Louco Amor TP2 CP5 - Posso deitar ao seu lado?

Um conto erótico de Lipe
Categoria: Homossexual
Contém 5796 palavras
Data: 20/04/2016 19:49:03

Oi meus amores, tudo bem com vocês?

Ao ler os comentários vi que várias pessoas acertaram o conteúdo da carta – vocês são uns gênios ^^/ - vi também vários elogios que como sempre me deixam sem jeito e muito feliz *-*

De maneira geral, amo vocês, se sintam abraçados e beijados, obrigado por tudo.

E ah, qualquer erro, me desculpem, não tive muito tempo de revisar.

BOA LEITURA!!!

LOUCO AMOR TP2 EP5 – Posso deitar ao seu lado?

_ Achei! – disse assim que peguei o terno.

Coloquei a mão em um dos bolsos e não tinha nada para o meu pequeno desespero, mas ao olhar no outro bolso, senti algo, ao tirar pra fora vi que era o envelope. Olhei para Caio e ele me olhou de volta, ambos estávamos curiosos para sabe qual era o conteúdo daquele envelope.

Respirei fundo e abri, tinham dois papeis, Caio se juntou ao meu lado e lemos a primeira folha.

_ Se me permite dizer. Eu amo aquela garota. – Caio disse.

_ Eu também. – disse ainda sem acreditar no que ela foi capaz de fazer por nós.

Nós sentamos na cama e eu em voz alta reli o que estava escrito no papel para ter certeza que não havíamos entendido errado.

*Declaração de Guarda (Responsabilidade, Proteção e Cuidados de Menores).

Eu, Tereza Gamberini Winchester inscrito (a) no RG **** sob o nº ****** expedido pelo (a) SDS, CPF nº *** residente e domiciliado (a) na cidade *** CEP ***, UF PE. DECLARO, nos termos da Lei nº* e em concordância com o Art. 19 e Art. 32 da Lei nº** (Estatuto da Criança e do Adolescente) que em caso de minha morte em parto, a guarda do menor ainda sem qualquer registro cidadão deverá ficar interinamente com Caio Henrique da luz assim que o exame de DNA sobre mandato de justiça o confirmar como pai.

No final da folha havia a assinatura de Tereza e logo mais abaixo uma linha em branco na qual deduzi ser onde a assinatura de Caio entraria.

_ Será que tem validade legal? – ele disse pegando o documento da minha mão para pode analisar melhor.

_ Deve ter, ela não brincaria assim com nós.

_ É bom demais pra ser verdade Lucas.

_ Espera, aqui tem outra folha.

Ele colou seu ombro no meu novamente e desviou toda sua atenção para a segunda carta em minhas mãos. Logo no começo percebi que não se tratava de algo oficial como a primeira folha, mas sim de uma carta escrita a punho endereçado a leitura pessoal, no caso a mim. Li em voz alta:

Se estiver lendo essa carta é porque eu já não faço mais parte desse mundo. – senti naquele momento meu coração apertar como se alguém o espremesse. Fiquei tenso diante daquela primeira linha e não consegui mais ler. Caio percebeu o meu estado e continuou de onde parei assim que pegou a folha de minha mão – É estranho pensar nisso, pois nesse momento enquanto escrevo, estou comendo pães de queijo deliciosos. – nem mesmo minha tensão me impediu de abrir um sorriso ao ouvir aquela prova de bom humor que ela ainda preservava mesmo no dilema de vida ou morte que se encontrava. – Brincadeiras a parte, eu já tomei minha decisão, essa criança vai vir ao mundo e vai ser feliz, mesmo que isso custe minha própria vida. Eu queria muito ter pensado assim desde o começo, mas não foi bem o que aconteceu. Me desesperei quando soube que era uma gravidez de risco e que minhas chances de vida eram poucas, não sabia a quem recorrer, pra falar a verdade, eu não tinha a quem recorrer, a não ser as minhas próprias amigas que quase nada sabiam o que era viver de verdade. Tentei aborta-lo e me arrependo amargamente disso desde o momento em que Caio me salvou de fazer a maior burrada da minha vida naquela clinica clandestina que me causa náuseas até hoje só de lembrar o odor de morte que era exalado das paredes. Vi amor, desespero e alívio em seus olhos ao me ver sentada esperando por minha vez de ser atendida, ele amava nosso filho e eu pude perceber, aquilo me envergonhou, me envergonhou porque eu só sentia o que ele estava sentindo por mim mesma, mas o amor dele por nosso filho era tão grande que acabou respigando em mim, me fez voltar a sanidade, me fez enxergar e acima de tudo me fez mais humana. – nesse momento Caio baixou a carta e levou a mão livre para secar os olhos marejados que até então eu não havia percebido. Por certo aquela lembrança ainda o trazia muitos sentimentos.

