Era uma quinta-feira morna em Belo Horizonte. Tínhamos acabado de sair de um jantar na casa do Almeida, um amigo do Ricardo que morava no Caiçara. O jantar tinha sido aquela coisa chata e protocolar de sempre: vinhos caros, conversas sobre economia e esposas falando sobre decoração. Eu, claro, mantive minha postura de "Dona Luana", a esposa troféu elegante, enquanto por baixo da mesa minha mão apertava a coxa do Ricardo, lembrando-o de quem ele realmente era.
Na volta, o caminho natural para a nossa casa passava pela Avenida Pedro II.
Para quem não conhece a noite de BH, a Pedro II é uma artéria vital e pulsante. De dia, lojas de peças de carro. De noite... de noite ela muda de pele. As esquinas se iluminam com vultos, saltos altos e silhuetas que desafiam a natureza. É o território das travestis.
Ricardo dirigia o nosso SUV em silêncio, o ar condicionado isolando o mundo lá fora. Eu olhava pela janela, observando o "mercado" noturno.
Passamos por um grupo numa esquina mal iluminada. Eram três. Altas, cabelos longos, pernas de fora.
Ricardo diminuiu a velocidade, quase imperceptivelmente. Os olhos dele foram para o retrovisor, checando a calçada.
"Nossa..." ele soltou, como quem não quer nada. "Tem umas que... são bem femininas, né? Se você não olhar de perto, nem diz que é homem."
O comentário ficou pairando no ar.
Eu olhei para ele. A mão dele no volante estava tensa. O pescoço dele estava vermelho. A "Boneca" estava acordando.
"Femininas, Ricardo?" eu perguntei, girando o corpo no banco para encará-lo. "Ou você tá querendo dizer que elas são... interessantes?"
Ele engoliu em seco. "Não, Luana... é só um comentário. É que... elas se produzem muito."
"E o que tem por baixo da produção, Ricardo?" eu sussurrei, levando a mão até a virilha dele.
O pau dele estava duro. Pedra. Latejando contra o tecido da calça social.
"Você tá duro," eu constatei, apertando. "Olhando para elas."
"Eu... é a situação, Luana. É o tabu."
"E se..." eu comecei, soltando a ideia como quem solta uma granada. "E se a gente parasse? E se a gente achasse uma... pra brincar com nós dois?"
Ricardo quase freou o carro no meio da avenida. Ele me olhou, os olhos arregalados, brilhando com aquele pânico excitado que eu aprendi a amar.
"Você... você faria isso? Uma travesti?"
"Eu gosto de pau, Ricardo. Você sabe. Grande, grosso. E eu gosto de mulher. Uma travesti... é o melhor dos dois mundos. É uma mulher com a ferramenta que você adora mamar."
A respiração dele acelerou.
"Vamos achar uma," ele disse, a voz alta. "Uma... dotada. Uma que seja... superior."
Aquela noite não paramos. Mas a semente estava plantada.
Os dias seguintes foram de caça.
Nós saíamos de carro, tarde da noite, rodando pela Pedro II, pela Olegário Maciel, pelos pontos conhecidos. Virou o nosso ritual. A gente criticava, avaliava. "Aquela é muito magra", "Aquela tem cara de brava", "Aquela é baixinha".
Nós procurávamos um troféu específico. Eu queria alguém que intimidasse. Alguém que fizesse o Ricardo se sentir uma formiga. E eu queria alguém bonita, gostosa, que me desse tesão também.
Foi na terça-feira seguinte que a encontramos.
Estávamos descendo a Pedro II, sentido centro. Era tarde, quase duas da manhã. O movimento estava fraco.
E lá estava ela. Sozinha. Debaixo de um poste de luz amarela que parecia um holofote só para ela.
Eu prendi a respiração.
"Ricardo. Para. Olha aquilo."
Ela era uma escultura. Negra. A pele dela era um ébano brilhante, oleosa, perfeita. O cabelo era liso, comprido, batendo na cintura. Ela usava um microvestido de oncinha que mal cobria a bunda e um top que deixava a barriga chapada de fora.
