Consequências de uma traição - 5
Davi disse: — Não sei, cara. Preciso de um pouco mais de informação.
Estávamos sentados no meu quintal, cada um com uma cerveja.
— Responda à pergunta, Davi. Este é o meu terceiro pesadelo ou apenas uma continuação do Pesadelo nº 2?
— Acho que depende, cara. Diga-me: você está se sentindo magoado e com raiva por causa da Jane? Porque ela encontrou um jeito, mais uma vez, de mexer com a sua cabeça? Ou você está tão chateado porque a Ângela te enganou?
— E se eu te disser que são as duas coisas?
— Isso é uma desculpa esfarrapada. Qual é pior? Qual dói DE VERDADE?
Pensei por um instante. — Acho que é a parte da Ângela. Acredite ou não, a parte da Jane não é tão ruim, porque é exatamente o que eu esperaria dela. Ela quer o que quer, e como vai fazer pra conseguir não importa muito. Há muito tempo deixei de ter uma boa opinião sobre seus padrões éticos. - Dei uma risadinha.
—Nesse caso. - Disse Davi. — Este é definitivamente o seu terceiro pesadelo. Porque os dois primeiros foram culpa da Jane, e este é da Ângela.
—Que bom que esclarecemos isso. Quer outra cerveja?
—Claro. - Disse ele. — E depois disso, vamos comer alguma coisa.
Tínhamos devorado uma pizza e meia, e estávamos ambos recostados e satisfeitos em nossas cadeiras, observando a bunda da bela garçonete enquanto ela se movia pelo restaurante.
— Então, qual é a situação atual com a Ângela? Você já falou com ela?
— Nem uma vez. Ela me deixou algumas mensagens nas últimas duas semanas, todas discretas, apenas dizendo o quanto lamentava. Eu simplesmente não tive vontade de retornar.
— Por que não?
Pensei um pouco. — Acho que é porque não sei o que dizer para ela. Antes de ligar, sinto que deveria saber o que estou sentindo, o que quero que aconteça. E agora não sei de nada.
Quer dizer, ela mentiu para mim, né? Ela agiu como a Jane e pela Jane. Mas, por outro lado, quando estava quase levando adiante, ela recuou, se conteve. Isso vale uns pontos. E quando eu a fiz falar comigo, finalmente, ela me contou a verdade. Até a parte que a faz parecer mal.
E a verdade é que sinto falta dela. Fico pensando em como era divertido passar um tempo com ela. Sem falar em como ela estava incrível naquele suéter azul, na noite em que quase fizemos aquilo. Eu certamente não me importaria de terminar o que começamos.
Mas será que posso confiar nela? Existe algum motivo para achar que posso contar com ela, mais do que com a minha ex, aquela vaca?
Davi olhou para mim e disse: — Hora de ir, cara. Quando você começa a falar em círculos, eu sei que é hora de te levar para casa.
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Três dias depois, Jane veio me ver. Assim, do nada, sem aviso prévio.
Seria este o Pesadelo nº 4, ou apenas o Apêndice A dos Pesadelos nº 1 ou nº 2? A essa altura, eu já tinha perdido a conta.
Eram cerca de 8h30 da noite e eu estava lavando a louça do jantar. A campainha tocou e, quando abri a porta, lá estava ela. Se eu não tivesse levado um susto tão grande, talvez tivesse fechado a porta na cara dela, mas simplesmente congelei.
— Olá, Nicolas. - Disse ela com uma vozinha, como a de uma menininha. — Posso entrar e conversar com você?
Recuei em silêncio e a deixei entrar. Sentamos um de frente para o outro, sem dizer nada. Meu coração não estava acelerado, minhas palmas não estavam suadas. Desta vez, eu apenas sentia frio e um certo vazio. Era como ver alguém de uma parte dolorosa, porém distante, do meu passado. E percebi que eu estava mais avançado no processo de superar Jane do que imaginava.
— Você quer uma bebida ou uma xícara de café?