_ Foi um dos piores dias da minha vida. – comentou ainda com a mão nos olhos. Seu rosto se contraia a todo estante na tentativa de segurar ao máximo o choro.

Lhe beijei a bochecha e com a mão virei seu rosto para beijar sua boca.

De certa forma aquilo o acalmou e expulsou sua vontade de chorar pra bem longe, ele tinha sérios problemas em chorar na minha frente e eu não entendia por que. Talvez para não demonstrar fraqueza.

_ Me faz tão bem. – ele disse colando sua testa na minha. – tenho tanto medo de ter perder para outra pessoa e ficar sozinho. Você e meu filho são as duas coisas mais importantes da minha vida.

_ Vamos envelhecer juntos se depender de mim. – disse.

Ele sorriu e me beijou de forma calma e lenta.

Quando paramos, peguei a carta de sua mãe e decidi continuar a leitura:

Sei que quando eu me for, não precisarei me preocupar com a felicidade de meu filho, pois sei que ele ficará bem e será bem cuidado sobre a proteção das pessoas mais excepcionais que eu já tive o prazer de conhecer. Mas se caso algo fugir do controle estarei preparando um oficio onde darei plenos poderes ao pai que apenas terá a fazer só será assinar, fazer o teste de DNA e apresenta a folha a um advogado. Estou torcendo pela felicidade dos dois. Vocês merecem. Seja um bom padrasto João Lucas – tanto eu como Caio sorrimos nessa parte. Padrasto? Não havia pensado nisso até então. – e não sofra por mim, viva sua vida e seja feliz, isso me deixara feliz.

Virei à folha em busca de mais palavras, mas não tinha mais nada além de linhas em branco.

_ Acho que acabou. – disse meio tristonho.

_ Leu o que ela escreveu né? Ela quer te ver feliz. – ele disse com a mão em meu ombro.

_ Não será difícil com você ao meu lado.

_ Oh meu Deus, que coisa mais fofa. – ele disse enquanto apertava minha bochecha.

Nós beijamos e nós curtimos por um tempo em uma espécie de comemoração antes de nós recompomos e ele decidir ligar para o advogado de sua família para saber um pouco mais sobre aquele oficio que Tereza havia nós deixado, não pude ouvi a conversa, pois meu celular tocou bem na hora em que ele fazia a ligação. O deixei a vontade no quarto para poder falar com o seu advogado, e decidi atender a ligação de Fagner no corredor.

_ Oi meu amigo, como estas? – ele perguntou assim que atendi.

Desde que entrei em depressão passamos a nós falar todos os dias, foi um amigo e tanto ao lado de Caique e Caio nas minhas horas de crise.

_ Estou bem melhor meu anjo. – disse me sentando no chão do corredor. _ Decidi decretar um fim ao meu luto de uma vez por todas.

_ Está falando sério? – ele perguntou de forma entusiasmada.

_ Claro. Até sai da cama hoje, inclusive estou sentado no corredor nesse exato momento em que falo com você.

_ Nossa velho, estou muito feliz que esteja se recuperando, mas porque está sentando no corredor menino?

_ Ah, é uma longa história.

_ Hum, vou até me sentar aqui. Algo me diz que tens novidades, então pode ir me contando, tenho todo tempo do mundo.

Sorri e decidi contar tudo a ele, desde a ameaça do pai de Tereza de tirar a guarda do filho de Caio ao final feliz que veio graças a um pedaço de papel e claro, a boa vontade de uma pessoa que eu nunca esqueceria.

_ Até Caique aqui do meu lado está besta com essa porrada de informações. Sério que isso tudo aconteceu em menos de vinte e quatro horas?

_ Pois é, às vezes nem eu acredito que a minha vida é essa loucura mesmo.

_ A tua vida dá uma novela.

_ Olha só quem fala.

_ O que tem de interessante na minha vida?

Ao fundo pude ouvi uma voz que disse “euuu”. Logo deduzi ser Caique e sorri com a situação, Fagner também sorriu, mas decidiu não comentar nada a respeito e continuou de onde parou:

_ Sou só um garoto que vai fazer um transplante de pulmão. Nada de mais.

