Laços Do Destino - Capítulo 41: Despedida

Um conto erótico de Daniel R.M
Categoria: Homossexual
Contém 1412 palavras
Data: 30/01/2018 00:17:26

Acordei no outro dia todo cheio de fios. E irritado, eu estava em um quarto de hospital, e o pior, eles me tratavam como se eu estivesse a ponto de morrer.

— Precisa disso tudo doutora?

— Sim, é só pra alguns testes.

— Não lembro de ter virado cobaia. — Cruzei os braços zangado. A médica sorriu.

— Bom, já que você está de mal humor não vou permir você ter visitas.

— Não, por favor, alguém veio me ver?

— Ah sim, um homem muito mal-humorado está lá fora, o nome dele é Pablo. — Eu sorri.

— Deixe eu ver ele, por favor.

— Tá bem.

— Doutora, o que aconteceu com o outro garoto que veio comigo?

— Ele está bem, dei alta pra ele a alguns minutos. — Eu fiquei mais irritado agora, Robert estava pior que eu.

— E quando eu saio daqui?

— Eu vou cuidar disso garoto mal-humorado. — Ela saiu pela porta. Eu relaxei, em minutos Pablo entraria por aquela porta e vai me matar.

— Vítor Junior Oliveira Ramos.

— Eu mesmo. — Sorri para ele.

— O que deu na sua cabeça de me trancar no banheiro e roubar meu carro?

— Eu agradeço se você puder se acalmar. — Pablo andava de um lado para o outro. — Eu não tive escolha, Katarina não queria que você fosse.

— E o que aconteceu?

— Bem, como você vê eu levei um tiro, e ela esta morta. — Pablo olhou para minha cara espantado. — Não, eu não matei ela, Berta a matou.

— Berta? Eu nunca pensei que ela pudesse ser perigosa. — Pablo se sentou na cama. — Mas que bom que você está bem, e Robert?

— Ele ganhou alta. Eu quero sair daqui também. — Resmunguei.

— Seus pais estão atrás de você, o que vamos fazer com a sua perna?

— Posso falar que cai. — Pensei, meus pais iriam achar isso muito normal, ainda mais porque eles conhecem o filho deles tão bem. A porta foi aberta e a médica entrou sorridente.

— Boas notícias, você já pode ir embora. Vai ter que usar muleta.

— Tudo bem, eu só quero sair daqui. — Sorri.

— Vamos lá. — Pablo me ajudou a ficar de pé, eu me vesti e sai do quarto feliz. Fiquei no hospital apenas um dia, mas foi mais que suficiente pra mim. Dentro do carro Pablo não parou de falar comigo.

— Olha vamos ter que ajudar Berta, ela não pode ficar sem defesa.

— Eu sei, eu prometi a ela, e tenho medo dela querer se vingar se eu não cumprir a promessa. — Rimos.

— O que Katarina te disse?

— Que você e Robert tiveram um caso. — Eu olhei para minhas mãos, eu não queria causar uma confusão entre nós dois, no fim eu não ligo para oque ele foi no passado, ou com quem esteve.

— Oh, eu devia ter contado.

— Não, tudo bem, eu não ligo.

— Eu sei, mas mesmo assim, devia ter contado pra você não ter sido pego de surpresa. — Eu fiquei calado, na verdade não queria ouvir ele falar, eu não ia gostar, eu sinto um cíume tão grande que me da raiva quando Pablo fala que já estave com outros. Eu fechei os olhos. — Quer que eu te leve pra sua casa?

— Por favor, eu preciso de um banho e tirar toda essa sujeira do meu corpo.

— Tudo bem.

Eu ainda precisava ver Robert, saber como ele está e me pedir desculpas, ele não devia ter entrado nessa fria por minha causa.

Pablo me deixou em casa e foi embora sem falar comigo, acho que ficou um clima pesado entre nós.

— Meu filho, a onde você estava? — Minha mãe apareceu.

— Eu estava com Pablo.

— O que aconteceu com a sua perna? — Ela me ajudou a me sentar no sofá.

— Eu torci o tornozelo, sabe como eu sou, escorreguei da escada de Pablo. — Ela me olhou me reprovando. E se sentou do meu lado.

— Lembra de quando você falava que preferia morrer a ter que ficar com seu primo? — Eu ri.

— Sim, lembro, estranho como tudo pode ter mudado em dois anos.

