Nayara tinha um apego muito grande por seu emprego e tinha motivos para isso. O primeiro era que seu marido estava desempregado e seu salário era o único rendimento familiar. Com ele, a garota conseguia manter a casa, pagar o aluguel, as compras do mês e as demais contas, porém, não sobrava nada para que ela pudesse pelo menos sair com o marido de vez em quando para quebrar a rotina.
Mas seu maior problema não era o desemprego do marido. O que a afligia era que ele, depois de algumas tentativas, sempre era despedido e passava longos períodos ociosos e com isso perdeu a autoestima. Com seus vinte e dois anos, a garota ainda tentou incentivar ao seu marido, porém, nos últimos meses a situação se agravou, com ele perdendo completamente a libido e como sexo era a única coisa que ela fazia com afinco além de trabalhar, já se ressentia pela falta dele.
Com sua pouca idade, vindo do interior trazida pelo marido, Nayara era uma mulher linda. Com um metro e sessenta e cinco de altura e cinquenta e oito quilos, tinha um corpo que chamava a atenção de qualquer homem e até de algumas mulheres. Algumas com olhares cobiçosos e outras com inveja. Seus cabelos compridos, naturalmente escuros que ela se esforçava em clarear com produtos confiáveis em virtude de sua vaidade estava sempre preso em um longo rabo de cavalo quando ia trabalhar. Olhos castanhos escuros, uma boca sensual com lábios não tão grossos, mas com um desenho que lhe dava uma sensualidade cativante e com seios um pouco acima do tamanho médio eram firmes e empinados e seu bumbum grande, firme e empinado, em si só um espetáculo à parte e um corpo que por se destacava eram os detalhes que a tornavam uma mulher extremamente desejável.
Mas não eram apenas as medidas que a favoreciam. As formas de seus seios e a do bumbum faziam com que seu corpo tivesse aquelas curvas que fazem os homens dobrarem o pescoço, principalmente com sua barriga chapada, mesmo ela não fazendo academia por não contar com recursos para isso. Ninguém podia negar que aquela garota tinha uma aparência admirável.
Naquela terça-feira ela entrou no escritório de seu chefe, a quem ela só se dirigia chamando de Senhor Roney, um homem que administrava uma fortuna iniciada por seu pai e que fez questão de multiplicar quando assumiu os negócios da família e não pode disfarçar o seu desânimo, falando com uma voz cansada:
– Bom dia senhor. O relatório que o senhor pediu está pronto e a sua agenda está livre como o senhor pediu.
– Bom dia, Nayara. Obrigado! – Respondeu ele com uma voz grave e o desinteresse de quem só está respondendo ao cumprimento por educação.
Ela se aproximou da escrivaninha que ele ocupava e começou a arrumar alguns papéis sem conseguir esconder seu nervosismo, como se tivesse algo a incomodando, porém, o homem estava distraído na leitura dos relatórios que ela lhe entregou e não percebeu. Até que ela se encheu de coragem e perguntou:
– Senhor, posso perguntar uma coisa?
– Você já perguntou uma coisa, Nayara. – Respondeu ele sem levantar a cabeça. Porém, ao ver que ela ficou calada, levantou a cabeça e falou amenizando o tom de sua voz: – Mas como hoje estou de bom humor, vou permitir que você faça outra pergunta. Pode falar.
– Senhor Roney... Será que dá para eu sair mais cedo hoje? – Pediu ela ignorando a ironia contida na resposta dele e, antes que ele assimilasse o pedido, acrescentou: – Meu marido está passando por uma fase difícil e eu gostaria de chegar em casa mais cedo para apoiá-lo.
– Hum! – Resmungou Roney coçando o cavanhaque e depois reclamou: – Parece que isso está se tornando uma rotina. É a terceira vez nas duas últimas semanas.
Mesmo com o rosto queimando de vergonha e com muito medo de ser repreendida, ela insistiu:
– Eu sei e sinto muito, senhor. Eu prometo que essa será a última vez. Por favor, permita só mais essa vez. Meu marido precisa de mim.
– Precisa é? Só que eu também preciso. – Falou ele já deixando transparecer a irritação.
