O caminho das borboletas. 19

Um conto erótico de MMah
Categoria: Homossexual
Contém 793 palavras
Data: 04/11/2014 00:12:16

Desse dia em diante passamos a nos falar mais vezes e tínhamos um tratamento mais carinhoso. Ela me escrevia centenas de mensagens por dia e eu também não ficava atrás. No entanto, na prática nada havia mudado. Eu continuava namorando e o Vini continuava a contar os dias. A diferença é que agora eram 3 pessoas ao mesmo tempo na minha vida. Onde esse povo andava quando eu estava solteira? Uma noite qualquer eu estava esperando ela me ligar. Eu borboletava muito por aquela menina. Muito de muito. Em poucos dias ela havia se tornado muito especial pra mim, a ponto de não me imaginar mais dormir sem ouvir sua voz. Quando ela ligou, eu prontamente atendi:

Eu: Oiiiii.

Ela: Oow Deus, que coisa mais gostosa. Sabia que eu estava morrendo de saudades de vc?

Eu: Eu tbm, chuchu. Ci, queria lhe dizer algo.

Ela: Pode falar. Pelo visto o assunto é sério. Percebi pelo tom da sua voz.

Eu: É sim, bem sério.

Ela: Vixeee.. Diga!

Eu: Ci, vc se aproximou de mim num momento muito louco, sabe? Eu parecia estar bem quanto à minha sexualidade. Me sentia segura sobre não querer mais me relacionar com mulheres. Até que você chegou. Sei que não faz muito tempo, e me conhecendo como me conheço, sei também que demoro muito para falar algo assim. Mas preciso que você saiba que eu amoooo você. Talvez nosso "relacionamento" não chegue a lugar nenhum, mas como pessoa e como amiga, eu aprendi a amar você da maneira mais pura e sincera que poderia existir.

Ela estava aos prantos.

Quando se recompôs, disse:

Ela: Mah, eu já tive muitos relacionamentos. Não estou lhe dizendo isso da boca pra fora, nem pra lhe ganhar no papo. Mas dessas todas e todos que já passaram, eu nunca amei nenhum. Tinha sim a questão física, tinha a falta, porque como você sabe eu sempre fui meio perdida e sozinha. Então quando terminava um relacionamento era dolorido. Mas eu nunca amei ninguém como eu amo você, a ponto de querer jogar toda a minha vida pro alto e voltar pro nordeste.

Fomos criando uma relação de cumplicidade muito bacana. Era impossível ouvir uma canção e não lembrar dela. Então logo eu lhe enviava a letra. Uma delas foi essa:

Eu disse sim

Mas não disse agora

Eu disse quero

Mas em outra hora

Deixa eu te conhecer

Me diga quem é você

O teu olhar me desmonta inteiro

E o teu sorriso

É o sol verdadeiro

Deixa eu te conhecer

Me diga quem é você

...

[Thiago Grulha - Pra sempre]

Outras como OTM - Você me bagunça

...

Você me bagunça

E tulmutua tudo em mim

Essa moça ousa,

É musa, abusa

De todo meu sim

Você me bagunça

E tumultua tudo em mim

Ainda joga baixo

Eu acho, nem sei

Só sei que foi assim

...

Se perder

Sem se podar

E se importar comigo

Aprender você

Sem te prender comigo

Eu vivia borboletando por aquela moça. O tempo todo, todo o tempo, era nela que eu pensava. Mas nem tudo são flores. Eu continuava a ir para a igreja, e num domingo a noite, eu me senti muito mal por voltar a me relacionar com uma mulher, mesmo que fosse apenas pelo telefone. Também me senti mal porque mesmo que não fosse fisicamente, em intenção e em sentimentos, eu traia meu namorado. Por fim, eu ainda nutria um sentimento muito forte pelo Vini.

Quando cheguei em casa, chorei muito. Mas sabia o que deveria fazer. Ela ligou toda feliz, tadinha. E eu lhe atendi com voz de choro:

Eu: Oi

Ela: Amor, o que houve? O que aconteceu, bebê? Voce está me assustando.

Eu: Ci, eu amo muito você, mas não posso continuar. Eu passei muitas coisas com a D... Eu fiz minha mãe sofrer muito por ter um relacionamento desse jeito. Eu fiz de tudo para voltar para a igreja e não posso simplesmente jogar tudo pro alto assim.

Ela estava em silêncio, mas dava pra ouvir os soluços.

Ela: Você está acabando?

Eu: Sim.

Ela: Tem certeza?

Eu chorei muuuuito e respondi: Sim.

Ela ficou em silêncio e depois disse:

Ela: Vou dormir. Trabalho amanhã cedo.

Eu: Ci, por favor, fica. Vc não dorme tão cedo assim.

Eu estava chorando muito.

Ela: Não. Não quero mais ficar. Boa noite. Tchau.

Desligou o telefone e eu fui às lagrimas com toda a intensidade. Chorei como poucas vezes havia chorado na vida. Por outro lado, agora eu estava livre pra resolver tudo de maneira honesta. Primeiro comigo mesma, depois com os outros.

Chorei e acabei pegando no sono.

Gente, é isso! Agradeço pela força. Havia prometido contar o que houve, mas hoje eu só tenho condições de escrever sobre passado mesmo. Bjoo pra vcs

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