— Um pouco de água seria ótimo, obrigado.
Trouxe-lhe um copo de água e um para mim. Ficamos sentados mais um pouco. Eu sabia de uma coisa: Não ia dizer uma palavra. Ela tinha vindo com alguma intenção e eu ia esperar para ver o que diabos era dessa vez. Se eu sentisse uma pontinha se quer de armação eu a jogaria pra fora arrastada.
— Nicolas, eu... eu não te vejo há muito tempo. Desde o dia em que estive aqui com você e o Davi.
Eu esperei.
— Eu sei que você tem... passado tempo com a Ângela, porque ela me contava sobre isso de vez em quando, quando conversávamos."
Ela olhou para mim, obviamente esperando que eu interviesse e a ajudasse, mas eu apenas a observei.
— Mas ultimamente, por algum motivo, a Ângela não retorna minhas ligações. Não sei o que está incomodando ela, se está brava comigo ou algo assim.
Mais silêncio. Seu olhar tornou-se mais suplicante.
— Nicolas, você e ela... estão namorando? Vocês são um casal ou só estão saindo juntos, sabe, como amigos? O tom dela era um pouco suplicante.
Eu disse, bem devagar: — Não acho que isso seja da sua conta, Jane. Nós não estamos mais juntos, e o que acontece na minha vida social é privado. Você escolheu assim! Lembra? Você decidiu o nosso futuro!
Ela pareceu magoada, mas assentiu com a cabeça. — Sim, eu sei disso.
Então ela respirou fundo e continuou. — Você sabe por que estou perguntando, não sabe? Eu ainda te amo, Nicolas, mais do que jamais imaginei. Depois do meu... do meu terrível erro com o Alec, tive muito tempo para pensar em tudo que joguei fora.
Meu bem, tudo o que eu quero é você de novo! Farei qualquer coisa para compensar a dor que te causei. Meu Deus, eu fui uma idiota! Mas eu sei disso agora, juro que sei!
Eu me perguntava por que meu coração não estava acelerado, por que eu me sentia meio apático em vez de agitado. — Jane, eu... eu simplesmente não vou voltar com você.
Você diz que tem pensado no seu 'erro', mas acho que você não tem ideia de como me destruiu completamente. Você se suicidou dentro de mim. Você entende isso, matou tudo que podia haver de bom pra você dentro de mim. Você fez a sua escolha, e agora que quebrou a cara, volta correndo, achando que vai ficar tudo bem, que vai voltar a ser como antes, que eu vou perdoar e esquecer tudo que vc me disse naquele dia. Por uma foda, você fodeu a nossa vida e fodeu com a minha vida. E fodeu tudo de bom que tinha entre agente.
E o que aconteceu com, “É dele que eu preciso, é ele que eu quero pro resto da vida! ”. Seu barco naufragou e agora tá procurando uma boia pra não se afogar? É isso que vc veio fazer aqui?
Impulsivamente, tomei uma decisão. Levantei-me. — Venha comigo, está bem? Quero lhe mostrar uma coisa.
Com um olhar confuso, ela me seguiu enquanto eu subia as escadas. Logo estávamos em frente à porta fechada do que tinha sido nosso quarto.
— Nas primeiras semanas depois que você foi embora, eu meio que fiquei louco. Me mudei para o quarto de hóspedes, mas ficava voltando para o nosso quarto e... fazendo coisas nele. Desabafando meus sentimentos, e revivendo cada segundo daquele dia.
Então eu cansei e simplesmente parei. Não voltei a este quarto desde umas três semanas depois que você se mudou. Mas acho que quando você ver, terá uma ideia de como sua traição me fez sentir.
Abri a porta e acendi a luz, depois dei um passo para o lado para que ela entrasse primeiro. Ouvi-a exclamar, "Meu Deus!", enquanto olhava em volta para o que tinha sido o quarto durante toda a nossa vida de casados.
