Texto corrigido.
Depois dessa visita nada agradável do Doutor Leonardo, peguei o bendito papel assinado por ele e o pus no arquivo, além de digitalizá-lo para o meu computador — assim, eu teria uma cópia online do documento. Apesar desse pequeno inconveniente, meu dia ocorreu bem e sem mais problemas.
Estava chegando ao fim do meu plantão de 16 horas; então, rapidamente comecei a anotar tudo para passar para o meu colega que pegava o expediente às 7h, além de fazer uma pequena nota mental de relatar o acontecido ao meu chefe na reunião semanal dos enfermeiros. Queria deixar registrado que me opus a essa verdadeira bagunça que o doutor impôs, deixando claro o meu descontentamento com as ações dele. Quando o plantão chegou ao fim, consegui passá-lo com muito menos problemas do que quando o peguei, além de antecipar muitas coisas para o plantonista seguinte. Fiquei contente com os resultados obtidos pela equipe e os parabenizei pelo esforço feito. Tudo feito conforme dita a regra, comecei meu caminho em direção à minha adorada casa e à minha adorada cama, comprada com muito esforço e sacrifício.
Já no estacionamento do hospital, vejo uma cena que me deixa louco de ódio e com todos os sentimentos ruins que vocês consigam imaginar. Vejo o "Doutor Chocolate" se agarrando, adivinhem com quem? Com a sirigaita da Alice! Em plena luz do dia, em um canto afastado da saída do hospital. Apesar de estar morto de ódio, faço-me de bobo e, de propósito, passo bem perto deles, fazendo bastante barulho para que possam me notar. Assim que a Alice me nota, ela se afasta dele e começa a fingir que não estavam fazendo nada demais, como se aquilo fosse normal. Ele, quando percebe a atitude dela, nota-me, sorri e ainda faz questão de me mandar um "oi".
Embora eu não tenha nada contra eles e aquilo que estão fazendo, fico chateado, pois já vi isso milhares de vezes e sempre acaba dando mal para o lado mais fraco — ou seja, ela mesma. E isso acaba manchando o nome da profissão, dando a ideia de que a enfermagem é uma ciência menos séria ou até mesmo uma profissão que não mereça os devidos reconhecimentos de direito. Continuo meu caminho para o ponto de ônibus normalmente; ao chegar lá, compro uma Coca e uma coxinha da tia que vende salgados e guloseimas, para matar essa minha fome de leão pré-histórico. Quando acabo de comer, o ônibus chega lotado de gente. Correndo e me espremendo o máximo que posso, consigo entrar e, por milagre, acho um lugar bem no finalzinho dele.
Lar, doce lar! Não existe coisa melhor nesse mundo do que a casa da gente. Assim que entro, corro para o chuveiro para tomar um bom banho e finalmente dormir em paz. Quem trabalha 16 horas tem direito a um dia de descanso, e é exatamente isso que eu aproveito. Neste dia de folga, só faço duas coisas: comer e dormir. Eu sei, minha vida não é muito entusiasmante, mas é assim que eu gosto. E também não tenho muito tempo, pois estou fazendo um mestrado, e, meus irmãos, isso é difícil pra caramba!
Rapidamente o dia passou, logo depois a semana, e finalmente havia chegado o dia da reunião dos enfermeiros. Aqui estou eu, junto com meus colegas, na sala da chefe que me causa um medo danado.
— Bom dia, gente. Hoje vamos começar com os relatórios da semana do pessoal, depois falaremos dos problemas das equipes e, por fim, de orçamento. Sei que alguns de vocês têm reclamações sobre algumas coisas.
Gelei na hora, pois a chefe é famosa no mundo da enfermagem por ser implacável e uma das melhores profissionais do ramo. Vou descrever a minha *boss* para vocês: ela deve ter 1,80 m bem distribuídos, um cabelo loiro de tirar o chapéu e uma voz que passa de amável com os pacientes a horripilante quando necessário com o seu pessoal. Como eu sei disso? Ela já foi minha professora na faculdade e, acreditem, ela é a melhor professora que se pode ter na área.
Depois que duas colegas relataram os casos de suas equipes e setores, foi a minha vez.
— Chefe, na minha primeira semana ocorreu um caso bastante constrangedor e eu gostaria de falar a sós, se possível, para evitar constrangimentos e mais problemas. No quesito equipe, eu amei a minha e adotei alguns métodos para premiar alguns e auxiliar outros que têm mais dificuldades.
Assim que disse isso, minha chefe, que se chama Rosa, olhou para mim com orgulho e disse "ok", além de pedir para eu explicar esse método aos outros colegas. No fim da reunião, expliquei o acontecido a ela, sem mencionar o que vi na saída do hospital, porque aquilo não era da minha conta.
— Olhe, Hennry, é melhor você deixar isso para lá. Aquele garoto age assim mesmo e ninguém pode fazer nada. Um conselho de uma profissional: fique longe dele.
— Ok.
Assim que saí da reunião, fui para a sala conversar com o meu *staff*, para explicar o novo método e distribuir a escala nova, deixando claro que ninguém iria sair prejudicado. Como eu imaginei, eles logo ficaram entusiasmados e correram para fazer suas tarefas para ganhar o prêmio. Ninguém sabia ao certo qual seria o prêmio, mas fiz questão de preparar algo bom para eles, pois eram maravilhosos. O Doutor Chocolate me viu algumas vezes no corredor e fez questão de me ignorar, e eu também não me importei muito, pois estava sempre na correria.
Em um determinado dia, peguei um plantão noturno e fui ajudar justamente no bloco cirúrgico, porque o enfermeiro daquele plantão passou mal e não pôde ir, além de todos os outros estarem ocupados. A noite até que estava tranquila, por assim dizer, até que meu telefone tocou avisando que estavam chegando vítimas de um acidente de ônibus e que todas as salas deveriam ser reservadas em caso de necessidade cirúrgica. Mais rápido que um raio, liguei para o hemocentro avisando e deixando todos preparados, mandei alguns técnicos para a entrada para auxiliar os médicos e deixei todos em alerta.
Infelizmente, não consegui contato com o Doutor Chocolate, mas eu sabia que ele estava de plantão — pois essa é a minha função: saber de tudo e manter tudo em ordem. Corri para ver se ele não estava na sala do *staff* médico e, assim que abri a porta, vi-o de calças arriadas e a Alice ajoelhada. Não foi de propósito, mas assim que vi, falei: *"Oh meu Deus!"*. Ele se virou, deixando aquele pedaço de carne — que deveria medir uns 26 cm na época — bem na frente dos meus olhos. Rapidamente, cobri os olhos, virei as costas encostando a porta e fui em direção ao bloco conferir se tudo estava *ok*.