Para Nayara, a afirmação de que seu chefe também precisava dela teve um duplo sentido. Ela não saiba dizer se ele estava se referindo ao serviço ou se queria dizer que precisava da companhia dela. Procurando disfarçar a surpresa, levantou a cabeça e seus olhos se encontraram e foi o suficiente para que ela sentisse um frio na barriga, pois por mais que amasse seu marido, ela tinha em seu chefe o modelo do homem ideal. Alto, com quase um metro e noventa, oitenta e cinco quilos, físico atlético em virtude de usar diariamente a academia montadas em sua casa. Sua aparência era a de alguns anos a menos do que seus os trinta e oito anos. Seu rosto era harmonioso e os cabelos castanhos claros, assim como seus olhos, emprestava àquele rosto másculo uma beleza que a atraía e o que mais gostava nele era a sua boca curvada como a de um cupido, o que lhe dava a ela uma aparência meio que profana e isso a intrigava, pois queria ver seu chefe como um exemplo a ser seguido e não com algum interesse ou atração sexual. E ouvir aquele homem que ano admirava confessar que precisava dela fez com que sentisse a sensação de ter borboletas revoando em seu estômago.
Movida pela vaidade que habita o espírito das mulheres, Nayara também resolveu testá-lo e insistiu, dando uma entonação suave e sensual ao falar:
– Senhor. Eu não quis dizer que o senhor não precisa de mim aqui. Eu só fico preocupada com o meu marido em casa sozinho. Fico com medo que ele faça alguma bobagem.
Nayara falou assim porque queria ouvir de novo ele confessando que precisava dela, mas foi surpreendida quando ele, mesmo amenizando a voz, perguntou:
– Agora é minha vez. Posso perguntar?
– Sim senhor, lógico. Pode perguntar o que quiser. – Nayara abaixa a cabeça para tentar esconder o rubor de seu rosto enquanto sentia seu coração disparar já se esquecendo do seu propósito de segundos antes e esperando pela pergunta de seu chefe, torcendo em seu íntimo que a pergunta fosse algo que confirmasse a necessidade que ele disse ter dela. Em seu íntimo ela sentia todas seu corpo reagir fisicamente a ponto de se perguntar em pensamento:
“O que está acontecendo comigo! Esse homem está mexendo comigo desse jeito! Eu amo o meu marido e não posso sentir essas coisas. Mas, meu Deus! Ele é tão bonito e poderoso”.
E a pergunta finalmente foi feita:
– Olha, Nayara. Não que eu tenha algo a ver com isso, mas estou curioso. O que afinal está acontecendo com o seu marido?
Não era bem o que ela esperava. Bem no fundo de seu ser, esperava que fosse uma pergunta mais íntima e que se referisse a ela. Com sua expressão mudando de tristeza para preocupação, explicou:
– Ele está passando por uma crise de autoestima e depressão. Não consegue um emprego decente, sente-se inútil e fracassado. E o pior é que isso está afetando também a nossa relação.
– Por que ele saiu de seu último emprego?
– Ele foi demitido, senhor. – E antes que Roney perguntasse o motivo, ela continuou: – Ele não conseguia cumprir as metas e estava sempre atrasado ou faltando. Parece que ele perdeu o interesse pelo trabalho. Agora fica lá em casa o dia todo, sem fazer nada, só deprimido e irritado comigo, com os vizinhos e com o mundo todo.
– Bom! Se ele perdeu a motivação, então a culpa é dele.
– Eu sei que parece ser assim, senhor. Mas ele sempre foi um homem bom e um trabalhador eficiente antes disso tudo acontecer. Acho que ele só precisa de uma oportunidade para se recompor e voltar a ser o homem que eu conheci. – Disse Nayara depois de suspirar profundamente e sentir seus olhos ficarem úmidos.
– Outra pergunta. O que o deixou deprimido?
O assunto afetava Nayara de uma forma que ela jamais imaginou ser possível. Toda a força que ela tentava demonstrar para não deixar o marido pior quando estava diante dele, desabou ao sentir que Roney demonstrava alguma preocupação com a situação dela. Mesmo assim, tirando coragem sabe-se lá de onde, ela confessou algo que jamais faria se não estivesse com seu estado emocional abalado:
– Ele descobriu que não consegue... satisfazer suas necessidades na cama. Isso acabou de vez com sua autoestima. Ele está se sentindo um fracassado como homem e também como marido.
