Pele Marcada 01

Um conto erótico de Nivis
Categoria: Homossexual
Contém 1347 palavras
Data: 24/02/2016 00:50:46

O racismo é qualquer pensamento ou atitude que separam as raças humanas por considerarem algumas superiores a outras.

Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Pretty hurts

(A beleza dói)

Shine the light on whatever's worse

(Brilha a luz sobre o que é pior)

Perfection is a disease of a nation […]

(A perfeição é um vício da nação)

Tryna fix something

(Estou tentando consertar algo)

But you can't fix what you can't see

(Mas você não pode consertar o que você não pode ver)

It's the soul that needs a surgery […]

(É a alma que necessita de cirurgia)

Os versos ditos pela Beyoncé saiam do fone e me faziam sentir uma dor no peito, mas não uma dor física, uma dor emocional, uma dor na alma. As lágrimas que escorriam pelo meu rosto faziam com que minha visão ficasse um pouco turva, sentia-me sufocado, meu peito ardia, havia chegado a hora. Resolvi ligar para Helena, minha MELHOR AMIGA, e a única além da minha mãe a se importar comigo.

-Alô - disse uma voz sonolenta do outro lado da linha, já que passavam das 2h da manhã.

-Helena desculpe te ligar a essa hora da noite, mas é que eu precisava falar com você- disse com uma voz chorosa.

-Guto, você tá bem? Aconteceu alguma coisa?- disse Helena em um tom de preocupação.

-Mas ou menos –tento um riso falso – Só queria te ligar para me despedir de você.

- Ué, mas você vai viajar? – perguntou Helena num tom de quem estava muito confusa.

- Não, é que provavelmente você não vai me ver mais, queria te agradecer pela tua amizade e por estar sempre ao meu lado, mesmo nas horas difíceis você estava lá, Obrigado. E me desculpe pelo que vou fazer agora, mas é a única maneira de todo esse sofrimento acabar – Terminei de falar já aos prantos.

-Guto do que você está falando, não faça nad... – desliguei antes que minha amiga pudesse terminar de falar.

Segui chorando para o quarto de minha mãe e deixei debaixo do seu travesseiro uma carta, uma carta no qual continha todas as coisas que eu queria ter dito a ela, mas não tinha coragem. Chegando ao banheiro com uma cartela de calmantes. Agora eu me olhava meu reflexo no espelho, os motivos que me fizeram estar neste estado nunca estiveram tão fortes como agora. Começo agora a lembrar do por que deu eu ter tomado essa decisão.

3 SEMANA ATRÁS

- Ahh olha lá o Grafite correndo gente – dizia Luísa correndo atrás de mim com sua gangue de desajustados.

- Ei com pressa Pão de Fumo? – disse Ricardo aparecendo do nada na minha frente com seus cabelos loiros e um par de olhos azuis, como ele era do time de vôlei naturalmente era mais alto,forte e mais ágil do que eu.

- Calma ai oh projeto de Luther King, nós apenas queríamos te dar um presentinho – disse Lucas agora meu encurralando e fazendo com que todos do pátio do colégio Oswaldo Bittencourt me olhassem.

- Como sabemos que gente de sua raça precisa disso pra ganhar dinheiro, nós resolvemos te ajudar Gutinho – disse Laura ao lado de Luísa – Acho que essa vai ser a minha boa ação do ano – continuou Laura rindo.

- Pois é nojentinho, agora você não vai precisar trabalhar hoje – disse Pedro jogando lixo em mim.

- Só não vai se esquecer de catar tudinho ein – disse Ricardo virando uma lixeira em mim.

Eu olhei para os lados e as pessoas riam e ninguém estendeu a mão para me ajudar, ou pedir para que parassem. Até que chegou Helena com seus cabelos ruivos correndo para me ajudar, ela empurrou Laura e Luísa para que pudesse chegar até onde eu estava. As pessoas em volta começaram a jogar lixo também, Helena me pegou pelo braço e me tirou de lá em me levou para o banheiro das meninas e me ajudou a tirar o lixo que havia grudado nos meus cachos.

- Você não pode deixar eles fazerem isso com você Guto, eles são...- as palavras de Helena foram ficando distantes, e minha imagem refletida no banheiro da escola agora era refletida no espelho do banheiro da minha humilde casa. É verdade Helena sempre esteve ao meu lado, com sua doce voz conseguia me acalmar nas horas mais difíceis, enquanto ela estiver comigo tudo estará bem. Porém o problema é “e quando a Helena não estiver?”, e isso me faz lembrar da semana passada.

1 semana atrás

Segunda- feira

- Poxa Helena, é sério mesmo que você está com pneumonia?! – digo isso me jogando na cama

- Sério Guto, vou ter que ficar três semanas em casa, vê se não vai procurar encrenca no tempo em que eu estiver longe – disse Helena rindo do outro lado da linha.