Sarcástico. – pensei eu.

_ Falta poucos dias né?

_ Sim, sim.

_ E como é que tá se sentindo?

_ Sei lá, um pouco de ansiedade, medo, esperança, não sei direito, são muito os sentimentos que me assolam atualmente.

_ Queria muito poder cumprir o que havia falado a respeito de está aí do seu lado.

_ Sei que sim, mas eu entendo, você deve ficar ao lado do seu noivo, ele irá precisar de você. Irei ficar bem, prometo.

_ Fagner...

_ Sim?

Senti minha garganta apertar e secar naquele momento, não sei se deveria falar o que meu coração que batia com medo de que desse algo errado no transplante me mandava falar.

_ Vai dar tudo certo meu amigo, eu te amo muito, não se esquece. – disse por fim sem medo de uma interpretação errada de sua parte.

Senti sua respiração ofegar do outro lado da linha, e por segundos foi só o que eu escutei.

_ Também te amo.

Uma lágrima escorreu de meus olhos naquele momento. Não queria perde-lo, não queria perder mais alguém importante em minha vida, não sei se sobreviveria a mais uma.

_ Estarei rezando por você meu anjo. De certa forma estarei do seu lado no grande dia.

Não podia vê-lo naquele momento, mas sabia que as lagrimas rolavam pelo seu rosto enquanto era abraçado e consolado por Caique.

_ Obrigado. – disse com a voz embargada.

Nesse momento senti alguém próximo a mim, rapidamente olhei na tal direção e vi que era Caio parado com a cabeça apoiada no batente da entrada do meu quarto me observando. Logo o que surgiu na minha mente foi a inevitável pergunta “será que ele havia ouvido a parte do “eu te amo” e entendido errado?”.

_ Manda um abraço pro Caique tá? Se cuida. – disse me despedindo.

_ Você também. Tchau.

_ Tchau. – disse ao me levantar de onde estava.

Guardei meu celular no bolso da calça e me aproximei dele pronto – ou não – para explicar tudo.

_ Faz tempo que está aí?

_ Um pouco. – ele disse com uma expressão neutra, que para meu mini nervosismo não dava para detectar qual era o sentimento que o rondava naquele momento. – inclusive ouvi a parte do “eu te amo” se é o que quer saber. – ele disse ao se desencostar do batente da porta.

_ Olha, tenho como explicar... – disse já começando a ficar nervoso. – o que eu... – me interrompi no momento em que ele começou a rir.

Ele colocou as mãos em meus braços e ainda sorrindo disse:

_ Não sou tão ignorante assim Lucas, sei o tipo de amor que tem por ele e sei o tipo de amor que tem por mim, sei separar as coisas.

_ Mas eu pensei...

_ Tinha que ver a sua cara – disse e riu mais ainda.

_ Há-há-há muito engraçado. – não estava conseguindo achar graça naquilo, até porque meu coração ainda tentava se normalizar do susto.

_ Também te amo. – falou vindo me dar um selinho.

_ Mas e aí como foi à conversa lá com o advogado?

_ Expliquei tudo e ele basicamente me mandou ir lá. Me atenderia daqui a uma hora. Vem comigo?

_ Claro.

Tiramos aquelas roupas de pessoas que não fazem nada da vida e as trocamos por algumas mais apresentáveis para a ocasião e de uma forma bem resumida já que estávamos atrasados, contamos o que aconteceu a minha mãe que ficou bem feliz com a notícia. No carro de Caio seguimos até o escritório do tal advogado que inclusive ficava do outro lado da cidade.

Chegamos lá mais ou menos dez minutos atrasados, do estacionamento até o interior do prédio que era enorme, coisa de rico mesmo, fomos correndo.

_ Caio Henrique? – chamou a recepcionista assim que adentramos na sala de espera.

_ Essa foi por pouco. – Ele disse de forma um pouco ofegante enquanto nós encaminhávamos para a sala indicada pela recepcionista.

Tudo lá dentro era como no lado de fora, fino e sofisticado, o escritório por si só era espaçoso, bem iluminado, cheio de livros jurídicos em prateleiras de madeira grossa que quase não deixavam brechas para que as paredes extremamente lisas e brancas ficassem a mostra.

Um senhor de mais ou menos quarenta anos, pele e cabelos brancos, olhos azuis e todo engomado nos esperava com um sorriso no rosto em pé logo atrás de sua mesa com papeis espalhados por todo lado.

