Perdas. danos e a certeza de que tudo havia mudado para sempre 6

Um conto erótico de Nando Mota
Categoria: Homossexual
Contém 2394 palavras
Data: 09/05/2016 22:47:25

Uma semana havia passado e nenhum tipo de informação sobre o " Sequestro do herdeiro do Império Atacadista Fischer " havia chegado de onde quer que fosse. Rômulo Ficher não mais saia de casa e a esposa estava acamada quase desde o momento em que soube que algo de errado estava acontecendo com seu querido filho.

Eu não sabia mais o que fazer ou a quem recorrer. A pior das sensações humanas é com certeza a impotência diante de situações como esta em que cada um de nós vivia. Meu pai voltou a ativa na semana que se seguiu ao sumiço do meu amigo e assistente Rômulo Ficher Filho.

_ Não é comum esse silêncio. Com certeza, isso é o pior a se pensar, sei que este rapaz já não esta mais entre nós...

_ Papai por favor não diga mais isso. É muito injusto tudo isso. Eu já tentei de tudo para ajudar a Divisão Anti-Sequestro da Polícia e nada. Até mesmo a Federal esta envolvida por conta de uns parentes que o Senhor Rômulo tem... Nada foi descoberto ainda...

_ Ele era mais que um simples assistente, certo filho? E meu pai me olhou com toda a piedade que pôde colocar naquele olhar que me foi dirigido.

_ Nem mesmo eu sei o que ele já representava pra mim, pai. Era bom tê-lo por perto... Seu sorriso sempre contagiante era algo bom de se ouvir...Se o senhor fala em amor, bem... Eu só queria ter uma chance pra dizer a ele o quanto que me importava com ele e que se ele também sentisse por mim o que eu já começava a sentir por ele... Não concluí a frase porque a emoção foi maior que qualquer coisa que pudesse dizer para tirar do peito a angústia e a dor que estava sentindo naquele momento.

_ Nesse caso Dimitri vamos ter esperanças e confiar em Deus.

*

*

*

*

*

RÔMULO FICHER FILHO...

Lembro que desliguei o celular de propósito. Com certeza Dr. Dimitri Freire iria sorrir da minha ousadia em desligar o celular na sua cara no exato momento em que ele já me dizia tchau. Guardei o aparelho no bolso e andei uns dez passos e parei embaixo de uma palmeira encostando em um carro vermelho que estava parado em frente ao Condomínio em que morava. O porteiro olhava pra mim de vez em quando e a noite estava bem clara por conta da lua nova que brilhava em sua orbita lá longe no firmamento...

_ Ei. garoto...

Uma voz que jamais ouvi na vida me fez virar a cabeça para trás. Dois homens ocupavam com fox preto e o vidro da janela do carona estava abaixado...

_ Opa! Diga...

_ Tô meio perdido... Você saberia dizer se estou próximo da rua Cavalcante Lobo? Acabei de perguntar na outra rua e me disseram que era pro outro lado... Você pode nos ajudar? E o cara deu um sorriso meio idiota.

_ Sei onde fica sim.

Desci a calçada e me aproximei da janela do carro. O cara abriu a porta e me esperou parado ao lado da mesma e eu achei aquilo até natural...

_ Você faz assim... Segue reto até o terceiro semáforo. Em seguida...

_ Em seguida você entra logo na porra desse carro e acho bom não dá um pio sequer, filho da puta.

Sempre fui um cara marrento e competitivo. Aquele tipo de violência me pegou de surpresa e pela primeira vez depois de muitos anos eu tive medo do que poderia me acontecer. O motorista me olhava com um riso cínico no rosto e no banco de trás outro cara me apontava uma arma com silenciador.

_ Ei, cara... Por favor...

O tapa foi certeiro em meu lado esquerdo do rosto. A pele esquentou e meu sangue ferveu na hora. Olhei atônito na direção do vigia do Condomínio e o mesmo olhava para o outro lado com o telefone da cabine no ouvido. " Fudeu ", foi tudo o que pensei antes de ser puxado pra dentro do carro. Caí de cara no banco traseiro por cima das pernas do cara que estava sentado lá. O carro saiu normalmente, o que achei estranho, pois era comum nesse tipo de situação eles arrancarem saem pensar no amanhã.

