Olá.
Comprei o cinto de castidade e o brinquedo não como quem busca prazer fácil, mas como quem aceita ser conduzido. Eu sabia, antes mesmo de começar, que aquela noite não seria sobre alívio — seria sobre obediência.
Queria descobrir se conseguia gozar trancado, brincando apenas com o cuzinho.
Colocar o cinto foi um desafio.
Meu corpo reagia por conta própria: resistente, orgulhoso, como se ainda quisesse mandar. Meu pênis tentava lutar, ficando ereto, lutando para não ser trancado.
Travar foi um ato de rendição.
No instante em que o fecho se fechou, senti algo mudar dentro de mim. Não era mais eu quem decidia.
Cada movimento seguinte era feito com cuidado, quase com reverência. Eu não buscava rapidez, nem controle. Apenas seguia o que o meu próprio desejo exigia, mesmo sabendo que não seria recompensado.
O prazer vinha lento, profundo.
E, com ele, a consciência clara de que eu estava limitado — e de que isso me definia naquele momento.
O mais intenso não era a sensação física, mas a frustração aceita.
Sentir tanto…
e não poder terminar.
Querer…
e permanecer contido.
Ali, preso e atento a cada reação do meu corpo, entendi meu lugar: existir para o estímulo, não para a conclusão.
Submisso ao limite.
Submisso ao desejo.
Submisso à espera.
Será que vou conseguir gozar, me masturbar com o pênis de borracha, trancado?
Que sensação.
O som da porta não foi alto.
Foi o suficiente.
Quando levantei o olhar, ela estava ali, parada, sem expressão definida. Não houve grito, nem pergunta imediata. Apenas aquele segundo suspenso em que alguém percebe que entrou onde não devia — e mesmo assim não sai.
Meu corpo congelou. Não por medo de ser visto, mas por ter sido interrompido no meio da entrega. O limite que me definia agora era exposto a outro olhar.
Ela desviou os olhos primeiro.
Depois voltou a encarar, com curiosidade contida.
— Eu… posso explicar, Carla, não é isso que você está pensando — disse, tarde demais.
(Carla era minha prima. Eu não sabia que ela estava em casa.)
Ela saiu, deixando para trás algo mais apertado que qualquer trava: a consciência de ter sido visto exatamente como eu era naquele momento.
Ela saiu… ou pelo menos fingiu sair.
O silêncio que ficou não era de alívio. Era calculado.
Eu ainda tentava recuperar o controle quando ouvi sua voz, baixa, calma demais:
— da próxima vez tranque a porta.
Levantei os olhos. Carla estava encostada no batente, observando com atenção excessiva. Não havia choque, nem pressa. Havia interesse. Um interesse frio.
— Você não precisa explicar — disse. — Já entendi.
Engoli em seco. O que me desarmou não foi o que ela viu, mas como viu. Como quem reconhece uma fraqueza e decide guardá-la.
Ela inclinou a cabeça, avaliando.
— Engraçado — continuou —, como algumas pessoas acham que estão escondidas… quando na verdade só estão esperando ser descobertas.
Deu um meio sorriso. Não era gentileza. Era posse.
— Fica tranquilo — disse, antes de sair de vez. — Segredos bem vistos… podem ser muito úteis.
Ela falou eu quero as chaves
Desespereiiii