Gotas de Júpiter - A MÚSICA DO ADEUS - 01X08

Um conto erótico de Escritor Sincero
Categoria: Homossexual
Contém 1759 palavras
Data: 08/10/2014 02:11:25

“HOJE TEM FESTA NO GUETO... PODE VIR POD...” (desligando o despertador)

Levantei com o estomago embrulhado e corri para o banheiro. Vomitei tudo o que tinha direito. Mas a dor no meu peito permanecia. Tomei banho e nem me importei com o frio. Queria apenas sumir. Desaparecer. Meda de vida. Desci correndo as escadas, sem falar com ninguém. Peguei minha bike e pedalei até a escola. No corredor rezei para ninguém falar comigo, porém foi inevitável.

Suzana: - Reunião. Após o intervalo. Os professores dos últimos tempos nos darão dispensa. Depois você me agradece. (beijando Thiago três vezes)

Ludmila: - Olá? Toda serelepe. Qual o motivo de alegria?

Suzana: - Graças a mim... a gente vai ter dispensa hoje.

Ludmila: - Santa Suzana. (levantando as mãos)

Suzana: - Sou mesmo. Deixa eu ir avisar o Bruno e os outros meninos.

Ludmila: - Você tá bem?

Thiago: - Sim..

Não. Eu não estava bem. O meu primeiro namorado havia me dispensado para voltar para a ex dele. Eu o culpava? Não, também. A culpa era minha. Principalmente por acreditar que eu teria um futuro com ele. Fomos até o mural saber quais seriam os tempos permanente.

Segunda: Português, Matemática, Intervalo, Artes, Educação Física

Terça: Biologia, Química, Intervalo, Literatura, Português

Quarta: Inglês, Português, Intervalo, Matemática, Física

Quinta: Literatura, Artes, Intervalo, Português, Educação Física

Sexta: Português, Matemática, Intervalo, Inglês, Literatura

Kim anotou tudo no seu ipad. Eu e Ludmila tiramos uma foto. Começar a semana com Português, depois de um rompimento surpresa é foda. Não havia conhecido a professora, ela parecia ser uma mulher dura. Se chamava Rosa, acho que ela era mais espinho que flor.

Rosa: - Escutem aqui. Temos uma programação extensa. Afinal dentro de três anos vocês estão realizando o vestibular.

A aula foi chata, mas tive que aguentar até o fim. O tempo seguinte foi ministrado pela professora Samira de Artes. Conversamos mais sobre o baile e a Suzana e Ludmila falaram sobre os temas. Na hora do intervalo resolvi me esconder dos meus amigos. Voltei para a sala e Ludmila perguntou onde eu estava. Dei com os ombros.

Em seguida, entrou a professora Marina que nos levou para o vestiário e começamos as aulas de educação física. Assim que terminou subimos para a reunião. Outra coisa tranquila. Na volta para casa vi um casal de mãos dadas na praça. Meus olhos encheram de lágrimas.

A semana foi pavorosa. Conheci os professores Breno (Química), Sebastião (Inglês) e Otávio (Física). A culpa não foi deles. Durante a semana, o Vitor me mandoumensagens e ligouvezes. Não queria ouvir as desculpas dele. Decidi me concentrar no trabalho que já havia começado, na verdade fiquei no caixa durante toda semana e no sábado fui até a casa da avó do Lúcio. Começaria os meus trabalhos de jardinagem e pintura.

Dona Maria: - Thiago. Você veio.

Thiago: - Eu prometi. Tirei uma folga do trabalho para cumprir a minha promessa.

Dona Maria: - Vem entra. Vou fazer um suco para você.

Thiago: - Obrigado.

Conversei um pouco com a Dona Maria, coisas triviais. E comecei o meu serviço. Tá. É mais difícil do que eu imaginei, mas no final fiz um bom trabalho. Levou apenas seis horas, dois dedos cortados e um sol de lascar. Sim. Fez sol no dia que eu mais precisei do frio. Pra minha surpresa a Ludmila chega e me pega no meio do trabalho.