_ Grande Caio. – ele disse dando meia volta na mesa para cumprimenta-lo. – Quanto tempo rapaz, já está um homem feito. – disse apertando a mão de Caio.

Eu sabia que aquele senhor era advogado da família de Caio, só não sabia que já fazia tanto tempo assim.

_ Bom rever o senhor também. – Caio disse sorridente. – Esse daqui é o Lucas, meu noivo, Lucas, esse é o seu Edgar.

Sei que éramos assumidos e que já não era segredo para quase ninguém nosso relacionamento, mas minha surpresa e alegria nunca diminuíam quando ele me apresentava – sem medo – como seu namorado. O sorriso de seu Edgar sumiu e ele nós olhou espantado, provavelmente surpreso com aquela informação.

_ Noivos? – ele perguntou de forma incrédula.

_ Sim, algum problema? – Caio perguntou de forma seria enquanto cruzava os braços na altura do peito.

Só era o que estava faltando: Uma outra briga naquele dia.

_ Claro que não. – ele disse voltando a sorrir. – Eu só fiquei surpreso, não quero que pensem que sou homofóbico. Tudo bem rapaz? – ele disse estendendo a mão para mim.

Ufa, essa foi por pouco.

_ Tudo sim. – disse retribuindo o aperto de mão e também o sorriso.

_ Sentem-se, por favor, fiquem a vontade. – ele disse apontando na direção da duas cadeiras a nossa frente enquanto se dirigia ao seu lugar. – Querem alguma coisa? Água, suco...

_ Uma água seria bom né amor. – ele disse se referendo em parte a mim. Apenas balancei a cabeça em concordância. – Viemos correndo do estacionamento até aqui para não perder a hora.

_ Entendo. – disse seu Edgar sem abandonar o sorriso no rosto. Pelo telefone ele fez o pedido a sua secretária. – Mais uma vez quero reforçar que não sou de jeito algum homofóbico, até porque tenho um filho gay e nós damos super bem, só fiquei surpreso porque lembro bem do senhor – disse apontando de forma amigável para Caio – na adolescência, não parava quieto, nunca pensei que fosse gay.

_ Nem eu. – ele respondeu sorrindo enquanto segurava em minha mão que repousava em cima de minha coxa. – Agora eu sosseguei e espero que pra vida toda.

Ambos olharam sorrindo pra mim e com tal atitude fiquei totalmente envergonhado e desconsertado sem saber o que fazer ou falar até porque nunca fui de receber declarações em publico.

Alguém me salva? (rsrs)

_ Parabéns aos dois, já tem data de casamento?

_ Ainda não, mas não vamos deixar que demore muito.

_ Espero ser convidado. – disse seu Edgar sorrindo nos fazendo rir.

Até que ele era bem descontraído pra um advogado tão famoso no estado.

_ Claro.

Naquele momento duas batidas na porta foram ouvidas e um com licença foi dito logo em seguida, seu Edgar levantou o olhar na direção da porta e com uma cara surpresa deu permissão ao rapaz para entrar, ele trazia em uma bandeja nossa água, ele tinha no máximo dezenove anos, cabelos castanhos estilo topetão, de bunda exageradamente grande que ficava marcada na calça apertada e era dono com um corpo escultural de dá inveja a qualquer mulher. De longe meu gaydar apitava para aquele cara.

_ Laila teve que teve que dá uma saidinha pai, então me pediu para trazer isso aqui. – ele disse passando do lado de Caio praticamente roçando a coxa no braço dele mesmo tendo espaço de sobra para que aquilo não tivesse que acontecer. Por bom senso, não liguei muito, afinal foi só um acidente.

_Hum, sei. – disse o seu Edgar de forma bem desconfiada enquanto o seu filho colocava a bandeja com a água em sua mesa.

_ Não vai me apresentar aos cavaleiros? – ele disse olhando de forma fixa nos olhos de Caio enquanto lhe entregava o copo com água que eu rapidamente tratei de tira das suas mãos antes que Caio pegasse e com isso, consequentemente entrasse em contato pele a pele com aquele oferecido idiota.

O clima pesou, pois todos perceberam o que estava acontecendo ali, inclusive o assediado da história que me olhou implorando pra que eu não fizesse ou falasse nada. E de fato eu não iria fazer nada, contanto que ele não investisse mais.

Por fim em meio ao silencio peguei meu copo com água e bebi um pouco de forma fixa em seus olhos assim como ele fez com Caio.

