Royals - Capítulo 7: Home

Um conto erótico de M.Sardothien
Categoria: Homossexual
Contém 4406 palavras
Data: 16/08/2015 19:09:13

Demorei um século para escrever esse capítulo e ainda estou escrevendo o próximo. Ainda estou desanimado pelo fato de ter tão poucos leitores, poucos mesmo, ultimamente só tenho um comentário em cada capítulo. Agradeço pela pessoa que comenta, se você não comentasse já teria parado de postar três capítulos atrás. Decidi, vou postar até o dez, e se as coisas não melhorarem apago o conto e procuro outro lugar pra postar, acho que o pessoal daqui não está gostando da estória ou da escrita em terceira pessoa, mas paciência...

Enfim, espero que gostem desse capítuloA mulher se aproximou dele com um sorriso bobo no rosto. Ela o olhou de cima a baixo, correu até Ray e o abraçou apertado.

-Meu filho -ela murmurou sobre seu ombro.

Ray estava em choque, não conseguia retribuir o abraço tão afetuoso. Aquela era a mulher que havia dado a luz à ele. Seus olhos arderam, mas ele segurou as lágrimas e finalmente retribuiu o carinho.

Sua mãe se afastou e colocou as mãos em seu rosto, olhando em seus olhos, eram da mesma cor que os dele.

Oi... mãe -Foi difícil para Ray pronunciar a palavra para a mulher que até então ele mau conhecia.

-Você lembra muito seu pai -ela falou segurando suas mãos. -Tenho tanto para perguntar...

-Eu também - respondeu Ray.

A mulher notou Matt próximo de Ray.

-É bom vê-lo de volta Matthew -a mãe comentou sorrindo para o rapaz.

-É bom vê-la também Milady -Matt se inclinou e beijou a mão de Audrey.

-Ah, Raymond, antes que me esqueça. -Ela o puxou pela mão em direção ao homem que estava a poucos metros deles. -Este é o conselheiro real Haymitch.

-É um prazer alteza -O homem fez um reverência.

-O prazer é meu -Ray assentiu e se virou para a mãe para comentar -Eu ainda não estou acostumado com essa coisa de alteza e reverências.

-Não se preocupe querido, você vai se acostumar -disse a mãe. -Como foi a viagem?

-Bem -respondeu Ray. -Na verdade, dormi o tempo todo, mas meu corpo está pesado.

-Acho que é a altitude, deve estar cansado. -Ela o pegou pela mão novamente e o puxou levemente. -Vamos indo, o café da manhã nos espera. Pode dormir um pouco se quiser, espero que goste de seu quarto. Preparei especialmente pra você.

Ray sorriu em resposta. Ele olhou para trás e se certificar de que Matt os acompanhava, mas o rapaz não estava. Porém, logo o avistou saindo so avião com o transporte de Senhorita Florence nas mãos. Ele se aproximou e levantou a gaiola mostrando a gata que não parecia nada contente.

-Quase esquecemos isso -Matt falou.

-Isso não. Ela -Ray corrigiu. -Mãe, quero que conheça minha gata, que atende por Senhorita Florence.

-É um prazer senhorita -a mãe fez um breve reverência com um sorrisinho nos lábios.

-Ela não está muito contente -adicionou Ray.

-Não se preocupe, ela terá todo o luxo que quiser no palácio. Assim como você -ela pôs a mão gentilmente sobre o ombro de Ray, que estremeu em pensar sobre um palácio como moradia.

Eles seguiram para o carro, que era nada mais, nada menos do que um limusine. Ok, aquilo era só a ponta do iceberg sobre o que viria a seguir. Apesar de sentar perto da mãe, Ray fez questão de que Matt se sentasse ao seu lado, o rapaz passava segurança à ele. Naquele momento qualquer coisa familiar seria bem vinda para seu conforto. Ah e não podemos esquecer de Senhorita Florence que ocupava seu lugar e um banco lateral, mas ainda no transporte.