– É isso então? Esse é um problema que vocês só vão conseguir superar se procurarem por ajuda. Já fizeram isso?
– Sim. A gente tentou terapia de casal e foram até prescritos alguns medicamentos para ele. Mas parece que nada funciona. Ele simplesmente não consegue... não consegue... – Nesse ponto a voz de Nayara falhou e ela começou a soluçar. Roney pegou um lenço de papel do pacote que ele mantinha na primeira gaveta e entregou a ela que, depois de enxugar as lágrimas, concluiu: – Ele não consegue mais performar como antes.
Roney não conseguiu deixar escapar a oportunidade e riu dela, explicando logo depois:
– Performar é? O nome agora é esse?
Em vez de ficar ofendida com a postura dele em rir do jeito dela falar, Nayara voltou a enxugar as lágrimas e continuou com a voz tremida:
– Agora ele nem mesmo consegue ter uma ereção decente. Quando consegue uma, é muito rápida e não dura nem dois minutos.
– Desculpe, Nayara. Não tive a intenção de te magoar. Só não consegui evitar fazer uma brincadeira. Você também podia ter dito trepar, foder ou, se não quiser ser muito vulgar, pelo menos copular, fazer amor. Mas performar é bom demais.
Roney riu alto depois de comentar isso fazendo com que, mesmo com as lágrimas escorrendo por seu rosto, Nayara sorrisse de uma forma tímida enquanto dizia:
– O senhor está sendo mal. Eu confessando um problema sério e o senhor rindo de mim. – E depois, séria: – Desculpe senhor. A culpa é minha que não devia estar falando de meus problemas particulares com o senhor. Principalmente esses problemas tão íntimos.
– Não fique assim Nayara. Já me desculpei. Juro que a última coisa que quis foi te magoar.
– Sem problemas, senhor. Eu entendo que foi uma tentativa de aliviar o clima pesado. Mas, sinceramente, não tem graça nenhuma para mim nesse momento. Meu casamento está desmoronando e não sei mais o que fazer.
Roney ficou em silêncio por um longo tempo e, apesar de estar trabalhando para ele a menos de seis meses, Nayara já sabia que quando isso acontecia, era porque ele estava pensando em algum problema e resolveu não distraí-lo, permanecendo em silêncio, o que durou longos cinco minutos quando ele finalmente perguntou:
– Qual a profissão do seu marido?
– Ele era vendedor no seu último emprego. Mas agora está desempregado há mais de um ano e já tentou várias outras coisas. Mas nada deu certo. Ele perdeu a confiança nele e agora só fica em casa assistindo TV e bebendo cerveja todos os dias.
– Por acaso ele tem CNH? – Nayara respondeu com um aceno de cabeça e ele passou a próxima pergunta: – Qual a categoria? Você sabe?
– É categoria ‘A/B’, senhor. Mas, por quê? O senhor está pensando em alguma coisa? Talvez em ajudá-lo arrumar um emprego? Oh senhor? Isso seria maravilhoso! Nós precisamos desesperadamente disso. Não só por causa de nossa situação financeira, como também para que ele volte a recuperar sua autoestima.
– O ideal seria se fosse categoria ‘D’. Mas acho que podemos dar um jeito nisso. Quer dizer, ele vai ter que se esforçar muito para começar a trabalhar enquanto se prepara para prestar os exames visando mudar a categoria de sua CNH. Vai ter que fazer exame médico, o prático e outro teórico onde vai ter que responder sobre questões a respeito de mecânica.
Pela primeira vez naquele dia os olhos de Nayara se iluminaram. Pela primeira vez em muito tempo ela sentia alguma esperança de ver seu marido voltar a ser o que era. Então prometeu:
– Eu juro que ele vai conseguir, senhor. E eu vou dar um jeito de pagar para ele fazer esses exames. Vou falar com ele hoje mesmo sobre mudar sua CNH. Ele vai ficar tão feliz e motivado com essa possibilidade de trabalho!
