. Fechei as pálpebras, sentindo apenas o calor que emanava dele.

— Abre a boca também — ele comandou, e eu obedeci sem hesitar, sentindo a adrenalina disparar. — Vai ser muito rápido.

Ouvi um movimento rústico de tecido e, logo em seguida, algo úmido e macio foi pressionado contra o meu rosto. O cheiro me atingiu instantaneamente: era aquele odor forte, estigante e familiar de água do mar, sol e o vestígio de porra do Jonas que eu já havia sentido mais cedo. Abri os olhos por um breve segundo e percebi o que ele estava fazendo. Ele havia pegado sua sunga marrom, a mesma que ele usava na praia, e a amarrou com firmeza em volta do meu rosto, cobrindo minha boca como uma mordaça improvisada.

​— Acho que agora a gente não vai ter problema algum — ele disse, com um sorriso de canto que carregava uma malícia deliciosa. — Vai ser do jeito que você quer, tá bom?

Ele encostou a testa na minha. O calor da sua pele era febril. Senti uma de suas mãos descer entre nossos corpos. Ele segurou o próprio pqu, dando uma chacoalhada firme, soltando um gemido breve de antecipação que ecoou no espaço pequeno do carro.

Aquela mesma mão, agora quente e pronta, desceu até a minha bunda. Com os dedos, ele me abriu, deixando-me totalmente exposto sob ele.

​— Só não se mexe muito, tá? — Jonas pediu, a voz ofegante. — Eu prometo que vou fazer da maneira que você sinta o menos de dor possível.

​Eu olhei para ele, a sunga marrom apertando minhas bochechas, impedindo-me de falar, mas meu olhar gritava o quanto eu o desejava. Apenas acenei com a cabeça, confirmando que estava pronto, que eu era dele naquele momento.

Ele posicionou a ponta do seu membro bem na minha entrada. O contato inicial foi como um choque elétrico. Jonas começou a empurrar o corpo contra o meu, inserindo-se lentamente. Senti cada milímetro daquela invasão. Um arrepio violento percorreu minha espinha, fazendo meus pelos se eriçarem da nuca até os pés.

​Jonas percebeu a reação e soltou uma risada rouca, o rosto colado ao meu.

— Caralho, Bernardo... você tá todo arrepiado — ele comentou, maravilhado com o poder que exercia sobre mim. — Tá, eu vou ser rápido nessa parte.

​Sem mais avisos, ele deu um impulso forte, enterrando-se de uma vez só dentro de mim. O impacto foi profundo. Meus olhos se fecharam com força e eu mordi o tecido da sunga em minha boca, abafando o grito de surpresa e prazer que tentou escapar. O gosto de sal e o resquício do prazer que ele havia liberado mais cedo na praia invadiram meus sentidos. Era um gosto bom, real e incrivelmente excitante.

Ele se inclinou, a boca encostando na minha orelha, enquanto seu corpo ainda vibrava com o esforço feito ao penetrar quase tudo em mim.

— Já entrou — ele sussurrou, a respiração queimando meu ouvido. — Falta só mais um pouco, tá ok? Aguenta por mim, por favor.

​Eu tentei responder, mas o que saiu foi apenas um som abafado pela mordaça improvisada. "Vai... vai...", eu tentava dizer com os olhos, movendo o quadril para recebê-lo ainda mais. Ele empurrou o restante, preenchendo cada espaço vazio dentro de mim.

​— Calma — ele disse, sentindo minha tensão. — A gente tá exatamente onde a gente quer estar.

​Eu acenei, apertando os braços dele com as minhas mãos, sentindo a solidez dos seus bíceps. Minhas pernas estavam firmemente entrelaçadas na sua cintura, prendendo-o a mim. O suor agora começava a brotar em nossas testas, escorrendo e se misturando. O espaço era tão reduzido que cada movimento fazia o carro balançar levemente sobre as suspensões, um barulho rítmico que apenas nós ouvíamos.

​— Eu vou te movimentar muito rápido agora — ele avisou, mudando a pegada.

​Jonas apoiou os dois braços sobre o banco, mudando nossa posição para ganhar ângulo. O banco reclinado oferecia um palco improvisado onde eu estava totalmente aberto para ele. Ele me olhou nos olhos, o suor pingando do seu rosto no meu peito.

​— Eu vou tirar só mais um pouco e colocar de novo, tá? Aguenta firme.

​Ele recuou, tirando quase tudo de uma vez. Eu senti aquele vazio súbito, uma ausência que doía, fazendo-me soltar um "hmmm" de protesto por trás da sunga. Vi quando ele cuspiu na própria mão e desceu o rosto.

Jonas largou o meu corpo por um instante, focando na região onde estávamos unidos. Ele deu uma lambida rápida, uma linguada molhada que me fez contorcer o corpo inteiro.

— Acho que agora vai tranquilo — ele murmurou, voltando a subir sobre mim.

​Ele impulsionou o quadril novamente, entrando com tudo. O som do impacto dos nossos corpos se chocando — aquele estalo úmido e carnal — preencheu o silêncio do carro. Voltei a prender a cintura dele com as minhas pernas, trazendo-o para o fundo.

