Casa dos Contos Eróticos

Mais que amizade - III

Autor: Rodrigo
Categoria: Homossexual
Data: 18/06/2017 18:39:17
Nota 8.00
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Capitulo três

Renan

Rodrigo 15 anos

Foi a melhor noite de toda a minha vida. Sua cabeça permaneceu repousada em meu peito nu durante toda a noite e sua mão estava em meu abdômen me aquecendo naquela noite gélida de inverno. Lembro-me de ter dormido assim com Renan, mas nunca tinha sido tão bom quanto dormir com Caio. Não queria pensar nele, mas era inevitável naquele momento em que eu acabara de me deitar com outro homem novamente.

Conheci Renan através de seu irmão Yago, meu antigo professor de Muay thai. Renan era irmão mais velho de Renan e o conheci um dia em que Renan veio trazer o celular que o irmão esqueceu em casa. Estávamos todos em aula quando ele entrou com seu cabelo curto embaixo do boné aba reta. Sua pele era bem morena e ele tinha um corpo magro, porém definido que me chamou logo a atenção. Ele era mais velho do que eu, bem mais velho, tinha vinte e dois anos enquanto eu tinha quatorze anos quando o vi. Renan percebeu que eu não desgrudava os olhos dele e sorriu para mim de forma maliciosa enquanto se dirigia a saída. Lembro-me de ter corado como um tomate olhado em volta em busca de algum lugar para me esconder. Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas não me importava desde que eu visse aquele garoto novamente.

Depois disso ele veio outras muitas vezes e sempre olhava diretamente para mim só para me deliciar com aquele sorriso lindo que me fazia corar. Achava presunção demais achar que ele passou a vir as aulas só para me ver, mas o fato era que em um ano e meio de aula eu nunca o vi e em menos de um mês ele já tinha aparecido em cinco aulas minhas. Será que isso significava algo?

Lembro-me da primeira vez que me masturbei pensando nele. Foi no banheiro de casa logo após a aula de Mauy thai. Era um dia quente e ele apareceu sem camisa revelando aquela pele marrom e aqueles gominhos em seu abdômen que fizeram com que meu rosto queimasse como uma fogueira e senti meu pau endurecer de tesão com aquilo. Ele sorriu para mim e mordeu ligeiramente os lábios carnudos. Naquele dia no banho eu comecei a pensar em seu corpo enquanto passava sabonete em mim. Sorria imaginando como seria toca-lo e acariciar aquele abdômen sarado. Eu estava excitado demais e meu pau latejava imaginando aquele homem lindo e quando percebi estava tocando punheta imaginando o copo dele nu diante te mim. Foi naquele dia que eu percebi verdadeiramente que eu era gay, mas não me importei. Só o que eu queria era aquele homem para mim.

– Ei? – ouvi uma voz chamar naquele sábado quando voltava do meu curso de inglês.

Me virei e lá estava ele vindo em minha direção correndo com aquele sorriso lindo que me deixava corado.

– O-o-oi – gaguejei de nervosismo.

– Você é um dos alunos do meu irmão, não é? – ele perguntou como se para ter certeza de algo que com certeza ele já sabia muito bem – Eu te vi na última aula dele.

– So-sou – respondi corando feito um camarão – Me chamo Rodrigo.

– Prazer Rodrigo, me Chamo Renan. Sabe, eu estava indo tomar um sorvete, se quiser me acompanhar? – ele sorria lindamente – Para conversar.

Ouvi milhares de vezes para não falar com estranhos e nem aceitar nada de estranhos e sempre segui isso à risca, mas era impossível recusar o convite de Renan, mesmo que eu quisesse. Ele ainda não sabia, mas era capaz de me controlar de tal forma que eu faria tudo o que ele me mandasse.