_ Assim que botar o boneco aí pra dormir coloca esse saco preto na cabeça dele. O chefe não quer que ele veja nada do trajeto que faremos.

Senti um cheiro terrível de algum produto de limpeza ou algo usado pra matar alguém quando um pano foi colocado em cima do meu nariz e uma mão forte pressionou o mesmo até me fazer perder a consciência.

Não sei por quanto tempo passei desacordado. Quando dei por mim, sabia que estava em trânsito pois o carro balançava muito nas estradas e as vezes a piçarra de algumas delas batia na lataria do carro fazendo um barulho característico. Tentei levantar e uma voz seca disse:^

_ Nem pense em fazer isso, riquinho filho da puta.

_ Por favor, cara... Me deixa sair daqui... Meu pai pode resolver tudo isso... Só me deixa sair daqui, por favor...

_ Coloca o riquinho pra dormir novamente, Soldado.

_ É pra já, Soldado. E os tr~es começaram a rir do meu desespero...

_ Não... De novo não... Por favor... cara... Nãoooooooo... O mesmo odor que havia sentido na noite passada. Em pouco tempo o silêncio de minha parte se fez notar...

Mais uma vez a incerteza. Pela primeira vez a impotência. Me recusei a ter medo porque não queria que eles vissem o quanto estava apavorado com toda essa situação. Tentei lembrar das feições dos caras e tudo já começava a ficar embaçado. Frustração era a palavra que mais me definiria nesse exato momento.

Quando o carro parou senti mão me pegarem e mesmo sentindo uma puta dor de cabeça por conta do produto que usaram para me apagar eu tentei ficar o mais ereto possível e escutei uma vaca mugindo bem perto de mim. " Estamos numa fazenda ", fiquei um pouco mais calmo e mais uma vez dois braços me pagaram de cada lado dos meus e fui escoltado até o interior de uma provável casa ou chácara. As algemas em meus pulsos e a mordaça que haviam colocado em minha boca já me incomodavam horrores. A sensação de ter a boca totalmente preenchida por uma espécie de bola era algo bem incomum na minha vida. Senti o sol quente nas minhas mãos e isso me deixou triste pois mais um dia havia nascido e eu ainda me encontrava numa situação nada favorável.

_ Levem a mercadoria pra dentro e o prendam no porão junto com os outros dois que lá estão.Nada de tirar as mordaças, os sacos, as algemas... Não quero facilidades dessa vez. O chefe não quer perda... Entenderam, Soldados?

Os outros devem ter concordado com acenos pois não ouvi nenhuma voz responder nada ao homem que falara aos outros.

Andei por quase dez minutos até entrar em algum lugar. Só sei que entrei em algum lugar porque o calos do sol não mais me atingia e sem poder fazer ou dizer nada fui levado em silêncio até o tal porão do lugar e só o que me restava fazer era esperar pelo socorro, pela minha salvação e pelo prazer de poder rever todos aqueles que amava... Só que isso jamais voltaria a acontecer novamente... E eu não sabia nada disso.

*

*

*

*

*

DIMITRI E UM ENCONTRO NADA AGRADÁVEL...

Todos os dias daquela semana foram os piores que vivi na vida. o jovem Rômulo me fazia falta e ele talvez não tivesse noção do quanto. Tivemos cinco meses de convivência quase que diária. Críamos um elo que se fortalecia de forma natural e espontânea. Viramos parceiros de trabalho inseparáveis e pra piorar o que eu sabia sentir por ele só ficou mais e mais forte me causando uma dor insuportável... E o silêncio continuava.

Três noites após o meu aniversário, que foi devidamente cancela por motivos óbvios, estava estacionando meu carro na garagem quando uma voz familiar e indesejada me chegou aos ouvidos...

_ Dr. Dimitri, por favor...