_ Obrigado Ítalo, agora se retire, por favor. – disse seu Edgar aparentemente de forma desconfortável.

_ Mas...

_ Se retire. – repetiu seu Edgar de forma firme.

Contrariado e com um sorriso falso no rosto, ele saiu da sala, para minha alegria e para o bem de todos.

_ Bem, vamos ao que interessa não é.

Com minha raiva e ciúmes controlados a conversa se seguiu bem por pouco mais de trinta minutos. Falamos sobre tudo e mais um pouco da importância daquele documento a favor de Caio diante do tribunal sobre a reivindicação dos pais de Teresa sobre a guarda do pequeno e guerreiro Aquiles.

_ O que temos que espera é que os pais de Teresa cumpram a ameaça e leve isso ao tribunal, coisa que eu acho que eles vão fazer o mais rápido possível. Nessa conversa o que percebi é que único argumento contra você é que é pai solteiro e muito novo para tal responsabilidade. Isso com certeza não vai ser maior que esse documento. – ele disse sorrindo enquanto devolvia o documento para Caio que já havia assinado.

_ Muito obrigado por pegar essa causa, é a pessoa que eu mais confio e tenho estima nesse âmbito. – Caio disse alegre.

_ Muito obrigado também seu Edgar, isso é muito importante pra nós.

_ Sei que sim, vocês vão sair vitoriosos de lá, tem minha palavra.

Palavra essa que recupera nossos sonhos e enche novamente nosso coração de esperança. Com abraços nós despedimos daquele senhor sorridente e simpático que em nada se parece com seu filho.

_ Gostei muito dele. É um cara que passa com um sorriso um índole irrefutável. – disse verdadeiramente fascinado enquanto nós dirigíamos para a saída do prédio.

_ Tive o prazer amor de ver por ações que ele realmente é, o que o sorriso demonstra.

_ Sério? – Perguntei.

_ Fica calmo. – ele disse de uma hora pra outra me fazendo indagar “Por quê?”.

Mas só bastou eu olhar um pouco pra frente pra ver aquele ser horrendo e atirado entrando pela porta de vidro com um sorriso falso pra mim. Ali meu sangue esquentou e meu coração bateu forte enquanto a raiva me consumia por inteiro. Juro que se ele tivesse falado algo enquanto passava ao nosso lado eu teria me esquecido do lugar onde estava, do respeito pelo seu pai e ainda mais da minha reputação.

_ Tchau gato. – ele disse um pouco distante de nós.

Meu ser estremeceu de uma maneira que até me assustei. Consumido pela raiva do estopim final do deboche, fiz rapidamente menção em me virar e ir atrás dele tomar satisfações e com sorte lhe dá umas boas bofetadas já que minha mão coçava para isso, mas infelizmente ou não, fui impedido por Caio que segurou com a mão esquerda minhas costas enquanto que com a direita pegou em minha mão e me puxou pra fora onde pude respirar ar puro e me acalmar um pouco.

_ Sinto alguém com ciúmes. – Caio disse abrindo um sorriso de lado.

_ Não começa Caio, eu ainda vou matar aquele filho da mãe. Vem cá tu já o conhecia? Conhece o pai desde criança né, deve conhecer aquela vagabunda atirada do filho dele também, o que fazia quando ficavam sozinhos? – disse de forma totalmente viajada, praticamente respiguei com aquele discurso minha raiva nele, que em nada tinha haver com aquilo. E ainda fiz pior ao sair pisando fundo sem nem ao menos lhe dando o direito de resposta.

Ele me acompanhou quando eu já estava em frente ao seu carro e me puxou pelo braço para que eu o encarasse.

_ Não viaja Lucas, eu não fiz nada pra você descontar essa raiva em mim não.

No mesmo estante levei às mãos a cabeça e com lágrimas nós olhos reconheci que ele estava certo.

_ Desculpa minha vida, eu não queria, desculpa, tem razão, eu sou um idiota mesmo.

Presenciando meu mini descontrole ele me puxou para um abraço que eu retribui com a força de que um dia fosse o perder.

_ Você não é idiota. Eu entendo seus ciúmes e até acho fofo, mas não quero que saia se atracando com uns e outro por causa disso, até porque eles nunca me roubarão de você. Sou só seu, meu magrelo.

_ Tem certeza que não se sentiu atraído por ele? – perguntei saindo do abraço para poder olhar em seus olhos.

_ O quê – disse com voz de surpresa e indignação. – Claro que não. Você sabe que é o único cara que mexe comigo.