​— Agora a gente pode ir tranquilo — ele disse, colando a testa na minha novamente. — Eu não vou te machucar, Bernardo. Pelo contrário... eu vou te dar exatamente o que você veio buscar.

​O domínio de Jonas era absoluto. Ele começou um ritmo constante, uma coreografia de prazer e força bruta dentro daquele estacionamento. Eu sentia o corpo dele deslizando sobre o meu, o atrito da pele suada, o cheiro de homem e de sexo que dominava o ambiente. Ele não desviava o olhar; queria ver cada reação minha, cada vez que eu apertava a sunga entre os dentes ou que meus olhos se reviravam. Estávamos em nossa própria bolha, protegidos pelos vidros escuros, enquanto o mundo lá fora continuava a girar, sem ideia da explosão que acontecia dentro daquele carro.

O calor dentro do carro já era insuportável, mas nenhum de nós se importava. O suor de Jonas pingava ritmicamente sobre o meu peito, misturando-se à minha própria transpiração, criando uma película escorregadia que fazia nossos corpos deslizarem um contra o outro com um som úmido e excitante. Cada estocada dele era como um trovão silencioso dentro de mim, uma pressão que me preenchia e me obrigava a encarar a realidade do meu desejo.

​Eu estava totalmente receptivo. Minhas pernas, antes apenas entrelaçadas em sua cintura, agora subiam mais, apoiando-se em seus ombros largos para dar a ele ainda mais profundidade. Eu queria que ele chegasse ao meu cu de forma profunda. Por trás daquela sunga marrom que ainda abafava meus gritos, eu tentava dizer a ele para não parar, para ser ainda mais bruto.

Isso... relaxa pra mim, Bernardo — Jonas rosnou, percebendo que eu parava de lutar contra a invasão e passava a abraçá-la. — Sente o quanto você tá apertado aqui... caralho, você é perfeito.

​Ele intensificou o ritmo. A esfregação entre nossos corpos era constante; o meu pau, pressionado entre o meu abdômen e o peito dele, recebia o atrito de cada movimento, me levando ao limite de uma forma que eu nunca imaginei. Jonas segurou meu pescoço com uma mão, sem apertar, apenas para manter meu rosto fixo no dele enquanto ele martelava meu corpo contra o banco de couro.

​O som dos nossos corpos se chocando — aquele estalo carnal de pele com pele — ecoava no teto do carro. Eu sentia o meu interior latejar, adaptando-se à forma dele, e um prazer agudo, quase doloroso de tão intenso, começou a irradiar para as minhas pernas. Eu comecei a me contorcer, as unhas cravadas nos braços dele, sentindo os músculos de Jonas saltarem sob o esforço.

​— Tá sentindo isso? — ele perguntou, a voz entrecortada por suspiros pesados. — Eu tô sentindo tudo aqui. Você tá me engolindo, porra... eu respondia em pensamentos.

​Eu fechei os olhos e me deixei levar. O mundo era apenas aquele carro, aquele cheiro de sexo e a força de Jonas. Eu relaxei os músculos, permitindo que ele me usasse como quisesse, sentindo cada investida como uma onda de eletricidade. O prazer era tão vasto que eu comecei a soltar gemidos altos, que a sunga transformava em sons graves e vibrantes, preenchendo o ar daquele lugar.

Jonas parecia ter perdido o resto de controle que lhe restava. Ele começou a investir com uma velocidade febril, o corpo dele todo retesado, as veias do pescoço saltadas sob a luz fraca que atravessava o vidro fumê. Ele buscava o meu prazer tanto quanto o dele, observando minhas reações, deliciando-se com o fato de eu estar totalmente exposto e vulnerável sob o seu domínio.

​De repente, ele parou por um segundo, as mãos tremendo. Ele me olhou com um desejo que beirava a adoração. Com um movimento rápido, ele levou a mão ao meu rosto e desamarrou o nó da sunga marrom. No momento em que o tecido caiu, eu soltei um suspiro longo, minha boca entreaberta buscando o ar.

​Antes que eu pudesse dizer qualquer palavra, Jonas selou nossos lábios.

Foi um beijo faminto, inteso, carregado de língua e de urgência. Ele me beijava enquanto continuava a se mover dentro de mim, um contraste entre a ternura do contato bucal e a crueza do ato sexual brutal.

​— Eu gosto de sentir você — ele sussurrou entre os beijos, sua boca colada na minha, as línguas se enroscando sem parar. — Eu gosto de transar assim... olhando, beijando, sentindo cada parte sua. Eu gosto de te fuder sentindo o seu gosto, Bernardo.

​Ele me puxou para mais perto, se é que era possível, e nossas bocas não se separaram mais. O beijo era o elo que faltava para a entrega ser total. Eu retribuía com a mesma intensidade, minhas mãos agora puxando o rosto dele para o meu, querendo beber cada gemido que ele soltava. Aquele era o verdadeiro ápice: a conexão física bruta misturada à intimidade de um beijo que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar.

A intensidade subiu a um nível insuportável. Estávamos perto, ambos, queimando naquela fornalha improvisada, enquanto o carro balançava sob o peso da nossa paixão desenfreada.