E foi assim que conversei com ele pela primeira vez. Renan foi um fofo, coutou histórias engraçadas e divertidas que me fizeram rir com vontade enquanto tomávamos sorvete no shopping. Até limpou minha boca com o guardanapo deixando escapar como eu era bonito e me lembro de ter ficado tão lisonjeado e envergonhado ao mesmo tempo que quase derrubei todo o sorvete na mesa.

Fui para casa naquela tarde tão feliz que nem me importei com a bronca que recebi dos meus pais por ter chegado tarde em casa. Naturalmente eu não contei a verdade sobre o que fiz naquele dia e contei que depois do curso dei uma volta com alguns colegas no shopping.

Passamos a nos encontrar todos os dias. Ele me acompanhava da escola para casa sempre com aquele jeito simpático me fazendo diversos elogios que me faziam ficar cada dia mais apaixonado por ele. Renan foi um cavalheiro e durante todo esse tempo não tentou nada comigo, pois imaginava que eu não estaria pronto. Lembro que foi numa sexta em que ele se ofereceu para me levar da escola para a aula de Muay thai que nosso primeiro beijo aconteceu. Foi dentro de seu carro no momento em que estacionamos em frente a academia de artes márcias.

– Você é tão lindo, Drigo – Disse me chamando por aquele apelido carinhoso que eu gostada. Com a mão direita acariciou as maçãs do meu rosto e eu fitei seus olhos castanhos que transbordavam de desejo.

– Você também – sussurrei de forma quase inaudível.

Ele sorriu e repousou os lábios macios e gentis sobre os meus. Aquele foi o meu primeiro beijo e lembro de ter sido magico até que pela primeira vez ele foi longe demais. Sua mão passou pelo meu corpo até meu short que ele forçou para baixo tentando tira-lo.

– Aqui não, Renan – disse virando o rosto para que ele parasse de me beijar.

– Relaxa gostoso – ele murmurou de volta colocando um dedo em meu cu com certa violência.

Eu sabia que não tinha chance contra ele até que alguém bateu na janela do carro fazendo com que Renan me soltasse sobressaltado. Olhamos para janela e nos deparamos com Yago que não parecia muito contende.

– Vim dar uma carona para seu aluno – Renan disse ao irmão quando abriu a janela.

– Pelo visto foi mais do que carona – disse parecendo furioso – Já para dentro Rodrigo – Ordenou-me.

Ajeitei meu short e sai do carro o mais rápido possível sentindo-me completamente envergonhado por meu professor ter testemunhado aquilo. Entrei na academia onde alguns alunos já tinham chegado, e os cumprimentei tentando parecer que estava tudo bem apesar da vergonha e do meu coração acelerado. Olhei pela porta de vidro e vi que Renan estava do lado de fora do carro fitando o chão enquanto Yago falava com ele de forma ríspida como se estivesse dando-lhe um esporro. Passou um tempo e Renan entrou no carro indo embora enquanto Yago voltava para a academia com cara de poucos amigos.

A aula transcorreu normalmente embora o professor não estivesse fazendo as piadas que normalmente fazia adotando uma postura seria e rigorosa conosco. Ele me fez lutar contra outro garoto ligeiramente mais forte do que eu. Na época eu não entendi muito bem o porquê, mas não disse nada.

Alguns dias se passaram e eu não vi mais Renan. Foi quando comecei a pensar que ele me achou cheio de frescura e não estava mais interessado. Senti sua falta, mas minha rotina agitada ajudava a me distrair dele. Aulas de manhã, Muay thai à tarde, cuidar da minha avó doente das 16hs quando a enfermeira ia embora às 18hs minha mãe chegava do trabalho e depois lição de casa. Mas mesmo assim me sentia rejeitado.

Foi quando comecei a me masturbar e introduzir coisas eu meu cu. Comecei com o dedo e logo estava colocando camisinha no desodorante aerossol para enfia-lo em mim. O desodorante doía muito e por isso nunca consegui introduzi-lo de verdade, ficava apenas na tentativa. Nas aulas de Muay thai senti o professor Yago cada vez mais rigoroso com a turma nos exaurindo ao máximo. Na época não entendi o porquê, mas achava que era por conta de uma competição que teria entre várias academias e ele queria que alguns de nós estivessem aptos a participar. Senti que ele estava particularmente pegando mais pesado comigo, mas achei que era por ele me querer na disputa.