Limpei as lágrimas e então cruzei os braços.

_ Mas ele tem um corpo de dá inveja a qualquer mulher, vai me dizer que não deu nenhuma olhada?

_ Ele não deixa de ser homem por causa disso. – ele disse enquanto destravava o carro.

Nem eu sabia o porquê de toda aquela minha ladainha, talvez eu estivesse me sentindo inseguro e só queria dele palavras que me assegurassem que estava tudo bem, porque pra mim naquele momento, perde-lo para outra pessoa estava totalmente fora de cogitação.

_ Como entender isso. – falei abrindo um sorriso aliviado enquanto dava a volta no carro para poder entrar.

_ Nem eu entendo. – ele disse quando já estávamos dentro do carro dando partida. – Vamos lá na maternidade? Preciso ver meu pequeno guerreiro.

_ Vamos sim, estou com saudades dele também.

_ Lembra né, seja um bom padrasto. – ele disse sorrindo quando já estávamos pegando a rodovia.

_ Opa, claro. – respondi sorrindo.

***

***

***

_ Você iria me falar mais sobre o Edgar quando aquele aprendiz de piriguete nós interrompeu. – o lembrei quando estávamos parados no sinal vermelho.

Estava curioso para saber mais a respeito.

_ Ah foi mesmo. É que quando minha família ainda era pobre passamos por uma situação difícil. – nesse momento o sinal abriu e ele seguiu em frente rumo a maternidade. – morávamos em uma casa alugada próximo ao centro da cidade e todo mês pagávamos tudo certinho ao filho do dono e recebíamos um comprovante, tudo normal até aí. Aí teve três meses seguidos em que pagávamos, mas não recebíamos o comprovante porque o filho do dono sempre alegava que estava em falta e como meus pais em treze anos nunca teve motivos para desconfiar dele, deixou passar, mas um dia, uma sexta-feira a tarde o dono em pessoa foi lá em casa e começou a discutir com meu pai porque não recebia o aluguel já a três meses, o que obvio, era mentira. Meu pai tentou argumenta dizendo que havia pagado, mas como estávamos sem o comprovante não poderia provar.

_ Nossa. – disse pasmo com a história. – E aí, o que aconteceu? O filho enganou o pai, ou era um golpe dos dois?

_ Estou chegando lá. Quando meu pai confrontou o filho do dono da casa na frente do seu pai, ele teve a cara de pau de dizer que não havíamos pagado nada a ele.

_ O pai acreditou em vocês no final não é.

_ Laaaa no final. Porque naquele momento ele ficou do lado do filho e exigiu que ou nós pagávamos tudo de uma vez em no máximo dez dias ou seriamos despejados.

_ Que filho da puta. – comentei revoltado. – o que seus pais fizeram?

_ A principio meus pais ficaram desolados sem saber o que fazer. Não tínhamos o dinheiro que exigiam e o pior, não tínhamos para onde ir, a casa onde morávamos era única na região em que o salário da minha mãe e do meu pai dava pra pagar.

_ Creio que entraram na justiça com a ajuda de seu Edgar não?

_ Exatamente.

_ Mas como conseguiram paga-lo, ele aparenta ser um advogado bem caro.

_ Esse é o motivo por eu o admirar tanto. – ele disse enquanto virava a esquerda.

_ Por ele se caro? – perguntei surpreso.

Ele riu e balançou a cabeça.

_ Por ele não ter cobrado nada aos meus pais para nos defender na justiça.

_ Sério? – perguntei pasmo.

_ Meu pai nesses dez dias que tinha procurou por vários advogados particulares que ele pudesse pagar, estava quase desistindo quando encontrou o seu Edgar, que por ironia era o mas caro de todos, ele depois de ouvir a história de meu pai acabou se comovendo e fazendo uma promessa de que se achasse evidencias que meu pai estava falando a verdade, o defenderia perante um juiz um centavo.

_ Sem sombras de dúvidas, aquele Ítalo é adotado. Mas e aí ele achou evidencias?

Ele riu do meu comentário e continuou:

_ Ele investigou a conta do banco de Jonathas, o filho do dono e constatou que nós últimos três meses ele fez depósitos sempre nos mesmos dias em que meu pai disse paga-lo. Isso combinado com mais algumas testemunhas que viram ele lá em casa recebendo o dinheiro ajudou por ferra-lo no tribunal que optou para que ele pagasse uma indenização gorda a nós, a qual meus pais usaram para comprar um sitio que hoje é aquela fazenda enorme.

