BRENO 32
Achei estranho a forma como o Adriano está se comportando, “será que o Caio contou a ele que vou me declarar?” Pensei, mas não, Caio jamais faria isso, ainda mais o quanto demorei para criar coragem. Criar coragem, é estranho pensar dessa forma, não sou do tipo que leva fora, mesmo assim morro de medo de levar um do Adriano, queria entender o que ele tem que me deixa assim, bobo e um “tiquinho” inseguro.
Não fui o único a notar esse comportamento. Caio pede ao Luan que fique de olho no bolo que está no forno e vai atrás do Adriano, isso só me confirma que tem mesmo algo rolando, porém não sei dizer o que. — Agora estou “fodido” — por um lado ele pode saber da minha intenção e está com medo de dizer que somos só amigos, por outro lado pode ter outra coisa rolando. O que significa que pode não ser o melhor momento para conversar com ele. — E agora o que eu tenho que fazer?
Depois que Caio sai atrás do amigo, fico com Luan e Ykaro na sala, eles ainda no sofá menor e eu sozinho no sofá grande. Um estranho silêncio paira entre nós, é um pouco constrangedor, mas o que me parece é que sou o único que não faz ideia do que está acontecendo aqui hoje. É como se eu pegasse um filme na metade dele. Meu dia estava indo bem, mas agora nem sei mais — esse sentimento é meio paia.
— Vou ver o bolo — Luan levanta e vai para cozinha.
— Você tá legal Breno? — Ykaro me pergunta quando ficamos só nós dois na sala.
— Não — prefiro contar a verdade e tentar entender o que tá rolando.
— O que aconteceu? Quer falar sobre isso?
— Cara eu quero entender o que o Adriano tem, saber se fiz algo de errado? — Não saber é a pior parte.
— Não é com você — a certeza nas suas palavras me tranquiliza um pouco.
— Então o que foi que aconteceu, ele não está normal — me vem à cabeça que pode ser algo com seu ex, então pergunto — Nathan fez algo com ele no trabalho?
— Não — responde Luan voltando para sala — o lance é que o Caio deve ter contado a ele sobre o Ykaro e eu.
— Espera o que tem haver o Ykaro e você — acho que entendi, mas não é meio difícil de acreditar que estou certo.
— O cara que eu te falei é o Luan — Ykaro revela levantando e pegando na mão do Luan.
— Caramba, mas espera, vocês acham que o Caio falaria algo para ele, tipo o Caio não é do tipo de pessoa que tira os outros do armário — é muito estranho, me referia a eles como um casal no armário.
— Nego, você acha que o Caio já sabe? — Estou besta de ver Ykaro chamando o Luan de uma forma tão carinhosa e íntima.
— Não é o que ele diz, que sabe de tudo? — os dois voltam a se sentar no sofá.
— Ele não faria isso, não hoje, eu disse a ele que ia abrir o jogo com Adriano hoje — digo pensando um pouco mais alto do que queria, os dois me encararam com surpresa.
— Você finalmente vai dizer a ele que gosta dele — Luan diz animado.
— Eu quero, mas não sei se esse vai ser o melhor momento, tipo ele claramente está chateado Luan baixa a cabeça.
— Pode não ser isso Nego — seu parceiro diz tentando animá-lo.
— Conheço o Adriano e conheço o Caio, eu devia ir atrás deles, meu melhor amigo deve está pensando que menti de propósito, que não confio nele ou até coisa pior.
Luan está agitado, mas seu namorado aperta sua mão mostrando que vão passar por isso juntos. Porra! Quero isso, quero essa cumplicidade, essa parceria. Estou com inveja desse casalzão da porra, aqui na minha frente se apoiando. Não precisa de muito para notar que tem amor entre eles, será que Adriano diria sim para viver esse sentimento comigo? — Caio que merda você foi falar para o Adriano, justo hoje.
— Desde quando você gosta do Adriano? — Ykaro me pergunta.
— Parece que alguém vai perder nossa aposta, né Nego? — Luan fala olhando cheio de malícia para o Ykaro, mas não entendo o que ele quer dizer com a aposta.
— Aposta? — Pergunto e eles dois riem, aliviando um pouco o clima.
— Coisa nossa, a gente tem umas apostas estranhas — revela Ykaro com vergonha, vou respeitar e mesmo querendo saber um pouco mais sobre essa aposta que parece me envolver fico na minha.
