UMA FODA SURREAL COM A BELA COROA

Um conto erótico de Ehros Tomasini
Categoria: Heterossexual
Contém 4484 palavras
Data: 03/02/2017 03:18:11
Última revisão: 03/02/2017 22:19:28
Assuntos: Anal, Heterossexual, Oral

O HOMEM DO PATUÁ – CAPÍTULO CATORZE

Foi tudo muito rápido. Nem bem senti o impacto no peito, a porta foi arrombada por um pontapé. A morena assustou-se e demorou a atirar em meu padrasto. Levou um murro na cara que o pescoço se partiu, quase deixando sua cabeça pendurada para trás. Quanto a mim, parecia que as coisas aconteciam em câmera lenta. Como se estivesse sonhando acordado. Não senti nenhuma dor, além do impacto da bala contra meu corpo. Mesmo assim, nem isso doeu. Então, devo ter desabado no chão. Ouvi a voz feminina na minha mente:

- Deite-o no chão. Tenho que o abduzir, antes que perca a consciência. E você, Paulinho, nem pense em desmaiar. Disso, depende tua vida.

Dizer, era fácil. Mas eu sentia que estava perdendo os sentidos. Então, veio-me um queimor quase insuportável no peito. Consegui abrir só um pouquinho as minhas pálpebras. Vi um enxame de minúsculos vermes pretos entrando em meu corpo pelo buraco de bala. De repente, o calor foi substituído por um frio intenso. Comecei a me tremer convulsivamente. Então, finalmente ouvi a voz no negrão:

- Descanse, meu rapaz. Conseguimos salvá-lo. Agora, já está fora de perigo.

Devo ter apagado. Não lembro mais de nada, depois disso. Aliás, lembro que fui sugado por uma escuridão profunda. Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Essa agonia demorou, nem sei quanto tempo. Eu ouvia vozes ao meu redor, mas não conseguia identificar o idioma. Alternavam-se vozes femininas e masculinas, mas eram como se eu estivesse num outro país. Então, finalmente, escutei em pleno português brasileiro:

- Abra os olhos, Paulinho. Você já consegue.

Com algum esforço, consegui abrir minhas pálpebras. A luz me incomodou, mas insisti em permanecer de olhos abertos. Procurei a autora da voz feminina que me acordou, mas não tinha ninguém por perto de mim. Ouvi de novo a mesma voz, e só então percebi que vinha da minha mente:

- Agora, nós dois estamos ligados um ao outro, meu rapaz. E acredito que iremos nos divertir muito, juntos.

Tentei adivinhar onde eu estava. Parecia um quarto de hospital, e a cama era bem caraterística desse tipo de lugar.

- Sim, você está num hospital. Mas não deve ser por muito tempo. Terá que ir até teu padrasto, pois ele está precisando de você.

- O que houve com ele?

- Foi preso, novamente. Acharam o corpo que eu hospedava, já em avançado estado de putrefação, e aquele policial que atirou nele lá no restaurante o perseguiu, até prendê-lo. Na verdade, Berardo não ofereceu resistência. Até porque perdeu temporariamente os seus poderes. Isso significa que nosso inimigo também foi afetado. Por isso, o tempo urge. Vamo-nos daqui.

Tentei me levantar do leito, mas as pernas fraquejaram. Por pouco não desabei no chão. A voz disse em meu juízo:

- Tente levitar. Está ainda fraco, mas consegue.

- Levitar? E como faço isso? – Eu ainda estava muito confuso.

- Deixe-me ajuda-lo. – E, imediatamente, senti meus pés não tocarem mais no chão.

No entanto, quando íamos sair do quarto, um casal de médicos adentrou o recinto. Olharam para a cama vazia, ao invés de minha direção. A voz em minha mente me explicou:

- Não se preocupe. Você está invisível para eles. Mas ainda está palpável. Portanto, evite que lhe toquem o corpo.

Eu levitava, com o corpo totalmente ereto, em pé. Desviei meu curso e evitei esbarrar com os médicos. Ouvi um deles dizer:

- Ué, erramos de quarto? Este está vazio.

A médica olhou umas papeletas que trazia consigo e disse surpresa:

- Não, a enfermaria é esta. Olhe os lençóis da cama. Estão revolvidos. O paciente abandonou o leito.

