Destoados

Um conto erótico de APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Categoria: Heterossexual
Contém 500 palavras
Data: 12/04/2015 12:53:58
Última revisão: 03/02/2016 20:12:43

Destoados

(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.

Especialmente para a "Casa dos Contos".

HOMEM SEM MULHER é a mesma coisa que:

bailarina sem dança, casa sem porta, quarto sem cama, guarda-roupa sem gaveta, oração sem fé, olhar sem brilho, mesa sem cadeira, padaria sem pão, açougue sem carne, farmácia sem remédio, banco sem cofre, caneta sem tinta, caçador sem caça, canoa sem rio, peixe sem mar, igreja sem padre, taça sem vinho, jardim sem flor, cemitério sem defunto, côncavo sem convexo, ida sem volta, evento sem convidado, dia sem sol, trovoada sem chuva, garrafa sem tampinha, escada sem degrau, maestro sem batuta, noite sem estrela, porteiro sem portaria, amor sem carinho, abraço sem aperto, beijo sem língua, poesia sem rima, saudade doida demais e ferida não cicatrizada.

MULHER SEM HOMEM é a mesma coisa que:

fogo sem calor, carro sem roda, torneira sem água, médico sem paciente, posto sem gasolina, criança sem infância, fulano sem cicrano, escola sem professor, volta sem ida, remédio sem bula, cachorro sem pulga, formigueiro sem formiga, beliscão sem dor, gaiola sem passarinho, mula sem cabeça, gato sem rato, rebanho sem pasto, sofrimento sem angustia, navio sem bússola, empada sem recheio, mala sem alça, neném sem chupeta, prato sem comida, chave sem molho, varal sem roupa, túnel sem luz no fim, goiaba sem bicho, botão sem casa, carteira sem dinheiro, amor sem carinho, abraço sem aperto, beijo sem língua, poesia sem rima, saudade doida demais e ferida não cicatrizada.

HOMEM COM HOMEM é a mesma coisa que:

Davi sem Golias, filme sem mocinho, café sem açúcar, celular sem carregador, revolver sem bala, portas sem trancas, cadeias sem presos, injeção sem agulhas, vitória sem peleja, machado sem Assis, casamento sem matrimônio, juiz sem vara, nascente sem água, botija sem gás, rei sem coroa, santo sem altar, meia sem chulé, barco sem quilha, goleiro sem rede, índio sem tribo, biblioteca sem livros, ambulância sem sirene, sutiã sem peitos, presente sem passado, aranha sem teia, brinco sem orelha, galinha sem poleiro, churrasco sem carne, aniversário sem parabéns, amor sem carinho, abraço sem aperto, beijo sem língua, poesia sem rima, saudade doida demais e ferida não cicatrizada.

MULHER COM MULHER é a mesma coisa que:

boceta movida a pilha, calcinha com sabor de amendoim japonês, pinto siliconado, colhões de plástico, cu a luz de vela, pentelho postiço, clitóris com whatsapp, prostituta sem programa, veado encrenqueiro, cego com óculos 3D, ladrão atrapalhado, grelo controlado por satélite, diabo com tridente eletrônico, bicha com bigode de macho, orgasmo de salto alto, nariz com cinzeiro sujo, gozada digital, boneca inflável sem racha, camisinha com GPS, seios com Super Bond, gênio sem lâmpada, ferradura sem cavalo, palhaço sem circo, coreto sem praça, abelha sem zangão, sovaco sem desodorante, coxa sem estria, isqueiro sem pedra, robalo assentado a banana dura da terra sem ninguém pra deglutir, cara sem coroa, amor sem carinho, abraço sem aperto, beijo sem língua, poesia sem rima, saudade doida demais e ferida não cicatrizada.

(*) Aparecido Raimundo de Souza, 62 anos é jornalista.

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Comentários

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O texto é inteligente sem duvida, agora que passou um mensagem homofóbica passou.

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Voce e' homofobico, Aparecido? Hà muitos gays neste site, e tambem lesbicas. Nao creio que nos relacionamentos deles lhes "falte alguma coisa". Desligitimando o relacionamento gay, voce propaga, talvez sem querer, a homofobia. Espero que tenha sido sem intençao de ofender. Abraço!

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Obrigado, Carina. Não mereço. Contudo, a sua paciência em ler meus textos, compensa meu trabalho. Que Deus a abençoe e guarde. ARS.

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Acompanho, desde muito, os artigos do escritor Aparecido Raimundo de Souza, na revista "Textos Inteligentes". Nesse periódico, o cidadão trata de assuntos sérios, assuntos do momento, em sua coluna "Linhas Malditas". Sinceramente, não sabia desse lado pornográfico, pelo menos até agora. Ao procurar um artigo seu, no Google, me deparei com um link para a Casa dos Contos. Como sou curiosa, me inscrevi e, aqui estou, a ler o seu mais recente, "Destoados", publicado ainda a pouco. Evidentemente o Aparecido, neste trabalho, não se aprofunda muito no erotismo em sua melhor forma de expressão. Todavia, outros textos inseridos, neste site, marcam com bastante profundidade seu lado pornô. Claro que o escritor não fala do cotidiano da sacanagem como outros textos que li de outros autores. Ele é mais cauteloso, mais recatado. Conduz o chulo de uma maneira que não fere os olhos, não estraga a leitura, ao contrário, faz com que o leitor queira logo chegar ao final para, em seguida, passar a historia seguinte. "Destoados" está, pois, destoado do óbvio, do maçante, do tedioso, do cansativo. Aparecido não é, em resumo, prolixo, ao contrario, criativo, irreverente, não é prófugo, ao contrario, profundo, colossal, descomedido, cheio de picardia e uma boa dose de espiritualidade, o que o torna, magistral e único. (Carina Bratt jornalista Rio de Janeiro RJ).

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