Passaram-se quinze dias e lá estava ele duas esquinas depois da academia de artes márcias naquela terça-feira. Estava recostado no carro e fumava um cigarro descontraidamente. Sorriu ao me ver e acenou para que eu me aproximasse. Estava tão feliz em vê-lo ali que não pude pensar em mais nada a não ser ir atrás dele.

Fui recebido com um beijo em sem nenhuma palavra ser dita eu entrei no carro. Renan sorriu e jogou o seu cigarro fora. Porém não era um cigarro qualquer e sim um cigarro de maconha. Ele dirigiu durante alguns minutos até um lugar onde ficamos sozinhos. Nos beijamos algumas vezes e deixei que ele passasse a mão em mim. Não demorou muito até que ele abrisse o porta-malas e tirasse de lá um saco com um pó branco e finíssimo. Mesmo nunca tendo visto de perto eu reconheci imediatamente aquilo. Lembro-me de ter ficado nervoso, mas não consegui dizer nada. Apenas fiquei observando ele separar duas carreiras fininhas em cima de uma capa de CD com a ajuda de um cartão de credito. Sorriu, tapou uma narina e aspirou uma carreira. Foi quando ele ficou estranho se mexendo demais e com tiques assustadores.

– Cheira – ele me estendeu a capa de CD.

– Não quero – disse com vontade de chorar.

– Cheira, porra! – ele gritou.

Aquela foi a primeira vez que vi Renan daquele jeito completamente fora de si e extremamente agressivo. Ele pegou minha cabeça e a forçou contra a capa de CD me fazendo aspirar a droga. Imediatamente senti minhas narinas queimarem e uma sensação de euforia que me fez gritar de excitação. Meu coração pulsava tão acelerado que parecia que explodiria a qualquer momento. Passava a mão por meus cabelos os bagunçando por completo e me sacudia como doido me sentindo tão bem que poderia fazer aquilo por dias sem me cansar.

Ficamos naquele lugar horas nos drogando até que começou a anoitecer e eu me lembrei que deveria ter ido para casa render a enfermeira até minha mãe chegar. Pedi a Renan que me levasse e ele atendeu. Me deixou na porta de casa e foi embora. Entrei e a casa estava estranhamente vazia e bagunçada como se alguém tivesse saído de lá as presas.

Minha cabeça girava tentando entender o que poderia ter acontecido e o fato de ainda estar drogado só atrapalhava as coisas. Peguei meu celular para ligar para alguém e foi quando vi milhares de chamadas perdidas dos meus pais. Vasculhei em minha mente alguma lembrança do meu telefone tocando, mas parecia tudo tão confuso que não sabia dizer se ele tocou ou não. Retornei uma ligação e minha mãe atendeu rapidamente.

Acho que o fato da droga ter anestesiado a notícia foi o que me fez me entregar a ela, mas ainda assim foi dolorosa. Minha avó tinha passado mal aquela tarde pouco depois da hora que eu saia da aula de Muay thai e a enfermeira chamou a ambulância. Não adiantou, pois o coração doente de minha avó parou de bater ainda a caminho do hospital.

Lembro de ter me jogado no chão da sala e ficado lá até meus pais chegarem, ambos chorando demais enquanto eu apenas fitava o vazio. Quando o efeito da cocaína passou foi que eu realmente pude sentir o peso daquilo e acabei desmaiando. Não aguentei ver o caixão ser enterrado e desviei os olhos naquele momento durante o enterro. Doía demais e tudo o que eu conseguia pensar era em como tinha sido bem mais fácil enquanto estava drogado.