O ar dentro do carro estava saturado com o cheiro metálico da nossa excitação e o aroma do couro aquecido. Eu sentia cada centímetro de Jonas, e ele me sentia de volta, mas a posição anterior já não era suficiente para a fome que nos consumia.

​Com um esforço coordenado e gemidos abafados, mudamos novamente de posicao. Jonas se sentou no banco de trás, apoiando as costas contra a porta, e eu me impulsionei para cima dele, sentando-me em seu colo, de frente para ele. A sensação dele entrando novamente enquanto eu descia sobre seu corpo foi devastadora. Eu sentia cada veia, cada pulsação do seu pau preenchendo o meu cuzinho que essa hora já estava bastante relaxado.

​Jonas segurou firme nos meus quadris, as mãos dele deixando marcas vermelhas na minha pele clara. Ele olhou para as janelas e soltou uma risada nervosa, a respiração saindo em estalos ofegantes.

— Caralho, Bernardo... a gente tá se movimentando demais — ele murmurou, sentindo a suspensão do carro ceder e balançar ritmicamente. — O carro tá balançando feito louco. Alguém vai acabar notando que estamos aqui dentro.

​Eu soltei uma risada deliciosa, sentindo-me o dono da situação. Inclinei-me para frente, roçando meu nariz no dele, meus olhos fixos nos seus, transbordando felicidade.

— Deixa balançar, Jonas — respondi num sussurro atrevido. — Mas eu vou fazer de um jeito que tudo fique mais gostoso... e com menos balanço.

​Eu comecei a ditar o ritmo. Em vez de movimentos bruscos, comecei a quicar no pau dele com uma cadência torturante. Eu subia até quase perdê-lo e descia de uma vez, sentindo o impacto lá no fundo. Meus olhos se reviravam de prazer, e eu via Jonas perder o chão. Ele jogou a cabeça para trás, os tendões do pescoço saltados, as mãos apertando minha bunda com uma força que beirava a dor, mas que só me excitava mais.

— Puta que pariu... assim você me mata — ele rosnou, a voz saindo do fundo da garganta.

​Aos poucos, Jonas recobrou a respiração, mas não a calma. O desejo dele se transformou em algo mais agressivo, mais dominante. Ele assumiu as rédeas do movimento, impulsionando o quadril para cima enquanto minhas pernas o envolviam com força. Ele começou a me instigar, com palavras que agiam como combustível na minha mente.

​— Você é muito gostoso, sabia? — ele disse, a voz carregada de uma vulgaridade excitante. — Olha como você aceita tudo... olha como você gosta de ser fudido.

​Ele soltou uma das mãos e deu um tapa estalado na minha bunda, o som ecoando no carro como um chicote. O impacto me fez dar um solavanco e soltar um gemido alto. Em resposta, a adrenalina em meu sangue ferveu. Eu não queria delicadeza; eu queria o tesão daquele homem.

Num ato impulsivo, levei minha mão ao rosto dele e dei um tapa firme em sua bochecha, seguido de socos leves e provocativos no seu peito largo e suado.

— Homem fode assim, Jonas! — eu gritei, a voz entrecortada, os olhos fixos nos dele com um desafio feroz. — Usa toda a sua força, usa tudo o que você tem! Eu quero desse jeito, eu já te falei... por favor, não para de me foder! Só para quando eu gozar!

​Jonas parou por um segundo, os olhos injetados de desejo. Ele soltou um riso sombrio e, num movimento rápido, cuspiu na minha boca aberta e devolveu o tapa no meu rosto com uma firmeza que me deixou tonto de prazer.

​— Não quero te tratar como uma puta qualquer — ele rosnou, aproximando o rosto do meu até que nossas respirações se fundissem. — Quero te tratar como o homem que eu desejo. Do jeito que você merece ser fudido.

Ele me segurou pela nuca, puxando meu rosto para um beijo bruto enquanto seu quadril voltava a trabalhar com uma violência renovada. Nossos corpos se chocavam com uma força que fazia o banco de couro ranger e o suor voar. O barulho de nossos corpos batendo um contra o outro era o único som que importava. Jonas estava me dando exatamente o que eu pedi: uma entrega total, sem freios, sem pudor, transformando aquele carro parado num templo de puro prazer.

​Eu sentia que estava chegando ao limite. Cada estocada dele me levava mais perto de gozar, e eu me agarrava aos seus ombros, mordendo meu próprio lábio para não gritar o nome dele para todo o estacionamento ouvir. Estávamos em chamas, e nada no mundo seria capaz de apagar aquele incêndio que estava causando entre nós.

O ar no interior do veículo já não parecia oxigênio, era puro vapor dos nossos corpos, impregnado com o cheiro acre do suor e da lubrificação que escorria entre nossas pernas. Eu precisava de mais. Aquele contato de frente estava me enlouquecendo, mas eu queria sentir a força de Jonas de um jeito que eu não pudesse fugir, onde eu fosse apenas o receptáculo da sua vontade.

Com um movimento ágil e desesperado, eu me virei. O espaço era estreito, o couro do banco rangia contra meus joelhos e palmas das mãos enquanto eu me posicionava.