– Podemos fazer melhor. Quero dizer. Ele pode começar amanhã mesmo como motorista particular de minha mulher. Lógico que não vai ser possível fazer o registro até que ele tenha o documento certo para isso, mas podemos combinar um salário até lá.
Lágrimas, agora de alegria começaram a brotar dos olhos de Nayara e ela, num arroubo de felicidade, segura a mão dele com força enquanto agradece:
– Senhor Roney. Eu nem sei como agradecer. Isso é mais do que eu poderia esperar. Vou falar com ele agora mesmo e garantir que ele faça tudo o que for possível para não perder essa oportunidade.
– Vamos fazer diferente. Peça para que ele venha falar comigo. – Ao ouvir isso Nayara começou a caminhar para a saída do escritório dele, mas Roney emendou: – Mas Nayara, não vai ser assim tão simples. Só estou fazendo isso porque quero ajudar no outro problema dele.
Confusa e preocupada com o tom sério que Roney imprimiu às suas palavras, ela estacou de repente e foi se virando para ele lentamente. Quando ficaram de frente um para o outro, ela falou, também com voz séria:
– O que o senhor quer dizer com “o outro problema”? Por acaso o senhor está se referindo à situação financeira? Ou há algo a mais que eu deva saber sobre o meu marido? Por favor, senhor Roney, seja sincero comigo.
– Nada disso, Nayara. Só sei do seu marido o que você me contou. Na verdade, eu estou me referindo aos problemas que você me revelou e só estou fazendo isso porque sinto que esse problema está prejudicando teu rendimento aqui na empresa. Começou pedindo para sair mais cedo, atende aos clientes com cara emburrada e age como uma sonâmbula, demonstrando que, embora esteja aqui, sua cabeça fica vagando longe.
– Ah! Então o senhor está falando sobre... sobre...
– Isso mesmo... Estou falando sobre ele não conseguir mais performar. – Roney não conseguiu evitar um sorriso ao falar a palavra.
– Já estou arrependida de contar isso para o senhor que agora vai ficar se divertindo as minhas custas.
Nayara sustentou o olhar de Roney, mas não conseguia disfarçar a vergonha que sentia com o fato de Roney estar tocando em um assunto tão íntimo e particular do casamento dela. Porém, havia também certa vulnerabilidade naquele olhar que mostrava que ela estava esperando pela compreensão dele. Então continuou:
– Nem sei porque fui tocar nesse assunto. Afinal, é algo muito particular que só diz respeito a mim e ao meu marido. O fato de ele não poder estar satisfazendo nossas necessidades na cama não é problema de mais ninguém. Só minha e dele.
– Pois é aí que você se engana. Volte aqui e sente-se porque eu acho que essa conversa vai ser longa.
Ela caminha os poucos passos até chegar à uma das duas poltronas confortáveis que ele mantinha em frente a sua mesa, senta-se e cruza as pernas de uma forma elegante enquanto mantém a cabeça baixa, esperando que Roney começasse a falar o que tinha em mente. Em seu íntimo, uma vergonha que queimava seu rosto, mas também uma grande dose de curiosidade e, porque não assumir, de excitação também. Como ele se manteve calado, ela não se conteve e o apressou:
– Pode falar, senhor. Estou ouvindo.
Roney pigarreou, o que demonstrava que ele também achava o assunto constrangedor, mas ele que, sempre agia com audácia e nunca se abalava, readquiriu sua postura de homem de decidido e começou a explicar:
– É o seguinte. Você sabe que minha esposa e eu temos um casamento liberal, não sabe?