— Beleza, respondendo sua pergunta foi quando conheci ele.
— Nossa e nunca contou a ele?
— Eu queria contar, mas ele começou a namorar de novo muito rápido. Aí o Caio me falou para ficar na minha e eu fui ficando na minha.
— Nossa que paia — diz Ykaro.
— Conta para ele, como vocês se conheceram — Luan diz animado, pelo jeito algo me diz que ele já conhece a história.
— Adriano e Caio estavam em uma boate, o primeiro que eu vi foi o Caio, mas ele não me chamou muita atenção, eu até curto Drag, mas ele estava muito feia no dia — nós rimos, ele que nunca me escute dizendo isso.
— Ele te mata se souber dessa parte — diz Luan como se tivesse acabado de ler minha mente.
— Sim e aí continua — Ykaro pergunta curioso querendo saber a história toda.
— Depois de ver o Caio eu vi o Adriano, ele estava lindo, de calça jeans skinny e uma camiseta cavada com a Lady Gaga bem grande na estampa — a lembrança me traz um sorriso — eu me aproximei, me apresentei, só que ele nem me deu bola.
— Ele tinha acabado de terminar e o Caio teve que ameaçá-lo para saírem juntos naquela noite — explica Luan.
— E aí o que aconteceu?
— Eu fiquei meio obcecado por ele, mas como eu não tinha sido correspondido fiquei na minha, foi aí que Caio notou e veio conversar comigo explicando que o amigo dele estava com dor de cotovelo por que tinha tomando um pé na bunda.
— Caio só disse isso para você para ganhar bebida de graça — Luan diz com uma certeza que é difícil até de dizer que é só implicância dele.
— Eu paguei bebida para eles e fiquei bebendo junto, até que uma hora Caio falou que o Adriano queria dançar, eu chamei, ele aceitou.
Essa noite foi meio louca, lembro que estava estressado para caralho, mas queria sair. Não ia nem beber, mas quando fiquei afim do Adriano e ele não me deu moral, precisei tomar algumas doses de coragem. Já tinha perdido as esperanças, até que veio a chance de dançar com ele, eu lembro que era um funk, mas não lembro que música era. Para ser bem sincero não lembro de nada desse momento muito bem, porque Adriano começou a rebolar a bunda no meu pau, isso me deixou cego de tesão. Roçando em mim parecia que íamos pegar fogo no meio da boate, eu nem pensei em me fazer de santo, não soltei ele nem quando a música acabou. Só sei que dançamos umas três seguidas até ficarmos cansados e voltarmos para onde o Caio estava.
Caio tinha sumido — o que mais tarde soube que tinha sido de propósito para nos deixar “sozinhos” e deu certo. Adriano me colocou contra a parede e beijou minha boca com tanta paixão e fogo que eu tive que me controlar para não transar com ele ali mesmo do lado do bar. Até hoje ele foi a única pessoa que me fez gozar sem nem chegar perto do meu pau, melei minha cueca todo só sentindo seu corpo roçando no meu. Um tesão que só o Adriano sabe provocar em mim.
— Se vocês ficaram e foi tão bom assim, porque não continuaram ficando depois disso? — Ykaro me pergunta depois de ouvir minha história.
— O Adriano bebeu tanto naquela noite que na manhã seguinte levei ele na UPA para tomar remédio na veia — Luan diz para o namorado — quando ele melhorou, disse para mim e para o Caio que não lembrava de nada do que tinha feito na noite passada.
— E porque ninguém lembrou ele? — Ykaro parece inconformado.
— Caio me falou que achava melhor deixar ele lembrar e eu meio que fiquei com medo dele achar que eu tinha me aproveitando dele.
— Depois disso o Caio ainda conseguiu mais bebidas com uns amigos dele sei lá, só sei que o Adriano ficou muito mau depois por causa da ressaca.
— E eu também deixei umas fichas com ele, tinha que voltar para casa mais cedo naquela noite, já tinha me atrasado por causa do Adriano, mas não me arrependo, foi o melhor beijo da minha vida e ainda é.
— Você tem que dizer isso para ele — Luan diz e Ykaro assente com a cabeça concordando.
— Vocês acham?
— Claro, olha o Adriano gosta de você, mas ele é meio sem noção as vezes, tipo ele só não se entrega a você por achar que você gosta do Caio.
— O Caio é só meu amigo — eu já sabia que ele pensava isso, mas no fundo tinha uma pequena esperança que ele iria notar — mas e vocês, como isso aconteceu?
