O amor é um jogo cruel (Parte 9)

Um conto erótico de Carlinhos
Categoria:
Contém 1362 palavras
Data: 04/12/2014 15:04:42

A semana passava quase arrastando-se, no trabalho, eu procurava não ve-lo, porém, sempre nos encontravamos pelos corredores. Ele, sempre me ignorando, sempre fingindo não saber quem eu era, o que me fazia chorar todas as noites. Em casa as coisas pioravam, pois, eu chegava do trabalho, deitava na rede da garagem, e ficava lá, ouvindo a nossa música, vendo as fotos dele, e em todos esses momentos, eu não conseguia evitar de me sentir mal, eu apenas queria ficar sozinho, comigo mesmo, e com meus sentimentos, eu queria apenas ficar ali, imaginando que talvez Algora fosse tarde demais para o Vinicius chegar com o seu cavalo branco, e eu não estava andando para lugar algum, meus passos somente iam para trás, porque eu confiava nele, na minha tentativa frustrante de fazer com que os bona dias voltassem, enquanto eu me arrastava em profunda solidão, garoto estupido.

Talvez eu fosse ingênuo, quando ele fez com que eu me perdesse em seus olhos negros, e enquanto eu chorava na noite estrelada, eu o via, intocável como as estrelas no céu, e de alguma maneira, eu sabia que eu estava eternamente preso a ele, e ele era intocavel, como milhões de estrelas no céu, intocável queimando mais brilhante que o sol, e agora eu sabia tudo o que eu era sem ele do meu lado, porque quando ele não estava comigo, eu sentia como se estivesse me desfazendo. Meu erro, eu não sabia estar apaixonado, apos 12 dias de luta ele teve a vantagem para todo o sempre sobre a minha vida.

Manhã nublada aparece de novo, pelo quarto dia. Eu não conseguia evitar desejar que eu pudesse ver seu rosto, agora, sem mais forças, perdendo alguns quilos por apenas ir do trabalho para casa, da casa para o trabalho, e chorar por ele todas as minhas noites, apenas lembrando do seu beijo, seu perfume e do seu sorriso, aquele sorriso lindo.

Os dias iam passando, e com eles toda a minha paz já havia sumido. Minha vida agora era, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, evitava ficar próximo a minha familia, pois, era nítido o meu estado. Emagreci bastantes, meus olhos agora já eram fundos, em um rosto pálido e sem vida, eu já não era e jamais voltaria a ser nem a sombra da pessoa antes de conhecer o Vinicius.

Meu maior passatempo era deitar na parte de trás da minha casa, e ficar chorando e tentando limpar de mim e da minha memória toda a falta que ele me fazia. Eram lagrimas incessantes, eram gritos abafados, em que eu tentava recuperar uma vida que eu jamais vivi, e quando o Vinicius tirou, ele tirou o melhor de mim, e eu ficava lá, travando uma batalha comigo mesmo, por que infelizmente, eu precisava sentir algo, nem que fosse a dor. E era como se eu tivesse construído um castelo para nós, e tivesse pintado todas as peredes em um tom de cinza, e agora estivesse de joelhos tentando limpa, e que final triste e sombrio fora dado a um maravilhoso dia, tudo era frio, mais nada era comparável ao frio dele.

Os dias foram passando, e eu pensava em um jeito de conseguir falar com ele, mas, eu não sabia maneira alguma de conseguir me aproximar dele sem que ele me ignorasse novamente com o seu orgulho. Pensei, pensei, e escolhi o jeito mais simples e mais honesto que eu sabia fazer. Escrever! Escrevi a ele uma carta, foram na verdade, 4 rascunhos, que no final viraram uma única apenas.

Escrever, é uma coisa simples de se fazer, eu pelo menos, sempre adorei escrever historias, imaginar personagens, finais felizes, e tudo o que uma historia encantada podia ter, só que a minha historia estava longe de ser encantada, estava longe de o amor de ambos os lados, e muito longe mesmo de ter o tal final feliz.

Coloquei meus fones de ouvido na "nossa" música, peguei um lapis e comecei a escrever, já na segunda linha a nossa historia mais se assemelhava á uma tragédia, em que não existia os mocinhos, não existiam vilões, não existia madrastas ou tudo mais, e apenas o que existia era o amor inquebrável, imutável e paranóico de um dos personagens, e do outro lado existia a relutância, a ignorância e os olhos de um mocinho-vilão perfeito.