_ A males que vem para o bem. – comentei um pouco fascinado com aquela história – Mas e aí o dono também era um golpista.

_ Creio que não, ele nós pediu desculpas quando descobriu a verdade e acabou que além de pagar a indenização do filho, passou a casa em que morávamos para o nome de meu pai.

_ Agora sim eu fiquei surpreso.

_ Era o mínimo a ser feito depois daquela humilhação. – ele disse quando já estávamos adentrando o estacionamento da maternidade. – E respondendo a sua pergunta, não eu não conhecia o filho de seu Edgar na infância. – disse por fim tirando o sinto de segurança.

_ Fico aliviado. – disse também tirando o sinto de segurança para poder beija-lo.

Saímos do carro segundos após e nós encaminhamos até a UTI pediátrica, depois, claro, de lavamos a mão, colocamos o roupão e a touca.

_ Ele parece está bem melhor de que a última vez que o vi. – disse segurando em sua pequenina mão.

Notei que ele estava mais gordinho, com uma pele e aparência mais saudável e com bem menos fios o rodeando.

_ É um guerreiro. – ele disse.

_ Está virando um pai coruja. – eu disse virando meu rosto para encara-lo, estava da mesma forma que da primeira vez, com os olhos brilhando de alegria por causa do filho.

_ Culpa sua.

_ Minha?

_ Sim, foi você que despertou esse sentimento adormecido em mim.

Apenas sorri e permaneci calado, até porque eu não sabia o que falar, nunca fui tratado tão bem na vida.

_ O papai chegou. – disse uma voz atrás de nós roubando nossa atenção.

Era Laura, cabelos ruivos inconfundíveis e com os mesmos trajes de nós.

_ Oi Laura. – Caio disse lhe dando um abraço quando a mesma chegou a nós.

_ Oi Lucas, seu sumido. – ela disse vindo me abraçar.

_ Aconteceram algumas coisas aí. Mas já está tudo bem, não se preocupe. Mas e você como está?

_ Levando. – ela disse com um sorriso meio triste.

_ É amor. – Caio disse como se me contasse um segredo.

_ Fofoqueiro. – ela disse brincando. – Mas é isso mesmo.

_ Puxa, se quiser conversar. – eu disse.

_ Outra hora, quem sabe. Mas agora eu tenho uma boa notícia pra vocês dois.

_ Não vai me dizer que... – Caio disse abrindo um sorriso de canto a canto.

Provavelmente ele já tinha alguma ideia do que poderia ser, mas eu não, então fiquei meio que perdido.

Laura balançou a cabeça sorrindo e passou por nós até para em frente a incubadora onde o pequeno Aquiles se encontrava.

_ Eu não sou dessa área do hospital como vocês bem sabe, mas quando eu soube quis eu mesmo lhe dá essa notícia Caio.

Quando terminou de falar, ela pôs as mãos em algumas travas da incubadora e aos poucos e com cuidado abriu por completo a mesma. Ali finalmente pude entender o que estava acontecendo. Olhei para Caio e ele não piscava os olhos de tão fascinado que estava, seu sorriso só crescia a cada segundo enquanto Laura pegava o seu filhos nós braços.

_ Não vai chorar em. – ela disse se aproximando de Caio que ao contrário do que ela falara já deixava algumas lágrimas cair.

_ Eu não sei como segurar – ele disse meio receoso.

_ É fácil, não tenha medo. – ela disse passando aos pouco e com cuidado a criança para o seus braços. – Isso, só cuidado com a cabecinha dele.

Pela primeira vez ele tinha seu filho nos braços, seu sorriso lágrimas deixava claro sua emoção naquele momento. A principio ele permaneceu apenas olhando o rostinho daquele ser tão frágil, e receoso por deixa-lo cair não tirou sequer um dedo do lugar.

Aproximei-me de ambos e também me sentido comovido beijei o rosto molhado de Caio, olhei junto com ele meu enteado que dormia como um verdadeiro anjo e tomei a liberdade de pegar em sua delicada mãozinha que ao meu toque se fechou sobre meu dedo indicador.

_ É uma surpresa pra todos nesse hospital a força que esse menino está demonstrando ter. – disse Laura. – ele está reagindo muito bem, se fortalece a cada dia. Se continuar assim ele vai sair daqui antes do previsto.

_ O nome não poderia ter sido melhor escolhido. – Ele disse fungando o nariz.

_ Aquiles. – disse o nome mais para mim mesmo de que para os demais.