O médico quase esbarrou em mim, quando deixou o quarto apressado. Ouvi quando ele deu o alarme a uma enfermeira que estava num balcão, pedindo que ela chamasse a segurança. Anunciaram ao microfone que um paciente havia fugido. As pessoas que faziam parte dos quadros do hospital pareciam ter ensaiado: cada um saiu de onde estava e enveredou pelos corredores, me procurando. Ficar ali significava fatalmente esbarrar em alguém. Ouvi a voz em minha mente dizer:

- Por aqui.

Era uma escada que dava em andares acima daquele onde estávamos. Mas, a maioria dos médicos e enfermeiras havia se espalhado pelos corredores centrais. Ninguém subiu ou desceu as escadas. Talvez por saberem que eu estava sedado e não conseguiria enfrentar os degraus. Foi a minha sorte. Mas logo eu saía na cobertura do prédio. Não tinha mais para onde ir. Perguntei para mim mesmo em voz alta:

- Porra, e agora?

A voz na minha mente respondeu:

- Aproxime-se da borda do prédio e olhe para baixo.

Fiz o que pediu e descobri que estava numa altura de uns dez andares. Senti vertigem, pois estava ainda fraco.

- Muito alto, e não há escadas que possamos pegar como atalho. - Avisei.

- Nem é preciso. Pule.

Fiquei lúcido na hora. Claro que não iria pular de uma altura daquelas. O primeiro pensamento que me veio à mente foi o de que aquela voz poderia ser uma armadilha do parasita que havia abduzido o velhote. Acredito que foi ele que forçou a bela morena a atirar em mim, como fez com o meu padrasto, quando este tentou me dar um tiro lá no restaurante. Eu não iria entrar em seu jogo novamente.

- Não, não vou pular. Você não mais me engana. Quer me matar. Deve estar a mando da criatura que é nossa inimiga.

- Confie em mim, meu menino. Estou querendo salvar-te a vida e teu padrasto está precisando de ajuda. O “coveiro”, como você chama, está temporariamente sem poderes. Lembra que eu disse isso antes? Ele não poderia me usar contra você.

- Pode ser, mas não vou pular. Vai ter que me mostrar outro modo de me tirar daqui. – Eu continuava desconfiado.

Aí, senti nitidamente como se duas mãos me empurrassem pelas costas. Fui projetado do alto do prédio. E não é que eu flutuei no ar?

Foi uma sensação muito gostosa. Quando garoto, eu sempre sonhei em voar. Brincava amarrando lençóis no pescoço, imitando a capa dos super-heróis. Para mim, foi uma grande surpresa conseguir fazer isso depois de adulto. Não pude me furtar à vontade de dar um grito de trinfo:

- Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

- É melhor se calar. Podem ouvi-lo. – Disse a voz no meu pé de ouvido.

Calei-me. E flutuei até o chão. Antes, porém, havia perguntado:

- Não dá para continuar flutuando até onde está meu padrasto?

- Dá. Porém, você iria desperdiçar muita energia para nada. Melhor seguir pelas vias normais.

- Que seria?...

- Teu carro continua estacionado no hospital. Teu padrasto te socorreu nele.

Era verdade. Meu carro estava no estacionamento. Mas havia um vigia tomando de conta do local. E tinha aquela barreira que ele levantava, para liberar a passagem dos carros, na sua entrada ou saída do estacionamento. Perguntei de novo em voz alta:

- Bem, e agora? Como sairemos dali?

- Acostume-se a falar comigo por telepatia. Lembre-se que está invisível. Dê um jeito de liberar a nossa saída.

Lembrei-me que tanto meu padrasto, como o velhote, usava o truque de apertar um nervo no pescoço de alguém para desacordá-lo. Mas eu não sabia a técnica. Porém, não foi preciso perguntar.

- Está bem, eu faço isso. Basta continuar invisível e se aproximar do vigia.

Pouco depois, saíamos de carro do estacionamento. Desacordamos o funcionário e abrimos a cancela. No entanto, se chegasse alguém para estacionar, teria que esperar que ele acordasse.