— Não sei explicar, só sei que a gente se gosta e não dava mais para ficar separados, só me arrependo de ter enganado a Stella — diz Luan com um olhar apaixonado para o Ykaro.
— Ela sabe?
— Não, mas estamos pensando em uma forma de contar — Ykaro responde.
— Ela não vai reagir bem, desde que você terminou com ela as coisas andam meio tensas — o semblante triste se forma na cara do Luan.
— A gente sabe — diz Ykaro — mas vamos ter que encontrar um jeito, a gente não está fazendo nada de errado, quero poder viver isso sem medo.
— Também quero Nego — eles se encaram e sinto que estou sobrando.
— Vão pro quarto, eu vou ficar esperando o Adriano voltar — digo e eles riem.
— Tem certeza que não quer que a gente fique aqui também? — oferece Luan.
— Não, eu vou falar com ele e tirar isso do meu peito de uma vez e não se preocupem, não vou falar nada sobre vocês.
— Obrigado amigo — agradece Luan.
— Boa sorte irmão — completa Ykaro.
— Valeu gente, olha estou com vocês sempre viu.
Os dois me abraçam juntos e depois vão para o quarto do Ykaro. Não tem muito o que fazer agora a não ser esperar que Adriano volte com Caio. Penso em ligar, porém ter esse tempo esperando poder ser bom para que eu repita mais uma vez na minha cabeça o que eu vou falar para ele quando estiver finalmente abrindo o jogo.
Lá fora começou a chover. O tempo vai passando e nada deles voltarem, estou preocupado, mas não quero forçar, “você tem que esperar aqui” digo para mim mesmo. Uma hora depois acabei dormindo. O frio da chuva chega até meu corpo e isso só me faz entrar ainda mais profundamente no sono. Não sei que horas são, mas sinto um toque frio e delicado no meu rosto.
De início acho que estou sonhando, mas abro os olhos e vejo Adriano sentado no sofá me fazendo um carinho gentil. Meu coração acelera, ele me encara com um olhar diferente de todos que já me lançou até hoje. Minha boca abre, porém não consigo emitir uma palavra sequer. Ele também não diz nada — volto a me questionar se não é um sonho — até seu corpo se deitar junto comigo no sofá, ficando de frente para mim, estamos tão perto que meu corpo começa a tremer e nem é mais pelo frio.
— Desculpa — sua voz saiu como um sussurro.
— Você está aqui agora — digo.
Nossas bocas se encontram e o frio que estava sentindo até um segundo atrás desaparece, dando lugar a uma fornalha dentro de meu peito, sua língua pediu passagem para dentro da minha boca e isso é a deixa para que eu me coloque por cima dele. Adriano me envolve com suas pernas. Nossa aproximação e conexão é a mesma de quando ficamos pela primeira vez na outra noite.
Não existe hesitação nele agora, não tem uma razão oculta para esse beijo que não seja puro tesão e interesse meu e dele. Quanto mais o beijo, mais o quero, é loucura o quanto esse cara mexe comigo. Passei tanto tempo esperando por isso que se for um sonho não quero acordar nunca mais.
— O que foi? — Ele me pergunta quando percebe meu sorriso.
— Nada — mordo meu lábio inferior e encaro os dele.
— Vamos pro quarto — Adriano levanta e me guia segurando minha mão até seu quarto.
Adriano tira minha camisa assim que a porta se fecha atrás de mim. Ele não para por aí e se ajoelha abrindo minha calça. Estou só de cueca e nem assim consigo mais sentir frio. Não estava na intenção de já transar com ele hoje, mas fico feliz de ter vestido uma cueca boxer preta e nova hoje — e pela sua cara deu para ver que aprovou. Parece estranho, mas a sensação que tenho é que estamos vivendo agora o que teríamos vivido naquela noite se eu não tivesse ido embora, e pensando bem queria não ter ido.
Minha cueca vai ao chão. Adriano fica por uns segundos ajoelhando na minha frente apenas encarando meu corpo, isso me deixa excitado fazendo com que meu pau aponte direto para sua boca. Como se entendesse o recado ele me toma com uma pegada firme na base do meu membro e o resto é história. Sua boca é macia, quentinha e muito deliciosa. Passei tanto tempo imaginando como seria ter meu pau na sua boca e agora sei que não cheguei nem perto de imaginar o quanto ele faz isso bem.