Fiquei empinado, de quatro sobre o banco de trás, com o rosto afundado contra o encosto lateral, deixando minha bunda totalmente arreganhada e oferecida para ele. Jonas soltou um rosnado animal ao ver a cena sob a luz pálida que entrava pelos vidros.

​Eu não esperei. Comecei a rebolar com uma intensidade gostosa, circulando meu quadril, sentindo a ponta do pau dele cutucar e roçar na minha entrada. Eu saía quase completamente, sentindo o ar quente do carro na pele molhada, para logo em seguida me sentar de uma vez, engolindo-o inteiro novamente.

​— Isso... olha como você rebola nesse pau, Bernardo! — Jonas exclamou, a voz falhando.

Ele não se conteve. Começou a distribuir tapas pesados, estalados, nas minhas nádegas que já estavam vermelhas. Cada tapa era um castigo que eu recebia com gemidos de prazer, uma marca de posse que me fazia rebolar com ainda mais fome. O som dos tapas batendo era rítmico, misturado ao som do meu corpo recebendo cada centímetro dele.

​— Jonas... me domina... — eu implorei, a voz abafada pelo estofado, mas carregada de urgência. — Não me deixa mandar... toma tudo pra você!

​Jonas não precisou ouvir duas vezes. Ele avançou sobre o meu corpo como um predador que finalmente encurrala a presa. Naquele espaço minúsculo, ele se acomodou sobre as minhas costas, prendendo o meu tronco com o peso do seu peito suado. Ele segurou minha cintura com as duas mãos, os dedos cravando na minha pele como garras, e começou a meter com uma força que eu nunca tinha sentido antes.

Era uma britadeira de carne. O impacto era seco, profundo, visceral. Eu sentia meu corpo ser jogado para frente a cada estocada, e a única coisa que me mantinha firme eram as mãos dele, que me puxavam de volta para encontrar o golpe seguinte.

​— Você quer força, né? — ele disse no meu ouvido, os dentes roçando na minha orelha. — Então aguenta esse pau, caralho! Você é meu agora, Bernardo... todo meu!

​Eu estava perdendo os sentidos. A visão ficava turva, o prazer era uma onda elétrica que subia pela minha espinha e explodia no meu cérebro. Eu sentia que estava muito, muito perto. O latejar lá embaixo era insuportável, uma tensão que precisava de escape imediato.

— Não para... Jonas, por favor, não para! — eu gritava entre dentes, sentindo meu próprio membro pingar sobre o banco, excitado ao extremo apenas pelo que ele estava fazendo atrás de mim. — Eu vou gozar... eu tô chegando... fode com tudo!

​O ritmo dele se tornou desumano. Jonas estava em transe, os olhos fixos na forma como o corpo dele entrava e saía do meu, as veias dos braços e das têmporas saltadas sob o esforço bruto. Ele não tinha mais piedade, e era exatamente o que eu queria. O carro balançava violentamente, os vidros começavam a embaçar com o calor das nossas respirações unidas, e o mundo lá fora era um deserto irrelevante diante daquela explosão carnal que estava prestes a acontecer.

​Eu era puro instinto, sentindo a piroca dele rasgar qualquer resto de sanidade que eu ainda possuía. Cada investida era um xingamento mudo, cada gemido meu era um pedido de "mais". Estávamos no limite do suportável, prontos para transbordar tudo o que tínhamos acumulado desde aquele primeiro olhar na areia.

O calor dentro daquele carro já não era mais físico; era uma entidade viva, pulsando junto com o sangue que martelava nas minhas têmporas. Eu sentia cada centímetro de Jonas grudado em mim, uma parede de carne suada e quente que me prensava contra o estofado. Eu não tinha mais ar, não tinha mais nome, só tinha aquela fome.

Mais força, Jonas! Mais! — eu gritei, minha voz saindo arranhada, crua. — Não guarda nada, porra! Me quebra no meio, mas não para!

​Aquelas palavras foram o estopim. Jonas rosnou, um som gutural que veio do fundo do seu peito largo, e mudou a estratégia. Ele segurou meus ombros e me empurrou para baixo, deitando a parte superior do meu corpo contra o banco, deixando apenas a minha cintura e a minha bunda empinadas, oferecidas, vulneráveis e prontas para o abate. Ele se ajustou, as coxas dele travando as minhas, e começou a bombear com uma violência renovada.

​O impacto da piroca dele no meu cu era seco, rítmico, devastador. Eu sentia cada estocada ecoar no meu estômago. Jonas estava fora de si, proliferando palavras inúmeras, xingamentos que me faziam ferver.

— Toma, seu safado... olha como você engole tudo! — ele falava entre dentes. — Você queria força? Então aguenta esse pau!

Num movimento de puro domínio, ele esticou a perna e apoiou o pé diretamente sobre o meu rosto, pressionando minha bochecha contra o couro do banco. A sola do pé dele tinha o cheiro da areia e da aventura daquele dia. Eu, com o rosto esmagado e a voz abafada pelo pé dele e pelo estofado, consegui soltar:

— Isso... é assim que eu gosto... é assim que eu quero!

