A NEVASCA DO SÉCULO - 3 - IDIOTA!

Um conto erótico de Escrevo Amor
Categoria: Gay
Contém 1708 palavras
Data: 20/02/2023 20:41:56

FIO FELIZ QUE ESTEJAM GOSTANDO. ESTOU RESPONDENDO AOS COMENTÁRIOS, ENTÃO, SE TIVER ALGUMA PERGUNTA SEJA SOBRE ESSA HISTÓRIA OU ALGUMA ANTERIOR, EU FICAREI FELIZ EM RESPONDER. LEGAL, QUE O CASA DOS CONTOS ESTÁ FICANDO MAIS INTERATIVO. SEMPRE POSTO NESSA PLATAFOMA, PRINCIPALMENTE, PELAS PESSOAS QUE JÁ ME SEGUEM. POR FAVOR, COMENTE E CURTA ESSA HISTÓRIA. ABRAÇOS E BOM CARNAVAL. E LEMBREM-SE, SE BEBER, POR FAVOR, NÃO DIRIJA. SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR, CAMISINHA TAMBÉM!

***

Moro na rua Riley. Aqui passei por bons e maus momentos. O Jake dirige com cuidado, pois algumas partes da rua estão congeladas. Segundo o meu vizinho, vamos para o Parque Lasalle, que fica próximo ao recife de Horseshoe, um dos pontos turísticos desta cidade.

Para quebrar o silêncio, eu ligo o rádio, mas tudo o que vem são notícias e alertas sobre a tempestade Elliot. Depois do clima estranho de ontem, o Jake está mais reservado. Será que eu entendi os sinais errados? Acho que eu estraguei a amizade que estávamos tentando reaver.

— Frio, né? — questiono no intuito de quebrar o silêncio.

— É o inverno mais rigoroso. Faz sentido a temperatura baixa. Se quiser eu aumento o aquecedor. — ele responde sem tirar os olhos do trânsito.

— Ok.

— Er, Mark...

— eu?

— Sobre ontem, eu queria te pedir desculpas. Às vezes, eu sou muito impulsivo.

— Tudo bem, Jake. Não aconteceu nada demais. — olho pela janela e desejo sumir.

O trânsito estava tranquilo. As pessoas estavam preocupadas com o perigo iminente da tempestade Elliot. O cenário é bucólico e vou contemplando pela janela do carro. O Jake não diz mais nada, apenas presta atenção no trajeto e cantarola a canção natalina que toca no sistema de som.

Passamos por vários lugares conhecidos, mas que devido ao inverno estão fechados. A Mister Sizzle's, a minha lanchonete favorita da região está atendendo no sistema de delivery, então, pedimos batatas fritas e chocolate quente. Eu sei, parece terrível, porém, é saboroso.

O frio faz as bochechas do Jake ficarem rosadas e a sua respiração descompassada me deixa cada vez mais apaixonado, mesmo sabendo que ele já tem alguém e, que vou, provavelmente, conhecer a pessoa em questão. Será um nerd da MIT?

Com o ciúme (de algo que não é meu) eu tomo chocolate quente em um gole rápido e queimo a língua. Tento disfarçar a dor, mas não tive sucesso, pois o Jake solta uma risada e deixa o seu copo no descanso do carro.

Conforme chegamos próximos do Recife de Horseshoe o vento fica mais violento. Em alguns momentos, o carro patina na pista, só que o Jake tira de letra. Ele sempre foi um motorista melhor do que eu. Na realidade, eu continuo horrível no volante, não enfrentaria essa tormenta toda.

— Uê. — solto ao perceber que estamos estacionando na Universidade de D'Youville. — Não vamos ao Parque Lassale?

— Fica ali do outro lado, mas vou encontrar uma pessoa aqui na Universidade. — Jake explica, antes de tirar o cinto de segurança e sair do carro. — Vamos.

— Ok. — o sigo para dentro do prédio.