Os lençóis da cama estavam parcialmente abaixados e cobertos de esperma seco, resultado das 8 a 10 vezes em que me masturbei neles. O quarto inteiro ainda cheirava a sexo velho. Estava sujo e a poeira de quase um ano acumulada.
Presa em uma parede estava a camisola vermelha mais sexy de Jane (na verdade, era uma cópia que eu havia comprado, já que ela tinha levado a original quando se mudou). Bem onde estaria o coração dela, se ela estivesse lá dentro, uma faca de carne estava cravada profundamente na camisola e na parede. Outra ainda maior estava cravada no colchão no lugar onde estava Alec naquele dia
As velas que estavam ao lado da cama na noite em que a encontrei com Alec estavam quebradas em pedaços, espalhadas aleatoriamente pelo chão. Manchas de cera marcavam os lugares onde eu as havia atirado repetidamente contra as paredes.
Pedaços do nosso álbum de casamento estavam espalhados por toda parte. Eu o havia rasgado, página por página, depois rasguei as páginas e as fotografias em pedaços e os espalhei aleatoriamente. Tudo que tínhamos que lembrava nos dois juntos, agora estava naquele quarto como um relicário. Um museu ao terror que ela infligiu a minha alma.
Na altura do tornozelo, havia vários cortes profundos nas paredes, onde eu havia chutado com força. E em uma das paredes, escrito em letras enormes com batom vermelho, estavam as palavras "MORRA PIRANHA".
Observei Jane enquanto ela olhava para o cômodo, absorvendo a feiura e a destruição. Quando ela se virou para mim, com o choque evidente em seu rosto, eu disse: — Aposto que você não sabia que eu podia ficar tão bravo, sabia? Nem eu.
Dizem que em momentos de estresse descobrimos coisas novas sobre nós mesmos. Bem, eu descobri quanto ódio e raiva eu tinha dentro de mim, prontos para serem liberados por uma provocação suficiente. E você me proporcionou isso, Jane.
Seu rosto exibia uma tristeza que eu nunca tinha visto antes. Senti que talvez ela estivesse começando a entender, começando a compreender o quanto ela havia me machucado.
Com voz embargada, ela disse: — Oh, Nicolas... Sinto muito. Muito mesmo.
— Não Jane, vc não sente! O que vc sente é por conta do seu barco do amor ter se transformado em navio fantasma.
Ela se aproximou lentamente de mim, querendo me abraçar. Mas eu disse: — Não, Jane, acho que não, nunca mais você vai tocar em mim. - Sem dizer mais nada, me afastei dela e desci as escadas.
Quase dez minutos se passaram até que ela descesse e se sentasse comigo na sala de estar.
— Acabou mesmo, não é?
Assenti com a cabeça. — Você o matou, e ele não vai voltar à vida. Isso acabou no dia que você resolveu abrir as pernas praquele merda.
Vc é muito imbecil mesmo, se estivesse dado tudo certo entre vcs, essa conversa jamais existiria, não é mesmo, como o plano A falhou vc corre pro plano B. Vai sonhando!
Aquele quarto é o reflexo de como vc deixou meu coração, se vc entende isso, sabe que não tem conserto, por mais que limpe, lave ou repinte, vai ser sempre quarto do inferno que vc me jogou. O local onde vc destruiu a nossa vida e tudo que tinha de bom entre agente.
Ela começou a chorar, olhando para mim, com os ombros tremendo.
— Vai chorar na sua cama que é um lugar quentinho.
Depois de alguns minutos, levantou-se, ainda chorando, e saiu de casa.
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Eu realmente quero você aqui, Davi, você é meu amigo ou não?
Ele me lançou um olhar exasperado. — Você acha que eu teria aguentado suas besteiras todos esses anos se não fôssemos amigos? Me poupe! - Disse ele, bufando.
— Eu simplesmente não vejo por que preciso estar por perto enquanto você conversa com a Ângela.
— Talvez para dar sorte. - Eu disse. — Lembra quando a Jane veio aqui em casa? Foi ideia sua estar aqui comigo, e graças a Deus que você estava. Eu realmente precisava de você.