​Aquela frase foi o gatilho final. Jonas pareceu perder qualquer resquício de humanidade. Ele começou a foder meu cu sem parar, numa velocidade que fazia o carro sacudir violentamente, as suspensões rangendo em protesto. Ele mantinha o pé firme no meu rosto, me humilhando e me elevando ao mesmo tempo, enquanto uma de suas mãos descia por baixo do meu corpo e começava a bater uma punheta frenética para mim.

O prazer era insuportável. Era uma sobrecarga sensorial: a pressão no meu rosto, a mão dele me esfolando na frente e a piroca dele me arrombando por trás. Eu via estrelas, meu corpo se contorcia, as unhas arranhando o que encontravam pela frente.

​— Caralho, Bernardo! Eu vou gozar! — Jonas anunciou, a voz subindo de oitava, carregada de desespero e urgência. — Eu vou encher você... vou te batizar inteiro!

​Ele deu as últimas estocadas, as mais profundas, enterrando-se até o fundo, querendo alcançar o que eu tinha de mais profundo. E então, ele travou. O corpo de Jonas retesou como uma mola de aço, os músculos das costas saltando como cordas. Ele soltou um urro que deve ter ecoado por todo o estacionamento, um som de liberação e vitória.

Senti a primeira onda de leite atingir o fundo do meu cu. Foi um jato quente, massivo, seguido por outro e outro. Ele me encheu de uma forma tão profunda que eu senti a pressão interna aumentar. O líquido era tanto que começou a vazar, escorrendo pelas minhas coxas, misturando-se ao suor e à lubrificação. Quase no mesmo instante, a mão dele me levou ao ápice. Eu gozei com tanta força que meu sêmen sujou o painel e o banco da frente, meu corpo tremendo em espasmos incontroláveis.

​Jonas não se soltou. Ele desabou sobre mim, o peito subindo e descendo numa respiração ensurdecedora, o pau ainda pulsando dentro de mim, despejando os últimos vestígios daquela porra quente.

— Caralho... — ele murmurou, a voz sumindo.

Ficamos ali, fundidos, dois corpos exaustos, sujos e completamente satisfeitos. O silêncio voltou ao carro, quebrado apenas pelos nossos suspiros pesados. O "agora" tinha sido vivido em sua forma mais crua, e o cheiro de sexo que tomava conta da cabine era o troféu da nossa loucura.

​O silêncio que se seguiu ao último urro de Jonas foi quase ensurdecedor. O único som audível era o da nossa respiração, dois ritmos ofegantes lutando para encontrar a calma em meio ao caos sensorial que havíamos criado. Jonas continuava sobre mim, seu peso agora relaxado, a pele escorregadia pelo suor e pelos fluidos que nos batizaram. O ar estava saturado, pesado, com aquele cheiro inconfundível de entrega total.

​Jonas levantou o rosto lentamente, os olhos ainda um pouco nublados pelo prazer, e abriu um sorriso que misturava exaustão e descrença.

— Eu nunca tive uma experiência assim antes... — ele confessou, a voz saindo num sussurro rouco, quase sem forças.

​Eu ri baixo, sentindo o peito dele vibrar contra o meu.

— Como assim, Jonas? — perguntei, acariciando os ombros dele, sentindo os músculos ainda trêmulos. — Você é bem mais experiente do que eu, não é? Pelo menos foi o que eu pensei.

​Ele soltou uma risada curta, balançando a cabeça enquanto se acomodava ao meu lado no espaço apertado do banco traseiro.

— Ah, posso até ser, em termos de tempo... mas eu nunca fudi ou transei assim antes, ou seja lá do que isso deva ser chamado. Foi gostoso, Bernardo. Eu estou acostumado a transar de uma forma mais...

​— Amorosa? — completei, arqueando uma sobrancelha, observando a expressão dele.

​Ele confirmou com um aceno, o olhar perdido por um segundo no teto do carro.

— É... é exatamente isso que eu quero dizer. Mais contido, talvez? Mais dentro do script.

— Entendo — respondi, deslizando a mão pelo abdômen dele, sentindo a pele quente. — Olha, entre duas pessoas sempre pode existir um sentimento, mas o que aconteceu aqui agora... isso foi uma transgressão. A gente quebrou todas as regras, Jonas. E isso tem um sabor diferente.

​Jonas virou o rosto para mim, a seriedade voltando aos seus olhos por um instante.

— É, eu não deixei de sentir o que eu estou sentindo por você. Pelo contrário. Só não sabia que a gente podia chegar nesse nível de loucura.

​Ele se inclinou e me puxou para um beijo longo e terno, um contraste absoluto com a fúria de minutos atrás. Quando nos separamos, eu olhei ao redor, para o estado do carro e dos nossos corpos.

— Tá tudo sujo aqui, Jonas — comentei, rindo de nervoso. — A gente está no meio de um estacionamento de shopping. Eu estou até com medo... será que alguém ouviu a gente lá fora? Eu gritei mais do que devia.

— Isso é o que dá a gente estar lidando com a situação como dois adolescentes — ele brincou, rindo junto comigo.

​Jonas então fixou o olhar no meu peito. Eu estava marcado, suado e coberto pelos vestígios do nosso clímax. Num gesto lento e carregado de uma sensualidade crua, ele passou a mão sobre o meu peito, colhendo o sêmen que brilhava sobre a minha pele. Ele levou a mão até o próprio rosto, observando o líquido viscoso, e então passou a língua nos dedos com uma lentidão provocante.