*Na mitologia grega, Aquiles foi um herói na guerra de Tróia. Ele era uma das personagens principais da obra de Homero "A Ilíada".

Aquiles era o mais forte, o mais corajoso e o mais belo guerreiro grego na guerra contra Tróia.

Aquiles era praticamente invulnerável, e morreu apenas quando acertaram uma flecha na única fraqueza que tinha em seu corpo - o calcanhar*.

Aquiles era guerreiro, forte e destemido, mas ele tinha uma fraqueza e essa fraqueza era o que lhe tornava humano. Foi isso que Tereza quis passar ao colocar aquele nome em seu filho.

E por pensar nela me senti extremamente com saudade.

Mas o que eu posso fazer para acabar com esse sentimento já que ela se foi?

Tenho que fazer algo, não posso sucumbir novamente.

Como a criança ainda não estava cem por cento, não pode permanecer por muito mais tempo nos braços de Caio.

_ Sem dúvidas hoje é um dos melhores dias da minha vida. – ele disse sorrindo quando já estávamos no carro.

_ Imagino. Você merece.

_ O que foi? Está sentindo algo? – perguntou assim que percebeu que eu estava um pouco estranho.

_ Estava pensando se não podíamos visitar Teresa... Quer dizer... Em seu tumulo.

_ Se é isso que quer.

_ É sim.

Ele deu partida no carro e novamente pegamos a rodovia agora rumo ao cemitério, seria a primeira vez que iria visita-la depois de sua morte.

O sol se escondia no horizonte quando estacionamos em frente. Ao lado havia uma floricultura que me chamou atenção, queria poder comprar algo pra ela, mas estava sem dinheiro e não sabia como pedir isso a Caio, é bobo, eu sei, mas é que nunca precisei.

_ Acho que ela merece não é. – ele disse.

_ Estou sem dinheiro.

_ Vamos lá. – ele disse tomando a frente. Eu não disse nada, apenas o segui.

A loja era grande e tinha uma aromar ótimo, havia flores das mais simples as mais exóticas.

_ Quando vim da ultima vez comprei uma rosa branca.

Ele ao contrário de mim já veio visita-la em outra oportunidade.

No fim decidimos por indicação de uma floricultora por compramos um Lírio Casablanca, um para cada.

O cemitério para minha surpresa e alivio não era tão mórbido como eu estava costumado a ver por aí, era algo mais verde e organizado. Andamos lado a lado em silêncio até enfim chegarmos lá.

‘Aos olhos da saudade, como o mundo é pequeno. Aqui jaz uma boa filha e amiga. Tereza G. Winchester.’

Era o que dizia a sua lapide. Sua sepultura era rente ao solo, uma parte era de mármore e a outra bem no meio haviam colocado uma espécie de plantação verde e roxa, não sei o que significava, mas havia ficado muito bom.

Eu e os Caio nos ajoelhamos e colocamos os Lírios na parte de mármore.

_ Quer ficar sozinho? – ele perguntou quando me viu com os olhos marejados olhando para a pequena foto que haviam colocado na lapide.

_ Quero sim. – disse.

_ Te espero no carro.

Ele me deu um beijo na testa e se foi, me deixando sozinho, assim como pedi.

_ Ainda não acredito que me deixou. – disse deixando a primeira lágrima cair. – Estou com tanta saudade.

“A lua, as estrelas, não são nada sem você

Seu toque, sua pele, por onde eu começo?

Não há palavras para explicar

A maneira que eu sinto sua falta

A noite, este vazio, este buraco que eu estou sentindo

Estas lágrimas, já explicam tudo

Você me disse para não chorar quando você se fosse

Mas a emoção toma conta de mim, ela é forte demais

Posso deitar ao seu lado?

Pertinho de você

E assim me certificar que você está bem

Eu vou tomar conta de você”

Continua...

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Comentários

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Amando a saga. Acompanho-a desde o início (não me lembro se já comentei em algum capítulo). É triste perceber o que o preconceito pode fazer às pessoas. Contra Caio tenho apenas a imaturidade, jamais a homossexualidade. É preciso que ele amadureça e pense nas consequências de suas ações. Espero ler, em breve, o resultado do exame de DNA e a guarda sendo dada a ele. Um abraço carinhoso,

Plutão

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segura essa lagrima aí monamu, olha to todo emocionado e molhado de lagrima af

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Que capítulo emocionante e LINDO... #chorei 😍😍😍

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