Ela apenas assentiu. Sabia disso porque Cleo, a esposa de Roney, vivia viajando e postava fotos em suas redes sociais que não deixavam dúvidas sobre a natureza daquelas viagens. Sempre acompanhada de homens e mulheres, todos muito bonitos, mas mesmo assim muito distante da beleza dela, em poses que muitos achariam comprometedoras. Mas o verdadeiro motivo de Nayara saber que seu chefe tinha uma relação aberta com a esposa era devido a uma tarde, quando ela entrou no escritório ele estava olhando para a tela de seu notebook. Estava tão distraído que, quando percebeu a presença dela, era tarde demais o que permitiu que Nayara visse o que se passava na telinha. Cleo estava enroscada com um homem da mesma idade que ela e eles se beijavam enquanto rolavam nus na areia de uma praia deserta. Quer dizer, quase deserta, pois ao fundo dava para perceber que havia outra mulher que também estava nua e aplaudia a cena que se desenrolava. Ele fechou o Notebook e chamou a atenção dela por não ter batido na porta e depois fez ameaças, dizendo que se qualquer pessoa ficasse sabendo daquilo, ela não apenas seria demitida, como ele se encarregaria para que ela não conseguisse mais emprego em lugar nenhum.
E Nayara sabia que Roney tinha meios e poder para isso. Então, assustada, prometeu nunca comentar aquilo com ninguém e passou vários dias temendo ser demitida.
Mesmo sabendo, Nayara não pode evitar que seus olhos ficassem arregalados com o choque e a surpresa de ele estar falando abertamente sobre isso com ela. Sua mente estava uma confusão diante de tantas emoções: vergonha, curiosidade, um pouco de esperança e até mesmo uma excitação proibida.
Ao ver o estado dela, ele a instigou a falar:
– Diga logo. Isso te deixa chocada?
– Sim senhor. Quer dizer, um pouco, né. Eu achei muito estranho saber que um homem como o senhor tivesse um casamento assim. Mas... Falar disso abertamente comigo me deixa muito... Bem, eu não diria chocada, mas muito surpresa. – Nayara fez uma pausa mordendo o lábio inferior enquanto pensava em como continuar, até que perguntou:
– E sua esposa estaria disposta a...?
– A Cleo? Oras, aquela lá está sempre disposta a tudo. Isso sem falar que ela adora um desafio.
– Espere um pouco. O senhor está querendo sugerir que sua esposa se aproveite de meu marido ser o motorista particular dela para ver se ele... ele...
– Isso mesmo. Para ver se ele consegue performar. – E novamente riu.
Nayara fez um muxoxo que indicava que estava se esforçando para não rir também e reclamou com voz bem humorada:
– Maldita hora que fui usar essa palavra. Agora o senhor jamais vai permitir que eu me esqueça disso.
– Desculpe. Não consigo evitar. Mas juro que não vou mais falar assim. E você está enganada, eu só estou sugerindo que você mande seu marido vir falar comigo. Do resto eu me encarrego.
Um nó fez com que Nayara ficasse calada. Em sua mente, desfilava a imagem daquela mulher linda, rica e empoderada começasse a assediar seu marido, sabendo que o coitado não teria nenhuma chance. Então resolveu sair pela tangente:
– Eu não sei se ele vai aceitar isso, senhor Roney!
– Calma, garota. Ele não precisa saber de nada. Vamos dizer a ele apenas que se trata de uma proposta de emprego. Acredite, é melhor assim. Ele tem que se achar o pica da galáxia ao se ver cercado pelo encanto e o espírito sedutor da Cleo.
Nesse momento os olhos de Nayara pareciam que iam saltar das órbitas. O que a deixava estarrecida era que a ideia de seu marido se relacionar sexualmente com outra mulher a excitava e aquela umidade em sua calcinha se tornou um incômodo a mais. Então tentou rebater o argumento de Roney:
– Mas, senhor Roney. Eu acho isso tão... desonesto. E se ele descobrir a verdade depois?
– Que desonesto o que Nayara. Aonde você vê desonestidade nisso? Ele vai ser contratado como motorista particular da Cleo e a você só cabe fazer com que ele aceite. O resto deixe por conta da Cleo. Ela vai fazer acontecer e ele jamais desconfiará que você já sabia disso.