​— Que delícia... — ele murmurou, fechando os olhos. — Como é gostoso o seu gosto. É doce e...

​— Picante? — sugeri, sentindo um novo arrepio percorrer meu corpo.

​Ele riu, os olhos brilhando.

— É como você, Bernardo. Exatamente como você.

Sem aviso, ele enfiou dois dedos na boca, limpando o restante da minha porra com uma volúpia que me deixou sem ar. Ver aquela cena — o homem que eu desejava se deliciando com o meu rastro — foi o estopim para eu me jogar em cima dele novamente. Eu o beijei com força, sentindo o meu próprio gosto na boca dele.

​— Vamos limpar isso tudo e sair desse lugar — falei entre os beijos, a consciência do mundo real voltando aos poucos. — Porque se a segurança aparecer agora, não vai ter explicação que salve a gente.

​— Ah, não tem problema — Jonas respondeu, recuperando o fôlego. — Eu tenho coisas aqui no carro para limpar isso. Eu só preciso conseguir abrir o porta-malas ou alcançar o kit de limpeza.

​— Então... eu não tenho como ir lá fora assim, né? — apontei para a minha própria nudez e para o estado do banco. — Já você...

Sem roupa? — ele arqueou a sobrancelha, rindo da situação.

​Eu peguei a sunga marrom que tinha servido de mordaça e que agora estava jogada num canto, úmida de saliva e suor.

— Vai com isso aqui — brinquei, entregando o tecido para ele. — Pega o que você precisa.

​— Não precisa, eu acho que consigo alcançar por dentro — ele disse, esticando o braço por cima do banco de trás, tateando o compartimento de carga.

​Depois de algum esforço, ele puxou um rolo de papel e um frasco de lenços umedecidos que ele mantinha para emergências. Começamos, então, o processo metódico de apagar os vestígios da nossa transa. O barulho do papel sendo rasgado e o toque frio dos lenços umedecidos na pele quente eram os únicos sons agora. Limpamos o banco de couro, o painel onde eu havia deixado minha marca e, por fim, um ao outro.

À medida que a sujeira sumia, o silêncio se instaurava entre nós. Não era um silêncio desconfortável, mas sim uma quietude carregada de significado. Cada toque de limpeza era uma carícia silenciosa, uma forma de processar a intensidade do que havíamos compartilhado. Estávamos voltando à realidade, mas ambos sabíamos que, depois daquela tarde, nada seria como antes. O carro estava limpo, mas a memória do que aconteceu ali dentro estaria marcada em nós para sempre.

O ar fresco da tarde finalmente começou a circular quando abrimos frestas nas janelas do carro, expulsando aquele vapor denso e inebriante que havíamos criado. Eu olhei para o Jonas, que ainda tentava ajeitar o cabelo bagunçado e recuperar a postura de um homem que não tinha acabado de ter um terremoto físico dentro de um carro.

​— Ainda bem que não apareceu ninguém — comentei, soltando um riso frouxo, sentindo os músculos das coxas ainda vibrando. — As janelas estavam quase estourando de tanto barulho que a gente fez.

Jonas riu, um som aberto e relaxado que preencheu o local.

— É exatamente isso. A gente agiu como dois adolescentes inconsequentes, mas quer saber? Foi a melhor coisa que eu fiz. Viver o agora, como você mesmo disse.

​Eu suspirei, olhando para o painel do carro e para o mundo lá fora que começava a exigir nossa volta.

— Vamos de volta para a realidade, Jonas?

​Ele me olhou de um jeito enigmático, um brilho de desafio surgindo novamente naquelas pupilas.

— Sim, mas antes... você se importa de ir dirigindo? Pelo menos até a sua casa.

​— Não tem problema nenhum — respondi, um pouco confuso. — Mas por quê? Você está muito cansado?

​— Não, pelo contrário — ele deu um sorriso de canto, aquele que sempre precedia uma das suas ideias audaciosas. — É que eu quero fazer uma coisa ainda. E eu preciso que você esteja no comando do volante para isso.

— Uma coisa? E eu preciso ir dirigindo? — perguntei, já sentindo a curiosidade (e a excitação) despertando de novo.

​— É — ele afirmou. — Você precisa ir dirigindo.

​Saímos do carro para trocar de lugar. No breve momento em que nos cruzamos na frente do capô, sob o sol de fim de tarde que entrava naquela brecha do estacionamento, ele me puxou pela cintura e me deu um beijo rápido, mas carregado de intenção.

— Obrigado — sussurrei.

​— Só me agradece depois do que eu vou fazer agora, tá bom? — ele disse, a voz baixinha no meu ouvido, um hálito quente que me arrepiou inteiro.

​Entrei no banco do motorista e ele se acomodou ao meu lado. Ajustei o banco, coloquei o cinto e saí do estacionamento com calma. Liguei o rádio numa estação qualquer e foquei no trânsito, sentindo o conforto do carro e a presença magnética dele ao meu lado. Quando já estávamos ganhando a avenida principal, longe das cancelas do shopping, Jonas se mexeu no banco e olhou fixamente para mim.