Obrigado, calefação. Essa cidade está maluca por causa do frio. Tiro as luvas, mas mantenho o casaco no corpo. Acompanho o Jake, que manda mensagem no celular. É a primeira vez que estou neste prédio, por isso, não tenho noção para onde estamos indo.

De repente, o Jake grita um nome irreconhecível e corre na direção de um rapaz. Eles se abraçam e conversam de uma maneira em que eu nunca vi o Jake conversando com outra pessoa, nem comigo. Eu fico sobrando, mas logo o garoto nota a minha presença.

— Mark, esse é o Rayb. O melhor amigo que a MIT me deu. — explica Jake com um sorriso genuíno no rosto.

— Ray...

— Me chamo Raymond Brixton, mas na faculdade o pessoal me chama de Rayb. — ele estende a mão e me cumprimenta.

— Sou Mark Davis...

Rayb é um garoto lindo. Seus olhos são castanhos escuros e a sua pele é negra retinta. Na cabeça, o rapaz ostenta dreads coloridos e algumas tatuagens nos braços. De repente, o seu rosto se ilumina e recebo um abraço apertado. Ok, agora devo estar vermelho pimentão, pois não sou uma pessoa acostumada a abraços.

— Ah, o famoso Mark, também conhecido como o melhor amigo do Jake? — ele pergunta e olho para o Jake, que fica vermelho.

— Eu sou?

— O cara tem uma foto de vocês no nosso dormitório e....

— Tá bom, tá bom. — Jake atrapalha a conversa e nos separa. — Então, descolou um lugar para ficar?

— Cara, esse lugar está uma loucura. Não tem vagas. Acho que vou me mandar. — disse Rayb se asfastando de nós e pegando sua mochila.

— Precisamos fazer o nosso projeto, cara. Pior que a minha casa pegou fogo e...

— Ele pode ficar em casa. — corto Jake e chamo a sua atenção. — Meus pais só voltam em janeiro. Só precisa pedir da sua mãe.

No mesmo momento, o Jake liga para a Sra. Harris e pede para o Rayb ficar em casa durante alguns dias. Ela envia uma mensagem para os meus pais, que dão permissão e adoram a ideia, uma vez que eu não passaria o Natal sozinho. Fora que o melhor amigo do meu melhor amigo tem informações preciosas para mim.

— Vamos para o carro. — anuncia Jake, que vai na frente conversando com seu amigo.

Outra pessoa. Alguém abduziu o Jake Harris e colocou outra pessoa no lugar. Ele e Rayb conversam sobre a MIT, os projetos especiais e a vida de um gênio em uma universidade de gênios. Em alguns momentos, eu preciso forçar um certo entendimento, já que sou um garoto normal.

Com mais um visitante, a mamãe manda uma planilha de todos os alimentos na despensa. Ela é uma controladora e anota tudo o que entra dentro de casa. Temos alimentação para três semanas, então, fico mais tranquilo. Às vezes, ser controlador tem suas vantagens, acho que vou aplicar isso no futuro.

Voltamos para casa, entretanto, o Jake chama o melhor amigo para a sua própria casa. Acho que eles tem coisas de gênios para tratar. Volto para o meu quarto e faço uma chamada de vídeo com a Pam.

— Que é?! — a Pam aparece na câmera com uma bebê no colo e os cabelos castanhos zoados.

— Meu Deus, tá chegando uma nevasca ou um apocalipse zumbi? — questiono segurando o riso.

— Engraçado, nota F. Desembucha. — ela ordena.

— Tenho que falar rápido. — explico, correndo até a porta e verificando se a barra está limpa. — Tá, o Jake me considera o melhor amigo dele. Só que passamos dois anos sem nos falar. Então, eu devo me sentir abandonado ou feliz?

— Cara, sério? — Pam respirou fundo e colocou uma chupeta na boca da irmã, que ameaçava um choro. — Ele era um nerd esquisito, desculpa, mas é a verdade. Eu tive aula de química com ele. Durante o ano letivo, o Jake fez todos os trabalhos sozinho. S-O-Z-I-N-H-O. Ele sabia que éramos amigos e não me ajudou na matéria. Não sou #teamjake.