- E agora, para onde iremos? – Dessa vez eu perguntei usando a telepatia, apesar de não ter ninguém por perto.

Pouco depois, estávamos na delegacia de polícia mais próxima. Meu padrasto estava detido ali. Quando entrei, ainda usando roupas do hospital, fui levado à presença do delegado. Identifiquei-me como enteado do negrão. O policial espantou-se por eu estar de pé, depois de levar um balaço no peito.

- Como conseguiu fugir do hospital? Lembro-me que o deixei em coma, deitado naquele leito. E proibi-lhe quaisquer visitas.

- É uma longa história, senhor delegado. Não vamos nos ater aos detalhes. Quero resolver a situação do meu padrasto o quanto antes. Ele é inocente.

- Ah, ah. Vai ter trabalho para me provar isso e explicar como uma senhora que acabara de levar um tiro, na frente do restaurante, apareceu horas depois em total estado de putrefação.

Eu não tinha argumentos para contestar o sujeito. A voz em minha cabeça, no entanto, me disse telepaticamente:

- Deixe isso comigo. Apenas relaxe a mente e deixe que eu resolva. Você teria que treinar um bocado para fazer o que eu vou fazer agora, e não temos tempo.

- É todo seu. – Eu voltei a me expressar em voz alta.

Primeiro, o delegado espantou-se quando eu disse isso. Depois, pareceu estancar, de repente. Em seguida, ficou com os olhos revirados, como se fosse um defunto. Por fim, gritou em direção ao agente que se encontrava do lado de fora da sala onde estávamos:

- Agente Macedo, liberte o negrão e traga-o sem algemas aqui na minha sala.

Ouvi uns resmungos, depois alguém se levantando de uma cadeira, e logo Berardo entrava na sala. Ainda tinha as roupas sujas de sangue. Ficou contente, quando me viu. Abraçou-se a mim, mas eu senti dores no peito, bem onde havia sido ferido. Ele me pediu desculpas.

- Vamos sair daqui. Logo, o delegado se libertará do transe. - Eu disse.

O agente Macedo olhava para mim e para o negrão, depois para o delegado, deveras espantado com a facilidade com que consegui a soltura do prisioneiro. Mas nem contestou o seu superior, nem tentou impedir a nossa saída. Já no carro, olhei para o braço do negrão e percebi que este não estava mais cascudo. Perguntei como era possível:

- Quando minha “porção mulher” me deixou para se fundir a você, voltei ao normal. Ou seja: fiquei só com a cicatriz que já possuía antes. Você está bem?

- Sim, apesar de ainda estar fraco. Quanto tempo passei no hospital?

- Apenas, dois dias. Porém, pensei que iríamos perde-lo. Você chegou praticamente morto. Ainda bem que, quando o teu parasita assumiu teu corpo, ainda existia uma centelha de vida nele. Senão, teria acontecido o mesmo que aconteceu ao hospedeiro anterior, ou seja, minha Miranda.

- O que aconteceu com ela, painho, para ter ficado naquele estado de putrefação?

- Anos atrás, eu não consegui salvar Miranda a tempo, antes de ser encarcerado. Eu também havia levado um tiro no olho, que me deixou com essa cicatriz. Socorreram-me, mas Miranda já estava morta. Mesmo assim, o parasita que agora te habita o corpo entrou pelo ferimento dela e a reanimou. Por isso Miranda perdeu a memória. O parasita também. Só a recuperou depois que eu fugi do presídio, e por causa do poder do amuleto, quando me reaproximei dela. Quando o parasita lhe abandonou o corpo, recentemente, este, que há muito era matéria morta, finalmente se decompôs.

- Você sabia que isso aconteceria, painho?

- Sim. Meu abdutor já havia me alertado. O parasita de Miranda vivia de resíduos de memórias delas. Com o tempo, aquele corpo desmorto não reconheceria mais a gente, nem a mim e nem a você. Então, foi melhor que acontecesse o quanto antes.

Estive em silêncio. Eu gostava mesmo de minha professora. Não queria tê-la perdido. Então, ouvi em minha mente:

- Enquanto restar-me a memória dela, eu continuarei apaixonada por você e por teu padrasto. Mas, é bom ir se acostumando que, a partir de agora, teceremos nossa própria história. Você tem uma vantagem sobre os outros, por ter sido abduzido por mim.

