Oi, meus amiguinhos 💛
Nos últimos dias eu andei tão ocupada que mal tive tempo de sentar e narrar tudo o que anda acontecendo na minha vida de casada com o Jonas. Sério… parece uma verdadeira montanha-russa de emoções. Eu sei que vocês adoram acompanhar minhas aventuras mais apimentadas, sempre cheias de emoção e detalhes, mas hoje o clima vai ser um pouquinho diferente — prometo tentar não frustrar ninguém 😌
Atendendo ao pedido carinhoso de um leitor querido, o Alfredo Ramos, resolvi fazer um flashback dos acontecimentos entre a minha reconciliação com o Jonas e a nossa grande mudança de vida para Uburici. Calma, não fiquem tristes! Tem muita coisa deliciosa acontecendo por aqui e eu estou doidinha para contar tudo pra vocês… só vamos com calma, paciência e aquele carinho de sempre 💫
***
Antes desse recomeço, antes de Urubici, teve Florianópolis. E teve tudo aquilo que eu tentei fingir que não doía mais.
Eu lembro como se fosse agora. Eu ainda estava em Floripa quando o Maurício ligou, um mês antes de vim pra cá, mais ou menos. O celular vibrou na minha mão e, antes mesmo de atender, eu já sabia que não era coisa boa. Atendi por impulso, talvez por curiosidade, talvez por cansaço de fugir. Ele falou com aquela voz mansa, ensaiada, dizendo que a nossa história ainda não tinha acabado. Que aquilo tudo não podia terminar daquele jeito.
Eu respirei fundo e respondi sem rodeios: eu já sabia da ligação dele com o Fernando Correia. Sabia que tudo aquilo tinha sido um jogo, um capricho doentio pra me destruir. Ele negou. Disse que não. Disse que gostava de mim de verdade. Foi ali que eu entendi o quanto alguém pode mentir olhando pra própria consciência.
Eu joguei na cara dele a gravação que enviaram pro Jonas. Disse que só podia ter partido dele. Contei que eu já sabia de muita coisa e pedi, quase implorei, pra ele parar de me ligar. Desliguei com a mão tremendo. E não contei nada pro Jonas. Não por proteção. Por medo. Medo de cansar ainda mais um amor que já estava ferido.
Dias depois, foi a vez do Fernando Correia. Ele ligou rindo. Se gabando. Disse que tinha revelado quem eu realmente era. Que eu não tinha nada de santa. Aquilo me atravessou de um jeito feio. Eu chorei sozinha, no banheiro, sentada no chão frio. O Jonas não percebeu. Estava longe demais, mesmo estando perto. Quem percebeu foi o Pedro. Ele me olhou com aquele jeito prático e ofereceu ajuda do “jeitinho” dele. Disse que resolvia. Que dava um sumiço nos caras. Eu agradeci e disse que não precisava. Não era violência que ia me devolver a paz.
Tudo isso foi se acumulando dentro de mim. Cada ligação, cada silêncio, cada noite mal dormida. E quando a ideia de ir embora apareceu, ela não veio como fuga. Veio como alívio.
Antes mesmo do Jonas falar do novo emprego e da mudança, aconteceu outra coisa. Eu estava andando na rua quando a Melissa me chamou de dentro do carro. Ofereceu carona. Eu neguei. Ela insistiu, disse que precisava conversar, que era do meu interesse. Entrei desconfiada. Fomos a um restaurante. Lá, ela me contou coisas que eu não esperava ouvir. Disse que não sabia da dimensão de tudo. Que, apesar de ter um caso permitido pela esposa do Maurício, não concordava com as atitudes dele. Contou que ele devia muito dinheiro ao Fernando Correia e que, por isso, foi pressionado a me conquistar. Que aquilo nunca foi sobre desejo, foi sobre dívida.
Quando ela disse que ele nem sabia exatamente por que precisava me seduzir, eu senti um vazio estranho. Melissa ainda teve coragem de dizer que me achava linda, atraente, gostosa. Que tinha aceitado ajudar porque também tinha ficado afim de mim. Falou do padrão dele, das funcionárias, das escolhas doentias. Eu ouvi tudo em silêncio, com o estômago embrulhado. Saí dali sabendo demais.