Levou alguns dias até que eu voltasse as minhas atividades normais e por isso só vi Renan novamente uma semana depois. Fui logo lhe pedindo mais da droga e ele foi gentil em me ceder mais. Cheiramos a tarde inteira e nem lembro de como cheguei em casa, porém sei que a dor estava tão anestesiada que era completamente suportável. Meus pais estavam muito ocupados entre si para notarem que eu cheguei tarde e drogado. Minha mãe não parava de chorar no quarto de minha avó e meu pai ficava o tempo todo no telefone com advogados que tentavam resolver a questão da casa que pertencia a vovó e que agora era de minha mãe além do seguro de vida que ela tinha e que o assegurado era eu. Aquilo durou dias e todo esse tempo eu estava drogado. Comecei a faltar aulas e mais aulas e passava o tempo em becos nojentos com Renan. Foi numa dessas vezes que tivemos nossa primeira vez. Eu estava drogado e já estava escuro quando ele investiu em mim e tirou minha roupa com agressividade. Lembro vagamente dele ter rasgado minha camisa e me batido com violência. Não foi nem um pouco agradável, mas sabia que teria sido pior sem a cocaína.

Os dias foram se passando e uma vez meu pai acabou me vendo na rua com Renan. Dei sorte de ainda não ter começado a me drogar naquele dia, mas ficou claro que meu pai não foi com a cara de Renan. Naquele dia foi a primeira vez que injetei heroína. Lembro-me que era caro e quem conseguia era Renan. Lhe perguntei uma vez onde ele conseguia dinheiro e ele sorriu me mostrando um revolver no porta-malas. Dei de ombros, pois não queria mais que ele me contasse o motivo daquele objeto estar em sua posse e o uso que ele dava a ele, mas fiquei com medo.

Foi na heroína que meus pais perceberam. Também não tinha como não perceber já que eu cheguei a ficar dois dias fora de casa e voltava fedendo e tonto. Tentaram me castigar e me prender em casa, mas eu sempre arrumava um jeito de fugir para me encontrar com Renan que vinha me buscar na esquina de casa. Lembro de uma noite em que ele parou o carro em frente a uma farmácia, sacou a arma e saiu do carro. Ele ainda não tinha usado heroína, mas havia passado a tarde cheirando. Houve alguns tiros e ele voltou correndo desesperado.

– Porra, deu merda! – ele disse quando arrancou com o carro.

Fomos para beco e nos injetamos até desmaiarmos. No dia seguinte fui para casa e o deixei lá ainda desmaiado com a seringa espetada no braço. A única coisa que fiz foi tirar a seringa dele e pegar meu casaco no carro. Foi quando vi que havia marcas de sangue em seu volante. Me lembrei dos tiros e imaginei o que tinha acontecido. Peguei vinte reais das notas espalhadas no chão do carro e chamei um taxi que me deixou em casa.

Ao ver meu estado minha mãe chorou desesperada e meu pai gritou comigo, mas quer saber? Eu estava pouco me fodendo para eles. Só conseguia pensar em quem Renan havia matado para sustentar nosso vicio. Me joguei na cama e apaguei. Acordei a noite com a porta do meu quarto aberta pela primeira vez em dias. Olhei para o relógio e vi que já era uma da manhã. Hora de encontrar Renan na esquina. Levantei da cama e fui em direção a sala onde encontrei meu pai sentado no sofá bebendo um copo uísque, mas pela sua aparência destruída aquele não era o primeiro copo.

– Percebi que deixou a porta aberta desta vez – disse ao meu pai sem querer soar irônico, mas acabei soando.

– De que adiante? – ele falou bebendo todo o liquido de uma vez – Você foge pela janela mesmo sendo três andares.

– Não vai me impedir? – indaguei.

– Não – respondeu a contrariado – Mas você deveria dar uma olhada em si mesmo, filho. Era um garoto bonito com um futuro pela frente, mas está se afundando. Não vai à escola, abandonou a luta e o curso. Nem banho toma mais!