- E qual seria? – Eu perguntei novamente em voz alta. Meu padrasto pensou que estivesse falando com ele.

- Como? Não entendi.

- Oh, desculpe. Estou falando com o meu parasita, painho.

A voz em minha mente continuou:

- Eu sou diferente dos outros dois “parasitas”. Você não precisará ser bom e mau ao mesmo tempo, para eu me alimentar da tua maldade. Necessito apenas da tua bondade. Em troca, só te farei o bem.

- É bom saber disso. – Dessa vez usei telepatia.

Dei por encerrada a minha conversação com minha "consciência". Perguntei ao negrão por minhas mulheres. Ele disse:

- Não sei. Fui preso por aquele policial que atirou em mim, assim que te levei ao hospital. Ele já estava me esperando lá. Com certeza, foi enviado por nosso inimigo. Porém, fiquei sabendo que o delegado proibiu visitas a você. Neinha e tua amante devem estar preocupadas. Quer ir lá?

- Agora, não. Podem estar sob vigilância da Polícia, ou ter os celulares monitorados. É melhor evitar que se envolvam. O que eu preciso é encontrar o nosso “coveiro”, antes que ele recupere os seus poderes. Por falar nisso: o que aconteceu com aquela morena gostosíssima que me atacou lá no bar?

Meu padrasto baixou a cabeça, triste. Falou:

- Infelizmente, não controlei minha força. Matei a pobre, que não devia nem saber que estava tendo a mente controlada por nosso inimigo.

- Eu soube que o senhor não era tão parrudo, quando foi preso anos atrás. O que te levou a ficar com este corpo monstruoso, painho?

Ele demorou um pouco a responder. Depois, falou:

- Um presídio não é lugar para fracos. O parasita em mim me convenceu a praticar com halteres. Fiz muitos inimigos no presídio, por me tornar amigo do diretor. Tinha de me defender, e não podia usar armas. Usei meus punhos.

Para mim, estava explicado. Eu não quis mais fazer perguntas embaraçosas pro negrão. Mas, de repente, me veio uma ideia maluca na cabeça:

- Porra, acho que sei onde encontrar o “Coveiro”. Mas não podemos ir lá de carro. Seria arriscado. Chamaríamos muito a atenção.

Cerca de uma hora depois, chegávamos ao morro onde meu padrasto tinha matado meu pai biológico. A casa do traficante estava ocupada pela Polícia. Meu padrasto reconheceu um dos policiais. Fomos falar com ele. O cara cumprimentou o negrão de forma efusiva. Ouvi o agente dizer:

- Sim, fui promovido pelo novo Secretário de Segurança, teu amigo ex-diretor do presídio. Estou sabendo que a polícia anda te incomodando, e achei que estavas detido. O secretário pediu-me para te dar todo o apoio que precisar.

- Ótimo. Eu estive aqui com um sujeito sinistro, quando tomei esta boca de fumo do traficante. Quero achar esse sujeito o quanto antes, e desconfio que ele esteja por perto. Ele tinha planos secretos para esta favela. Não creio que vá abandonar o osso.

O policial esteve um tempo pensativo, depois deu instruções a alguns subordinados:

- Investigue junto à comunidade. Veja se existe alguém de fora que esteja por aqui. E traga-me todos os suspeitos.

O policial e meu padrasto ficaram botando o papo em dia e eu fui ignorado por mais de uma hora. Mas foi uma espera frutífera. Os comandados do amigo do meu pai chegaram trazendo cinco pessoas detidas. Entre elas, estava o velhote que procurávamos. Ele estava vestido de forma diferente, sem seu hábito negro, mas seu rosto e aquela cicatriz eram difíceis de esquecer. Era ele!

- Não, infelizmente, não posso deixa-lo em tuas mãos. Tenho que me reportar, primeiro, ao meu superior. Se ele me der a ordem, passo o prisioneiro para vocês.

De repente, me deu um apagão. Fiquei com a mente leve, como se estivesse desplugado do meu próprio corpo. Mas essa sensação durou poucos segundos. Ouvi o policial dizer:

- Está bem. O prisioneiro é todo teu. Mas não me envolva no que quer que esteja planejando. - Era meu parasita interferindo na vontade do cara.