Mas o que impressionava era o tamanho.
Ela era imensa. Devia ter 1,90m descalça. Com o salto plataforma que usava, passava de dois metros fácil. As pernas eram grossas, torneadas, coxas de jogadora de vôlei, daquelas que quebram pescoços. A cintura era fina, desenhada.
Ela estava parada, com uma mão na cintura, fumando um cigarro com uma elegância blasé. Ela olhava para os carros passando como uma rainha olhando para súditos insignificantes.
"Meu Deus..." Ricardo sussurrou. "Ela é... uma amazona."
"É ela," eu decretei. "Olha o volume na calcinha, Ricardo. Olha aquilo."
O vestido era justo. E entre as pernas dela, havia um volume. Não era discreto. Era um pacote. Uma promessa de estrago.
"Dá a volta," eu ordenei.
Ricardo fez o retorno na próxima rua. O coração dele devia estar a mil. O meu estava.
Voltamos devagar, encostando o carro perto da calçada. Ela nos viu. Ela não se mexeu. Ela sabia que era o alvo. Ela deu uma tragada no cigarro e soltou a fumaça para o alto, esperando.
Ricardo parou o SUV preto ao lado dela. A janela do passageiro, a minha janela, ficou de frente para os quadris dela. Eu tive que olhar para cima para ver o rosto dela. Ela era linda. Traços finos, maquiagem impecável, boca carnuda pintada de roxo.
Eu apertei o botão. O vidro desceu.
O cheiro dela invadiu o carro. Um perfume doce, forte, misturado com tabaco.
Ela se abaixou um pouco, apoiando os braços na janela. Os seios dela, redondos e duros (provavelmente silicone, mas perfeitos), ficaram na minha cara.
"Boa noite, casal," ela disse.
A voz.
Não era fina. Não era forçada. Era uma voz aveludada, grave, rouca. Uma voz que vibrava no peito. Uma voz de quem tem testosterona correndo nas veias, mas alma de fêmea.
"Boa noite," eu respondi, sorrindo, meus olhos descendo para o decote dela e depois para o volume entre as pernas.
"Procurando diversão?" ela perguntou, jogando o cigarro fora. Ela olhou para o Ricardo, que estava segurando o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. "Ou só passeando?"
"A gente tá procurando... uma aventura," eu disse. "Qual seu nome?"
"Pode me chamar de Natasha."
"Natasha," eu repeti. "Eu sou Luana. E esse é o Ricardo."
Ela sorriu para o Ricardo. Um sorriso predatório. "Oi, Ricardo. O gato comeu sua língua?"
"O-oi, Natasha," ele gaguejou. "Você é... muito alta."
"Eu sou muita mulher, querido," ela riu. "E muito homem também. Depende do que você aguenta."
Eu senti Ricardo tremer ao meu lado. A frase foi perfeita.
"A gente quer saber..." eu disse, direta. "Se você topa entrar no carro. Ir pra um lugar mais reservado. Com nós dois."
Ela me analisou. Viu minhas roupas, o carro caro, a cara de "Boneca" do meu marido.
"Eu não faço caridade, amor. Meu cachê é alto. Ainda mais pra casal."
"Dinheiro não é problema," Ricardo falou rápido, ansioso. "A gente paga o que você quiser."
Natasha arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
"Entendi. O maridão tá com pressa."
Ela abriu a porta de trás antes mesmo de eu destravar (tive que apertar o botão correndo).
Ela entrou. O carro pareceu encolher. Os joelhos dela quase batiam no banco da frente. A presença dela preencheu todo o espaço.
"Então vamos," ela disse, a voz grave vindo da nuca do Ricardo. "Me levem pra algum lugar onde eu possa... esticar as pernas. E mostrar as minhas armas."
Ricardo acelerou e saiu cantando pneu. Ele estava levando para casa (ou para o motel, ainda não tínhamos decidido) a criatura que ia virar o mundo dele de cabeça para baixo mais uma vez. E eu... eu estava doida para ver o que aquela "arma" escondida na calcinha de oncinha podia fazer.