— Na nossa infância, a gente fazia tudo junto. No ensino fundamental, o Jake sempre me ajudava nas matérias difíceis, até chegou a escrever redações por mim. Só que no ensino médio, as coisas mudaram. Queria entender o motivo. — desabafo para a minha melhor amiga.

— Dramas e mais dramas. Mark, só pergunta. Você gosta do cara. Só não exagera nas fanfics, pelo amor de Cher! — disse Pam, olhando para o lado. — Ei, capeta. Deixa esse jarro no chão. Mark, eu preciso ir. — desligando a chamada.

Vou até o quarto da mamãe. Eu sei que existe um álbum de fotos em algum lugar. A informação da foto continua a martelar em minha cabeça. O closet dos meus pais é gigante, mas eu sei onde eles guardam as fotos.

A caixa dos álbuns é enorme e toda colorida. Eu sento no chão e parece que entro em um túnel do tempo. Como a vida foi generosa comigo. Digamos que não fui uma criança fofa, ao contrário do Jake, que além de inteligente era bonito.

Eu lembro da época em que a Sra. Harris queria colocar o meu amigo em uma competição de beleza. O nome do concurso era 'A criança mais bonita de Buffalo'. Porém, o Jake era genioso e não quis participar.

Lembranças e mais lembranças. Percebo um número grande de fotos com o Jake. Como eu esqueci desses tesouros? A gente no parquinho, cinema, vestidos de animais para o Natal, caçando ovos da páscoa e com os rostos pintados, após uma guerra de tinta.

— Esse dia foi muito divertido. — o Jake senta ao meu lado e não tenho tempo de me recuperar do susto.

— Jaka, cacete. — pego as fotos que deixei cair no chão.

— Desculpa. — pede Jake, pegando as fotos das minhas mãos.

— Jesus, — faço uma pausa dramática. — não ensinam bons modos na MIT? — questiono, arrumando meu cabelo.

— A gente era tão feliz, né? — Jake pergunta, enquanto analisa as fotos.

— Sim. — respondo, porque a gente era feliz. — Eu sou o seu melhor amigo?

— Sim. De Buffalo, você é o meu único e melhor amigo. — ele responde e me olha de maneira diferente.

— E o que aconteceu? Porque você mudou comigo? — quis saber, pois segui o plano de Pam.

— Eu não mudei, Mark. Você mudou. Passou a andar com as pessoas populares. A se enturmar. Eu senti que estava atrapalhando. — Jake revela e me deixa muito incomodado.

— Eu fiz novas amizades, mas nunca te deixei para trás. Você que se afastou. Sempre te procurei, sempre insisti. Então, achei que o culpado era eu. Caramba, Jake, você foi embora sem se despedir. — disse e, por algum motivo idiota, começo a chorar.

Para deixar tudo ainda mais tranquilo, eu sai correndo para o meu quarto. Que adulto, Mark. Eu sou o cara mais idiota do mundo. Eu sou idiota.

"Por favor, se você pode ficar em casa evite transitar nas ruas. Na véspera de Natal, o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos prevê que vários Estados batam recordes de baixas temperaturas.

As autoridades já começaram a orientar pessoas em situação de ruas sobre os diversos abrigos da cidade. A tempestade Elliot vai intensificar a temperatura com rapidez, com a pressão atmosférica no seu centro caindo pelo menos 24 milibares em 24 horas", explica a jornalista, que se encontra em um dos abrigos da cidade.

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Comentários

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Mark é meio dramático mas faz parte. Já Jake, não sei se pela inteligência ou característica de personalidade, é mais centrado e direto em suas colocações...

Amando!

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nada com a verdade em falar o que sente, respeito ao sentimento do outro e aprender a viver sem julgamentos alheios.

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Está história promete, já com a caixa de lenços nas mãos. Primeiro amor sempre marca, né?

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