Algemamos o velhote e o carregamos conosco. Quando nos aproximamos de um carro de polícia, senti novamente o mesmo vazio dentro de mim. Melhorei já dentro de um carro em movimento. Percebi ser uma viatura policial. Eu estava sentado no banco de trás, ao lado do velhote algemado. Olhando pelo retrovisor, meu padrasto falou:

- Vejo que herdou o que eu chamo de “a voz de Deus”. Parabéns. É um poder muito importante e útil.

- Do que o senhor está falando?

- Ora, ouvi quando ordenou meu amigo a nos ceder o prisioneiro e ao policial-motorista a nos entregar as chaves da viatura, apenas com duas frases: “entregue-nos o prisioneiro” e “dê-nos essa viatura”, e em nenhuma das vezes foi desobedecido.

O velhote olhou para mim com ódio. Eu não respondi. Fiz apenas uma pergunta:

- O que fazemos com o nosso prisioneiro?

- Deixe essa parte comigo. Mas, de hoje, esse filho da puta não passa. Porém, não quero você envolvido nisso. Quando encontrarmos algum local deserto, longe de olhos curiosos, fique longe de mim.

Estive pensando por um momento. Depois, disse:

- Lembre-se que você deve fazer o mal e o bem ao mesmo tempo, painho. Então, acho que tenho uma ideia. Isso, se eu puder expandir meu poder de invisibilidade.

- Você pode. – Ouvi a voz dentro de mim.

Pouco depois, estávamos no necrotério da cidade. Meu padrasto esperou do lado de fora, depois de desacordar o velhote, apertando-lhe um nervo do pescoço, e eu entrei. Fiquei invisível, para poder procurar uns documentos dentro da morgue. Encontrei o que eu queria: o endereço da mocinha que teve o pescoço quebrado por meu padrasto. Quando chegamos perto de sua residência, estranhei o tipo de pessoas que estavam em seu velório. Pareciam, em sua maioria, prostitutas. Ela jazia em um caixão modesto, na sala de uma casa de subúrbio, dessas bem pobrezinhas. O pessoal bebia cachaça, velando-lhe o corpo. Como eu estava invisível, consegui me aproximar do cadáver sem tocar nas pessoas. Então, derrubei o caixão no chão, com estardalhaço. Foi gente correndo para todo lado. Aproveitei para retirar o corpo do esquife e carrega-lo comigo, após o ter tornado invisível como eu. Coloquei-o na viatura, que estava estacionada a uma certa distância da casa, e fomos embora. Os jornais do outro dia anunciariam, com alarde, o caso do cadáver que desapareceu diante de várias pessoas.

Desta vez fui em que dirigi a viatura. Quando nos afastamos o bastante e passamos pela frente de um galpão abandonado havia anos, perguntei a painho:

- Aqui está bom?

Descemos do carro e, enquanto ele carregava o velho ainda desacordado, eu transportava o cadáver da morena lindíssima, de pescoço quebrado. Deitamos o casal, um ao lado do outro, no chão cheio de poeira do galpão. Meu padrasto foi lá fora e voltou com um galão de gasolina, retirado do carro policial. Resolveu afastar mais o cadáver da mocinha, para não o envolver no fogaréu que intencionava fazer. Eu fiquei à parte, deixando que trabalhasse sozinho. Ele entornou gasolina no corpo do velho, que despertou com as roupas ensopadas e pelo forte cheiro. Como ainda estava algemado, adivinhou o que estava por vir, mas não pode fazer nada. Só gritar terrivelmente, enquanto tinha o corpo consumido pelas labaredas. Foi o triste fim do nosso inimigo. A nuvem negra e brilhante de vermes pairou por um momento no ar e logo adentrou o cadáver da mocinha pela sua boca entreaberta. Eu torcia para que a manobra do negrão desse certo e nós pudéssemos fazê-la retornar à vida.