- Mas eu não procuro encrenca, é a encrenca que sempre me encontra – digo rindo.

- Bom agora eu tenho que ir tomar o meu remédio, beijos e boa noite – disse Helena desligando a ligação. Ao desligar o telefone senti um desconforto, me senti meio que sozinho, então resolvi ir dormir já que na Segunda-feira já haveria aula.

Bom a semana foi se arrastando e com ela veio além de milhares de tarefas para casa a solidão, estar longe da minha melhor amiga era um sacrifício que eu não estava aguentando, já que ninguém falava comigo eu me sentia deslocado, até que eu numa Sexta- feira eu resolvi ligar para Helena durante o recreio.

- Oi migo, então o que houve – disse Helena com uma voz de quem acabara de acordar.

- Nossa que sono é esse? – disse abafando um riso.

- Esses remédios dão muito sono, mas fala o que tá pegando? – perguntou Helena bocejando.

- Nada, só queria alguém pra conversar já que você me abandonou aqui – disse com um meio sorriso no rosto.

- Ah irmão não fica assim não logo eu estou voltando para lacrarmos juntas – disse Helena rindo.

- E não se esqueça de deixarmos as inimigas segurando uma marimba pesadíssima ¬– disse isso quando Ester entrou na sala de aula pra pegar alguma coisa na sua bolsa.

- Nossa além de negro e viado aff – disse Ester num tom de reprovação saindo da sala de aula. Isso me machucou e bastante.

- Ei tá tudo bem? – perguntou Helena preocupada já que eu havia me calado.

- Nada não, mas sabe Lena eu não sei quando essa perseguição vai acabar eu nunca fiz nada para eles, e isso está começando a me machucar de verdade, e eu não sei o que fazer miga? – disse limpando as lagrimas.

- Acho que você deveria contar para sua mãe, ela vai querer seu bem Guto e vai te ajuda – disse Helena me dando apoio.

- Não quero meter minha mãe nessa história, ela já trabalha demais lá no hospital , não quero trazer mais dor de cabeça para ela, agora tenho que ir o sinal já tocou, beijos e melhora. – disse guardando o celular na minha mochila.

Agora eu não estava mais em meio a flashbacks, estava no banheiro de casa, olho para os calmantes em minha mão e pensei se era isso mesmo que eu queria fazer, eu não aguentei e comecei a chorar, pois esse era o único jeito aparente de acabar com todo esse sofrimento, eu só queria paz e sossego. Abri a torneira, enchi o copo de água, levei minhas mãos tremulas até minha boca e engoli os comprimidos em seguida tomei a água, agora era só questão de tempo para que esse sofrimento acabasse, pois mesmo que essas pessoas repugnantes continuassem a falar de mim eu não poderia ser atingido por tudo isso, na verdade eu nem estaria aqui para ouvir isso. Alguns minutos se passaram e eu começo a ficar sonolento, minha visão começa a escurecer, eu caio no chão do banheiro.

-AHHHHH – gritam na porta – Guto, filho cadê você meu filho. MEU DEUS DO CÉU GUTO, GUTOOOO!!! – grita minha mãe ao me ver no chão, porém eu não reajo mais. Finalmente eu estava conseguindo descansar.

E de repente tudo ficou escuro, escuro assim como eu.

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Comentários

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Sério se matar pq é discriminado? pq não muda de escola, só falta aparece um príncipe popular branco pra se apaixonar por ele. descreve os personagens. a mãe dele é médica?

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Adorei, o conto estou aqui em lagrimas... Racismo é a maldição que asola a humanidade.

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Adorei, o conto estou aqui em lagrimas... Racismo é a maldição que asola a humanidade.

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Ai meu Deus, eu to chorando horrores aqui :c

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Difícil encontrar um conto com pessoas negras por aqui.

Leio as histórias e parece q são todas na suíça, finlandia, Dinamarca, com príncipes brancos como a neve e olhos azuis como o mar rsrs...

Vamos ver no q da.

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Amigo gostei muito de ver um conto que aborda com tanta força o tema racismo. Algo muito difícil de achar aqui na CDC; as pessoas preferem achar que a vida é esse arco íris, onde tudo é felicidade e paixão, e se esquecem de abordar temas REALMENTE relevantes. Não espero que uma pessoa traga em pauta uma discussão tão ampla e necessária neste sit, afinal "não combina com a estética do erotismo do site", pois a dor pode ser fetishada, mas o sofrimento não. Logo achar um conto, ou um autor, que tente dar uma harmonia, nessa dança macabra, entre o preconceito e o prazer é algo extraordinário e inusitado! Não que você seja o único a abordar tabus, pois existem " as Belas e os Alexs" que sempre procuram abordar temas como incesto, homofobia, etc. Então eu espero que o conto cresça e ganhe reconhecimento entres os leitores da CDC, e, principalmente, aborde o tema com a seriedade necessária. Sorte com o conto! 👊

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