Então pode chamar isso de superstição boba, cara; só não vá, beleza? Pelo menos fique por perto nos primeiros minutos.
Ele suspirou com uma resignação elaborada, mas eu sabia que ele ficaria. Jogamos mais meia partida, e então, quando a campainha tocou, me levantei e fui atender a porta.
— Olá, Ângela.
— Oi, Nicolas. - Disse ela timidamente. Ela estava tão linda que eu tive vontade de agarrá-la, mas me contive. Usava uma saia branca e uma blusa leve sem mangas, com um decote discreto. Muito atraente, mas nada provocante ou vulgar. E o cabelo dela estava brilhante e deslumbrante. Ela não era uma beleza do mesmo nível que a Jane, mas não me importava, ela estava linda.
—Oi, Davi. - Disse ela, dando-lhe um sorriso ao entrar na sala. Ele se levantou e lhe deu um beijo na bochecha.
— Oi, Ângela.
— Pedi ao Davi que ficasse enquanto conversávamos, pelo menos por um tempinho.
— Nicolas, não me importa quem esteja aqui para me ouvir pedir desculpas, eu vou fazer isso de qualquer maneira. Eu sinto muito mesmo...
—Shhh. - Interrompi-a. — Eu sei que você está arrependida. Você disse isso quando conversamos na sua casa e já disse isso em quantas mensagens de texto desde então? Sorri para ela.
— Então vamos falar sobre o que vem depois do 'desculpe'. Primeiro eu, depois você, ok?
Ângela assentiu com a cabeça.
— Certo. Número um: de novo! Eu e a Jane não temos mais nada. Acabou. Terminou. Nem a odeio tanto quanto antes, mas nunca mais vamos voltar. Entendeu? Já é passado.
Ângela assentiu novamente, com um leve sorriso surgindo em seus lábios.
— Então, em segundo lugar, qualquer coisa que você e eu decidirmos que queremos, diz respeito apenas a nós dois, todas as promessas feitas à Jane estão anuladas. Ela está fora de questão. Você concorda com isso?
— Sim, Nicolas. - Disse ela, com um tom de voz um pouco tímido.
— Agora, vamos ao número três. Você me magoou muito, Ângela. Depois do que a Jane fez, a última coisa que eu precisava era me apaixonar por outra pessoa que fosse me enganar, você entende?
— Claro que sim, Nicolas, e tenho muita vergonha disso...
Espere um minuto. Você disse 'se apaixonar por'? - Ela olhou para mim, e um sorriso começou a surgir.
—Sim. - Respondi, sorrindo para ela. — Você tem algum problema com isso?
— Não, querido, não tenho problema nenhum com isso. Acho que a reciproca é verdadeira!
Olhei para Davi e lhe dei uma piscadela. Ele olhou para mim e para Ângela por mais um instante, apreciando nossos sorrisos; depois acenou para mim e foi em direção à porta.
Fui até Ângela e a ajudei delicadamente a se levantar. — Nesse caso, acho que você me deve uma, por uma noite bastante interrompida. - Dei-lhe um beijo, e ela me abraçou pelo pescoço e me puxou para perto com força.
Você já sabe como é, né? Difícil descrever em palavras. Beijos, línguas, roupas voando, ela me arrasta para o sofá...
Não estou dizendo que não foi ótimo. Na verdade, estou dizendo que FOI ótimo. Foi fantástico, especialmente por ser a primeira vez.
Eu não ficava tão excitado desde os meus 16 anos, quando toquei nos seios relativamente pequenos de uma amiga, pela primeira vez.
Bem, na verdade, eu provavelmente fiquei tão animado assim na primeira vez que transei com a Jane também, mas com certeza não estava pensando nisso naquele momento. De qualquer forma, eu e a Ângela estávamos nus no sofá em questão de dois minutos; e eu estava dentro dela trinta segundos depois; e estávamos transando com força, nos beijando, sussurrando um para o outro, e havia lágrimas em suas bochechas; e ela dizia "sim, meu bem, sim, meu bem" repetidamente; e quando gozei, foi como estar no paraíso. Parecia que mil demônios saiam pela ponta do meu pênis, me trazendo um alivio e de volta ao paraíso.