-Matt já lhe informou que será seu tutor? -Audrey se direcionou para Ray.

-Mais ou menos -respondeu Ray.-Gostaria de saber mais.

-Ele será responsável por seus horários, tarefas, sempre te acompanhar à eventos e suprir qualquer dúvida que tenha. É claro que eu também sempre estarei a sua disposição querido -Audrey tocou a mão dele gentilmente. -E você fez um ótimo trabalho rapaz. -Ela sorriu para Matt.

-Obrigado Milady -respondeu o rapaz.

Eles seguiram com a limusine pela cidade. Audrey explicava para ele cada ponto da cidade, sem deixar de lado fatos históricos. Ray não pôde deixar de perceber que a maioria das ruas eram de paralelepípedo, as casas, prédios e lojas tinham um ar vitoriano, a igreja gótica no centro chamava sua atenção com as horrorosas e ao mesmo tempo belas gárgulas de pedra. Ele mal podia esperar para dar um passeio pela cidade. Agora eles passavam por uma reserva florestal,então avistou um muro extenso e no meio um portão negro com o mesmo brasão de dragão e uma rosa que ele havia visto no selo da carta da mãe. Depois do carro parar por alguns segundos, o grande portão se abriu e o carro seguiu. Do lado de dentro do muro havia mais árvores e jardins extremamente elaborados , seguiam uma estrada de cascalho e logo avistou o palácio. Uma grande castelo com janelas altas e colunas extensas em sua frente. Então ali seria sua casa? O carro parou em frente as escadaria da porta principal e eles saíram do carro.

-Gostou de seu novo lar Raymond? -a mãe questionou.

-Estou sem palavras -respondeu Ray olhando em volta. Ele olhou para Matt que sorria para ele.

-Isso porque você não foi à parte de trás -Matt comentou. -Espero só até ver o labirinto.

-Labirinto? -Ray olhou incrédulo para o rapaz, que assentiu sorrindo.

-Terá todo o tempo do mundo para conhecer toda a propriedade. Agora vamos entrar. -Audrey falou subindo as escadas, ele e Matt a seguiu.

Ao entrar no hall de entrada, Ray ficou mais estuperfato ainda com o tamanho do lugar, era enorme, com uma escada central que dava para o andar de cima.

Ray não se surpreendeu com o fato do salão de refeições ser enorme com uma mesa igualmente enorme, e com tantos tipos de bebidas, frutas, pães e acompanhamentos que ele passava quase cinco minutos decidindo o que iria comer.

Após o café Audrey pediu para que Matt mostrasse a ele seus aposentos, que ficavam no andar de cima em uma ala com pelo menos oito quartos. Todos os detalhes das paredes eram orquestrados com papeis de parede florido e detalhes dourados, quadros com pinturas antigas, janelas altas que davam vista para alguns dos jardins. Seu quarto era praticamente do tamanho da antiga casa de Ray, havia um cama alta com dossel, dois sofás, poltronas, mesas de canto decoradas com flores, o capete vinho, cortinas brancas que cobriam a porta dupla que dava para a sacada e por último um closet. Eram tantos detalhes que deixavam o mais novo tonto em pensar que aquilo tudo era pra ele.

-Estou sem palavras -dissera Ray absorvendo cada detalhes do cômodo.

-À cada parte da casa que conhece você faz essa cara de quem vai desmaiar -debochou Matt se sentando na cama.

Ray se sentou ao lado de Matt e deu pulinhos no colchão macio.

-Seu quarto é tão maravilhoso quanto o meu?

-Meu quarto fica na ala de criados.

-O quê? Seu quarto não é aqui?

-Não, mas meu quarto é muito acolhedor. Se quer saber eu não ligo muito para todos esse mimos.

Ray se levantou subitamente encarando o rapaz.

-Ah não Matt, fala que seu quarto é neste corredor! Por favor!

-O quê? Mas por quê?

