Halloween à Beira do Lago

Um conto erótico de Jaque
Categoria: Lésbicas
Contém 981 palavras
Data: 07/11/2025 15:52:37
Última revisão: 06/04/2026 14:57:49

Este ano, o Halloween do condomínio foi diferente. Mais planejado, mais sombrio… e, de certo modo, mais intenso do que qualquer um poderia imaginar. O lago no centro das casas ganhou uma plataforma cercada por névoa negra que se espalhava lentamente, como fumaça de um feitiço antigo, criando um clima que parecia tirado diretamente de um filme.

Por volta das oito da noite, eu e minha família já estávamos prontos para a tradicional caça aos doces. O ar cheirava a vinho, fantasia e aquela tensão gostosa que só a noite de Halloween sabe criar. As risadas das crianças ecoavam entre as casas enfeitadas enquanto nós, os adultos, ficávamos por perto — taças na mão, olhares cúmplices, conversas que iam ficando mais soltas com cada gole.

Com o passar das horas, a festa foi mudando de tom. As crianças foram adormecendo uma a uma, e a noite se rendeu completamente aos adultos — cada um mais leve, mais ousado, desamarrado pelo vinho e pelo clima úmido da madrugada. Já passava das onze quando meu marido decidiu ir para casa. Eu fiquei. A Jaque, minha amiga inseparável, não me deixou escolha — e, honestamente, eu também não queria ter.

Ficamos à beira do lago, o reflexo da lua dançando sobre a água escura. O vento frio mordia a pele exposta pelos fantasias, mas o calor do vinho e das risadas compensava. Conversamos sobre tudo e nada, como só se faz quando a hora já não importa mais. Quando percebemos, a madrugada havia engolido a noite inteira.

Caminhávamos devagar de volta, tentando equilibrar os saltos, o vinho e as gargalhadas, quando um carro parou suavemente ao nosso lado. Os faróis cortavam a névoa sobre o lago, criando uma atmosfera quase mágica — ou perigosa. O vidro desceu devagar, e lá estava a Fernandinha: olhos amendoados brilhando no escuro, sorriso entre tímido e provocante, aquela beleza descuidada de quem não precisa se esforçar para hipnotizar.

— Precisam de carona? — ela perguntou, a voz baixa como um segredo.

Jaque riu alto, tropeçou elegantemente e entrou sem nem esperar minha resposta. Eu fui atrás, tentando disfarçar o frio na barriga que não vinha da noite úmida. O carro cheirava a perfume caro e a algo que eu não sabia nomear — juventude, talvez. Ou perigo. Ou as duas coisas misturadas.

O silêncio tomou conta por alguns segundos. Só o ronco do motor, a respiração de três mulheres e o brilho distante da lua lá fora. As casas iluminadas foram ficando para trás, até restar apenas a escuridão das árvores e aquela tensão que nenhuma de nós tinha coragem de tocar — ainda.

Jaque, sempre ousada, começou a brincar. Piadas. Olhares. O ar dentro do carro foi ficando pesado de uma forma que eu conhecia bem, mas fingia não reconhecer.

Fernandinha me encarou pelo retrovisor. Os olhos dela brilhavam de um jeito que não era bem inocente.

— Essa noite foi longa demais pra acabar assim, não acha? — ela disse, a voz quase um sussurro.

Antes que eu pudesse responder, Jaque gritou como se tivesse dezesseis anos outra vez:

— Verdade ou desafio!

Ela riu, a risada daquelas que contagiam. E então, sem cerimônia nenhuma, lançou a pergunta no ar como quem joga uma faca:

— Vocês já beijaram uma mulher?

Eu e Fer nos olhamos pelo retrovisor por uma fração de segundo.

— Não — respondemos quase ao mesmo tempo.

Jaque ficou em silêncio por um momento. Depois, com aquela calma calculada de quem já sabe o que vai fazer, disse simplesmente:

— Para o carro.

Fernandinha obedeceu.

O motor apagou. O silêncio da madrugada caiu sobre a gente como um cobertor. E Jaque, sem perder um segundo, pediu que fechássemos os olhos.

Eu obedeci. Senti o perfume dela se aproximar antes de sentir qualquer coisa — e então os lábios dela encontraram os meus. Não foi um beijo de brincadeira. Foi lento, profundo, daqueles que fazem o mundo girar levemente fora do eixo. O tipo de beijo que deixa marca mesmo depois de acabar.

Quando abri os olhos, meu peito subia e descia mais rápido do que eu gostaria de admitir.

Fer foi a próxima. Eu hesitei — disse que não queria, que já era o suficiente. Jaque inclinou a cabeça, aquele sorriso no canto da boca, e perguntou devagar:

— Tem certeza que não quer?

E antes que eu respondesse, ela pousou as mãos sobre o meu peito por cima do tecido. Meus seios estavam duros, traidores, entregando tudo que eu tentava esconder. Não havia mais como fingir.

O tecido cedeu. O frio da noite encontrou a minha pele aquecida, e as mãos e a boca da Jaque encontraram o resto. Eu estava perdida — do jeito bom, daquele que você não quer ser encontrada.

Deixei a mão escorregar por baixo da saia dela. A pele era macia, quente, úmida de desejo — e eu não resisti. Comecei a tocá-la devagar, sentindo cada reação dela contra minha boca, cada pequeno tremor.

Fer, que observava com os olhos brilhando no escuro, não resistiu por muito tempo. Inclinou-se e passou a língua pelo meu seio com uma delicadeza que me fez arquejar. Depois deslizou a mão entre as minhas coxas, onde eu já estava completamente entregue — molhada, quente, querendo mais.

Por quase meia hora, o carro foi nosso mundo inteiro. Beijos que se cruzavam, mãos que exploravam sem pressa, respirações que se misturavam no vidro embaçado. Uma noite que parecia não querer acabar resolveu, por conta própria, se eternizar naqueles trinta minutos.

Quando olhamos para o horário, o susto foi real. Tarde demais. Nossas famílias, nossas camas, nossas vidas esperavam do lado de fora.

Nos recompusemos em silêncio — cada uma no seu ritmo, um sorriso envergonhado aqui, um olhar cúmplice ali. Fernandinha nos deixou na porta, e cada uma seguiu para a sua casa, para a sua realidade, para o seu segredo.

Até hoje não nos encontramos para falar sobre aquela noite.

Mas foi, sem a menor dúvida, a experiência mais inesquecível da minha vida.

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