– De que adianta fazer tudo isso se um dia eu vou morrer e nada terá valido a pena.

– Então é assim que quer viver? – ele parecia prestes a chorar – Se drogando como um vagabundo? Aposto que faz isso junto com aquele teu amigo mas velho. Aquele drogado filho da puta.

– Não fale dele assim! – bravejei – Você não conhece o Renan.

– Conheço o suficiente para perceber que ele não resta – falou se levantando – Não duvido nada que foi ele quem assaltou a farmácia do centro e matou o farmacêutico com um tiro na cabeça!

– Ele não fez isso – disse sem consegui esconder a mentira.

– É assim que quer acabar, Rodrigo? – ele chorava – Um assassino?

Lágrimas brotaram dos meus olhos imaginando Renan completamente drogado atirando naquele homem sem dó e nem piedade. Imaginando ele recolhendo o dinheiro sobre a poça de sangue do homem morto e correndo até mim para se drogar. Então era assim que ele conseguia o dinheiro. Roubando e quem sabe matando outros trabalhadores honestos que poderiam ter filhos, cônjuges, amigos e sonhos.

– Não me odeie – pedi me virando para sair daquela casa.

– Se sair não quero mais que volte – pediu chorando ainda mais.

Me virei chocado com o que acabei de ouvir. Meu próprio pai me expulsando de casa.

– O que? – disse incrédulo.

– Você pode não se importar com sua mãe, mas eu me importo. Faz apenas um mês que sua avó morreu e você está acabando ainda mais com ela.

– Ok então – disse me virando para abrir a porta da frente da casa deixando meu pai aos prantos.

Fui me encontrar com Renan na esquina e como de costume ele já tinha cheirado muito e estava agitado. Me ofereceu cocaína e eu aceitei. Cheiramos muito ali no carro e depois fomos para fora da um prédio abandonado no centro da cidade onde ele me atacou. Me beijava enlouquecido me xingava e me batia como se estivesse brigando comigo. Não era algo realmente agradável fazer sexo e ser agredido ao mesmo tempo, mas era assim que ele sempre fazia e de certa forma eu já estava acostumado. Mas percebi que ele ainda vestia a mesma roupa da noite anterior e me lembrei do farmacêutico morto me fazendo sentir nojo dele.

– Me larga! – disse empurrando ele sentindo dor nas costelas onde ele tinha me dado um soco.

– Viado filho da puta! – ele me bandou de surpresa me fazendo cair no cão – Não me diz o que fazer! – e começou a me chutar.

Foi quando segurei sua perna e o derrubei no chão. Me levantei rapidamente e o aguardei fazer o mesmo. Assim que ficou de pé, Renan recebeu socos e chutes que aprendi durante as aulas de Yago e finalmente entendi o por que dele pegar tão pesado comigo. Ele conhecia o irmão e imaginou que eu pudesse precisar me defender.

Não sei o quanto bati nele, porém só sei que ele acabou perdendo a consciência e caiu no chão. Fiquei olhando para seu rosto machucado e com sangue e imediatamente me arrependi do que fiz. Sei que ele era um merda e não valia nada, mas ainda assim eu de certa forma o amava. Ainda me lembrada daquele Renan gentil que me levou para tomar sorvete. E olha o que ele se tornou em pouco tempo por conta das drogas. Até então não sabia o que o tinha feito se entregar as drogas daquela forma, mas naquele momento não me importava.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto e eu comecei a correr desesperado de volta para casa. Entrei encontrando meu pai desmaiado no sofá com a garrafa de uísque na mão. Obviamente ele tinha desistido do copo e recorreu diretamente a fonte depois que eu partir. Tranquei a porta de casa e fui para o banheiro tomar banho. A água descia cinzenta devido aos dias de sujeira acumulados em mim e eu chorava enquanto me esfregava enlouquecidamente. Não usei heroína aquela noite, mas havia cheirado e sabia que essa ânsia desesperada por me esfregar era efeito da droga. Um efeito tão forte que cheguei a esfolar minha pele em certos pontos. Sentei no chão do box em posição fetal e me sacudia para frente e para trás.