Na verdade, é sobre a segunda vez que quero te contar. Quando terminamos de fazer amor pela primeira vez e, caramba, parecia mesmo que estávamos fazendo amor, não apenas transando, ficamos deitados juntos e rimos um pouco. Depois, nos levantamos, deixando nossas roupas no chão, e eu a conduzi pela mão até a cozinha.
Pegamos um pouco de salame, pão e queijo, e uma garrafa de champanhe que eu tinha na geladeira há séculos, desde muito antes de Jane ir embora, e subimos para o meu quarto de verdade, aquele em que eu realmente dormia. E nos deitamos, comemos, bebemos, rimos mais um pouco e aproveitamos aquela sensação de leveza que uma garrafa de champanhe compartilhada pode proporcionar.
E então fizemos isso uma segunda vez, e essa foi a mágica.
Ângela deitou-se de bruços e eu a massageei e acariciei por todo o corpo, com movimentos longos e suaves, do pescoço até as costas e dos pés até sua linda bunda. Dediquei meu tempo a ela, deixando-a relaxar e aproveitar, com um ocasional "mmm" ou um suspiro de prazer.
Então, pedi que ela se virasse e a acariciei pela frente, evitando seus lindos seios e sua vagina até o final, apenas passando as mãos pelos seus braços, ao redor do peito e da barriga, depois pelas pernas e coxas. Eu sabia que ela estava adorando, tanto pelo sorriso no rosto quanto pelo cheiro de excitação que ficava cada vez mais forte.
Então, fiz amor com seus seios, com meus dedos e lábios, até que ela estivesse respirando com dificuldade e pronta para o orgasmo. E deixei minhas mãos lá enquanto deslizava minha boca para dentro de sua vagina molhada, beijei, lambi e provoquei, e então finalmente suguei seu clitóris para dentro da minha boca e o lambi enquanto ainda beliscava seus mamilos, e todo o seu corpo se elevou a um clímax explosivo e seus quadris se ergueram em minha direção e...
Depois de se recuperar do orgasmo, Ângela olhou para mim com olhos sonhadores e disse: —Sobe aqui, você. - Ela me puxou delicadamente para cima do seu corpo e, sem esperar mais, eu a penetrei lentamente.
Tivemos uma transa longa, lenta e absolutamente deliciosa. Eu me lembrava vagamente de ter feito isso com a Jane, no início do nosso relacionamento: eu entrando e saindo, com facilidade, sem pressa, variando o ritmo e a profundidade.
Ângela e eu nos olhamos, nos beijamos, eu apoiei a cabeça no ombro dela e beijei seu pescoço e continuamos assim, sem parar. Foi íntimo e doce, muito mais parecido com fazer amor do que simplesmente transar. Durante aqueles minutos, tudo, exceto o prazer do corpo da Ângela, foi esquecido, ficou bem distante, eu estava tão feliz quanto jamais estive. Sem a preocupação se eu era mais ou menos merecedor do seu amor, como aconteceu comigo no início com a Jane. E em meio a pensamentos e devaneios, perdi a noção do tempo, mas finalmente Ângela começou a empurrar os quadris para cima de mim com mais energia e sussurrou: “Vamos lá, querido, goze para mim! ” - E eu finalmente acelerei e gozei com força, gozei loucamente, ofegando, enquanto ela gritava e me puxava para perto com força, seus braços apertando meu corpo até me deixar sem ar.
Então nos beijamos, sorrimos e dormimos um pouco.
Só então conversamos.
— Isso foi ao contrário, sabia, Ângela? - Eu disse a ela. Eu estava sentado na cama, com dois travesseiros atrás das costas, e ela estava deitada meio em cima de mim, com a cabeça no meu peito, brincando distraidamente com os pelos do meu peito.