Sento na cama com a pernas bem abertas, Adriano ainda de joelhos entre elas se esbalda com meu pau, me engole até o talo e só quando começa a engasgar é que volta para respirar e sua língua, ah essa é um espetáculo à parte, ele me lambe, me chupa, me masturba, tudo em uma sequência perfeitamente sincronizada. Não explodir com minha porra banhando o rosto dele é quase um desafio.
— Isso é muito gostoso.
— Você gosta? — Diz me provocando com um olhar submisso que me deixa a um passo de gozar no fundo da garganta dele.
Caralho não sei o que é mais difícil agora, não gozar ou não dizer um eu te amo. Sinto que se me descuidar vou acabar falando que amo ele enquanto o engasgo com meu gozo. Meu tronco cai na cama, não posso continuar olhando para ele, meu corpo reage movendo meu quadril para foder sua boca, é quase um movimento involuntário.
Estou xingando e metendo na boca dele. Cara sério, se isso for um sonho — e não seria a primeira vez que sonhei com essa cena — não quero acordar, não até satisfazer esse tesão acumulado que tenho por ele. Sua mão é macia e me aperta no ponto certo. Adriano me masturba e me suga com tanta sede que não posso mais deixar ele sem ter o que quer. Meu primeiro gozo sai como um jato direto na boca dele, quando percebe que conseguiu o que queria sua chupada fica ainda melhor, ele me bebe como se fosse sua bebida favorita.
Minha respiração falha, a cada jado de porra que ele engole sinto meu coração bater mais forte, os dedos do pé se contorcerem e meu ouvido zumbindo, tudo ao mesmo tempo, o que acredito ter sido um orgasmo, um dos bons. Puta que pariu, esse é sem dúvidas que este é o melhor aniversário que já tive na vida.
Depois de gozar bastante, meu pau ainda está duro, é como se meu corpo estivesse realmente com tesão acumulado, pelo menos Adriano parece tão animado quanto eu, ele se livra de suas roupas, vai até o guarda roupas e volta com camisinha e lubrificante. Estava enganado, esse não é um sonho, eu morri e agora estou no céu.
— Tem certeza, a gente não precisa fazer tudo agora — me odeio por dizer isso, mas me sentiria mal por achar que o forcei a algo.
— A gente já esperou demais — diz ele vestindo a camisinha no meu pau e lubrificando o bastante.
Ele monta em cima de mim, se posiciona e então começa a cavalgar em mim. Sou o homem mais feliz do mundo nesse momento, o cara que eu cobiço há anos sentando em mim com força e ainda mais gemendo. Não sou um cara desses exagerados com uma vara enorme, mas sou grosso o bastante para pirar os carinhas que me deram e com Adriano não é diferente, ele revira os olhos, quando seguro sua cintura e pego apoio no colchão para meter rápido e com força nele. A cadência da minha socada nele é tanta que seu gemido até sai tremido de sua boca.
Meu parceiro que loucura, nunca peguei um passivo com tanta desenvoltura, ele rebola no meu pau, quica com ele e ainda consegue fazer pressão me apertando dentro dele, que delicia mano. Depois de um tempo ele cansa as pernas, então resolvemos mudar de posição ficando de ladinho. Levantou sua perna e voltou para dentro dele como se fosse o lugar mais confortável e quentinho para mim agora — e ele é sim.
— Geme para mim — estou ficando maluco com seu gemido.
Agarro Adriano com força e sou bem fundo, quero que nossos corpos sejam um só, não consigo mais parar de meter. Ele vira o rosto e isso é minha perdição, meter já tava bom, mas meter com ele gemendo na minha boca foi demais para mim. Minha porra enche a caminzinha mas eu continou metendo. Adriano gozou sem nem se tocar, não tem como fazer isso de outra forma, transar com ele é como perder a virgindade, transar com conexão, tesão é sentimento é outra coisa.
— Caralho isso foi bom demais — digo beijando sua boca com meu pau ainda dentro dele.
— Estamos só começando — ele diz me encarando.
— Adriano eu — ele me beija interrompendo minha fala.
— Não fala nada hoje, vamos só transar beleza — faço que sim com a cabeça, não tenho do que reclamar, por mim está tudo perfeito.
— Adriano?
— Que foi?
— Quero meu bolo agora — ele abre um sorriso lindo no rosto e assente com a cabeça. Só espero que esse momento não acabe nunca.