Gelei ao reconhecer a voz de Giovanna Bonara. Travei o carro após acionar o alarme e me virei cautelosamente em sua direção...

_ Você esta falando comigo? Meu olhar disse sem que eu precisasse abrir a boca que se tinha uma coisa que eu não faria questão era falar com tal pessoa. Guardei as chaves do carro no bolso da calça social que usava e me dirigi ao levador.

_ Por favor, Dimitri. E ela foi mais rápida que eu ao dar a volta por mim e parar à minha frente com olhos cheios de bondade... Isso quase me destruiu.

_ O que você quer, Giovanna? Perguntei enquanto mudava o paletó para o outro braço.

_ Eu soube o que aconteceu com o filho do Dr. Rômulo Ficher, seu assistente pessoal.

_ E o que aconteceu com ele? E meu olhar penetrou o seu e lá tinha alguma coisa errada pois suas pupilas dilataram momentaneamente.

_ Um amigo em comum contou no escritório que o herdeiro do grande empresário estava desaparecido e que o mesmo era o seu assistente pessoal. Só queria me solidarizar e oferecer os meus...

_ Você é patética, garota. Você e esse grupinho de inúteis com quem anda deveriam procurar algo útil pra fazer na vida ao invés de se sentirem cheias de solidariedade ou piedade quando na verdade não sentem nada e com certeza riem da desgraça alheia. Não me faça mais perder meu tempo com você. E antes que esqueça diga a seus amigos que vou pedir aos investigadores da Polícia que apurem os boatos que chegaram até vocês uma vez que nada disso havia sido divulgado.

Poderia jurar diante do Trono de Deus Todo Poderoso que ela tremeu nas bases ao ouvir as minhas palavras. E rapidamente algo a fez se controlar e dizer com a voz clara e suave...

_ Não há a menor necessidade disso, Dimitri... Ainda mantenho contato com alguns amigos do seu primo mesmo depois do final de nossa relação e me parece que o pai de um deles trabalha como um dos Diretores do Grupo Ficher e o próprio Senhor Rômulo comentou com os mais chegados toda essa situação. Mas, se o ilustre advogado quiser levar adiante o que talvez ele considere como vazamento de informações sigilosas, por favor fique à vontade.

Ela deu um passo para o seu lado direito liberando minha passagem e como o elevador havia chegado entrei no mesmo e agradeci aos céus me vez sozinho com meus pensamentos e fantasmas.

*

*

*

*

*

RÔMULO FICHER FILHO...

Fui levado por um dos caras que haviam me sequestrado e após o mesmo abrir uma de minhas algemas, voltou a fechá-la dessa vez na frente do meu corpo. Meus braços foram levantados e senti os aros serem presos a uma corrente que pendia do teto. Passos se aproximaram de mim e quando o saco preto foi puxado de minha cabeça contei rapidamente sete pessoas dentro daquele lugar quente e apertado. Dois garotos estavam nas mesmas condições que eu. O garoto ruivo à minha direita parecia ter apanhado muito pois exibia hematomas significativos no rosto, ombros e pernas. O outro garoto que tinha o cabelo castanho exibia também uma boa coleção de hematomas pelo corpo e ao me ver baixou a cabeça.

_ Quem dos idiotas machucou as mercadorias? Quem mandou vocês fazerem isso a esses garotos? O chefe vai tirar o couro de vocês pessoalmente, porra... Quantas vezes eu vou ter que dizer que esse garotos são propriedade dele, caralho?

Os outros três homens se entreolhavam e nada diziam.

_ Não vão dizer nada, porra? E a arma que estava em sua cintura foi exibida rapidamente.

_ Eu só queria me divertir um pouquinho, Soldado chefe. Eles são muito gostosos e...

Um único tiro foi ouvido e o jato quente do sangue do homem que estava falando bateu com fúria em meu rosto. Aquilo me deixou sem ar momentaneamente. Nunca havia alguém ser morto na minha frente e a sangue frio. Quando olhei para os garotos eles pareciam ter achado bom a morte do tal bandido que jamais soube o nome.

