O MERCADO DA LIBERTINAGEM CRUA

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Heterossexual
Contém 767 palavras
Data: 29/11/2025 13:26:18

Um conto de um homem engolido pelo desejo em estado bruto

A primeira vez que Augusto ouviu falar do Mercado foi numa mesa gordurosa de bar, entre um pastel encharcado de óleo e a quarta cerveja morna.

— Fica ali no galpão do antigo Mercado Municipal — disse a mulher de unhas encardidas e sorriso sem filtro. — Entra pela porta dos fundos, entre meia-noite e duas. Leva dinheiro. E não pergunta o preço. Eles cobram o que você vale.

Augusto riu, cético, achando que era algum puteiro de quinta fantasiado de feira. Mas quando chegou em casa, bêbado e curioso, fez o que qualquer jornalista semi-desempregado faria: abriu o laptop, digitou “mercado da libertinagem” no navegador em aba anônima, e caiu num fórum fechado com apenas uma frase:

“Quem não cheira a putaria, não entra.”

A PORTA DOS FUNDOS

Na terça seguinte, à 1h14 da madrugada, ele empurrou a porta de ferro do galpão. Cheirava a canela e suor fresco.

Logo na entrada, foi barrado por um casal completamente nu, de máscaras de porco no rosto e coleiras presas a correntes. A mulher o lambeu do queixo ao umbigo, fungando. O homem enfiou dois dedos no cós do jeans e puxou a cueca para sentir o calor entre as pernas.

— Frio, ainda. Tá cru — disse o de máscara.

— Mas dá pra esquentar — completou a porca, já sorrindo.

Eles abriram caminho, e Augusto entrou.

Ali dentro, a decadência era teatral: paredes descascadas, luzes coloridas piscando de forma errática, goteiras com baldes sob elas, e bancas... bancas lotadas de pornografia viva.

A primeira, chamada "Prazer Cru", vendia cintos de castidade semi-abertos com marcas de unha e sinais de uso. Uma travesti com mamas à mostra oferecia um desconto:

— Se me chupar aqui mesmo, leva dois pelo preço de um. E eu gozo no seu bolso de brinde.

Ele seguiu, tonto, duro, com o jeans apertando as ideias.

A SENHORA DAS BERINJELAS

No corredor dos vegetais, uma mulher idosa se masturbava com uma berinjela grotescamente curva, entre gemidos e risadas de feira. Sua saia era só uma sombra pendurada na cintura, e os seios moles batiam como frutas maduras.

Havia uma placa: "Demonstração gratuita. Toque se quiser."

Augusto tocou.

Ela segurou sua mão, enfiou nos próprios pelos pubianos e gemeu:

— Sente essa terra? É de onde brota tudo. Berinjela, prazer, e homem bom. Quer plantar dentro de mim?

Ele não respondeu. Mas o pau dele já estava rijo, e quando ela ajoelhou e engoliu sem aviso, ele quase caiu para trás.

A boca dela era quente, sem dentes. Molhada como um buraco esquecido pela decência. Enquanto o chupava, outros dois homens o seguraram pelos ombros. Uma mulher chegou por trás, enfiou os dedos pela calça e segurou suas bolas.

Ele gozou ali mesmo, de pé, entre legumes e vozes gemendo.

Alguém aplaudiu.

AÇOUGUE HUMANO

Cambaleando, seguiu até o antigo açougue.

Corpos humanos pendurados, nus, girando lentamente em ganchos. Alguns com vibradores ligados dentro do cu, outros com placas:

"Chupe à vontade",

"Experimente por trás",

"Hoje, penetração dupla."

Augusto se aproximou de um homem de coxas largas e pau semi-duro. Tinha a pele marcada por palavras escritas a faca: submisso, oferta, carne macia.

Sem pensar, o jornalista agarrou aquele corpo morno e chupou-o até o pau inchar na boca. Um gozo discreto, contido, escorreu pelos lábios.

— Você tem boca de cliente recorrente — disse alguém, batendo nas costas dele. Era uma mulher coberta de sangue falso, com um avental escrito "SÓ VENDO À VISTA".

Augusto gargalhou. Estava suado, o rosto manchado de porra e tomate.

A QUEDA

Na semana seguinte, voltou. E na outra.

Logo passou a dormir num dos estandes desativados, debaixo de lonas sujas, cercado por gemidos e cheiro de pau galado.

Parou de escrever.

Parou de sair.

Parou de pensar.

Seu corpo virou moeda. Deitava nas bancas. Era enrabado por feirantes. Oferecia o cu em troca de mordidas. Chupava picas enquanto dormia. Era usado como prato por pessoas que comiam presunto em cima dele, com o pau ainda dentro da boca.

Ficou magro. Cheirava a sardinha e gozo.

Adorava.

A ETIQUETA FINAL

Numa noite especialmente abafada, acordou amarrado pelos tornozelos a dois ganchos. Estava de cabeça pra baixo, nu, lambido por todos os lados.

Ao lado do seu rosto, uma etiqueta presa com fita adesiva:

“Experimente sem compromisso.”

A feira girava.

As luzes piscavam.

O pau dele, mesmo mole, tremulava como uma bandeira.

Alguém lambeu sua axila. Outro mordeu seu mamilo.

Uma voz feminina, distante, gritou:

— Promoção relâmpago! Coma dois, pague um!

E ele sorriu.

Porque ali, no Mercado da Libertinagem Crua, ele finalmente era só isso: carne. Disponível. E feliz.

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