Todos esses acontecimentos me deixaram confusa. Confusa de um jeito que dá vergonha de admitir, mas que é honesto. Em alguns momentos, pensei se não seria mais simples ficar com o Pedro, deixar o Jonas seguir a paixão dele com a Luiza e todo mundo tentar reorganizar a própria bagunça. Parecia lógico demais para um coração cansado. Eu pensava neles três e imaginava que talvez eu fosse o elemento instável, o ponto fora da curva. Talvez, sem mim ali o tempo todo, as coisas se acomodassem melhor.
Mas esse sentimento durava pouco. No fundo — e eu sempre soube — era só fraqueza momentânea. Cansaço. Medo. Eu amava demais o Jonas. Amava num lugar que não era racional, não era negociável. Eu não conseguiria existir sem ele, não daquele jeito inteiro que eu precisava ser. Só que amar não estava sendo suficiente para me manter de pé.
Minha vida estava perturbada. Bagunçada por dentro. Eu não dormia direito. Quando conseguia pegar no sono, acordava assustada, com o coração disparado, a sensação de que alguém estava sempre prestes a atravessar alguma linha invisível. As ligações do Maurício, as aparições da Melissa, o rastro pesado do Correia… tudo isso me perseguia mesmo quando o celular estava em silêncio. E o Jonas… ele já não me dava aquela atenção que eu precisava. Não por maldade. Por desgaste. Ele também estava cansado, e o cansaço dele me deixava ainda mais sozinha.
Teve um dia que me marcou de verdade. Eu vinha da academia com a Luiza, a gente conversando bobagem, tentando manter a normalidade. Em algum momento, senti um arrepio estranho. Olhei pelo reflexo de uma vitrine e percebi um carro de luxo, todo escuro, andando devagar demais atrás da gente. Não falei nada de imediato. A Luiza também sentiu. A conversa morreu no meio da frase.
Aceleramos o passo. O carro continuou. Resolvemos entrar num lugar movimentado, um açaí, só pra despistar, respirar, testar se era paranoia. Ficamos ali alguns minutos, fingindo escolher sabores, mas com o corpo inteiro em alerta. Quando saímos, o carro passou devagar pela frente. O vidro do carona abaixou. Eu vi o rosto antes mesmo de reconhecer. Era o Correia. Sentado ali, tranquilo, como quem faz questão de ser visto.
Eu fiquei pálida. Senti as pernas bambas, o mundo meio girando. A Luiza me segurou pelo braço na hora, falando baixo, pedindo pra eu respirar, com medo real de eu ter um treco ali mesmo, no meio da calçada. Eu não conseguia falar. Só sentia aquele pânico gelado subindo pelo peito.
A gente não pensou duas vezes. Chamamos um Uber e fomos direto pra casa. Nenhuma de nós quis andar mais um metro a pé. Dentro do carro, eu tremia em silêncio, olhando pela janela, esperando ver aquele carro surgir de novo em qualquer esquina.
E, mais uma vez, eu não contei nada. Nem pro Pedro, nem pro Jonas. Guardei pra mim.
Quando a notícia da mudança chegou, foi como se alguém tivesse aberto uma janela num quarto abafado. Eu lembro exatamente da sensação: alívio. Não alegria eufórica, não empolgação barulhenta. Alívio mesmo. Daqueles que fazem o corpo relaxar antes da cabeça entender. Mudar de cidade era tudo o que eu precisava, mesmo sem ter coragem de admitir em voz alta. Uma vida nova. Longe de Florianópolis, longe dos rastros, das esquinas que carregavam medo, dos nomes que ainda ecoavam na minha cabeça quando eu tentava dormir. De início, me diz se difícil quanto a mudar de cidade, mas no fundo eu desejava qualquer coisa que me prometesse sumir daqui tudo.
Eu aceitei quase sem questionar. Não porque fosse fácil, mas porque ficar estava me destruindo aos poucos. Cada dia ali era uma batalha silenciosa pra parecer normal. Ir embora virou sobrevivência.