-Eu me sentiria melhor se soubesse que você está dormindo ao lado ou coisa assim. -choramingou Ray -Você é o único que eu conheço e tenho intimidade aqui, o quarto da minha mãe nem fica nessa parte, não quero ficar aqui sozinho. E parece que todos os outros quartos estão vazios.

-Não seria bem visto se um criado dormisse na mesma ala que seus superiores -explicou Matt.

-Quem liga? -questionou Ray e tocou o joelho de Matt que estava próximo dele -E você não é só um criado, não para mim.

-Sinto muito, enquanto á isso não posso fazer nada. Seu lugar é aqui, e o meu é lá.

Ray soltou um suspiro alto, deitou de costas e deu um tapinha ao seu lado para que o outro fizesse o mesmo.

-Você não vai começar a me chamar de Sua Alteza ou coisa assim, vai?

-Sim, faz parte da postura de trabalho e respeito pela monarquia. -Matt deitou ao seu lado encarou o interior do dossel de madeira.

-E se você não fizer? -indagou Ray ficando de bruços e apoiando o rosto na mão enquanto olhava para o rapaz.

-Vou ser visto como mal educado e provavelmente serei cobrado.

-Então me chame de alteza só na frente dos outros ok? E sem reverências, isso me dá calafrios.

-Por quê?

-Não gosto que as pessoas sejam submissas á mim e me tratem como se eu fosse melhor do que elas.

-Isso faz parte de um código de ética Ray, é algo extremamente tradicional que é seguido há anos. Você vai aprender sobre isso.

-Tá aí uma palavra que não gosto muito. Tradicional.

-Pode parecer ruim ás vezes, mas é o que é.

-Me explica direito essa história de você ser meu tutor. Como isso funciona?

-Bem, eu basicamente vou cuidar da sua rotina. Por exemplo, você vai ter aulas sobre a história de Garnies, vai aprender outros idiomas, etiqueta e mais algumas coisas.

-Etiqueta? -questionou Ray. -Tenho medo só de pensar em como vou ter que agir. Beber chá com o dedo mindinho levantado?

Ray revirou os olhos e se sentou.

-Na verdade levantar o dedinho não é educado -corrigiu Matt.

-Eu não quero passar o dia aprendendo coisas que não tenho a mínima vontade de conhecer.

-Não vai ter só livros e mais livros. Você pode praticar esportes também, pode aprender hipismo, arco e flecha, crockett. Aqui tem uma academia também -disse Matt se levantando.

-Crockett me lembra Alice no País das Maravilhas -Riu Ray.

-Quer conhecer o jardim? -perguntou Matt.

-Claro.

Eles seguiram para fora do quarto. Apesar de Ray ter andando por aqueles corredores há pouco tempo, já não lembrava de mais nada, se perderia facilmente ali.

Já do lado de fora ele pode avistar um enorme labirinto feito por cerca viva. Em volta havia árvores, canteiros de flores, fontes que jorravam água. As flores e as árvores tinham um brilho próprio sob o sol do fim da manhã, as cores que haviam nas flores era algo mágico. Havia tantas rosas de várias cores por todo o imenso jardim.

-Por que tantas rosas? -indagou Ray, enquanto caminhava pela grama verde com Matt ao seu lado.

-A rosa é o símbolo oficial de Garnies. Cada cor representa algo; Rosas Amarelas: amor platônico, ou amor entre amigos, felicidade; Rosas Brancas: simboliza a paz, inocência e pureza; Rosas Azuis: significa verdadeiro amor eterno, forte e raro, mistério, conquista daquilo que é impossível; e por fim, a rosa vermelha significa paixão ardente -respondeu Matt. -Aqui, dar uma rosa à alguém tem um grande significado, a cor dela representa o que a pessoa sente por você.

Ray passou os dedos pelas pétalas macias das flores. O vento arrastava o cheiro doce das rosas por todo o lugar.

-Eu adorei isso. Gosto de flores, elas estão tão bonitas.