Ludmila: - Thiago?

Thiago: - Oi Ludmila.

Ludmila: - Tá fazendo o que?

Thiago: - Prometi a dona Maria que faria um trabalho nesse jardim.

Ludmila estava olhando estranho para mim. Percebi que estava sem camisa. Fiquei completamente sem graça. Disfarcei e corri para vestir minha camiseta.

Dona Maria: - Hoje é o dia de visita.

Ludmila: - Sim. Trouxe algumas comprinhas do supermercado.

Dona Maria: - Entrem os dois. Vou fazer um lanche.

Ludmila: - Nossa Thiago. Que saúde hein...

Thiago: - Tem que manter a silhueta.

Dona Maria: - Obrigada meninos. Vocês são uns amores. Graças a Deus, o Lúcio tinha o apoio de vocês.

Ludmila: - O prazer é todo nosso. Gente agora eu tenho que ir. (beijando dona Maria)

Thiago: - Eu também preciso ir para casa dona Maria. Semana que vem estou de volta.

Dona Maria: - Obrigada. Vocês são maravilhosos.

Cheguei em casa e subi para o meu quarto. Tomei um banho e fiquei assistindo ao pôr do sol. É uma coisa tão linda. O amarelo se torna laranja e as cores se complementam. Um vento gostoso bateu e fechei os olhos. Imaginei onde o Vitor estava. Será que ele sente minha falta? A mulher dele faz ele feliz?

De repente me deu vontade de tocar piano, mas infelizmente no momento não seria possível. Queria alguém para desabafar, porém meu pai não ficaria feiz ao saber que estava saindo com um homem quase 20 anos mais velho que eu. Ser gay é foda. Minha mãe acho que me entenderia.

Hélio: - Filho. Vamos jantar fora hoje?

Thiago: - Não tô no clima pai. Pode ir.

Hélio: - Qual é. Vai ser divertido. Tanto tempo que não saímos juntos... desde...

Thiago: - Ok pai. Vou me arrumar.

Desde a morte da minha mãe, o meu pai não sai com ninguém. Acho um pouco triste, afinal ele é jovem e bonito. Ao mesmo tempo não quero que ninguém ocupe o lugar da minha mãe.

Chegamos a uma praça de alimentação. As pessoas estavam muito bem vestidas. O Alex como sempre não desgrudava do celular, ele deixou uma namorado em São Paulo. Apesar de tudo, eu e meu pai sempre conversamos bastante. Menos quando se trata das minhas preferências sexuais. Ele nunca quis saber de namorado, paquera ou algo do tipo.

Thiago: - Pai. O senhor trabalha tanto... deveria ter mais tempo para sair e se divertir.

Hélio: - Vocês dois são minhas diversões particulares.

Thiago: - Pai... eu digo... sabe.... quer dizer....

Alex: (sem tirar o olho do celular) – Sair com uma gata pai. Transar, molhar o biscoito, fazer o tico tico no fubá, tirar o atrasado.

Thiago e Hélio: - Alex!!!

Thiago: - Enfim. Quando o senhor vai voltar para o mercado?

Hélio: - Sei lá, meu filho. Tenho outras prioridades no momento.

Do outro lado, a mulher misteriosa observava o local. Ela se aproximou da barraca de cachorro quente e fez seu pedido. Esperou alguns minutos e pegou o alimento. Meu pai levantou para pegar a nossa janta e o cupido resolveu agir por conta própria. A mulher se distraiu com um pedaço de salsicha que caiu no chão e meu pai se assustou com um barulho de foguete. BAAAAMMMMM!!!!!

Hélio: - Me perdoe. (tentando levantar do chão sem sucesso).

Mulher: - Tudo bem. Eu que me distrai e...

Thiago: - Alex... olha...

Hélio: - Desculpe. Me chamo Hélio. (ajudando a mulher a se levantar)

Mulher: - Elizabeth.

Hélio: - Oi, Elizabeth.