_ Levem essa porcaria daqui e cuidem para que jamais ele seja encontrado. Entenderam, dupla de idiotas? E apontou a arma para os caras. Os mesmos saíram levando o cadáver do maldito bandido e ao olhar para cada um de nós ele apenas sorriu e disse...

_ Em breve faremos uma viagem. Algum de vocês conhece a região da Amazônia? Garanto que lá o ar é mais puro do que vocês possam imaginar.

Fiquei ali mais uns três dias pois passei a contar o tempo pelas refeições que recebia e também pelo momento em que tínhamos de escovar os dentes pela manhã, cedinho. Foi no quinto dia que ouvi o barulho de um avião bimotor praticamente pousar ao lado do lugar em que estávamos mantidos como prisioneiros. Reconheci o barulho pois várias foram as vezes em que viajava com meu pai, minha mãe e minha irmã Vivi em nosso avião particular.

Se antes eu pensava que a ideia da Amazônia era só um blefe, agora eu tinha certeza que era uma das coisas mais reais que viveria na minha vida... Só que eu viajaria sim só que pra Amazônia, nunca. O momento da viagem havia chegado porque fui vendo os garotos serem apagados por aquele cheiro horrível que eles apertavam em nossos narizes e quando chegou a minha vez eu mais uma vez não pude fazer nada.

Quando acordei sei lá quanto depois depois de ser apagado pelos malditos Soldados sequestradores comecei a ter certeza de que jamais teria a minha vida de volta e se eu escapasse com vida depois de tudo eu nunca mais seria o mesmo. E um ódio mortal deu lugar ao medo que senti desde o dia anterior ao aniversário do Dr. Dimitri Freire, homem que sempre amaria e faria parte da minha vida que infelizmente havia ficado no passado.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Meus queridos amigos o meu agradecimento por tanto carinho recebido. Ainda tô escrevendo do celular e isso é muito ruim. Só quero dizer que sempre farei o possível e lembrem-se sou capaz de fazer também o impossível para continuar na nossa estrada. Um grande abraço. Tô meio vesgo, aqui... Rsrsrsrsrsrs... Desculpem os erros. Nando Mota.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 3 estrelas.
Incentive Nando Mota a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Obrigado por não nos abandonar e continuar escrevendo esta historia maravilhosa e triste ...Beijo no coração

0 0
Foto de perfil genérica

Nando só posso dizer que esta cada vez mais emocionante, e que a cada capítulo fico querendo mais kkkk. Seria bom mesmo Dimitri não esquecer de pedir uma investigação sobre o que Giovanna Bonara falou. Afinal tudo pode ser uma pista. Abraço e até o próximo

0 0
Foto de perfil genérica

Tenho certeza que a cadela da Geovanna está por trás desse sequestro mas, pra fins ele foi sequestrado ? Espero que tudo volte ao normal meu amigo. Abracos man...

0 0
Foto de perfil genérica

A cada capítulo mais interessante. Abraços.

0 0
Foto de perfil genérica

Nossa amigo, só posso dizer que a estória está incrível. Roteiro de filme de ação, você arrasa como sempre. Beijos lindão!!!

0 0
Foto de perfil genérica

Tomara que o Dimitri leve a sua desconfiança adiante e acione todos os responsáveis pela investigação do sequestro sobre a conversa com Giovanna, que no afã de querer ver o sofrimento do Dimitri, não pensou que atrairia as suspeitas para si.Agora me pergunto como o Rômulo conseguirá escapar das mãos do primo da Giovanna, pois dá a entender que ele têm outros planos para o jovem Rômulo. Nando não esqueça de usar os óculos,rsrsrs.Este cap estava incrível, sem palavras para descrever o quanto gostei. Um cheiro e um super beijo da sua eterna Mama Rose.

0 0
Foto de perfil genérica

não precisa pedir desculpas querido, qto ao cap de hj mto interessante, agora estamos conhecendo a história tbm na perspectiva de Rômulo, uma coisa eh certa seus caps tem gostinho de quero+, e eu estou amando o conto... bjss e ateh o próximo cap

0 0