-Você chegou na melhor época, é primavera -comentou Matt se sentando em um banco de pedra perto de uma fonte com uma estátua de uma mulher segurando um jarro por onde saía água. -Em breve você vai enjoar do cheiro delas. Quando cheguei aqui não suportava esse perfume o tempo inteiro, depois me acostumei. No verão, quando o sol está forte e elas começam a secar você mal consegue ficar perto.

-Está me desanimando -Ray se sentou ao seu lado.

-Desculpe -riu Matt.

-Há quanto tempo trabalha aqui? -perguntou Ray com a atenção voltada para a fonte.

-Fiquei aqui por dois meses antes de ir para o Alaska atrás de você. Sua mãe me deu todas as instruções de como agir e tudo mais.

-Entendi -respondeu o mais novo. -Quero saber mais daqui e conhecer os lugares.

-Se puder vou te levar para conhecer a cidade, mas tem que ser antes deles informarem para o país de que você está de volta, quando fizerem e os paparazzis souberem que você é, será um inferno e só vai poder sair do palácio escoltado.

-Ótimo. Ser o centro das atenções, tudo o que eu queria... -Ray suspirou alto e levou as mãos ao rosto.

-Você terá que aprender a lidar com isso. Essa é sua vida agora -Matt colocou a mão sobre ombro dele.

-Eu não quero abdicar da minha privacidade, e não poder sair livremente sem um monte de urubus em cima de mim com câmeras -lamentou Ray.

Ele não estava preparado para aquilo tudo, era uma mudança trágica. De uma vida pacata no Alaska, para o príncipe de Garnies.

Os dois passaram mais um tempo no jardim até que um criado se aproximou e informou que o almoço seria servido e eles foram para o salão. Ray não ficou surpreso com a variedade de comidas. Apesar de não estar com fome, ao sentir o cheiro dos assados e cozidos seu estômago reclamou. Sua mãe já estava sentada â mesa. Matt puxou a cadeira para Ray e se afastou.

-Você não vai almoçar? -perguntou Ray.

-Agora não, não estou com fome -respondeu Matt um pouco sem graça.

-Não seja bobo Matthew, se junte a nós -Audrey apontou para a cadeira vazia ao seu lado. -Sei que está com vergonha, mas a partir de hoje fará todas as refeições conosco.

-E já não fazia? -perguntou Ray para a mãe.

-Os criados não comem junto à rainha Sua alteza -respondeu Matt.

-Mas é meu convidado, e lhe peço que se junte à nós, não faria essa desfeita, faria? -perguntou a rainha lançando um sorriso persuasivo em direção ao rapaz.

-É claro que não, Milady, lhe agradeço pelo convite -Matt se sentou ao lado de Ray e sorriu para ele.

Ray olhou para todos os garfos e colheres que estavam postos e fez uma careta. Não fazia a mínima ideia de qual usar. Então tomou coragem e disse:

-Me desculpe por meus modos mãe, ainda não estou provido das aulas de etiqueta. Não sei qual talher usar.

A rainha soltou uma gargalhada em alto e bom som, deixando o mais novo corado.

-Ah meu filho, não faça cerimônia, use o que quiser. Vai aprender a etiqueta mais para usar em banquetes e bailes. Quando estiver em minha presença se sinta a vontade, sua avó que é rígida em relação a isso, mas como ela está ausente... -A rainha de de ombros.

-Aqui, use este -Matt pegou o maior garfo entre todos e lhe ofereceu.

-Obrigado -sussurrou Ray, agradecido.

Após almoçar Ray estava com o corpo tenso, por mais que a mãe dissesse para ele relaxar, ele queria passar uma boa imagem e ficara ereto o tempo todo. Após a rainha retornar à seus afazeres ela comunicou que ás 5h00 haveria um chá para que eles pudessem conversar mais, ele aceitou o convite e lhe deu um beijo na bochecha, fazendo a mãe se derreter com o afeto.

* * *

Ray estava sentado em uma poltrona luxuosa e estampada enquanto sua mãe servia o chá, que por acaso era de flor de lótus, esse sabor era novidade para ele. Até agora seu conhecimento sobre chá era limitado a camomila, hortelã, chá preto e gengibre.