— Abre a bermuda, Bernardo.

​— Não, Jonas... aqui? — perguntei, rindo, achando que ele estava brincando.

​— Abre, por favor — ele insistiu, a voz grave e sem espaço para discussão.

​Como eu tinha me vestido com pressa, sem cueca, a simples ideia de abrir o zíper já me deixava exposto. Eu obedeci, sentindo o ar condicionado tocar a minha pele sensível. O meu membro, que eu achava que estaria adormecido depois de tanto esforço, reagiu instantaneamente ao toque do ar e ao olhar dele.

​— Deixa eu fazer o que eu estou com vontade agora — ele murmurou.

​— Jonas, isso é arriscado. Não é como transar escondido no estacionamento. Aqui tem carros passando, pedestres... e eu vou demorar a gozar, acabei de fazer isso minutos atrás.

— Tudo bem, eu tenho paciência — ele disse, já se desamarrando do cinto de segurança. — Ninguém vai ver a gente através dos vidros em movimento. Desde a hora que a gente estava lá atrás, eu quis sentir seu gosto de novo. Porque você gozou junto comigo, mas eu não pude te saborear como eu queria.

​— Tudo bem, mas eu acho que posso demorar muito — alertei, tentando focar nos semáforos e nos carros à frente.

​— Não se preocupa. Eu sei de um jeito que você vai conseguir rápido.

​Ele terminou de abrir meu short completamente. Eu sentia meu coração martelar contra as costelas enquanto tentava manter a mão firme no volante. Jonas se inclinou, sua mão grande e quente começou a me masturbar com um carinho torturante, uma firmeza que me fazia perder o foco da estrada por alguns segundos.

Ele se posicionou entre o console e o meu banco, abaixando a cabeça e abocanhando o meu pau com uma vontade primitiva.

— Jonas... eu ainda estou sensível — soltei um suspiro alto, sentindo a língua dele traçar o caminho que me levava à loucura.

​— Tudo bem — ele disse, com a boca cheia, fazendo um som de sucção que ecoou no carro. — Mas eu só vou parar quando eu sentir o seu gosto de verdade.

​A partir dali, Jonas iniciou o melhor boquete que eu já senti na vida. A boca dele era um santuário de calor e umidade. Ele não era apenas técnico; ele era voraz. Ele fazia questão de segurar minhas bolas com as mãos, massageando-as enquanto me chupava, criando uma pressão que me fazia querer acelerar o carro e o meu coração simultaneamente.

A adrenalina de ser boqueteado enquanto dirigia por uma avenida movimentada era um combustível potente. Eu fiquei excitado em tempo recorde. Jonas percebeu e intensificou os movimentos, colocando cada vez mais para dentro da boca, chegando ao limite da garganta. Eu ouvia os ruídos abafados de engasgo que ele soltava propositalmente, o som da respiração dele ficando difícil enquanto ele tentava me engolir por inteiro.

​Eu segurava o volante com uma mão, e com a outra acabei espalmando a nuca dele, empurrando sua cabeça contra o meu quadril, dando estocadas involuntárias enquanto guiava o carro.

— Ah... caralho, Jonas... tá muito bom isso — eu gemia, os olhos fixos na estrada, mas a mente totalmente entre as pernas.

​— Aperta? — ele perguntou, afastando-se apenas um milímetro para respirar, o rosto brilhando de saliva.

Acho que sim... meu Deus, sim! — respondi.

​Entrei em uma via mais calma, com menos fluxo, permitindo que eu me concentrasse mais no prazer que ele estava me proporcionando. Jonas trabalhava como se fosse a última coisa que faria na vida. O vácuo que ele criava, o calor da sua língua e a pressão das suas mãos eram uma combinação fatal.

​— Jonas... eu vou agora! Eu vou gozar! — avisei, sentindo a pressão subir de forma incontrolável.

​Ele não tirou a boca. Pelo contrário, ele sugou com ainda mais força, como se quisesse extrair cada gota de mim. Eu leite forte, sentindo os jatos pulsarem direto na garganta dele. Não era a mesma quantidade de antes, mas era o suficiente para preencher a boca de Jonas. Ele continuou lá, firme, engolindo gota por gota, saboreando cada milímetro do meu prazer, até que eu estivesse completamente limpo.

Ele levantou a cabeça devagar, limpando o canto da boca com o polegar, um olhar de triunfo no rosto.

— Agora sim... tinha o seu gosto de verdade — ele disse, com um sorriso de satisfação plena. — Eu sabia que seria assim. Agora sim, a gente fez tudo o que tinha para fazer.

​Ele se ajeitou no banco do passageiro, fechando meu short com uma calma irritante, enquanto eu tentava recuperar o fôlego e focar nos últimos metros antes de chegar em casa. Jonas olhou para o horizonte, o sol quase sumindo, e suspirou.

— Viu? Eu disse que sabia um jeito.

​Eu só consegui rir, sentindo o corpo leve e a mente flutuando. Aquele trajeto, que deveria ser apenas um deslocamento, tinha se tornado uma das memórias mais eróticas da minha vida.