— Hum?
— Quer dizer, nós fizemos isso primeiro, e agora temos que falar sobre o que isso significou.
De repente, ela puxou com força os pelos do meu peito e riu quando eu gritei e tirei a mão dela.
— Bem, acho que não vai demorar muito para falarmos sobre o que isso significou, pelo menos para mim.
— Ah, é? - Eu disse.
Sem olhar para mim, ela continuou: — O que isso significou para mim é que estou louca por você, Nicolas. Comecei a me sentir assim lá pela terceira ou quarta vez que saímos juntos, e esse sentimento só tem ficado cada vez mais forte.
Se não fosse por Jane e pela minha promessa a ela, se eu só tivesse pensado em mim, eu já teria te arrastado para a cama há semanas.
Então ela se sentou e olhou diretamente nos meus olhos. — Eu não quero te dizer que estou apaixonada por você, mas é principalmente porque não quero te assustar.
Mas eu vou te dizer que você significa muito para mim, e pretendo garantir que você saiba disso. - E ela me beijou suavemente, olhando-me nos olhos com seriedade.
— Certo, Ângela. Agora é minha vez. Eu também sou louco por você. Mas também estou saindo de um relacionamento bem doloroso e destrutivo, e pode ser que eu ainda tenha alguns problemas de confiança. - Ela me cutucou nas costelas e eu dei um tapa na bunda dela.
— Eu sei por que você fez o que fez e graças a Deus você nos impediu naquela noite e foi honesta o suficiente para me explicar tudo. Mas vai levar um tempo, talvez muito tempo, para eu sentir que posso realmente confiar em você.
De qualquer forma, talvez demorasse bastante, depois do que a Jane fez. Mas essa história de dormir comigo para a Jane me reconquistar...
— Escuta, você precisa ver uma coisa. - Saí da cama e a puxei comigo. Nus, de mãos dadas, caminhamos pelo corredor e paramos diante da porta fechada do antigo quarto que dividia com Jane.
— Lá dentro é uma espécie de relicário do holocausto, que demonstra o quão perturbado e furioso eu sou capaz de ficar. Você não deveria se iludir a meu respeito.
Abri a porta e fiz um gesto para que ela entrasse. Depois, voltei para a cama e fiquei sentado esperando que ela retornasse.
Após alguns minutos, Ângela voltou para o quarto, com o rosto sério. Sem dizer uma palavra, deitou-se na cama e se aconchegou contra mim, se remexendo até ficarmos o mais juntinhos possível.
Ela sussurrou no meu ombro: — Sinto muito pelo que ela fez com você!
Então ela se sentou. — E eu sinto muito pelo que quase fiz com você, me dói muito pensar que eu poderia ter te perdido daquele jeito.
— Pois é, você não fez isso. - Eu disse com voz rouca, sentindo um nó na garganta. — E se você jogar bem as suas cartas, não vai fazer. - Puxei-a para perto de mim e a beijei suavemente.
Acreditem ou não! Justo naquele momento, o maldito telefone tocou. Resmungando um palavrão, atendi.
— Alô? Ah, oi mãe. Olha, não posso falar agora, preciso te ligar depois. - Com um sorriso para Ângela, desliguei o telefone.
Epilogo:
Ângela, através de uma amiga em comum com Jane, as vezes ficava sabendo um pouco sobre a vida de Jane, mesmo depois de um ano da nossa última conversa, ela ainda não havia se acertado, entrava e saia de relacionamentos mais rápido do que trocar de roupa, essa amiga da Ângela disse que ela estava entrando em depressão, e que nunca superou a perda do marido.
Minha mãe, raramente me liga, as vezes eu ligo ou passo na casa dela pra ver como ela está, más não tocamos mais no assunto “Jane”.
Vendi a casa e compramos outra onde começamos nossa vida juntos agora como um casal e com planos de aumentar a família, ao menos estamos ensaiando muuuuito.
Fim.