Os próximos minutos pareceram uma eternidade. Então, de repente, o corpo da mocinha começou a estremecer e ela abriu os olhos. Gritou, como se sentisse a dor da morte. Depois, ficou quieta. Muito quieta. Os olhos bem abertos , porém, indicavam que sentia dores atrozes. Foi quando ouvi a voz dentro de mim:

- Ela precisa ser socorrida. Lembre-se que teve o pescoço quebrado.

Colocamos a puta de volta à viatura policial e ligamos a sirena. Num instante, chegamos a um hospital. A sua garganta e parte do seu peito estavam parecendo carne queimada. Ela começava a liberar um cheirinho de podridão. A voz me disse telepaticamente, antes que eu perguntasse:

- Ela vai se recuperar. Esse fedor é natural, para uma desmorta recente. Logo o seu odor voltará ao normal.

Relaxei. Meu padrasto falava com o pessoal do atendimento, explicando a urgência do caso. A bela morena, apesar de desacordada e fedendo um pouco, respirava quase que normalmente. Finalmente, foi levada às pressas para a enfermaria. Eu tornei meu padrasto e a mim mesmo invisíveis e saímos dali.

- Não vai querer saber do resultado da linda morena? Percebi que ficou bastante interessado nela. – Perguntou meu padrasto.

- Não sabia que ela era uma reles prostituta. Acabou meu interesse por ela. Vamos tomar umas, depois acharei uma forma de entrar em contato com Neinha e minha coroa. Bateu-me uma vontade enorme de trepar.

- Então, antes, me deixe no bar de minha amiga. Tenho que terminar a transa que foi interrompida com o ataque da puta a você.

Para a nossa sorte, hão havia vigilância policial ao bar, depois do ocorrido. Acredito que era um lugar que sempre acontecia algo de ruim, por ser um inferninho. A polícia não tinha tempo para estar vigiando-o. Mas, para o nosso azar, a coroa boazuda não estava lá. Em seu lugar, estava a afilhada dela. Mirza atendeu-nos com a maior alegria, como faria a própria dona do lugar. No entanto, não aceitei o beijo que veio me dar. Meu padrasto, porém, deu-lhe o maior colado. Cochichou-lhe algo e ambos seguiram em direção ao dormitório do bar. Fiquei sozinho, pois não havia um único cliente àquela hora. Peguei uma cerveja geladíssima no freezer e sentei-me novamente. Aí, a voz em meu interior falou:

- A coroa está vindo. Vai te chamar para foder. Aceite. Não irá se arrepender.

Pouco depois, a coroa bonitona entrou. Deu um largo sorriso, quando me reconheceu. Abriu-me a camisa e deu uma olhada nas bandagens que eu ainda usava, cobrindo o ferimento no peito. Pediu para trocar o curativo e eu consenti. Até porque eu estava curioso para ver como era a minha cicatriz. Não era muito diferente da que Miranda tinha na barriga. Até um pouco menor que a dela. Mas o ferimento parecia totalmente sarado. Ela estranhou:

- Nossa, é impossível que um ferimento tão recente esteja assim. Você terá de me explicar isso. Cadê Berardo?

Demorei um pouco a responder. Primeiro, sorvi um demorado gole da cerveja. Quando eu disse que ele estava com a afilhada dela, pensando que iria ficar com ciúmes, eis que ela pareceu contente:

- Então, vou aproveitar para cumprir minha promessa.

- Que promessa? – Fingi não estar lembrado.

- Vem comigo.

Pouco depois, estávamos em seu carro. Ela fez uma manobra e depois seguimos em direção ao subúrbio. Ela evitou conversar comigo, como se estivesse nervosa. Logo, estacionamos em um condomínio de luxo. Ela deu instruções ao porteiro de que não queria ser incomodada. O homem a tratou como se fosse seu subordinado direto. Logo, a coroa estava diante de mim, dentro da sua luxuosa suíte.

- Eu tiro meu vestido, ou você mesmo tira?