— Ah sim filho, as coisas mudam de uma hora para outra, é difícil não se perder. Olhe você agora, parece que foi ontem que você tinha 8 anos e corria por ai, e agora está um homem maravilhoso, e feliz, você é feliz não é? — Olhei para minha mãe, ela estava sorrindo. Então lembrei dos momentos que tive com Marta, da vez que estávamos comprando roupas, e nos divertimos. Lembrei dos momentos com Edy, da primeira vez que ele me deu um gole de vodka e riu quando eu cuspi tudo. Me lembrei de Carlos e de todos os momentos que tivemos antes de tudo ter caído por terra. Lembrei de Beto, e na forma que ele me irritava mas mesmo assim me deixava feliz. E lembrei de Pablo, que sorria toda vez que me via. Sim eu era feliz, eu era muito feliz.

— Eu sou o garoto mais feliz da terra. — Minha mãe sorriu e saiu da sala. Subi para meu quarto e fui tomar uma banho, foi difícil me equilibrar com uma das pernas, mas eu consegui rindo da minha própria disgraça.

°°°

Fui até a casa de Robert, peguei o carro do meu pai emprestado, que me reprovava por nunca ter comprado um carro pra mim com todo o dinheiro que eu tenho. Ele não é chato, ele apenas tem cíumes do seu carro. Uma vez ele quase me bateu por eu ter falado mal do carro dele, e que iria o jogar no lixo. Eu tive que dormir na casa de Pablo esse dia.

Bati na porta e não demorou para ela ser aberta por Robert, ele deu o sorriso que eu mais amava, toda vez que ele me via.

— Posso entrar?

— Claro, quer ajuda?

— Robert, eu tô de muleta, eu não tô aleijado.

— Ah sim, desculpa. — Rimos.

— Tenho tanto pra te dizer, tanto pra me desculpar, eu não queria que você tivesse nessa situação.

— Tudo bem Vítor, acabou, tudo está bem agora. — Robert me levou até sua sala.

— O que aconteceu com você? Quando eu encontrei você. — Eu queria esquecer a cena. — Você estava acorrentado.

— Ah sim, Katarina fez um pequeno show de tortura comigo. Ela é muito doente. — Eu fiquei feliz por ter livrado ela da sociedade. — Ela me disse muitas coisas, uma delas é que ela matou Carlos.

— O que?

— Sim, parece que eles tinham um acordo, Vítor, Carlos tinha que ter te matado quando te sequestrou. Mas ele não fez, e isso deixou Katarina irritada.

— Então, eu tenho que agradecer por Carlos ter me amado. — Rimos. Robert tinha alguns hematomas roxos na pele, ele estava cansado. Fiquei com pena dele.

— Eu vou ficar bem.

— E agora, o que vai fazer?

— Continuar com meus planos, eu vou embora. — Ele sorriu e pegou minha mão. — Eu sei que não era isso que você queria.

— Sim, mas eu não posso fazer com que você fique só porque eu desejo isso. Espero que você seja feliz, mesmo. — Ele me abraçou. Eu me senti protegido e em paz.

— E eu vou hoje mesmo, não quero mais adiar. Essa é uma despedida.

— Tudo bem, eu não vou chorar. — Ele sorriu e segurou meu rosto.

— Você é o cara mais corajoso que eu conheci, não se esqueça disso, você foi atrás de mim, para me salvar, foi contra tudo. Eu sou grato por isso. — Eu não disse nada, também não precisei dizer. Robert conhecia meu coração.

Era a noite quando ele terminou de colocar as malas dele no carro. Eu segurei o máximo a vontade de chorar, Robert foi uma das pessoas mais especiais que já cruzaram a minha vida.

— Talvez em outra vida eu seria seu garoto, eu pegaria sua mão e pediria para você ficar.

— Vítor, o que ainda faz aqui? Acabou, é hora de você voltar para o Pablo, ele pode ser o cara mais filho da mãe do mundo, porém, ele é seu garoto perfeito. — Eu fiquei vermelho.

— Me promete que vai voltar para me ver, por favor. — Ele pegou minhas mãos e as beijou.

— Eu volto sim. — Eu o abraçei, nosso último abraço. E ele se foi. Fiquei esperando o carro dele sumir da minha vista.

Entrei no carro e liguei o rádio, estava tocando uma música, uma bela música sobre recomeços, e como eles são importantes. E nessa noite eu estava recomeçando outra vez, mas agora sem nenhum obstáculo no meu caminho.

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Adeus Rob,vai ficar sempre nas nossas lembranças. 😢.

E Laços do destino está na sua reta final, estou feliz e triste com isso, eu amei escrever essa história. ❤❤

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Comentários

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AINDA EXISTE O PAI DE PABLO. POBRE ROBERT. MERECE SER FELIZ.

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E eu tbm, estou triste com o fim... Tem que contar o depois de tudo fazer a parte II..rs

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