Um suspiro profundo foi ouvido. Nayara não conseguia encontrar algo para dizer que pudesse combater a lógica de seu chefe e, naquele momento, a excitação que ela sentia a empurrava na direção de se tornar cúmplice daquele joguinho estranho que estava sendo proposto a ela. Além disso, tudo era colocado de uma forma em que o propósito de tudo era apenas ajudar ao seu marido. E Roney voltou a falar:
– O que estou querendo dizer é que estou pretendo ver se ele consegue recuperar sua autoestima depois de fo..., quero dizer, de transar com uma mulher como a Cleo. Uma verdadeira socialite que vive aparecendo na mídia. E, para melhorar ainda mais, ele vai pensar que está fazendo um rico e poderoso empresário de corno. Isso e comparável a um homem se levantar da cama de um hospital e ir direito disputar a São Silvestre.
Nayara engole em seco ao ouvir a forma crua como Roney colocou as coisas. A ideia de seu marido recuperando a confiança e a virilidade por pensar que estava “transando com aquela mulher lindíssima e rica fez com que seu grau de excitação subisse mais três degraus e ela já estava incomodada, pois sentiu de novo o suco de seu tesão escorrer por suas coxas. Então concordou:
– Sim, senhor Roney. Vamos fazer assim.
– Então está combinando?
– Combinado. – Respondeu Nayara tentando parecer tranquila, chegando a oferecer a mão para que o acordo fosse selado com um aperto de mãos. Agora ela só queria mesmo era sair daquela sala e ligar para seu marido.
Mas quando ela fez menção de se levantar, foi mais uma vez surpreendida por Roney que falou:
– Espere. Não saia ainda. Agora vamos falar do mais importante.
– Pois não, senhor Roney. O que vem agora? – Sua voz traia a excitação que sentia e ela cruzou as pernas deforma sedutora, mas inconsciente.
– Agora passamos ao pagamento pelos serviços prestados.
O coração de Nayara disparou ao ouvir a palavra pagamento. Ela já imaginava quantos zeros teria o valor que ele exigiria dela e do seu marido por prestar aquele serviço de recuperar a masculinidade de Mateus. Ela que, já achava a oferta de Roney ilegal, passou a ver a situação como um ultraje, mesmo tendo se excitado com tudo o que conversara antes. Então foi direta ao assunto:
– Quanto o senhor vai cobrar por seus serviços?
Roney demonstrou que a pergunta dela o deixara contrafeito e não perdoou:
– Por favor, Nayara. Pensei que você fosse mais inteligente que isso. Eu não vou cobrar nada e só vou pagar ao seu marido o salário normal que um motorista particular recebe. Nada além disso. – E diante da surpresa dela que não entendia mais nada, continuou: – Por que eu faria isso? Se eu estou tentando ajudar é porque sei da dificuldade financeiras que vocês estão passando. Você já deixou isso claro. Mas vou sim dar uma ajudinha. Seu marido vai ganhar um emprego com um salário razoável e eu vou arcar com as despesas que vocês vão ter com os exames para ele mudar a categoria da CNH. – E depois foi cruel de propósito: – Além disso, ele já vai comer uma das mulheres mais cobiçadas desse estado, mas isso vai de brinde. Você entendeu agora?
O simples fato de seu chefe lhe lembrar que seu marido estava na iminência de transar com outra mulher fez com que o rosto de Nayara voltasse a ficar vermelho e aquelas demonstração de timidez ou vergonha parecia divertir Roney que sorriu ao notar isso. Mas ela queria tanto que Matheus voltasse a ser o homem que era quando se casaram que estava disposta a tudo e falou:
– Eu entendi sim, senhor Roney. Entendi perfeitamente. O pagamento vai ser apenas o salário de um motorista e a ajuda com as despesas da CNH. Desculpe por pensar que o senhor cobraria algum valor por isso.
– Olha como você é inocente! Você acreditou, por um minuto que seja, que a Cleo precisa de ajuda ou de dinheiro para seduzir a um homem? Tomara que ela jamais sonhe com isso, pois ao contrário você estaria em maus lençóis.
– Eu sei disso, senhor Roney. Sei que sua esposa é uma mulher desejável e sedutora.
– Muito bem. Agora preste atenção antes que eu desista de tudo e ainda te demita.
– Estou ouvindo, senhor! – Respondeu Nayara sem esconder o incomodo que a ameaça de demissão provocou nela.