Elizabeth: - Oi, Hélio. (fechando os olhos e mudando de postura) – Desculpe. Eu preciso ir.

Hélio: - Espera... ei... Elizabeth...

Papai pegou nossos pedidos e voltou para a mesa. Eu e Alex ficamos olhando para ele e ao mesmo tempo querendo rir.

Thiago: - O cupido agiu rápido.

Hélio: - Foi um acidente e...

Alex: - Chamou ela para sair?

Thiago: - Pai. Até eu achei ela bonita.

Chegamos em casa e decidi terminar o dever de casa. Agora com todos os tempos de aula a minha vida ficou agitada demais para pensar no Vitor. Entrei no facebook e comecei a ver as páginas dos meus amigos. O Gustavo havia publicado uma foto apenas de sunga. Nossa. Passei mal.

Entrei no banheiro e liguei o chuveiro. É tão gostoso sentir a água descendo pelo nosso corpo. Comecei a me masturbar e pensar no Vitor. Na forma como ele me fazia sentir, ele me completava de todas as maneiras. Cai no chão e comecei a chorar.

No dia seguinte fui pra escola me sentindo mal, o primeiro tempo era de português. Nada de novo. Na aula de matemática, o Renan foi minha alegria. Afinal, eu estava na turma dele. No intervalo tentei evitar os meus amigos, mas foi impossível. Conversamos sobre a limpeza que eu estava fazendo na casa da dona Maria.

Fomos liberados da aula de artes para nos juntarmos e planejarmos o baile da escola. Os meninos ficaram conversando e eu aproveitei para andar pelo auditório. Recebo uma ligação do Vitor e recuso. Entro no facebook dele e vejo uma foto dele com a Cintia e os filhos. Engulo seco. E uma lágrima rola do meu rosto.

Para minha surpresa encontrei um piano de calda. Era preto, lindo e não pensei duas vezes. Sentei e comecei a dedilhar algumas notas. Quando estou tocando é como se o mundo não existisse. Os problemas acabam, sou apenas eu e a música. Lembro da canção do Malta. Ela diz tudo o que estou sentindo no momento:

Hoje eu vejo que não consigo entender

O que houve entre nós

Eu ainda consigo ouvir sua voz

Me dizendo o que eu já sei

Tudo tem um começo e um fim

Eu vejo a dor em seu olhar

E mesmo sem querer eu te deixo partir

Pra que possa tentar ser feliz outra vez

Recomeçar

A música chama a atenção dos meninos que estão reunidos pensando no tema principal do baile.

Suzana: - Quem tá tocando? (levantando e indo até o auditório)

Ludmila: - Será que é o Thiago? (indo atrás de Suzana)

Todos os outros seguem as meninas e me encontram tocando loucamente. Nem os percebo se aproximando. Naquele momento sou eu. A música e a dor.

E quando eu me perco em suas memórias

Vejo o espelho contando histórias

Sei que é difícil de esquecer essa dor

E quando penso no que vivemos

Fecho os olhos, me perco no tempo

Pra mim não acabou

Tudo tem um começo e um fim

Eu vejo a dor em seu olhar

E mesmo sem querer eu te deixo partir

E quando eu me perco em suas memórias

Vejo o espelho contando histórias

Sei que é difícil de esquecer essa dor

E quando penso no que vivemos

Fecho os olhos, me perco no tempo

Pra mim

Sei que você vai seguir, mas eu não vou desistir

Eu espero que você se entregue nesse amor

Sei que você vai seguir

Mesmo com a dor vai lembrar de mim

Hoje eu vejo que não consigo entender

O que houve entre nós

E quando eu me perco em suas memórias

Vejo o espelho contando histórias

Sei que é difícil de esquecer essa dor

E quando penso no que vivemos

Fecho os olhos, me perco no tempo

Pra mim não acabou (x2)

Pra mim não acabou

Todos aplaudem e eu me assusto. Enxugo as lágrimas e um silencio mortal toma conta do palco. Não tenho outra reação a não ser sair correndo.

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