Quando chegamos em Urubici — ainda estranho escrever o nome sem sentir um friozinho na barriga — eu fiz algo simbólico, mas necessário: troquei meu número de telefone. Não foi um gesto impulsivo. Foi pensado, pesado, decidido. Não queria arriscar receber nenhuma ligação daqueles miseráveis. Eu só repassei o novo número para quem realmente fazia parte do meu porto seguro: Pedro e Luiza. Mais ninguém. Pedi ao Jonas que fizesse o mesmo. Não era paranoia, era cuidado. Era a forma que eu encontrei de dizer para o mundo: daqui pra frente, só entra quem for convite, não invasão.
E aí, pouco a pouco, algo começou a mudar.
Voltando a falar de Urubici… eu sinto o Jonas diferente. Não é uma coisa gritante, é sutil. Mas é real. Ele está mais leve, mais presente. Meu Jonas voltou a ser quem era antes de tudo virar um campo minado. Ele ri com mais facilidade, dorme melhor, acorda menos tenso. Eu vejo isso nos detalhes, nos gestos pequenos, na forma como ele me olha quando acha que eu não estou percebendo.
A amizade com o Lázaro tem feito um bem enorme pra ele. É bonito de ver. Eles conversam, riem, dividem silêncios sem cobrança. E tem a Luciana. Quem diria. Ela chegou devagar, sem invadir espaço, sem curiosidade excessiva. Foi ficando. Escutando. Se tornando aquela presença que não pesa.
…E, no meio desse novo fôlego que Urubici trouxe, havia ainda um fio que me ligava ao passado — não como dor, mas como consciência. A minha relação com a Luiza nunca foi simples, e hoje eu consigo olhar pra ela com a honestidade que antes me faltava.
Eu sei. Fui eu quem abriu aquela porta. Fui eu quem a puxou, com cuidado e malícia, pra dentro de um jogo que, no fundo, atendia mais aos meus desejos do que às fragilidades dela. Luiza era jovem, curiosa, intensa. Era previsível que se apaixonasse. Eu enxergava isso e, mesmo assim, avancei. Eu queria realizar meus fetiches, queria sentir o Jonas me olhando com aprovação, com entrega. E, pra isso, usei o encanto dela como ponte. Reconhecer isso hoje não me envergonha — me amadurece.
O tempo passou, a vida nos levou pra cidades diferentes, mas a amizade ficou. Eu e Luiza continuamos próximas, mesmo com a distância física entre Urubici e Florianópolis. A gente se fala quase todos os dias pelo WhatsApp.
Conversas longas, risadas soltas, confidências que só quem já dividiu intimidade de verdade consegue sustentar.
Com o Pedro, a dinâmica sempre foi diferente. Ele fala comigo com naturalidade, sem rodeios, daquele jeito simples que acalma. Ele sente — eu sei que sente —, mas nunca ultrapassa a linha. Ele entende que eu sou do Jonas. Que qualquer aproximação só existe quando o Jonas consente. Isso nunca precisou ser dito em voz alta; sempre esteve ali, implícito, firme.
Eu vejo o Pedro como um protetor. Alguém que observa de fora, atento, pronto pra intervir se algo ameaçar o que ele respeita. Às vezes, fazemos chamadas de vídeo — eu e o Jonas, eles dois do outro lado da tela. Rimos, trocamos histórias, mantemos viva essa conexão que não depende de presença física pra existir.
E então teve aquela cena. Ver eles de conchinha, Luiza e Jonas. O encaixe dos corpos, a naturalidade do gesto, a intimidade tranquila. Um aviso claro e sem piedade do que eu tinha deixado escapar. Do território afetivo que, por descuido, eu quase perdi.
Naquela noite, eu não falei nada. Apenas mudei. Meu corpo se aproximou do Jonas com mais intenção. Meu toque ficou mais lento, mais presente. Eu quis lembrar a nós dois do que nos pertence. Do calor que é só nosso. Do jeito que a pele dele responde à minha quando eu não tenho pressa. Não foi sobre disputa. Foi sobre resgate. Sobre reconquistar o que sempre foi amor, mas que precisava ser desejado de novo.
E ali, entre o silêncio de Urubici e a memória do que fomos, eu entendi: algumas perdas só servem pra nos acordar antes que sejam definitivas. E eu acordei. Inteira. Atenta. Pronta pra não me ausentar de mim — nem dele — outra vez.