– Quando eu me referi a pagamento, me expressei mal. Pensando melhor, não se trata de um preço que você tem que pagar. Prefiro que, em vez disso, que a gente faça uma aposta. Um tipo de jogo.
– Que jogo, senhor Roney?
– Um jogo entre nós dois. Como eu disse, uma aposta.
– Quer dizer que, se seu plano funcionar, eu que devo pagar ao senhor?
– Isso, mas não em dinheiro. Vamos direto ao ponto. Eu proponho que, se em menos de trinta dias o seu marido votar a per..., desculpe, a te realizar sexualmente, você se transformará em minha escrava particular durante o tempo por dois meses.
– Escrava? Que tipo de escrava? – O coração de Nayara batia descompassadamente imaginando que seu chefe propunha que ela realizasse todos os desejos dele e não descartava que, entre esses desejos, estava o de satisfação sexual. Era muita coisa para assimilar em apenas um dia e ela ficou olhando para ele com uma expressão que ia do medo à excitação, torcendo para que ele dissesse logo o que queria dela.
– Do tipo que faz tudo o que seu dono mandar.
– Sim. E isso quer dizer que, a qualquer hora do dia ou da noite, o senhor pode me chamar e vou ter que vir à sua presença e fazer tudo o que você quiser?
– Menos Nayara. Só o tempo em você permanecer nesse escritório. Essa é a segurança que estou te oferecendo, pois se quiser parar, basta pedir demissão e ficará livre de sua promessa.
– Mas eu não prometi nada?
– Não. Ainda não. Estou aqui esperando por sua resposta.
– E se o Matheus não conseguir se recuperar em um mês? O que eu ganho com isso?
– Se ele não se recuperar de jeito nenhum, aí eu foder você. Afinal de contas, uma mulher linda e com um corpo como o teu não pode ficar por aí sentindo necessidades. Isso pode ser perigoso.
Aquela fala de Roney fez com que Nayara caísse na real. Ela era vista por ele como um simples objeto sexual. Isso em si já era preocupante, porém, o que a deixou abismada foi que, ao invés de se sentir ofendida, o que sentiu foi uma enorme excitação e chegou a sentir um tremor ao antecipar como seria ser. Foram essas sensações que fez ela responder sem pensar muito:
– Então está bem, senhor Roney. Eu aceito. Mas só porque estou disposta a tudo para que meu marido volte a ser o que era antes.
– Então vamos ver se você entendeu mesmo. Se ele conseguir manter uma ereção o tempo necessário para foder a Cleo e depois a você, eu ganho uma por dois meses. E não estou falando em escrava sexual. Só uma simples escrava. Mas vou avisando. Em dez dias de escravidão você já estará pedindo para ser fodida por mim. Se eu perder a aposta, ele continua no emprego e você também, só que, todas as vezes que sentir essas tais necessidades que seu marido não consegue resolver, você me procura que eu darei um jeito. E para ficar bem claro, em qualquer uma das duas situações, não vou exigir nada de você. Vai ser você que vai me implorar para fazer isso.
Nayara ouvia aquelas palavras enquanto seu coração batia tão forte que era como se fosse sair pela boca. A ideia de ser escrava de Roney, fazendo qualquer coisa que ele mandar e depois chegar ao ponto de implorar para que ele a comesse podia parecer humilhante, mas era extremamente excitante.
Você aceita? – Perguntou Roney que esperava por uma resposta.
– Aceito, senhor Roney. Qualquer que seja a situação, serei sua escrava durante dois meses.
– OK. Agora ligue para o seu marido. Faça com que ele venha até aqui logo depois do almoço. Agora saia que vou dar um telefonema.
Assim que Nayara saiu da sala, Roney ligou para Cleo e fez um resumo da aposta que acabara de fazer, perguntando se ela aceitava participar e prometendo que, quando chegasse em casa, contaria todos os detalhes. A resposta dela foi imediata:
– Nossa! Que coisa maravilhosa! Levantar um defunto é a minha melhor especialidade.
E o riso cristalino dela foi se apagando na media em que ela afastava o aparelho de seu rosto.
– Essa é a minha Cleo. Nunca foge de um desafio e adora uma sacanagem. Ah! Como eu amo essa mulher.