Pedi que ela mesma se despisse e assisti ao meu primeiro strip-tease. A coroa era muito sensual. Eu quase volto a gozar precocemente, de novo. Ao fim do ato, ajudou-me a tirar minha roupa, também. Enquanto ela me despia, eu avaliava as suas curvas. Seu corpo não tinha uma única estria. Parecia ser bem mais jovem do que realmente era. Fez-me ajoelhar na cama, com um toque suave em meu peito. Eu pedi para tomar banho antes, mas ela me disse que gostava de homens com cheiro de macho, não de sabonete. Depois, me deu um banho de língua demorado, sem deixar que eu me deitasse na cama. Permaneci ajoelhado o tempo todo. Em seguida, me masturbou de uma forma única, como se estivesse me massageando o pau. Meu membro estava duríssimo. No entanto, a massagem, ao invés de me excitar mais, acabou se tornando relaxante. Meu pau estava com uma certa dormência, e eu quase não sentia mais o toque das suas mãos. Então, ela se virou de costas para mim, oferecendo-me a ampla bunda. Mas avisou:

- Não faça nenhum movimento. Sei que está sentindo um torpor gostoso. Agora, sim, eu vou fazer algo que ninguém jamais fará contigo. Tenho certeza. Apenas feche os olhos.

Fiz o que pediu. Senti sua bunda encostar em meu pau. Com a mão, ela direcionou a glande para o centro das suas pregas. Então, seu ânus se movimentou, como se tivesse ganhado vida, além de se transformado em uma boca. Primeiro, me sugou a pontinha do cacete. Só faltava lamber, mas a sensação que me dava era a de que seus lábios me chupavam. Deu-me vontade de abrir os olhos e ver o que estava acontecendo ali, mas me contive a custo. Continuei me deleitando daquela maravilhosa e estranha sensação. De repente, pareceu que ela havia cuspido em minha glande. Não aguentei de tanta curiosidade e abri os olhos. Seu cu se movimentava, e estava encharcado, sem ela o ter lubrificado com saliva. Ela percebeu que eu estava de olhos aberto e explicou:

- Eu treinei anos, para conseguir fazer isso. Tenho mais lubrificação no reto do que na vagina. Consigo, também, movimentar os músculos do ânus a meu bel prazer. Mas o melhor ainda está por vir. Feche novamente os olhos, por favor. Assim, aproveitará bem o prazer da chupada que te darei com o cu.

Mais uma vez, fiz o que pediu. Então, senti novamente seu ânus se movimentar. Dessa vez, foi engolindo meu pau aos poucos. Toda vez que ela me mordia com o cu, este sugava mais um centímetro de minha rola para dentro do reto. Ao ponto de eu ter que me aproximar mais de si, como se ela fosse arrancar meu pau se eu não cedesse à sucção. Abri novamente os olhos, curioso, e vi suas pregas em movimento. Ela não mais se importou que eu estivesse de olhos abertos. Parecia concentrada no ato. Sua vulva pingava, mas seu cu parecia estar cheio de saliva. Porra, só então eu percebi que a mulher ejaculava pelo cu. Tive a comprovação imediatamente, quando senti um jato quente vindo de dentro de si, me molhando o púbis. Ela começou a gemer. Também estava gozando. Levou a mão à racha e iniciou uma frenética siririca. Seu cu cuspiu mais um jato de gozo. Ela aumentou a pressão do ânus no meu caralho e o sugou cada vez com mais força. Aí, eu senti meu pênis inchar, como era característico dele antes do gozo. Anunciei a proximidade do meu orgasmo. Ela pareceu ficar mais excitada com as minhas palavras. Seu ânus se elasteceu de repente, ficando folgadíssimo em minha bilola. Quando eu achei que ela estava gozando, eis que me abocanhou também os testículos com o cu. Depois, continuou me sugando com suas pregas encharcadas, gemendo que também iria gozar.

Finalmente, segurei com ambas as mãos em suas nádegas, me ajeitando melhor detrás dela. A coroa abriu demasiadamente os olhos e a boca, antecipando o clímax do seu orgasmo. Não aguentei mais me prender e liberei um forte jato de porra. Ela deu um grito e expeliu minha gala de volta, junto com um esguicho do próprio gozo. Estivemos liberando nossos espermas aos poucos, depois ela se projetou para frente, levando-me junto. Fiquei deitado por cima dela, ainda terminando de gozar em seu cuzinho. Ela já não se movimentava, como se houvesse perdido os sentidos. Quando tentei me retirar do seu reto, no entanto, estávamos engatados.

FIM DA DÉCIMA QUARTA PARTE.

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