-Quanto de açúcar? -questionou Audrey usando uma pinça para tirar os cubos de açucar.

-Dois está bom -respondeu Ray.

A mãe estendeu a xícara delicada para ele que agradeceu.

-Sou fascinada por chá. Toda vez que alguém vai viajar para algum lugar diferente e me pergunta se quero algo, sempre peço que me traga chá -falou Audrey enquanto mexia a colher soltando um tilintar.

À frente deles havia uma mesa de centro com vários tipos de mini sanduíches, macarrones e biscoitos que se podia imaginar. Ray pegou um sanduíche e mordeu, tinha algum patê que ele não distinguiu o gosto.

-Sou do time do café -respondeu ele bebericando. -Bem, mãe, você falou que queria conversar comigo, sobre o que?

-Sobre você. Como foi sua vida no Alaska. Sei de algumas coisas sobre você que o Capitão Jonathan me informou durante todo esse tempo. Mas quero saber de você, o que gosta de fazer, ambições, sonhos, qualquer coisa.

Ray pensou um pouco sobre o que diria. Estava a sós com a mãe, não tinha intimidade para se soltar e falar abertamente, estava acoado. Ele se sentia mais a vontade quando Matt estava por perto, mas o mais velho dissera que o chá deveria ser somente entre ele e a mãe, e que seria inapropriado sua presença, então após o deixar na sala de chá -sim a mansão possuía uma sala só para essa finalidade -, ele se foi.

-Não sou muito ambicioso, meu sonho é ser escritor, ou melhor, era -corrigiu Ray no murmúrio.

-Por que era? -indagou a mãe.

-Devido á minha situação atual e futuras obrigações, duvido muito que possa levar isso adiante.

-Ora, você pode ser um monarca e ser escritor. Aliás, na vida de um monarca não há somente leis e obrigações. Não vou mentir, em grande parte sim, mas todos precisamos de distrações pessoais também, ou enlouquecemos -explicou a Rainha.

-E o que são essas obrigações? -indagou Ray.

-Bem, por ora, você é o príncipe, não há muitas obrigações além de ser sociável, mas como não cresceu aprendendo a ser o sucessor do trono, terá que aprender sobre, tardiamente. Meu filho, você tem dezenove anos, aproveite tudo o que puder dessa vida, não cobrarei nada de você por agora, só quero que aprenda a ser um de nós. Há altos e baixos, mas que vida não tem?

-Como você era aos dezenove?

A rainha riu.

-Ah, sem dúvidas muito rebelde. Estava sempre contra tudo e todos, só fazia o que bem entendia. Quando soube que teria que casar com seu pai fugi por uma semana para a casa de campo de uma amiga.

-Então o casamento com meu pai foi arranjado? Isso parece um pouco antiquado.

-Sim, nos tempos de hoje sim, mas naquela época as coisas eram diferentes. Alianças entre países e famílias com poder eram tudo -falou a rainha enquanto se servia um pouco mais de chá -A princípio odiei seu pai, o achei arrogante e metido, na verdade estava me bloqueando de conhecê-lo, minha rebeldia não permitia, mas aprendi a amá-lo antes mesmo de nos casarmos, e o sentimento foi recíproco -Havia nostalgia no tom de voz da rainha, e seu olhar vagava para o nada enquanto parecia se lembrar do passado.

-Mãe, posso fazer um pergunta? Duas na verdade?

-Claro, querido, faça todas, estamos nos conhecendo -ela lançou ao filho um sorriso terno.

Ray suspirou e perguntou cauteloso:

-Não vou ter um casamento arranjado, vou? -ele estreitou os olhos, como se esperasse a resposta como um soco.

-Não! -exclamou a mãe. -Estamos no século vinte um, não há necessidade disso. Com certeza sua avó adoraria que isso acontecesse, mas eu jamais permitiria.

Audrey pousou a xícara sobre a mesa a passou a mão pela saia.