– Ele está morto – eu murmurava – Ele está morto

Não sei quanto tempo fiquei assim no chuveiro sentindo a água gelada cair sobre mim e nem sei quando apaguei, mas quando acordei eu estava em meu quarto coberto e completamente vestido. Sentia dor. Dor em todo o meu corpo além de uma angustia gigantesca que me fez olhar para um lado e para o outro desesperado.

– Fica calmo – ouvi uma voz conhecida dizer.

Olhei e vi meu pai sentado na beira da minha cama com um olhar sério.

– O que está acontecendo? – disse extremamente agitado olhando tudo em volta sem entender nada completamente confuso.

– Você voltou para casa, mesmo eu dizendo para não voltar, mas fico feliz que tenha feito.

– Por que? – disse tremendo de angustia. Precisava desesperadamente da droga. Sentia a necessidade queimar em meu corpo.

Meu pai parecia assustado como se olhasse alguém possuído.

– Sinto te dizer que seu amigo foi morto ontem à noite – Disse sem pesar real – Foi assaltar um mercado e um policial à paisana estava dentro. Sacou a arma e o matou.

Morto? Ontem à noite?

– Ontem? – disse confuso – Quanto tempo eu dormi?

– Dormir? – ele pareceu penar – Algumas horas, mas te encontrei no banheiro ontem de manhã se debatendo e arrancando os cabelos. Foram seus gritos que me despertaram.

– Entendi – falei – Tem certeza de que foi ele quem morreu?

– Tenho, Rodrigo – meu pai colocou a mão no meu ombro – Era seu amigo, mas buscou a morte que teve.

Não respondi. Apenas fiquei ali em agonia me tremendo.

Aquela semana foi difícil em que eu tentava a todo custo permanecer sem a droga, mas era muito difícil. Eu sentia dor, agonia e tinha pesadelos horríveis em que Renan voltava dos mortos para me matar. Não fazia distinção entre dia e noite, não comia ou conseguia pensar em outra coisa que não fosse a droga e a morte de Renan que doía em meu íntimo. Queria a droga mais que tudo, mas se saísse para busca-la não teria mais volta e meu pai me expulsaria.

Mas naquele domingo não aguentei mais. Fugi durante a madrugada pela porta. Meus pais haviam colocado grade nas janelas da casa e escondiam as chaves, mas eles não sabiam que eu conhecia o esconderijo das chaves que era embaixo da geladeira. Sai de casa literalmente correndo sentindo o vento em meu rosto pela primeira vez em dias. Corri diretamente para a casa de Renan me esquecendo que ele estava morto devido a abstinência da droga que tirava de mim qualquer pensamento logico que pudesse existir. Foi quando deu de cara com Yago chegando em casa com os olhos vermelhos e o cheiro inconfundível de maconha irradiando dele.

– O que faz aqui? – ele disse claramente magoado pela morte do irmão.

– Você tem mais maconha? – perguntei tremendo.

Yago me olhou de cima abaixo.

– Não vendo drogas para crianças – Disse se virando de mim.

Não vende? Então era com o irmão que Renan conseguia as drogas. Yago, professor de Muay thai e traficante nas horas vagas. Quem diria?

– Você vendia a heroica para o Renan – falei – Era por isso que ele sempre conseguia.

– Pelo que estou vendo ele te fez de putinha drogada – Yago disse de um jeito que nunca pensei ouvi-lo falar – Disse para ele ficar longe de você.

– Mas sabia que ele não iria ficar – acusei disse passando a mão no meu braço de forma psicótica – Por isso estava pegando pesado nas aulas de Muay thai.