​O resto do trajeto até a minha casa foi embalado por uma calmaria que parecia surreal depois de tanta tempestade sensorial. Dirigindo o carro de Jonas, sentindo o volante ainda leve sob minhas mãos, conversamos sobre as loucuras que tínhamos feito. Rimos das nossas próprias audácias, da coragem de termos nos perdido um no outro em plena luz do dia, em lugares onde o risco era o nosso único cúmplice. O clima era de uma intimidade estabelecida, como se anos de convivência tivessem sido compactados em poucas horas de sol, sal e prazer.

​Quando estacionei em frente ao meu portão, o sol já começava a se despedir de vez, lançando sombras longas sobre a calçada. Jonas, num gesto de cavalheirismo que me pegou de surpresa, fez questão de sair primeiro. Ele deu a volta, abriu a porta para mim e pegou minhas coisas no banco de trás.

Obrigado pelo dia de hoje, mais uma vez, Bernardo — ele disse, me entregando a mochila e a sacola com a camisa do Flamengo, o presente que agora carregava o peso de uma memória física.

​— Para de agradecer, Jonas — respondi, sorrindo e sentindo meu corpo ainda mole. — Foi bom para nós dois. Você sabe disso.

​— Foi — ele concordou, os olhos brilhando com uma satisfação genuína. — Tudo o que foi vivido no "agora", né? Exatamente como você propôs.

​Ele me puxou pela cintura, colando nossos corpos uma última vez ali, na calçada. Foi um beijo contido por causa da vizinhança, mas profundamente entregue. Nossas línguas se encontraram num ritmo mais lento, um gosto de "quero mais" que ficou pairando no ar. Ele se afastou, entrou no carro e assumiu o volante.

​— Se cuida — ele sussurrou.

Até terça — respondi, sentindo o peso da expectativa.

​— Até terça. A gente vai se falando.

​Fiquei ali, parado, vendo o carro dele dobrar a esquina. Respirei fundo, sentindo o cheiro de Jonas ainda impregnado na minha pele. Entrei em casa, tentando recompor a postura do "Bernardo professor" e filho dedicado.

​— Boa tarde, filho! — minha mãe exclamou da cozinha, assim que me viu. — Que bom que chegou.

​— Boa tarde, mãe. O dia foi longo — respondi, tentando não parecer tão exausto quanto me sentia.

​— O Arthuro ligou para cá e disse que não estava conseguindo falar com você — ela continuou, vindo até a sala. — A gente também tentou, mas o seu celular só dava desligado. Aconteceu alguma coisa?

Senti um pequeno sobressalto. Realmente, eu tinha desligado o aparelho durante o passeio, não só porque estava sem sinal, mas porque, no fundo, eu não queria que o mundo exterior invadisse a bolha que eu tinha criado com o Jonas.

— Ah, sim... ele estava sem rede e eu acabei desligando pra preservara bateria. Mas o que o Arthuro queria?

​— Ele disse que ia passar aqui mais tarde — ela explicou, com um brilho de empolgação. — Pediu para a gente não preparar nada para o jantar, que ele ia trazer algumas coisas. Quer comemorar com você a sua aprovação no concurso e a sua nomeação que sai esta semana. Ele falou que chega por volta das oito.

​— O Arthuro falou isso? — perguntei, sentindo uma mistura de culpa e cansaço. O Arthuro sempre fora tão presente, e ali estava eu, voltando de uma tarde de transgressões.

Sim. Eu já até arrumei algumas coisas aqui. Depois você liga para ele.

​— Tá bom, mãe. Vou subir para tomar um banho e já falo com ele.

​Caminhei em direção ao meu quarto, sentindo o peso de cada passo. Assim que fechei a porta, joguei a mochila na cama e liguei o celular. No instante em que a tela brilhou, uma enxurrada de notificações começou a pipocar. Dezenas de mensagens do Arthuro e do Arthur também, algumas chamadas perdidas do Yan e, para minha surpresa, notificações de um número não registrado que eu sabia pertencer ao Juan.

— Nossa... eu esqueci que o mundo existia — murmurei para mim mesmo, sentindo o contraste gritante entre o silêncio cúmplice do carro de Jonas e o barulho das minhas responsabilidades e complicações pessoais. — Eu tenho que resolver tudo isso.

​Mas não seria agora. Joguei o celular sobre os lençóis e caminhei até o espelho do banheiro. Retirei minha roupa, revelando meu torso. Minha pele estava marcada; havia pequenas manchas avermelhadas no pescoço e no peito, marcas da barba de Jonas e da força com que ele me possuiu. Eu me virei de costas, observando os vestígios do esforço no banco de trás do carro.

​— É... hoje essa marquinha ficou melhor do que eu esperava — comentei com um sorriso malicioso, passando a mão pela região que ainda latejava suavemente.

Abri o chuveiro, deixando a água quente cair. Antes de entrar, senti o resquício físico de Jonas dentro de mim, uma sensação de preenchimento que se recusava a ir embora. Mergulhei sob o jato d'água, deixando o sabonete levar o sal da praia e o suor do estacionamento, mas sabendo que, por mais que eu me limpasse, o sabor daquela tarde estaria tatuado na minha memória por muito tempo.

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