-Olha querido, quando disse que o Capitão Jonathan me contou sobre seu crescimento e quem você é, eu quero dizer que realmente sei quase tudo sobre você, inclusive sobre sua sexualidade.

-Ah...isso é bom. Eu acho... -Ray desviou o olhar.

-Não há nenhum problema nisso ok? Isso é tão natural quanto respirar, sempre tive um mente aberta em relação a sexualidade, quero que seja feliz, e sim, que se case.

-Mas como príncipe, como isso pode acontecer?

-Além de mim como a pessoa que toma iniciativa, aprova leis e coordena todo o país, há um conselho, e esse conselho é formado quase que inteiramente por homens que já estavam aqui antes mesmo de eu ter nascido. Alguns com ideias arcaicas, outros nem tanto. -A rainha soltou um longo suspiro. -Se quer saber o casamento igualitário foi legalizado aqui no ano passado. Fiz de tudo para que desse certo, mas no fundo me esforcei o máximo que pude, principalmente por você.

Ray sorriu e um sentimento de orgulho e afeto pela mãe o preencheu.

-Obrigado, mãe.

-Ouvir você me chamar de mãe é algo que esperei por muito tempo -Audrey falou secando as lágrimas com as costas da mão. -Mas enfim, quando chegar a hora de você se casar, diremos a verdade, quer aceitem ou não. Na verdade pode ser uma ótima mudança ter o primeiro rei a ser gay, não só em Garnies, mas na história. Sua avó é um pouco conservadora, mas aprendi a lidar com ela. Os tempos mudam, e as pessoas são obrigadas a mudar ou não sobrevivem. Toda movimento precisa de um atrito.

-Mas eles ainda não sabem quem sou. Sabem? Dizer que o príncipe de Garnies gosta de garotos e não garotas, pode ser um grande escândalo.

-Eles ainda não sabem que você é, e nem que está de volta.Por enquanto a informação da sua chegada não vazou, fizemos tudo muito discretamente. Terá um importante jantar no sábado, onde você será apresentado a grandes aliados e membros do conselho, podemos evitar ao máximo que a imprensa saiba quem você é pelo tempo que for preciso. Não quero que tome um choque ao perceber que sua vida não será a mesma daqui em diante, conheça os lugares de Garnies livremente enquanto ainda pode.

-Eu tenho medo de toda essa exposição. Sempre me esgueirei de holofotes e palcos -falou Ray incomodado.

A rainha olhou nos olhos do filho tentando passar o máximo de conforto que pôde.

-Precisa se acostumar com essa vida nova, isso é sobre que você realmente é.

-É o que Matt me disse, que preciso me acostumar com isso e aquilo, mas é mais difícil do que parece. E olha que só soube da dificuldade em ser um príncipe na teoria, porque na prática deve ser mais assustador ainda.

-Não tema querido, estou aqui para o que precisar, e tenho certeza que Matthew também estará, ele é um ótimo rapaz. Foi por isso que o escolhi para te buscar, minha intuição me disse que ele era pessoa certa.

-Ele se tornou mesmo um grande amigo, acho que se ele não estivesse aqui eu não conseguiria lidar com tudo isso. Não me entenda mal, é só que tudo é novo, até mesmo a senhora.

-Eu entendo sim, farei tudo para que se sinta em casa. Qualquer coisa que precisar peça a mim tudo bem? -falou a rainha.

Ray assentiu com um sorriso. Depois de um silêncio breve ele perguntou:

-Na verdade, eu gostaria de lhe pedir algo agora, se não for muito...

-Claro querido, precisa do que? Roupas, um quarto melhor, cartão de crédito...

Ray riu com o que a mãe ofereceu. Ele riu porque nunca fora uma pessoa fútil, muito menos, aproveitadora.

-Não, não é nada disso -ele negou. -Como lhe disse, Matt é um grande amigo e de certa forma ele faz com que eu me sinta em casa, como soube que ele dorme na ala dos criados, e meu quarto está em um corredor com outros totalmente vazios... Gostaria de saber se ele poderia ficar em algum aposento perto do meu. Isso seria ótimo, me sentiria de certa forma mais...Seguro? -ele corou.