– Você precisava saber se defender – ele falou – Você não é o primeiro garoto que ele abusa, Rodrigo. Renan já tinha feito isso aos dezessete anos com um vizinho nosso de sete, mas como era de menor não deu em nada. Quando vi vocês juntos eu já sabia que isso ia acontecer. E sabia que seria pior que da última vez. Renan já estava se drogando muito quando te conheceu.

– E por que não fez nada? – indaguei.

– Por que se eu fizesse algo ele me denunciaria e eu estaria acabado. Tentei afasta-lo de você, mas ele me ameaçou dizendo que me entregaria se eu o entregasse.

– Por isso não fez nada além de me ensinar a lutar?

– Sim – disse com pesar – Agora vá embora, pois não vou te vendar nada.

– Posso só te pedir para olhar o quarto dele e levar algo de lembrança?

– Por que iria querer lembrar de alguém que abusou de você?

Dei de ombros e fitei o chão.

– Tudo bem, mas não demora.

Entramos e eu fui direto para o quarto de Renan. Comecei então a vasculhar o quarto a procura de alguma droga. Maconha, cocaína ou quem sabe heroína. E a sorte estava do meu lado. Embaixo de alguns livros havia um saco com um pó branco, uma colher suja, isqueiro e algumas seringas. Peguei tudo e escondo dentro do meu bolso. Escolhi uma camisa aleatória de Renan e sai da casa sem me despedir de Yago. Corri muito aquela noite. Corri para o beco onde Renan tirou minha virgindade. Despejei a droga na colher e a esquentei com o isqueiro até diluir td. Aspirei com a seringa, amarrei minha camiseta no braço para destacar minha veia e injete. De repente toda a angustia desapareceu assim como toda a dor pela morte de minha avó e pela morte de Renan. Era como se eu estivesse flutuando suavemente e então o escuro.

Foi quando abri os olhos no hospital com meu pai sentado na poltrona ao lado.

...

– Caio e Rodrigo, venham já aqui! – Foi a voz de Tia Laura que nos acordou de sobressalto.

Olhamos um para o outro com medo de termos sido descobertos e nos vestimos correndo. Saímos do quarto desconcertados para encontrar Tia Laura na sala ao lado da mesa de centro onde dois copos de uísque se encontravam na mesa. Havia resto da bebida nos copos nos culpando imediatamente.

– Vocês têm alguma coisa para nos contar? – ela cruzou os braços furiosa.

Olhei para Tio Miguel que parecia tão bravo quanto a esposa e em seguida olhei para Caio que parecia tão aliviado quanto eu.

– Não vamos mentir, mãe. Nós bebemos uma dose de uísque – confessou abaixando a cabeça – Foi só uma dose para experimentar.

Tia Laura parecia surpresa com a confissão, tanto que ficou sem palavras por um momento.

– Sabe que sou completamente contra menores de idade bebendo, não é meninos? – disse ainda irritada.

– Sim – falei.

– Vou contar aos seus pais, Rodrigo. Quanto a você, Caio. Sem videogame por uma semana.

Caio assentiu sem discutir. Estava satisfeito demais que os pais não haviam descoberto que nós havíamos transado na noite anterior.

– Podem ir então – Tio Miguel nos dispensou.

Voltamos rapidamente para seu quarto e fechamos a porta. Assim que estávamos sozinhos Caio suspirou aliviado.

– Ainda bem que foi só a bebida – disse por fim.

– Ainda bem – concordei.

– Vamos ser cautelosos daqui para frente. Ninguém pode saber que estamos juntos – Caio disse parecendo preocupado – Vai ser nosso segredo.

Ele me deu um selinho ligeiramente demorado.

– Nosso segredo – disse arfando.

Naquele momento estava tudo bem sermos amantes em segredo, mas somente naquele momento.

...

Espero que tenham gostado de mais esse capitulo e até o próximo!

Comentários

18/06/2017 21:28:20
DE FATO NÃO CURTO CONTO DE USUÁRIOS DE DROGAS. VOU AGUARDAR O DESENROLAR...

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