Eu sempre quis contar a minha historia de um modo de que as pessoas iriam dizer:

* Nossa, olhem para eles, como estão felizes, como eles são sortudos.*

Mais, já no segundo parágrafo as lagrimas rolavam sobre a folha, eu enxugava elas com as costas das mãos, porem, não era o suficiente. Bom, minha intenção não era escrever alguma coisa para que ele sentisse pena de mim e da minha tristesa, a minha intenção era de que ele soubesse que todos os dias aconteciam coisas que eu não podia dizer, mais a noite, sozinho, com meu pensamento nele eu revivia tudo de novo, e isso seguia pela manhã, seguia pelo dia, e estava se arrastando na minha frente, ele precisava saber, que não foi nada do que ele disse, ou fez, foi simplesmente tudo o que ele era, ele tinha que saber, que na minha vida eu teria novos Janeiros, porém, mais nenhum janeiro como aquele em que eu tive ele. Porque eu havia perdido o equilíbrio na corda bamba, e que as minhas piores dores já haviam sido mais fáceis antes dessa dor que eu sentia por ele. E hoje, escrevendo essas palavras para vocês eu digo que, se eu visse antes tudo o que eu vejo agora, eu nunca teria sido quebrado no chão como eu me quebrei.

Carta pronta, lagrimas enxugadas, só me restava uma única e triste dúvida. Como eu iria entregar essa carta para ele? Bom, armei dois planos, um mais convencional, e o outro mais casual. Era domingo, fazia duas semanas que o meu mundo era totalmente e exclusivamente dele. Acordei cedo, ajudei minha mãe nos afazeres de casa, poia nesse dia eu estava de folga, então, com toda certeza, era um ótimo dia para ele, pois não correia o perigo de me ver por lá. Bom, era o que ele pensava, porque eu não estava nem um pouco afim de desistir dele, e muito menos de desistir de entregar a minha carta á ele.

Eram 3 da tarde, ele logo sairia para o almoço, e eu estava lá, sentado bem ao lado da porta do vestiário dos funcionários. Hoje ele não me escapa. Pensei. Demorou uns 15 minutos e logo senti o mais gélido arrepio, na verdade, eu nunca soube ou saberei explicar a maneira que eu me sentia quando ele estava por perto, era uma mistura de agonia com alegria, era um prazer contente, com suor nas mãos, e uma cara de bobo apaixonado que, se a pessoa mais desligada de lá reparasse em como eu agia e olhava para o Vinicius, logo saberia que eu sentia muito mais do que eu conseguiria explicar.

Ele me viu, e fingiu não ver, assim como eu esperava que ele fizesse, entrou na mo vestiário e eu fiquei na porta, com uma pasta com a carta para ele. Demorou uns 15 minutos, na verdade, eu sabia o porque da demora, mais como ele não ia poder ficar lá pra sempre me evitando, resolveu sair. E quando ele saiu, novamente sem me olhar nos olhos, eu o chamei pelo nome, mais ele fingiu que não era nada com ele, e entrou novamente no mercado. Pensei, pensei, e lembrei de que ele teria que ir buscar sua bicicleta pra ir pra casa, então, fui ate o lugar que ele deixava a sua, e resolvi esperar, afinal, eu não estava trabalhando aquele dia, então, tinha todo o tempo do mundo para esperar ele. Demorou pouco tempo e eu vejo ele saindo pela porta do mercado, então, fiquei ali parado, e ele vindo em direção a bicicleta, É hoje que eu resolvo isso. Pensei. E ele vinha em direção, mais e mais, andando devagar e eu passando pela minha mente tudo o que eu iria dizer ao entregar a carta. Devagar e em cabeça baixa ele se aproximou.

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Comentários

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Sua escrita melhora a cada capítulo cara. Nunca tive nada igual a sua história, mas você escrevendo parece que nos leva até o lugar que tudo aconteceu e nos faz observar com nossos olhos o que você sentiu e aconteceu. Vinicius é bem infantil mesmo hein caraca. Te ignorar e tal nossa parece um moleque

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Passei a odiar o Vinicius mortalmente mto moleque ele ne. E nosso como o amor as vezes e louco ne nos tratam de uma forma tão cruel, me comovo mto com sua vida por ser parecida com a em alguns pontos. E não a mal qe dure pra sempre ne bjs lindo♥♥

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