Se sentia estranho em pedir coisas para qualquer um, até mesmo para seus pais adotivos, que dirá a mãe biológica.

Audrey riu carinhosamente do modo que o filho se atrapalhou ao fazer o pedido, e como corou.

-Não era necessário perguntar Raymond, essa casa é sua e se manter seu amigo por perto te tranquiliza, claro que ele pode dormir em um quarto perto do seu, basta ele escolher um.

-Obrigado mãe -ele agradeceu, a mãe assentiu de volta.

* * *

-Eu não acredito que você realmente pediu para ela -disse Matt, enquanto acompanhava o príncipe pelos corredores do castelo após o jantar.

Ray sorriu para ele e falou:

-Ela disse que é só escolher, mas eu mesmo escolhi, será aquele que a porta é bem em frente à minha.

-Ah, claro. Caso algum monstro saia do closet e queira te pegar é só gritar que eu vou ouvir.

-Aquele closet é tão grande que eu acho que qualquer monstro se perderia ali -falou Ray imaginando alguém realmente perdido no cômodo. -Os criados já levaram suas coisas para lá por ordens da minha mãe ok?

-O que eu vou fazer com tanto espaço? -indagou Matt. -No meu quarto antigo só tinha roupas e um violão.

-Sei lá, não é a toa que é chamado de suíte. Acho que que aquela cama é do tamanho do meu quarto no Alaska.

-Concordo. -debochou Matt e em seguida Ray deu uma cotovelada nele.

Eles chegaram a porta de seus devidos aposentos e pararam, Ray fez menção a entrar no quarto quando Matt perguntou:

-Não vai querer conhecer meu quarto?

-Talvez amanhã -disse Ray com os ombros caídos -Estou morrendo de cansaço e ainda não são nem 20h00. Acho que é o fuso horário. Quero tomar um banho, deitar naquela cama maravilhosa e dormir até mês que vem.

-Amanhã te acordarei às 8h00 -informou Matt. -Sou seu tutor lembra? Sou responsável por seus horários e afazeres.

-Então boa noite servo -Ray fez um gesto de desdém em direção ao outro e depois gargalhou.

-Boa noite Sua alteza -Matt fez uma reverência exagerada, arrancando uma risada de Ray.

E cada um entrou em seu quarto.

Ray foi até a sacada ver como o jardim era ao anoitecer. A luz da lua cobria toda a extensão com suavidade. De dia o lugar parecia mágico, de noite tinha um quê de mistério. Depois de um longo tempo olhando a perfeição do labirinto, Ray procurou algo para dormir e achou um pijama cinza de seda. Aquilo era demais, mas era o mais básico entre as peças. Porém, o mais novo não pôde negar que após o banho a maciez e suavidade da seda caiu como uma pena sobre ele, era quase como dormir nu.

O príncipe deitou na enorme cama de dossel e fechou os olhos. Mas não antes de um pensamento rápido como um reflexo atravessar sua mente, dizendo que queria dormir no quarto ao lado com um certo alguém. Em seguida se puniu por pensar issoGostaram? Então digam do que gostaram, e porque gostaram, comecei a postar aqui com intuito de compartilhar minha ideia e ouvir a opinião das pessoas. Algumas coisas vão começar a acontecer no próximo, então fiquem atentos.

Até o próximo!

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Comentários

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Porra como vc é maldoso, parar de escrever sem essa,

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Seu conto tá muito bom cara... Eu não sou muito de comentar, mas acompanho sempre...

OBs. Espero já possa acontecer algo entre Ray e Matt...slá... Pf!

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OMG lindo esse capitulo!! Por favor mantenha a fpe na sua escrita... Apesar de ser poucos comentarios as leituras são maiores, pense nisso, não e todo mundo que comenta! Beijos amo seu onto você é incrivel!!

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